domingo, 24 de fevereiro de 2013

Selo "Meu Herói" Lança Loja Eletrônica

Por Gabriel Guimarães


Na última terça-feira, dia 19 de fevereiro, o selo de histórias em quadrinhos do site "Meu Herói" inaugurou sua loja exclusiva para usuários do Facebook para atender a grande procura pelo seu material.

Focada até o momento em sua primeira publicação, "Capitão R.E.D." (cujo projeto foi comentado aqui no blog), que já está disponível em bancas e lojas especializadas de todo o estado do Rio de Janeiro há quase um ano, a loja visa expandir a popularidade do personagem para os demais estados brasileiros e para fora do país. A fim de explorar o crescimento cada vez maior do comércio online como veículo para distribuição editorial, o organizador Elenildo Lopes pretende atingir novos públicos, que não poderiam ser alcançados de outra maneira, neste momento.
 
A história gira em torno de um novo projeto do governo carioca para uma equipe de policiamento especializada, comandada pelo personagem que dá nome à edição, que possui características inspiradas em outras figuras ficcionais, como o capitão Nascimento, e que busca a pacificação de ambientes de violência constante no estado. Concentrada inicialmente em Niterói, a iniciativa pretende crescer e influenciar outros cidadãos na luta contra a opressão e o domínio de regiões carentes por criminosos ligados ao tráfico de drogas. 
 
A quem tiver o interesse em adquirir a edição, ficam, então, as opções de compra direta com o autor, através do e-mail compradireta@capitaored.com.br, além das lojas especializadas e a compra pelo Facebook. A loja eletrônica pode ser acessada por aqui, e a página do selo editorial pode ser conferida aqui. Vale destacar também a parceria do selo com a empresa Bcash, o que tornou possível a aquisição da revista em diferentes formas de pagamentos, proporcionando maior comodidade para os interessados.
 

Revista em formato americano, com 40 páginas de acabamento em verniz, totalmente colorida e em papel couchê, o material que representou o ingresso do site "Meu Herói" no mercado nacional de quadrinhos representa um bom investimento na produção de material produzido dentro do país e vale a pena ser conferido.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

12 Razões Para Apenas Observá-la

Por Gabriel Guimarães


Publicadas em 2006 nos Estados Unidos pela editora Oni Press, as vinhetas que constituem a história "12 Razões Para Amá-la", feitas a partir dos roteiros de Jamie S. Rich com desenhos de Joëllle Jones, contam o relacionamento entre dois jovens, Gwen e Evan, em seus momentos bons e ruins, característicos de todos os romances urbanos. Oscilando entre o drama e as ponderações existenciais tradicionais da atualidade, a obra captura o leitor despretensiosamente e o leva pela mão entre o passado, presente e futuro do casal, numa experiência um tanto curiosa.

Com um estilo de história semelhante ao primeiro material publicado pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá em seu antigo fanzine "10 Pãezinhos", e alguns toques sensíveis de narrativa gráfica que remetem ao que foi realizado por Mário Cau na sua participação da quarta edição da história em quadrinhos "Nanquim Descartável", com roteiro de Daniel Esteves (e que foi comentado aqui no blog antes), a obra de Jamie e Joëlle instiga o leitor a tentar encontrar o equilíbrio temporal em meio a ações conturbadas que se mesclam de forma não perfeita mas eficaz, como o próprio casal. Com o tom preciso de uma pacata história romântica, o leitor é convidado a compartilhar os momentos íntimos do casal, onde por mais superficial que a conversa possa ser, os laços pessoais entre os dois se fortalece.

Apesar de apresentar uma narrativa ousada, o resultado não é tão eficiente, em termos de ordem cronológica dos acontecimentos, gerando uma pequena confusão na hora de posicionar cada peça da história na soma final do livro. A história, entretanto, merece ser conferida para que o leitor possa observar o belo trabalho de contraste entre preto e branco realizado com as cores. Ângulos de requadro instigantes e uma conclusão empolgante e, ao mesmo tempo, curiosa, que dá mais sentido à obra, também merecem ser destacados como pontos positivos da obra. Por outro lado, a obra mereceria ter um tom mais cordial em determinados momentos compostos apenas como subterfúgio para composição da trama, como, por exemplo, no capítulo cinco, quando o casal sai do cinema após assistir o filme "O Exorcista". O nível apresentado na discussão deste capítulo deixa muito a desejar, principalmente em termos de respeito e maturidade, de ambas as partes do conflito. A compreensão da ausência de estereótipos puros já é nítida desde o começo da história, com Gwen não sendo bem uma dama e Evan não sendo bem um cavalheiro, mas o exagero disso nesse capítulo acaba soando como uma apelação para exprimir apenas um dos lados da discussão na história.


A obra foi publicada aqui no Brasil em 2007 pela editora Devir, e não chegou a adquirir muito alvoroço por conta do público. De natureza frágil, mas com acabamento decente e desenhos bem apresentados para representar as fases do casal, "12 Razões Para Amá-la" se qualifica, portanto, como um material leve e um tanto limitado, ainda que retrate em si a realidade de muitos casais no mundo físico. Pelo volume brando de sua leitura, qualifica-se como conteúdo de transição, capaz de ao menos oferecer aos apaixonados irremediados uma ferramenta para saberem que não estão sozinhos no mundo.

NOTA GERAL: 1,5 ESTRELAS.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Curta para Dois

Por Gabriel Guimarães


Nos últimos anos, o Brasil vem ganhando muita força dentro da indústria de quadrinhos com uma nova geração de autores talentosos e determinados para deixar sua marca em cada uma de suas histórias. Seja pela presença cada vez maior de profissionais brasileiros no mercado internacional ou então pela alta produtividade recente de histórias independentes, o mercado tem atravessado um período de grande destaque para o nosso país.
 
Apesar de este momento ter evoluído a partir de muitas décadas já, foi nos últimos anos que passamos por uma ascensão súbita de muita importância. A geração de autores como Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Rafael Albuquerque, Marcelo Braga, Estevão Ribeiro, se tornou sinônimo de qualidade aliada a um uso sublime da arte de contar histórias com a união de textos e imagens, porém, foi de uma dupla de irmãos que vem surgindo uma leva de histórias cuja profundidade emocional e a poesia inerente ganham cada vez mais o espaço dos quadrinhos.
 
Os gêmeos Gabriel Bá (esquerda) e Fábio Moon
Os gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá começaram a carreira como muitos outros profissionais do meio: publicando fanzines de forma independente. Com sua pequena revista caseira "10 Pãezinhos", ambos deram seus primeiros passos na indústria dos quadrinhos, atingindo uma área muitas vezes relegada pelas maiores editoras do meio. Trabalhando com as situações do cotidiano e sua beleza pura e sensível, Moon e Bá criaram um elo com seu público, que sempre esteve atento aos novos lançamentos da dupla, que foi acolhida por editoras como a Via Lettera e a Devir.
 
Anos depois, os dois decidiram dar um grande salto para os holofotes da indústria principal, firmando uma parceria com outros três autores - o grego Vasilis Lolos, a americana Becky Cloonan e o já mencionado Rafael Grampá -, para lançar um material experimental no mercado americano de revistas, a revista "FIVE". Com a tiragem limitada e a produção custeada pelos próprios autores, a revista foi um sucesso de crítica e de vendas, catapultando a carreira dos gêmeos como os mais proeminentes autores brasileiros a publicar suas obras autorais nos Estados Unidos.
 
Em seguida, começou a alta procura pelos editores de grandes empresas do mercado, como a Dark Horse e até as duas gigantes do gênero de super-heróis, Marvel e DC. Foi nesta última, porém, que o material da dupla ganhou de vez o coração e o gosto dos públicos não apenas americanos e brasileiros, como do restante do mundo todo. Através de sua história "Daytripper", lançada pelo selo Vertigo de quadrinhos voltados para o público adulto, Moon e Bá narraram a vida de Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que vive na sombra de seu famoso e reconhecido pai escritor e que também possui um desejo intenso de se tornar um autor que possa se manter sobre as próprias pernas. Contado de maneira sutil e minuciosamente detalhada, a história ganhou quase todos os prêmios aos quais concorreu, permitindo à dupla ostentar seu segundo troféu Eisner, que haviam conqusitado originalmente justamente pela revista colaborativa que os lançara no mercado americano.
 
 

Milo Solano nos quadrinhos
Recentemente, outro passo foi dado pela dupla. Tal qual seu parceiro Grampá, que terá sua obra "Mesmo Delivery" adaptada para os cinemas brasileiros, os gêmeos tiveram uma de suas obras originais transformadas em curta metragem pelo diretor Amilcar Oliveira. "Mesa para Dois" foi uma história de casualidades e escolhas muito bem explorada que a dupla havia produzido sob o selo "Dez Pãezinhos" e que fora muito bem acolhida pelo público. Na adaptação, que conta, inclusive, com outra presença ilustre para os admiradores da nona arte, o quadrinista Lourenço Mutarelli no papel do escritor Milo Solano, é possível perceber todas as nuances que o material original possuía, com a exceção de ser um trabalho colorido, enquanto a história em quadrinhos era em preto e branco, nada que faça mudar o sentido ou a percepção sobre a trama.
 
O curta, produzido pela Delicatessen Filmes com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, representa um grande momento para os quadrinhos nacionais, e apresenta uma abertura instigante para aqueles que não conhecem o material dos gêmeos a folhearem da próxima vez que estiverem em uma livraria algum de seus muitos livros publicados. É com grande prazer e respeito que recebemos essa produção tão bem acabada e cuidada por pessoas cujo interesse também se encontra na boa narrativa de histórias, e gostaríamos de convidar a todos os leitores do Quadrinhos Pra Quem Gosta a compartilhar dessa experiência também.
 
 
 
Não deixem de conferir o vídeo acima e depois fazer seus comentários sobre o que achou dele. A troca de opiniões e informações é a grande via que permite uma contínua evolução e agregação de parceiros.
 
Bon appetit.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Recomendações e Conclusões de 2012

Por Gabriel Guimarães


Ainda que nossas atividades do blog tenham sido restringidas ao longo deste final de ano por questões técnicas e de cronograma, a publicação de histórias em quadrinhos continuou em ritmo acelerado, tal qual acontecera no resto do ano todo. A fim de apresentar obras que se destacaram e que talvez vocês, leitores, talvez não tenham tomado conhecimento, selecionamos uma lista de edições publicadas neste ano de 2012 que mereceram nossa recomendação. Para evitar uma ordem de valorização entre as obras que compõem  nossa lista, não a organizamos numa estrutura de qualidade, mas de uma forma que ela possa ser compreendida por todos de acordo com seu potencial de interesse. Para aproveitar nossa retrospectiva das publicações em quadrinhos de 2012, optamos por acrescentar os comentários sobre o que este ano representou para o meio em si e para nossa realidade brasileira, em particular, a carioca.

O ano começou bastante promissor para a arte sequencial, com a publicação da graphic novel iraniana "Paraíso de Zahra", produzida pela dupla Amir e Khalil, acerca do desaparecimento do irmão do jovem protagonista durante os movimentos estudantis contra as decisões do governo do Irã. De teor dramático e qualidade narrativa precisa, a história emociona e denuncia as barbaridades que muitas pessoas inocentes vivem em meio aos jogos de guerra travados pelos governantes e suas ferramentas sociais. De igual característica expositiva, a história americana "The Silence of Our Friends", do trio Mark Long, Jim Demonakos e Nate Powell, foi lançada no mercado americano, retratando o duro período da batalha pelos direitos civis dos cidadãos afro-descendentes numa comunidade do Texas, nos Estados Unidos. Com relação à primeira publicação citada, vale destacar a triste confirmação do cancelamento do selo editorial Barba Negra, por falta de interesse da editora Leya em manter parceria. Durante seus três anos de funcionamento, o selo dirigido pelo editor Lobo foi de grande importância para a expansão da nova geração de quadrinistas nacionais, sendo responsável por muitos títulos brasileiros, além de outros tantos de qualidade inquestionável provenientes dos mais diversos países.

Na contramão desse triste desinteresse por parte da editora Leya, outras editoras continuaram e até expandiram sua participação no cenário brasileiro de histórias em quadrinhos. É impossível deixar de mencionar as editoras Nemo e L&PM neste caso. A primeira continuou publicando a "Coleção Moebius", com títulos bastante aguardados pelos fãs do artista francês Jean Giroud, que faleceu este ano (fato este que foi comentado aqui no blog), além de expandir o universo do marinheiro Corto Maltese, criado pelo italiano Hugo Pratt, com volumes que até então não haviam sido publicados nas terras tupiniquins, e organizar o material do francês Enki Bilal, com a "Trilogia Nikopol". A produção de clássicos da literatura com a mão de artistas nacionais, como "20.000 Léguas Submarinas", adaptada por João Marcos e Will, também esteve em alta no ano e tornou a editora parte do grupo Autêntica uma das mais atuantes ao longo do ano. A L&PM, que teve sua origem na publicação de tirinhas, foi outra editora que também ganhou muito destaque em 2012, com as duas edições de "Simon's Cat" feitas por Simon Toefeld e publicadas no segundo semestre deste ano, cuja temática tem claras influências no felino protagonista de Jim Davies, Garfield; além do segundo volume da HQ marfinense "Aya de Yopougon", de Marguerite Abouet e Clément Oubrerie, que dá continuidade à história iniciada em 2009 sobre um trio de mulheres africanas e seu cotidiano; e continuou com o excelente trabalho realizado em parceria com a UNICEF para a adaptação de clássicos da literatura como "Mil e Uma Noites", "Guerra e Paz" e "Os Miseráveis" para a nona arte.

Editoras como a GAL e a Companhia das Letras também continuaram com um alto número de publicações de qualidade. A primeira publicou a conclusão da série "Fracasso de Público", de Alex Robinson, que conta a história de aspirantes e profissionais dos quadrinhos e suas jornadas diárias de trabalho e amadurecimento, além de começar a republicar a obra "Love Rockets", de Jaime Hernandez, que fez muito sucesso na década de 1980, e a primeira parte da história "Nação Fora da Lei", de Jamie Delano, Goran Sudzuka e Goran Parlov. O selo de quadrinhos da segunda, a Quadrinhos na Cia., também manteve a diversidade em sua produção, indo desde a esperada segunda graphic novel do americano Craig Thompson, centrada no mundo cultural dos muçulmanos, "Habibi", até a nacional "Máquina de Goldberg", de Fido Nesti e Vanessa Barbara, passando pela elogiadíssima compilação da obra "Diomedes", do brasileiro Lourenço Mutarelli, a biografia em quadrinhos do psicólogo austríaco Sigmund Freud, entitulada apenas "FREUD", da dupla francesa Anne Simon e Corinne Maier e a belíssimamente trabalhada história "Monstros", do chargista Gustavo Duarte.

Apesar de tantas obras terem sido lançadas por estas duas editoras, a Panini, porém, talvez tenha sido a editora responsável pelo maior número de quadrinhos publicados este ano. Responsável pelas histórias da Marvel e da DC, este ano foi um ano de suma importância para a realidade da editora no Brasil. Repetindo o que foi feito nos Estados Unidos quando ocorreu o reboot do universo da DC, ocorreu a zeragem dos títulos publicados aqui, além da mudança na lista de edições disponíveis. No selo Vertigo da editora americana para quadrinhos adultos, a Panini lançou a história de mistério, ficção e questionamento existencialista "O Inescrito", que vale a pena ser conferido, além da republicação dos, então esgotados, primeiros volumes da premiada história "Fábulas", de Bill Willingham, que permanece em alta com o público e a crítica. Para a Casa das Ideias, a editora relançou de forma completa em seis volumes uma das mais populares sagas dos heróis mutantes desse universo em "X-men: Era do Apocalipse", além de ter publicado o segundo arco da saga de futuro alternativo para todos os personagens da editora, "Universo X", de Jim Krueger, Doug Braithwaite e Alex Ross, cuja primeira parte havia sido lançada ainda em 2009. Outra saga que a Panini deu continuidade este ano foi com o maior grupo de heróis do versão Ultimate do universo Marvel, com "Os Supremos 2", de Mark Millar e Brian Hitch, que, apesar de não terem o mesmo nível de aproveitamento da primeira saga dos personagens, em termos de conteúdo, ainda apresentam uma boa narrativa, em sintonia com o filme dos Vingadores lançado no cinema em abril deste ano.

A Panini, entretanto, não se limitou apenas aos lançamentos internacionais, sendo a responsável pela publicação de títulos como o "Ouro da Casa MSP", coletânea no estilo da trilogia MSP organizada pelo editor paulista Sidney Gusman com artistas brasileiros utilizando os personagens do padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Sousa (que já foi comentada aqui no blog), o que também inspirou a  série "Graphic MSP", iniciada este ano com "Astronauta: Magnetar", feita pelo desenhista Danilo Beyruth. Dentro da série da "Turma da Mônica Jovem", a Panini ainda publicou duas sagas que chamaram a atenção de leitores e admiradores dos quadrinhos em todo o país. No primeiro semestre, aconteceu o tão aguardado crossover entre os personagens da turma da Mônica e os protagonistas das aventuras do universo do quadrinista japonês Osamu Tezuka. Ambientada na selva amazônica, a história promoveu a importância da ecologia e permitiu, de vez, unir o trabalho de dois valiosos quadrinistas que foram grandes mestres para o meio e grandes amigos entre si (esse marco foi comentado aqui no blog). Em outubro, foi a vez de outro evento aguardado ganhar as páginas, com uma visão do futuro sobre o casamento da Mônica e do Cebolinha (cujo evento de lançamento no Rio de Janeiro foi coberto aqui no blog).

A editora Devir foi outra a participar do ano dos quadrinhos, lançando "The Spirit - Mais Aventuras", segundo volume em homenagem a um dos pioneiros da arte sequencial, o americano Will Eisner, o segundo volume da série brasileira produzida em parceria com o ProAC, "Jambocks! 2", de Celso Menezes e Felipe Massafera, sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, a conclusão das histórias dos personagens literários reunidos por Alan Moore e Kevin O'Neill, em "Liga Extraordinária 2009", além do livro "Revolução do Gibi", que apresenta em forma impressa uma grande quantidade de postagens do Blog dos Quadrinhos, organizado pelo professor de Letras na USP, Paulo Ramos.

Adaptação da Bíblia para história em quadrinhos

"20th Century Boys", de Naoki Urasawa,
começou a ser publicado em 2012



Outros títulos que merecem destaque são "Mas Ainda Podemos Continuar Amigos", do alemão Mawil, publicado pela editora Zarabatana, sobre os percalços do autor na procura por um relacionamento amoroso; "Valente para Todas", segunda coletânea de tiras do talentoso desenhista mineiro Vitor Cafaggi (que já foi tema de matéria aqui), publicada de forma independente; A  edição de luxo com histórias clássicas do bárbaro mais famoso dos quadrinhos, "Conan, O Libertador - Edição Histórica", pela editora Mythos; O polêmico livro de análise do universo dos super-heróis sob a ótica mitológica, escrito pelo roteirista Grant Morrison, "Superdeuses", pela editora Seoman; A visceral ficção com referências ao escritor chinês Sin Tzu e sua principal obra, "A Arte da Guerra", feita pela dupla de primeira viagem Kelly Roman e Michael DeWeese (para o qual, realizamos um review para o site Universo HQ, que pode ser conferido aqui), publicada pela editora BestSeller, parte do grupo Record; A adaptação do livro que deu origem ao cristianismo, feita de forma atenta e cuidadosamente bela pelo brasileiro Sergio Carielo, "Bíblia em Ação - A História da Salvação do Mundo", de mais de 300 páginas, publicadas pela editora Geographica; A nova série de mangá "20th Century Boys", de Naoki Urazawa, publicado pela já destacada editora Panini, sobre uma conspiração de dominação do mundo que tem origem na infância dos protagonistas da história, que já chegou até a virar filme no Japão; "Face Oculta", do italiano Gianfranco Manfredi e do desenhista já citado Goran Parlov, publicado também pela Panini, cujo enredo se desenrola nas colônias italianas do Século XIX; O livro de homenagem à exposição realizada em 1951 com a indústria de quadrinhos como tema, "A Reinvenção dos Quadrinhos - Quando o Gibi Passou de Réu a Herói", escrito e vivido por Alvaro de Moya, publicado pela editora Criativo; E a primeira graphic novel produzida pelo site Jovem Nerd de forma autoral, "Independência ou Mortos", com uma visão diferente do momento de independência do Brasil soba ótica da cultura de terror dos filmes de mortos-vivos, feita por Fábio Yabu e Harald Stricker.

"Independência ou Mortos", de Fábio Yabu e Harald Stricker
Fora do Brasil, também foram lançados materiais que merecem destaque, tais como a edição de luxo em homenagem a um dos pioneiros do quadrinho underground, "The Art of Harvey Kurtzman", escrito por Denis Kitchen e Paul Buhle e publicado pela editora Harry N. Abrams, Inc.; A biografia do matemático Richard Feynman, feita em quadrinhos pela dupla Jim Ottaviani e Leland Myrick sob o título simples de "Feynman"; E o mais recente trabalho do americano Joe Sacco, "Journalism", que é composto de uma série de pequenas histórias de coberturas jornalísticas realizadas pelo autor ao redor do mundo todo. Estes dois últimos foram publicados pelas editoras First Second e Metropolitan Books, respectivamente.

Não propriamente contando como publicações novas, dois títulos acabaram ganhando destaque por uma razão diferente. A editora HQM decidiu lançar a partir deste ano as edições avulsas de "The Walking Dead" de regularidade mensal, além de manter sua tradicional publicação no formato graphic novel, a fim de explorar todos os nichos de mercado que estão sendo afetados pela alta popularidade da versão televisiva do quadrinho feito pelo americano Robert Kirkman. Enquanto isso, a editora Europa deu uma grande notícia para os fãs de quadrinhos, ao tornar sua revista "Mundo dos Super-Heróis" uma publicação mensal, suprindo, dessa forma, a crescente demanda que o mercado vem apresentando.

Em suma, o ano de 2012 teve uma quantidade realmente incrível de publicações valiosas apresentadas em forma de arte sequencial ou sobre esta, e nós, leitores, ganhamos muito com isso. Ganhamos histórias de vida, modelos de comportamento, qualidade de conteúdo para divulgarmos e novos meios pelo qual interagirmos recorrendo às nossas mais intrínsecas emoções. 2012, todavia, não foi perfeito. Perdemos grandes nomes que marcaram nossas vidas com seus trabalhos, como Joe Kubert (fato que foi comentada aqui no blog), Keiji Nakazawa e até o já citado Moebius. A organização do maior evento internacional de quadrinhos do Rio de Janeiro encontrou problemas para formar parcerias e deixou de ser realizado após dois anos de sua abertura. As histórias em quadrinhos brasileiras perderam uma grande marca que vinha se consolidando, o selo editorial Barba Negra, conforme já foi destacado no começo desta matéria.

Não nos concentremos, porém, nos pesares, mas inspiremos o máximo possível dos bons momentos deste ano que finda amanhã. Que os relacionamentos criados através dos quadrinhos possam se fortalecer, criando laços de amizade e cordialidade para durarem eternamente. Que possamos nos reunir no próximo ano para continuar nossas discussões sobre este meio que tanto nos apaixona e nos seduz, e no ano seguinte a esse, e no ano seguinte a esse, e assim por diante. Que vejamos esta arte crescer e assumir seu posto de direito dentro da cultura popular e erudita. Que possamos todos, afinal, ter um 2013 pleno de emoções e de quadrinhos, regados a muitas amizades fortalecidas e outras novas. Nos vemos lá!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quadrinhos em Cena

Por Gabriel Guimarães


Em "Quadrinhos, Sedução e Paixão", o estudioso dos quadrinhos Moacy Cirne destaca o potencial apaixonante inerente à narrativa criada pela estrutura de requadros que todas as histórias em quadrinhos dispõem, estando apenas limitadas à potencial habilidade daqueles envolvidos na sua composição. Destacando a sedução como uma arte de envolver o leitor, ele expande e analisa algumas outras mídias, criando pontes entre esses diferentes universos ficcionais. Dando destaque ao cinema, ele compara a atuação dos profissionais das grandes telas e a escolha de ponto de vista dos diretores às decisões editoriais que ficam a cargo de roteiristas e desenhistas talentosos. Cirne, porém, não aborda, ainda que fosse de teor plenamente compatível, a arte do teatro e sua semântica corporal com as obras gráfico-textuais que inundaram nosso consciente ao longo de mais de um século até agora.
 
Tendo sido talvez o grande meio de entretenimento das sociedades no período anterior à captura da imagem, o teatro é literalmente palco para grandes obras e grandes profissionais. O potencial de sua dramaticidade crua e sua metamorfose contínua acabam por tornar um pequeno segmento construído, em geral, de madeira, uma tela em branco para as mais mirabolantes aventuras e histórias. O romance e a poesia inerentes a esse processo permancem até os dias de hoje, servindo como instrumento de exposição social. Igualmente, os quadrinhos, que outrora representaram apenas uma arte semiótica básica, hoje possuem uma profundidade de destaque, o que leva a um interessante ponto de observação sobre essas duas formas de representação.
 
Adaptação de "Hamlet"
feita por Sam Hart
A arte que consagrou Shakespeare, hoje reconhece e engrandece ainda mais a obra de Eisner. Isso é um marco que merece e deve ser lembrado, tal qual a direção oposta dessa ocasião, que igualmente ocorre. Estes dois nomes são extremamente importantes nessa análise por terem uma natureza tão viva, ainda que estes dois consagrados profissionais já não mais estejam vivos. Shakespeare hoje é adaptado de forma constante para as histórias em quadrinhos, em graphic novels de qualidade variante, mas sempre de conteúdo rico. A sua obra "Hamlet", por exemplo, foi adaptada pelas mãos do desenhista inglês naturalizado brasileiro Sam Hart, e publicado em vários países ao redor do mundo por sua qualidade. Igualmente, o próprio Eisner prestou homenagem ao grande autor de peças em um pequeno exemplo narrativo dentro de sua obra máxima, "Quadrinhos e Arte Sequencial", que apresenta em dado momento um diálogo escrito por Shakespeare no telhado de um prédio decadente da grande metrópole, cenário tradicional do material de Eisner, por uma figura completamente inesperada, de um hippie, ao admirar o céu e o próprio espectador. Ademais, a editora Nemo, atualmente, tem publicado uma série de histórias shakespearianas em formato quadrinístico com grande qualidade de conteúdo e de material editorial.
 
Eisner foi um dos ainda poucos quadrinistas que conseguiram seguir o caminho oposto, e teve sua obra "Avenida Dropsie" adaptada para o palco das artes cênicas. Apresentada nos Estados Unidos e Brasil, a peça teve um retorno bastante positivo, ainda que sua temporada de apresentação tenha sido curta. Outros grandes nomes do meio também já passaram por essa transição, mas não da mesma forma. O roteirista britânico Chris Claremont, responsável por um dos períodos de maior sucesso nos quadrinhos dos "X-men", se formou em um curso de teatro originalmente, e trabalhou com esse setor em algumas escassas ocasiões, sem, porém, haver qualquer conexão com sua faceta quadrinística. Ainda assim, é com orgulho que podemos mencionar um trabalho brasileiro que seguiu o trajeto percorrido pela obra de Eisner. O desenhista paulistano Mário Cau, que participou de projetos como "MSP50", além de muitas outras publicações pelo selo do grupo de autores independentes "Quarto Mundo", teve, em 2011, sua história "Pieces" adaptada para o palco sob direção de Max Sawaya. Quem tiver o interesse de conferir como foi a performance do trabalho sobre a obra de Mário pode conferir em seu blog, que pode ser acessado aqui, e cuja primeira parte pode ser vista abaixo.



Outras obras, ainda, apresentam uma forma um tanto similar à metalinguagem sobre essas duas obras, como o quadrinho brasileiro independente "Ato 5", de autoria da dupla André Diniz e José Aguiar, que conta a história da composição de uma peça de teatro e seus percalços durante a ditadura militar no Rio de Janeiro.

Conforme destaca Cirne, "a arte que não sabe seduzir não leva à paixão, não leva à reflexão" e, portanto, não há como desconsiderar a capacidade e conexões entre essas duas formas de arte tão fundamentais e essenciais para o nosso cenário social atual. O teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, tem incentivado essa relação com a exposição "Os Novos dos Quadrinhos Brasileiros", que estará em exibição até o dia 13 de dezembro e já foi conferido aqui no blog. Apesar de não apresentar uma interligação entre os dois meios propriamente dita, a apresentação serve para atrair um olhar mais atento para a arte dos quadrinhos por aqueles que estão mais acostumados às peças teatrais, e vale a pena ser conferida.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Exposição de Quadrinhos em Leblon

Por Gabriel Guimarães

 
Desde o dia 13 de agosto deste ano, no Teatro Oi Casa Grande, localizado praticamente em anexo ao Shopping Leblon, está sendo realizada a exposição "Os Novos dos Quadrinhos Brasileiros", pela curadoria da historiadora carioca Cristina Tepedino. Com páginas originais de grandes quadrinistas do mercado brasileiro, como os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, o proeminente João Montanaro e os cartunistas André Dahmer e Arnaldo Branco, a apresentação merece uma conferida dos amantes da arte sequencial.
 
Apesar de não possuir uma área muito ampla para apresentar o trabalho, a exposição expõe as obras com um cuidado especial em prol de sua preservação e permite um olhar abrangente sobre a nova face do quadrinho nacional. Apresentada no saguão de entrada do Teatro, a exposição ocupa dois corredores à direita de quem entra no recinto, com uma breve introdução apresentada na parede de entrada. Contando com uma pequena cafeteria ao fim da exposição, o clima é agradável e permite que o visitante possa observar pacientemente todos os quadros.
 
Para quem quiser aproveitar a viagem para um passeio pelo bairro do Leblon, fica a recomendação de visitar os dois shoppings próximos ao Teatro, com seus respectivas livrarias. Além do já citado Shopping Leblon, ao atravessar a rua, fica o shopping Rio Design, que dispõe de grande parte do quarteirão onde se localiza.
 
É extremamente animador ver mais eventos focados no trabalho com os quadrinhos nacionais e seus principais nomes atualmente. Ainda que não seja da mesma dimensão de uma convenção como a Rio Comicon (que foi coberta em suas duas edições aqui no blog e cuja ausência esse ano foi tema de matéria aqui também), este tipo de evento permite uma maior relação do público com o conteúdo vendido nas bancas e livrarias e torna a história transmitida através da arte gráfica algo mais humano e belo. Que este ano ainda possa nos reservar boas surpresas assim.
 
O público das peças e shows apresentados no Teatro tem a
chance de conhecer um pouco mais dos quadrinhos brasileiros atuais
O Teatro funciona a partir das 16h e a entrada é franca. A exposição permanecerá lá até o dia 13 de dezembro e possui o patrocínio dos Correios. Fica dada a recomendação.

sábado, 13 de outubro de 2012

Guerreiros da Amazônia na FNAC

Por Gabriel Guimarães


Aproveitando a empolgação do público infanto-juvenil com o dia das crianças, comemorado ontem, a livraria FNAC, do Barrashopping, realizou o evento de lançamento de dois novos volumes da história "Amazon - Guerreiros da Amazônia", feitos pelos cariocas Ronaldo Barcelos e Ronaldo Santana. Com uma apresentação convidativa e participantes fantasiados para uma performance das aventuras dos personagens que protagonizam os livros, o evento atraiu muitas famílias e teve ótima recepção.
 
A dupla de autores, Ronaldo Santana e Ronaldo Barcelos,
respectivamente, no estande de lançamento na Bienal do
Livro, de São Paulo, este ano
Com um estilo de contar histórias similar aos tradicionais quadrinhos de heróis, mas apresentado em formato textual com ilustrações ocasionais, a história foca em questões como a preservação da mata e a conservação das espécies habitantes da Amazônia brasileira, a fim de gerar maior conscientização no leitor do seu papel em meio ao habitat do qual faz parte. Inicialmente um projeto organizado em parceria com o site do jornal "O Globo", em 2000, os criadores produziram uma série de 21 episódios de animação, com 10 minigames disponibilizados à parte para os internautas. Em janeiro de 2008, as animações foram exibidas no portal Amazon Sat, com duração em torno de 15 minutos por episódio. Hoje, infelizmente, o site que continha esse conteúdo não está mais acessível, porém, os autores decidiram levar o projeto além em uma trilogia de livros que poderia dar maior profundidade à trama, que gira em torno dos personagens Cynthia, Kleyton e Allan, que vão para a Amazônia como prêmio por um concurso do qual tinham participado, mas que, lá, descobrem que sua viagem representa muito mais do que apenas um passeio pelo grande patrimônio natural brasileiro.
 
Promoção feita durante a Rio+20, neste ano, na estação
rodoviária do Rio de Janeiro
Em 2009, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a editora Litteris lançou o primeiro volume dessa trilogia, introduzindo os personagens a toda uma nova leva de leitores, a fim de educar os mais jovens quanto à importância de realizar um desenvolvimento sustentável nas capitais nacionais e a atenção que a natureza carece para poder ser preservada. O projeto, entretanto, sofreu atrasos e acabou mudando de casa editorial. Em 2011, a produtora RJR realizou uma nova edição do material escrito por Ronaldo Barcelos, acrescentando um glossário que auxiliasse no uso do material em sala de aula pelos professores, e deu uma nova dimensão aos desenhos de Ronaldo Santana, produzindo um novo layout e acrescentando novas ilustrações. Para reforçar o objetivo da obra, os organizadores ainda confeccionaram o livro a partir de companhias de política responsável com o meio ambiente.
 
Após tanto tempo, enfim, está sendo lançado o segundo volume da trilogia, além de um livro extra, com atividades educativas voltadas para o público dos 6 aos 14 anos. No novo livro, entram na história novos personagens, além de dar continuidade ao trabalho realizado pela dupla carioca. A livraria FNAC do Barrashopping recebeu muito bem a empreitada e conseguiu sediar um chamativo evento para uma melhor compreensão do papel ambiental na nossa sociedade brasileira, contando ainda com uma apresentação animada de um jovem grupo de dançarinas trajadas especificamente para o lançamento dos livros. O desenhista ainda esteve presente, também, no local, para autografar as edições adquiridas pelos muitos visitantes presentes, além de reforçar a ideia do projeto e dar mais ânimo a todos os pequenos leitores presentes.
 
O desenhista, Ronaldo Santana,
posa para foto com os alegres
visitantes que conferiram o
lançamento
Para o ano que vem, está previsto o lançamento do terceiro e último livro da série, sem, porém, com isso, dizer que as histórias dos personagens terão terminado. A RJR tem planos ainda de produzir além de uma série animada novamente com esses personagens, um filme de animação voltado para o cinema, mediante novas parcerias que podem vir a ser firmadas futuramente. O que podemos fazer, por enquanto, é desejar que tudo corra bem para a dupla de autores e para a produtora e aguardar, ansiosamente, que essa história possa representar um grande passo rumo a uma maior participação da própria mão de obra brasileira na constituição de conteúdo cultural a ser consumido pelo público brasileiro.
 
Para quem tiver interesse, a série de livros "Amazon - Os Guerreiros da Amazônia" possui um site próprio, que pode ser conferido aqui e uma página no Facebook, que pode ser acessada aqui. Uma matéria publicada na página virtual da revista "Época" com uma entrevista com o roteirista da série, que pode ser conferido aqui. O site "Overmundo" também produziu, em 2009, matéria sobre o andamento do projeto naquela época, porém, que acabou sofrendo mudanças ao longo do tempo. Ainda assim, é interessante conferir a matéria produzida, que pode ser conferida aqui. Outra produção feita para o projeto que vale a pena ser conferida pode ser encontrada no Youtube ou assistida, abaixo.