sábado, 6 de abril de 2013

100 Aventuras de Uma Criminóloga

Por Gabriel Guimarães

 
Capa da centésima edição de "J. Kendall -
Aventuras de Uma Criminóloga"
A editora Mythos lançou recentemente aqui no Brasil a 100ª edição da revista mensal "J. Kendall - Aventuras de Uma Criminóloga", que narra as investigações da perita em psicologia criminal Julia Kendal em casos onde colabora com a polícia de Garden City, em Nova York. Criada pelo italiano Giancarlo Berardi em outubro de 1998, a personagem ganhou grande destaque no acervo da editora italiana Bonelli ao longo da última década. Sempre mostrando o cotidiano de uma personagem feminina segura, inteligente e perspicaz, as história de Júlia ganharam leitores de ambos os sexos em vários países ao redor do mundo, quebrando muitos paradigmas que existiam na indústria e estabelecendo um novo rosto para a luta da maior participação da mulher nos ambientes de trabalho normalmente ocupados apenas por homens. Este rosto, entretanto, não é algo inteiramente novo.
 
Capa da primeira edição da
personagem no Brasil
Inspirada fisionomicamente na atriz Audrey Hepburn, Júlia possui traços delicados que contrastam dos ambientes obscuros e carrancudos nos quais a maior parte de seus casos acontece. Munida de uma vasta bagagem intelectual, porém, ela supera os obstáculos que cada caso lhe apresenta e evolui, crescendo em seu papel tanto dentro da delegacia quanto dentro da universidade onde dá aulas. Sempre aconselhada por sua amiga Emily, cuja aparência também é inspirada em outra atriz norte-americana, Whoopie Goldberg, Júlia também experimenta incertezas quanto à sua vida pessoal e familiar, que ajudam os leitores e leitoras a se relacionar mais profundamente com ela, ao mesmo tempo em que se veem instigados pelos mistérios e enigmas que a protagonista precisa desvendar.
 
Uma das edições especiais da série
A mais ferrenha, porém, das lutas travadas por Júlia se deu nos bastidores brasileiros de sua publicação. Lançada em novembro de 2004 nas terras tupiniquins com muita pompa junto ao público aficionado da arte sequencial mundial, após apenas quatro edições, a revista teve que passar por sua primeira grande mudança, trocando seu nome de "Júlia - Aventuras de Uma Criminóloga" para "J. Kendall - Aventuras de Uma Criminóloga", por questões relacionadas aos direitos autorais atrelados à editora Nova Cultural quanto ao uso desse particular nome feminino no título de seus romances de linha. Alguns anos depois, em julho de 2010, a série enfrentou um outro problema que quase cancelou sua publicação definitivamente: o baixo número de vendas. Após o anúncio oficial de que a série sofreria uma interrupção para planejamento editorial, o alvoroço dos leitores nas redes sociais e em fóruns de discussão sobre a nona arte acabou chamando a atenção dos editores responsáveis pela revista, que lhe deram mais quatro edições de sobrevida para ver se o rendimento mudaria. Conforme as edições foram sendo lançadas, as vendas cresceram e a série conseguiu se firmar como publicação fixa da Mythos desde então. Hoje, cerca de 30 edições depois da época mais sombria que a personagem precisou encarar, é um grande prazer observar o sucesso dos mistérios criados por Berardi, que chegaram até a ganhar 5 edições especiais além do modelo mensal.
 
 
Publicada desde seu início no formato 13,5cm x 17,5cm, a série manteve sempre seu rendimento em termos de qualidade de traço e quantidade de páginas, fixada em 132, atraindo novos leitores e expandindo a experiência dos grandes fumetti italianos no Brasil. A qualidade do papel, que se assemelha ao utilizado no país pelos principais jornais em circulação, nem sempre consegue fazer justiça ao conteúdo que é usado para transmitir, mas o cuidado com erros gráficos tem crescido nos últimos anos e gerdo bons resultados. Júlia, junto do aventureiro Ken Parker, representa a grande contribuição de Berardi para o universo dos quadrinhos, e somos todos muito gratos por esse legado. Que venham sempre mais mistérios e emoções pela frente.
 
A quem tiver interesse, o site Universo HQ destacou também o feito da criminóloga dos quadrinhos, comentando, inclusive, os planos da editora Mythos para o futuro da publicação, que ainda não são exatamente ideias para a revista, mas que podemos esperar na torcida que a situação da editora melhore. A matéria em questão pode ser conferida aqui.

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