segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um Castelinho Para Tezuka

Por Gabriel Guimarães


Foi inaugurada, em 17 de dezembro de 2013, a exposição "Tezuka, o Rei do Mangá", no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, mais popularmente conhecido como o Castelinho, entre os bairros do Flamengo e do Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Contando um pouco do processo artístico do animador e quadrinista japonês Osamu Tezuka, responsável por revolucionar a narrativa gráfica tanto no seu formato impresso como na sua composição audiovisual, a exposição traz para o público brasileiro um pouco dos conceitos que o autor trazia de mais importantes em sua formação enquanto artista profissional.

Tezuka desenhado junto de seus carismáticos personagens
Tendo sido o criador de muitas das grandes obras que se tornariam clássicas do estilo mangá, o trabalho de Tezuka criou os alicerces no qual quase toda a produção posterior de histórias em quadrinhos se baseou nas décadas seguintes no Japão, apresentando boa dinâmica gráfica, estudos detalhados de texturização e tramas com personagens profundamente humanos, ainda que muitos fossem máquinas, como é o caso de seu jovem Astroboy e de Michi, protagonista de sua história de ficção científica "Metrópolis". Dedicando-se a aproximar o leitor das histórias que apresentava, Tezuka trabalhou temas como preconceito, dependência tecnológica, responsabilidade e identidade com grande propriedade, tornando-se um pioneiro na abordagem de alguns desses temas.


Trecho de uma das entrevistas disponíveis
A exposição, que vai até o final de março, apresenta ainda uma série de curtas experimentais produzidos por Tezuka no terceiro andar do prédio e, também, duas entrevistas dadas pelo autor acerca de sua carreira na animação japonesa. Dispondo de tempo para assistir todos, o visitante sai de lá com uma boa perspectiva dos elementos mais importantes para o grande quadrinista japonês e ainda tem a oportunidade de conhecer um pouco mais de sua história de vida e de seu papel para todo a indústria de animação japonesa, em franca expansão há décadas.


A entrada do evento é gratuita e ele está aberto à visitação de terça a domingo, das 10 às 18 horas. O programa, ainda que mais focado na veia de animação de Tezuka, é um evento bastante interessante e recomendado também para os fãs da arte sequencial, para que possam conhecer um pouco mais de um dos grandes mestres desse meio, que faleceu em 1989, mas cujo trabalho continua pertinente e em voga até os dias de hoje.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Vida de Passarinho


Por Gabriel Guimarães




Foi realizado na noite desta quarta-feira, na Livraria da Travessa de Ipanema, o lançamento do terceiro volume das coletâneas de tirinhas dos personagens criados pelo autor capixaba Estevão Ribeiro. Com o título "Vida de Escritor" e um design similar ao do primeiro volume da publicação, os personagens Hector a Afonso tornam a protagonizar tirinhas com bom humor, dessa vez em histórias acerca do universo dos escritores e algumas das situações peculiares pelas quais muitos deles passam em alguns momentos ao longo de suas carreiras.


Atraindo a atenção de uma grande quantidade de pessoas que estavam na Livraria, que formaram uma considerável fila para conseguir o autógrafo de Estevão, além de reunir outros autores de quadrinhos e da literatura fantasiosa brasileira, como Carlos Ruas, Gerson Lodi-Ribeiro e Luiz Felipe Vasquez, que estiveram presentes para prestigiar o autor, o evento foi de grande sucesso. Contando ainda com a presença do editor responsável pela publicação, o paulista Guilherme Kroll (a quem já entrevistamos aqui no blog), da Balão Editorial, que recebeu a todos com bastante ânimo e entusiasmo, o lançamento proporcionou momentos extremamente agradáveis e conversas muito interessantes, dentre as quais vale destacar a origem do formato particular do primeiro e terceiro volumes das coletâneas dos "Passarinhos". Inicialmente pensado como uma forma de viabilizar a impressão do material nas máquinas de larga escala que eram utilizadas para imprimir em papel de nota fiscal, o formato acabou servindo para permitir uma economia maior nas gráficas habituadas à impressão em folha A4, vindo, apenas por final, a representar um objeto de estética atraente e fortemente convidativa para os leitores.

Uma vez que o custo com a publicação do seu material foi reduzido, Estevão permitiu à editora lançar o conteúdo de seus personagens a um preço mais acessível, atraindo, por conseguinte, uma maior gama e volume de leitores ao redor do país. A editora Balão Editorial ficou tão feliz com a receptividade da publicação, que, em breve, pretende relançar o segundo volume das coletâneas (cujo lançamento foi também coberto aqui no blog) no formato de livro-tira, segundo o próprio Estevão.

A vitrine da Livraria ganhou uma área temática especial para o evento
A noite fluiu de forma tranquila e o público da livraria foi ficando cada vez mais centralizado em torno do lançamento de Estevão, que pode receber todo o carinho dos leitores, que chegavam a trazer outras de suas publicações para conseguir sua assinatura. Todos os que estiveram presentes puderam sair satisfeitos com a nova obra adquirida e realizados com os encontros e conversas tidas.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Sonho, Dedicação e Saudade

Por Gabriel Guimarães

Antonio Luiz Cagnin, Waldomiro Vergueiro, Sonia Bibe Luyten,
Moacy Cirne e Álvaro de Moya, da esquerda para a
direita, respectivamente

Ontem, dia 11 de janeiro de 2014, o rol de estudiosos da nona arte perdeu um de seus grandes representantes nas terras tupiniquins. Aos 70 anos de idade, o professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, Moacy Cirne, faleceu após uma parada cardíaca decorrente de uma cirurgia a qual fora submetido para tratamento de hepatite, conforme noticiado à tarde pelas páginas online dos jornais "Tribuna do Norte" e "O Globo". Com uma vasta bibliografia dedicada ao estudo da arte sequencial, seus elementos semióticos e aspectos sociopolíticos, Cirne deixa um legado de importância incalculável para os admiradores das histórias em quadrinhos, que tiveram nele um de seus mais empenhados pesquisadores.
 
Autor de obras como "Bum! - A Explosão Criativa dos Quadrinhos" (1970), "História e Crítica dos Quadrinhos no Brasil" (1990) e "Quadrinhos, Sedução e Paixão" (2001), dentre tantos outros, Cirne nasceu na cidade de Jardim do Seridó em 1943, tendo se mudado para a parte baixa da rua Coronel Martiniano ainda aos 2 anos, na cidade de Caicó. Impressionado desde sempre pela dinâmica envolvente das revistas em quadrinhos que adquiria com seu vizinho Benedito, que trazia os materiais de Recife e os vendia frente à sua casa todas as quintas-feiras e admirado também pelas obras cinematográficas apresentadas no cinema Pax, Cirne iniciou uma carreira de grande destaque acadêmico, se tornando figura conhecida publicamente a partir de sua parceria com a editora Vozes, localizada em Petrópolis, no começo da década de 1970. Lá, ele exerceu a função de secretário de redação, aprofundando seus conhecimentos acerca da semiótica, da semântica e dos movimentos literários, ainda que já fosse parte fundamental da vanguarda artística que inaugurou o poema-processo enquanto forma de expressão, no ano de 1967.
 
Dedicando-se à poesia e ao estudo da narrativa gráfica, Cirne trabalhou em diversos artigos ao longo das décadas seguintes, trazendo para o leitor seu posicionamento firme quanto ao poder do formato em termos de divulgação ideológica e sua crítica acerbada sobre o predomínio norte-americano no consumo de quadrinhos nos mercados latinos. Sua análise sobre os elementos formadores da mídia, exemplificados majoritariamente por materiais europeus, foram de grande relevância para uma maior abertura dos campi universitários para os quadrinhos enquanto objeto de estudo. Seu último livro, "Seridó Seridós", que tratava de sua infância e formação nos arredores da ponte do Rio Barra Nova, à beira da estrada para o Itans, com muita poesia e sinceridade, foi lançado no último dia 14 de dezembro, e carrega em si talvez parte daquilo que compôs um dos maiores pesquisadores brasileiros da indústria de quadrinhos mundial.
 
Cena da história "Reco-Reco,
Bolão e Azeitona", de Luiz Sá,
recolorida digitalmente
A notícia do falecimento de Cirne vem poucos meses depois da perda de outra importante figura no mesmo campo de estudo acadêmico. Fundamental no reconhecimento do artista ítalo-brasileiro Ângelo Agostini como um dos precursores das histórias em quadrinhos enquanto meio de comunicação de massa, o professor Antonio Luiz Cagnin faleceu no dia 9 de outubro de 2013, vítima de um infarto fulminante durante uma reunião de colegas no Embu das Artes, em São Paulo. Nascido no bairro de Araras, Cagnin se apaixonou pela nona arte desde seu contato com a obra "Reco-Reco, Bolão e Azeitona", do desenhista cearense Luiz Sá, que participou da revista "O Tico-Tico" durante o período em que o conteúdo da revista que vinha do exterior sofria com atrasos e problemas de transporte decorrentes do período da Primeira Guerra Mundial. Cagnin, então, se empenhou no magistério, saindo de casa aos 15 anos para trabalhar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, localizado em São José dos Campos, e dando aulas de línguas no tempo sobressalente.
 
Antonio Luiz Cagnin
Durante seu período de pós-graduação na USP, a partir de 1972, Cagnin vivenciou com bastante gana o Congresso Internacional de Quadrinhos, realizado em São Paulo por artistas brasileiros, como o futuro estudioso Álvaro de Moya, fazendo contato com professores da França e da Itália acerca do estudo aprofundado da arte gráfica na narrativa de histórias, sendo posteriormente convidado para participar da Organização de Professores de Quadrinhos, organizada pelo professor Francisco Araújo, da faculdade de Brasília. Participante ativo nos congressos posteriores, realizados na Bordighera e Lucca, ambas em terras italianas, Cagnin viria a se tornar professor efetivo da USP apenas em 1984, no setor de semiologia na Escola de Comunicações e Artes.
 
Já tendo publicado em 1975 o livro "Os Quadrinhos", na série "Ensaios", da editora Ática, Cagnin encontrou na seção de obras raras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro  "As Aventuras de Nhô Quim" e "As Aventuras do Zé Caipora", ambas produzidas pelo ítalo-brasileiro Ângelo Agostini e publicadas no jornal "Vida Fluminense", no ano de 1869. Observando mais atentamente o trabalho de Agostini, Cagnin se deu conta da aferição imprecisa do artista apenas como caricaturista, título que  lhe fora atribuído devido ao estudo feito pelo contista e historiador Herman de Castro Lima sobre o tema, durante a década de 1960. Cagnin explorou o restante do material produzido por Agostini e conseguiu realizar, em 1994, uma exposição sobre o artista nas instalações da USP na rua Maria Antonia, com apoio do consulado italiano. A repercussão da exposição foi enorme, percorrendo várias cidades brasileiras , além de muitos pontos ao redor da Europa, onde hoje é guardada no Centro de Estudos do Bordalo Pinheiro, em Portugal.
 
Cirne e Cagnin foram homens que dedicaram muito de suas vidas ao reconhecimento da arte dos quadrinhos e de seus representantes, valorizando a contribuição humana e cultural promovida por esse meio, e o material que eles nos permitiram ter acesso hoje, é certamente uma ferramenta de valor inestimável para uma visão ampla e acertada sobre o cenário brasileiro no campo da produção na nona arte. Suas palavras farão falta, mas seu empenho, dedicação e, acima disso, seus sonhos de validação da mídia, permanecerão vivos em cada um de nós em nossa jornada. 
 
Àqueles que tiverem interesse, a matéria sobre o falecimento do professor Moacy Cirne pode ser conferida no link aqui. Uma valiosa entrevista realizada com o professor Antônio Luiz Cagnin, realizada em 2010, também pode ser conferida no site "Bigorna 3.0", que pode ser acessado por aqui.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Nova Fragata pelos Quadrinhos Literários

Por Gabriel Guimarães



Uma das páginas do primeiro volume
de "História do Brasil em Quadrinhos"

Colaborador da revista "Mundo dos Super-Heróis" desde o mês de setembro de 2007, o jornalista Jota Silvestre tem se tornado presente em vários eventos de quadrinhos na cidade de São Paulo e em debates nas redes sociais sobre a nona arte e seus mais renomados personagens e autores. Com uma veia histórica acentuada, Jota logo começou a colaborar com trabalhos de propriedade educativa na arte sequencial, auxiliando a traduzir o argumento do escritor Edson Rossatto para a primeira história em quadrinhos produzida e publicada pela editora Europa, "História do Brasil em Quadrinhos", de pouco mais de 50 páginas e cujo público-alvo consistia em crianças com nível de escolaridade do Ensino Fundamental, majoritariamente.
 
 
Aydano Roriz, autor do romance
"O Fundador", que originou a HQ
publicada pela editora Europa
Com o sucesso alcançado por essa primeira publicação, o editor responsável, Manoel de Souza, levou adiante o planejamento de outros dois materiais de semelhantes características, um sendo uma continuação direta do material de Rossatto, e outra, uma adaptação mais madura sobre o romance histórico "O Fundador", escrito pelo historiador Aydano Roriz acerca da trajetória de vida do navegador português Tomé de Souza em seu tempo nas terras tupiniquins e seu papel na fundação da Bahia. Interessado pelo projeto e admirado pela fluidez do texto de Roriz, Jota assumiu as rédeas do trabalho, adaptando o conteúdo literário original em um roteiro coeso de quadrinhos de quase 75 páginas.
 
Ao longo de mais de três anos, ele e o desenhista JB Fernandes tiveram uma considerável carga de trabalho a fim de encontrar referências precisas sobre o período histórico em que a história se passa e o contexto no qual os personagens estavam inseridos, porém, o resultado valeu a pena. Com uma arte detalhada e uma preferência pelos diálogos enquanto ferramenta narrativa, a história captura o leitor, guiando-o confortavelmente pelos eventos históricos apresentados, servindo, dessa forma, como uma bela ferramenta de ensino para os interessados no tema.

O acabamento editorial aplicado pela editora Europa agregou, ainda, muito valor ao material, dispondo-o no mercado com acabamento de qualidade em papel couché a um preço acessível. A colorização da história, realizada pela dupla Marcio Menyz e Mauricio Leone, ambos professores representados pelo Instituto dos Quadrinhos, é igualmente elemento de destaque na obra, dando maior profundidade para os desenhos de Fernandes e implementando na história os tons e cores que a rica fauna e flora brasileiras apresentavam aos navegantes europeus.
 
Os prazos de produção da obra, porém, levaram a certas decisões editoriais que tiveram altos e baixos. Sem ter como dispor do tempo necessário para a arte-final das páginas a nanquim, o projeto foi inteiramente colorido sobre as ilustrações feitas a lápis por Fernandes e escaneadas para o computador. Isso acrescentou um tom marcante em determinadas cenas da história, tendo os traços indígenas dos personagens das tribos nativas do Brasil ganho uma naturalidade louvável, como a cena em que a filha de Diogo Álvares, Uyara, é apresentada ao seu futuro marido, entretanto, determinadas expressões faciais e marcas de sombra delineadas pelo traço acabaram perdendo certa qualidade que poderiam ter conservado em caso de um acabamento mais cuidadoso, ao exemplo da cena da união de Tomé de Souza com Jurecê e Yuruti, na casa de seu outrora criado, Garcia.
 
 
A história em quadrinhos, afinal, é de grande valia como ferramenta didática e até como instrumento de entretenimento. Obviamente, o período histórico em que tudo transcorre é rico demais em termos de detalhe para conseguir ser apresentado em suas minúcias para o leitor, porém, a adaptação de "O Fundador" para a nona arte é um material extremamente rico, tanto em texto quanto em arte, e merece uma chance para surpreender e cativar o público. A editora Europa certamente acertou ao desbravar esse nicho de mercado para as próximas gerações através das hábeis mãos de todos estes profissionais envolvidos no processo.

NOTA FINAL: 4,5 ESTRELAS.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Uma Valente Trilogia

Por Gabriel Guimarães


No último mês de dezembro, foram lançados pela editora Panini os três primeiros volumes das coletâneas de tirinhas do personagem "Valente", criado pelo mineiro Vitor Caffagi em setembro de 2010. Centrado nas desventuras amorosas de um jovem em meio ao seu período de amadurecimento e aprendizado sobre a vida, as tiras trazem em si muito da essência do trabalho do autor, que lida de forma delicada com as nuances emocionais dos personagens com que trabalha, algo facilmente discernível em seus outros projetos como as tiras "Puny Parker" (que já foram comentadas aqui no blog antes) e seu recente trabalho em parceria com sua talentosa irmã e habilidosa quadrinista Luciana Caffagi para os estúdios MSP.
 
Vitor Caffagi, autografando o mais
recente volume de sua coletânea de tiras
Tendo os dois primeiros volumes de "Valente" sido lançados anteriormente por meios independentes, a editora Panini chegou a um acordo com o autor para a republicação desses dois materiais prévios e os direitos para o lançamento do terceiro volume já com a logomarca da editora. Mantendo o formato horizontal original, a história conseguiu manter sua fluidez narrativa e ainda dispor de uma seção posterior às tiras com algumas artes feitas por desenhistas convidados.
 
O terceiro volume das coletâneas, "Valente por Opção", teve um primeiro contato com os leitores que estiveram presentes na Feira Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, no segundo semestre do ano passado, mas apenas chegou às livrarias e pontos de venda ao redor do país no meio de dezembro. Dispondo de uma rede de distribuição à qual poucas editoras de revistas tem igual acesso dentro do Brasil, a Panini permite, assim, que o material de Vitor possa alcançar novos públicos que outrora não tinham conhecimento sobre ele. Isso se dá em momento extremamente oportuno, considerando sua recente popularidade advinda do seu trabalho na Graphic MSP "Turma da Mônica - Laços", que também já está confirmada para ter uma continuação a ser lançada entre 2014 e 2015.
 
Cena do primeiro volume das coletâneas, "Valente Para Sempre"
Boneco feito a partir
do personagem de Vitor,
ainda sem data para seu
lançamento oficial
A conquista do mercado de quadrinhos realizada por Vitor é um feito de grande valor para os autores nacionais e para os admiradores da arte sequencial como um todo. Com um início de carreira modesto, porém muita determinação, o quadrinista mineiro conseguiu espaço em uma indústria cujo foco se encontrava quase majoritariamente voltado para a produção de nona arte no exterior. Estando presente nos eventos de quadrinhos que ocorreram nos últimos anos e promovendo seu trabalho através das redes sociais e da publicação independente, Vitor tem sido um dos quadrinistas que têm quebrado as barreiras das limitações culturais que encontramos no Brasil e atraído merecida atenção para seu belo trabalho, promovendo em igual nível a divulgação de material inédito produzido dentro do próprio país.
 
Parte do selo editorial "Pandamônio", que também conta com a participação de sua irmã e dos quadrinistas Paulo Crumbim e Cristina Eiko, do site "Quadrinhos A2", do ilustrador Leonardo Finnochi e do escritor Liber Paz, entre muitos outros altamente talentosos quadrinistas, Vitor tem se tornado um rosto bastante presente no panorama dos quadrinhos atuais e tende a desempenhar ainda um papel de grande importância no cenário dos quadrinhos nacionais. Que sua valentia continue a lhe render o devido reconhecimento e possibilite ao mercado dispor de cada vez mais de sua tocante produção na arte sequencial. Para quem tiver interesse, o site onde ele posta suas tirinhas pode ser acessado no link aqui. A visita lá certamente proporcionará uma experiência altamente valorosa.
 
 

domingo, 8 de setembro de 2013

Bienal: Onze Dias de Uma Completa Jornada

Por Gabriel Guimarães
 

No último dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro, muitos visitantes aproveitaram para visitar os Pavilhões do Rio Centro pela primeira vez, a fim de não perder a oportunidade de conferir tudo que o evento proporcionou ao seu público neste ano. Com isso, a movimentação de pessoas foi grande, ainda que não tenha atingido o ápice dos dois sábados anteriores. Muitos autores estiveram presentes assinando suas mais recentes obras, como Laurentino Gomes no estande da editora Globo Livros, ou Thalita Rebouças no estande da editora Objetiva. Ao mesmo tempo, alguns editores se disponibilizaram para conversar com aspirantes a escritores, dando conselhos e analisando originais, como foi o caso do editor Thiago Mlaker no estande da editora Novo Conceito.
 
Outros estandes, entretanto, aproveitaram o último dia para oferecer maiores descontos para os visitantes, a fim de acabar com seus estoques remanescentes. Dentre aqueles que fizeram esse saldão final, destacaram-se a editora L&PM, que ampliou seu desconto de 20% para os professores para o público em geral, e a editora Martins Fontes, cujo estande no Pavilhão Laranja atraiu muitas pessoas, uma vez que contava com 50% de desconto em todos os seus livros, onde, inclusive, era possível encontrar títulos como os já destacados "Mafalda Completo" e "Eternauta" e o livro "A Novela Gráfica", do espanhol Santiago García, sobre a história das histórias em quadrinhos, a preços extremamente convidativos.
 
Maurício recebe um de seus muitos fãs durante
sua presença no estande da editora Girassol (foto tirada
no sábado, mas cuja sensibilidade se estende
igualmente para o domingo)
 
Enquanto isso, em outros Pavilhões que contavam com um alto fluxo de visitantes, os estandes aproveitaram para trazer alguns de seus autores para assinar seu material lançado recentemente, como foi o caso de muitas editoras com o quadrinista Maurício de Sousa e com o cartunista Ziraldo. Com um público vasto e diversificado, esses encontros entre autores e leitores ficaram marcados pelo calor humano e pelo carinho com aqueles responsáveis pela composição de obras tão admiradas por tantos.
 
No Pavilhão Laranja, ainda, o estande do Grupo 5W continuou seu processo de lançar novas obras publicadas por um de seus selos editoriais, iniciando o dia com a coletânea de tirinhas do cartunista Pacha Urbano, "As Fantásticas Traumáticas Aventuras do Filho do Freud". Com um humor sagaz e inteligente, o livro possui um teor claramente adulto, apesar da clareza de seus traços, e agrada muito aos leitores, em especial aqueles familiarizados com as tendências das teorias freudianas da psiquiatria familiar. Alcançando uma grande quantidade de visitantes, dentre os quais os ilustradores Leonardo Finnochi e Gustavo Bartolomeo, o lançamento durou um tempo considerável e rendeu bons momentos tanto para os organizadores quanto para o público.
 
Octávio autografando suas duas obras
disponíveis no estande do Grupo 5W
Pouco tempo depois de encerrar o lançamento do livro de Pacha, o Grupo 5W realizou, em parceria com a editora Draco, o lançamento do livro de ficção científica "O Rei de Todos os Mundos Possíveis", escrito pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e roteirista da história em quadrinhos "Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira" (cujo lançamento também foi coberto aqui pelo blog), Octávio Aragão. Expandindo ainda mais o seu universo de histórias multidimensionais, Aragão procura explorar mais da essência dos seus personagens criados há mais de dez anos, colocando-os diante de inimigos improváveis e aventuras inevitáveis, ou vice-versa. Vale a pena conferir.
 
O evento, portanto, carregou em si um grande grito de desejo, tanto do público leitor em ter mais contato com o universo editorial do qual é apenas parte distante na maior parte do tempo; e dos autores, em ter mais relevância para suas obras que tanto lhe custam trabalho e vigor. A Bienal do Livro é algo que se estende para mais do que apenas onze dias, mas encontra ecos e ressonâncias que a tornam pertinente até sua próxima ocorrência, dois anos depois. O cansaço e os custos, logicamente, são obstáculos e desafios a serem combatidos ferrenhamente por quem verdadeiramente quer aproveitar tudo que o evento tem a oferecer, mas as recompensas vão muito além daquilo que nossa pouca imaginação muitas vezes nos permite supor. As amizades e a qualidade literária e criativa que emanam dos Pavilhões do Rio Centro ganham vida em cada um de nós neste curto período de tempo de quase uma semana e meia, dando-nos um pouco do gás e da esperança de que nossa leitura e vigilância constante e nossa cultura particular e social não são elementos de pouco significado. Aos organizadores da Bienal, fica a satisfação de mais um evento concluído. Talvez não perfeito em tudo que poderia ser, mas com muita realização dos momentos que pôde proporcionar, tanto para os visitantes quanto para os funcionários dos estandes. Obrigado a todos pela atenção e pelo carinho nestes dias todos. Que não sejam precisos dois outros anos para que todos nos vejamos de novo. Enquanto isso, em 2015 tem mais! 

 

sábado, 7 de setembro de 2013

Bienal: Dez Estrófes de uma Composição Literária

Por Gabriel Guimarães 


No penúltimo dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro, a palavra mais recorrente foi "paciência". Com um público tão numeroso quanto diverso, filas quilométricas e muitos eventos simultâneos acontecendo ao longo dos três Pavilhões do Rio Centro, o visitante precisou exercer ao máximo seu autocontrole e equilibrar momentos de exaltação com uma espera às vezes incômoda. Ainda assim, para quem sabia o roteiro do que gostaria de conferir, o dia foi extremamente positivo, proporcionando um bom contato entre os leitores e seus autores favoritos, além de oferecer novos produtos que estavam sendo lançados de forma especial nos estandes e outros descontos que começavam a surgir para dar os primeiros sinais de que o evento estava por terminar.
 
Os quadrinistas autores
dos volumes já lançados
da coleção Graphic MSP
O estande da Panini recebeu, além de uma nova remessa do material de que já dispunha antes, novos títulos, como "Kick-Ass 2" e os dois volumes da edição especial "Todas as Capas da Mõnica", coleção que apresentava todas as capas da revista da personagem criada por Maurício de Sousa desde o lançamento de sua própria revista, pela editora Abril, em 1970. Ainda estiveram presentes no estande os quadrinistas Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Vitor Caffagi e Luciana Caffagi para autografar seus respectivos trabalhos na coleção Graphic MSP, o que atraiu um grande volume de leitores ocasionais e outros vários admiradores de sua arte narrativa, o que levou o grupo a permanecer atendendo aos fãs por uma quantidade considerável de horas. Mais tarde, no mesmo espaço, quem compareceu foi o próprio quadrinista Maurício de Sousa, para lançar o livro "Mônica 50 Anos", gerando uma grande comoção no público.
 
"Soldado" e Figueiras, respectivamente,
no lançamento de seu livro "A Carta"
O cartunista Ziraldo também esteve presente em vários estandes ao longo do dia, sendo sempre rodeado de admiradores assíduos de seus trabalhos. Ao mesmo tempo, no Pavilhão Laranja, ocorreu o lançamento da graphic novel "A Carta", romance histórico que se passa durante a Guerra do Paraguai, em 1866. Produzido pela dupla Carlos Felipe Figueiras e Rodrigo Martins "Soldado", a história possui uma grande qualidade visual, ainda que o material utilizado para imprimi-lo não tenha sido exatamente o ideal. Com um fundo histórico relevante, a obra pode representar um bom material a ser utilizado de forma letiva por professores e educadores. O lançamento ocorreu no estande da editora 5W, ainda que o lançamento tenha sido promovido pela editora Devaneio, através de uma parceria entre as duas marcas.
 
No Pavilhão Verde, ocorreu ainda uma conversa aberta com o escritor Eduardo Spohr, autor de livros de ficção fantasiosa como "Batalha do Apocalipse" e "Filhos do Éden - Os Herdeiros de Atlântida", em uma área que foi inaugurada nesta edição da Bienal, chamada "#Acampamento na Bienal". Spohr comentou sobre a percepção que a figura social do nerd possui nos dias de hoje, da sua identificação com a terminologia e seu contato com esse tipo de conteúdo de maneira rotineira. Em seguida, ele seguiu para uma sessão de autógrafos em seu novo livro, o segundo da série "Filhos do Éden", "Anjos da Morte", no estande do Grupo Editorial Record. Com mais de 600 mil edições vendidas até o momento, Spohr vem representando uma voa face do autor no mercado editorial, tendo iniciado de forma independente para conquistar de forma gradativa o mercado tradicional de livros, conforme destaca matéria do jornal "O Globo", que pode ser conferida aqui.
 
Ator vestido de Freddy Kruger tira fotos
com os visitantes do estande da editora Novo Século 
 
No estande da editora Novo Século, ainda estiveram presentes dois atores fantasiados como os personagens clássicos de filme de terror Freddy Kruger e Jason para promover os títulos do gênero terror que a editora estava lançando. Com um acabamento detalhado e uma postura bastante similar àquela dos personagens que representavam, a presença dos dois atraiu bastante atenção para o estande e muitos visitantes tiraram fotos com ambos, ou, pelo menos, aqueles que tiveram coragem tiraram.
 
O fim do evento está cada vez mais próximo, mas a quantidade de elementos a retratar ainda é grande, então, continuem conosco.