terça-feira, 18 de janeiro de 2011

6º Colocado: Os Novos "Valores" dos Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães

Nessa última década, vivemos momentos conturbados, tanto moralmente (a partir dos ataques de 11 de setembro de 2001) quanto financeiramente (com a crise econômica mundial que assolou o mundo em 2009), e estes tempos tiveram um grande impacto nos quadrinhos ao redor do planeta. Para a sexta colocação na lista dos 10 acontecimentos que mais marcaram os quadrinhos na década, a reação dos quadrinhos, principalmente a esses dois fatores que mencionei, ficaram empatados, ao meu ver.

Comecemos pelo fator econômico, que mostrou um panorama nessa década que poucos poderiam esperar quando esse meio de comunicação de massa tão popular começou a engatinhar no início do século XX. Uma vez que os imóveis, que costumavam ser talvez uma das formas mais seguras de investimento positivo, estavam sendo a causa da grande crise financeira norte-americana em 2009 (mas que afetou o mundo inteiro devido à interdependência monetária, principalmente do dólar), grandes empreendedores começaram a se perguntar sobre uma forma mais segura e sem tantos riscos de gastar o dinheiro pelo qual trabalharam que pudesse ter um retorno considerável mais tarde. E adivinhem qual a solução que encontraram? As revistas em quadrinhos!

Desde a crise, os leilões onde as revistas mais clássicas e históricas da arte sequencial estavam dispostas começaram a demonstrar quebra de recorde seguida de quebra de recorde, chegando a patamares jamais imaginados pelos artistas e editores que trabalharam na produção daquelas revistinhas à época. Acho impressionante o fato de que foi preciso tamanha crise financeira para que houvesse um reconhecimento maior desse material, que, se você observar de um panorama maior e mais amplo, influenciou milhões de vidas, e continua a influenciar. A cultura dos quadrinhos sempre foi e ainda é muito importante, e nessa década, isso realmente foi reconhecido. E não apenas em papel, artigos científicos, etc, mas em cifras, também. E isso foi algo muito importante. Quem sabe, com essa nova visão, haja mais investimento na produção artística voltada para a nona arte e seu público? Talvez então possamos ver as pessoas deixarem de tratar os admiradores de quadrinhos como alienados ou infantis, e, enfim, os vejamos ser respeitados e compreendidos.

Ao segundo ponto dessa colocação, a história vai um pouco mais para o começo da década. Em setembro de 2001, o mundo foi pego em choque com o atentado terrorista às torres gêmeas em Nova York, nos Estados Unidos. Muitas vidas se perderam, histórias foram interrompidas e o mundo perdeu um pouco a expressão de leveza que aparentava ter. Uma tensão global se instaurou, jogando vizinho contra vizinho, amigo contra amigo. Ninguém sabia mais em quem poderia confiar. Tamanha mudança de comportamento não passou desapercebida, e, logo, levou a ramificações nos quadrinhos.




O próprio atentado levou a respostas incrivelmente belas em termos de arte, como a edição da série Amazing Spider-Man onde o Homem-Aranha se depara com os prédios já em chamas e, junto de vários heróis E vilões da Marvel, auxilia no salvamento de inocentes presos nos destroços. Para mim, essa edição foi uma das mais especiais e de maior destaque na década, absolutamente impecável em termos de emoções humanas e solidariedade. Além disso, a Marvel lançou a minissérie "Emergência - A Serviço da Vida", onde contava a história de bombeiros que procuravam salvar suas vítimas e resolver cada caso de uma vez, como heróis da vida real, em 2003. A DC não ficou atrás, e passou a evidenciar em diversas de suas histórias o valor dos prestadores de serviços de resgate do mundo real, como mostrado na imagem que inicia o artigo.

Com essa reviravolta, os quadrinhos mudaram. O tom das histórias passou por um longo período de obscuridade, onde o lado negro dos personagens começou a vir à tona, e o gênero da vida deles passou a ser o drama ao invés das aventuras a que estavam acostumados. A DC passou uma Crise de Identidade em 2004 que a reformulou por completo, mudando a forma como seus principais personagens eram vistos, e a Marvel entrou em Guerra Civil um pouco mais tarde, em 2007,  ponderando os limites do bem que um herói mascarado pode fazer. Foram grandes mudanças, enormes, profundas e estruturais. Necessárias.

Foi um tempo de luto. Não apenas pelo desastre que marcou a década, mas pela inocência que se perdeu. A desconfiança fez lembrar de tempos nada agradáveis em que a certeza do bem triunfar sempre não era tão firme, ao menos não tão firme quanto deveria. E passou-se a questionar isso nos quadrinhos. O que pode ser evitado de fato?



 
Porém, essa mudança no tom das histórias não se limitou aos quadrinhos de heróis. O premiado autor
Art Spiegelman (único quadrinista vencedor do Prêmio Pullitzer pela sua história Maus) também reagiu a esse panorama na sua obra "À Sombra das Torres Ausentes", em que criticava o xenofobismo, algo atípico dentre os quadrinistas para responder ao governo Bush no momento.

Foram muitas mudanças em muito pouco tempo. E os quadrinhos estiveram lá, como todo bom meio de comunicação para mostrar os pontos de vista e reação das pessoas aos eventos que decorreram no mundo. Por todas essas razões, esses dois elementos merecem tamanho crédito, e marcaram a arte sequencial na década.

Notas de complemento:

http://extra.globo.com/tv-e-lazer/revista-com-primeira-aparicao-do-batman-vendida-por-mais-de-us-1-milhao-bate-recorde-92308.html

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1549664-9356,00-GIBI+DE+SUPERMAN+REGISTRA+NOVO+RECORDE+EM+LEILAO+US+MILHAO.html


http://www.guardian.co.uk/culture/2004/apr/24/guesteditors3

http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/n11092007_05.cfm

7º Colocado: O Boom do Mangá

Por Gabriel Guimarães
Caracterizado pela abertura a uma ampla margem de público, o estilo mangá dos quadrinhos japoneses tem um imenso repertório de tramas, desde simples histórias de uma garota que gosta de hamsters até épicas jornadas de heróis e aventureiros na luta pela sobrevivência do universo. E foi a partir desse estilo de quadrinizar que surgiram muitos dos desenhos animados (animês) que marcaram as vidas de muitos jovens já há várias décadas.

Entretanto, foi somente a partir dos anos 2000 que, de fato, os mangás realmente foram adotados como main stream dos quadrinhos consumidos no Brasil. A mudança editorial promovida nessa década de publicarem os mangás na sua ordem original ao invés de ocidentaliza-los foi talvez o grande fator influenciador para a nova e maior aceitação do material.

Criando uma identidade visual única, que diferenciava as revistas de estilo mangá das demais nas bancas, as histórias tiveram mais campo para serem bem recebidas (além do mais, a partir de então, elas passaram a ser lidas como haviam sido planejadas em sua publicação original no Japão). Aqui merece um crédito especial para a editora Conrad, que deu início a esse processo com a importação dos mangás Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco.

O público começou a associar mais os desenhos animados que tanto eram vistos com seu material de origem, e muitos que o faziam passaram até a preferir o que era publicado em relação ao que era exibido. Por essa afirmação, é possível perceber a importância que o mangá teve nessa década: atraiu toda uma leva de novos leitores para as histórias em quadrinhos e expandiu de forma assustadora a aceitação da nona arte em meio ao público que já não era mais infatil. Desde então, é cada vez mais frequente você observar grupos de pessoas reunidas nos colégios, nos shoppings, nas faculdades, falando sobre uma história que todos acompanham mês após mês nas bancas.

Outra grande repercussão que o advento do mangá gerou foi a explosão do número de eventos organizados em prol de uma publicação em quadrinhos, que gerou até a realização mais frequente dos chamados cosplays, onde os fãs das séries se fantasiavam como seus personagens favoritos e competiam entre si para ver quem homenageara melhor a figura retratada. Tradição em alguns outros países, aqui no Brasil, esse costume não era tão efetivo, porém, a partir dessa última década, se tornou.

O mangá gerou uma massificação de consumo de quadrinhos que já não se via há anos, fossem os leitores de Dragon Ball, Naruto, One Piece, ou qualquer outro título, todos passaram a fazer parte de um mesmo universo, um mesmo contexto cultural, e assim se criou uma base muito forte onde se estruturou uma comunidade de jovens leitores que são influenciados pelas histórias que leem e pela cultura com a qual tomam contato. Não apenas a cultura do Japão, mas sim a cultura da integração, do conceito de respeito e honra, de amizade e de companheirismo.

O mangá, utilizando de um recurso gráfico em que os cenários são complexos para dar o tom de realidade e os personagens são simples para serem fáceis do leitor se identificar com eles, realmente alcançou hoje um patamar muito admirável nos quadrinhos como um todo, gerando uma ótima receptividade e produzindo momentos que serão lembrados por todos os seus jovens leitores pelo resto de suas vidas.


O tremendo crescimento do mangá é um elemento que não poderia deixar de figurar aqui entre os maiores acontecimentos da dácada nos quadrinhos de forma alguma, e acredito que ele só tende a crescer mais e mais, em vista sua estratégia já inerente da venda para o mercado de nichos, cada vez mais comum nos dias de hoje, como destaca o livro "A Teoria da Cauda Longa", de Chris Anderson.

domingo, 16 de janeiro de 2011

8º Colocado: Turma da Mônica Jovem

Por Gabriel Guimarães
Quem dos verdadeiros leitores de quadrinhos hoje pode dizer sinceramente que nunca leu uma revista, um gibi, da turma da Mônica a vida toda? A invenção do artista e empreendedor Maurício de Sousa não foi só mais uma revista em quadrinhos nas bancas de todo o país, ela se tornou sinônimo de quadrinho brasileiro em grande parte do mundo afora. Maurício, cuja carreira como desenhista começou cedo, quando fazia cartazes e ilustrações para os meios de comunicação da cidade de Mogi das Cruzes, onde morava, conquistou um espaço que pouquíssimos acreditavam ser possível conquistar e, com isso, marcou seu nome na história dos quadrinhos não só brasileiros (onde, entre eles, está irrevogavelmente na mais alta posição), mas também mundiais.
Por cerca de 48 anos, Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, e dezenas de outros personagens, se fizeram presentes nas vidas de praticamente todos os brasileiros, fosse através das consagradas revistinhas (que migraram por várias editoras ao longo dos anos), desenhos animados (que eram exibidos tanto em canais de acesso aberto quanto em canais de rede paga), bonecos, adesivos, cadernos, canetas, estojos, bichos de pelúcia, etc. Ainda que não houvesse tantos objetos com licenciamento de imagem dos personagens de Maurício, há uma imensa quantidade de programas de alfabetização e auxílio à educação incentivados pelo MSP, estúdio e produtora do grande quadrinista brasileiro.

Vendo todo esse panorama, não é nenhuma surpresa o alto nível de aceitação e credibilidade associados aos nomes e imagens da turminha. Entretanto, com o passar dos anos, nada também é tão natural quanto a necessidade de se reestruturar para alcançar novos mercados (como já foi estudado aqui no blog algum tempo atrás).

No ano de 2008, Maurício pôs em prática uma estratégia que poderia colocar em risco tudo aquilo que produziu em quase toda sua vida: amadurecer seus personagens, mudando alguns de seus elementos estruturais. Na Rio Comicon que foi realizada em 2010, ele revelou a motivação real que o levou à definitiva decisão de tomar tal risco: seu filho mais novo. Todo mês, o grande quadrinista brasileiro levava revistas em quadrinhos da banca para seu filho, dentre as quais, ele destacou os gibis da série Turma da Mônica e a série de mangá Naruto. Um dia, Maurício disse, ele viu a imagem que lhe faltava para perceber que precisava inovar seu universo de personagens: seu filho ficou em dúvida, pela primeira vez, quanto a qual das revistas leria primeiro, e acabou optando por Naruto.

Observando seu filho (que poderia simbolizar quase perfeitamente o seu legado para os quadrinhos no Brasil, nesse caso) e as mais recentes gerações de leitores da nona arte, Maurício viu a alta procura pelo estilo mangá, e o quanto que uma iniciativa de entrar nessa área poderia revigorar toda sua produção, renovando o público e reatraindo os leitores mais velhos. Não, não foi uma decisão tão fácil quanto parece. Se desse errado e o conservadorismo triunfasse nesse caso, todo o império que levou décadas para ser construído à base de muitas lapiseiras, borrachas, réguas, canetas e folhas de Maurício, poderia ruir.

É pelo sucesso dessa mudança de estratégia na produção da maior revista em quadrinhos produzida por e para o mercado brasileiro, que a invenção da Turma da Mônica Jovem em estilo mangá figura na lista dos 10 acontecimentos que marcaram a arte sequencial na década e acredito que não poderia deixar de estar.

Nos próximos anos, a expansão desse novo projeto quadrinístico de Maurício só tem projeção para crescer mais e mais, visando uma série de desenhos animados (já em fase de estudo, como também foi destacado anteriormente aqui no blog), edições especiais e cada vez mais leitores, tanto novos aos quadrinhos como experientes e ávidos leitores da turminha, que sempre sonharam ver os seus personagens favoritos crescerem junto com eles, e agora, conseguiram ou estão mais próximos disso. Para tanto, um outro nome merece ser destacado aqui por sua importância, o editor Sidney Gusman, responsável por todas as edições MSP 50, que homenageiam os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa como quadrinista pela mão de vários outros desenhistas e artistas brasileiros, e que tem tomado a frente de tudo atualmente produzido pelo estúdio do criador da Mônica.

Seja falando ao público infantil ou aos novos jovens de hoje e amanhã, as ideias de Maurício se mostraram firmes quando todas as demais foram caindo frente aos obstáculos de produção e distribuição de quadrinhos no Brasil (também abordado previamente aqui no blog), e tudo que posso dizer, é que o Cebolinha inventou milhares de planos para virar o dono da Rua, enquanto o Maurício só precisou de um para virar o dono do Brasil (pode parecer uma metáfora forçada, mas quando se observa a influência de sua criação na formação de tantos dos que hoje são as cabeças governantes do país, percebe-se que não é tanto um absurdo minha afirmação): criou a identidade do brasileiro de forma pura e simples, a trajou com um vestidinho vermelho e lhe deu nas mãos um coelhinho para que pudesse se proteger dos que tentassem dela se aproveitar; e voilá, todo um universo de construiu naturalmente, e está hoje mais forte que nunca.

Parabéns e, mais uma vez, obrigado, Maurício.

sábado, 15 de janeiro de 2011

9º Colocado: A Marvel no Novo Milênio

Por Gabriel Guimarães


No começos dos anos 2000, a Marvel percebeu que precisava atrair novos leitores às suas revistas se não quisesse ter sérios problemas financeiros. Seus filmes começavam a surgir nas salas de cinema ao redor do mundo, começando pelo primeiro X-men (2000) e partindo rumo a uma sequência de personagens a serem aproveitados na grande tela. Com os espectadores dos cinemas, os executivos da Marvel sabiam que surgiriam novos potenciais leitores, e nisso, resolveram por em prática uma estratégia até já manjada no meio para atrair novos públicos: decidiram dar um reboot no universo Marvel como um todo e mostrar como ele funcionaria se todos os heróis e vilões tivessem surgido no novo milênio que se estendia diante de nós, e não mais na década de 1960. Esse projeto ficou conhecido como Marvel Millenium.

Com versões não só recontadas de personagens, como era tradição nesse estilo de abordagem, mas sim com reformulações e mudanças drásticas, esse novo universo criado pela Marvel surpreendeu o público, que começou a ser cada vez mais atraído para essa versão ultimate dos personagens do que para a tradicional. A versão tradicional, inclusive, com algumas poucas exceções, não passava e ainda não passa por bons momentos já há algum tempo. Tudo ficou complicado demais, engendrado demais. No novo universo proposto pela Marvel, tudo se simplificou, novas histórias antológicas para os personagens foram criadas, e velhos jargões repetidos à exaustão deram lugar às novas tentativas de se comunicar com a nova geração de consumidores de quadrinhos. E o resultado foi excelente.

Tamanho foi o bom retorno desse projeto, que o nome do talvez grande responsável por ele, o roteirista Brian Michael Bendis, se tornou quase sinônimo de boas histórias. Porém, não foi apenas ele que criou toda a ambientação dos personagens em suas novas versões. Essa tarefa foi encumbida a uma gama de talentosos roteiristas e artistas de altíssimo nível técnico. Mark Bagley (parceiro de Bendis na série do Homem-Aranha ultimate, personagem solo de maior sucesso da linha), Mark Millar, Adam Kubert, Brian Hitch, Greg Ruka, Stuart Immonen, Brandon Peterson, David Finch, entre muitos e muitos outros, foram alguns dos que deram forma à nova estrutura de como a Marvel passou a ser vista melhor nessa última década, e, portanto, não foi à toa a projeção que a estratégia adquiriu.

Com a nova versão dos Vingadores, maior grupo de heróis do universo Marvel, a editora conseguiu atingir todo um novo nível de leitores. Escrito de forma brilhante pelo escocês Mark Millar em parceria com os desenhos incríveis do britânico Brian Hitch, Os Supremos (como vieram a ser chamados) se tornaram uma referência no que tange aos bons quadrinhos de heróis dos últimos tempos. A abordagem cinematográfica foi tão bem recebida que virou praticamente o pilar sob o qual estão sendo trabalhados os filmes dos personagens integrantes do grupo e o filme do grupo em si, que ainda será produzido na sétima arte.

Considero a criação da Marvel Millenium um elemento quase divisor de águas na forma como a editora era vista nos anos que precederam a passagem das décadas anteriores para essa última; e a forma como tudo foi orquestrado, para permitir que novos leitores não se sentissem deslocados em termos de cronologia com o universo Marvel, levaram a uma ótima resposta do público e do mercado em si.

O ítem preenche a nona colocação nos acontecimentos que marcaram a década por causa da revitalização do público, da conexão com todos os elementos da geração atual nas histórias (desde a tecnologia utilizada às tendências de estilos urbanos) e da expansão da marca Marvel que foi possível através da união entre o cinema e a linha Marvel Millenium.

Sem mencionar o fator multimídia das histórias, que já chegaram aos video games nas duas edições do game Ultimate Alliance e as relações com referência à série de televisão LOST, que aparecem em alguns momentos da série do Homem-Aranha ultimate.

Com novos poderes, vem novas responsabilidades. E, apesar das ideias descabidas das últimas histórias (como a pífia Ultimato), os profissionais da Marvel têm conseguido lidar muito bem com tudo isso. Torçamos para que o futuro seja apenas de sucessos e novos voos rumo a histórias cada vez melhores.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

10º Colocado: A Reinvenção do Lanterna Verde

Por Gabriel Guimarães
Uma vez, Hal Jordan foi um dos maiores defensores do planeta Terra e considerado o maior dentre os membros da Tropa dos Lanternas Verdes, equipe formada pelos mais dignos e habilidosos seres dos 3600 setores do universo, que ostentavam a luz esmeralda de seus anéis municiados apenas de sua inabalável força de vontade. Então, um período de muita escuridão caiu sobre a alma de Jordan.
Após décadas utilizando o símbolo da Tropa como elemento de justiça e a garantia da luta pelo bem, o mundo de Hal começou a ruir ao seu redor. Em 1994, devido a eventos recorrentes da morte do Superman, dois inimigos do Homem de Aço (Super Ciborgue e Mongul) tentaram remodelar o mundo conforme suas vontades, e numa primeira investida, destruíram Coast City, cidade natal de Jordan, e, com ela, milhões de seus habitantes.
O peso de tal ato abalou aquele que era o maior dos Lanternas Verdes. Seu luto e vontade de reconstruir o que havia antes naquele agora desértico espaço de terra o fizeram tentar recriar vida a partir da força de seu anel, de sua força de vontade. Porém, os Guardiões do Universo, criadores e normalizadores da Tropa, não concordaram com a empreitada do herói, e ordenaram que entregasse seu anel.

Agora cego pela tristeza e com medo do que se seguiria a esse nível de destruição e abalo que sentiu, Jordan se rebelou contra seus outrora líderes e rumou para a Bateria Central da Tropa, a fim de absorver toda energia lá contida para poder recomeçar. Derrotando colega a colega de Tropa no caminho, Jordan foi adquirindo mais anéis e, com isso, mais poder, até que chegou a Oa, planeta dos Guardiões. Nas suas últimas frustradas tentativas de impedí-lo, os Guardiões usaram as únicas armas que restavam: Kilowog, oficial de alta patente da Tropa e um dos maiores amigos de Jordan nos anos passados; e Sinestro, ex-membro da Tropa, que se corrompeu desejando uma ordem perfeita para o universo, para a qual a única forma de sustentação seria um tipo de política universal que só poderia ser assemelhada talvez ao fascismo (além disso, Sinestro foi quase desde o começo da carreira de Jordan como Lanterna Verde, seu maior inimigo). Tentativas frustradas.

Jordan elimina os obstáculos e, num momento sublime em que expõe tudo o que passou, indaga os Guardiões quanto ao seu nível de participação na ordem de todas as coisas e relata que ninguém mais pode impedí-lo de atingir seu objetivo de absorver toda a energia da bateria, nem mesmo ele próprio. Jordan cumpre com o que diz e, ao absorver tamanha energia, elimina todos os Guardiões, menos um, que é protegido pela força de todos os demais, Ganthet, que fica emcumbido de dar o último anel da Tropa a um ser merecedor, que viria a ser o desenhista terráqueo Kyle Rayner. Voltando a Jordan, agora, sob a alcunha de Parallax, ele ostenta o poder que tanto procurou: o poder de recomeçar Coast City, a Tropa, a vida em si...

Numa tentativa radical de zerar todas as penitências da existência, Jordan se aliou ao vilão Extemporâneo e gerou o evento que ficou conhecido como Zero Hora, porém, foi detido na última tentativa dos heróis de impedí-lo, fazendo tudo voltar ao normal. Jordan, então, tentou voltar a ser o Lanterna Verde que já havia sido, retomar a força do último anel energético no universo, para enfim cumprir seu objetivo, mas Kyle Rayner não permitiu, confrontando-o diversas vezes, até que Jordan desistiu e vagou pelas galáxias, procurando uma nova forma de satisfazer seus propósitos.
Em 1996, uma nova ameaça surge na forma do vilão Devorador de Sóis, que quase causa a destruição da galáxia onde a Terra se encontra ao consumir toda a energia do nosso Sol. Jordan, movido pelos pedidos de seus antigos amigos e companheiros, decide utilizar toda sua força para reconstruir a fonte de vida dos planetas da via Láctea e destruir de uma vez por todas o causador desse mal, mas para isso, sacrifica sua vida.

Entretanto, a jornada de Hal não termina ali, e, vagando pelo limbo, acaba retornando ao mundo dos heróis sob o manto do espírito da vingança, Espectro, após uma épica batalha para ser o sucessor por trás da entidade.
Bom, isso é um resumo de tudo que aconteceu de realmente marcante na vida do personagem Hal Jordan até essa última década.

Em dezembro de 2004, através da excelente dupla Geoff Johns (ainda antes de se tornar o badalado roteirista da atualidade da DC) e Ethan Van Sciver, a DC publicou a minissérie Lanterna Verde: Renascimento, onde, explicando dezenas de fatores e eventos usando apenas elementos realmente presentes na mitologia ancestral do personagem, ocorreu aquilo que todos os grandes fãs do gladiador esmeralda da Era de Prata tanto esperavam: O retorno de Hal Jordan ao seu posto de Lanterna Verde oficial do setor espacial 2814.

Revelando que Parallax na verdade era um ser mítico que existia desde o início do universo e que se alimentava de todo o medo existente nas criaturas viventes, a história mostra a razão da impureza amarela nos poderes da Tropa (uma vez que Parallax era composto de energia amarela e estava aprisionado na bateria central de Oa), as motivações que levaram Hal Jordan ao limiar da loucura, e as prerrogativas de seu triunfal retorno. Bom, o mais importante nisso tudo, afinal, era: Hal Jordan estava de volta.

Nos anos que se seguiram, Jordan teve que trabalhar duro para reconstruir a imagem que possuía junto à comunidade heróica e aos membros da recém-reconstruída Tropa dos Lanternas Verdes, além de se deparar mais uma vez com eventos tenebrosos para o futuro do universo decorrente de falhas cometidas pelos Guardiões nos milênios em que viveram antes de tudo existir, como a profecia da Noite Mais Densa, história que é atualmente publicada aqui no Brasil pela editora Panini e que já terminou lá fora, causando toda uma reestruturação definitiva do universo DC.

Ok, tudo isso é sensacional, incrível, mirabolante. Mas o que isso tudo tem de tão especial a ponto de entrar para a lista das maiores mudanças / eventos nas histórias em quadrinhos na década? Olhem bem, Hal Jordan vinha de uma década onde a palavra caos imperava completamente. Não havia estrutura nem projeções muito boas para o personagem, o universo em que ele se inseria (Coast City e muitos dos personagens secundários) se encontrava em frangalhos.

Geoff Johns pegou referências onde nenhum outro roteirista pensara em fazer antes (pelo menos não com tamanha primazia): a própria mitologia esmeralda do personagem. Ele olhou para o passado, o começo de tudo, tal qual o primeiro vilão do universo DC, Krona, e decidiu recomeçar tudo, porém, não do zero, como pretendia Jordan, mas sim de onde tudo havia parado. Ele simplesmente despausou o personagem, que tal qual ele próprio (Hal) ficcionalmente estava por um período nos quadrinhos, estava editorialmente: no limbo.

Do marasmo, ele pegou as pontas necessárias para trabalhar toda a simbologia e expandir tudo que o símbolo dos Lanternas Verdes representava: a força de vontade e a superação do medo. E o fez de forma perfeita, impecável. Ele pegou Hal, que se encontrava numa posição irrelevante em meio a toda essa gama de personagens incríveis que a DC tem, e o catapultou ao carro chefe da editora na década, ultrapassando em muito a projeção de Batman, Superman, Liga da Justiça e etc. A DC conseguiu, surpreendentemente, inclusive, terminar 2010 à frente da Marvel tanto em arrecadação com a venda de revistas quanto em quantidade de revistas vendidas, fato este inédito no mercado de quadrinhos americanos. Quer saber a causa dessa surpreendente mudança? A DC reinventou o Lanterna Verde. Explorou seu potencial, e acreditou que poderia ir além de meras histórias que você compra todo mês nas bancas. Resolveu pela primeira vez em décadas expandir o conceito do universo do personagem esmeralda. E vejam só? Deu certo. E nem precisou de crises disso ou crises daquilo para isso. Hal Jordan se envolveu muito pouco em todos esses mega eventos, e, portanto, foi um dos poucos que se safou de toda a estrutura caquéitca que eles traziam e na qual deixavam vários personagens.

A reinvenção do Lanterna Verde figura aqui em décimo lugar porque a DC superou o medo de se arriscar com um personagem consagrado, e com isso, atingiu novos patamares jamais sonhados antes, nem mesmo pelos mais ferrenhos fãs do personagem, dentre os quais eu me incluo.
No ano que se iniciou há pouco, ainda nos é reservada a oportunidade de ver o personagem na grande telona (não que tenha me empolgado tanto ainda, como podem ver na análise que fiz do trailer liberado ao público, postado previamente aqui no blog) na pele do ator em ascenção Ryan Reynolds, fato que poucos esperavam ver um dia se isso fosse perguntado alguns anos atrás.

E olhe só pro futuro agora? Tudo que a DC vê pela frente por essa estratégia é um dia mais claro, onde, há poucos anos antes, tudo que havia era uma noite bem, bem densa.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os Dez Acontecimentos Que Mais Marcaram as Histórias em Quadrinhos na Década

Por Gabriel Guimarães
Com a virada do ano, não só um número 0 se tornou um 1, como uma nova década teve início de fato. Uma década que nos vislumbra com a gama de possibilidades do por vir. Uma década onde os quadrinhos entram como um meio de comunicação e arte de forma imponente, ainda que não firmemente estabelecida, AINDA.

Porém, enquanto nos maravilhamos com o que pode surgir no amanhã, não devemos nos esquecer do ontem, pois foi devido ao que aconteceu ontem que o hoje e o amanhã são e serão possíveis. Sem o passado nos bairros mais pobres de Nova York onde moravam seus criadores, o Superman jamais teria se tornado o Homem do Amanhã. E assim, as coisas ainda acontecem.

Passamos por uma década em plena atividade, onde houve muitos altos e baixos, e um balanço geral se faz necessário. Para tal, estive e estarei trabalhando numa lista onde discorrirei sobre os 10 eventos / acontecimentos / ideias que mais revolucionaram as histórias em quadrinhos na década que passou. Não é uma lista das melhores histórias e nem de elementos absolutos, então, convido-os a debater comigo sobre possíveis fatos que eu não tenha tido conhecimento ou que eu possa ter diminuido sua noção de importância. Pelos próximos dias, postarei diariamente um dos membros dessa lista em que estou trabalhando, começando pelo décimo e indo até o primeiro colocado em termos de importância geral para a nona arte.

Nos vemos amanhã, caros leitores, com o 10º colocado, o qual só revelarei amanhã, tal qual ocorrerá com todos os pontos que selecionei como mais importantes da década. Que comecem as ponderações!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The man, the myth and The Stan Lee

By Gabriel Guimarães

Usually I don’t write my articles here in English but I will make an exception just in case my project to honor one of the comic book professionals I admire the most come true. I’m delighted to bring you a piece of my mind about the astonishing gentleman that is mr. Stan Lee.

I’m 100% sure to say that if it wasn’t for his excellent work maybe today I wouldn’t have achieved all the projection in the comic books world that I did so far. From his pen came most of Marvel’s most beloved characters and most of all, came sensitivity and humanity to super hero comics. His revolution in the industry in the 1960s is still remembered as one of the most important moments in the history of comic books all over the planet, and after it comics were never the same again.

By making real live human beings in flesh, bones and feelings behind the masks of the crime fighters, Stan brought the reader into the story and made him the greatest protagonist of his own private world of adventures, which could go from fighting Dr. Octopus on the top of the Empire State building to running across the whole city to buy Aunt May’s medication that is the only thing that could keep her alive. Stan made us truly believe that man could fly, either by wings as the original X-man Angel or by web as the spectacular Spidey.

Knowing this or not, we were all influenced by this man’s work. Either through our childhood, either through our defying teenage years, either through those difficult moments during our transition to become adults, Stan was there for us – in paper pages, films on the television and in our most intense memories.

No, he didn’t do this all by himself, there were a lot of hands helping him give birth to this whole universe of wonders (or marvels, if you may). Jack Kirby, Steve Ditko, John Buscema, John Romita Sr., among dozens, are only a few of the gold-handed artists that made a dynamic duo whit this legendary creator (I know that this expression comes from Marvel’s biggest competitor but I’m taking freedom of speech to use this in my article as a neutral reference).

Well, to put in a nutshell, this man is one of the greatest inspiration fonts for anyone that wants to become a comic book professional, no matter what would the function of this person be in the enormous process of comics production. And it’s no surprise to say that mr. Stan Lee is known as the most kindest man anyone could ever know. So, when you feel like taking a time to understand what emotions rule our fate or where to regain strength in the middle of an unending battle through life, don’t forget: You can always depend on the heart of this man’s characters. Either they’re standing on top of the world on a silver surfboard or upside-down on the Statue of Liberty torch, you can always count on these Stan Lee’s alter egos. After all, in the centre of all this, he is each and every one of them and, still, none of them at all. That’s the man, that’s the myth, that’s The Stan Lee.


EXCELSIOR!