quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Gênese de um Nêmese

Por Gabriel Guimarães


Pouco mais de um mês atrás, a editora Panini publicou aqui no Brasil a história em quadrinhos "Nêmesis", lançada em 2011 nos Estados Unidos pela dupla Mark Millar (roteiro) e Steve McNiven (desenho). Criada a partir da seguinte questão "O que aconteceria se existisse alguém inteligente e com recursos infindáveis, como o Batman, mas com a mentalidade deturpada de alguém como o Coringa?", a história gira em torno das ações desse personagem hipotético, em sua encruzilhada para destruir policiais considerados exemplares ao redor do mundo inteiro.
 
Capa da edição da Panini
Iniciando sua jornada no Japão, com uma prévia do seu estilo de planejamento, Nêmesis deixa Tóquio em uma situação extremamente caótica antes de rumar para os Estados Unidos para atacar o chefe policial Blake Morrow, futuro candidato a secretário de defesa. A trama se desenrola adquirindo um tom brutal cheio de adrenalina, conforme o criminoso ameaça e ataca Morrow tanto física quanto psicologicamente. Com um humor ácido e várias sequências de muito envolvimento visual, a história proporciona um suspense de grande qualidade para o leitor, prendendo-o da primeira à última página.
 
Entretanto, há determinadas características da trama que merecem ser analisadas de forma mais particular. A completa ausência de limites no que tange ao valor descartável das vidas humanas e a falta de profundidade nos personagens envolvidos na história acabam pesando bastante contra o universo proposto por Millar e McNiven. A dupla, outrora criadora de histórias memoráveis como o arco "Guerra Civil", protagonizado pelos principais personagens da editora Marvel, e a saga "Oldman Logan", que apresenta um futuro devastado que precisa ser corrigido pelo personagem Wolverine, da mesma editora; não consegue repetir o mesmo nível de sucesso em sua nova empreitada. O posto de protagonista oscila tanto entre o policial e o criminoso que torna difícil se identificar com qualquer um dos dois, ainda que a evolução da história torne o leitor bastante sensível ao drama vivenciado por determinados personagens.
 
A personalidade do Nêmesis, porém, se caracteriza como o grande elemento da história em si. Com uma visão radical sobre a moral universal, a qual não é, de certo modo, justificada em alguns momentos da trama, o sadismo do personagem se destaca como a principal semente de seu caráter duvidoso. Dessa forma, o vilão se qualifica junto a outros vilões e anti-heróis admirados pelo público, como Lobo, da DC Comics, Deadpool, da Marvel, e o Juiz Dredd, da britânica Rebellion Developments, como parte do catálogo de personagens que podem ser encontrados nas páginas de revistas em quadrinhos ao redor do planeta.

Blake Morrow enfrentando Nêmesis

A história também representa uma estratégia recorrente de Millar. Como ele fizera com outras histórias suas, como "Kick-Ass", o roteirista vendeu os direitos de adaptação para o cinema antes mesmo de o material final ser publicado. "Nêmesis" já tem confirmado até o momento a direção de Joe Carnaham, um dos responsáveis pela revitalização do "Esquadrão Classe A" nos cinemas, que trabalhará em cima de um roteiro que está em fase de produção a partir da história de Millar e McNiven. Dessa forma, a trama dos quadrinhos em si é mais como uma introdução ao universo que será apresentado de forma mais minuciosa na grande tela das salas de cinema. Algo similar ocorreu também com "R.E.D. - Aposentados e Perigosos", de Warren Ellis e Cully Hamner, que surgiu nos quadrinhos, ganhou mais substância no cinema e acabou ganhando o interesse do público.
 
O acabamento editorial de "Nêmesis", da editora Panini, vale também ser destacado. Parte da política recente da editora em lançar histórias de arco fechado em papel couché e capa dura, com preço moderado, a edição chama a atenção nas livrarias e pontos de venda, atraindo bastante o público que está começando sua jornada na leitura da arte sequencial. Fica apenas o alerta para o conteúdo adulto em termos de violência empregados na história, detalhadamente desenhado por McNiven. A experiência apresentada em "Nêmesis", portanto, é algo válido de ser conferido, dadas as devidas condições em que a obra se sustenta, sendo, dessa forma, recomendável para públicos de estômago mais forte e de boa compreensão da divisão entre a ficção e a realidade.
 
NOTA GERAL: 1,5 ESTRELAS.

sábado, 9 de março de 2013

Konvenção Klássica

Por Gabriel Guimarães


Ontem teve início no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, a "Komikong 2", evento destinado aos leitores de histórias em quadrinhos e fãs da indústria de entretenimento como um todo. Organizado por João Calvet, que roteirizou a série "Twilight Girl', da editora Cross Plain Publishing, além de investir na criação de diversas gibiterias e eventos relacionados à nona arte, o evento é mais um a compor o quadro de programação do grupo "ComicMania", cuja página oficial no Facebook pode ser conferida aqui.
 
Ocupando o centro do clube Orfeão Português, na rua São Francisco Xavier, 363, das 10 horas da manhã às 20 horas, o evento é uma boa opção para todos os admiradores das edições clássicas que compõem o universo das revistas em quadrinhos, tanto internacionais quanto aquelas publicadas dentro do Brasil. Com estandes das lojas Gibilândia e Beco dos Quadrinhos, a disponibilidade de material das editoras Abril, Panini, RGE, EBAL e muitas outras é consideravelmente positiva. O fã-clube "Batmania Rio", que organizou no ano passado a exposição do herói da DC no Castelinho (que foi comentado aqui também), também está presente com muitos de seus materiais exclusivos, como uma réplica em tamanho real do traje utilizado por Batman na recente trilogia cinematográfica dirigida por Christopher Nolan.
 
 
Para os interessados pelo mercado de trabalho na indústria de quadrinhos, também está presente um estande da Pencil Blue Studio, de Marcelo Salaza, com pastas de portfolio dos artistas envolvidos além de edições independentes publicadas no Brasil e outras oficiais publicadas por editoras nos Estados Unidos. A Impacto Quadrinhos também confirmou presença para demonstrar seu trabalho e expandir o interesse dos aspirantes a profissionais do meio.
 
 
Durante o evento, estão sendo realizadas também rodadas de perguntas específicas sobre seriados clássicos, universo nerd e arte sequencial, valendo brindes disponibilizados pelos donos dos estandes presentes. A variedade de temas abordado é grande e a diversão é garantida aos participantes. A dificuldade das perguntas oscila entre o conhecimento comum e aquele extremamente especializado, mas ale muito a pena conferir.
 
 

O transporte para o evento é tranquilo, contando com metrô e ônibus próximos. A localização do Orfeão Português não é de grande destaque para quem está andando pela rua, mas os pôsteres colocados do lado de fora deste facilitam a identificação do mesmo. A divulgação, porém, fica mais a cargo das redes sociais do que de visitantes ocasionais. O preço da entrada, R$ 25,00, acaba sendo um tanto caro para os interessados em conferir o evento, entretanto, a boa notícia fica por conta de que amanhã, domingo dia 10/03, quem pagar essa taxa de entrada, receberá um cupom de desconto neste mesmo valor para os estandes de venda de revistas.
 
 
A possibilidade de encontrar revistas raras e material de qualidade inquestionável mas de difícil acesso torna o evento um grande chamariz para o público leitor de revistas. Os participantes também recebem o público de bom grado e os visitantes têm composto uma boa atmosfera para o evento, dadas as limitações em que ele ocorre.
 
Fica, portanto, a recomendação para os interessados que tiverem a oportunidade de conferir o Orfeão Português até amanhã, quando o evento será concluído com a possível participação de grupos de Cosplay no local.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Entrevista: Mônica Spada e Sousa

Por Gabriel Guimarães


Talvez seu nome completo não seja tão familiar aos leitores comuns de histórias em quadrinhos, porém, o papel que esta grande profissional desempenhou na história dos quadrinhos é inquestionável e universal. Um ano antes de nascer, seu pai trabalhava num jornal como repórter do caderno policial, mas sempre mantinha vivo o desejo de se tornar um desenhista de grande sucesso dentro do Brasil. Com o tempo e muito trabalho árduo, as oportunidades surgiram e finalmente sua primeira história foi publicada, na edição do dia 18 de julho de 1959 do jornal "A Folha da Manhã". Estava iniciada a carreira do maior quadrinista brasileiro, Maurício de Sousa. Quatro anos depois, com o crescente sucesso de seus personagens, geralmente inspirados em amigos de infância que tivera no decorrer da vida, o desenhista resolveu homenagear uma de suas filhas, batizando uma personagem com o nome desta. E foi assim que, aos 3 anos de idade, a Mônica viu sua versão cartunesca ganhar as tiras de quadrinhos publicadas ao redor do país. Com o passar dos anos, a personagem ganhou cada vez mais importância, sendo protagonista de uma revista própria a partir de 1970, porém, muitos esquecem da pessoa que inspirou-a em seu momento primordial.


Mônica, Maurício e as duas versões do
Sansão verdadeiro

Mônica Spada e Sousa usava de fato vestidinhos vermelhos quando era pequena, além de carregar seu coelhinho Sansão para todos os lados. Originalmente amarelo, a cor que caracterizou a versão quadrinizada deste elemento tão fundamental da infância da filha de Maurício foi mudada, de fato, apenas tempos depois de sua criação, a partir de um presente dado pela apresentadora de televisão Hebe Camargo, que ofereceu um novo mascote azulado à pequena Mônica, com a condição de que este não fosse utilizado para bater nos amiguinhos. O tempo continuou passando e, diferente do que acontece dentro das margens das páginas de quadrinhos, a pessoa Mônica cresceu, virou adolescente, entrou para a faculdade e iniciou sua própria jornada de grande empenho para construir uma carreira sólida e inquestionável. Hoje diretora do setor comercial do estúdio presidido pelo pai, o MSP, a Mônica que foi fonte de grande inspiração durante sua infância permanece uma pessoa incrível e uma profissional exemplar, que, muito atenciosamente, nos deu a grande oportunidade de entrevista-la para conhecer um pouco mais da pessoa por trás da figura mundialmente reconhecida de sua versão infantil.

QUADRINHOS PRA QUEM GOSTA - Como é que foi para você ver a personagem que levava seu nome ganhar tanto destaque no Brasil e no resto do mundo?

Mônica Spada e Sousa - Quando eu era criança, meu pai trabalhava na prancheta de casa, junto com algumas pessoas que já o ajudavam. Eu e minhas irmãs sempre víamos ele desenhando a Mônica, o Cebolinha, o Cascão, entre muitos outros, que era ele mesmo quem fazia todo o processo de criação na época e, para nós, parecia tudo muito normal. Aqueles personagens eram nossos amiguinhos de infância de verdade. Então, quando meu pai foi convidado para ir no programa da Hebe Camargo, ele me levou junto. Eu tinha cinco anos e foi ali que eu percebi que a Mônica era, realmente, eu (risos). Eu gostei muito dessa época, mas não entendia ainda a importância disso por conta de ser tão nova. Pouco depois desse dia, porém, quando eu comecei a frequentar a escola e meu pai passou a aparecer lá, como ele também fazia com as escolas das minhas irmãs, e as pessoas reconheciam ele, eu comecei a entender a importância que a personagem Mônica e o que meu pai estava fazendo, de fato, tinham.

Você se lembra da época em que a personagem Mônica surgiu?

A personagem apareceu em uma tirinha do Cebolinha em 1963, então, eu ainda tinha dois para três anos, portanto, sinceramente, não lembro (risos).

Atualmente, você ocupa um cargo de grande destaque dentro do estúdio MSP. Como é o seu trabalho, exatamente?

Eu sou diretora comerical daqui. Entrei como vendedora da lojinha da Mônica na década de 1980, depois fui crescendo e fui para a área de gerenciamento de produtos. Com 40 anos, me tornei diretora do departamento comercial, que é o responsável pelo licenciamento de todos os produtos da "Turma da Mônica". O departamento comercial realiza toda a procura por produtos que possam ser interessantes de lançar com a presença da marca "Mônica", logo, eu tenho uma equipe grande de funcionários que trabalham comigo, que é composta de funcionários que vão desde o marketing comercial até o setor jurídico, que cuida dos contratos que fazemos com as firmas que se tornam nossas parceira, passando pelos designers que criam as embalagens e caixas para os materiais.

Ao longo dessa sua carreira no setor comercial, você sentiu que havia alguma diferença de tratamento quando percebiam que você era "A" Mônica?

Muito. Houve reuniões em que eu estive onde as pessoas não conseguiam falar comigo (risos). Quando elas chegam para mim e dizem que não conseguem falar comigo porque eu sou a Mônica, eu acho muito engraçadinho (risos). Eu me divirto bastante com isso (risos).

 
Continua acontecendo muito disso até hoje?

Já aconteceu várias vezes. Às vezes, as pessoas ficam um pouco quietas, em silêncio, no começo, os olhinhos ficam brilhando, como se estivessem vendo alguma coisa mágica de verdade (risos). Aí, depois, vão acostumando. Mas teve um em especial, há pouco tempo, de um rapaz que trabalha conosco na construção da lojinha da "Turma da Mônica" na internet, que se chama Bruno. Ele não conseguia falar comigo. Foi a pessoa mais interessante que eu já conheci, porque depois de um tempo, me disse que o sonho dele era conhecer o Didi, o Paul McCartney e eu (risos). Fiquei realmente me sentindo privilegiada por ser parte da elite dele (risos).

Você teve alguma influência no conteúdo da Turma da Mônica Jovem?

Na Jovem, não. É a juventude de hoje. A minha juventude foi diferente. Só tive um papel maior na Mônica clássica mesmo.

O que você achou do casamento entre a Mônica Jovem e o Cebola?

Eu adorei a história. Achei que foi legal porque foi praticamente uma viagem no tempo. Eu acho que o destino da Mônica e do Cebolinha era o casamento mesmo. Até porque eles sempre se provocavam e, quando há tantas brigas assim é porque há algum sentimento mais forte por trás. Não sei como é que vai ficar depois de tanta coelhada isso (risos), mas, por enquanto o casamento é legal por realmente sentir que é algo do destino deles.

Quais as características da personagem Mônica que você reconhece em si mesma até hoje?

O gênio (risos). Não levo desaforo para casa, brigo pelo que quero. Eu também sou fisicamente baixinha, sou meio gordinha (risos). Sou muito ligada aos meus amigos também, ajudando-os sempre como posso. A Magali (a irmã, que também originou a personagem homônima) é minha melhor amiga. Acredito que sejam nesses aspectos que ainda sou muito parecida com a Mônica dos quadrinhos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

50 Anos de Mônica

Por Gabriel Guimarães

Evento organizado para anunciar as comemorações do aniversário
de 50 anos da Mônica, no Memorial da América Latina, em São Paulo
Nesta última terça-feira, dia 26 de fevereiro, a mais conhecida personagem brasileira de histórias em quadrinhos, Mônica, alcançou a grandiosa marca de 50 anos de sua criação. Criada por Mauricio de Sousa como uma personagem secundária das tirinhas do Cebolinha a partir de sua filha homônima, carregando em si muitas das características desta, a Mônica pode ter começado muito longe dos holofotes, porém, hoje ela ocupa uma posição de fundamental importância para a história da arte sequencial.
 
Maurício e sua grande criação
Apresentada originalmente em 1963 como irmã do personagem Zé Luis, a então mais enfesada e arquétipa Mônica passou a ser elemento recorrente nas histórias do então protagonista Cebolinha, sempre perseguindo-o com seu coelhinho azul para se defender das ofensas que recebia. Por meio de pedidos do público leitor, a personagem foi perdendo a veia violenta que apresentava e passou a conquistar os corações de todos, se tornando, de fato, a personagem principal no começo dos anos 1970.
 
Com o tempo, veio a consagração, com o amor dos leitores de todos os estados brasileiros, a internacionalização da marca criada por Mauricio de Sousa e a formação, desta forma, dos estúdios dedicados à produção de histórias protagonizadas pela personagem e seus muitos amigos, e até o reconhecimento mundial enquanto defensora dos direitos das crianças e dos valores humanitários, se tornando embaixadora da UNICEF. A história de sucesso é inquestionável e minuciosamente valiosa para que o rosto da Mônica e a figura de seu coelhinho de pelúcia se tornassem elementos inerentes à cultura brasileira, e o crescente mercado para o material criado por Mauricio demonstra bastante isso.
 
Ontem, em função das devidas e merecidas comemorações deste grande feito atingido pela baixinha, gorducha, dentuça e carismática de vestidinho vermelho mais amada do Brasil, os estúdios MSP anunciaram uma grande leva de novidades, presenteando os leitores, que foram parte tão importante dessa jornada de tantos anos. Além de uma edição especialmente acabada que será publicada pela Panini no número 75 da revista mensal da personagem, que contará com a republicação da primeira aparição da personagem, foi anunciado um volume especial que contará com a participação de 150 artistas brasileiros para homenagear a Mônica, nos mesmos moldes da excelente trilogia "MSP50".

Boneca da Mônica da década de 1970 que será relançada pela Multibrink
O Sansão original, que
era amarelo
Para os colecionadores de carteirinha, foram anunciados também o relançamento de coleções clássicas da personagem, que estavam esgotadas há décadas. A Multibrink anunciou que irá relançar a primeira versão da boneca da Mônica, lançada nos anos 1970 pela fabricante Troll, a qual pode ser conferida acima, a Grow confirmou que estará disponibilizando novamente o brinquedo da Estrelinha Mágica, que fizera muito sucesso com o público juvenil na década de 1980, a partir do filme "Turma da Mônica e a Estrelinha Mágica", o qual pode ser conferido abaixo, além da Mileno, que anunciou o ítem mais luxuoso, uma cópia do coelho de pelúcia original da Mônica real, filha de Mauricio de Sousa, que era originalmente amarelo. Para maiores detalhes sobre esses e outros lançamentos anunciados para comemorar o feito da personagem de Mauricio, o site do nosso parceiro Eduardo Marchiori oferece uma descrição extremamente minuciosa que vale a pena ser conferida. Ele pode ser acessado aqui. O SPTV da Globo também fez uma matéria bastante interessante comentando do evento, que pode ser conferido aqui.




Olhando para trás, a história dos quadrinhos brasileiros talvez dificilmente se distingue da história dessa tão amada protagonista. A Mônica mudou de editora, de estilo de desenho e até de idade ao longo dos anos, mas algo que sempre permaneceu constante foi sua importância para a história da nona arte e o seu papel fundamental na instrução e formação de centenas de milhares de brasileiros ao redor de todo o país. Por essa razão e muitas outras mais, nós do "Quadrinhos Pra Quem Gosta" desejamos um aniversário maravilhoso para a personagem mais amada da história dos quadrinhos brasileiros e que a incrível jornada iniciada em 1963 permanceça rendendo frutos de inigualável sabor e resultado para todos os muitos habilidosos profissionais envolvidos na contínua publicação de histórias dos personagens de Mauricio. Fica igualmente um voto de respeito e agradecimento sincero ao tão talentoso padrinho da arte sequencial no Brasil, cuja história é exemplo de sucesso e superação de obstáculos, e cujo bom humor pode ser sentido sempre que ele está presente. Parabéns, Mônica! Parabéns, Mauricio!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Selo "Meu Herói" Lança Loja Eletrônica

Por Gabriel Guimarães


Na última terça-feira, dia 19 de fevereiro, o selo de histórias em quadrinhos do site "Meu Herói" inaugurou sua loja exclusiva para usuários do Facebook para atender a grande procura pelo seu material.

Focada até o momento em sua primeira publicação, "Capitão R.E.D." (cujo projeto foi comentado aqui no blog), que já está disponível em bancas e lojas especializadas de todo o estado do Rio de Janeiro há quase um ano, a loja visa expandir a popularidade do personagem para os demais estados brasileiros e para fora do país. A fim de explorar o crescimento cada vez maior do comércio online como veículo para distribuição editorial, o organizador Elenildo Lopes pretende atingir novos públicos, que não poderiam ser alcançados de outra maneira, neste momento.
 
A história gira em torno de um novo projeto do governo carioca para uma equipe de policiamento especializada, comandada pelo personagem que dá nome à edição, que possui características inspiradas em outras figuras ficcionais, como o capitão Nascimento, e que busca a pacificação de ambientes de violência constante no estado. Concentrada inicialmente em Niterói, a iniciativa pretende crescer e influenciar outros cidadãos na luta contra a opressão e o domínio de regiões carentes por criminosos ligados ao tráfico de drogas. 
 
A quem tiver o interesse em adquirir a edição, ficam, então, as opções de compra direta com o autor, através do e-mail compradireta@capitaored.com.br, além das lojas especializadas e a compra pelo Facebook. A loja eletrônica pode ser acessada por aqui, e a página do selo editorial pode ser conferida aqui. Vale destacar também a parceria do selo com a empresa Bcash, o que tornou possível a aquisição da revista em diferentes formas de pagamentos, proporcionando maior comodidade para os interessados.
 

Revista em formato americano, com 40 páginas de acabamento em verniz, totalmente colorida e em papel couchê, o material que representou o ingresso do site "Meu Herói" no mercado nacional de quadrinhos representa um bom investimento na produção de material produzido dentro do país e vale a pena ser conferido.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

12 Razões Para Apenas Observá-la

Por Gabriel Guimarães


Publicadas em 2006 nos Estados Unidos pela editora Oni Press, as vinhetas que constituem a história "12 Razões Para Amá-la", feitas a partir dos roteiros de Jamie S. Rich com desenhos de Joëllle Jones, contam o relacionamento entre dois jovens, Gwen e Evan, em seus momentos bons e ruins, característicos de todos os romances urbanos. Oscilando entre o drama e as ponderações existenciais tradicionais da atualidade, a obra captura o leitor despretensiosamente e o leva pela mão entre o passado, presente e futuro do casal, numa experiência um tanto curiosa.

Com um estilo de história semelhante ao primeiro material publicado pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá em seu antigo fanzine "10 Pãezinhos", e alguns toques sensíveis de narrativa gráfica que remetem ao que foi realizado por Mário Cau na sua participação da quarta edição da história em quadrinhos "Nanquim Descartável", com roteiro de Daniel Esteves (e que foi comentado aqui no blog antes), a obra de Jamie e Joëlle instiga o leitor a tentar encontrar o equilíbrio temporal em meio a ações conturbadas que se mesclam de forma não perfeita mas eficaz, como o próprio casal. Com o tom preciso de uma pacata história romântica, o leitor é convidado a compartilhar os momentos íntimos do casal, onde por mais superficial que a conversa possa ser, os laços pessoais entre os dois se fortalece.

Apesar de apresentar uma narrativa ousada, o resultado não é tão eficiente, em termos de ordem cronológica dos acontecimentos, gerando uma pequena confusão na hora de posicionar cada peça da história na soma final do livro. A história, entretanto, merece ser conferida para que o leitor possa observar o belo trabalho de contraste entre preto e branco realizado com as cores. Ângulos de requadro instigantes e uma conclusão empolgante e, ao mesmo tempo, curiosa, que dá mais sentido à obra, também merecem ser destacados como pontos positivos da obra. Por outro lado, a obra mereceria ter um tom mais cordial em determinados momentos compostos apenas como subterfúgio para composição da trama, como, por exemplo, no capítulo cinco, quando o casal sai do cinema após assistir o filme "O Exorcista". O nível apresentado na discussão deste capítulo deixa muito a desejar, principalmente em termos de respeito e maturidade, de ambas as partes do conflito. A compreensão da ausência de estereótipos puros já é nítida desde o começo da história, com Gwen não sendo bem uma dama e Evan não sendo bem um cavalheiro, mas o exagero disso nesse capítulo acaba soando como uma apelação para exprimir apenas um dos lados da discussão na história.


A obra foi publicada aqui no Brasil em 2007 pela editora Devir, e não chegou a adquirir muito alvoroço por conta do público. De natureza frágil, mas com acabamento decente e desenhos bem apresentados para representar as fases do casal, "12 Razões Para Amá-la" se qualifica, portanto, como um material leve e um tanto limitado, ainda que retrate em si a realidade de muitos casais no mundo físico. Pelo volume brando de sua leitura, qualifica-se como conteúdo de transição, capaz de ao menos oferecer aos apaixonados irremediados uma ferramenta para saberem que não estão sozinhos no mundo.

NOTA GERAL: 1,5 ESTRELAS.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Curta para Dois

Por Gabriel Guimarães


Nos últimos anos, o Brasil vem ganhando muita força dentro da indústria de quadrinhos com uma nova geração de autores talentosos e determinados para deixar sua marca em cada uma de suas histórias. Seja pela presença cada vez maior de profissionais brasileiros no mercado internacional ou então pela alta produtividade recente de histórias independentes, o mercado tem atravessado um período de grande destaque para o nosso país.
 
Apesar de este momento ter evoluído a partir de muitas décadas já, foi nos últimos anos que passamos por uma ascensão súbita de muita importância. A geração de autores como Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Rafael Albuquerque, Marcelo Braga, Estevão Ribeiro, se tornou sinônimo de qualidade aliada a um uso sublime da arte de contar histórias com a união de textos e imagens, porém, foi de uma dupla de irmãos que vem surgindo uma leva de histórias cuja profundidade emocional e a poesia inerente ganham cada vez mais o espaço dos quadrinhos.
 
Os gêmeos Gabriel Bá (esquerda) e Fábio Moon
Os gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá começaram a carreira como muitos outros profissionais do meio: publicando fanzines de forma independente. Com sua pequena revista caseira "10 Pãezinhos", ambos deram seus primeiros passos na indústria dos quadrinhos, atingindo uma área muitas vezes relegada pelas maiores editoras do meio. Trabalhando com as situações do cotidiano e sua beleza pura e sensível, Moon e Bá criaram um elo com seu público, que sempre esteve atento aos novos lançamentos da dupla, que foi acolhida por editoras como a Via Lettera e a Devir.
 
Anos depois, os dois decidiram dar um grande salto para os holofotes da indústria principal, firmando uma parceria com outros três autores - o grego Vasilis Lolos, a americana Becky Cloonan e o já mencionado Rafael Grampá -, para lançar um material experimental no mercado americano de revistas, a revista "FIVE". Com a tiragem limitada e a produção custeada pelos próprios autores, a revista foi um sucesso de crítica e de vendas, catapultando a carreira dos gêmeos como os mais proeminentes autores brasileiros a publicar suas obras autorais nos Estados Unidos.
 
Em seguida, começou a alta procura pelos editores de grandes empresas do mercado, como a Dark Horse e até as duas gigantes do gênero de super-heróis, Marvel e DC. Foi nesta última, porém, que o material da dupla ganhou de vez o coração e o gosto dos públicos não apenas americanos e brasileiros, como do restante do mundo todo. Através de sua história "Daytripper", lançada pelo selo Vertigo de quadrinhos voltados para o público adulto, Moon e Bá narraram a vida de Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que vive na sombra de seu famoso e reconhecido pai escritor e que também possui um desejo intenso de se tornar um autor que possa se manter sobre as próprias pernas. Contado de maneira sutil e minuciosamente detalhada, a história ganhou quase todos os prêmios aos quais concorreu, permitindo à dupla ostentar seu segundo troféu Eisner, que haviam conqusitado originalmente justamente pela revista colaborativa que os lançara no mercado americano.
 
 

Milo Solano nos quadrinhos
Recentemente, outro passo foi dado pela dupla. Tal qual seu parceiro Grampá, que terá sua obra "Mesmo Delivery" adaptada para os cinemas brasileiros, os gêmeos tiveram uma de suas obras originais transformadas em curta metragem pelo diretor Amilcar Oliveira. "Mesa para Dois" foi uma história de casualidades e escolhas muito bem explorada que a dupla havia produzido sob o selo "Dez Pãezinhos" e que fora muito bem acolhida pelo público. Na adaptação, que conta, inclusive, com outra presença ilustre para os admiradores da nona arte, o quadrinista Lourenço Mutarelli no papel do escritor Milo Solano, é possível perceber todas as nuances que o material original possuía, com a exceção de ser um trabalho colorido, enquanto a história em quadrinhos era em preto e branco, nada que faça mudar o sentido ou a percepção sobre a trama.
 
O curta, produzido pela Delicatessen Filmes com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, representa um grande momento para os quadrinhos nacionais, e apresenta uma abertura instigante para aqueles que não conhecem o material dos gêmeos a folhearem da próxima vez que estiverem em uma livraria algum de seus muitos livros publicados. É com grande prazer e respeito que recebemos essa produção tão bem acabada e cuidada por pessoas cujo interesse também se encontra na boa narrativa de histórias, e gostaríamos de convidar a todos os leitores do Quadrinhos Pra Quem Gosta a compartilhar dessa experiência também.
 
 
 
Não deixem de conferir o vídeo acima e depois fazer seus comentários sobre o que achou dele. A troca de opiniões e informações é a grande via que permite uma contínua evolução e agregação de parceiros.
 
Bon appetit.