domingo, 13 de setembro de 2015

XVII Bienal - Onze Linhas de uma Grande História

Por Gabriel Guimarães
 

A cidade do Rio de Janeiro, talvez alheia ao que o dia reservava ou até por causa desse conhecimento, amanheceu em prantos pelo fim de mais uma edicão da Bienal Internacional do Livro. Enquanto muitos habitantes da capital carioca tenham optado por descansar e ter um domingo de repouso, uma grande quantidade ainda se viu estimulada a visitar o Rio Centro para conferir ofertas de saldão  que as editoras e demais revendedoras poderiam estar disponibilizando em cima do material que haviam levado para o evento. E ninguém saiu de mãos vazias, ao menos no que diz respeito aos leitores de quadrinhos.

"Quem Matou João Ninguém"
foi um dos títulos interessantes
de quadrinhos da Draco
"Pílulas Azuis" foi um
dos títulos em promoção
na Nemo
Enquanto a editora Nemo, parte do Grupo Autêntica ofereceu 40% de desconto em todos os seus títulos, com destaque para a Coleção Moebius, a editora Draco disponibilizou uma promoção de 4 livros pelo preço de 3, estimulando a venda de seus muitos títulos de fantasia escritos por autores brasileiros, além de seus conteúdos de arte sequencial, como "Quem Matou João Ninguém", escrita por Zé Wellington e desenhado por uma grande equipe de profissionais, composta por Wagner Nogueira, Wagner de Souza, Cloves Rodrigues, Ed Silva, Alex Lei e Rob Leon.


Outro estande de destaque no dia foi o vizinho da Draco, ocupado pela empresa Copag, de jogos de cartas, que vêm se expandindo nos últimos anos e lançado vários conteúdos de entretenimento em formato portátil, como versões dos jogos de tabuleiro clássicos, como "Banco Imobiliário", além de alternativas mais novas, como "Convocados" e "Pingo no I". Outro destaque do estande fica por conta do jogo de cards colecionáveis Battle Scenes, que vem figurando os personagens da Marvel em disputas que buscam assemelhar as épicas disputas do clássico "Magic: The Gathering", segmento este que também esteve presente na Bienal no estande da Devir.

Artes originais de roteiros de histórias da Mônica
estiveram expostas no estande da Panini
O alvoroço, contudo, inviabilizou em vários momentos do dia uma visita calma aos estandes, em especial aqueles que dispunham de obras inéditas ou que estiveram com autores assinando seus  materiais, como foi o caso da Panini, que recebeu mais uma vez o quadrinista Maurício de Sousa e viu suas filas crescerem de forma impressionante. De forma muito solícita, o criador da Turma da Mônica atendeu a todos os visitantes, recebendo cada um com um grande sorriso no rosto e um aperto de mãos simpático e um olhar carinhoso. Até o público que conferiu o momento através das paredes transparentes da área onde o autor se encontrava foi agraciado com uma salva de aplauso do mestre, que até posou para fotos enquanto o fã seguinte entrava na cabine par pegar seu autógrafo.


O dia foi muito movimentado, mas extremamente proveitoso, e certamente os Pavilhões do Rio Centro foram palco de grandes momentos, tanto para o enriquecimento da literatura como campo, quanto de cada leitor como indivíduo e como comunidade. Quem teve a oportunidade de visitar a XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, com certeza pode sentir o quanto essa paixão vem conquistando novos leitores, e o quanto isso pode dar esperanças para o futuro de nossa sociedade, com gerações mais atentas e conscientes ao mundo que lhes cerca, e quanto ao seu papel em todo o grande contexto das coisas. Foi uma oportunidade de reencontrar amigos, criar novos laços e, principalmente, celebrar essa paixão que norteia nossos dias no mercado editorial brasileiro. Em 2017, haverá mais por se contar, mas, até lá, muitas histórias ainda hão de ser escritas. Vamos lá!

sábado, 12 de setembro de 2015

XVII Bienal - Dez Dias e Noites Literárias

Por Gabriel Guimarães




O último sábado e décimo dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi de muito movimento pelos autores presentes e pelas promoções que começam a crescer. Com uma proposta de engajar ainda mais os visitantes, os organizadores do evento, inclusive, promoveram uma caça ao tesouro, por assim dizer. Escondendo vale-prêmios nas áreas comuns dos Pavilhões, que valiam desde edições autografadas e fotos com autores internacionais até iPads, a gerência da Bienal conseguiu cativar o público mais dedicado, que teve a oportunidade de vivenciar experiências inesquecíveis no cenário literário a que tanto estão acostumados.

Modelos de vales espalhados pelas áreas comuns dos Pavilhões do Rio Centro
As paredes da sala de autógrafos estava
completamente lotada dos post-its parabenizando
os 80 anos de Maurício de Sousa
Um dos principais destaques do dia ficou por conta do estande da editora Panini, que apresentou o lançamento oficial do novo volume da série Graphic MSP, com o titulo "Turma da Mata - Muralha", feita pelo trio Roger Cruz, Davi Calil e Artur Fujita. Os três estiveram presentes e assinaram as cópias de muitos ávidos leitores, dentro do espaço criado pela editora para homenagear os 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa. Sentados à frente dos post-its com mensagens de congratulações dos visitantes e autores para o padrinho da arte sequencial brasileira, e assinando sua nova obra composta com os personagens criados pelo próprio Maurício em sua ampla carreira editorial, os autores realmente puderam se sentir parte do universo mágico construído no decorrer da carreira desse grande profissional, que é o grande homenageado dessa edição da Bienal.

O próprio Maurício, inclusive, esteve presente em vários estandes, autografando seus recentes lançamentos, pelas editoras Santuário e Boa Nova. A partir dos mais de 40 lançamentos com os seus personagens apenas neste evento, o quadrinista deu mais uma prova do seu amor pelo meio e do meio para com ele. As filas estiveram completamente ocupadas em cada ocasião e o carinho dos leitores foi algo fortemente sentido.

Autores de literatura fantástica urbana ainda estiveram presentes, também, no estande da editora Aquário Editorial, promovendo a antologia de contos "O Outro Lado da Cidade", que contou com a presença de alguns de seus autores, como Ana Cristina Rodrigues, Taíssa Reis, Lucas Rocha, Bárbara Morais, Vinícius Lisbôa e Mary C. Muller, que aproveitaram para autografar a edição nos respectivos contos que cada um escreveu. A escritora Ana Lúcia Merege também esteve presente assinando seus livros publicados pela editora Draco e recebeu muito bem o público, lado a lado com o roteirista Raphael Fernandes, que autografou sua história em quadrinhos "Apagão - Cidade Sem Lei Luz".


O evento foi bastante agitado e corrido hoje, com um misto de expectativa e um saudosismo prévio já em mente com o encerramento do evento amanhã. Contudo, o dia final será certamente memorável e grandes experiências ainda estão por vir. Então, uma vez mais, destacamos #PartiuBienal!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

XVII Bienal - Nove Capítulos de Ação e Emoção

Por Gabriel Guimarães


O nono dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro  começou com destaque para bons descontos em estandes como o Grupo Autêntica, que dispôs algumas das graphic novels publicadas por seu selo Nemo com 40% a menos no seu preço normal. Obras como "O Muro", de Céline Fraipont e Pierre Bailly, e "Uma Metamorfose Iraniana", de Mana Neyestani, são alguns dos títulos que chamam bastante a atenção. O estande da editora Martins Fontes é outro que promoveu um corte dos preços de seus livros pela metade, com destaque para os títulos da "Mafalda", do argentino Quino, e a Novo Conceito também apresentou preços especiais em vários de seus exemplares, proposta similar às editoras PubliFolha, Leya e nos estandes de sebos como o PromoLivros e a Livraria São Marcos.

Árvore de livros no estande da Novo Conceito
oferece um bom local de repouso e convida a conferir os títulos
em promoção da editora

Jovem Nerd chegando ao espaço Cubovoxes
Com o último dia das turmas de colégios em excursão, muitos estudantes lotaram  os Pavilhões do Rio Centro, em especial o Verde, onde o estande da RedZero, curso de desenvolvimento de games e modelagem 3D, atraiu os visitantes para jogar partidas de futebol virtual e dançar para o Kinect ao som das músicas do momento. Para agregar a galera nerd, o estande ainda promoveu a vinda à Bienal dos blogueiros Alexandre "Jovem Nerd" Ottoni e Deivi "Azaghal" Pazos, donos de uma das produtoras de mídia mais reconhecidas no meio virtual. A multidão acompanhou os empreendedores até sua palestra no espaço Cubovoxes e acompanhou com grande afinco o depoimento da dupla sobre sua trajetória no mercado. Ao som da tradicional saudação do portal, o entorno do espaço foi bastante claro sobre o reconhecimento que a mídia alcança junto ao seu público. O site do curso que promoveu toda essa experiência pode ser conferido no link aqui.

O público tem comparecido em massa ao evento, mesmo no
meio de semana
O que chama a atenção é que essa edição da Bienal começou acertando em um ponto problemático das últimas edições: o preço dos livros.  Entretanto, o que parecia apontar para aprimorar a experiência do evento tornou a ser um desgaste no decorrer dos dias. No movimento agitado da semana, os preços dos estandes encontravam-se similares aos das lojas fora do evento, e isso gerou as mesmas críticas dos anos anteriores. Agora, na reta final da feira, parece que os responsáveis pela administração de cada estande torna a dar o braço a torcer, oferecendo descontos atraentes e convidativos.  Quem tiver a chance de visitar o Rio Centro este final de semana, certamente, encontrará boas promoções e, espera-se, tenha sua veia literária reacendida e inflamada por mais dois anos, pelo menos. Aguardemos para ver, e nos encontramos por lá!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

XVII Bienal - Oito Capítulos de Paixão Literária

Por Gabriel Guimarães




"Quando Tudo Começou" é mais um livro entre os bons lançamentos
da Nemo em 2015 e que chegou ao mercado durante a Bienal
No oitavo dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, o dia foi de movimento moderado, em essência. Fora das excursões escolares, o público mais dedicado que esteve presente nos Pavilhões do Rio Centro foram com objetivos previamente traçados, como conferir a sessão de autógrafos da autora Bruna Vieira e da quadrinista Lu Cafaggi no estande do Grupo Autêntica, pelo qual publicaram sua parceria, o livro recém-lançado "Quando Tudo Começou". Focando em experiências pessoais de Vieira durante sua juventude e ilustrado com a sensibilidade característica do trabalho da desenhista mineira, a obra apresenta com leveza certos dilemas vivenciados por muitas jovens durante sua fase de mocidade e é certamente um exemplar que vale a pena ser conferido.

Outro evento que atraiu muitos leitores foi o debate com os autores Eduardo Spohr e Bráulio Tavares acerca da narrativa no gênero da literatura fantástica, realizado no espaço Cubovoxes. Tal qual foi feito com o autor Jeff Kinney, o evento foi gravado e transmitido via Periscope ao vivo, e pode ser conferido ainda neste link aqui.

Bráulio Tavares e Eduardo Spohr no Cubovoxes
Alguns estandes, ainda, trouxeram material de arte sequencial interessante, como foi o caso da Livraria Francesa, que contou com peças de "Tintin", de Hergé, e "Asterix", de René Goscinny e Albert Uderzo, em sua língua original. O acabamento privilegiado, característica já do mercado de quadrinhos francês, só não foi mais admirado por conta do preço elevado do material em função da valorização do Euro diante da fase delicada da economia brasileira. O que poderia ser uma oportunidade de conferir artigos de grande qualidade e valor cultural acaba se tornando um luxo que precisa ser avaliado várias vezes antes de se adquirir, infelizmente. Ainda assim, uma visita ao estande recompensa por ver a bela forma como a bandé desinée é encarada nos mercados de além do oceano.

Em contrapartida, uma iniciativa muito bacana que tem rolado a Bienal toda foi a do estande da Sextante, que, em meio à moda recente dos livros de colorir, disponibilizou um espaço para visitantes de todas as idades saírem pintando imagens que vão desde as páginas de revistas às paredes de um quarto montado especificamente para o evento, com imagens dos personagens de Maurício de Sousa e elementos ornamentais. Com esse viés, a editora também lançou mais duas edições da Turma da Mônica e da Tina com essa proposta, que podem ser conferidos no estande.

Amanhã, começa, de fato, a reta final, de mais essa edição da Bienal, mas o evento ainda certamente reserva grandes experiências nos dias por vir. Nos vemos lá!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

XVII Bienal - Sete Dias de Jornada

Por Gabriel Guimarães


O sétimo dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi um dia majoritariamente dedicado aos alunos de colégios em excursão nos três Pavilhões do evento. Aproveitando muitas ofertas nos corredores e estandes laranjas, o público infantil se sentiu prestigiado, podendo ainda conferir a exposição em homenagem aos 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa. Com exemplares de amostra dos lançamentos recentes protagonizados pelos personagens da Turma da Mônica, Astronauta, Horácio, entre as muitas criações do desenhista paulistano, a exposição ofereceu aos jovens a oportunidade de conhecer mais das raízes do desenhista e suas novas empreitadas no mercado, como a "Turma da Mônica Jovem" reinterpretando a clássica lenda de Troia, em volume trabalhado todo em cordel e publicado pela editora Melhoramentos.


Editoras, ainda, como a L&PM ofereceu títulos no formato pocket de personagens clássicos, como "Recruta Zero", de Mort Walker, "Hagar, O Terrível", de Dick Browne, e "Radicci", do brasileiro Iotti; e adaptações de clássicos da literatura para o estilo mangá, como "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski, e "A Interpretação de Sonhos", do psiquiatra Sigmund Freud; além de livros e mangás de forte apelo ao público de jovens adultos, como "Além do Tempo e Mais um Dia", da brasileira Lu Piras, e "Solanin", de Inio Asano (obra esta que já comentamos aqui no blog antes).

Outro estande interessante foi o da editora Zahar, disposto em um palanque de altura maior que os demais, com uma área interna para leitura, e com muitas obras de fantasia relançadas em formato mais cuidadoso, além de também contarem com versões pocket, como as clássicas obras de Alexandre Dumas e Edgar Rice Burroughs. Quase em frente a esse estande, a editora Leya disponibilizou o trono de ferro da série televisiva "Game of Thrones", baseada nos livros do escritor George R. R. Martin, o que cativou a atenção dos jovens estudantes, que fizeram fila para tirar fotos sentados na réplica.

Com o término da primeira semana de evento, a Bienal começa a se direcionar para o encerramento neste final de semana, mas certamente ainda há o que conferir no Rio Centro, palco dessas grandes experiências dos últimos dias. Até lá, #PartiuBienal!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

XVII Bienal - Seis Epopeias Literárias

Por Gabriel Guimarães


O sexto dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi menos lotado que os anteriores, porém, igualmente movimentado. Os maiores estandes do Pavilhão Azul receberam atenção, com destaque para o do Grupo Editorial Record, que levou seus títulos baseados no popular game "Assassin's Creed" e na HQ/série de televisão "The Walking Dead". Em algumas de suas prateleiras, dentro do estande, estiveram dispostos, ainda, os álbuns do personagem de quadrinhos "Asterix", de René Goscinny e Albert Uderzo, e manuais referentes ao universo ficcional de "Star Wars". Os descontos no estande eram condicionados pela compra de um determinado número de volumes, mas uma visita ao estande é recomendada.

Localizado no mesmo corredor central, o estande do selo Companhia das Letras é outro que vale uma visita. Com estantes dedicadas a cada um de seus respectivos selos editoriais, desde a Suma de Letras (que conta com grande acervo de obras do popular e aterrorizante escritor Stephen King) até a Quadrinhos na Companhia, com títulos clássicos do quadrinista norte-americano Will Eisner (que já foi homenageado em diversas ocasiões aqui, aqui e aqui no blog) e a adaptação para os quadrinhos do livro do amazonense Milton Hatoum, "Dois Irmãos", feita propositadamente pelos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e lançada recentemente no mercado.


Contando com menos espaço que estes dois, mas ainda assim uma área bastante considerável, o Grupo Autêntica, do qual o selo Nemo faz parte, também se encontra no Pavilhão Azul, com clássicos europeus como a sua primorosa Coleção Moebius e volumes como "Companheiros do Crepúsculo", de François Bourgeon; conteúdo produzido primeiro na internet brasileira, como são os casos de "Bear", da quadrinista Bianca Pinheiro, e "Como Eu Realmente", ilustrado e escrito por Fernanda Nia; e novos títulos de questionamento e mudança de perspectiva cultural, como "O Mundo de Aisha", de Ugo Bertoti, "Uma Metamorfose Iraniana", de Mana Neyestani, e "Pílulas Azuis", do francês Frederik Peeters (este último, que, inclusive, já foi adaptado para o cinema ano passado, e cuja página no IMDB pode ser conferida aqui). O estande ainda conta com um grande lote de livros e quadrinhos a preços convidativos, valendo ressaltar a presença, entre estes, dos títulos de "Boule & Bill", criados pelo belga Jean Roba e atualmente produzidos pelo seu outrora assistente Laurent Verron, que conseguiu levar os personagens às telas de cinema e até para videogames.

Concluindo os destaques deste Pavilhão de hoje, o estande da PubliFolha, em meio aos seus temas principais de turismo e culinária, apresentou também 3 títulos interessantes de arte sequencial, publicados pelo seu selo Três Estrelas, "Trinity - A História da Primeira Bomba Atômica em Quadrinhos", de Jonathan Fetter-Vorm, "O Golpe de 64", dos brasileiros Oscar Dilagallo e Rafael Campos Rocha, e "A Morte de Stálin", da dupla Fabian Nury e Thierry Robin. Apesar de não haver desconto nesses itens, sua presença no estande aponta que a editora está começando a se aventurar na nona arte e um potencial crescimento nesse segmento poderia ser bastante interessante, principalmente levando em consideração a diversidade de fontes dos trabalhos publicados por eles até o momento. Que este seja apenas o início!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

XVII Bienal - Cinco Vogais de Uma Longa Jornada

Por Gabriel Guimarães



A Argentina foi o país homenageado nesta XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, com espaços especiais preparados para apresentar ao público no Pavilhão Verde a história de alguns dos autores de maior renome do país, como Adolfo Bioy Casares e Jorge Luis Borges. A fim de aproveitar também a forte cultura literária do nosso vizinho latino, os organizadores montaram uma área no Pavilhão Azul para realizar debates e palestras (onde, ontem, os cartunistas Ziraldo e 'Tute' estiveram presentes), com detalhes dos trabalhos de vários quadrinistas argentinos em cada banco disposto para que os visitantes que ali repunham suas energias ou sentavam para conferir a programação. Ao mesmo tempo, obras do país ganharam destaque nos estandes das editoras, como é o caso das antologias de contos urbanos fantásticos do pseudônimo Bustos Domeq na editora Globo; as coletâneas de Mafalda e os volumes do "Eternauta" na Martins Fontes; o livro "O Segredo dos seus Olhos", do escritor Eduardo Sacheri, pelo selo editorial Suma de Letras, da Companhia das Letras, entre muitos outros. A quem interessar conferir, o portal argentino AIM Digital comentou sobre o evento e sua postura quanto à cultura do país, e a matéria pode ser conferida aqui.
Entretanto, a quinta parte da Bienal não contou apenas com as boas notícias da parte do país homenageado. Em mais um dia de muito público, o estacionamento novamente deixou a desejar em termos de organização e o trânsito ao redor do Rio Centro apresentou mudanças que tornaram caótico o trajeto de quem chegava e saía do evento. Esperar em filas, tanto de carros quanto de pessoas, infelizmente, acabou sendo a ordem do dia.

Inteiramente alheios aos problemas externos, os estandes atenderam muito bem ao público, principalmente levando em consideração o fato de que o o limite dos espaços referentes a cada editora se encontrava excedido em sua grande maioria. Inspecionando mais a fundo, os estandes de maior sucesso no dia foram os pertencentes a sebos, como a Livraria São Marcos, a PromoLivros e o 'Feira de Livros', cada um com grandes ofertas em materiais da arte sequencial, indo desde encadernados importados de "Walking Dead", dos americanos Robert Kirkamn e Charles Adlard, passando por muitos qualificados livros teóricos da editora Criativo como "Eisner/Miller", chegando às edições nacionais da adaptação para os quadrinhos europeus da obra "Em Busca do Tempo Perdido", clássico escrito por Marcel Proust.

Outro destaque foi uma a área montada pela Coca-Cola no Pavilhão Verde que vendia garrafinhas pequenas personalizadas com o nome dos visitantes no ato da compra destas. O material, parte de promoções passadas da empresa, era vendido a R$6,00 e oferecia, ainda, a opção do comprador  adquirir, junto de quatro garrafinhas, uma miniatura do engradado onde os refrigerantes, de fato, são guardados em muitos restaurantes. O objeto foi bastante requisitado, em especial por famílias, que procuravam aproveitar a oportunidade de eternizarem nomes menos usuais nas garrafinhas para guardarem para si ou para presentearem amigos e conhecidos.

Um dia muito agitado, mas gratificante - assim, pode-se caracterizar mais este dia de Bienal. Ultimamente, pode parecer que ressaltamos os problemas estruturais do evento em detrimento de focar na experiência de dentro dos Pavilhões em si, contudo, visamos realizar uma análise integral do evento, e apenas pesando os prós e os contras, podemos ter uma consideração adequada de todos os fatores que constituem a Bienal em sua integralidade. Uma vez mais nos despedimos por aqui, ressaltando que o evento ainda reserva muito para os próximos dias desta semana, e esperamos poder encontrá-los lá!