quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As Aventuras Cinematográficas de Tintin

Por Gabriel Guimarães


Na última sexta-feira, dia 20 de janeiro, estreou nos cinemas brasileiros, após uma longa espera, o primeiro longa em computação gráfica de captura de movimento do aclamado personagem belga de quadrinhos, Tintin, criado em 1929 e publicado até 1976 pelo franco-belga Georges Prosper Remi, mais conhecido pelo seu pseudônimo Hergé. Com "As Aventuras de Tintim", o personagem, que teve grande destaque entre as décadas de 1930 e 1970, volta a chamar atenção do grande público, e tem tudo para continuar em evidência mediante melhor trabalho de licenciamento de sua imagem, algo ainda muito carente.

Peter Jackson e Steven Spielberg, juntos do personagem Tintin

Contando com efeitos especiais de extrema qualidade e com profissionais de muito renome na indústria do cinema, como Steven Spielberg e Peter Jackson, o filme expõe de forma magistral o universo em que o jovem repórter Tintin está inserido, com todos os seus minuciosos detalhes de composição de cenários e de referências às demais obras do quadrinista Hergé. Uma vez que reúne em si as histórias de três álbuns do personagem, "O Carangueijo das Tenazes de Ouro" (1941), "O Segredo do Licorne" (1943) e "O Tesouro de Rackham, o Terrível" (1944), o filme apresenta uma síntese bem amarrada das tramas relacionadas, e cativa a atenção do público, tanto os já familiarizados com as obras em quadrinhos do personagem quanto os recém apresentados novos espectadores.

Com uma narrativa empolgante, um preciosismo admirável aos detalhes gráficos e uma atenção especial à caracterização dos personagens, dentre os quais, se destaca o velho marujo do mar, Capitão Haddock (cujo aniversário de criação foi comemorado aqui no blog), o filme representa uma grande oportunidade para um pai apresentar a seus filhos o maravilhoso mundo que os quadrinhos podem abrigar, que está claramente representado em todas as cenas do filme.

Tintin retratando seu criador, Hergé

Vale destacar também a primeira cena propriamente dita do filme, após os um tanto demorados créditos iniciais, em que o primeiro rosto que aparece na tela não é do personagem principal do filme, mas sim uma homenagem ao grande quadrinista criador de todo esse universo ficcional, Hergé, que aparece retratando Tintin em um desenho como os caricaturistas das feiras de rua. Simplesmente impressionante essa atenção aos bastidores do personagem. A quantidade de elementos apresentados em pequenos detalhes ao longo do filme que recorrem aos demais álbuns de Tintin são muito bem realizados, e a ausência de uma história de origem para o personagem, algo tão tradicional na composição de protagonistas da cultura pop, passa praticamente desapercebida.


Personagens menores, mas não menos importantes, como os irmãos Dupont e Dupond, o mordomo Nestor  e a cantora de óperas Bianca Castafiore ganharam também seus momentos de destaque, apesar de suas aparências estarem um pouco mais forçadas para o cartunesco do que nas histórias em quadrinhos. A interpretação, porém, foi bem trabalhada, e seus papéis no filme corretamente realizados. A ausência ficou por conta do carismático e atrapalhadamente genial professor Girassol, cuja participação deve ser acrescentada na continuação praticamente garantida.

Jamie Bell e Andy Serkis, respectivamente, durante
sessão de captura de movimento

Contando com atores bastante conhecidos para realizar os movimentos dos personagens, que foram captados pelo computador a fim de criar todo o visual do filme, como Jamie Bell (protagonista do filme "Billy Elliot") no papel de Tintin, Daniel Craig (o atual James Bond dos filmes de 007) no papel de Ivan Sakharine e o extremamente versátil Andy Serkis (que é o grande nome do setor cinematográfico no que tange ao sistema de captura de movimento, já tendo sido o responsável no passado por papéis como o do obcecado Gollum, da trilogia "O Senhor dos Anéis" e do grande gorila cujo nome é o mesmo do da obra em que está inserido, "King Kong") no papel de Archibald Haddock, o filme tem uma qualidade ímpar, surpreendendo o público, até então inseguro com filmes estritamente realizados nesse sistema, como o pouco lembrado "Conto de Uma Noite de Natal" e o oscilante "Expresso Polar".

O filme, cujo site oficial pode ser conferido aqui, portanto, é um material que vale muito ser conferido, e cujo conteúdo reflete de forma bastante correta todo o minucioso processo de criação realizado por Hergé quando fazia seus quadrinhos, através de estudo atento aos detalhes da representação real dos ambientes e objetos retratados. O efeito 3D do filme, porém, é um detalhe que divide a opinião do público. Apesar de enriquecer o material ainda mais em determinados momentos, causa certo incômodo para a vista em outros, e os cinemas brasileiros parecem estar exibindo o filme quase que apenas dessa forma que carece dos óculos especiais, o que é um fator bastante negativo. O ideal seria a disponibilidade das duas formas de exibição, tanto em 3D quanto em formato tradicional.

Vale destacar também que os nostálgicos da série de desenho animado da década de 1990 do personagem vão encontrar um material de alta qualidade e que os fará reviver grandes emoções na companhia de todos esses inesquecíveis personagens. A trilha sonora, entretanto, não impacta muito, e a música principal do seriado animado, que dava muito o tom de sequência de ação da história, não está no filme, o que poderia ser mais um ponto positivo para a produção.



Para não haver problemas sobre a consideração dos leitores sobre o filme, não vamos abordar momentos específicos demais do filme, a fim de que vocês possam tirar suas próprias conclusões sobre este material por conta própria, porém, vale destacar que a cena final poderia ter sido um pouco melhor trabalhada, ainda que seja compreensível sua abreviação pelo já extenso tempo de duração do filme, entretanto, isso não fere a imagem do filme, e este ainda se qualifica como uma bela abertura para as adaptações de quadrinhos a serem exibidas nos cinemas brasileiros.

NOTA GERAL: 5 ESTRELAS.

4 comentários:

Júnior Nascimento disse...

Bom D++++++!! Gabriel, parabéns! :)

João Ferreira disse...

Ótima análise. Eu havia assistido o filme na pré-estreia e achei o máximo. Mas seu post me enriqueceu bastante sobre tudo o que vi (e nem fazia ideia de que aquele senhor era o hergé... hehehe). Muito maneiro! Vou divulgar essa matéria aos meus colegas! Abraços!

Nano disse...

Vale lembrar que a dublagem ficou muito bacana, contando com os dubladores originais da série que era exibida aqui no Brasil.

GG disse...

Que bom que gostaram da análise! Eu assisti ao filme legendado, mas tive impressão de que seriam as mesmas vozes do desenho quando fosse em português quando vi o trailer. O desenho animado da década de 1990 foi espetacular e promoveu muito o personagem para uma nova geração de leitores. Fiquemos na torcida para que o filme repita esse efeito e estimule novos jovens a mergulharem no fantástico mundo de aventuras de Tintin.