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domingo, 13 de setembro de 2015

XVII Bienal - Onze Linhas de uma Grande História

Por Gabriel Guimarães
 

A cidade do Rio de Janeiro, talvez alheia ao que o dia reservava ou até por causa desse conhecimento, amanheceu em prantos pelo fim de mais uma edicão da Bienal Internacional do Livro. Enquanto muitos habitantes da capital carioca tenham optado por descansar e ter um domingo de repouso, uma grande quantidade ainda se viu estimulada a visitar o Rio Centro para conferir ofertas de saldão  que as editoras e demais revendedoras poderiam estar disponibilizando em cima do material que haviam levado para o evento. E ninguém saiu de mãos vazias, ao menos no que diz respeito aos leitores de quadrinhos.

"Quem Matou João Ninguém"
foi um dos títulos interessantes
de quadrinhos da Draco
"Pílulas Azuis" foi um
dos títulos em promoção
na Nemo
Enquanto a editora Nemo, parte do Grupo Autêntica ofereceu 40% de desconto em todos os seus títulos, com destaque para a Coleção Moebius, a editora Draco disponibilizou uma promoção de 4 livros pelo preço de 3, estimulando a venda de seus muitos títulos de fantasia escritos por autores brasileiros, além de seus conteúdos de arte sequencial, como "Quem Matou João Ninguém", escrita por Zé Wellington e desenhado por uma grande equipe de profissionais, composta por Wagner Nogueira, Wagner de Souza, Cloves Rodrigues, Ed Silva, Alex Lei e Rob Leon.


Outro estande de destaque no dia foi o vizinho da Draco, ocupado pela empresa Copag, de jogos de cartas, que vêm se expandindo nos últimos anos e lançado vários conteúdos de entretenimento em formato portátil, como versões dos jogos de tabuleiro clássicos, como "Banco Imobiliário", além de alternativas mais novas, como "Convocados" e "Pingo no I". Outro destaque do estande fica por conta do jogo de cards colecionáveis Battle Scenes, que vem figurando os personagens da Marvel em disputas que buscam assemelhar as épicas disputas do clássico "Magic: The Gathering", segmento este que também esteve presente na Bienal no estande da Devir.

Artes originais de roteiros de histórias da Mônica
estiveram expostas no estande da Panini
O alvoroço, contudo, inviabilizou em vários momentos do dia uma visita calma aos estandes, em especial aqueles que dispunham de obras inéditas ou que estiveram com autores assinando seus  materiais, como foi o caso da Panini, que recebeu mais uma vez o quadrinista Maurício de Sousa e viu suas filas crescerem de forma impressionante. De forma muito solícita, o criador da Turma da Mônica atendeu a todos os visitantes, recebendo cada um com um grande sorriso no rosto e um aperto de mãos simpático e um olhar carinhoso. Até o público que conferiu o momento através das paredes transparentes da área onde o autor se encontrava foi agraciado com uma salva de aplauso do mestre, que até posou para fotos enquanto o fã seguinte entrava na cabine par pegar seu autógrafo.


O dia foi muito movimentado, mas extremamente proveitoso, e certamente os Pavilhões do Rio Centro foram palco de grandes momentos, tanto para o enriquecimento da literatura como campo, quanto de cada leitor como indivíduo e como comunidade. Quem teve a oportunidade de visitar a XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, com certeza pode sentir o quanto essa paixão vem conquistando novos leitores, e o quanto isso pode dar esperanças para o futuro de nossa sociedade, com gerações mais atentas e conscientes ao mundo que lhes cerca, e quanto ao seu papel em todo o grande contexto das coisas. Foi uma oportunidade de reencontrar amigos, criar novos laços e, principalmente, celebrar essa paixão que norteia nossos dias no mercado editorial brasileiro. Em 2017, haverá mais por se contar, mas, até lá, muitas histórias ainda hão de ser escritas. Vamos lá!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

XVII Bienal - Nove Capítulos de Ação e Emoção

Por Gabriel Guimarães


O nono dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro  começou com destaque para bons descontos em estandes como o Grupo Autêntica, que dispôs algumas das graphic novels publicadas por seu selo Nemo com 40% a menos no seu preço normal. Obras como "O Muro", de Céline Fraipont e Pierre Bailly, e "Uma Metamorfose Iraniana", de Mana Neyestani, são alguns dos títulos que chamam bastante a atenção. O estande da editora Martins Fontes é outro que promoveu um corte dos preços de seus livros pela metade, com destaque para os títulos da "Mafalda", do argentino Quino, e a Novo Conceito também apresentou preços especiais em vários de seus exemplares, proposta similar às editoras PubliFolha, Leya e nos estandes de sebos como o PromoLivros e a Livraria São Marcos.

Árvore de livros no estande da Novo Conceito
oferece um bom local de repouso e convida a conferir os títulos
em promoção da editora

Jovem Nerd chegando ao espaço Cubovoxes
Com o último dia das turmas de colégios em excursão, muitos estudantes lotaram  os Pavilhões do Rio Centro, em especial o Verde, onde o estande da RedZero, curso de desenvolvimento de games e modelagem 3D, atraiu os visitantes para jogar partidas de futebol virtual e dançar para o Kinect ao som das músicas do momento. Para agregar a galera nerd, o estande ainda promoveu a vinda à Bienal dos blogueiros Alexandre "Jovem Nerd" Ottoni e Deivi "Azaghal" Pazos, donos de uma das produtoras de mídia mais reconhecidas no meio virtual. A multidão acompanhou os empreendedores até sua palestra no espaço Cubovoxes e acompanhou com grande afinco o depoimento da dupla sobre sua trajetória no mercado. Ao som da tradicional saudação do portal, o entorno do espaço foi bastante claro sobre o reconhecimento que a mídia alcança junto ao seu público. O site do curso que promoveu toda essa experiência pode ser conferido no link aqui.

O público tem comparecido em massa ao evento, mesmo no
meio de semana
O que chama a atenção é que essa edição da Bienal começou acertando em um ponto problemático das últimas edições: o preço dos livros.  Entretanto, o que parecia apontar para aprimorar a experiência do evento tornou a ser um desgaste no decorrer dos dias. No movimento agitado da semana, os preços dos estandes encontravam-se similares aos das lojas fora do evento, e isso gerou as mesmas críticas dos anos anteriores. Agora, na reta final da feira, parece que os responsáveis pela administração de cada estande torna a dar o braço a torcer, oferecendo descontos atraentes e convidativos.  Quem tiver a chance de visitar o Rio Centro este final de semana, certamente, encontrará boas promoções e, espera-se, tenha sua veia literária reacendida e inflamada por mais dois anos, pelo menos. Aguardemos para ver, e nos encontramos por lá!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

XVII Bienal - Seis Epopeias Literárias

Por Gabriel Guimarães


O sexto dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi menos lotado que os anteriores, porém, igualmente movimentado. Os maiores estandes do Pavilhão Azul receberam atenção, com destaque para o do Grupo Editorial Record, que levou seus títulos baseados no popular game "Assassin's Creed" e na HQ/série de televisão "The Walking Dead". Em algumas de suas prateleiras, dentro do estande, estiveram dispostos, ainda, os álbuns do personagem de quadrinhos "Asterix", de René Goscinny e Albert Uderzo, e manuais referentes ao universo ficcional de "Star Wars". Os descontos no estande eram condicionados pela compra de um determinado número de volumes, mas uma visita ao estande é recomendada.

Localizado no mesmo corredor central, o estande do selo Companhia das Letras é outro que vale uma visita. Com estantes dedicadas a cada um de seus respectivos selos editoriais, desde a Suma de Letras (que conta com grande acervo de obras do popular e aterrorizante escritor Stephen King) até a Quadrinhos na Companhia, com títulos clássicos do quadrinista norte-americano Will Eisner (que já foi homenageado em diversas ocasiões aqui, aqui e aqui no blog) e a adaptação para os quadrinhos do livro do amazonense Milton Hatoum, "Dois Irmãos", feita propositadamente pelos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e lançada recentemente no mercado.


Contando com menos espaço que estes dois, mas ainda assim uma área bastante considerável, o Grupo Autêntica, do qual o selo Nemo faz parte, também se encontra no Pavilhão Azul, com clássicos europeus como a sua primorosa Coleção Moebius e volumes como "Companheiros do Crepúsculo", de François Bourgeon; conteúdo produzido primeiro na internet brasileira, como são os casos de "Bear", da quadrinista Bianca Pinheiro, e "Como Eu Realmente", ilustrado e escrito por Fernanda Nia; e novos títulos de questionamento e mudança de perspectiva cultural, como "O Mundo de Aisha", de Ugo Bertoti, "Uma Metamorfose Iraniana", de Mana Neyestani, e "Pílulas Azuis", do francês Frederik Peeters (este último, que, inclusive, já foi adaptado para o cinema ano passado, e cuja página no IMDB pode ser conferida aqui). O estande ainda conta com um grande lote de livros e quadrinhos a preços convidativos, valendo ressaltar a presença, entre estes, dos títulos de "Boule & Bill", criados pelo belga Jean Roba e atualmente produzidos pelo seu outrora assistente Laurent Verron, que conseguiu levar os personagens às telas de cinema e até para videogames.

Concluindo os destaques deste Pavilhão de hoje, o estande da PubliFolha, em meio aos seus temas principais de turismo e culinária, apresentou também 3 títulos interessantes de arte sequencial, publicados pelo seu selo Três Estrelas, "Trinity - A História da Primeira Bomba Atômica em Quadrinhos", de Jonathan Fetter-Vorm, "O Golpe de 64", dos brasileiros Oscar Dilagallo e Rafael Campos Rocha, e "A Morte de Stálin", da dupla Fabian Nury e Thierry Robin. Apesar de não haver desconto nesses itens, sua presença no estande aponta que a editora está começando a se aventurar na nona arte e um potencial crescimento nesse segmento poderia ser bastante interessante, principalmente levando em consideração a diversidade de fontes dos trabalhos publicados por eles até o momento. Que este seja apenas o início!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sonho, Dedicação e Saudade

Por Gabriel Guimarães

Antonio Luiz Cagnin, Waldomiro Vergueiro, Sonia Bibe Luyten,
Moacy Cirne e Álvaro de Moya, da esquerda para a
direita, respectivamente

Ontem, dia 11 de janeiro de 2014, o rol de estudiosos da nona arte perdeu um de seus grandes representantes nas terras tupiniquins. Aos 70 anos de idade, o professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, Moacy Cirne, faleceu após uma parada cardíaca decorrente de uma cirurgia a qual fora submetido para tratamento de hepatite, conforme noticiado à tarde pelas páginas online dos jornais "Tribuna do Norte" e "O Globo". Com uma vasta bibliografia dedicada ao estudo da arte sequencial, seus elementos semióticos e aspectos sociopolíticos, Cirne deixa um legado de importância incalculável para os admiradores das histórias em quadrinhos, que tiveram nele um de seus mais empenhados pesquisadores.
 
Autor de obras como "Bum! - A Explosão Criativa dos Quadrinhos" (1970), "História e Crítica dos Quadrinhos no Brasil" (1990) e "Quadrinhos, Sedução e Paixão" (2001), dentre tantos outros, Cirne nasceu na cidade de Jardim do Seridó em 1943, tendo se mudado para a parte baixa da rua Coronel Martiniano ainda aos 2 anos, na cidade de Caicó. Impressionado desde sempre pela dinâmica envolvente das revistas em quadrinhos que adquiria com seu vizinho Benedito, que trazia os materiais de Recife e os vendia frente à sua casa todas as quintas-feiras e admirado também pelas obras cinematográficas apresentadas no cinema Pax, Cirne iniciou uma carreira de grande destaque acadêmico, se tornando figura conhecida publicamente a partir de sua parceria com a editora Vozes, localizada em Petrópolis, no começo da década de 1970. Lá, ele exerceu a função de secretário de redação, aprofundando seus conhecimentos acerca da semiótica, da semântica e dos movimentos literários, ainda que já fosse parte fundamental da vanguarda artística que inaugurou o poema-processo enquanto forma de expressão, no ano de 1967.
 
Dedicando-se à poesia e ao estudo da narrativa gráfica, Cirne trabalhou em diversos artigos ao longo das décadas seguintes, trazendo para o leitor seu posicionamento firme quanto ao poder do formato em termos de divulgação ideológica e sua crítica acerbada sobre o predomínio norte-americano no consumo de quadrinhos nos mercados latinos. Sua análise sobre os elementos formadores da mídia, exemplificados majoritariamente por materiais europeus, foram de grande relevância para uma maior abertura dos campi universitários para os quadrinhos enquanto objeto de estudo. Seu último livro, "Seridó Seridós", que tratava de sua infância e formação nos arredores da ponte do Rio Barra Nova, à beira da estrada para o Itans, com muita poesia e sinceridade, foi lançado no último dia 14 de dezembro, e carrega em si talvez parte daquilo que compôs um dos maiores pesquisadores brasileiros da indústria de quadrinhos mundial.
 
Cena da história "Reco-Reco,
Bolão e Azeitona", de Luiz Sá,
recolorida digitalmente
A notícia do falecimento de Cirne vem poucos meses depois da perda de outra importante figura no mesmo campo de estudo acadêmico. Fundamental no reconhecimento do artista ítalo-brasileiro Ângelo Agostini como um dos precursores das histórias em quadrinhos enquanto meio de comunicação de massa, o professor Antonio Luiz Cagnin faleceu no dia 9 de outubro de 2013, vítima de um infarto fulminante durante uma reunião de colegas no Embu das Artes, em São Paulo. Nascido no bairro de Araras, Cagnin se apaixonou pela nona arte desde seu contato com a obra "Reco-Reco, Bolão e Azeitona", do desenhista cearense Luiz Sá, que participou da revista "O Tico-Tico" durante o período em que o conteúdo da revista que vinha do exterior sofria com atrasos e problemas de transporte decorrentes do período da Primeira Guerra Mundial. Cagnin, então, se empenhou no magistério, saindo de casa aos 15 anos para trabalhar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, localizado em São José dos Campos, e dando aulas de línguas no tempo sobressalente.
 
Antonio Luiz Cagnin
Durante seu período de pós-graduação na USP, a partir de 1972, Cagnin vivenciou com bastante gana o Congresso Internacional de Quadrinhos, realizado em São Paulo por artistas brasileiros, como o futuro estudioso Álvaro de Moya, fazendo contato com professores da França e da Itália acerca do estudo aprofundado da arte gráfica na narrativa de histórias, sendo posteriormente convidado para participar da Organização de Professores de Quadrinhos, organizada pelo professor Francisco Araújo, da faculdade de Brasília. Participante ativo nos congressos posteriores, realizados na Bordighera e Lucca, ambas em terras italianas, Cagnin viria a se tornar professor efetivo da USP apenas em 1984, no setor de semiologia na Escola de Comunicações e Artes.
 
Já tendo publicado em 1975 o livro "Os Quadrinhos", na série "Ensaios", da editora Ática, Cagnin encontrou na seção de obras raras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro  "As Aventuras de Nhô Quim" e "As Aventuras do Zé Caipora", ambas produzidas pelo ítalo-brasileiro Ângelo Agostini e publicadas no jornal "Vida Fluminense", no ano de 1869. Observando mais atentamente o trabalho de Agostini, Cagnin se deu conta da aferição imprecisa do artista apenas como caricaturista, título que  lhe fora atribuído devido ao estudo feito pelo contista e historiador Herman de Castro Lima sobre o tema, durante a década de 1960. Cagnin explorou o restante do material produzido por Agostini e conseguiu realizar, em 1994, uma exposição sobre o artista nas instalações da USP na rua Maria Antonia, com apoio do consulado italiano. A repercussão da exposição foi enorme, percorrendo várias cidades brasileiras , além de muitos pontos ao redor da Europa, onde hoje é guardada no Centro de Estudos do Bordalo Pinheiro, em Portugal.
 
Cirne e Cagnin foram homens que dedicaram muito de suas vidas ao reconhecimento da arte dos quadrinhos e de seus representantes, valorizando a contribuição humana e cultural promovida por esse meio, e o material que eles nos permitiram ter acesso hoje, é certamente uma ferramenta de valor inestimável para uma visão ampla e acertada sobre o cenário brasileiro no campo da produção na nona arte. Suas palavras farão falta, mas seu empenho, dedicação e, acima disso, seus sonhos de validação da mídia, permanecerão vivos em cada um de nós em nossa jornada. 
 
Àqueles que tiverem interesse, a matéria sobre o falecimento do professor Moacy Cirne pode ser conferida no link aqui. Uma valiosa entrevista realizada com o professor Antônio Luiz Cagnin, realizada em 2010, também pode ser conferida no site "Bigorna 3.0", que pode ser acessado por aqui.

domingo, 1 de setembro de 2013

Bienal: Quatro Estações

Por Gabriel Guimarães
 

O quarto dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro começou com muita movimentação, principalmente para os admiradores da nona arte. Com os consagrados autores Maurício de Sousa e Ziraldo se alternando entre diversos estandes ao longo do dia, o público teve a oportunidade de conhecer pessoalmente os responsáveis por muitos dos conteúdos infantis que compunham o primeiro contato deles com a leitura. Indo desde a editora Globo Livros até a editora Ave Maria, passando ainda pelos estandes da Leya e da Melhoramentos, os dois quadrinistas conseguiram alcançar uma quantidade bastante abrangente de leitores, das mais diferentes idades, gêneros e origens. Para complementar as sessões de autógrafo, Maurício ainda participou de uma sessão de Encontro com os Autores, atividade programada pelos organizadores do evento no salão Rachel de Queiróz. Em companhia de sua filha, Mônica Spada e Sousa (que foi entrevistada algum tempo atrás aqui no blog), foi comentado o feito de sua personagem Mônica ter completado 50 anos em 2013, e os projetos provenientes dessa comemoração.
 
Pouco antes, o mesmo salão fora ocupado pelos membros do canal Porta dos Fundos, que recebeu o público e fez a divulgação do livro “Porta dos Fundos”, da editora Sextante, composto pelo texto de alguns dos esquetes que viraram vídeos no Youtube. Além disso, eles comentaram sobre o planejamento minucioso feito antes do lançamento oficial do grupo online e também aproveitaram para falar de seus próximos projetos. Apesar de o grupo não estar em sua totalidade, vários dos principais humoristas do canal estiveram presentes, como Fábio Porchat, Antonio Pedro Tarbet (criador também do site “Kibeloco”), Letícia Lima, Julia Rabello, Marcus Majella, Gabriel Totoro e Luis Lobianco.
 
Kleist autografa "O Bozeador"
 No estande da Alemanha, foi realizado o lançamento da nova obra do quadrinista Reinhard Kleist, “O Boxeador”, publicado aqui pela editora 8Inverso. Acostumado a produzir graphic novels de teor biográfico, Kleist é o autor de belas obras como “Cash – Uma Biografia” e “Castro”, além de ter organizado a obra “Elvis”. Partindo para uma figura não tão conhecida como aquelas com que trabalhara antes, Kleist apresenta, em sua nova obra, a vida do boxeador polonês Hertzko Haft, que foi obrigado a lutar para entreter os nazistas no campo de concentração onde era prisioneiro. Superando as limitações que a própria cultura alemã tinha de evitar tocar em assuntos relativos ao holocausto, Kleist realizou uma pesquisa minuciosa junto aos herdeiros de Haft e compôs essa obra, que ganhou, no começo do ano, um prêmio no Festival de Quadrinhos de Lyon, um dos mais respeitados da França. O autor se disponibilizou a autografar todos os volumes que haviam sido adquiridos pelo público com uma bela arte do protagonista da história, além da sua assinatura. Planejando já seus próximos passos, Kleist deve trabalhar em seguida com outras duas obras biográficas antes de investir em um material ficcional em si.
 
Bancada do estande da SUR
Próximo ao estande da Alemanha, também, fica um ponto de considerável interesse para os fãs da arte seqüencial. O estande da SUR – Distribuidora de Livros, Jornais e Revistas em Espanhol possui uma diversidade de títulos bastante interessante de nossos vizinhos argentinos. Indo desde a tradicional “Mafalda” e a série “Macanudo”, de Quino e Liniers, respectivamente, até títulos menos conhecidos, como “Bife Angosto”, do cartunista Gustavo Sala, a área é certamente interessante e vale dedicar uma visita a ela, tanto quanto à sua vizinha da esquerda, onde fica o estande conjunto da Livraria Francesa e do Pavillon France, com títulos como “Sibylline”, de Raymond Macherot, “Les Malheurs De Sophie”, de Mathieu Sapin, e “Le Serment dês Cinq Lords”, da dupla Yves Sente e André Juillard, todas em seu idioma original. Há, também, uma boa diversidade em títulos mais conhecidos, como os da série “Asterix”, de René Goscinny e Albert Uderzo. Portanto, dentro do Pavilhão Azul é possível fazer uma jornada bastante instigante a uma pequena amostra do mercado de quadrinhos ocidental, além do tradicional referencial norte-americano.
 
O estande da editora Novo Século ainda contou hoje com uma sessão de autógrafos interessante do livro “A Última Nota”, escrito por Ana Luísa Piras e Felipe Colbert, às vésperas do lançamento do segundo livro da série Equinócio, “Polaris – O Norte”, também escrito por Ana Luísa, que estará de volta ao evento a partir de quarta-feira, dia 4 de setembro. O estande ainda contou com um cartaz de larga escala referenciando ao seriado Walking Dead, baseada na série de histórias em quadrinhos com mesmo nome. A editora publicou, há pouco tempo, um livro contando os bastidores da produção, e pretende atrair o olhar dos visitantes que estejam acompanhando o desenrolar dos personagens dessa realidade pós-apocalíptica. Vale a pena conferir.
 
O primeiro final de semana da Bienal do Livro chegou ao fim, mas ainda há muitas histórias para contar e vivenciar nos três Pavilhões do Rio Centro, onde tudo está se desenrolando. Então, caso você ainda não tenha conferido pessoalmente tudo que está acontecendo, o que está esperando? Nos vemos lá!

sábado, 31 de agosto de 2013

Bienal: Três Doses de Arte

Por Gabriel Guimarães
 

O terceiro dia da Bienal do Livro, na cidade do Rio de Janeiro, foi bastante movimentado. Contando com um público extremamente numeroso, o evento teve o dia marcado pelas longas filas de entrada e saída de vários de seus estandes, dentre os quais se destacam os da editora Saraiva e da Livraria São Marcos, esta última sendo considerada, talvez, um dos grandes pontos de desconto e diversidade de títulos no Pavilhão Verde. A espera, porém, era compensada, uma vez que muitos autores estiveram presentes nos estandes de suas editoras ao longo do dia. Começando o dia com o americano Nicholas Sparks e atravessando a tarde com a brasileira Thalita Rebouças, o público adolescente foi, em geral, o principal privilegiado pelos organizadores do evento. Entretanto, o dia reservou grandes e maravilhosas surpresas para os fãs da arte sequencial também.
 
Gustavo Duarte assinando
"Pavor Espaciar"
Apresentando um movimento considerável, o estande da editora Melhoramentos chamou muita atenção no começo da tarde, graças à presença do quadrinista Maurício de Sousa, que esteve autografando livros lá, ao mesmo tempo em que, no estande da Panini, era realizada a sessão de lançamento oficial do terceiro volume da série Graphic MSP, “Pavor Espaciar”, com a presença do autor da obra, Gustavo Duarte. O ânimo do público foi recompensado com uma recepção calorosa do desenhista e do editor que vem sendo o responsável por essa coleção em particular e por muitos dos recentes lançamentos dos estúdios MSP, Sidney Gusman. Passado um primeiro momento de confusão com relação a aspectos de organização, o fluxo de leitores tendo sua nova aquisição autografada gerou uma grande satisfação e o reconhecimento do trabalho de Duarte foi inquestionável.
 
Kleist durante o worksop
Pouco depois, no estande do país homenageado da edição de 2013 da Bienal, a Alemanha, aconteceu uma série de atividades que atraiu muitos visitantes que passavam por ali. Primeiramente, o quadrinista alemão Reinhard Kleist realizou, em parceria com a ONG C4 – Biblioteca do Parque da Rocinha, um workshop sobre narrativa das histórias em quadrinhos para alunos do Instituto Wark Rocinha, organização sem fins lucrativos que procura oferecer a crianças e jovens do morro da Rocinha a oportunidade de se envolver em projetos envolvendo a criação artística. Organizado pelo editor da 8Inverso Cássio Pantaleoni e o tradutor Eduardo Paim, o workshop foi muito interessante e contou com várias dicas de Kleist a partir de suas experiências pessoais. Logo em seguida, o artista alemão fez um panorama das histórias em quadrinhos na Alemanha, fazendo uma breve introdução sobre os novos nomes do mercado editorial do país, como o cartunista Flix (cujo livro “Quando lá tinha o Muro”, contando pequenos episódios da vida dos alemães antes e depois da queda do Muro de Berlim com um traço cartunesco, foi publicado aqui no Brasil ano passado pela editora Tinta Negra), Ulli Lust (autora cuja obra é, em sua maior parte, baseada em momentos de sua juventude punk, e que esteve no Brasil recentemente), Barbara Yelin (cuja parceria com o Instituto Göethe permitiu que ela viajasse até o Cairo para produzir quadrinhos voltados para a cobertura das revoluções políticas pelas quais passava o Egito nos últimos anos), Arne Bellstorf (cuja obra “Baby’s In Black” aborda a história real do suposto “quinto Beatle”, Stuart Sutcliff, que acompanhou a banda nos seus primeiros anos de existência na década de 1960; foi publicada aqui no Brasil pela editora 8Inverso), dentre muitos outros. Comentando, ainda, sobre as diferenças do estilo de narrativa gráfica germânico para os do resto da Europa, Kleist destacou a referência francesa que a indústria européia carrega e apontou como a arte italiana se concentrava na beleza do traço, no refino dos detalhes, enquanto o processo alemão se focava em estabelecimentos históricos, embasamentos factíveis. Aberto a perguntas, Kleist ainda comentou sobre as mudanças que notara no mercado editorial de quadrinhos na América do Sul, em comparação com a sua última visita anterior, anos antes; as quais ele apontou para uma maior independência do padrão norte-americano, que era, de certa forma, soberano nas prateleiras da nona arte, para uma disponibilidade mais diversificada, adotando muitos títulos europeus e asiáticos nos últimos tempos.
 
Kleist no meio dos alunos do Instituto Wark Rocinha
Ao final do dia, no estande da Devir, ocorreu o aguardado lançamento da edição especial “Combo Rangers – Somos Heróis”, resultado do financiamento colaborativo mais bem sucedido no país até o momento. Escrito por Fábio Yabu e desenhado por Michel Borges, a história traz de volta os personagens que Yabu criara no começo dos anos 2000 (conforme comentamos já em matéria anterior aqui no blog), repaginados para o novo cenário jovem de atualmente. Publicado em parceria com a editora JBC, a edição possui um acabamento bem montado e obteve bons resultados com o público. A meta até o presente momento, é que os personagens protagonizem mais um ou dois volumes a serem publicados em formato graphic novel, mas cujos detalhes ainda não são esclarecidos.

O público teve um dia cheio, sem dúvida, porém, há muito mais ainda pela frente. Continuem nos acompanhando para maiores informações nos próximos dias.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Bienal: Um Novo Capítulo

Por Gabriel Guimarães
 

Hoje teve início na cidade do Rio de Janeiro a 16ª edição da Bienal do Livro. Após meses de preparo, os estandes das editoras estiveram cheios de novidades e ofertas, o que atraiu muito a atenção dos primeiros visitantes do evento, provenientes, em grande parte, de excursões escolares. Contando com áreas dedicadas às atividades onde serão realizadas palestras e sessões de autógrafos com autores dos mais diversos países, a Bienal pareceu ganhar uma dimensão nova em termos de tamanho. Um desses destaques fica por conta do espaço Mundo Ziraldo, dedicado a apresentar para os mais jovens uma porta de entrada no mundo da leitura nas obras do cartunista mineiro. Com uma área específica para apresentações teatrais e outra ala cujo projeto visa a imersão na obra de Ziraldo, “Flicts”, o espaço realmente cativa visitantes das mais diferentes idades.
 
No Pavilhão Verde, porém, é que se encontram alguns dos principais estandes para os leitores de quadrinhos e admiradores da arte sequencial. Imediatamente em frente a uma de suas portas de entrada, a Comix se tornou referência nas últimas edições do evento por sua diversidade de títulos e oportunidade de encontrar itens das mais diversas vertentes do universo nerd. Este ano, a Comix traz ainda títulos que não possuem tanta circulação no mercado tradicional, como “#Sobreontem”, fanzine preparado pelos quadrinistas que se envolveram com os protestos sociais realizados ao redor de todo o Brasil nas primeiras semanas do mês de julho. Além disso, conta com várias obras de temática instrutiva para quem deseja aprender mais do processo artístico realizado pelos desenhistas das histórias em quadrinhos, dentre os quais se destaca a bela edição “Black White – O Processo Criativo de Eduardo Risso”.
 
Foto do espaço da Devir
Igualmente interessante para os aspirantes a desenhistas e admiradores da boa arte, existe a disponibilidade do livro “Frank Frazetta – Icons”, no estande da Devir, que apresenta um pouco da vida e obra do artistas cujas capas produzidas para a revista “Conan” o consolidaram como um dos mais talentosos ilustradores de sua época. O estande ainda oferece uma boa quantidade de títulos importados de arte sequencial, com destaque para as gigantes Marvel e DC, que valem a pena ser conferidos. Há, também, duas áreas específicas em seu espaço destinadas àqueles que desejarem participar de torneios do jogo de cartas “Magic: The Gathering” ou, até comprarem seus primeiros itens deste segmento.
 
Outro grande destaque fica por conta da editora Nemo, parte do Grupo Autêntica. Contando com descontos que chegam a 25% em seus títulos da série Moebius, o estande tende a se tornar uma área consideravelmente concorrida pelos leitores de quadrinhos europeus. Além disso, a editora ainda oferece outros títulos em quadrinhos bastante interessantes, como adaptações das obras de Shakespeare, em grande parte realizadas por artistas brasileiros, e obras voltadas para públicos mais jovens, como “Força Animal”, da dupla tupiniquim Wellington Srbek e Kris Zullo.
 
No Pavilhão Azul, porém, o grande centro das atenções não ficou com o estande da Panini, como poderia se prever diante dos resultados da última edição da Bienal. O tamanho do estande parece ter sido afetado pela sua organização, e ele parece menor que em 2011. Ainda assim, ele conta com muitos títulos, de vários gêneros, contando, inclusive, com lançamentos como o terceiro título da série Graphic MSP, “Pavor Espaciar”, de Gustavo Duarte. O estande, igualmente, mantém sua tradição de ostentas modelos em tamanho real de alguns de seus personagens publicados. Os escolhidos deste ano foram Ben10, para o público infanto-juvenil, e o Super-Homem, em alusão à sua recente produção para os cinemas. O volume de pessoas que deve preencher esse estande, porém, deve dificultar um pouco a mobilidade e aumentar o tempo de espera nas filas, mas a qualidade do material posto nas prateleiras certamente compensa. Vale ressaltar títulos inéditos até então, como “Tropa dos Lanternas Verdes: O Lado Negro do Verde” e a nova série “Chico Bento Jovem”.
 
Portanto, foi um dia de muitas novidades, que, certamente, serão desdobradas ao longo do evento, mas que, desde já, oferecem oportunidades incríveis para os fãs mais diversos da nona arte. Aguardamos vocês lá!

sábado, 6 de abril de 2013

100 Aventuras de Uma Criminóloga

Por Gabriel Guimarães

 
Capa da centésima edição de "J. Kendall -
Aventuras de Uma Criminóloga"
A editora Mythos lançou recentemente aqui no Brasil a 100ª edição da revista mensal "J. Kendall - Aventuras de Uma Criminóloga", que narra as investigações da perita em psicologia criminal Julia Kendal em casos onde colabora com a polícia de Garden City, em Nova York. Criada pelo italiano Giancarlo Berardi em outubro de 1998, a personagem ganhou grande destaque no acervo da editora italiana Bonelli ao longo da última década. Sempre mostrando o cotidiano de uma personagem feminina segura, inteligente e perspicaz, as história de Júlia ganharam leitores de ambos os sexos em vários países ao redor do mundo, quebrando muitos paradigmas que existiam na indústria e estabelecendo um novo rosto para a luta da maior participação da mulher nos ambientes de trabalho normalmente ocupados apenas por homens. Este rosto, entretanto, não é algo inteiramente novo.
 
Capa da primeira edição da
personagem no Brasil
Inspirada fisionomicamente na atriz Audrey Hepburn, Júlia possui traços delicados que contrastam dos ambientes obscuros e carrancudos nos quais a maior parte de seus casos acontece. Munida de uma vasta bagagem intelectual, porém, ela supera os obstáculos que cada caso lhe apresenta e evolui, crescendo em seu papel tanto dentro da delegacia quanto dentro da universidade onde dá aulas. Sempre aconselhada por sua amiga Emily, cuja aparência também é inspirada em outra atriz norte-americana, Whoopie Goldberg, Júlia também experimenta incertezas quanto à sua vida pessoal e familiar, que ajudam os leitores e leitoras a se relacionar mais profundamente com ela, ao mesmo tempo em que se veem instigados pelos mistérios e enigmas que a protagonista precisa desvendar.
 
Uma das edições especiais da série
A mais ferrenha, porém, das lutas travadas por Júlia se deu nos bastidores brasileiros de sua publicação. Lançada em novembro de 2004 nas terras tupiniquins com muita pompa junto ao público aficionado da arte sequencial mundial, após apenas quatro edições, a revista teve que passar por sua primeira grande mudança, trocando seu nome de "Júlia - Aventuras de Uma Criminóloga" para "J. Kendall - Aventuras de Uma Criminóloga", por questões relacionadas aos direitos autorais atrelados à editora Nova Cultural quanto ao uso desse particular nome feminino no título de seus romances de linha. Alguns anos depois, em julho de 2010, a série enfrentou um outro problema que quase cancelou sua publicação definitivamente: o baixo número de vendas. Após o anúncio oficial de que a série sofreria uma interrupção para planejamento editorial, o alvoroço dos leitores nas redes sociais e em fóruns de discussão sobre a nona arte acabou chamando a atenção dos editores responsáveis pela revista, que lhe deram mais quatro edições de sobrevida para ver se o rendimento mudaria. Conforme as edições foram sendo lançadas, as vendas cresceram e a série conseguiu se firmar como publicação fixa da Mythos desde então. Hoje, cerca de 30 edições depois da época mais sombria que a personagem precisou encarar, é um grande prazer observar o sucesso dos mistérios criados por Berardi, que chegaram até a ganhar 5 edições especiais além do modelo mensal.
 
 
Publicada desde seu início no formato 13,5cm x 17,5cm, a série manteve sempre seu rendimento em termos de qualidade de traço e quantidade de páginas, fixada em 132, atraindo novos leitores e expandindo a experiência dos grandes fumetti italianos no Brasil. A qualidade do papel, que se assemelha ao utilizado no país pelos principais jornais em circulação, nem sempre consegue fazer justiça ao conteúdo que é usado para transmitir, mas o cuidado com erros gráficos tem crescido nos últimos anos e gerdo bons resultados. Júlia, junto do aventureiro Ken Parker, representa a grande contribuição de Berardi para o universo dos quadrinhos, e somos todos muito gratos por esse legado. Que venham sempre mais mistérios e emoções pela frente.
 
A quem tiver interesse, o site Universo HQ destacou também o feito da criminóloga dos quadrinhos, comentando, inclusive, os planos da editora Mythos para o futuro da publicação, que ainda não são exatamente ideias para a revista, mas que podemos esperar na torcida que a situação da editora melhore. A matéria em questão pode ser conferida aqui.