segunda-feira, 4 de abril de 2011

É Tudo Uma Questão de Visibilidade

Por Gabriel Guimarães


O setor de publicação de histórias em quadrinhos do gênero heróico tem mudado ultimamente, isso qualquer um pode ver facilmente (já destaquei vários pontos a cerca dessa questão em matéria especial aqui no blog antes), entretanto, há mudanças acontecendo dentro das próprias editoras no que tange à sua abordagem dos personagens não só de forma ficcional, mas mercadológica também. E um fator, acima de todos os demais pontos que discorrerei aqui na matéria, me chamou a atenção: A drástica diminuição da participação do Homem-Aranha no selo Marvel.

Sendo em si tudo aquilo que o grande roteirista Stan Lee gerou para revolucionar a nona arte, dando personalidades reais aos personagens e fazendo-os encarar os problemas do mundo real ao mesmo tempo que suas intrépidas aventuras, o Homem-Aranha sempre foi o personagem mais carismático da Marvel, sendo o mais comum de se encontrar em qualquer história, mini-série, fórum de discussão de quadrinhos, etc. Entretanto, olhem para as histórias atuais nas bancas. Onde foi parar o Cabeça de Teia, Amigão da Vizinhança, de fato? Ele foi afetado pela "Guerra Civil", mas tudo voltou atrás e praticamente anularam sua participação lá. Ele pouquíssimo apareceu na "Invasão Secreta", tendo, no entanto, maior destaque um de seus mais antigos vilões, Norman Osborn (que hoje noto ter mais destaque que o herói aracnídeo em si). Onde ele está no "Cerco"? Onde ele estará em "Fear Itself", próxima grande saga Marvel? Se pouco se sabe sobre que influências todas essas histórias terão na vida do outrora pacato Peter Parker, menos ainda se percebe como esse personagem tão imenso em importância, como era antigamente, influenciará através dele e de suas próprias ações essas histórias em si. O que me pergunto hoje é: Qual a relevância das ações do Homem-Aranha no universo Marvel de hoje?

Todos que acompanham o personagem ao longo dos anos, alguns dentre vocês, leitores, das décadas, podem afirmar que a Marvel esculhambou tudo a partir da saga "Mais Um Dia", onde tanto se mudou no universo do personagem e de seus personagens secundários que fica até difícil explicar. Isso é verdade. Entretanto, olhando friamente para essa saga como decisão editorial, percebe-se sua utilidade, que poderia voltar a dar o glamour que já faltava ao personagem há algum tempo. Em algumas edições específicas, inclusive, trouxe. Rendeu histórias que lembravam boas fases do aracnídeo, como a época em que era escrito por Tom DeFalco ou Roger Stern. Só que aonde isso levou? Hoje, parecem não ter novas ideias para se abordar um fotógrafo gênio da ciência vestido de colant saltando entre os prédios como uma aranha. O Homem-Aranha é um personagem que fala ao público jovem, mas ele envelheceu, e ninguém sabe mais como tratá-lo. Procuram voltar às suas origens, recontar seu começo, ou reimaginar todo seu universo, como fizeram (e de passagem, comento, muito bem feito, como já analisei aqui no blog antes) na série Marvel Millenium. Mas o que fazer com o personagem original? Como inovar de novo com ele?

Eu não sei exatamente o foco que a Marvel ainda dá ao personagem, mas nota-se que não é mais te-lo como o caixa forte da editora. No videogame lançado esse ano, Marvel vs. Capcom 3, onde os personagens da Marvel, como Wolverine (um dos outros eternos queridinhos do público e da editora pelo seu jeito marrento), Doutor Destino, Hulk, etc, enfrentam os personagens dos games criados pela Capcom, como Zero (da série Megaman), Ryu, etc., o Amigão da Vizinhança não passa de um mero coadjuvante. O jogo é muito bom, alto grau de jogabilidade e os personagens do game são ótimos, mas algo me chamou a atenção: O Homem-Aranha sequer participava do vídeo de abertura do game, algo que era quase tradição dos games da Marvel desde sempre. Em seu lugar, entrou o mercenário desbocado Deadpool.


Por que isso aconteceu?

Como disse no título da matéria: é tudo uma questão de visibilidade. A Marvel tem mudado a escalação de sua frente de batalha, tentando atrair novos públicos e gerar novos mercados, e, nisso, infelizmente, rebaixou o Cabeça de Teia para uma posição abaixo da "tropa de elite" da editora, que hoje é montado por tipos como Capitão América (que completou 70 anos de existência recentemente e é ainda referência também ao espírito da reestruturação econômica atual pela qual passa os Estados Unidos no governo Obama),  Deadpool (referência aos games que hoje fazem sucesso com suas linguagens desbocadas livres, violência extrema e sarcasmo individual), Wolverine (por razões parecidas com as do Deadpool) e Homem de Ferro (este último mais nas demais mídias que nos quadrinhos em si, pois os filmes do Latinha no cinema o lançaram a um patamar que poucos filmes de heróis conseguiram).

As editoras de quadrinhos de heróis estão passando por uma reformulação que eu não diria ser ética ou moral, mas talvez em relação ao público ao qual estejam querendo se dirigir. A DC tem tomado uma postura semelhante. Sob a batuta do premiadíssimo roteirista e hoje chefe de criação da editora, Geoff Johns, personagens como Flash e Lanterna Verde chegaram ao topo do patamar da editora (já fiz uma matéria destacando a reinvenção deste último aqui no blog antes). E os manda-chuvas da DC não querem e nem vão parar por aí.

Geoff Johns, há pouco tempo atrás, foi confirmado como novo roteirista regular do Aquaman, personagem que nunca em sua história teve qualquer prestígio de fato dentro do universo de personagens que incluem lendas como Superman, Batman e Mulher Maravilha. Me pergunto se o talento de Johns pode tirar esse personagem de um ostracismo do qual nunca saiu antes, em toda a sua existência. Não é uma tarefa fácil, nem de longe. E isso não é nem por causa do personagem Arthur Curry em si. O personagem tem nele mesmo, um enorme potencial de aventuras a serem exploradas, mas as dificuldades que Johns encontrará são principalmente no quesito do tema dessa matéria. Aquaman não tem prestígio nenhum, esteve sempre indo e vindo, sem se fixar em nada que pudesse ser referência para a carreira do personagem, como gosta de abordar em suas histórias Johns. Para o Flash, ele abordou o legado de Barry Allen, para o Lanterna Verde, a profecia da Noite Mais Densa. Não vejo de onde podem-se tirar referências desse tipo para o rei dos mares da DC, que já morreu, perdeu a mão duas vezes (a mesma mão, só para deixar claro - uma antes de morrer, outra depois, impressionantemente), mas nunca teve sequer uma fase de respeito absoluto.

Enquanto a DC começa a explorar os personagens que antes eram apenas do time reserva da editora, alguns de seus personagens de maior destaque ao longo dos anos passam por uma fase complicada como um todo, com novas abordagens, novos uniformes, mas sem muito a dizer de novo por eles próprios, como Batman e sua recém-formada "liga" de representantes do morcego justiceiro ao redor do globo, Mulher Maravilha e seu novo traje que dividiu opiniões entre os leitores de quadrinhos regulares, e Superman, que alcançará esse mês, lá nos Estados Unidos, a incrível marca de 900 números publicados de seu título original de 1938, Action Comics, mas que passa por uma fase sem grandes destaques ou que deixe o público com a respiração curta de tanta ansiedade para saber o que poderia acontecer na edição seguinte.

O foco da arte sequencial está mudando. Sai o velho e entra o novo, sai o gasto e entra o experimental. Pode ser bom, esse momento pode render algumas surpresas além de nossas curiosas expectativas, ou não. Tudo que espero é que haja dentro de cada uma das editoras aqueles que se empenhem em fazer um bom trabalho com esses personagens, renovando a força destes dentro e fora da ficção, ainda assim mantendo-os fiéis a tudo que eles já viveram junto com o leitor assíduo. Esperemos para ver qual será o próximo movimento do mercado editorial da arte sequencial e torçamos pelo seu sucesso, ainda que, para isso, tenhamos que, talvez, abrir mão de uma ou duas histórias por um panorama melhor do universo dos personagens como um todo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Homenagens Necessárias e Dignas

Por Gabriel Guimarães
Há algumas semanas atrás, o mundo dos quadrinhos e da animação como um todo se abateu pelo súbito falescimento do artista Dwayne McDuffie, responsável por muitas das animações de sucesso dos últimos anos, como a série de televisão do Super Choque e o filme animado baseado na minissérie do Superman escrita pelo autor escocês Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, All-Star Superman.

Sendo conhecido no meio como um dos grandes defensores da etnia negra entre os personagens de quadrinhos e desenhos animados, McDuffie foi um dos responsáveis pela escalação do soldado John Stewart como Lanterna Verde integrante da formação principal da Liga da Justiça na série de desenho animado que fez tanto sucesso nessa última década, rendendo até uma continuação,: Liga da Justiça: Ação Sem Limites.

Aos 49 anos, McDuffie havia feito uma operação cardíaca de emergência e acabou sofrendo complicações que levaram à sua morte. Sua memória merece uma homenagem aqui e seus ideais de igualdade não podem ser esquecidos, pois, ainda hoje, há muitos atos de racismo e discriminação racial ao redor do mundo que não podem mais ser tolerados.

Os últimos trabalhos de McDuffie foram junto aos desenhos animados Ben 10 e roteirizando algumas poucas edições para a Marvel e para a DC, como Quarteto Fantástico e Nuclear, respectivamente.


A outra homenagem que faço aqui é pelos 70 anos que completa o grande personagem capitão Haddock, amigo inseparável do repórter Tintin nas histórias do desenhista belga Hergé. Aparecendo pela primeira vez na história "O Carangueijo das Pinças de Ouro", em 1941, o capitão não tardou a capturar a atenção e a simpatia dos leitores com seu jeito irritadiço e perspicaz de ser. Sempre caracterizado por ter um pavio curto, suas explosões temperamentais sempre foram uma das ferramentas de humor mais agradáveis nas histórias de Tintin.

Como seu nome é uma referência ao peixe Hadoque, é compreensível que o capitão tenha grande parte de sua cultura vinda do mar, de histórias mirabolantes de piratas e navios ao longo da história, que alimentam sua imaginação e preenchem sua árvore genealógica. Uma matéria especial que foi feita sobre o personagem que merece ser conferida está no site Tintim por Tintim (você pode vê-la aqui).

Está previsto para este ano que chegue às grandes telas o primeiro filme de uma série em live-motion de Tintin, cuja primeira obra a ser adaptada para a nona arte será justamente a história do antepassado do capitão Haddock e sua luta contra o pirata Rackhan, o Terrível. A participação do capitão no filme, se estiver à altura de seu papel nos quadrinhos, com certeza será um elemento que acrescentará muita qualidade ao filme. Esperamos ansiosamente para ver.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Novas Dimensões para as Batalhas Épicas de Conan

Por Gabriel Guimarães

Por anos, o personagem Conan tem sido lembrado pelas suas histórias magistralmente desenhadas por grandes artistas dos quadrinhos como John Buscema, Barry Windsor-Smith e Frank Frazetta, e escritas por talentosos roteiristas como Roy Thomas e Robert E. Howard, este último criador do personagem em 1932. Nos últimos tempos, o personagem, entretanto, não está numa fase muito destacada em meio ao agitado mercado de quadrinhos. Oscilando entre cenas muito fortes que não puderam ser utilizadas, como a capa desenhada por Geoff Darrow, e momentos em que o brilho do personagem não se faz mais sentir tão intensamente como outrora, Conan está num momento de definição de estratégias.

Ainda sendo um personagem absoluto nas coleções de todos os quadrinistas como obra essencial para os apreciadores da nona arte, o personagem está precisando de um fôlego novo para atrair novos leitores e tentar, talvez, resgatar alguns dos antigos que haviam deixado de ler as séries publicadas do cimério. E é apostando na corrente moda dos filmes em 3D que a produtora de cinema Lionsgate produziu o novo filme de Conan, a estrear nas grandes telas no segundo semestre de 2011.

O cimério pode ter vida nova dependendo do rumo que o filme tomar, e pela história que representa para os quadrinhos, torço pelo melhor desfecho para essa estratégia de divulgar o personagem. O que eu gostaria de destacar como algo impressionante foi o pôster animado que postei no começo da matéria. Ao observar a imagem, referência à obra produzida pelo mestre artístico Frank Frazetta para o personagem, que é possível observar ao lado, não há como não ficar maravilhado pelo bela obra de produção do material.



Se a qualidade do filme em si refletir a qualidade do seu material de divulgação, acredito que o filme pode ser um dos destaques dos quadrinhos no cinema do ano. Torçamos pelo sucesso desse eterno clássico dos quadrinhos (não no sentido das propagandas da Disney) na sua empreitada pelo novo mundo da terceira dimensão e veremos o que o futuro reserva para esse guerreiro que trilhou uma longa jornada enfrentando toda sorte de desafios e inimigos ao longo do caminho nos quadrinhos em décadas e décadas.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Madrugada das Possibilidades

Por Gabriel Guimarães
Essa semana saiu nas bancas de jornal e lojas especializadas as edições da DC que concluem a mega saga "A Noite Mais Densa", que tem o universo de personagens do Lanterna Verde como principal protagonista, porém se ramificando entre os principais títulos da editora, como Superman, Batman, Liga da Justiça e Sociedade da Justiça. A história atingiu o patamar de grande evento do ano da editora e a levou a incrível façanha de passar a Marvel em quantidade de revistas vendidas e de arrecadação nos Estados Unidos. Seu principal roteirista, Geoff Johns, se consolidou como caixa forte entre os profissionais da atualidade, alavancando as vendas de todos os títulos que passou a escrever.

A DC também aproveitou a abordagem da saga para gerar talvez uma mudança determinante para o destaque da editora nessa nova década que começa, uma volta às origens, aos tempos em que os quadrinhos eram claros, mais épicos e ideológicos, contexto este corretamente percebido no título da nova série mensal que foi lançada lá fora e que será publicada a partir de março aqui, "O Dia Mais Claro".











Apesar de todos esses pontos positivos que quis destacar, tenho alguns comentários que considero bastante pertinentes de se levantar aqui. A saga começou a partir de uma deixa criada nos anos 1980 pelo antológico roteirista e criador Allan Moore, numa história onde o dono anterior do anel do setor espacial 2814, Abin Sur, é alertado pelos seres mostruosos de Ysmault sobre a profecia que anuncia a queda dos Guardiões do universo como instrutores da ordem no cosmos. Devido a uma escassez de ideias originais e apostando no estímulo para os leitores mais recentes de buscar histórias antigas dos personagens a fim de compreender a razão dos acontecimentos atuais, a DC investiu todas as moedas no sucesso dessa saga. Em termos artísticos e culturais, é claro que "A Noite Mais Densa" foi a tentativa da DC de aproveitar a onda de popularidade do gênero de terror dos últimos anos, que rendeu sucessos como "Zumbis Marvel" e "Walking Dead". Sendo influenciado por filmes como "A Noite dos Mortos Vivos", o universo DC virou um cemitério ambulante, causando muito mais estardalhaço do que poderia se imaginar, chegando a um nível verdadeiramente apocalíptico para os personagens.

Tendo que enfrentar os corpos decrépitos de seus entes queridos, os personagens estiveram num limiar emocional como nunca antes, e a forma como isso foi mostrado nas revistas alternou demais entre o bom e o ruim, em termos de qualidade. A Sociedade da Justiça, cujo envolvimento com a saga foi brilhantemente desenhada pelo brasileiro Eddy Barrows, foi um dos lados interessantes de se ler, junto com os desafios pelo qual a Tropa dos Lanternas Verdes passaram em Oa e Mogo. Ao mesmo tempo, a parte que coube à Liga da Justiça e a alguns personagens secundários como Starman foram um tanto quanto ridículos, sem força suficiente para enfrentar essa ameaça do mundo dos mortos. A trama se desenrolou na sua linha principal também de uma forma confusa e em ondas de ação e reação não tão bem exploradas, culminando num final de teor pouco dramático e sem muito sal.

Do ponto de vista editorial, no entanto, tenho algumas opiniões muito fortes sobre isso tudo. Primeiro e mais brandamente, gostaria de comentar o quanto foi uma pena não ter ocorrido uma divulgação dessa saga como foi feito lá fora, onde foram distribuidas réplicas dos anéis das tropas multi-coloridas envolvidas na trama. Os fãs desses personagens com certeza teriam apreciado muito esse brinde, e neste ponto, me incluo como um deles. Agora, do ponto de vista sério, o trabalho de edição da saga no Brasil foi bastante fraco. Quem lê meu blog, sabe que eu não sou de criticar sem base, e quando um trabalho de edição nos quadrinhos é bem feito, eu dou uma menção bastante destacada (como fiz quando analisei o arco do próprio Lanterna no surgimento da Tropa Sinestro), porém, dessa vez, eu não tenho como elogiar um trabalho que eu vi que foi tão deficiente quanto este foi.

Eu tentei ler pela cronologia que foi impressa em várias edições envolvidas na saga: não deu certo. Dentro de uma mesma revista, você encontrava histórias antes e depois dos eventos ocorridos em outra revista, que só viria a ser publicada muito tempo depois. Há um erro, inclusive, na tabela, no que tange a quais revistas da série Liga da Justiça estão envolvidas na saga. A primeira relacionada não tem nada da Noite Mais Densa, e a seguinte à última que está lá, sim. Personagens iam e viam, numa edição estavam em um lugar fazendo algo, combatendo alguém, de repente, em outra, estavam no lado oposto do mundo ou do universo fazendo algo completamente diferente. Faltou direção no volante para quem era responsável pela coordenação das publicações da saga, isso qualquer um é capaz de perceber.

--SPOILER para quem não leu ainda--

Basta que se note na parte da trama em que Hal Jordan se deixa possuir pela entidade Parallax a fim de derrotar o Espectro dominado pelo anel negro da Tropa de Nekron. Na edição número 29 da série do Lanterna Verde, o fato que descrevi é consumido no clímax da revista, mas só vamos ver sua continuação na edição 30, considerando que na escala das edições haviam 3 revistas que estariam cronologicamente entre uma e outra, onde, inclusive, na edição da Liga da Justiça número 98, foi publicada uma história já pós-Noite Mais Densa, onde o Lanterna Verde Hal Jordan aparece tranquilamente disposto a formar uma nova Liga. É de dar um nó na cabeça do leitor.

Em termos de história, "A Noite Mais Densa" foi uma história sem grandes destaques ou momentos marcantes, mas pode ser a deixa para algo realmente maravilhoso na DC: um recomeço. O título da matéria é uma referência a isso. A noite obscura terminou, e os raios do sol da esperança começam se lançar por sobre o horizonte. Enquanto o dia mais claro começa a ser construído, acho importante termos esse momento de ponderação. Entre um momento e outro, há uma madrugada, onde deve se planejar o futuro e o que surgirá na nova aurora da DC. Espero que compreendam que a era de crises seguidas de crises já acabou, e agora precisamos de um tempo de calmaria estimulante, onde a força de vontade que levantou a DC precisa ser restaurada e descansada, pelo menos por um tempo. Em breve, já haverá a próxima grande fase da DC, "Flashpoint", porém, diferente de como tem sido lidado até agora, esse arco não parece ter tanto peso e melodrama como as crises da segunda metade da última década que afetaram tanto o teor dos quadrinhos (como destaquei já antes aqui no blog na minha série de matérias especiais sobre as mudanças nos quadrinhos na última década). Veremos o que o futuro nos reserva daqui para frente: rumo a um novo amanhecer esmeralda, espero.

NOTA GERAL: 2,5 estrelas.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"Face It Tiger... You Just Hit The Jackpot!"

Por Gabriel Guimarães


Com essa frase do título, foi que Peter Parker se deparou pela primeira vez com Mary Jane, aquela que viria a ser seu grande amor nas histórias em quadrinhos pelos próximos 40, 50 anos (só não é mais assim por uma decisão polêmica do editor Joe Quesada que ainda hoje é muito discutida, porém, esse não é o foco da matéria de hoje). De um minuto para o outro, a vida do cabeça de teia, desculpem-me a expressão óbvia, "virou de pernas pro ar". Quantas coisas boas na vida não acontecem dessa maneira, exatamente?

Enfrentamos as dificuldades que surgem à nossa frente, batalhando cada vez mais em busca de um oásis em meio a um deserto que vai até onde os nossos olhos podem ver. E muitas vezes perdemos, ficamos tristes, cabisbaixos, perguntando-nos onde erramos, se poderíamos corrigir tudo, num simples estalar de dedos, ou no caso do Superman das grandes telas, dando várias voltas ao redor do globo para retroceder o tempo. Entretanto, na vida real não é assim. Temos que encarar as consequências de nossas ações, não podemos apagar tudo de errado e ficar só com o que dá certo. Porém, podemos tirar algo de positivo de tudo aquilo de errado que acontece conosco, podemos crescer, nos tornarmos mais fortes, mais capazes, e muitas vezes até mais merecedores de fato daquilo pelo que tanto lutamos. Acho que o leitor deve estar estranhando bastante o tom dessa matéria, mas vou me explicar agora.

Muitas vezes, quando estamos na condição de superarmos nossas dificuldades e paramos de nos preocupar tanto, deixando as coisas fluírem naturalmente, é que portas incríveis se abrem diante de nós, com oportunidades muito além de nossas maiores expectativas. É nesse contexto, que anuncio aqui dois concursos, de que eu tomei conhecimento recentemente, a todos vocês. A editora Panini, em virtude da marca de 100 edições publicadas dos seus títulos "Superman", "Batman" e "Liga da Justiça", abriu um concurso artístico onde quem enviar para a editora por meio online as ideias mais criativas que homenageiem esses marcos, seja por desenho, foto, pintura, etc, concorre à arte original que será usada nas capas dessas edições, por seu título correspondente. Essas artes serão, nada mais, nada menos, que de autoria dos grandes artistas brasileiros que trabalham para o mercado americano, Joe Prado (que fará a capa da revista do cavaleiro de Gotham), Eddy Barrows (que fará a capa da edição do personagem com que trabalha atualmente, o Superman), e Ivan Reis (que fará a capa da Liga, onde já teve muitas de suas edições do Lanterna Verde publicadas no passado). Pode-se participar com quantas obras preferir, porém, caso seja premiada, apenas uma delas será. Para conferir o regulamento e forma de inscrição de forma correta, o link para o hotsite da Panini é este.

Ao mesmo tempo, o site do cartunista Will Leite anunciou um concurso de desenho para concorrer a uma camisa personalizada pelo próprio autor do site. Conforme ele for recebendo os materiais que concorrerão, ele os postará no seu Tumblr para júri popular, o que é uma grande oportunidade para exibir seu trabalho e expor suas habilidades no traço, para aqueles de vocês que desenhem. O endereço para a matéria que anuncia o concurso é este, e o do Tumblr do Will é este.

Eu não acredito que as coisas aconteçam de forma aleatória, e, como disse no começo da matéria, essas portas de oportunidade surgem quando menos esperamos que vão surgir. Não sei se algum de vocês estava se sentindo sem chance de lutar por um futuro nos quadrinhos, ou se simplesmente precisavam de alguma forma de motivação, porém, quis hoje lhes fornecer essa ferramenta para mudar as suas histórias. Eu também participarei de ambos os concursos, e ficarei no aguardo pelos seus resultados. Ainda assim, torço sinceramente pelo sucesso de todos aqueles daqui que decidirem tomar parte em algum deles.

Façam de todos os seus dias os dias mais claros, para que sempre possam ir para o alto e avante, além de onde os limites do imediato pode ver, rumo a um grande futuro. Nas palavras de Disney, "Keep moving forward" (Siga sempre em frente). Nos vemos lá.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homenagem ao Superman Clássico

Por Gabriel Guimarães
Alguns dias atrás, um dos animadores dos estúdios Disney, Robb Pratt, responsável por trabalhos como Tarzan, Hércules, entre outros, resolveu prestar uma homenagem à clássica versão do primeiro super herói das histórias em quadrinhos, Superman. Veja abaixo o curta e, após ele, os comentários de produção feitos pelo próprio animador apresentado em sequência.

Tendo protagonizado diversos seriados de televisão ao longo de sua história, Superman é o grande ícone dos quadrinhos para a cultura americana e, por isso, preencheu o espectador de sonhos e ideias. No curta produzido por Pratt, o personagem que o protagoniza é uma versão bem simples do herói, como costumava ser na época de seu primeiro momento avassalador na década de 1940, e é uma boa homenagem aos velhos e bons tempos em que ser um herói era mais simples e virtuoso.


A discussão entre os valores de hoje e a visão maravilhada dos valores de ontem pela cultura atual foi muito bem explorada no artigo feito pelo professor da UFRJ Octávio Aragão, "O futuro não é mais como antigamente", que vale a pena conferir.

Enquanto essa discussão não termina, o que parece estar muito longe de acontecer, aproveitemos essas nostalgias e lembranças de momentos que nem sequer existiram propriamente em muitos casos, e sonhemos com a quebra de barreiras socio-convencionais da atualidade, para alçarmos voo rumo a mundos maravilhosos que apenas nossas imaginações são capazes de comportar. Para o alto e avante!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Workshop com Eddy Barrows

Por Gabriel Guimarães
Neste último sábado, dia 29 de janeiro, ocorreu nas instalações da subsidiária da Impacto Quadrinhos no Rio de Janeiro um workshop com o desenhista brasileiro Eddy Barrows, responsável pelo traço de várias edições do Superman e que colaborou com muitas edições para o mega evento A Noite Mais Densa, trabalhando nos desdobramentos que a história teve nos títulos do Superman e da Sociedade da Justiça.

Começando de manhã e indo até de tarde, a oficina mostrou um ponto raro de ser encontrado nas aglomerações dos admiradores de quadrinhos: explorou de forma enfática e pontual a carreira de um desenhista de histórias em quadrinhos. Apesar de algumas generalizações sobre certos pontos, a palestra realmente foi ótima. Barrows explicou como é seu relacionamento com seus colegas de trabalho, como faz seu dia-a-dia funcionar em função dos prazos, e como lidar com estes. Entretanto, o ponto mais interessante e estimulante abordado foi a questão relativa ao direcionamento de carreira dos desenhistas, ponto que muitos não pensam muito enquanto estão trabalhando.


Eddy Barrows explicando seu processo criativo para uma
 página dupla da SJA 

Utilizando de exemplos do próprio meio, que permitiu ao público visualizar bem o que estava sendo dito, o desenhista mineiro conseguiu prender os espectadores que abarrotavam a sala do terceiro andar de uma escola, onde o curso funciona. O público, composto em grande parte por alunos do próprio curso, ficou atento o tempo inteiro, participando e tirando todas as dúvidas que tinham com o palestrante, que se integrou muito bem com o assunto e entrosou rapidamente com todos ali presentes.

A palestra apresentou ainda uma análise caso a caso em cima de diversas obras de Barrows, que explicou como produziu cada uma delas, e deu projeções para seus trabalhos futuros, seu decorrer profissional e seus conselhos aos novos marujos da carreira no mercado de quadrinhos.

Após a palestra, houve avaliação de portfolios com o desenhista e venda de layouts originais dele, junto com revistas importadas que continham seu traço. Aos que se interessaram por compra-las (dentre as quais haviam páginas excelentes e de espantosa qualidade), houve depois a oportunidade de pegar o autógrafo do seu artista, que demonstrou estar satisfeito com o reconhecimento que estava tendo ali.

Barrows ainda comentou sobre a necessidade de surgir uma referência para os quadrinhos nacionais no Rio de Janeiro, uma vez que em outros grandes centros, já há nomes, enquanto aqui, não se tem um artista que possa ser o estandarte do gênero de forma apropriada. Isso foi extremamente exultante, pois ele discorreu de uma forma consistente e inspiradora, que, eu garanto, não sairá da memória daqueles que lá estiveram.

Tudo foi ótimo, excetuando-se o calor em que a reunião se deu, elevado pelo fato de a escola sede ter tido problemas com a rede elétrica recentemente e não ter tido a oportunidade de ter um ar condicionado instalado a tempo. Os organizadores se desdobraram para garantir a realização do evento, uma vez que tudo já estava organizado antes do problema estrutural surgir; creio que isto merece uma nota aqui pela determinação de todos.

Somo às palavras de Barrows meu sentimento pelo crescimento da nona arte no Rio de Janeiro. Vejo na cidade, que é a mais bonita do mundo, o maior potencial artístico de todos. Cada esquina, cada rua, cara praia, cada pessoa; todos são obras de arte, aqui, tudo é arte, é vida. Precisamos dar a importância devida a isso, não podemos jamais esquecer, jamais esmorar, jamais abandonar a veia artística. Estimulem-se, regozijem-se, criem. Que o Rio de Janeiro possa ser o rio de esperanças para vocês, possa ser o berço de seus mais maravilhosos sonhos, seus mais incríveis desejos. Que o Rio de Janeiro seja o rio de seus sonhos, de todo o seu ano, de toda sua vida. Que ele possa ser o seu Rio de Janeiro, dentro de seus corações e de cada folha de papel que vocês desenharem, escreverem e/ou criarem. Tomem posse de sua terra, e nela, vivam seus maiores sonhos. Esse é o meu desejo para todos os cariocas que aspiram a um dia alcançar a uma profissão no ramo dos quadrinhos. Fiquem todos com Deus, e até a próxima.