sexta-feira, 29 de junho de 2012

Tá na Hora do Combo!

Por Gabriel Guimarães


Em cerca de sete anos de existência, entre 1998 e 2005, os "Combo Rangers", personagens criados pelo paulista Fábio Yabu, hoje integrante da equipe de redatores dos sites Omelete e Jovem Nerd, que são referências sobre notícias da indústria do entretenimento mundial, obtiveram grande sucesso junto ao público e à crítica, alcançando o título de uma das primeiras grandes obras dos quadrinhos brasileiros cuja origem se deu no universo eletrônico. Composto por um grupo de cinco crianças, escolhidas por um antigo herói brasileiro que perdera grande parte de seus poderes, chamado pelo nome de Poderoso Combo, as histórias em quadrinhos desenvolvidas por Yabu acompanharam o crescimento e amadurescimento de cada um dos personagens, apresentando as nuances que a cultura popular assumia ao longo dos anos, sendo intensamente influenciado pelos mangás e animês de maior sucesso da época.

Cena de uma das primeiras histórias dos "Combo Rangers"
Publicados em três fases, enquanto quadrinho digital, e tendo uma minissérie e duas séries no formato impresso, os Combo Rangers se tornaram um dos grandes símbolos do potencial criativo brasileiro e Fábio Yabu se mostrou um verdadeiro visionário, no que tange ao uso da rede como forma de estímulo à leitura e ao reconhecimento de novos autores fora das mídias tradicionais. Com destaque para a sensibilidade com que Yabu tratou de questões do universo infanto-juvenil, desde o romance aos problemas de relacionamentos entre pais e filhos, os personagens se tornaram fáceis de se identificar. Os membros oficiais da equipe, Fox, Tati, Ken, Kiko, Luke e Lisa, além dos muitos personagens coadjuvantes, como Maya, Dr. Cooper, Fabi, Pum, Garota Arco-Íris, Homem-Reflexo, Pacificador, entre tantos outros, formaram o que ficou conhecido como Yabuverso em consideração ao seu criador, e a cultura ao redor deles se desenvolveu de forma natural, atraindo muitos leitores no desenrolar de suas aventuras. Há um blog, chamado "Comboverso", que é interessante de ser conferido para se conhecer um pouco mais desses personagens. Ele pode ser conferido aqui.

Primeira revista impressa dos
personagens de Yabu, lançada em 2000
Começando ainda na infância, para quem teve oportunidade de ler as séries originais "Combo Rangers" e "Combo Ranger Zero", apresentadas num esquema simples de 2D com alguns efeitos em Adobe Flash para animar alguma imagem específica, é notável perceber como os personagens cresceram, praticamente num ritmo similar ao de seus leitores, se tornando adolescentes em geral desenhados num estilo mangá mas com grande influência do gênero brasileiro em si, gerando um material consideravelmente novo e de grandes atrativos para o olho observador do público. Com o sucesso de sua última saga online, "Combo Rangers Revolution", que terminou de forma inacabada, os personagens alcançaram a possibilidade que muitos dos protagonistas das redes hoje almejam, de serem publicados por uma editora em formato tradicional como os grandes quadrinhos que os influenciaram. A editora JBC acreditou no potencial de Yabu e lançou primeiramente uma minissérie em 3 edições apresentando os personagens de forma mais infanto-juvenil, em 2000. Após um ano, a editora optou por uma série mensal dos personagens no tradicional "formatinho", clássico na publicação de quadrinhos no Brasil, que teve duração de 12 edições e contou com histórias altamente tocantes, como a edição 8, em que Yabu faz um panorama do rumo dos quadrinhos norte-americanos com relação às motivações de seus personagens e o que é, de fato, ser um herói. A editora lançou, em 12 de junho deste ano, um vídeo comentando sua jornada, e os Combo Rangers não poderiam ter ficado de fora, participando, dentre tantas publicações, dos personagens exibidos no vídeo, que pode ser conferido abaixo.



Linha de brinquedos com os protagonistas da série
Em 2003, entretanto, foi a editora Panini que decidiu dar uma nova chance aos heróis brasileiros de Yabu, que tiveram série mensal que durou 10 edições e uma linha de bonecos de borracha dos principais protagonistas, para promover a história. Já focado em uma nova abordagem para seu conteúdo criado meia década antes, Yabu apresentou novas facetas das origens do universo onde as histórias tomavam lugar, e os personagens adquiriram novas nuances que não eram comuns em suas versões anteriores, como questionamento sobre seus propósitos e a responsabilidade pelos seus atos a longo prazo. O título foi cancelado em 2004, contando com a promessa de que o site dos personagens permaneceria em atividade após esse término provisório, porém, em 2005, o portal que tanto entreteu leitores de quadrinhos e que representou tanto para a nova cultura dos produtores de arte sequencial para a internet saiu do ar em 2005 e não demonstra sinais de que possa voltar um dia.


Último livro publicado até o momento de Fábio Yabu, como parte
do universo de suas personagens das "Princesas do Mar"
Yabu passou a se dedicar em seu novo projeto, o livro "Princesas do Mar", que teve grande aceitação do público e rendeu duas continuações, fora um site oficial, que é atualmente hospedado pelo portal Uol e pode ser conferido aqui por quem tiver o interesse. A nova criação de Yabu conta hoje com repercussão global, sendo consumida em países que vão muito além do nosso continente, até a Índia, a Austrália, o Oriente Médio, a Suíça, a Romênia, dentre muitos outros. Com certeza, é consideravelmente inquestionável que esse grande sucesso teve origens muito antes da criação atual do paulista altamente ativo na discussão das histórias em quadrinhos e outras mídias nos portais de entretenimento hoje, no longínquo ano de 1998, quando ele nos presenteou com sua primeira grande criação que nos inspirou, tirou nosso fôlego e nos levou junto em aventuras espetaculares e cativantes.

Por todas essas razões, o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta realizou essa merecida homenagem à grande contribuição de Yabu para o universo dos quadrinhos nacionais e desejamos um reconhecimento cada vez maior para o autor em todas as suas empreitadas. Então, para finalizar a matéria, entoamos o lema que movia a jovem equipe de heróis em prol do amor e do respeito ao ser humano em si, "Tá na hora do Combo!"

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Vilão que Virou Voz para a Verdade

Por Gabriel Guimarães


Verdade seja dita: Há exatamente uma semana, uma das grandes obras dos quadrinhos alcançou uma marca importante que deve ser merecidamente destacada aqui no blog. Trinta anos atrás, em meio à intermitente Guerra Fria, que assolava cada nação do planeta, principalmente Estados Unidos e a então União Soviética, e os fantasmas das duas Grandes Guerras, que se pronunciavam sobre o mundo frente à nova abordagem que o jornalismo popular dava para as questões relativas às zonas de combate militar, o roteirista britânico Alan Moore produziu uma de suas obras de maior repercussão dentro e fora da arte sequencial. Com ilustrações que destacavam os contrastes visuais e com um estilo deveras sombrio do também britânico David Lloyd, "V de Vingança" chegou às lojas de quadrinhos primeiro em forma de minissérie dentro da revista inglesa "Warrior" a partir do número 17, para então ser reunida e lançada como graphic novel pela editora norte-americana DC apenas em 1985, atingindo um público altamente abrangente de leitores, principalmente, os mais adultos e os que compreendiam melhor o contexto sócio-econômico apresentado na história.

Imagem do revolucionário extremista Guy Fawkes sendo preso
durante a "Conspiração da Pólvora", em 1605
Voltada para retratar as ações de um dos que poderia ser considerado membro do maior hall de anti-heróis da história da ficção em geral, cujo nome se resume à sua sigla de grande poder na obra, "V", e suas atividades revolucionárias contra um sistema de governo neofascista na Inglaterra da década de 1980, o personagem é influenciado diretamente pelas atividades de outro revolucionário britânico, o real Guy Fawkes, que, em 5 de novembro de 1605, tentou explodir o porão do Parlamento Britâncio, mas foi capturado antes que conseguisse concretizar seus planos. Moore e Lloyd trabalharam a partir da semente das atividades extremistas deste britânico por uma Inglaterra que não fosse comandada pelo rei Jaime I, que limitara o controle da Igreja sobre o Estado, para constituir a personalidade e recriar o cenário em que a "Conspiração da Pólvora" novamente ocorresse (foi durante os acontecimentos desta ação extremista orquestrada pelo grupo de revolucionários do qual Fawkes fazia parte, que ele foi capturado, torturado e, então, morto perante o público britânico em praça pública no dia de 31 de janeiro de 1606), dadas as medidas de adaptação e contextualização para os fins democráticos que os autores do quadrinho pretendiam destacar.

Vivazmente contada em três tomos de profunda imersão psicológica no universo dos personagens, em especial à do protagonista anárquico, à da jovem "Evey", que se vê envolvida por uma cortina de fumaça sobre as ideologias vigentes e a verdadeira noção de justiça e verdade, e do detetive encarregado pelo governo pela investigação do caso, "Edward Finch", a história apresenta temas bastante polêmicos para a época, como a perseguição e concentração em áreas isoladas daqueles considerados cidadãos "anormais" (gays, esquerdistas, intelectuais que representavam ameaça às decisões do Estado, dentre outros) para depois realizarem experimentos e tortura em cada um deles por parte do governo, o que provocou grande choque nos leitores do material e serviu de crítica aberta às atividades nos campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Capa da edição da revista "Cult"
com referência à história de Moore e Lloyd
Vendo que a humanidade em pouco havia melhorado em termos de estrutura política após tanto sangue derramado em guerras, Moore travou uma batalha contra os regimes que ocorriam em vários pontos do mundo naquela época através das suas palavras escritas e do maior símbolo da história, desenvolvido por Lloyd para representar a personalidade do personagem protagonista criado pelos dois, sua misteriosa e particularmente teatralizada máscara, cujo sorriso maquiavélico hoje é capaz de ser encontrado facilmente em qualquer local do mundo, desde muros da rua até movimentos de revolta contra a totalitariedade da posse sobre os direitos dos arquivos digitais, como é exemplificado na capa da edição 169 da revista brasileira "Cult", que explica um pouco das intenções de grupos de ativistas como o "Anonymous", que assimilou a faceta do protagonista desta história em quadrinhos para usar como sua referência de identificação visual, e sua batalha travada principalmente através da rede.

Virtudes tendo sido postas de lado, a máscara do vigilante de Moore e Lloyd se tornou elemento-chave da cultura pop atual e dos movimentos sociais ao redor do globo. Das páginas da história em quadrinhos, foi feito um filme, em 2006, contando com grandes estrelas do mundo hollywoodiano, como Hugo Weaving e Natalie Portman, esta num de seus papéis de maior destaque e qualidade na sua vasta e reconhecida carreira como atriz. O filme conquistou o público, que ficou admirado pela obra e a repercussão beirou o inimaginável para a época da produção do material original. Mesmo este tendo sido um dos últimos trabalhos feitos por Moore para a editora DC, com quem teve sérias desavenças ao longo da década de 1980 e nos anos sequentes, a história cativa e captura o leitor, prendendo-o numa rede de suspense e drama político de enorme profundidade no cenário das perspectivas reais para a sociedade e seus produtos culturais.

Vigilante ou vilão, "V" marcou seu nome não apenas nas páginas das revistas onde foi publicado ou nas editoras por onde passou antes de chegar às mãos dos ávidos leitores, mas também na história dos quadrinhos como meio de comunicação em si, e no nosso presente e futuro próximo dentro do campo da política social, principalmente no que tange aos interesses de domínio sobre a propriedade intelectual nas redes virtuais. Certamente, não ouvimos ainda as últimas palavras de "V", cuja essência ainda é mordaz e viva, mas é possível imaginá-lo admirando as possibilidades de seu porvir, nas palavras que um dia foram do imperador do Império Romano e general e cônsul romano Caio Júlio César, porém adapatadas para um questionamento pessoal, "Veni, Vidi... Vici?"

terça-feira, 29 de maio de 2012

Para Fazer Vingar

Por Gabriel Guimarães

 
  
Em cartaz nos cinemas brasileiros há pouco mais de um mês, "Os Vingadores", maior produção dos estúdios Marvel para as grandes telas até então, contando com um elenco repleto de grandes estrelas do cinema mundial e a direção de um dos próprios profissionais do meio dos quadrinhos, Joss Whedon, que também é o responsável pelo roteiro da obra, já alcança marcas cada vez mais surpreendentes. Além de ultrapassar no campo nacional a maior bilheteria da história dos cinemas brasileiros, que pertencia ao filme "Tropa de Elite 2", de 2011, o filme que reúne os maiores heróis do universo Marvel já alcançou a soma em torno de 1.305.463.000 doláres ao redor do mundo, tornando-se, no momento o quarto melhor resultado de bilheteria da história do cinema, a poucos milhões de alcançar a terceira posição.

Uma das muitas cenas de luta do filme
A fim de não estragar qualquer surpresa agradável ou não para o leitor, não entrarei em detalhes acerca de momentos do filme em específico, priorizando uma análise mais enfática no papel que o filme representará para a arte da adaptação entre quadrinhos e cinema, que é, diga-se de passagem, de grande importância.

Cena do primeiro filme do "Homem de Ferro",
de 2008, onde começou a ser trabalhada
a marca dos Vingadores

Construído a partir de uma lógica inovadora e composição midiatizada, iniciada no primeiro filme do "Homem de Ferro", de 2008, quando foi posto em questão a possibilidade da organização de um grupo de heróis distintos, chamado apenas de "Projeto Vingadores", numa cena após os créditos finais do filme, todo o contexto no qual o filme de 2012  foi construído começou a se expandir em vários filmes de heróis separados, produzidos pelos estúdios da própria Marvel. Nestes, eram fornecidos pequenos indícios e uma grande riqueza de detalhes para os fãs mais assíduos, acerca do futuro que era reservado para estes heróis, alimentando uma integração baseada na nova cultura da fragmentação midiática. Com o advento da internet, a lógica do mercado para a divulgação de determinado produto sofreu grandes mudanças, conforme destaca o sociólogo americano Phillip M. Napoli. A partir dessas mudanças, o trabalho de composição dos elementos que são consumidos socialmente como bens culturais precisaram passar por uma reformulação quase completa, de forma que seu resultado fosse bem recebido pelo público e este se tornasse parte do repertório cultural comum. A Marvel, não diferente de muitas empresas como a Coca-Cola ou a Nike, percebeu essa necessidade de quebrar barreiras até então existentes no que tangia à abordagem de seus personagens e decidiu por tomar uma atitude através da composição do filme "Os Vingadores".

Tendo utilizado dos filmes "Homem de Ferro" (2008), "O Incrível Hulk" (2009), "Homem de Ferro 2" (2010), "Thor" (2011) e "Capitão América - O Primeiro Vingador" (2011) como ferramentas para construir aos poucos a compreensão do universo destes personagens como um todo, conforme ocorre nos quadrinhos, a Marvel conseguiu atingir uma parcela muito grande de público novo, que ficou instigado não apenas a querer acompanhar o que viria a seguir nas salas de cinema, mas também a conhecer um pouco mais da história desses personagens que originariam a próxima grande obra da editora, que estreou em grande estilo ao redor do mundo inteiro, atraindo o público quase somado de todos os filmes que o antecederam.


Elenco do filme, reunido na última
edição da San Diego Comicon

A Marvel, sabiamente, procurou manter o mais fiel possível a transição dos filmes individuais para o filme que reuniria essas grandes figuras, com a manutenção de quase todo o elenco de atores e atrizes, com a exceção única do ator Edward Norton, que interpretou o papel de Bruce Banner no filme do Golias Esmeralda de 2009, que teve de ser substituído pelo ator Mark Ruffalo, por conta de divergências contratuais, o que não afetou o desenvolvimento do filme. A capacidade do elenco não é questionada em grande parte do filme, contando ainda com grandes surpresas, como a bela performance do ator em ascensão Jeremy Renner como o personagem Gavião Arqueiro. Samuel L. Jackson também consegue manter o nível que apresentou nos demais filmes anteriores e Robert Downey Jr consegue o resultado positivo e agradável de sempre.

Jeremy Renner foi uma das grandes surpresas do filme,
tendo grande destaque e chamando atenção para seu personagem

Cartaz do primeiro filme do "Homem-Aranha",
que abriu toda uma nova era da relação entre
quadrinhos e cinema, em 2002
O tom do filme é outro fator que vale a pena destacar, pois reintroduz nos filmes baseados em quadrinhos a leveza, e demonstra que nem sempre é preciso tornar obscuro o universo e a abordagem de personagens do universo heróico para conseguir uma grande satisfação do público. Agradando tanto os leitores clássicos das revistas quanto os recém-chegados admiradores dos filmes solos, o filme "Os Vingadores" tem um grande papel em uma questão específica, que nem sempre é destacada: ele, tal qual o primeiro filme do "Homem-Aranha" o fez em 2002, abriu a porta para toda uma nova gama de possíveis produções cinematográficas. Com sua proposta inovadora acerca da composição prévia da trama para uma conclusão épica e histórica numa película nova é algo de natureza extremamente visionária ainda, no que tange às adaptações de quadrinhos para os cinemas, apesar de essa lógica já ser uma das grandes tradições do mercado editorial das grandes criadoras de quadrinhos há décadas. O que este novo filme da Marvel trouxe para as telas da sétima arte é algo que já é recorrente no universo da arte sequencial, e que tem tudo para render resultados extremamente satisfatórios. Conforme destaquei, a Marvel já havia, em 2002, quebrado uma barreira na produção de adaptações entre as diferentes mídias com seu herói aracnídeo, ao tornar realmente popular e próximo do espectador o universo no qual as histórias dos super-heróis eram passadas. Diferente da lógica até então expressionista como a do diretor Tim Burton, com sua bizarra Gotham City sem ruas no chão, nos primeiros filmes do "Batman", de 1989 e início dos anos 1990, "Homem-Aranha" trouxe para dentro das casas dos espectadores a ação e emoção do universo dos heróis. Muitos podem alegar que "X-men", produzido pela Fox com os personagens da Marvel dois anos antes, em 2000, já havia feito isso, mas o resultado nem de longe foi o impacto que o aracnídeo proporcionou. Neste ano, que, em breve, teremos uma nova abordagem do grande amigão da vizinhança para assistir no cinema, curiosamente, é outro filme que também desempenha um grande papel transformador para a mídia na qual é novamente representado, exatamente uma década depois da primeira grande mudança nessa relação entre quadrinhos e cinema (a análise das relações entre a nona e a sétima artes na década passada foi realizada no blog antes, e pode ser conferida aqui).

Joss Whedon, roteirista e
diretor de "Os Vingadores"
Em nada a história fica devendo em termos de efeitos especiais, e a divisão entre o tempo de foco em cada um dos personagens, que possuem características suficientes para render filmes excelentes como fizeram até então por conta própria, quanto mais unidos, é simplesmente um dos grandes méritos de Whedon, que até então trabalhava com os roteiros da série de quadrinhos dos "Surpreendentes X-men", em parceria com o desenhista John Cassaday, fase esta publicada aqui no Brasil além das séries tradicionais em 3 volumes especiais pela editora Panini. Whedon, também renomado pela sua personagem "Buffy, a Caça Vampiros" e pelo seu curto seriado "Firefly", contou ainda com a assistência do diretor John Favreau, responsável pelos filmes do cabeça de lata, e conseguiu se consagrar mais uma vez com o público, que tem enfim a oportunidade de assistir uma grande obra produzida por aqueles que liam de verdade os quadrinhos para o público dos leitores de verdade dos quadrinhos, sem, contudo, eliminar as novas gerações de espectadores. 

O filme "Os Vingadores", portanto, desempenha um papel de enorme teor potencial e oferece aos especadores uma grande quantidade de momentos inesquecíveis e particularmente bem trabalhados nas bases dos quadrinhos de onde foram originados. Ainda que não seja uma produção perfeita, seu acabamento oferece aos admiradores dos quadrinhos uma nova dimensão no que concerne a se sentir parte do universo dos tradicionais heróis Marvel. A última edição publicada da revista "Mundo dos Super Heróis" se concentra justamente nessa produção,  e merece uma detalhada conferida. Outra produção que também já vinha sendo realizada pela Marvel, como forma de instigar os espectadores a irem assistir seu grande filme, e que vale a pena observar, é a produção da série de desenho animado "Vingadores - Os Maiores Heróis da Terra", de alto grau de qualidade e que ainda será tema de matéria futura muito em breve aqui no blog.

NOTA GERAL (PELO POTENCIAL DE MÍDIA): 5 ESTRELAS.
NOTA GERAL (PELO FILME EM SI): 3,5 ESTRELAS.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Exposição de Coleções no Rio de Janeiro

Por Gabriel Guimarães



Desde o dia 27 de abril, tem acontecido na Estação Cultural do shopping Barra Square, no Rio de Janeiro, a primeira edição da Expo e Feira de Brinquedos, organizada principalmente pelo colecionador Rogério Barbosa, dono da maioria dos ítens expostos, com a parceria administrativa do empresário Carlos Frederico Godinho, com dezenas de temas e materiais desde a produção de brinquedos da década de 1960 até ítens importados de grande qualidade dos dias atuais. Oferecendo aos jovens uma ferramenta para fortalecer sua imaginação e aos adultos a oportunidade de revivenciar a alegria de seus anos dourados da infância, a exposição tem tudo para agradar a todos os gêneros e idades.

Com áreas divididas para cada respectivo universo de brinquedos, desde os clássicos das coleções de "Playmobil" até as incrivelmente bem trabalhadas naves do Império de "Star Wars", passando pelo universo de "Barbies" temáticas, voltadas majoritatiamente para o público feminino, e de ficção científica, para os cinéfilos de plantão, a exposição apresenta uma sintonia do passado com o presente que toma conta do visitante e o fascina perante a enorme quantidade de materiais exibidos.



Aos interessados em adquirir peças raras ou os mais recentes lançamentos do mercado, como as séries de figuras de ação do "Lanterna Verde", importados da americana "DC Direct", na parte posterior à área de exposição, encontra-se o estande de vendas da Zaction Games, marca que vem estabelecendo presença nos eventos voltados para a nona arte desde a Rio Comicon 2011 (como pode ser lembrado aqui, através do blog). Com peças que vão desde os "Comandos em Ação" até as estatuetas de filmes famosos, certamente, quem puder conferir o material sairá mais que satisfeito.

Para os aficionados pelo jogo de botão, famoso principalmente entre as gerações da década de 1960 a 1980, há também uma pequena área dedicada a este clássico. Apesar de não ter tanta disponibilidade de material do jogo, sempre há a garantia de boas trocas de recordações. Igualmente, o primeiro setor da exposição, composto pelos clássicos carrinhos da "Matchbox", com suas embalagens originais no formato de caixas de fósforo propriamente ditas, oferece uma viagem de volta a tempos mais simples onde a diversão era a única lei que guiava as aventuras de seus usuários.

Coleção de carrinhos "Macthbox" expostos na entrada do evento
Diversos ítens, como a máscara
do protagonista da HQ "V de Vingança"
podem ser encontrados à venda no local
Com tantos ingredientes em torno da época mais tranquila da vida das pessoas como é a infância, o evento ganha muito em termos de qualidade de conteúdo e relevância do assunto. Usado como plataforma de teste para eventos futuros, é possível aguardar que novas exposições como esta se realizem com sucesso ao redor do Rio de Janeiro e de outros estados também. Quem tiver interesse em conferir a Expo, a entrada inteira está saindo a R$5,00, o que é extremamente bem compensado pelo material disponibilizado e pelo nível de conhecimento dos representantes em serviço. Com previsão de permanecer em atividade até o dia 3 de junho, os organizadores do evento também oferecem a chance dos visitantes concorrerem a 20 brinquedos dentre os expostos, os quais eles possuem em duplicata. Quais dentre os muitos expostos são estes que serão sorteados, ninguém sabe informar ao certo, mas independentemente disso, é bastante interessante conferir e participar.

Com apenas algumas questões que serão melhor trabalhadas em edições futuras do evento, como convênios e parcerias para divulgação, a Expo e Feira de Brinquedos merece uma boa e atenta visita do público, que poderá depois repor suas energias na farta praça de alimentação do shopping localizada bem em frente à exposição. Afinal, após uma viagem tão longa e merecida aos tempos áureos, é difícil não precisar reabastecer as energias e o fôlego.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Agradecimento ao Mundo dos Super Heróis

Por Gabriel Guimarães

Edição do mês de abril da revista "Mundo dos Super Heróis"
Sendo publicada desde agosto de 2006 pela editora Europa, a revista "Mundo dos Super Heróis" se tornou rapidamente uma das referências para os admiradores de arte sequencial dentro das bancas de jornal. Originalmente bimestral e produzido a partir do trabalho de um pequeno grupo de profissionais talentosos e com ávido interesse por histórias em quadrinhos, hoje, a revista possui um plantel de colaboradores de grande quantidade, além de ter se tornado um material mensal, em virtude da grande procura por conteúdo dessa natureza e a escassez de material capaz de oferecê-lo.

Há algum tempo atrás, porém, outra mudança aconteceu na revista no que diz respeito à sua temática. Uma vez centrada única e exclusivamente na nona arte, ela passou a explorar o universo da cultura pop como um todo, sem, entretanto, jamais de tratar os quadrinhos como seu principal assunto. Através dessa mudança, que nada mais é que uma necessidade mercadológica natural para viabilizar custos e balançar rendimento dentro das editoras, muitos dos leitores da revista se sentiram traídos, como se a revista perdesse seu tom original para esse público tão dedicado. É um erro considerar que a revista perdeu com essas mudanças estruturais. Muito pelo contrário, ela ganhou todo um universo capaz de ser explorado e intrinsecamente interligado com a vida de cada um dos seus leitores. As capas, outrora obras de arte produzidas especficamente para a publicação por talentos do mercado nacional de quadrinhos, hoje, acabam por ser padronizadas para agilizar o processo de produção da edição, mas isso de forma alguma representa um abandono por parte da dedicação dos envolvidos com a confecção do material. Basta observar as matérias André Morelli, Eduardo Marchiori, Maurício Muniz, Jota Silvestre, e a organização e conhecimentos profundos do editor Manoel de Souza, que a qualidade da revista não tem como ser negada. 
A editora Europa acertou em cheio
ao investir na publicação da revista sobre
o mundo dos quadrinhos e da cultura pop

Premiada duas vezes com o Prêmio HQmix, em 2007 e 2008, como melhor publicação sobre quadrinhos feita dentro do Brasil, e chegando ao mercado digital em dezembro de 2010, a publicação ganhou respeito merecido dos muitos leitores de quadrinhos ao redor do país e se tornou um manual de consulta no que tange ao universo dos quadrinhos de super-heróis, aproveitando, ao mesmo tempo, para, sempre que possível, inserir matérias que destacassem o papel de quadrinistas nacionais que construíram carreira dentro do país e que nem sempre são conhecidos do grande público, como Gedeone Malagola, e produções nacionais, como o "Capitão 7".

Além da revista em si, os responsáveis conseguiram, ainda, apoio junto à editora para a publicação de três livros da história da cultura pop, centrados nos heróis no cinema, nos desenhos animados para a televisão e na participação da figura do mitológico ser "vampiro" nas mais diversas mídias, desde cinema aos quadrinhos, que obtiveram um bom retorno, tanto para os produtores quanto para os leitores. Fáceis de encontrar nas livrarias e eventos em torno da arte sequencial, os três livros apresentam o mesmo nível de empenho das edições da revista, porém, com a devida profundidade e especificidade dos temas característicos de cada um.

Na última edição chegada às bancas, do mês de abril, a revista "Mundo dos Super Heróis", citou nosso blog "Quadrinhos Pra Quem Gosta" na sessão de recomendações do mês. Uma vez que a revista sempre foi uma grande fonte de referência para nossa própria produção e o mérito da qualidade comum aos textos que são publicados em seu interior é indiscutível, gostaríamos de agradecer sinceramente o apoio e a divulgação. Sem dúvida, é através de parceiros assim que conseguimos ir cada vez mais longe, rompendo barreiras que muitas vezes encontramos no caminho, e somos imensamente gratos pela menção. Desejamos todo sucesso para a publicação e todos os envolvidos nela, e que a revista, agora mensal, possa ter cada vez mais procura nos seus pontos de venda tradicionais.

No site da própria editora Europa, é possível observar um modelo de leitura online disponibilizado para os leitores da revista de edições mais antigas, que pode ser conferido no link aqui, bastando clicar em cima da imagem da capa da edição. Também é possível assistir um vídeo do grupo responsável pela revista recebendo o primeiro prêmio HQmix que a publicação ganhou, em 2007, aqui. Não deixem de conferir a já confirmada edição de maio da "Mundo dos Super Heróis", que apresentará uma matéria específica sobre os "Vingadores", da Marvel, em virtude do filme em cartaz nos cinemas.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Piratas do Rio Pequeno

Por Gabriel Guimarães

Os personagem mais conhecidos de Laerte, "Piratas do Tietê", acabam
por retratar de forma irônica a atual situação do autor, que merece atenção do público

Para se conhecer o trabalho do cartunista Laerte Coutinho não é preciso pesquisar tão a fundo. Presente em livros escolares, tiragens diárias de diversos jornais ao redor do Brasil e em livros dedicados unicamente a seu trabalho, o autor, já bastante conhecido pela sua produção desde a década de 1970, com personagens como "Overman" e "Piratas do Tietê" e histórias como "Strip Tiras", recentemente voltou a chamar grande atenção da mídia por outra razão: mesmo sem haver um interesse na homossexualidade, Laerte passou a se vestir unicamente como mulher há alguns anos e se tornou uma das grandes caricaturas ambulantes do universo em que suas próprias histórias tomam lugar. Falar da história de vida profissional dele iria muito além dos vestidos, brincos ou mesmo nanquim e papéis gastos em seus trabalhos. Seu papel para o crescimento da arte sequencial no país é imprecindível, e vale ser lembrado mediante a luz de acontecimentos recentes.

Larte Coutinho no seu visual dos anos 1980
Fundador junto com o outro quadrinista Luiz Gê, também em atividade nos dias de hoje, da revista "Balão", enquanto ainda estudava na Escola de Belas Artes, Laerte contribuía com diversas publicações voltadas para o mercado nacional de quadrinhos, e suas histórias rapidamente refletiram o tom político no qual o Brasil estava sob efeito: o da ditadura militar. Produzindo material em apoio aos presos políticos e participando ativamente dos periódicos do sindicato dos metalúrgicos, como forma de dar algum apoio às causas mais populares, foi apenas na década de 1980 que a carreira de Laerte deslanchou. Através de parcerias com outros grandes nomes do quadrinho brasileiro fortemente influenciado pelo estilo underground norte-americano, como Angeli e Glauco, Laerte publicou material em publicações que tiveram grande retorno do público, o que permitiu, em 1985, que ele lançasse seu primeiro livro solo, "O Tamanho da Coisa", que era composto por uma coletânea de suas tiras.

Anos depois, em 1991, começou a apresentar de forma sequenciada no jornal "Folha de São Paulo" sua tira mais famosa, "Piratas do Tietê", após oito anos sendo publicadas em fontes das mais diversificadas, em geral pela editora Circo, o que o catapultou aos holofotes como um dos grandes cartunistas do país. Laerte se tornou um dos sinônimos do humor nos quadrinhos do país e até hoje é considerado um dos grandes mestres do gênero na mais que centenária história do meio.

Laerte com seu visual mais recente, que tem sido referência
nos atuais eventos envolvendo a nona arte ao redor do Brasil
À luz de toda essa grande história de vida profissional, é com grande choque que hoje chega a informação que, durante a madrugada do dia 1º de maio, no bairro paulistano de Rio Pequeno, onde se encontra a casa de Laerte, ocorreu uma invasão por assaltantes que levaram dois computadores e um disco rígido externo contendo nada menos que cerca de 12 anos do trabalho deste grande quadrinista, além de dois violões, um microondas, um aparelho de DVD e dois botijões de gás. É uma grande lástima ver um país que vive um momento de grande ascensão do interesse pela nona arte sofrer baques de notícias como essa, e a mobilização nas redes sociais pelo retorno desse trabalho tem sido bastante considerável, o que demonstra uma maior preocupação com a preservação dos objetos de valor cultural para o mercado de quadrinhos brasileiro e para a própria história política do país. O autor, entretanto, quando questionado acerca do roubo, demonstrou que considera os esforços do público louváveis, mas de resultado bastante difícil, porém, aproveitou para denunciar, como sempre foi sua marca fazê-lo, outras atividades de interesse social que muitas vezes não chegam ao olhar da mídia tradicional, como uma disputa entre policiais e sem-tetos que ocorreu na Praça da Sé, no dia seguinte ao do assalto de sua casa.

Quem tiver qualquer informação sobre esse material roubado, fica aqui o desejo sincero de que entre em contato com os representantes legais envolvidos no caso, em especial, as autoridades que estão investigando o caso. A comoção tem sido muito grande pelos fãs do artista, e eles merecem realmente ver seus esforços serem recompensados com a justiça devida. Temos sido bombardeados com notícias relacionadas a problemas de ordem social que partem para o prejuízo de pessoas honestas, sejam ligadas aos quadrinhos ou não, e isso não pode continuar a acontecer sem que haja um acerto de ordem moral sobre o que tem sido passado pelas mídias mainstream à sociedade. Em 2010, perdemos a irreverência de Glauco, antes disso, um proeminente colorista brasileiro, Hermes Tadeu, que trabalhava na época para a Marvel, também foi assassinado durante um assalto fracassado no litoral de São Paulo. É mais do que hora de dar um basta nesse problema de violência com o qual acabamos por nos acomodar, e a pressão sobre as autoridades responsáveis torna-se algo mais que necessário. Não deixemos o crime passar sem retificação, e que os prejudicados, como neste caso específico de hoje Laerte o foi, possam ter o retorno de forma justa. Não basta apenas admirarmos as atitudes dos heróis nos quadrinhos, devemos aplicar os ensinamentos éticos aos cenários particulares de cada  um de nós. Se todos fizermos nossa parte, podemos chegar muito além dos sonhos mais otimistas para o cenário brasileiro, seja no mercado editorial quanto na vida em sociedade em si. Afinal, como belamente o disse o estadista, escritor e autor Edmund Burke, "Tudo o que é necessário para que o mal triunfe é que os homens de bem nada façam". Reflitamos acerca disso.

O jornal do SBT produziu um pequeno vídeo com o anúncio do assalto à casa de Laerte que pode ser conferido aqui, a quem interessar possa. O cartunista e sua família passam bem, de acordo com os meios de comunicação.

ATUALIZAÇÃO DA MATÉRIA


Nesta sexta-feira, dia 29 de junho de 2012, o 93º Departamento Policial de São Paulo, localizado na região do Jaguaré, onde foi registrado originalmente o furto do material de Laerte, chamou o cartunista para reconhecer seu material, que fora encontrado e apreendido durante a investigação de dois suspeitos no envolvimento do roubo de sua casa. Em meio a dezenas de celulares e uma pistola calibre 38, foram encontrados os HDs onde estariam contidos mais de 12 anos de trabalho do artista, segundo informa matéria da versão online do jornal Folha de São Paulo, que pode ser conferida aqui.

Uma vez que ainda não conseguiu acessar os arquivos pelos meios tradicionais, Laerte está agora procurando algum funcionário ligado ao setor de informática para saber se os arquivos foram corrompidos ou não e se eles estão com toda sua integridade de conteúdo. A comunidade dos quadrinistas e admiradores da arte sequencial fez uma movimentação impressionante em prol da captura dos ladrões e da recuperação do material roubado, e agora ficamos na expectativa de que tudo esteja em condições boas e com esperança de que este grande nome da nona arte brasileira possa ter seu trabalho de volta em mãos, conforme deveria sempre estar. Gostaríamos também, aqui, deixar de um agradecimento sincero a todos os que se mobilizaram e denunciaram o crime, pois enquanto não fizermos nada, não há como esperar mudanças. É preciso lutar para preservar o que produzimos e ainda mais para ir além. Obrigado a todos e qualquer outra novidade sobre o caso, anunciarei aqui no blog.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

L&PM E O Mercado Nacional de Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães


Ano passado, as histórias em quadrinhos no Brasil tiveram um ano extremamente feliz, marcado por grandes eventos, lançamentos de alta qualidade e talentosos profissionais se destacando no ramo. O mercado editorial brasileiro apontou um número recorde de publicações independentes no setor da arte sequencial, destacando tanto o crescente interesse de jovens autores em ingressar no meio como uma nova realidade para a publicação de títulos no país. Uma vez que os formatos digitais permitem uma divulgação maior por parte dos próprios autores da obra, além de gráficas que oferecem serviços por encomenda limitada com bom acabamento, como a gráfica J. Sholna, presente na última edição da Rio Comicon, as editoras brasileiras passaram a se movimentar mais para trazer material às livrarias para suprir a recente demanda do público, e uma delas, especificamente, tem se destacado de forma inesperada mas muito bem vista nestes últimos meses, trata-se da editora L&PM.

Já presente no mercado de quadrinhos há décadas, sendo a principal responsável pela publicação de tirinhas como Garfield, Charlie Brown, Hagar, Dilbert e Recruta Zero, além de vários volumes de outros personagens, desde material internacional como a vencedora do prêmio Ângoloume em 2006 de melhor álbum de estreia, "Aya de Yopougon", da dupla Marguerite Abouet e Clément Oubrerie, a emocionante "Valsa com Bashir", de Ari Folman e David Polonsky, e mesmo materiais do grande pioneiro dos quadrinhos Will Eisner (que já foi tema de matéria aqui e aqui no blog), até republicações de material da turma da Mônica, do padrinho dos quadrinhos brasileiros Maurício de Sousa, fora outros grandes quadrinistas da produção nacional, como os cartunistas Angeli e Iotti, a editora L&PM aparentemente entrou forte na disputa do nicho de mercado voltado para a nona arte, que vem representando a cada ano uma fatia maior dos leitores de livros em geral. Já tendo publicado no ano passado a nova versão revisada e ampliada da "Enciclopédia dos Quadrinhos", de Goida e André Kleinert, e iniciado sua série de adaptações dos clássicos da literatura para a arte sequencial, em apoio com a Unesco, com um trabalho que, diga-se de passagem, possui grande qualidade tanto narrativa quanto artísticamente, a L&PM vem se mostrando disposta a investir mais em quadrinhos e recentemente, lançou mais dois livros do setor.

O erótico "Erma Jaguar", do francês Alex Marene, e o cômico "Simon's Cat", do britânico Simon Tofield, que segue numa linha entre Jim Davies e o brasileiro Estevão Ribeiro, são os dois mais recentes lançamentos da editora, que chamaram a atenção entre as estantes das livrarias. Tendo publicado já no final do ano passado três volumes em seu formato mais tradicional e que o cansagrou junto ao público, o pocket, de mangás que ainda não haviam chegado ao Brasil, como "Aventuras de Menino", de Mitsuru Adachi, e o já comentado e recomendado "Solanin" (cuja resenha pode ser conferida aqui no blog), de Inio Asano, a editora vem mostrando interesse em participar mais ainda da publicação de quadrinhos no país, o que é uma grande vitória para os quadrinistas e fãs do ramo.


Com um catálogo recheado de títulos de grande respeito e uma qualidade de trabalho reconhecida desde sua fundação, em 1974, pela dupla Paulo de Almeida Lima e Ivan Pinheiro Machado, a editora L&PM, que se destacou pelo rico catálogo de livros em formato de mais fácil transporte e leitura, em geral, denominados pocket books, curiosamente iniciou suas atividades justamente com material de arte nacional, do cartunista Edgar Vasques, com seu personagem "Rango", um anti-herói que se tornou marca da luta contra a ditadura militar que acontecia no Brasil. Com essa origem, não é tanto uma surpresa que a editora tenha mantido uma tradição de trabalhar com o campo da arte sequencial visando sempre a publicação com melhor qualidade possível de grandes autores do meio. Em 40 anos de existência, seu papel só fez crescer e sua presença nas casas dos leitores brasileiros aumentou cada vez mais. O futuro parece reservar boas novas vindas da editora, e sua crescente participação no mercado editorial de quadrinhos brasileiros mais do que merecia uma congratulação já há algum tempo aqui no blog. Que essa grande iniciativa e bom trabalho continuem a crescer em número e em expansão para o meio. Observaremos ansiosamente por futuros lançamentos da editora.