sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Bienal: Nove Dias de Experiências sobre a Nona Arte

Por Gabriel Guimarães



Uma das muitas turmas de colégio que
estiveram visitando
a Bienal do Livro em excursão
Na prévia do segundo e derradeiro final de semana da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro, o dia foi novamente marcado pela forte presença de jovens estudantes em excursões escolares. Uma vez que colégios de todo o estado tem se mostrado presentes nos três Pavilhões do Rio Centro, onde o evento está sendo sediado, é extremamente revigorante ver o ávido interesse de novos leitores por mais material de leitura, indo desde as primeiras revistas em quadrinhos que muitos tem como primeiro passo na atividade da leitura até vastos volumes de obras que misturam a realidade com os mais maravilhosos elementos que a imaginação humana é capaz de criar. Em virtude disso, é notável a importância que o papel dos professores desempenha na jornada das novas gerações de cidadãos. Alguns estandes, inclusive, reverenciam esse fato disponibilizando a estes grandes profissionais 50% de desconto em seu catálogo de obras à venda. Nada menos do que o merecido. Ainda assim, essa questão deve atravessar as paredes da Bienal e ser verdadeiramente repensada para o valor que a educação representa na formação das identidades particulares e sociais de cada indivíduo na sociedade. Ao invés de menosprezarmos quem sabe menos, que possamos vir a instiga-los para que possam conhecer mais, sobre os outros, o mundo e sobre si mesmos. O resultado nada mais será que uma realidade mais agradável na qual poderíamos viver, com maior igualdade entre as pessoas e maior respeito a todas as etnias, religiões e filosofias de vida.
 
Outro destaque do dia foi o estande da gráfica J. Sholna, que estivera presente na edição de 2011 da Rio Comicon (que teve cobertura completa aqui no blog), e que promove sempre a oportunidade de publicação para novos autores e editoras a preços convidativos. Contando com um bom relacionamento com o público, através da sua presença nos eventos envolvendo literatura em geral e a nona arte, os responsáveis pela empresa têm representado um bom exemplo da interação com o consumidor que ainda não foi plenamente alcançada na maior parte da indústria midiática. O site deles pode ser conferido no link aqui e certamente merece uma visita, especialmente daqueles que almejam se tornar parte do mercado editorial no futuro.
 
Outro estande, também do Pavilhão Verde, que possui um catálogo interessante é o da editora Contexto, que dispõe de algumas obras muito interessantes acerca do estudo das histórias em quadrinhos enquanto ferramentas de comunicação nas salas de aula. Autores consagrados dentro do setor acadêmico como Paulo Ramos e Waldomiro Vergueiro são apenas alguns cujos livros de estudo sobre a arte sequencial encontra-se disponível no estande. A quem se interessa pela composição de obras literárias ainda encontra no estande outros títulos voltados para o estudo literário.
 
Com o final de semana se aproximando, o movimento nos arredores do Rio Centro tende a estar consideravelmente maior que os dias anteriores, mas, ainda assim, é uma visita que compensa bastante, especialmente àqueles que estão iniciando sua jornada enquanto leitores  e os responsáveis por guia-los nesse processo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Bienal: Oito Capítulos

Por Gabriel Guimarães
 


Com um início bastante movimentado, o oitavo dia da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro reservou vários elementos interessantes aos seus visitantes. Desde os novos títulos chegados aos estandes nesta quarta e que começaram a ser vendidos, até novas ofertas sobre algumas edições, o público pôde dispor de um grande volume de bons livros e revistas disponíveis. Editoras como a Escala Editorial e a Salamandra dispuseram, por exemplo, de muitas adaptações de obras clássicas da literatura e do teatro para a arte sequencial. Títulos como "A Tempestade", de Willian Shakespeare, e "A Guerra dos Botões", de Louis Pergaud, são apenas alguns dentre uma diversidade de obras caprichosamente trabalhadas em variados estilos de desenho. Ambas as editoras também oferecem descontos consideráveis sobre o material, atraindo, dessa forma, uma atenção especial.
 
Montante de livros disponível no estande da editora Escala
 
Os admiradores da nona arte ainda tiveram a oportunidade de pegar o autógrafo do quadrinista Gustavo Duarte, que realizou, no estande da Panini, sua segunda sessão de autógrafos desta Bienal. Tendo lançado recentemente sua graphic novel "Pavor Espaciar", que consiste no terceiro volume da primeira série do selo Graphic MSP, Gustavo tende a ter seu valor ainda mais reconhecido pelo público em geral, além de manter sua costumeira boa receptividade por parte da crítica. Com um estilo limpo e de narrativa gráfica clara, a qualidade de seu novo material é inquestionável, tanto quanto recomendável.
 
O estande do Grupo Editorial Autêntica, do qual a editora Nemo faz parte, ainda passou a anunciar uma promoção para os leitores que possuem interesse em conferir o Rock in Rio, evento composto por uma série de shows e festividades relacionadas ao cenário musical brasileiro e internacional, que ocupará o terreno imediatamente em frente ao do Rio Centro, onde a Bienal tem se dado. A cada 30 reais em compras, o visitante pode preencher uma ficha para concorrer a ingressos para o evento, conforme pode ser visto na imagem ao lado. Essa promoção, agregadas aos descontos extremamente atrativos do estande certamente compensam uma visita.
 
 
A editora Nemo ainda dispõe também de outras adaptações para quadrinhos que possuem uma qualidade bastante interessante. Produzidas em sua maioria por artistas brasileiros, há obras bastante diversificadas para agradar os leitores. Já não faltam tantos dias para o evento terminar, infelizmente, mas ainda há tempo de conferir muito do que essa grande reunião literária apresenta. Não deixe de estar presente, ainda há muito pela frente.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bienal: Seven

Por Gabriel Guimarães
 
 
Conforme foi destacado anteriormente, a 16ª edição da Bienal do Livro tem aberto um espaço interessante para o papel do setor digital enquanto ferramenta para complementar o mercado editorial tradicional. Com estandes dedicados a alguns fornecedores dos leitores digitais, que servem de plataforma para os arquivos que compõem as obras literárias, a Bienal tem proporcionado a muitos de seus visitantes o primeiro contato com os dispositivos lançados por empresas como o Kobo, da livraria Cultura, além do Kindle, da já mencionada Amazon. Estandes como o da Saraiva Editora, por exemplo, ainda expõem para os leitores suas obras de catálogo virtual, a fim de estar a par da nova realidade de mercado que tem se construído.
 
Estátua do lutador Sagat, da série "Street
Fighter", que esteve diante do estande da Seven
Com a chuva que tomou grande parte do dia no Rio de Janeiro, os três Pavilhões do Rio Centro tiveram uma considerável queda na sua quantidade de visitantes, além do fato de que os que estiveram presentes terem tido que permanecer dentro das instalações cobertas, impossibilitando-os, assim, de sentar-se na grama para descansar e desfrutar das suas recentes aquisições, como se tornou praxe nos demais dias do evento. Em contrapartida, o público teve a oportunidade de conferir as novidades que alguns estandes trouxeram ao longo da Bienal, como é o caso da Seven, empresa brasileira desenvolvedora de games e animações, que tem marcado presença continuamente nos eventos relacionados à arte sequencial, particularmente. Visando expandir sua identificação por parte do público, ela aproveitou seu estande para expor alguns jogos recentes e apresentar seu projeto para aqueles que tivessem interesse em participar do mercado de jogos eletrônicos. A fim de atrair o olhar dos visitantes, vale destacar as duas estátuas referentes ao universo dos games "Street Fighter" que foram postas na frente do estande da Seven, junto dos quais muitos fãs aproveitaram para tirar fotos.


Outra editora a aproveitar o público foi a Martins Fontes, que dispõe de dois estandes, um no Pavilhão Verde ( onde o único quadrinho disponível é a versão adaptada da obra "O Hobbit", do britânico J.R.R. Tolkien) e outro no Laranja (que já possui um acervo bastante interessante, compreendendo desde os clássicos volumes da "Mafalda", de Quino, até as duas edições do "Eternauta", da dupla Hector Oesterheld e Francisco Solano López - este último cujo trabalho já foi comentado aqui no blog).

Torçamos, então, para que o clima se estabilize e permita que o evento possa ser aproveitado ao seu máximo nos dias a seguir. Continuem acompanhando-nos aqui para mais notícias!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Bienal: Seis Volumes

Por Gabriel Guimarães
  
 
O sexto dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi, no mínimo, movimentado. Com uma quantidade de visitantes provenientes de excursões colegiais extremamente grande, os estandes dos três Pavilhões do Rio Centro estiveram lotados, gerando filas e algumas dificuldades de locomoção, em determinados trechos. Apesar do volume de pessoas,  foi um dia bastante interessante e vários estandes obtiveram resultado positivo.
Grupos de escola na frente da Bienal
Fora dos pontos de maior concentração de pessoas, alguns estandes menores tiveram uma boa quantidade de visitas e puderam expor seu material de maneira mais atrativa. O Sebo Ronaldo Livreiro, no Pavilhão Laranja, foi um exemplo disso. Com um acervo de livros clássicos desde romances históricos a obras pouco conhecidas da ficção científica, seu estande teve um volume de visitantes muito positivo. Os interessados nas edições de “A Espada Selvagem de Conan” também foram bastante agraciados por isso, uma vez que o sebo dispunha de várias edições em formato maior, que haviam sido publicadas ao longo dos anos 1980, pela editora Abril.
 
Pouco ao lado, se encontrava o estande do Grupo 5W, composto por uma diversidade de selos editoriais, como Abecedário, Editora Baluarte, Verve e Editora Orago, dentre outros. Em compasso com o crescente interesse do público em histórias em quadrinhos produzidas por profissionais de dentro do país, o estande conta com uma série de títulos disponíveis de conteúdo instigante para o leitor da arte seqüencial. Indo desde obras como “O Instituto”, de Osmarco Valladão e Manoel Magalhães, à edição limitada e numerada do livro “Sketchbook Joe Bennet”, com obras originais produzidas pelo desenhista paraibano para editoras norte-americanas, o estande merece uma visita tanto quanto suas obras merecem o reconhecimento devido.
 
Nos demais Pavilhões, o movimento foi igualmente avassalador a maior parte do dia, mas a disponibilidade de títulos ainda não trazia nenhum material diferente daquele disposto nos dias anteriores. Amanhã, porém, o estande da editora Devir assegurou o recebimento de nova leva de títulos importados, que estarão disponíveis para compra. Vale ficar atento. O estande da editora L&PM também chama a atenção pelos múltiplos títulos de arte seqüencial que estão em suas bancadas, como a “Enciclopédia das Histórias em Quadrinhos”, produzida pela dupla Goida e André Kleinert, e as duas edições pocket de “Solanin”, do japonês Inio Asano (cuja resenha já foi feita aqui no blog). Infelizmente, este estande não oferece descontos, se limitando apenas àqueles relacionados aos professores, que têm direito a pagar 20% a menos.
 
Ainda assim, há muito ainda para se ver e fazer. Não deixem de conferir as novidades conosco, por aqui ou pessoalmente. Aguardamos você lá!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Bienal: Cinco Sentidos de Emoção

Por Gabriel Guimarães
 


O quinto dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi bastante marcado pela presença de excursões escolares nos três Pavilhões do Rio Centro. Com muitas ofertas em estandes logo na entrada do evento, os jovens leitores puderam adquirir muitas edições de editoras variadas a preços bastante convidativos. Entretanto, as experiências vividas pelos estudantes não se limitaram apenas à compra de livros. No Pavilhão Verde, a editora do Jornal “O Globo” organizou uma pequena amostra dos seus mais de 85 anos de história, com réplicas das capas dos jornais que marcaram eventos importantes que ocorreram no decorrer de sua existência. Para destacar o lançamento do “Acervo O Globo”, realizado no último dia 18 de agosto, os responsáveis pelo jornal montaram uma exposição que conta desde a capa do jornal em sua primeira edição, em 21 de julho de 1925, até aquelas produzidas para retratar eventos marcantes, como o fim da Segunda Guerra Mundial, o tricampeonato do Brasil na Copa do Mundo de futebol, a primeira visita do Papa ao país, entre outros.
 
Área da exposição do "O Globo"
Outros atrativos que a Bienal oferece esse ano são relacionados ao crescente mercado de livros digitais e atividades conjuntas entre diferentes plataformas feitas por algumas editoras. Um dos grandes casos desse aproveitamento pode ser encontrado no estande da editora Ediouro, cujo selo Coquetel atrai todos os dias um contingente enorme de visitantes para realizar atividades como caça-palavras e palavras cruzadas, preparadas em seu espaço especificamente para o evento. Dentro do próprio estande, ainda se encontra uma área de destaque para os quadrinhos do belga Pierre Culliford, mais conhecido por seu pseudônimo   Peyo, criador de personagens como “Os Smurfs”. Há, também, destaque para os próximos lançamentos da editora no segmento da arte sequencial, como as edições para banca das clássicas histórias de ação e aventura “Fantasma – Piratas do Céu”, de Lee Falk e Ray Moore, e “Mandrake, o Mágico – O Mundo dos Espelhos e outras histórias”, também de Lee Falk. Entre os outros títulos representados pela editora que marcam presença no estande também estão “A Pequena Luluzinha”, “Recruta Zero” e “Popeye”.
 
Com relação à presença da tecnologia digital, a Bienal está com vários estandes de editoras novas que estão ingressando no segmento de mercado dos e-books. Em geral, elas apresentam poucas obras físicas em seus estandes, mas recebem o público com a promissora oportunidade de ajudar os aspirantes a autores e futuros membros do mercado livreiro a darem seus primeiros passos na indústria. Editoras como a ‘Você Publica’ são exemplo disso. Ainda assim, as grandes marcas também estão presentes, com uma área dedicada a obras disponíveis para dispositivos de processamento Android e um estande para a plataforma Kindle, leitor eletrônico pertencente à empresa norte-americana Amazon. Vale destacar a presença de recursos de realidade aumentada, na qual algumas editoras vêm investindo nos últimos anos, ampliando de forma delicada a atividade da leitura, outrora exclusivamente solitária e bidimensional.
 
Tendo cerca de 950 estandes ao todo, a Bienal oferece muitas opções para todos os gostos de leitores, tanto os tradicionais, ligados ao material impresso, quanto aos novos usuários dos devices eletrônicos. Ainda que a própria indústria ainda esteja se reestruturando para a nova realidade de interatividade com o leitor, a Bienal já dá sinais de que pode servir de mediadora para auxiliar no processo, gerando boas experiências de ambos os lados dessa relação editorial.

domingo, 1 de setembro de 2013

Bienal: Quatro Estações

Por Gabriel Guimarães
 

O quarto dia da 16ª edição da Bienal do Livro na cidade do Rio de Janeiro começou com muita movimentação, principalmente para os admiradores da nona arte. Com os consagrados autores Maurício de Sousa e Ziraldo se alternando entre diversos estandes ao longo do dia, o público teve a oportunidade de conhecer pessoalmente os responsáveis por muitos dos conteúdos infantis que compunham o primeiro contato deles com a leitura. Indo desde a editora Globo Livros até a editora Ave Maria, passando ainda pelos estandes da Leya e da Melhoramentos, os dois quadrinistas conseguiram alcançar uma quantidade bastante abrangente de leitores, das mais diferentes idades, gêneros e origens. Para complementar as sessões de autógrafo, Maurício ainda participou de uma sessão de Encontro com os Autores, atividade programada pelos organizadores do evento no salão Rachel de Queiróz. Em companhia de sua filha, Mônica Spada e Sousa (que foi entrevistada algum tempo atrás aqui no blog), foi comentado o feito de sua personagem Mônica ter completado 50 anos em 2013, e os projetos provenientes dessa comemoração.
 
Pouco antes, o mesmo salão fora ocupado pelos membros do canal Porta dos Fundos, que recebeu o público e fez a divulgação do livro “Porta dos Fundos”, da editora Sextante, composto pelo texto de alguns dos esquetes que viraram vídeos no Youtube. Além disso, eles comentaram sobre o planejamento minucioso feito antes do lançamento oficial do grupo online e também aproveitaram para falar de seus próximos projetos. Apesar de o grupo não estar em sua totalidade, vários dos principais humoristas do canal estiveram presentes, como Fábio Porchat, Antonio Pedro Tarbet (criador também do site “Kibeloco”), Letícia Lima, Julia Rabello, Marcus Majella, Gabriel Totoro e Luis Lobianco.
 
Kleist autografa "O Bozeador"
 No estande da Alemanha, foi realizado o lançamento da nova obra do quadrinista Reinhard Kleist, “O Boxeador”, publicado aqui pela editora 8Inverso. Acostumado a produzir graphic novels de teor biográfico, Kleist é o autor de belas obras como “Cash – Uma Biografia” e “Castro”, além de ter organizado a obra “Elvis”. Partindo para uma figura não tão conhecida como aquelas com que trabalhara antes, Kleist apresenta, em sua nova obra, a vida do boxeador polonês Hertzko Haft, que foi obrigado a lutar para entreter os nazistas no campo de concentração onde era prisioneiro. Superando as limitações que a própria cultura alemã tinha de evitar tocar em assuntos relativos ao holocausto, Kleist realizou uma pesquisa minuciosa junto aos herdeiros de Haft e compôs essa obra, que ganhou, no começo do ano, um prêmio no Festival de Quadrinhos de Lyon, um dos mais respeitados da França. O autor se disponibilizou a autografar todos os volumes que haviam sido adquiridos pelo público com uma bela arte do protagonista da história, além da sua assinatura. Planejando já seus próximos passos, Kleist deve trabalhar em seguida com outras duas obras biográficas antes de investir em um material ficcional em si.
 
Bancada do estande da SUR
Próximo ao estande da Alemanha, também, fica um ponto de considerável interesse para os fãs da arte seqüencial. O estande da SUR – Distribuidora de Livros, Jornais e Revistas em Espanhol possui uma diversidade de títulos bastante interessante de nossos vizinhos argentinos. Indo desde a tradicional “Mafalda” e a série “Macanudo”, de Quino e Liniers, respectivamente, até títulos menos conhecidos, como “Bife Angosto”, do cartunista Gustavo Sala, a área é certamente interessante e vale dedicar uma visita a ela, tanto quanto à sua vizinha da esquerda, onde fica o estande conjunto da Livraria Francesa e do Pavillon France, com títulos como “Sibylline”, de Raymond Macherot, “Les Malheurs De Sophie”, de Mathieu Sapin, e “Le Serment dês Cinq Lords”, da dupla Yves Sente e André Juillard, todas em seu idioma original. Há, também, uma boa diversidade em títulos mais conhecidos, como os da série “Asterix”, de René Goscinny e Albert Uderzo. Portanto, dentro do Pavilhão Azul é possível fazer uma jornada bastante instigante a uma pequena amostra do mercado de quadrinhos ocidental, além do tradicional referencial norte-americano.
 
O estande da editora Novo Século ainda contou hoje com uma sessão de autógrafos interessante do livro “A Última Nota”, escrito por Ana Luísa Piras e Felipe Colbert, às vésperas do lançamento do segundo livro da série Equinócio, “Polaris – O Norte”, também escrito por Ana Luísa, que estará de volta ao evento a partir de quarta-feira, dia 4 de setembro. O estande ainda contou com um cartaz de larga escala referenciando ao seriado Walking Dead, baseada na série de histórias em quadrinhos com mesmo nome. A editora publicou, há pouco tempo, um livro contando os bastidores da produção, e pretende atrair o olhar dos visitantes que estejam acompanhando o desenrolar dos personagens dessa realidade pós-apocalíptica. Vale a pena conferir.
 
O primeiro final de semana da Bienal do Livro chegou ao fim, mas ainda há muitas histórias para contar e vivenciar nos três Pavilhões do Rio Centro, onde tudo está se desenrolando. Então, caso você ainda não tenha conferido pessoalmente tudo que está acontecendo, o que está esperando? Nos vemos lá!

sábado, 31 de agosto de 2013

Bienal: Três Doses de Arte

Por Gabriel Guimarães
 

O terceiro dia da Bienal do Livro, na cidade do Rio de Janeiro, foi bastante movimentado. Contando com um público extremamente numeroso, o evento teve o dia marcado pelas longas filas de entrada e saída de vários de seus estandes, dentre os quais se destacam os da editora Saraiva e da Livraria São Marcos, esta última sendo considerada, talvez, um dos grandes pontos de desconto e diversidade de títulos no Pavilhão Verde. A espera, porém, era compensada, uma vez que muitos autores estiveram presentes nos estandes de suas editoras ao longo do dia. Começando o dia com o americano Nicholas Sparks e atravessando a tarde com a brasileira Thalita Rebouças, o público adolescente foi, em geral, o principal privilegiado pelos organizadores do evento. Entretanto, o dia reservou grandes e maravilhosas surpresas para os fãs da arte sequencial também.
 
Gustavo Duarte assinando
"Pavor Espaciar"
Apresentando um movimento considerável, o estande da editora Melhoramentos chamou muita atenção no começo da tarde, graças à presença do quadrinista Maurício de Sousa, que esteve autografando livros lá, ao mesmo tempo em que, no estande da Panini, era realizada a sessão de lançamento oficial do terceiro volume da série Graphic MSP, “Pavor Espaciar”, com a presença do autor da obra, Gustavo Duarte. O ânimo do público foi recompensado com uma recepção calorosa do desenhista e do editor que vem sendo o responsável por essa coleção em particular e por muitos dos recentes lançamentos dos estúdios MSP, Sidney Gusman. Passado um primeiro momento de confusão com relação a aspectos de organização, o fluxo de leitores tendo sua nova aquisição autografada gerou uma grande satisfação e o reconhecimento do trabalho de Duarte foi inquestionável.
 
Kleist durante o worksop
Pouco depois, no estande do país homenageado da edição de 2013 da Bienal, a Alemanha, aconteceu uma série de atividades que atraiu muitos visitantes que passavam por ali. Primeiramente, o quadrinista alemão Reinhard Kleist realizou, em parceria com a ONG C4 – Biblioteca do Parque da Rocinha, um workshop sobre narrativa das histórias em quadrinhos para alunos do Instituto Wark Rocinha, organização sem fins lucrativos que procura oferecer a crianças e jovens do morro da Rocinha a oportunidade de se envolver em projetos envolvendo a criação artística. Organizado pelo editor da 8Inverso Cássio Pantaleoni e o tradutor Eduardo Paim, o workshop foi muito interessante e contou com várias dicas de Kleist a partir de suas experiências pessoais. Logo em seguida, o artista alemão fez um panorama das histórias em quadrinhos na Alemanha, fazendo uma breve introdução sobre os novos nomes do mercado editorial do país, como o cartunista Flix (cujo livro “Quando lá tinha o Muro”, contando pequenos episódios da vida dos alemães antes e depois da queda do Muro de Berlim com um traço cartunesco, foi publicado aqui no Brasil ano passado pela editora Tinta Negra), Ulli Lust (autora cuja obra é, em sua maior parte, baseada em momentos de sua juventude punk, e que esteve no Brasil recentemente), Barbara Yelin (cuja parceria com o Instituto Göethe permitiu que ela viajasse até o Cairo para produzir quadrinhos voltados para a cobertura das revoluções políticas pelas quais passava o Egito nos últimos anos), Arne Bellstorf (cuja obra “Baby’s In Black” aborda a história real do suposto “quinto Beatle”, Stuart Sutcliff, que acompanhou a banda nos seus primeiros anos de existência na década de 1960; foi publicada aqui no Brasil pela editora 8Inverso), dentre muitos outros. Comentando, ainda, sobre as diferenças do estilo de narrativa gráfica germânico para os do resto da Europa, Kleist destacou a referência francesa que a indústria européia carrega e apontou como a arte italiana se concentrava na beleza do traço, no refino dos detalhes, enquanto o processo alemão se focava em estabelecimentos históricos, embasamentos factíveis. Aberto a perguntas, Kleist ainda comentou sobre as mudanças que notara no mercado editorial de quadrinhos na América do Sul, em comparação com a sua última visita anterior, anos antes; as quais ele apontou para uma maior independência do padrão norte-americano, que era, de certa forma, soberano nas prateleiras da nona arte, para uma disponibilidade mais diversificada, adotando muitos títulos europeus e asiáticos nos últimos tempos.
 
Kleist no meio dos alunos do Instituto Wark Rocinha
Ao final do dia, no estande da Devir, ocorreu o aguardado lançamento da edição especial “Combo Rangers – Somos Heróis”, resultado do financiamento colaborativo mais bem sucedido no país até o momento. Escrito por Fábio Yabu e desenhado por Michel Borges, a história traz de volta os personagens que Yabu criara no começo dos anos 2000 (conforme comentamos já em matéria anterior aqui no blog), repaginados para o novo cenário jovem de atualmente. Publicado em parceria com a editora JBC, a edição possui um acabamento bem montado e obteve bons resultados com o público. A meta até o presente momento, é que os personagens protagonizem mais um ou dois volumes a serem publicados em formato graphic novel, mas cujos detalhes ainda não são esclarecidos.

O público teve um dia cheio, sem dúvida, porém, há muito mais ainda pela frente. Continuem nos acompanhando para maiores informações nos próximos dias.