terça-feira, 24 de julho de 2012

Batmania no Rio

Por Gabriel Guimarães


Desde o dia 10 de julho, tem sido realizada a exposição "A Sombra do Morcego" no Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, mais conhecido como "Castelinho", em frente à praia do bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Aludindo às várias versões cinematográficas de um dos principais personagens da editora americana DC, o Batman, e culminando no terceiro e último filme da trilogia atual do personagem, sob direção do promissor e já admirado diretor Christopher Nolan, com o ator Christian Bale no papel do milionário playboy que procura justificar a morte de seus pais combatendo o crime da gótica cidade de Gotham City através da figura de vigilante mascarado, que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 27 de julho, o evento tem um acervo impressionante que vale muito a pena ser conferido.

Paulo Chacon à direita e Diogo Oliveira à esquerda de réplica
do traje atual do Batman nos cinemas
Organizado pelo trio que compõe o grupo "Batmania Rio", Luiz Augusto Ribeiro, Diogo Oliveira e Paulo Chacon, a exposição é apresentada de forma bem estruturada para as disposições do local, a partir de apoio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Em três andares, é possível caminhar através de diferentes épocas em que o maior detetive dos quadrinhos foi levado para as grandes telas e até participar de atividades interativas com a arte sequencial, através de aulas de desenho ministradas durante a parte da manhã ao longo da semana pelo desenhista Victor Julião, como forma de parceria do grupo com o pessoal do curso Impacto Quadrinhos. Enquanto esta oportunidade ocorre na principal sala do primeiro andar, nos demais níveis do prédio, o visitante é convidado a explorar o universo do herói e conhecer mais dos bastidores de suas aventuras cinematográficas.


Contando com réplicas customizadas pelos próprios organizadores de determinados ambientes dos filmes, além de memorabílias, recortes de jornal e outras mídias que comentam sobre as produções em específico, a visita oferece uma grande experiência para pessoas de todas as idades, ainda que o público seja em sua maioria jovens e adultos. Apresentando peças raras e muito do material de promoção das peças em sétima arte do personagem obscuro da DC, é fácil perder a noção do tempo dentro das salas cheias de material.

Dividido pelos diretores responsáveis por cada momento abordado, indo desde o também obscuro Tim Burton ao já mencionado diretor atual, Christopher Nolan, passando pelo eclético Joel Schumacher, a organização dos materiais é digno de nota, e a diversidade de toda a apresentação é extremamente interessante. A todos os entusiastas de Batman e de toda boa forma de quadrinhos, fica a recomendação para conferir a exposição, que funciona das 10 horas da manhã até as 18 horas durante a semana, realizando, ainda, nos finais de semana, exibições dos filmes retratados na exposição, com destaque para "Batman - O Retorno", que completa 20 anos este ano, além de apresentar cenas extras e comentar sobre o contexto em que o filme foi produzido e absorvido pela crítica e público.

Enquanto a procura do público pelo evento é consideravelmente positiva nos dias úteis, o movimento tem dobrado e até triplicado nos sábados e domingos, além de atrair muitas famílias, que também se veem satisfeitas e entretidas por todo o material apresentado. A entrada, vale lembrar, é franca. Quanto ao transporte, o metrô é um dos meios de mais fácil de acesso ao local, que conta ainda com vários ônibus circulando nas duas ruas que margeiam o prédio onde ocorre a exposição.

NOTA ESPECIAL


Como não poderia deixar de ser mencionado, o blog "Quadrinhos Pra Quem Gosta" deseja declarar sua percepção acerca dos recentes acontecimentos nas sessões do mais novo filme do homem-morcego nos Estados Unidos, em especial o caso ocorrido na cidade de Aurora, suburbio de Denver, no estado do Colorado, na madrugada entre os dias 19 e 20 de julho, que deixou 12 mortos, além de dezenas de feridos. Gostaríamos de deixar nossas condolências a todos os afetados por essa tragédia, e declaramos que acompanharemos com atenção o julgamento do responsável por tal ato de tremenda brutalidade, o estudante de medicina americano Jack Eagan Holmes, que aparenta sofrer de alto grau de desequilíbrio mental a ponto de afirmar, após sua captura, que ele era, na realidade, o grande vilão do protagonista do filme, o Coringa.

Dois anos atrás, enquanto interpretava o papel justamente deste personagem, o ator Heath Leadger acabou se suicidando acidentalmente por excesso no uso de medicação para dormir, o que levanta um questionamento válido, aos nossos olhos, sobre o nível de identificação com o personagem a que o público tem se prontificado. Logicamente que como se trata de um personagem ficcional, o grande rival do Batman carrega em si uma carga dramática tão intensa a ponto de lhe serem confusas as diferenças entre o bizarro e o hilário, mas é preciso que o público perceba isso e compreenda a necessidade de estabelecer limites no que tange à influência destas figuras em suas vidas pessoais.


Os quadrinhos são fonte de grande potencial expressivo e comunicativo, porém, tal qual qualquer outro meio de comunicação, acaba se vendo como uma porta para a influência negativa também nos seus leitores. Nada confirma, entretanto, que Holmes estivesse dizendo algo em que acreditava, mas o nível de perturbação a que sua mente parece estar aferida é algo que merece atenção das autoridades e, a fim de prevenir novos incidentes deste porte, é necessário avaliar questões mais profundas, como o tratamento dos mentalmente deficientes e a pronta avaliação destes como tal, além de uma política de controle maior sobre a venda de armas, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país do mundo. Afinal, nenhuma ficção vale o sacrifício a que muitas das famílias das pessoas mortas neste incidente acabaram tendo que fazer. Para estas, fica nossa mais sincera lágrima de consolo e nosso desejo de que Deus os ajude a superarem este momento de suas vidas. Quanto ao público de quadrinhos em geral, além dos próprios envolvidos na criação das histórias publicadas, fica o alerta para a dimensão de identificação e influência que suas obras são capazes de promover. O portal online do jornal "O Globo" destacou dois incidentes envolvendo sessões do filme, que podem ser conferidos aqui e aqui. A produtora do filme já anunciou que doará parte do lucro com o filme para as famílias das vítimas, e o ator que interpreta Bruce Wayne, grande personagem do filme, Christian Bale, visitou essa semana todos os afetados no hospital da cidade afetada. Estes dois casos podem ser conferidos, respectivamente, aqui e aqui. A editora, em função do caso, também pediu aos revendedores das comic shops americanas que adiem a venda das edições deste mês relacionadas ao Batman, como pode ser conferido aqui. Honestamente, é lamentável ver algo de tão grande potencial gerar resultado tão aterrador. Procuremos os meios necessários para que isso não se repita e os quadrinhos possam gerar os bons frutos que merecem e podem facilmente fazer.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Macanudismo

Por Gabriel Guimarães


Desde segunda-feira, dia 9 de julho, foi iniciada na Caixa Cultural, no centro da cidade do Rio de Janeiro, a exposição "Macanudismo". Organizada em torno da obra do quadrinista argentino Ricardo Liniers Siri, a exposição possui cerca de 600 obras do artista, concentrando-se no seu título "Macanudo", que já teve cinco volumes publicados aqui no Brasil pela editora Zarabatana Books, mas que, na Argentina, está prestes a alcançar a nona edição no final deste mês. A partir do sexto volume, curiosamente, foi que Liniers mudou de editora em seu país natal, passando a ser publicado pela editora Editorial Comum, que hoje é responsável pela produção de todo seu material, sem limitar-se ao principal título do autor.

Liniers
Organizado pela curadora Bebel Abreu, que apresentou o primeiro dia do evento aos que estavam presentes no seu lançamento, o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal recebeu a visita do homenageado ilustre, que permanecerá na cidade até amanhã, quando realizará uma oficina de produção de tirinhas a alguns poucos visitantes, que foram sorteados de forma online hoje à tarde. Liniers esteve autografando seu material e realizando o lançamento do seu último livro publicado, por enquanto, aqui nas terras brasileiras, "Macanudo 5". Com ar simpático e de bastante descontração, o clíma do evento de abertura foi bastante agradável, contando, inclusive, com uma banda formada por dois músicos de Buenos Aires, aos quais o próprio Liniers acompanhou, tocando gaita, em determinado momento. Infelizmente, apenas 100 pessoas puderam conferir o evento inaugural, em virtude da limitação da capacidade da brigada de incêndio do local, por medida de precaução. Neste primeiro dia de evento, também esteve presente um estande de vendas de materiais com obras de Liniers, como cadernos, postais, entre outros, com arte do argentino. Não se sabe, porém, se este estande permanecerá nos demais dias do evento.

Na exposição em si, será possível conferir o material dos cinco primeiros volumes de seu "Macanudo" na versão original, em espanhol, além de observar projetos feitos a partir dos desenhos de Liniers e de vídeos do próprio artista, culminando com a exibição do documentário argentino "Liniers - El Trazo Simple de las Cosas", produzido pela diretora argentina Franca Gonzalez, que acompanhou o quadrinista em suas viagens para o Canadá e dentro do próprio país de origem dos dois. A exibição desta peça, entretanto, será feita de forma paga (R$ 2,00 a inteira e R$ 1,00 a meia-entrada) e limitada, ocorrendo apenas no dia 6 de setembro. Não deixem de marcar no calendário e garantir sua entrada.

Tendo uma ampla margem de funcionamento, a exposição está aberta ao público das 10h da manhã até as 21h da noite, dando vazão aos muitos visitantes interessados e permitindo a quem estiver presente uma boa oportunidade de saborear com calma o trabalho desse grande nome dos quadrinhos mundiais atualmente.

Liniers destacou que não acreditava que fosse organizar um evento dessas proporções no Rio de Janeiro, apesar de já ter estado na cidade para a edição do ano passado da Rio Comicon (sua participação no evento pode ser conferida aqui), mas que estava extremamente feliz por estar presente a ponto de afirmar, em meio a tão bom ambiente, que "estava até inventando coisas para fazer aqui".

Tirinha metalinguística produzida por Liniers

A programação completa do evento pode ser conferida no site designado especificamente para ele, que pode ser acessado aqui, e para tirar qualquer dúvida sobre os detalhes da programação, há a página dos organizadores no twitter, que pode ser conferida aqui. O próprio site oficial da Rio Comicon também deu destaque ao evento, em matéria que pode ser conferida aqui.

A exposição ficará em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 9 de setembro, na Galeria 2 da Caixa Cultural, no segundo andar, tendo várias artes originais dos álbuns de Liniers e de suas obras à aquarela para serem observadas pelos visitantes. Após trazer este evento para o cenário carioca, que primeiramente fora organizado no Centro Cultural da Recoleta, em Buenos Aires, Liniers seguirá no Brasil, para visitar e participar de evento na Caixa Cultural de Recife, no estado de Pernambuco, portanto, vale a pena a todos os que podem conferir, fazê-lo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Tá na Hora do Combo!

Por Gabriel Guimarães


Em cerca de sete anos de existência, entre 1998 e 2005, os "Combo Rangers", personagens criados pelo paulista Fábio Yabu, hoje integrante da equipe de redatores dos sites Omelete e Jovem Nerd, que são referências sobre notícias da indústria do entretenimento mundial, obtiveram grande sucesso junto ao público e à crítica, alcançando o título de uma das primeiras grandes obras dos quadrinhos brasileiros cuja origem se deu no universo eletrônico. Composto por um grupo de cinco crianças, escolhidas por um antigo herói brasileiro que perdera grande parte de seus poderes, chamado pelo nome de Poderoso Combo, as histórias em quadrinhos desenvolvidas por Yabu acompanharam o crescimento e amadurescimento de cada um dos personagens, apresentando as nuances que a cultura popular assumia ao longo dos anos, sendo intensamente influenciado pelos mangás e animês de maior sucesso da época.

Cena de uma das primeiras histórias dos "Combo Rangers"
Publicados em três fases, enquanto quadrinho digital, e tendo uma minissérie e duas séries no formato impresso, os Combo Rangers se tornaram um dos grandes símbolos do potencial criativo brasileiro e Fábio Yabu se mostrou um verdadeiro visionário, no que tange ao uso da rede como forma de estímulo à leitura e ao reconhecimento de novos autores fora das mídias tradicionais. Com destaque para a sensibilidade com que Yabu tratou de questões do universo infanto-juvenil, desde o romance aos problemas de relacionamentos entre pais e filhos, os personagens se tornaram fáceis de se identificar. Os membros oficiais da equipe, Fox, Tati, Ken, Kiko, Luke e Lisa, além dos muitos personagens coadjuvantes, como Maya, Dr. Cooper, Fabi, Pum, Garota Arco-Íris, Homem-Reflexo, Pacificador, entre tantos outros, formaram o que ficou conhecido como Yabuverso em consideração ao seu criador, e a cultura ao redor deles se desenvolveu de forma natural, atraindo muitos leitores no desenrolar de suas aventuras. Há um blog, chamado "Comboverso", que é interessante de ser conferido para se conhecer um pouco mais desses personagens. Ele pode ser conferido aqui.

Primeira revista impressa dos
personagens de Yabu, lançada em 2000
Começando ainda na infância, para quem teve oportunidade de ler as séries originais "Combo Rangers" e "Combo Ranger Zero", apresentadas num esquema simples de 2D com alguns efeitos em Adobe Flash para animar alguma imagem específica, é notável perceber como os personagens cresceram, praticamente num ritmo similar ao de seus leitores, se tornando adolescentes em geral desenhados num estilo mangá mas com grande influência do gênero brasileiro em si, gerando um material consideravelmente novo e de grandes atrativos para o olho observador do público. Com o sucesso de sua última saga online, "Combo Rangers Revolution", que terminou de forma inacabada, os personagens alcançaram a possibilidade que muitos dos protagonistas das redes hoje almejam, de serem publicados por uma editora em formato tradicional como os grandes quadrinhos que os influenciaram. A editora JBC acreditou no potencial de Yabu e lançou primeiramente uma minissérie em 3 edições apresentando os personagens de forma mais infanto-juvenil, em 2000. Após um ano, a editora optou por uma série mensal dos personagens no tradicional "formatinho", clássico na publicação de quadrinhos no Brasil, que teve duração de 12 edições e contou com histórias altamente tocantes, como a edição 8, em que Yabu faz um panorama do rumo dos quadrinhos norte-americanos com relação às motivações de seus personagens e o que é, de fato, ser um herói. A editora lançou, em 12 de junho deste ano, um vídeo comentando sua jornada, e os Combo Rangers não poderiam ter ficado de fora, participando, dentre tantas publicações, dos personagens exibidos no vídeo, que pode ser conferido abaixo.



Linha de brinquedos com os protagonistas da série
Em 2003, entretanto, foi a editora Panini que decidiu dar uma nova chance aos heróis brasileiros de Yabu, que tiveram série mensal que durou 10 edições e uma linha de bonecos de borracha dos principais protagonistas, para promover a história. Já focado em uma nova abordagem para seu conteúdo criado meia década antes, Yabu apresentou novas facetas das origens do universo onde as histórias tomavam lugar, e os personagens adquiriram novas nuances que não eram comuns em suas versões anteriores, como questionamento sobre seus propósitos e a responsabilidade pelos seus atos a longo prazo. O título foi cancelado em 2004, contando com a promessa de que o site dos personagens permaneceria em atividade após esse término provisório, porém, em 2005, o portal que tanto entreteu leitores de quadrinhos e que representou tanto para a nova cultura dos produtores de arte sequencial para a internet saiu do ar em 2005 e não demonstra sinais de que possa voltar um dia.


Último livro publicado até o momento de Fábio Yabu, como parte
do universo de suas personagens das "Princesas do Mar"
Yabu passou a se dedicar em seu novo projeto, o livro "Princesas do Mar", que teve grande aceitação do público e rendeu duas continuações, fora um site oficial, que é atualmente hospedado pelo portal Uol e pode ser conferido aqui por quem tiver o interesse. A nova criação de Yabu conta hoje com repercussão global, sendo consumida em países que vão muito além do nosso continente, até a Índia, a Austrália, o Oriente Médio, a Suíça, a Romênia, dentre muitos outros. Com certeza, é consideravelmente inquestionável que esse grande sucesso teve origens muito antes da criação atual do paulista altamente ativo na discussão das histórias em quadrinhos e outras mídias nos portais de entretenimento hoje, no longínquo ano de 1998, quando ele nos presenteou com sua primeira grande criação que nos inspirou, tirou nosso fôlego e nos levou junto em aventuras espetaculares e cativantes.

Por todas essas razões, o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta realizou essa merecida homenagem à grande contribuição de Yabu para o universo dos quadrinhos nacionais e desejamos um reconhecimento cada vez maior para o autor em todas as suas empreitadas. Então, para finalizar a matéria, entoamos o lema que movia a jovem equipe de heróis em prol do amor e do respeito ao ser humano em si, "Tá na hora do Combo!"

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Vilão que Virou Voz para a Verdade

Por Gabriel Guimarães


Verdade seja dita: Há exatamente uma semana, uma das grandes obras dos quadrinhos alcançou uma marca importante que deve ser merecidamente destacada aqui no blog. Trinta anos atrás, em meio à intermitente Guerra Fria, que assolava cada nação do planeta, principalmente Estados Unidos e a então União Soviética, e os fantasmas das duas Grandes Guerras, que se pronunciavam sobre o mundo frente à nova abordagem que o jornalismo popular dava para as questões relativas às zonas de combate militar, o roteirista britânico Alan Moore produziu uma de suas obras de maior repercussão dentro e fora da arte sequencial. Com ilustrações que destacavam os contrastes visuais e com um estilo deveras sombrio do também britânico David Lloyd, "V de Vingança" chegou às lojas de quadrinhos primeiro em forma de minissérie dentro da revista inglesa "Warrior" a partir do número 17, para então ser reunida e lançada como graphic novel pela editora norte-americana DC apenas em 1985, atingindo um público altamente abrangente de leitores, principalmente, os mais adultos e os que compreendiam melhor o contexto sócio-econômico apresentado na história.

Imagem do revolucionário extremista Guy Fawkes sendo preso
durante a "Conspiração da Pólvora", em 1605
Voltada para retratar as ações de um dos que poderia ser considerado membro do maior hall de anti-heróis da história da ficção em geral, cujo nome se resume à sua sigla de grande poder na obra, "V", e suas atividades revolucionárias contra um sistema de governo neofascista na Inglaterra da década de 1980, o personagem é influenciado diretamente pelas atividades de outro revolucionário britânico, o real Guy Fawkes, que, em 5 de novembro de 1605, tentou explodir o porão do Parlamento Britâncio, mas foi capturado antes que conseguisse concretizar seus planos. Moore e Lloyd trabalharam a partir da semente das atividades extremistas deste britânico por uma Inglaterra que não fosse comandada pelo rei Jaime I, que limitara o controle da Igreja sobre o Estado, para constituir a personalidade e recriar o cenário em que a "Conspiração da Pólvora" novamente ocorresse (foi durante os acontecimentos desta ação extremista orquestrada pelo grupo de revolucionários do qual Fawkes fazia parte, que ele foi capturado, torturado e, então, morto perante o público britânico em praça pública no dia de 31 de janeiro de 1606), dadas as medidas de adaptação e contextualização para os fins democráticos que os autores do quadrinho pretendiam destacar.

Vivazmente contada em três tomos de profunda imersão psicológica no universo dos personagens, em especial à do protagonista anárquico, à da jovem "Evey", que se vê envolvida por uma cortina de fumaça sobre as ideologias vigentes e a verdadeira noção de justiça e verdade, e do detetive encarregado pelo governo pela investigação do caso, "Edward Finch", a história apresenta temas bastante polêmicos para a época, como a perseguição e concentração em áreas isoladas daqueles considerados cidadãos "anormais" (gays, esquerdistas, intelectuais que representavam ameaça às decisões do Estado, dentre outros) para depois realizarem experimentos e tortura em cada um deles por parte do governo, o que provocou grande choque nos leitores do material e serviu de crítica aberta às atividades nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Capa da edição da revista "Cult"
com referência à história de Moore e Lloyd
Vendo que a humanidade em pouco havia melhorado em termos de estrutura política após tanto sangue derramado em guerras, Moore travou uma batalha contra os regimes que ocorriam em vários pontos do mundo naquela época através das suas palavras escritas e do maior símbolo da história, desenvolvido por Lloyd para representar a personalidade do personagem protagonista criado pelos dois, sua misteriosa e particularmente teatralizada máscara, cujo sorriso maquiavélico hoje é capaz de ser encontrado facilmente em qualquer local do mundo, desde muros da rua até movimentos de revolta contra a totalitariedade da posse sobre os direitos dos arquivos digitais, como é exemplificado na capa da edição 169 da revista brasileira "Cult", que explica um pouco das intenções de grupos de ativistas como o "Anonymous", que assimilou a faceta do protagonista desta história em quadrinhos para usar como sua referência de identificação visual, e sua batalha travada principalmente através da rede.

Virtudes tendo sido postas de lado, a máscara do vigilante de Moore e Lloyd se tornou elemento-chave da cultura pop atual e dos movimentos sociais ao redor do globo. Das páginas da história em quadrinhos, foi feito um filme, em 2006, contando com grandes estrelas do mundo hollywoodiano, como Hugo Weaving e Natalie Portman, esta num de seus papéis de maior destaque e qualidade na sua vasta e reconhecida carreira como atriz. O filme conquistou o público, que ficou admirado pela obra e a repercussão beirou o inimaginável para a época da produção do material original. Mesmo este tendo sido um dos últimos trabalhos feitos por Moore para a editora DC, com quem teve sérias desavenças ao longo da década de 1980 e nos anos sequentes, a história cativa e captura o leitor, prendendo-o numa rede de suspense e drama político de enorme profundidade no cenário das perspectivas reais para a sociedade e seus produtos culturais.

Vigilante ou vilão, "V" marcou seu nome não apenas nas páginas das revistas onde foi publicado ou nas editoras por onde passou antes de chegar às mãos dos ávidos leitores, mas também na história dos quadrinhos como meio de comunicação em si, e no nosso presente e futuro próximo dentro do campo da política social, principalmente no que tange aos interesses de domínio sobre a propriedade intelectual nas redes virtuais. Certamente, não ouvimos ainda as últimas palavras de "V", cuja essência ainda é mordaz e viva, mas é possível imaginá-lo admirando as possibilidades de seu porvir, nas palavras que um dia foram do imperador do Império Romano e general e cônsul romano Caio Júlio César, porém adapatadas para um questionamento pessoal, "Veni, Vidi... Vici?"

terça-feira, 29 de maio de 2012

Para Fazer Vingar

Por Gabriel Guimarães

 
  
Em cartaz nos cinemas brasileiros há pouco mais de um mês, "Os Vingadores", maior produção dos estúdios Marvel para as grandes telas até então, contando com um elenco repleto de grandes estrelas do cinema mundial e a direção de um dos próprios profissionais do meio dos quadrinhos, Joss Whedon, que também é o responsável pelo roteiro da obra, já alcança marcas cada vez mais surpreendentes. Além de ultrapassar no campo nacional a maior bilheteria da história dos cinemas brasileiros, que pertencia ao filme "Tropa de Elite 2", de 2011, o filme que reúne os maiores heróis do universo Marvel já alcançou a soma em torno de 1.305.463.000 doláres ao redor do mundo, tornando-se, no momento o quarto melhor resultado de bilheteria da história do cinema, a poucos milhões de alcançar a terceira posição.

Uma das muitas cenas de luta do filme
A fim de não estragar qualquer surpresa agradável ou não para o leitor, não entrarei em detalhes acerca de momentos do filme em específico, priorizando uma análise mais enfática no papel que o filme representará para a arte da adaptação entre quadrinhos e cinema, que é, diga-se de passagem, de grande importância.

Cena do primeiro filme do "Homem de Ferro",
de 2008, onde começou a ser trabalhada
a marca dos Vingadores

Construído a partir de uma lógica inovadora e composição midiatizada, iniciada no primeiro filme do "Homem de Ferro", de 2008, quando foi posto em questão a possibilidade da organização de um grupo de heróis distintos, chamado apenas de "Projeto Vingadores", numa cena após os créditos finais do filme, todo o contexto no qual o filme de 2012  foi construído começou a se expandir em vários filmes de heróis separados, produzidos pelos estúdios da própria Marvel. Nestes, eram fornecidos pequenos indícios e uma grande riqueza de detalhes para os fãs mais assíduos, acerca do futuro que era reservado para estes heróis, alimentando uma integração baseada na nova cultura da fragmentação midiática. Com o advento da internet, a lógica do mercado para a divulgação de determinado produto sofreu grandes mudanças, conforme destaca o sociólogo americano Phillip M. Napoli. A partir dessas mudanças, o trabalho de composição dos elementos que são consumidos socialmente como bens culturais precisaram passar por uma reformulação quase completa, de forma que seu resultado fosse bem recebido pelo público e este se tornasse parte do repertório cultural comum. A Marvel, não diferente de muitas empresas como a Coca-Cola ou a Nike, percebeu essa necessidade de quebrar barreiras até então existentes no que tangia à abordagem de seus personagens e decidiu por tomar uma atitude através da composição do filme "Os Vingadores".

Tendo utilizado dos filmes "Homem de Ferro" (2008), "O Incrível Hulk" (2009), "Homem de Ferro 2" (2010), "Thor" (2011) e "Capitão América - O Primeiro Vingador" (2011) como ferramentas para construir aos poucos a compreensão do universo destes personagens como um todo, conforme ocorre nos quadrinhos, a Marvel conseguiu atingir uma parcela muito grande de público novo, que ficou instigado não apenas a querer acompanhar o que viria a seguir nas salas de cinema, mas também a conhecer um pouco mais da história desses personagens que originariam a próxima grande obra da editora, que estreou em grande estilo ao redor do mundo inteiro, atraindo o público quase somado de todos os filmes que o antecederam.


Elenco do filme, reunido na última
edição da San Diego Comicon

A Marvel, sabiamente, procurou manter o mais fiel possível a transição dos filmes individuais para o filme que reuniria essas grandes figuras, com a manutenção de quase todo o elenco de atores e atrizes, com a exceção única do ator Edward Norton, que interpretou o papel de Bruce Banner no filme do Golias Esmeralda de 2009, que teve de ser substituído pelo ator Mark Ruffalo, por conta de divergências contratuais, o que não afetou o desenvolvimento do filme. A capacidade do elenco não é questionada em grande parte do filme, contando ainda com grandes surpresas, como a bela performance do ator em ascensão Jeremy Renner como o personagem Gavião Arqueiro. Samuel L. Jackson também consegue manter o nível que apresentou nos demais filmes anteriores e Robert Downey Jr consegue o resultado positivo e agradável de sempre.

Jeremy Renner foi uma das grandes surpresas do filme,
tendo grande destaque e chamando atenção para seu personagem

Cartaz do primeiro filme do "Homem-Aranha",
que abriu toda uma nova era da relação entre
quadrinhos e cinema, em 2002
O tom do filme é outro fator que vale a pena destacar, pois reintroduz nos filmes baseados em quadrinhos a leveza, e demonstra que nem sempre é preciso tornar obscuro o universo e a abordagem de personagens do universo heróico para conseguir uma grande satisfação do público. Agradando tanto os leitores clássicos das revistas quanto os recém-chegados admiradores dos filmes solos, o filme "Os Vingadores" tem um grande papel em uma questão específica, que nem sempre é destacada: ele, tal qual o primeiro filme do "Homem-Aranha" o fez em 2002, abriu a porta para toda uma nova gama de possíveis produções cinematográficas. Com sua proposta inovadora acerca da composição prévia da trama para uma conclusão épica e histórica numa película nova é algo de natureza extremamente visionária ainda, no que tange às adaptações de quadrinhos para os cinemas, apesar de essa lógica já ser uma das grandes tradições do mercado editorial das grandes criadoras de quadrinhos há décadas. O que este novo filme da Marvel trouxe para as telas da sétima arte é algo que já é recorrente no universo da arte sequencial, e que tem tudo para render resultados extremamente satisfatórios. Conforme destaquei, a Marvel já havia, em 2002, quebrado uma barreira na produção de adaptações entre as diferentes mídias com seu herói aracnídeo, ao tornar realmente popular e próximo do espectador o universo no qual as histórias dos super-heróis eram passadas. Diferente da lógica até então expressionista como a do diretor Tim Burton, com sua bizarra Gotham City sem ruas no chão, nos primeiros filmes do "Batman", de 1989 e início dos anos 1990, "Homem-Aranha" trouxe para dentro das casas dos espectadores a ação e emoção do universo dos heróis. Muitos podem alegar que "X-men", produzido pela Fox com os personagens da Marvel dois anos antes, em 2000, já havia feito isso, mas o resultado nem de longe foi o impacto que o aracnídeo proporcionou. Neste ano, que, em breve, teremos uma nova abordagem do grande amigão da vizinhança para assistir no cinema, curiosamente, é outro filme que também desempenha um grande papel transformador para a mídia na qual é novamente representado, exatamente uma década depois da primeira grande mudança nessa relação entre quadrinhos e cinema (a análise das relações entre a nona e a sétima artes na década passada foi realizada no blog antes, e pode ser conferida aqui).

Joss Whedon, roteirista e
diretor de "Os Vingadores"
Em nada a história fica devendo em termos de efeitos especiais, e a divisão entre o tempo de foco em cada um dos personagens, que possuem características suficientes para render filmes excelentes como fizeram até então por conta própria, quanto mais unidos, é simplesmente um dos grandes méritos de Whedon, que até então trabalhava com os roteiros da série de quadrinhos dos "Surpreendentes X-men", em parceria com o desenhista John Cassaday, fase esta publicada aqui no Brasil além das séries tradicionais em 3 volumes especiais pela editora Panini. Whedon, também renomado pela sua personagem "Buffy, a Caça Vampiros" e pelo seu curto seriado "Firefly", contou ainda com a assistência do diretor John Favreau, responsável pelos filmes do cabeça de lata, e conseguiu se consagrar mais uma vez com o público, que tem enfim a oportunidade de assistir uma grande obra produzida por aqueles que liam de verdade os quadrinhos para o público dos leitores de verdade dos quadrinhos, sem, contudo, eliminar as novas gerações de espectadores. 

O filme "Os Vingadores", portanto, desempenha um papel de enorme teor potencial e oferece aos especadores uma grande quantidade de momentos inesquecíveis e particularmente bem trabalhados nas bases dos quadrinhos de onde foram originados. Ainda que não seja uma produção perfeita, seu acabamento oferece aos admiradores dos quadrinhos uma nova dimensão no que concerne a se sentir parte do universo dos tradicionais heróis Marvel. A última edição publicada da revista "Mundo dos Super Heróis" se concentra justamente nessa produção,  e merece uma detalhada conferida. Outra produção que também já vinha sendo realizada pela Marvel, como forma de instigar os espectadores a irem assistir seu grande filme, e que vale a pena observar, é a produção da série de desenho animado "Vingadores - Os Maiores Heróis da Terra", de alto grau de qualidade e que ainda será tema de matéria futura muito em breve aqui no blog.

NOTA GERAL (PELO POTENCIAL DE MÍDIA): 5 ESTRELAS.
NOTA GERAL (PELO FILME EM SI): 3,5 ESTRELAS.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Exposição de Coleções no Rio de Janeiro

Por Gabriel Guimarães



Desde o dia 27 de abril, tem acontecido na Estação Cultural do shopping Barra Square, no Rio de Janeiro, a primeira edição da Expo e Feira de Brinquedos, organizada principalmente pelo colecionador Rogério Barbosa, dono da maioria dos ítens expostos, com a parceria administrativa do empresário Carlos Frederico Godinho, com dezenas de temas e materiais desde a produção de brinquedos da década de 1960 até ítens importados de grande qualidade dos dias atuais. Oferecendo aos jovens uma ferramenta para fortalecer sua imaginação e aos adultos a oportunidade de revivenciar a alegria de seus anos dourados da infância, a exposição tem tudo para agradar a todos os gêneros e idades.

Com áreas divididas para cada respectivo universo de brinquedos, desde os clássicos das coleções de "Playmobil" até as incrivelmente bem trabalhadas naves do Império de "Star Wars", passando pelo universo de "Barbies" temáticas, voltadas majoritatiamente para o público feminino, e de ficção científica, para os cinéfilos de plantão, a exposição apresenta uma sintonia do passado com o presente que toma conta do visitante e o fascina perante a enorme quantidade de materiais exibidos.



Aos interessados em adquirir peças raras ou os mais recentes lançamentos do mercado, como as séries de figuras de ação do "Lanterna Verde", importados da americana "DC Direct", na parte posterior à área de exposição, encontra-se o estande de vendas da Zaction Games, marca que vem estabelecendo presença nos eventos voltados para a nona arte desde a Rio Comicon 2011 (como pode ser lembrado aqui, através do blog). Com peças que vão desde os "Comandos em Ação" até as estatuetas de filmes famosos, certamente, quem puder conferir o material sairá mais que satisfeito.

Para os aficionados pelo jogo de botão, famoso principalmente entre as gerações da década de 1960 a 1980, há também uma pequena área dedicada a este clássico. Apesar de não ter tanta disponibilidade de material do jogo, sempre há a garantia de boas trocas de recordações. Igualmente, o primeiro setor da exposição, composto pelos clássicos carrinhos da "Matchbox", com suas embalagens originais no formato de caixas de fósforo propriamente ditas, oferece uma viagem de volta a tempos mais simples onde a diversão era a única lei que guiava as aventuras de seus usuários.

Coleção de carrinhos "Macthbox" expostos na entrada do evento
Diversos ítens, como a máscara
do protagonista da HQ "V de Vingança"
podem ser encontrados à venda no local
Com tantos ingredientes em torno da época mais tranquila da vida das pessoas como é a infância, o evento ganha muito em termos de qualidade de conteúdo e relevância do assunto. Usado como plataforma de teste para eventos futuros, é possível aguardar que novas exposições como esta se realizem com sucesso ao redor do Rio de Janeiro e de outros estados também. Quem tiver interesse em conferir a Expo, a entrada inteira está saindo a R$5,00, o que é extremamente bem compensado pelo material disponibilizado e pelo nível de conhecimento dos representantes em serviço. Com previsão de permanecer em atividade até o dia 3 de junho, os organizadores do evento também oferecem a chance dos visitantes concorrerem a 20 brinquedos dentre os expostos, os quais eles possuem em duplicata. Quais dentre os muitos expostos são estes que serão sorteados, ninguém sabe informar ao certo, mas independentemente disso, é bastante interessante conferir e participar.

Com apenas algumas questões que serão melhor trabalhadas em edições futuras do evento, como convênios e parcerias para divulgação, a Expo e Feira de Brinquedos merece uma boa e atenta visita do público, que poderá depois repor suas energias na farta praça de alimentação do shopping localizada bem em frente à exposição. Afinal, após uma viagem tão longa e merecida aos tempos áureos, é difícil não precisar reabastecer as energias e o fôlego.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Agradecimento ao Mundo dos Super Heróis

Por Gabriel Guimarães

Edição do mês de abril da revista "Mundo dos Super Heróis"
Sendo publicada desde agosto de 2006 pela editora Europa, a revista "Mundo dos Super Heróis" se tornou rapidamente uma das referências para os admiradores de arte sequencial dentro das bancas de jornal. Originalmente bimestral e produzido a partir do trabalho de um pequeno grupo de profissionais talentosos e com ávido interesse por histórias em quadrinhos, hoje, a revista possui um plantel de colaboradores de grande quantidade, além de ter se tornado um material mensal, em virtude da grande procura por conteúdo dessa natureza e a escassez de material capaz de oferecê-lo.

Há algum tempo atrás, porém, outra mudança aconteceu na revista no que diz respeito à sua temática. Uma vez centrada única e exclusivamente na nona arte, ela passou a explorar o universo da cultura pop como um todo, sem, entretanto, jamais de tratar os quadrinhos como seu principal assunto. Através dessa mudança, que nada mais é que uma necessidade mercadológica natural para viabilizar custos e balançar rendimento dentro das editoras, muitos dos leitores da revista se sentiram traídos, como se a revista perdesse seu tom original para esse público tão dedicado. É um erro considerar que a revista perdeu com essas mudanças estruturais. Muito pelo contrário, ela ganhou todo um universo capaz de ser explorado e intrinsecamente interligado com a vida de cada um dos seus leitores. As capas, outrora obras de arte produzidas especficamente para a publicação por talentos do mercado nacional de quadrinhos, hoje, acabam por ser padronizadas para agilizar o processo de produção da edição, mas isso de forma alguma representa um abandono por parte da dedicação dos envolvidos com a confecção do material. Basta observar as matérias André Morelli, Eduardo Marchiori, Maurício Muniz, Jota Silvestre, e a organização e conhecimentos profundos do editor Manoel de Souza, que a qualidade da revista não tem como ser negada. 
A editora Europa acertou em cheio
ao investir na publicação da revista sobre
o mundo dos quadrinhos e da cultura pop

Premiada duas vezes com o Prêmio HQmix, em 2007 e 2008, como melhor publicação sobre quadrinhos feita dentro do Brasil, e chegando ao mercado digital em dezembro de 2010, a publicação ganhou respeito merecido dos muitos leitores de quadrinhos ao redor do país e se tornou um manual de consulta no que tange ao universo dos quadrinhos de super-heróis, aproveitando, ao mesmo tempo, para, sempre que possível, inserir matérias que destacassem o papel de quadrinistas nacionais que construíram carreira dentro do país e que nem sempre são conhecidos do grande público, como Gedeone Malagola, e produções nacionais, como o "Capitão 7".

Além da revista em si, os responsáveis conseguiram, ainda, apoio junto à editora para a publicação de três livros da história da cultura pop, centrados nos heróis no cinema, nos desenhos animados para a televisão e na participação da figura do mitológico ser "vampiro" nas mais diversas mídias, desde cinema aos quadrinhos, que obtiveram um bom retorno, tanto para os produtores quanto para os leitores. Fáceis de encontrar nas livrarias e eventos em torno da arte sequencial, os três livros apresentam o mesmo nível de empenho das edições da revista, porém, com a devida profundidade e especificidade dos temas característicos de cada um.

Na última edição chegada às bancas, do mês de abril, a revista "Mundo dos Super Heróis", citou nosso blog "Quadrinhos Pra Quem Gosta" na sessão de recomendações do mês. Uma vez que a revista sempre foi uma grande fonte de referência para nossa própria produção e o mérito da qualidade comum aos textos que são publicados em seu interior é indiscutível, gostaríamos de agradecer sinceramente o apoio e a divulgação. Sem dúvida, é através de parceiros assim que conseguimos ir cada vez mais longe, rompendo barreiras que muitas vezes encontramos no caminho, e somos imensamente gratos pela menção. Desejamos todo sucesso para a publicação e todos os envolvidos nela, e que a revista, agora mensal, possa ter cada vez mais procura nos seus pontos de venda tradicionais.

No site da própria editora Europa, é possível observar um modelo de leitura online disponibilizado para os leitores da revista de edições mais antigas, que pode ser conferido no link aqui, bastando clicar em cima da imagem da capa da edição. Também é possível assistir um vídeo do grupo responsável pela revista recebendo o primeiro prêmio HQmix que a publicação ganhou, em 2007, aqui. Não deixem de conferir a já confirmada edição de maio da "Mundo dos Super Heróis", que apresentará uma matéria específica sobre os "Vingadores", da Marvel, em virtude do filme em cartaz nos cinemas.