Normalmente envolvida com os eventos relacionados à arte sequencial no sul do país, a loja Pumpkin Store está lançando uma promoção que sorteará a coleção completa do mangá "Banya - O Mensageiro", da editora Panini, ou "Galism", da editora Conrad, ficando a critério do vencedor escolher qual título desejará receber. A promoção foi a forma que a loja encontrou para retribuir o sucesso que vem tendo em sua empreitada nas redes eletrônicas ao redor de todo o país, permitindo que os fãs de mangá possam conhecer um novo ponto de encontro para comentar e comprar seu material de paixão. Enquanto a primeira opção de prêmio possui grande teor de ação, com traços realistas e muitas cenas de luta, tendo feito grande sucesso na Coréia do Sul, produzida por Kim Young-oh, a segunda é voltada um pouco mais para o público feminino, contando a história de três irmãs e suas aventuras e desventuras amorosas, feita pela mangaká Mayumi Yokoyama.
As duas obras estão um pouco fora do meio mainstream da mídia, mas são boas oportunidades para conhecer outras culturas e personagens marcantes, produzidos a meio mundo de distância de nós, brasileiros.
Localizada oficialmente em Palhoça, no estado de Santa Catarina e especializada na aquisição de mangás e animês novos e usados, a loja Pumpkin Store começou este ano sua entrada no mercado online e conquistou até agora uma quantidade considerável de fãs. Pensando justamente nestes, é que ela iniciou o "Combo Pumpkin Store", que funcionará no seguinte esquema:
Primeiramente, o participante deve curtir a página da loja no Facebook, que pode ser acessada aqui ou através da imagem abaixo.
Em seguida, deve-se compartilhar de forma pública a imagem da promoção no próprio mural do participante, finalizando, então, com a inscrição completa no link que se encontra aqui.
O sorteio será realizado neste sábado, dia 8 de setembro de 2012, e o resultado será divulgado na página oficial da loja no Facebook. Boa sorte para todos!
Ocorreu hoje, na Livraria da Travessa do Barrashopping, no Rio de Janeiro, a primeira sessão do Clube de Leitura HQ, organizado pelo funcionário André Guimarães, a fim de reunir os admiradores da nona arte para um debate saudável e estimulante acerca de histórias específicas abordadas e quaisquer outros assuntos que acabem por surgir através da troca de experiências entre os visitantes presentes.
Organizado nesta primeira edição com foco no recém lançado encadernado "Batman: Vitória Sombria" pela editora Panini, o evento teve início às 16 horas e reuniu um grupo ainda esparso, com pessoas de diferentes idades e de conhecimento diverso sobre o meio. Com duração de pouco mais de uma hora, foi apresentado ao público um pequeno panorama da obra da dupla Jeph Loeb e Tim Sale, com destaque para a organização da ficção apresentada nas três obras destes, realizadas no universo do herói mascarado de Gotham City, sob uma perspectiva mais ampla. Estando bem no meio da trilogia também composta por "Batman: O Longo Dia das Bruxas" e "Mulher Gato: Cidade Eterna", o encadernado do Homem Morcego se concentra em torno dos problemas da família mafiosa Falcone no submundo do crime, sem, entretanto, deixar de lado a vasta gama de vilões e personagens da galeria que preenche o Asilo Arkham e os computadores do vigilante encapuzado.
O grupo presente não foi muito, mas
foi um excelente começo para o
tipo de encontro
A obra se foca nas figuras de Batman e do comissário Gordon, que se encontram à frente de um momento crucial de sua composição enquanto personagens das histórias que preencheram tantas revistas ao longo de mais de 70 anos. Com a figura antológica do herói mascarado como cavaleiro solitário, Tim Sale apresenta em seu prefácio uma explicação sobre sua opinião acerca do personagem antes da obra e de como Loeb o convenceu a trabalhar neste projeto, que nos revela facetas pouco destacadas do personagem, como, por exemplo, seu viés investigador e sua relação com aqueles ao seu redor. Noções como família e riscos são continuamente postas em questão na obra, e acabam por tornar a leitura algo agradável, ainda que o leitor precise compreender a questão cronológica com que a história em si é apresentada.
De resto, a reunião foi bastante agradável e rendeu excelentes conversas entre os presentes sobre as raízes dos quadrinhos americanos e seu impacto na nossa realidade brasileira, enquanto leitores deste material. A Livraria da Travessa já confirmou a realização de mais outras duas reuniões deste tipo, de caráter mensal, sempre acontecendo no último sábado de cada mês, contando com uma obra diferente cada vez. Para o próximo encontro, que ocorrerá dia 29 de setembro, a história em quadrinhos "Kick-Ass: Quebrando Tudo" será o tema da vez, e para a reunião seguinte, já está confirmada a obra brasileira "Daytripper", dos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá. Com expectativa de tornar esse encontro algo recorrente, André já informou que pretende dar sequência às discussões do público sobre temas da arte sequencial, partindo, por enquanto, de publicações vinculadas à editora Panini, chegando a oferecer 10% de desconto sobre os livros comentados na reunião em seu respectivo dia de debate. Com a duração, em geral, atrelada à marca de uma hora, os papos acabam sendo ágeis e bastante estimulantes. Conforme o evento crescer, porém, acreditamos que o tempo possa ser expandido e a interação possa seguir determinado padrão de ação, dependendo da resposta do público.
Quem esteve lá para conferir essa primeira sessão, certamente, saiu satisfeito, e ficamos na torcida para que este seja apenas o primeiro passo de uma estratégia de boa relação com os leitores dos quadrinhos por parte da Livraria da Travessa, que demonstrou excelente iniciativa nesse campo.
Nesta sexta-feira, dia 24 de agosto, um dos mais emblemáticos personagens da Disney para o povo brasileiro completa exatos 70 anos, com uma história de grande sucesso e muita irreverência, semelhantes àquele que é seu elemento mais fundamental: a alma carioca. Criado em 1942, o personagem Zé Carioca surgiu para apresentar ao público a belíssima música "Aquarela do Brasil", do grande músico Ary Barroso (que pode ser conferido logo abaixo), que atraiu a atenção de um importante criador de quadrinhos norte-americano, Walt Disney. Nos anos posteriores, acabou ganhando cada vez mais a atenção do público e chegou a ser quase totalmente produzido em sua suposta terra-natal, de fato, sob a batuta de grandes profissionais da editora Abril.
Conforme destaca a belíssima matéria do blog "Planeta Gibi" (a qual pode ser conferida aqui), o projeto que deu vida ao periquito verde cheio de trejeitos é fruto da Política de Boa Vizinhança, realizada pelos Estados Unidos, durante a década de 1940, pelo presidente Franklyn Delano Roosevelt, onde o governo americano procurava se entrosar com seus parceiros do outro lado do hemisfério para gerar uma resistência maior à adoção de ideais comunistas, que iam de encontro com os interesses americanos. Para reunir todos os países, o já mencionado Disney, um dos mais ferrenhos defensores das "boas causas", decidiu produzir um filme que retratasse a boa experiência entre os americanos e os brasileiros. O filme como um todo ficou conhecido como "Alô Amigos", em 1942, com quase uma hora de duração e uma mistura bastante interessante de cores e costumes, além de apresentar trechos da visita de diversos artistas dos estúdios Disney, dentre os quais o próprio Walt, às terras do Rio de Janeiro. Não se limitando, porém, ao povo tupiniquim, a estratégia de atingir novos povos e gerar novos mercados se estendeu à Argentina, onde surgiu o personagem Gauchinho Voador, e ao México, onde surgiu o personagem Panchito.
Em dezembro daquele ano, Zé Carioca, enfim, ganhou as páginas das revistas em quadrinhos, através da história "The Carnival King", de Carl Buettner. Tendo já sido protagonista de tiras em jornais que seriam lançadas e relançadas incontáveis vezes sob uma ótica de material inédito, Zé galgou de forma lenta a presença nos quadrinhos Disney, aparecendo em uma história de página única em 1943 e uma história de dez páginas em 1944. Logo depois, Zé Carioca estrelou sua segunda produção animada em "Você Já Foi à Bahia?", onde apresentava as terras baianas num esquema similar ao de sua primeira produção. Neste que foi o sétimo filme de animação dos estúdios Disney, o Pato Donald novamente serve como representante americano nas terras latinas, onde interage com as culturas locais e através de mistura entre animação e live-action, propõe uma maior troca de valores e experiências com os demais povos do continente americano.
O número 479 da revista do "Pato Donald" foi a primeira protagonizada
pelo personagem carioca
Anos depois, Zé Carioca foi, então, produzido e publicado fora do solo americano pela primeira vez, pelo traço do argentino Luis Destuet, que se consagrou com o personagem, vindo a ser o responsável pela produção de outras histórias do personagem, publicadas aqui em terras brasileiras em 1955. Entretanto, foi apenas em 1960 que um brasileiro foi, de fato, responsável pela constituição de uma história do personagem carioca. O desenhista Jorge Kato, consagrado previamente por ser o primeiro brasileiro a publicar histórias Disney completamente produzidas no Brasil, assumiu o personagem no final de 1959 e a partir de 1961, começa a produzir todo o material das edições ímpares da revista do Pato Donald, que passaram a ser intercaladas com as histórias de Zé Carioca a partir do número 479. Por meio das histórias produzidas aqui no país, o personagem foi adquirindo reais características próprias, e se consolidando como uma grande personalidade dentre o vasto elenco da Disney. Uma vez que o contingente de histórias com o personagem não era suficiente para comportar a demanda para uma edição, ainda que bimestral, os editores da empresa de Victor Civita começaram a editar o material que recebiam de fora, inserindo Zé Carioca em histórias que anteriormente eram protagonizadas por Mickey ou Donald. Dessa forma, surgiram até outros personagens secundários de escala, como os sobrinhos Zico e Zeca, criados para substituir os três sobrinhos de Donald nas histórias adaptadas para o mercado brasileiro.
Zé Carioca esteve presente
desde a primeira edição da editora
Abril, em julho de 1950
Em 1972, enfim, a produção de material no solo brasileiro se mostrou capaz de suprir a demanda do mercado, e começaram a serem publicadas histórias exclusivamente produzidas para o personagem especificamente, desenvolvendo, dessa forma, seu universo pessoal e permitindo aos leitores associarem cenários e situações àquelas do contexto brasileiro. Nos vinte anos seguintes, o personagem se consagrou, foi repaginado, teve sua figura produzida mais de acordo com o padrão brasileiro, e se tornou uma grande referência para os leitores das revistas Disney dentro do Brasil.
Infelizmente, no final dos anos 1990, o mercado nacional de quadrinhos passou por uma grande crise financeira, e núcleos de produção como o da editora Abril acabaram fechando suas portas, encerrando assim um dos mais viáveis meios de criar um quadrinho brasileiro de qualidade, sonho de um dos grandes editores da história da Abril, o paulista Waldir Igaiara. A partir de então, a editora Abril passou a se dedicar nas republicações, e a última história inédita do personagem foi lançada pouco mais de uma década atrás, em dezembro de 2001, com roteiros de Rafles Magalhães Ramos e desenhos de Eli Marcos M. Leon.
Atualmente, o personagem continua sendo publicado, porém, contando raramente com material que poderia ser considerado novo, apesar de a editora Abril ainda ter em seus arquivos histórias não publicadas do periquito verde mais famoso da Disney. Vale destacar, ainda, que o potencial que o personagem demonstrou para ser feito aqui no país é digno de conferir, por ser um grande exemplo da capacidade criativa do brasileiro na expressão através da arte sequencial. Fica a recomendação, também, de que a editora Abril confirmou o lançamento de uma edição especial em comemoração a essa data com todas as tiras dominicais originais, publicadas entre 1942 e 1944, com o personagem no traço de Paul Murry, que posteriormente, se tornaria um dos grandes profissionais dos estúdios americanos da Disney. Pelos seus 70 anos de existência e grande papel na composição de muitas gerações de profissionais a admiradores da nona arte no Brasil, além de uma muito bem calhada comemoração justamente no dia do artista aqui no Brasil, certamente este malandro gente boa de penugem esverdeada merece uma devida salva de palmas. Parabéns, Zé!
Nascido originalmente na pequena cidade de Yzerin, na então área que pertencia ao leste da Polônia, e migrado com apenas dois meses junto de seus pais para os Estados Unidos, o desenhista Joseph Kubert construiu ao longo do século XX uma carreira sólida no mercado de quadrinhos que se expandia, ganhando o merecido reconhecimento e tendo seu trabalho valorizado pelo seu esforço com a pesquisa prévia do que quer que fosse desenhar, tornando suas histórias mais verossímeis e envolventes para os leitores. Grande incentivador dos aspirantes a tomar parte na nona arte, Kubert se tornou um marco para os ilustradores e, em 1976, abriu na cidade de Dover, em New Jersey, a Escola Joe Kubert de Cartun e Artes Gráficas, renomeada recentemente para apenas Escola Kubert.
Edição do Gavião Negro
Na manhã deste último domingo, no dia dos pais para nós, brasileiros, aos 85 anos, apenas três semanas antes de completar seu próximo aniversário, Joe acabou falecendo de forma natural, e os quadrinhos, como meio de comunicação, perdeu mais um de seus grandes mestres. Marcado pelo sucesso de suas histórias como "Sgt. Rock" e o trabalho junto ao herói Gavião Negro, ambos publicados pela editora DC, Joe marcou sua passagem pelas páginas das revistas com muita criatividade e mensagens de inspiração humana.
Apesar de ter sido marcado pelo seu trabalho com temáticas relativas ao período dos conflitos internacionais onde os Estados Unidos tomavam parte, Joe sempre destacou a necessidade de haver mais do que apenas morte no caminho dos soldados, reservando-lhes momentos de profunda reflexão acerca da natureza humana e da necessidade da coexistência pacífica, rendendo-lhe uma safra enorme de prêmios extremamente valiosos para o mercado de quadrinhos, como o Harvey Award e o Eisner Award, dos quais, em 1997 e 1998, respectivamente, ele se tornou membro do Hall da Fama.
Entretanto, muito antes de se consagrar como desenhista da editora DC, Joe começou sua carreira de maneira modesta, mas surpreendente, quando, ainda aos onze anos, começou a contribuir com desenhos para o MLJ Studios, responsável pela publicação de personagens como "Archie". Seu primeiro trabalho oficial, porém, é datado oficialmente apenas de cinco anos depois, já em 1942, quando ele fez a arte-final de uma pequena história de seis páginas chamada "Black-Out", na oitava edição da revista "Catman Comics", publicada pela editora Holyoke Publishing Company. Após esse começo modesto, ele continuou trabalhando no título mais algumas edições antes de ir adiante com outros projetos, sendo, no começo da década de 1940, contratado pela editora DC, no período ainda antes de assumir esse nome, quando era conhecido ainda como All-American Comics. Seu primeiro trabalho pela editora foi uma história de 50 páginas, chamada "Sete Soldados da Vitória", publicada na também oitava edição da revista "Leading Comics", no outono de 1943.
Nos anos seguintes, Joe começaria a se firmar no mercado de quadrinhos, a partir de seu trabalho com o Gavião Negro e, em outubro do ano de 1953, viria a se tornar editor administrativo da St. John Publications, onde ele, seu antigo colega de escola, Norman Maurer, e o irmão de Norman, Leonard, publicaram a primeira revista em quadrinhos em 3D da história do meio, na primeira edição da revista "Three Dimension Comics". Neste título, Joe criou seu personagem de maior sucesso, um herói pré-histórico chamado Tor, que estreou na segunda edição da revista e não muito depois acabou por se tornar o grande astro da publicação.
Um dos quadrinhos das histórias de Tor, o herói pré-histórico
de Joe Kubert
Em 1955, ele voltou para a DC, onde passou a participar da linha de personagens de guerra da editora, consagrando sua carreira com histórias como a já mencionada "Sgt. Rock" e as aventuras da tropa de soldados em "The Haunted Tank". Pouco depois, Joe decidiu mudar seu papel no meio e construiu sua escola de arte, onde ajudou na formação de muitos grandes profissionais do meio que hoje estão em atividade, como Amanda Conner, Alex Maleev, Rags Morales, o brasileiro Sérgio Carrielo e, eventualmente, seus dois grandes legados para as histórias de super heróis da atualidade, seus dois filhos, Andy e Adam Kubert, que herdaram muito do dom de desenho e de narrativa gráfica do pai.
Edição de "Sgt. Rock"
Hoje, os quadrinhos perdem mais um de seus soldados mais ferrenhos, um dos defensores da boa arte e portador da bandeira da esperança. Porém, que seu exemplo não seja em vão, e que sua história e seu legado possam viver em cada um dos profissionais e amigos tocados por ele no período em que esteve entre nós. Após uma árdua luta para criar um meio seguro e forte estruturalmente em que seus filhos hoje trabalham, o soldado Joe, enfim, retorna para casa, não com um estrondo de granada, mas com o síbilo suave das lágrimas que descem dos rostos de seus muitos admiradores.
Quem tiver interesse em visitar a página da Escola Kubert de Arte, que nestes dias, tem estado fora do ar com uma mensagem em homenagem ao seu fundador, basta clicar aqui.
Desde o dia 10 de julho, tem sido realizada a exposição "A Sombra do Morcego" no Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, mais conhecido como "Castelinho", em frente à praia do bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Aludindo às várias versões cinematográficas de um dos principais personagens da editora americana DC, o Batman, e culminando no terceiro e último filme da trilogia atual do personagem, sob direção do promissor e já admirado diretor Christopher Nolan, com o ator Christian Bale no papel do milionário playboy que procura justificar a morte de seus pais combatendo o crime da gótica cidade de Gotham City através da figura de vigilante mascarado, que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 27 de julho, o evento tem um acervo impressionante que vale muito a pena ser conferido.
Paulo Chacon à direita e Diogo Oliveira à esquerda de réplica
do traje atual do Batman nos cinemas
Organizado pelo trio que compõe o grupo "Batmania Rio", Luiz Augusto Ribeiro, Diogo Oliveira e Paulo Chacon, a exposição é apresentada de forma bem estruturada para as disposições do local, a partir de apoio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Em três andares, é possível caminhar através de diferentes épocas em que o maior detetive dos quadrinhos foi levado para as grandes telas e até participar de atividades interativas com a arte sequencial, através de aulas de desenho ministradas durante a parte da manhã ao longo da semana pelo desenhista Victor Julião, como forma de parceria do grupo com o pessoal do curso Impacto Quadrinhos. Enquanto esta oportunidade ocorre na principal sala do primeiro andar, nos demais níveis do prédio, o visitante é convidado a explorar o universo do herói e conhecer mais dos bastidores de suas aventuras cinematográficas.
Contando com réplicas customizadas pelos próprios organizadores de determinados ambientes dos filmes, além de memorabílias, recortes de jornal e outras mídias que comentam sobre as produções em específico, a visita oferece uma grande experiência para pessoas de todas as idades, ainda que o público seja em sua maioria jovens e adultos. Apresentando peças raras e muito do material de promoção das peças em sétima arte do personagem obscuro da DC, é fácil perder a noção do tempo dentro das salas cheias de material.
Dividido pelos diretores responsáveis por cada momento abordado, indo desde o também obscuro Tim Burton ao já mencionado diretor atual, Christopher Nolan, passando pelo eclético Joel Schumacher, a organização dos materiais é digno de nota, e a diversidade de toda a apresentação é extremamente interessante. A todos os entusiastas de Batman e de toda boa forma de quadrinhos, fica a recomendação para conferir a exposição, que funciona das 10 horas da manhã até as 18 horas durante a semana, realizando, ainda, nos finais de semana, exibições dos filmes retratados na exposição, com destaque para "Batman - O Retorno", que completa 20 anos este ano, além de apresentar cenas extras e comentar sobre o contexto em que o filme foi produzido e absorvido pela crítica e público.
Enquanto a procura do público pelo evento é consideravelmente positiva nos dias úteis, o movimento tem dobrado e até triplicado nos sábados e domingos, além de atrair muitas famílias, que também se veem satisfeitas e entretidas por todo o material apresentado. A entrada, vale lembrar, é franca. Quanto ao transporte, o metrô é um dos meios de mais fácil de acesso ao local, que conta ainda com vários ônibus circulando nas duas ruas que margeiam o prédio onde ocorre a exposição.
NOTA ESPECIAL
Como não poderia deixar de ser mencionado, o blog "Quadrinhos Pra Quem Gosta" deseja declarar sua percepção acerca dos recentes acontecimentos nas sessões do mais novo filme do homem-morcego nos Estados Unidos, em especial o caso ocorrido na cidade de Aurora, suburbio de Denver, no estado do Colorado, na madrugada entre os dias 19 e 20 de julho, que deixou 12 mortos, além de dezenas de feridos. Gostaríamos de deixar nossas condolências a todos os afetados por essa tragédia, e declaramos que acompanharemos com atenção o julgamento do responsável por tal ato de tremenda brutalidade, o estudante de medicina americano Jack Eagan Holmes, que aparenta sofrer de alto grau de desequilíbrio mental a ponto de afirmar, após sua captura, que ele era, na realidade, o grande vilão do protagonista do filme, o Coringa.
Dois anos atrás, enquanto interpretava o papel justamente deste personagem, o ator Heath Leadger acabou se suicidando acidentalmente por excesso no uso de medicação para dormir, o que levanta um questionamento válido, aos nossos olhos, sobre o nível de identificação com o personagem a que o público tem se prontificado. Logicamente que como se trata de um personagem ficcional, o grande rival do Batman carrega em si uma carga dramática tão intensa a ponto de lhe serem confusas as diferenças entre o bizarro e o hilário, mas é preciso que o público perceba isso e compreenda a necessidade de estabelecer limites no que tange à influência destas figuras em suas vidas pessoais.
Os quadrinhos são fonte de grande potencial expressivo e comunicativo, porém, tal qual qualquer outro meio de comunicação, acaba se vendo como uma porta para a influência negativa também nos seus leitores. Nada confirma, entretanto, que Holmes estivesse dizendo algo em que acreditava, mas o nível de perturbação a que sua mente parece estar aferida é algo que merece atenção das autoridades e, a fim de prevenir novos incidentes deste porte, é necessário avaliar questões mais profundas, como o tratamento dos mentalmente deficientes e a pronta avaliação destes como tal, além de uma política de controle maior sobre a venda de armas, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país do mundo. Afinal, nenhuma ficção vale o sacrifício a que muitas das famílias das pessoas mortas neste incidente acabaram tendo que fazer. Para estas, fica nossa mais sincera lágrima de consolo e nosso desejo de que Deus os ajude a superarem este momento de suas vidas. Quanto ao público de quadrinhos em geral, além dos próprios envolvidos na criação das histórias publicadas, fica o alerta para a dimensão de identificação e influência que suas obras são capazes de promover. O portal online do jornal "O Globo" destacou dois incidentes envolvendo sessões do filme, que podem ser conferidos aqui e aqui. A produtora do filme já anunciou que doará parte do lucro com o filme para as famílias das vítimas, e o ator que interpreta Bruce Wayne, grande personagem do filme, Christian Bale, visitou essa semana todos os afetados no hospital da cidade afetada. Estes dois casos podem ser conferidos, respectivamente, aqui e aqui. A editora, em função do caso, também pediu aos revendedores das comic shops americanas que adiem a venda das edições deste mês relacionadas ao Batman, como pode ser conferido aqui. Honestamente, é lamentável ver algo de tão grande potencial gerar resultado tão aterrador. Procuremos os meios necessários para que isso não se repita e os quadrinhos possam gerar os bons frutos que merecem e podem facilmente fazer.
Desde segunda-feira, dia 9 de julho, foi iniciada na Caixa Cultural, no centro da cidade do Rio de Janeiro, a exposição "Macanudismo". Organizada em torno da obra do quadrinista argentino Ricardo Liniers Siri, a exposição possui cerca de 600 obras do artista, concentrando-se no seu título "Macanudo", que já teve cinco volumes publicados aqui no Brasil pela editora Zarabatana Books, mas que, na Argentina, está prestes a alcançar a nona edição no final deste mês. A partir do sexto volume, curiosamente, foi que Liniers mudou de editora em seu país natal, passando a ser publicado pela editora Editorial Comum, que hoje é responsável pela produção de todo seu material, sem limitar-se ao principal título do autor.
Liniers
Organizado pela curadora Bebel Abreu, que apresentou o primeiro dia do evento aos que estavam presentes no seu lançamento, o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal recebeu a visita do homenageado ilustre, que permanecerá na cidade até amanhã, quando realizará uma oficina de produção de tirinhas a alguns poucos visitantes, que foram sorteados de forma online hoje à tarde. Liniers esteve autografando seu material e realizando o lançamento do seu último livro publicado, por enquanto, aqui nas terras brasileiras, "Macanudo 5". Com ar simpático e de bastante descontração, o clíma do evento de abertura foi bastante agradável, contando, inclusive, com uma banda formada por dois músicos de Buenos Aires, aos quais o próprio Liniers acompanhou, tocando gaita, em determinado momento. Infelizmente, apenas 100 pessoas puderam conferir o evento inaugural, em virtude da limitação da capacidade da brigada de incêndio do local, por medida de precaução. Neste primeiro dia de evento, também esteve presente um estande de vendas de materiais com obras de Liniers, como cadernos, postais, entre outros, com arte do argentino. Não se sabe, porém, se este estande permanecerá nos demais dias do evento.
Na exposição em si, será possível conferir o material dos cinco primeiros volumes de seu "Macanudo" na versão original, em espanhol, além de observar projetos feitos a partir dos desenhos de Liniers e de vídeos do próprio artista, culminando com a exibição do documentário argentino "Liniers - El Trazo Simple de las Cosas", produzido pela diretora argentina Franca Gonzalez, que acompanhou o quadrinista em suas viagens para o Canadá e dentro do próprio país de origem dos dois. A exibição desta peça, entretanto, será feita de forma paga (R$ 2,00 a inteira e R$ 1,00 a meia-entrada) e limitada, ocorrendo apenas no dia 6 de setembro. Não deixem de marcar no calendário e garantir sua entrada.
Tendo uma ampla margem de funcionamento, a exposição está aberta ao público das 10h da manhã até as 21h da noite, dando vazão aos muitos visitantes interessados e permitindo a quem estiver presente uma boa oportunidade de saborear com calma o trabalho desse grande nome dos quadrinhos mundiais atualmente.
Liniers destacou que não acreditava que fosse organizar um evento dessas proporções no Rio de Janeiro, apesar de já ter estado na cidade para a edição do ano passado da Rio Comicon (sua participação no evento pode ser conferida aqui), mas que estava extremamente feliz por estar presente a ponto de afirmar, em meio a tão bom ambiente, que "estava até inventando coisas para fazer aqui".
Tirinha metalinguística produzida por Liniers
A programação completa do evento pode ser conferida no site designado especificamente para ele, que pode ser acessado aqui, e para tirar qualquer dúvida sobre os detalhes da programação, há a página dos organizadores no twitter, que pode ser conferida aqui. O próprio site oficial da Rio Comicon também deu destaque ao evento, em matéria que pode ser conferida aqui.
A exposição ficará em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 9 de setembro, na Galeria 2 da Caixa Cultural, no segundo andar, tendo várias artes originais dos álbuns de Liniers e de suas obras à aquarela para serem observadas pelos visitantes. Após trazer este evento para o cenário carioca, que primeiramente fora organizado no Centro Cultural da Recoleta, em Buenos Aires, Liniers seguirá no Brasil, para visitar e participar de evento na Caixa Cultural de Recife, no estado de Pernambuco, portanto, vale a pena a todos os que podem conferir, fazê-lo.
Em cerca de sete anos de existência, entre 1998 e 2005, os "Combo Rangers", personagens criados pelo paulista Fábio Yabu, hoje integrante da equipe de redatores dos sites Omelete e Jovem Nerd, que são referências sobre notícias da indústria do entretenimento mundial, obtiveram grande sucesso junto ao público e à crítica, alcançando o título de uma das primeiras grandes obras dos quadrinhos brasileiros cuja origem se deu no universo eletrônico. Composto por um grupo de cinco crianças, escolhidas por um antigo herói brasileiro que perdera grande parte de seus poderes, chamado pelo nome de Poderoso Combo, as histórias em quadrinhos desenvolvidas por Yabu acompanharam o crescimento e amadurescimento de cada um dos personagens, apresentando as nuances que a cultura popular assumia ao longo dos anos, sendo intensamente influenciado pelos mangás e animês de maior sucesso da época.
Cena de uma das primeiras histórias dos "Combo Rangers"
Publicados em três fases, enquanto quadrinho digital, e tendo uma minissérie e duas séries no formato impresso, os Combo Rangers se tornaram um dos grandes símbolos do potencial criativo brasileiro e Fábio Yabu se mostrou um verdadeiro visionário, no que tange ao uso da rede como forma de estímulo à leitura e ao reconhecimento de novos autores fora das mídias tradicionais. Com destaque para a sensibilidade com que Yabu tratou de questões do universo infanto-juvenil, desde o romance aos problemas de relacionamentos entre pais e filhos, os personagens se tornaram fáceis de se identificar. Os membros oficiais da equipe, Fox, Tati, Ken, Kiko, Luke e Lisa, além dos muitos personagens coadjuvantes, como Maya, Dr. Cooper, Fabi, Pum, Garota Arco-Íris, Homem-Reflexo, Pacificador, entre tantos outros, formaram o que ficou conhecido como Yabuverso em consideração ao seu criador, e a cultura ao redor deles se desenvolveu de forma natural, atraindo muitos leitores no desenrolar de suas aventuras. Há um blog, chamado "Comboverso", que é interessante de ser conferido para se conhecer um pouco mais desses personagens. Ele pode ser conferido aqui.
Primeira revista impressa dos
personagens de Yabu, lançada em 2000
Começando ainda na infância, para quem teve oportunidade de ler as séries originais "Combo Rangers" e "Combo Ranger Zero", apresentadas num esquema simples de 2D com alguns efeitos em Adobe Flash para animar alguma imagem específica, é notável perceber como os personagens cresceram, praticamente num ritmo similar ao de seus leitores, se tornando adolescentes em geral desenhados num estilo mangá mas com grande influência do gênero brasileiro em si, gerando um material consideravelmente novo e de grandes atrativos para o olho observador do público. Com o sucesso de sua última saga online, "Combo Rangers Revolution", que terminou de forma inacabada, os personagens alcançaram a possibilidade que muitos dos protagonistas das redes hoje almejam, de serem publicados por uma editora em formato tradicional como os grandes quadrinhos que os influenciaram. A editora JBC acreditou no potencial de Yabu e lançou primeiramente uma minissérie em 3 edições apresentando os personagens de forma mais infanto-juvenil, em 2000. Após um ano, a editora optou por uma série mensal dos personagens no tradicional "formatinho", clássico na publicação de quadrinhos no Brasil, que teve duração de 12 edições e contou com histórias altamente tocantes, como a edição 8, em que Yabu faz um panorama do rumo dos quadrinhos norte-americanos com relação às motivações de seus personagens e o que é, de fato, ser um herói. A editora lançou, em 12 de junho deste ano, um vídeo comentando sua jornada, e os Combo Rangers não poderiam ter ficado de fora, participando, dentre tantas publicações, dos personagens exibidos no vídeo, que pode ser conferido abaixo.
Linha de brinquedos com os protagonistas da série
Em 2003, entretanto, foi a editora Panini que decidiu dar uma nova chance aos heróis brasileiros de Yabu, que tiveram série mensal que durou 10 edições e uma linha de bonecos de borracha dos principais protagonistas, para promover a história. Já focado em uma nova abordagem para seu conteúdo criado meia década antes, Yabu apresentou novas facetas das origens do universo onde as histórias tomavam lugar, e os personagens adquiriram novas nuances que não eram comuns em suas versões anteriores, como questionamento sobre seus propósitos e a responsabilidade pelos seus atos a longo prazo. O título foi cancelado em 2004, contando com a promessa de que o site dos personagens permaneceria em atividade após esse término provisório, porém, em 2005, o portal que tanto entreteu leitores de quadrinhos e que representou tanto para a nova cultura dos produtores de arte sequencial para a internet saiu do ar em 2005 e não demonstra sinais de que possa voltar um dia.
Último livro publicado até o momento de Fábio Yabu, como parte
do universo de suas personagens das "Princesas do Mar"
Yabu passou a se dedicar em seu novo projeto, o livro "Princesas do Mar", que teve grande aceitação do público e rendeu duas continuações, fora um site oficial, que é atualmente hospedado pelo portal Uol e pode ser conferido aqui por quem tiver o interesse. A nova criação de Yabu conta hoje com repercussão global, sendo consumida em países que vão muito além do nosso continente, até a Índia, a Austrália, o Oriente Médio, a Suíça, a Romênia, dentre muitos outros. Com certeza, é consideravelmente inquestionável que esse grande sucesso teve origens muito antes da criação atual do paulista altamente ativo na discussão das histórias em quadrinhos e outras mídias nos portais de entretenimento hoje, no longínquo ano de 1998, quando ele nos presenteou com sua primeira grande criação que nos inspirou, tirou nosso fôlego e nos levou junto em aventuras espetaculares e cativantes.
Por todas essas razões, o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta realizou essa merecida homenagem à grande contribuição de Yabu para o universo dos quadrinhos nacionais e desejamos um reconhecimento cada vez maior para o autor em todas as suas empreitadas. Então, para finalizar a matéria, entoamos o lema que movia a jovem equipe de heróis em prol do amor e do respeito ao ser humano em si, "Tá na hora do Combo!"