segunda-feira, 5 de março de 2012

Ultrapassando a Quarta Parede

Por Gabriel Guimarães


No setor de produção de conteúdo audiovisual, é comum observar termos relacionados ao uso da "quarta parede" em cena. O potencial de recursos usados para trabalhar esse elemento é incrível, e cada diretor, seja focado no cinema ou na televisão, utiliza-se disso de forma particular, tornando muitas vezes essa característica um grande referencial de seu trabalho. Aos quadrinhos, isso também pode ser facilmente aplicado, tal qual já foi possível ver em vários casos.

Cena durante a gravação de um dos filmes de Hitchcock, em
que é possível observar claramente o conceito da "quarta parede"
Para aqueles não familiarizados com o termo, "quarta parede" refere-se ao lado do cômodo retratado em cena no qual a câmera se posiciona, ou seja, através do qual nossos olhos observam a cena. Conforme o comunicólogo e sociólogo Marshal McLuhan destacou, os meios de comunicação funcionam como extensão dos sentidos humanos, ampliando, dessa forma, nossa capacidade de tornar-mo-nos parte de algo, mesmo a quilômetros de distância do ambiente em que essa determinada ação acontece. Para tanto, cabe ao diretor definir a posição exata em que esse nosso olhar estará fixado para testemunhar a cena. Em geral, a composição de um set de filmagens é organizado para se remeter a um quarto tradicional, com quatro paredes, porém, apenas três são retratadas, a fim de que seja possível para as câmeras utilizadas abordar de diferentes ângulos os eventos a serem filmados. À parede localizada hipoteticamente atrás das câmeras, ou seja, que raramente é vista, é dado o nome de "quarta parede". O diretor americano Alfred Hitchcock é um dos grandes nomes da indústria cinematográfica que trabalhou com esse recurso de formas inesperadas e brilhantes. Suas obras "Janela Indiscreta" e "Festim Diabólico" são exemplos muito recomendados disso. O primeiro, usou de apenas um galpão de estúdio e um ângulo de referência para se construir toda a história do filme, e o segundo, foi composto todo em apenas um plano, sem cortes, tornando a trama sinistra de assassinato tensa e em um ritmo de mistério e suspense únicos, característica marcante no trabalho de Hitchcock.

John Byrne foi parte de várias histórias
da Mulher-Hulk como ele mesmo
Esse recurso também retrata a expansão do sentido mostrado em cena para além dos limites tradicionais da narrativa convencional. Exemplo disso é a animação "A Nova Onda do Imperador", onde o personagem principal dirige seu discurso em determinados momentos ao espectador, consciente de ser ele o protagonista da história. Nos quadrinhos, esse recurso também é muito utilizado por autores e editoras, a fim de aproximar a ficção da realidade dos leitores. O trabalho do quadrinista underground Harvey Pekar é um caso claro disso (conforme já foi comentado aqui e aqui no blog). Outro exemplo muitas vezes relevado disso é a temática muito encontrada nas histórias da personagem Mulher-Hulk, em especial, no seu período sob o traço e concepção do americano John Byrne, na editora Marvel. Chegando a utilizar termos relativos à produção de roteiros da indústria dos quadrinhos, é impressionante o trabalho feito por Byrne, trabalhando a personalidade sarcástica da personagem em tons hilários e instigantes. O roteirista Grant Morrison, igualmente, realizou tal trabalho com o personagem "Homem-Animal", na editora DC, chegando a colocar frente a frente o personagem com uma representação ficcional do próprio Morrison como roteirista dentro da história. Na recentemente republicada saga "Novos Vingadores - Motim", essa representação dos autores dentro de suas obras foi feita de forma curiosa. Em meio a uma das histórias da coletânea lançada pela Panini, o roteirista Paul Jenkins, responsável por trazer o personagem Sentinela "de volta" ao universo Marvel surge na história ficcional como o único que lembra quem o personagem era, através das histórias em quadrinhos que ele fazia. O fator curioso nisso reside no fato de que o roteirista desta trama em que a ficção e a realidade se misturam não é Jenkins, mas sim o roteirista Brian Michael Bendis, numa forma talvez singela de homenagear ou brincar com seu colega de trabalho.


Outra forma de ruptura da "quarta parede" é o uso da metalinguagem, onde o meio em que a produção ficcional se dá aborda justamente o universo real de sua produção. Exemplos disso são fáceis de se observar, tanto no cinema quanto nos quadrinhos, como são os casos da comédia "Os Picaretas" e a ficção científica "Super 8", na sétima arte, enquanto que a trilogia de graphic novels "Fracasso de Público", do americano Alex Robinson, e a excelente história autobiográfica de Will Eisner, "O Sonhador", são casos mais claros disso na nona arte. O mangá "Bakuman" (já citado em outras matérias do blog, que podem ser vistas aqui), é um exemplo de igual força e qualidade, produzido pela dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, publicado no Japão pela editora Shueisha, referência no mercado japonês no setor de entretenimento desde sua fundação em 1925. No cenário brasileiro, o livro "HQs - Quando a ficção invade a realidade", escrita pela paulista Rosana Rios e belissimamente ilustrada por Amilcar Penna, é outro bom exemplo disso.


No filme "Mais Estranho que a Ficção", de 2006, foi abordada a questão da "quarta parede" de uma forma diferente, relevando a faceta da ficção invadindo o campo da realidade, onde o protagonista do filme, Harold Crick, ouve espantado a narração da autora de um livro que supostamente seria sua vida, e que culminaria com sua morte. Agoniado com a iminência da fatalidade que o espreita, Harold procura de todas as formas possíveis mudar o rumo da ficção sendo escrita sobre si, para que possa ser salvo. Algo similar é possível ser encontrado na história em quadrinhos "Superman - Identidade Secreta", feita pela dupla Kurt Busiek e Stuart Immonen, centrada na história de vida de um garoto real, morador da cidade de Kansas, que teve seu nome dado em homenagem ao personagem de quadrinhos Clark Kent, e que precisa aprender a lidar com as provocações e responsabilidades a isso atribuídas.

De forma apaixonante, somos convidados a romper essa barreira entre o quadrinho e a realidade, e nos deliciarmos com os frutos maravilhosos dessa união. Os autores, como os chargistas João Montanaro e Will Leite, este cujo site pode ser visto aqui, são os grandes responsáveis por nos oferecer essas nuances memoráveis entre a ficção e o nosso cotidiano, e certamente o futuro reserva muito mais possibilidades para essa relação multimídia.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Arte de Representar o Real

Por Gabriel Guimarães


Conforme o historiador de quadrinhos Carlos Patati afirmou em seu curso sobre as relações entre a nona arte e o cinema (que pode ser conferido aqui, aqui, aqui e aqui), a realidade ganhou cada vez mais espaço dentro das histórias em quadrinhos, tornando as temáticas e personagens mais maduros e passíveis de identificação por parte do público. Com o surgimento dos quadrinhos de ação, e talentosos desenhistas como Milton Caniff e Hugo Pratt, a complexidade com a qual lidava o universo da arte sequencial se expandiu assustadoramente. Fosse na caracterização dos protagonistas ou então na construção da realidade em que a trama principal acontecia, como foi apresentado por Patati o exemplo da caça de baleias, vista na tira norte-americana Wash Tubbs, os quadrinhos ganharam, em termos de expressividade, como nunca antes havia acontecido em sua história.

Cena da morte de Gwen Stacy, que chocou os leitores da época
Com o passar do tempo, surgiram vertentes dessa nova veia realista de contar histórias, e a partir disso, os gêneros preexistentes se adaptaram aos novos recursos que lhe foram oferecidos para crescerem ainda mais. As histórias de ação adquiriram maior profundidade moral e tons de dramaticidade semelhantes às peças de teatro e filmes de grande sucesso. A história da morte de Gwen Stacy, o amor de Peter Parker, alter-ego do Homem-Aranha, e a longa passagem do roteirista britânico Chris Claremont pelo título dos X-men, onde abordou todos os desejos e frustrações dos jovens mutantes, ambos os casos da editora Marvel, e "Cavaleiro das Trevas" e "A Morte de Robin", duas obras do personagem da DC, Batman, representam muito bem isso. Enquanto isso, os adeptos da contra-cultura seguiram num sentido não oposto, mas diferente de abordar a questão da realidade. Autores como Robert Crumb e Harvey Pekar alcançaram um alto grau de reconhecimento por seus materiais underground. "Minha Vida" e "Our Cancer Year", produzidas por estes respectivos autores, foram obras que marcaram muito os leitores por oferecerem uma apresentação da vida crua sem floreios acerca de dramas vividos por pessoas reais. Pekar, inclusive, utilizou de sua história como forma de fazer o público atentar para problemas que iam muito além dos quadrinhos, retratando curiosamente até da própria alienação causada pela mera leitura vazia de suas histórias.


Cena de "Ao Coração da Tempestade", onde o
personagem encara os cenários que passam
do lado de fora do trêm
Porém, poucos dominaram essa arte da representação do real tanto quanto o nova-iorquino Will Eisner. Praticamente um pilar sobre o qual as histórias em quadrinhos se estabeleceram, Eisner ficou marcado por suas histórias sobre a natureza humana e o convívio da sociedade nas grandes metrópoles (conforme já foi destacado aqui e aqui). Seja por "Nova York - A Vida na Grande Cidade", "Avenida Dropsie" (este que foi adaptado de forma bem sucedida para os palcos de teatro e apresentado a públicos ao redor do mundo), "Ao Coração da Tempestade", "Pequenos Milagres" ou mesmo no seu único personagem heróico "Spirit", cujas histórias sempre eram centradas nos personagens secundários, mais do que nas intrépidas aventuras do vigilante mascarado, Eisner mostrou o potencial de criação que os quadrinhos possuíam dentro de si e que muitos não conseguiam ver. Não é, portanto, grande surpresa que seu nome tenha sido dado ao maior prêmio da indústria de quadrinhos.


Detalhado painel da história "A Lótus Azul",
onde Tintin vai a uma vila chinesa
No que se trata de abordar a realidade, porém, a forma como são representadas ilustradamente as histórias também é um elemento de enorme importância, e de onde se destacaram grandes artistas, como o belga Georges Remy, mais conhecido por seu pseudônimo Hergé e por sua maior criação, o jovem repórter Tintin. Contando com artistas que visitavam vários locais onde o personagem estaria presente em suas histórias futuras, para ilustrar todos os detalhes e estilos de arquitetura necessários para mostrar um trabalho minuciosamente realista, Hergé transformou suas histórias em banquetes visuais, onde todos os elementos retratados foram detalhadamente estudados antes de serem publicados. Desde aviões a armas, carros a navios e estilos de roupa, as histórias desse ícone dos quadrinhos de aventura se tornaram memoráveis pela riqueza em sua representação do mundo real. Hergé, também, utiliza de um recurso narrativo muito semelhante ao realizado nos quadrinhos japoneses, onde os personagens são desenhados de forma simplificada, sem grande marcações, o que permite ao público se identificar com ele mais facilmente, ao mesmo tempo em que os cenários são brilhantemente realistas, posicionando a perspectiva do leitor no campo do real. Tamanho grau de dedicação para criar histórias visualmente realistas pode ser visto hoje em artistas como o americano Alex Ross e o brasileiro Felipe Massafera, além dos títulos da série "Cidades Ilustradas".

Nos dias atuais, a realidade parece tão intrínseca ao universo dos quadrinhos que parece curioso observar a história de como esse processo se deu até que alcançasse o equilíbrio corrente. Como demonstrou Patati, o predomínio para essa questão hoje se encontra no volume de material autobiográfico disponível nas livrarias, em formato de arte sequencial. Tendo seu maior representante na obra do quadrinista americano Art Spiegelman, "Maus", única história em quadrinhos já premiada com o Pullitzer, sobre as experiências antropomorfizadas dos pais do quadrinista no campo de concentração de Auschwitz, o gênero hoje é um dos grandes vendedores dentre a quantidade crescente de ofertas na linguagem da nona arte. "Retalhos", de Craig Thompson, "Cicatrizes", de David Small, "Persépolis",  "Morro da Favela", dos brasileiros André Diniz e Maurício Hora (cuja obra já foi comentada aqui no blog antes), e o dramático e pessoal "Paraíso de Zahra", da dupla iraniana Amir e Khalil, cujos nomes reais não são revelados por conta de conflçitos políticos existentes no país, são exemplos desse novo cenário.

Imagem que retrata um passeio
do protagonista pelo campo em "Logicomix"
As obras históricas, abordando a vida de personagens marcantes ao longo dos anos, também vêm se mostrando um segmento em ampla expansão no meio, com exemplos como são o caso da série sobre ícones da música e da cultura pop, feita pela editora Bluewater, nos Estados Unidos, e até mesmo o belíssimamente estudado, ainda que com uma narrativa um tanto enfraquecida, "Logicomix", do quarteto europeu Apostolos Doxiadis e Christos H. Papadimitriou, nos roteiros, e Alecos Papadatos e Anne Di Donna, na arte. A forma como eventos da realidade afetaram a vida das pessoas também são temas hoje mais corriqueiros nos quadrinhos, como são os casos das coletâneas "À Sombra das Torres Ausentes" e "11-9", e da história publicada na edição 36 da revista "Amazing Spider-Man", e a minissérie "A Serviço da Vida", todos sobre a queda das Torres Gêmeas; de histórias como "A Busca" e "Magneto: Testamento", sobre a Segunda Guerra Mundial; e "Quando Lá Tinha o Muro", do cartunista alemão Flix, sobre a queda do muro de Berlin.

Cena da excelente web comic "Terapia"

Página do mangá "Gourmet"
Concluindo, a realidade está cada vez mais impressa nas páginas dos quadrinhos, e os profissionais do meio percebem a importância dessa relação ainda na etapa de construção de suas histórias, o que é capaz de render resultados inesperados e facilitar a relação com os leitores. Para o futuro, os quadrinhos parecem aproveitar cada vez mais do realismo crescente, a ponto de tornarem-se eles mesmos tema de suas tramas, como é o caso do mangá "Bakuman", centrado na consolidação de dois jovens como mangakás em meio ao mercado editorial japonês de quadrinhos, através de histórias minuciosamente detalhadas e personagens carismáticos. Outros mangás, como a história do executivo que visita restaurantes em "Gourmet", e obras brasileiras, como a premiadíssima "Daytripper", dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, e a web comic "Terapia", belamente ilustrada pelo desenhista paulista Mário Cau (a qual pode se conferida no site Petisco HQ ou neste link), também oferecem uma nuance da realidade de forma inovadora, facilitando muito a imersão dentro das histórias em quadrinhos, o que só deve vir a crescer no futuro. Vivemos um período de abundância de recursos e a criatividade quanto à percepção do real tem tudo para nos trazer novas e animadoras perspectivas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Encenando Grandes Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães



Nesta noite de fevereiro, acontece na glamouroso estado norte-americano da Califórnia a 84ª edição da entrega dos prêmios máximos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, os Oscars. Fundada no ano de 1927 por indicação do então presidente dos estúdios da Metro-Goldwin Mayer, Louis B. Mayer, com o intuito de estimular a produção cinematográfica, que começava a atrair a atenção do público, a Academia realizou sua primeira edição em 1929, dentro do Hotel Rossevelt, de Los Angeles. Formada originalmente por 36 diretores e atores, atualmente, a apuração de votos compreende mais de 4 mil votos por parte de diversos profissionais do meio, dentre todas as funções envolvidas na produção de um filme, desde o responsável pela confecção de roteiro até os músicos, cujo papel para transpassar a intensidade da trama do filme é imprecindível.

Em virtude dessa grande premiação, os estúdios passaram a reorganizar a forma como a seleção de roteiros para virar filme era feita. Hoje, a possibilidade de disputar uma estatueta é capaz de qualificar um filme o suficiente para ser produzido, independente de sua temática. Estúdios procuram por fórmulas de produzir conteúdo de acordo com os padrões da Academia onde podem, a partir de livros consagrados histórica e culturalmente, roteiros inteiramente originais, ou mesmo nas histórias em quadrinhos.

Paul Newman concorreu ao Oscar
por sua atuação na adaptação
de "Estrada para Perdição"
Ainda que não haja uma grande quantidade de premiações para filmes baseados em quadrinhos por parte da Academia, isso não quer dizer nada acerca da qualidade dos que alcançaram esse patamar. Seja por categorias consagradas ou por questões relativas aos bastidores, filmes adaptados dos quadrinhos já alcançaram grande destaque na maior premiação do gênero cinematográfico do mundo. Enquanto o primeiro filme do "Superman" concorreu a 3 estatuetas, por melhor edição, música original e melhor mixagem de som, em 1978, a adaptação da história em quadrinhos dramática "Estrada para Perdição" concorreu em nada menos que 5 categorias (ator coadjuvante para Paul Newman, melhor direção de arte, melhor trilha sonora, melhor som e melhor efeitos sonoros), além de ter ganho o Oscar por melhor fotografia, em 2003 (essa obra especificamente já foi comentada aqui no blog antes).

Responsáveis pelos efeitos especiais do filme "Homem-Aranha 2",
John Dykstra, Scott Stokdyk, Anthony LaMolinara e John Frazier,
respectivamente, após receberem as estatuetas
Independente de seu gênero, os quadrinhos já estiveram presentes de forma destacada nesse grande cenário da sétima arte, revelando faceta de atores que jamais haviam sido contempladas antes em nível tão particular, como foi a surpreendente interpretação do americano Heath Ledger em seu papel como o vilão Coringa, no filme "Batman - The Dark Knight", de 2008, vencedor de um merecido Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante. Igualmente importante foi a relevância dos filmes de quadrinhos para as premiações de aspectos técnicos, relacionados a efeitos especiais e a designs gráficos espantosos para a produção de filmes. "Homem-Aranha 2", vencedor do Oscar de melhores efeitos especiais, em 2005, é um exemplo disso. Indicado também a outras duas categorias (melhor mixagem de som e melhor som), a sequência para as histórias do personagem mais carismático da editora Marvel chamou muito a atenção por sua riqueza visual em termos de composição e de cenas de tirar o fôlego.

O cinema e os quadrinhos possuem muito que oferecer um ao outro ainda, e esperamos sinceramente que essa relação seja ainda muito trabalhada, nas mais diferentes vertentes e maneiras imagináveis. Seja em IMAX ou em 3D, ou ainda no formato tradicional com o qual o cinema se consolidou, que o futuro nos reserve ainda muitos frutos dessa boa fusão de linguagens expressivas.

Arte para a divulgação do Oscar, feita pelo
desenhista de quadrinhos Alex Ross, em 2002

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

50 Anos Balançando na Teia

Por Gabriel Guimarães



Stan Lee e seu personagem
Ontem, dia 19 de fevereiro, o personagem que por muito tempo foi o grande nome da editora Marvel, Homem-Aranha, completou 50 anos exatos de sua primeira publicação. Lançado originalmente na última edição do título "Amazing Fantasy", em seu décimo quinto mês de publicação, como forma de meramente ocupar as páginas da edição, que carecia de material inédito e não possuía qualquer pretensão de estender seu conteúdo, uma vez que o título havia sido cancelado previamente. Para que a edição não fosse um fracasso total de vendas, a editora optou por chamar seu grande nome da época (que viria a se tornar, inclusive, o maior nome da história da editora), Stan Lee, para escrever alguma história com temática heróica que pudesse ter algum apelo ao público mais jovem, e foi assim que surgiu, da parceria de Lee com o desenhista Steve Ditko, o personagem Marvel que mais atraiu multidões e se tornou símbolo de uma nova fase para a indústria dos quadrinhos de super heróis, o "Amigão da Vizinhança, o Espetacular Homem-Aranha".

Adotando uma postura diferente de todas as demais feitas até então pelas editoras norte-americanas de quadrinhos de heróis, Stan Lee propôs um personagem que, apesar de usar um traje que lhe cobre a aparência real dos pés à cabeça e que sai por aí todas as noites para enfrentar os criminosos de Nova York, na verdade, é apenas um jovem, inseguro e em fase de crescimento, como tantos dos próprios leitores das revistas em quadrinhos. Essa identificação pessoal, reforçada por esse fato de a roupa do personagem não permitir sequer uma mínima indicação de quem o veste, que permitia ao público se visualizar no papel do protagonista, independente de etnia, credo ou qualquer outra questão física, levou o herói aracnídeo a um patamar de popularidade jamais imaginado.

As histórias do Homem-Aranha, centradas até mais nos próprios conflitos pessoais do jovem Peter Parker do que nas lutas diárias com meliantes e vilões extravagantes, mudaram o panorama dos quadrinhos da época, de forma que jamais poderia ter sido prevista. Uma vez que o resultado das vendas das revistas levava meses naquela época para chegar às mãos dos editores, era muito difícil imaginar que a última edição daquela revista sobre histórias fantasiosas, produzida de forma tão despretensiosa, acabaria por trazer em si uma fórmula de tremendo sucesso que ninguém havia encontrado ainda: a importância do lado humano do personagem heróico.

Ao longo de décadas, o personagem evoluiu, cresceu, aprendeu com muitos erros, e sofreu muitas perdas, ficando cada vez mais forte na memória de seus admiradores, e atingindo um grau de intimidade com o leitor que pouco foi visto no mercado de quadrinhos. O grande papel do Homem-Aranha foi mostrar que heróis de verdade têm limitações, e não basta ter super poderes para resolver todos os problemas do mundo, ou mesmo seus próprios problemas. A identidade por trás da máscara valia mais do que as teias por cima destas. Isso influenciou diversos títulos, e alavancou uma nova onda de procura pelas revistas em quadrinhos formando uma nova geração de leitores assíduos verdadeiramente apaixonados pelo material que estavam lendo. As histórias em quadrinhos agora eram objetos sentimentais para seus leitores, e o que ocorria no universo denso de personagens fictícios da Marvel e da DC passou a influenciar na opinião e na formação daqueles que liam esse material todo.

A popularidade do personagem é tanta que ele possui um balão de
ar quente personalizado na parada do dia de Ação de Graças nos Estados Unidos

Apesar de todo o sucesso alcançado pelo personagem, que no começo dos anos 2000 ganhou não só uma nova versão nos quadrinhos, com a concepção do universo Ultimate, mas também uma forma física tangível, na interpretação do ator Tobey Macguire, na trilogia de filmes dirigidos por Sam Raimi, e produzidos pelo apaixonado fã do Cabeça de Teia, o americano Avi Arad. O personagem ganhava novo fôlego após um período conturbado cheio de questionamentos por parte dos fãs e de histórias de qualidade curiosa que afastou muitos dos antigos admiradores das histórias do personagem. Entretanto, isso não durou muito, e após mais uma fase em baixa nos quadrinhos e uma recepção pouco amigável para o último filme da trilogia de Raimi, o personagem acabou começando a perder espaço. Através de uma polêmica decisão editorial, o editor-chefe Joe Quesada optou por fazer uma história que trouxesse ao personagem aracnídeo de volta seu brilho, porém, para isso, precisou-se apagar os últimos quase 30 anos de histórias vividas por Peter Parker, que viveu mudanças drásticas em sua cronologia pessoal e sentimental, a ponto de gerar uma confusão enorme na mente dos leitores recorrentes. Muitos nesse momento abandonaram o personagem, livraram-se das últimas edições do herói, quando foi escrito pelo roteirista J. Michael Straczinsky, e passaram a prestar mais atenção em outros personagens dos quadrinhos, ou então, mesmo, abandonaram a leitura dos quadrinhos como um todo. O Homem-Aranha vivia um momento de extrema cautela e de dúvidas sobre sua viabilidade futura (conforme foi destacado aqui no blog antes).

Para acrescentar mais lenha na fogueira em que o personagem começava a ser posto, a Marvel decidiu realizar mais uma ação de alto risco com o personagem, mas desta vez, quem sofreu o baque foi a versão Ultimate do personagem, que apesar de oscilar em termos de qualidade, mantinha ainda um certo tom de originalidade e possibilidade de crescimento da identificação do público.

ALERTA: SPOILER!

 Foi decidido que, para haver maior reconhecimento dos leitores com o personagem, Peter Parker deveria dar a vez para um novo alter-ego por baixo da máscara. A história em que o ainda jovem Parker morre ainda não chegou ao Brasil, mas a repercussão dessa decisão, sim. Conforme já foi comentado em matéria aqui no blog antes, o latino-americano afro-descendente Miles Morales passa a ser o novo Homem-Aranha do universo Ultimate, e ainda é cedo demais para dizer se essa estratégia dará certo a longo prazo ou não, mas a decisão de realizar essa grande mudança é de uma repercussão impressionante na história do personagem aracnídeo.

Novo Aranha Ultimate
Hoje, nos encontramos à beira da chegada do novo filme do personagem nos cinemas, agora reformulado sob a batuta do diretor Marc Webb e com elenco de atores completamente reconfigurado, e cujo último trailer teve sua premiere mundial conferido aqui no blog. A expectativa para com a nova obra do personagem nas grandes telas da sétima arte ainda divide a comunidade de leitores, e acreditamos que essa divisão persistirá mesmo após o filme estrear. Tal qual a primeira versão do personagem no cinema, que surpreendeu a todos e lançou de vez a nova era dos quadrinhos nas telas, essa nova versão representará um novo momento para o personagem, porém, apenas o tempo dirá que sorte de consequências isso trará ao universo pessoal desse grande protagonista. Para que o personagem alcance novamente suas glórias passadas, fica aqui o desejo de que este seja um novo começo em seu universo para que tudo aquilo que ele carregou em si um dia e pelo qual foi tanto reconhecimento possa vir novamente à tona, e mostrar a uma nova leva de jovens leitores e relembrar os mais antigos admiradores, de que, além de grandes poderes trazerem grandes responsabilidades, grandes projetos de vida de um personagem também o trazem.

Cena do novo filme do herói aracnídeo
O portal eletrônico do jornal "Folha" também trouxe ontem uma boa matéria sobre esse marco do personagem, e pode ser conferido aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Omelete de Marvel no Rio de Janeiro

Por Gabriel Guimarães

  
Nestes dois últimos dias, ocorreu no Cinépolis Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, um evento de proporções simplesmente espantosas na história da cidade maravilhosa. No domingo, dia 5, foi organizado pelo pessoal do site Omelete, portal sobre notícias relacionadas à indústria do entretenimento desde as histórias em quadrinhos até o universo dos games e filmes, em parceria com a Sony, a primeira edição da Kingcon no Rio de Janeiro. Esse evento já havia sido realizado com sucesso em São Paulo no ano passado, mas este ano, foi sua estreia nas terras cariocas, e a exclusividade das atividades apresentadas o tornou memorável. E hoje, dia 6, foi realizada a premiere mundial do novo trailer da nova empreitada do Homem-Aranha nos cinemas, onde estiveram presentes os produtores Avi Arad e Matt Tolmach, e a atriz Emma Stone, que atuou no papel de Gwen Stacy no filme.

Começando pelo evento de domingo, o que aconteceu foi uma entrevista com os produtores do filme do Cabeça de Teia que empolgou a todos os presentes. Abordando temas que foram desde o figurino à seleção do elenco, passando pelas experiências anteriores da Marvel nos cinemas e o uso de locações no território brasileiro, os entrevistadores Marcelo Forlani e Érico Borgo, do Omelete, conseguiram aproveitar bastante a simpatia dos americanos, e o tempo que durou o evento foi muito agradável, deixando a todos extremamente satisfeitos. Durante a entrevista também foi exibido o primeiro trailer do próximo grande filme do Aranha, com data para estreia ainda limitada ao mês de julho deste ano, em 3D.

O repórter Érico Borgo, do Omelete, entrevistando
algumas pessoas do público do evento

Hoje, porém, os que puderam estar presentes tiveram a oportunidade única de conferir em primeira mão o novíssimo trailer do filme, em 3D também, além de um pequeno spot de cenas aglomeradas do filme, das quais muitas ainda em estágio de acabamento, como cenas de ação em que podiam ser vistos os cabos de sustentação presos aos atores, e fundos azuis em cenas de grande intensidade. Uma vez que câmeras fotográficas e até celulares foram confiscados pela produção do evento antes do público entrar na sala de cinema onde a grande estreia tomou lugar, não foi possível trazer imagens desse grande evento que aconteceu ao vivo em três países, permitindo uma interatividade impressionante entre os diferentes públicos, que estiveram em êxtase nas salas americanas, inglesas e brasileiras.

Os convidados internacionais, em ambos os dias, estiveram um pouco afastados do público pelo esquema reforçado de segurança, que até surpreendeu a todos, mas ainda assim, demonstraram bom humor e um grande carisma, dando sinais de que aproveitaram sua vinda aqui tanto quanto as centenas de espectadores que foram assistí-los. Estiveram, ao todo, participando dessa grande estratégia de divulgação altamente eficaz, o protagonista do filme, Andrew Garfield, que vive Peter Parker/Homem-Aranha no filme, em Nova York; o diretor Marc Webb, em Los Angeles; o ator britânico Rhys Iffans, antagonista do herói no filme, no papel do doutor Curt Connors; e os três já citados participantes, aqui no Rio de Janeiro.

O evento, que contou com menos divulgação do que deveria pela caráter imediatista que acabou assumindo três dias antes de sua consumação, foi um sucesso, com o público saindo animado e empolgado com o que está por vir para o herói mais popular ao longo da história da editora Marvel no século passado. O calor demasiado desse início de mês de fevereiro acabou sendo um dos poucos pontos negativos do evento, mas o grau de atenção ao público e a organização do evento foram de muita qualidade, e merecem ser destacados. Os espectadores que estiveram presentes hoje, inclusive, ganharam como brinde uma camisa exclusiva da premiere mundial, e após a exibição inicial dos novos spots, o Cinépolis Lagoon concedeu a sala para repetir os trechos do filme exibidos para todos os fãs que não conseguiram entrar na sessão VIP, que contou com os atores.

O calor não deu trégua, oq eu foi ruim, mas a paisagem do local é
deslumbrante, e acaba por compensar esse detalhe
Para quem não teve como conferir, o trailer novo deve estar disponível online a partir de amanhã, e para os que puderam estar presentes, certamente foi uma experiência muito marcante, que jamais será esquecida. É com grande alegria que vejo que o panorama dos eventos de histórias em quadrinhos estão ganhando maior número e qualidade no Rio de Janeiro. Que o futuro reserve oportunidades tão maravilhosas como essa para o público ávido da nona arte ao redor de todo o Brasil.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um Rio de Arte Que Não Mais Correrá

Por Gabriel Guimarães

Al Rio em cima de sua prancheta
Um dia após o Dia do Quadrinho Nacional, é com grande pesar que chega a informação do falecimento do talentoso artista cearense Alvaro Araújo, mais conhecido pelo seu nome artístico Al Rio, a toda a comunidade de admiradores da nona arte. Um dos primeiros brasileiros a se aventurar profissionalmente no mercado americano de histórias em quadrinhos, Rio passou por grandes títulos e editoras, consolidando sua carreira como um artista extremamente versátil e talentoso.

Homem-Aranha no traço de Al Rio

Conforme foi confirmado pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) de Fortaleza, onde residia no bairro de Serrinha, Rio foi encontrado já sem vida, porém, as causas para esse acontecimento chocante no público da arte sequencial não foram oficialmente confirmadas. Tendo participado recentemente da primeira edição da ComicCon, segmento do evento Sana Fest 2012, Rio demonstrava estar bem de saúde, e sua carreira vinha em alta estima junto aos profissionais da área e o público. Qualquer novidade acerca do motivo dessa perda, informaremos aqui no blog.

Entretanto, não nos firmemos apenas à perda desse grande artista de 50 anos, mas lembremos sua brilhante carreira na indústria de HQs, que merece ser reconhecida e valorizada por tudo que foi conquistado por ele. Muito conhecido pelo seu domínio sobre a figura feminina, Rio foi o responsável por desenhar uma grande quantidade de personagens protagonistas femininas conhecidas no ramo dos super-heróis, como a bárbara Red Sonja, Vampirella, Gen13, entre outras. Rio também foi desenhista de grandes personagens das gigantes Marvel e DC, onde trabalhou com os X-men, Capitão América, Hulk, Mulher Maravilha, Novos Mutantes, entre muitos outros.

Mulher Maravilha
desenhada por Rio

Sempre sendo lembrado quando uma história precisava de um traço sensual e de boa fluição, Rio estava prestes a concluir a produção da história "Fever Moon", escrita pelos autores de best-sellers Karen Marie Moning e David Lawrence, que viria a ser lançado pela editora Random House neste verão. Além disso, ele trabalhava em projetos pessoais envolvendo tramas de ficção científica e constantemente doava parte de seu material original para causas sociais.

A família de Rio foi, de longe, a mais afetada por essa estarrecedora notícia, e gostaríamos de deixar aqui todo o apoio possível para eles, e que Deus possa trazer-lhes paz neste tempo de choque.

A quem interessar, o site Studo Made in PB apresentou uma boa matéria sobre esse acontecimento, que pode ser conferida aqui, e o site americano Bleeding Cool apresentou um trabalho mais minucioso acerca das informações sobre a carreira de Al Rio e seus trabalhos correntes, o que também pode ser conferido aqui.

Al Rio, em 1995, em frente ao mural da Marvel na fachada
da Comic Shop Revistas & Cia, postada pelo desenhista
J. J. Marreiro em seu Facebook

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resultados e Comemorações

Por Gabriel Guimarães


Ângelo Agostini
Em 30 de janeiro de 1869, ocorria a primeira publicação do material do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, uma história apresentada através de imagens em sequência para gerar a compreensão lógica da relação entre elas. Essa história, "As Aventuras de Nhô Quim", publicada originalmente no jornal Vida Fluminense, constituiu um marco para a história dos quadrinhos enquanto meio de comunicação, e Agostini se tornou, dessa forma, um dos grandes precursores das histórias em quadrinhos tradicionais. Ainda que muitas vezes seja esquecido por alguns historiadores, como foi o caso na publicação do livro "1001 Comics You Must Read Before You Die", da editora americana Cassell Illustrated, Agostini apresentou cerca de 26 anos antes do americano Richard Outcault uma história com as mesmas propriedades expressivas com igual teor político estilizado, tal qual a produção do americano, as tiras "Down Hogan's Alley", mais tarde renomeadas a partir de seu personagem de maior destaque, "The Yellow Kid".

Para que a memória desse grande pioneiro não fosse esquecida, e seu legado pudesse manter-se ativo na memória de todos os profissionais da indústria dos quadrinhos, em 1984, a Associação dos Quadrinistas e Cartunistas de São Paulo instituiu este dia 30 de janeiro como Dia do Quadrinho Nacional, fato que até os dias de hoje é muito celebrado por todos os admiradores da arte sequencial brasileira. O blog "O Quadrinho" fez uma bela matéria em homenagem a Ângelo Agostini hoje que merece ser conferida, o que pode ser feito aqui.

Com a força que os quadrinhos nacionais vem recebendo nos últimos anos, em especial o esplêndido ano de 2011, o qual considero como tendo sido o ano em que foi apresentado o novo panorama dos quadrinhos brasileiros no Brasil dos Quadrinhos, o mercado cresceu muito, e os autores têm conseguido receber um pouco do reconhecimento que tanto merecem por seus esforços e talentos. Um exemplo disso é o grande roteirista paulistano Celso Menezes, que anunciou hoje o segundo volume da sua história "Jambocks!", sobre a participação do Brasil nos grandes conflitos militares internacionais. Tendo lançado o primeiro volume em 2010 através do programa de incentivo à produção cultural do estado de São Paulo, o ProAc, junto do excelente desenhista Felipe Massafera, a união desses dois grandes profissionais poderá ser novamente conferida no segundo volume da história, que trata da defesa do canal do Panamá realizada pelo exército brasileiro. Certamente, a história valerá a pena ser conferida.

Para comemorar esse dia, nós do Quadrinhos Pra Quem Gosta lançamos, há algumas semanas, a segunda promoção da história do blog, "Quadrinhos Pra Quem Gosta no Dia do Quadrinho Nacional". Depois de muitas inscrições de vários estados brasileiros, enfim, realizamos o sorteio de cada um dos prêmios, e o resultado foi o seguinte:

DVD "Superman - Um Pedacinho de Casa" - Nicolas Queirós (@nicolasqueiros);

DVD "Superman/Batman - Apocalypse" - Luis Henrique Garavello (@luisgaravello);

DVD "A Morte do Superman" - Victor Serpa (@victordequide);


Encadernado "Coleção DC 70 Anos: As Maiores Histórias do Lanterna Verde" - Vitor Silveira Pereira (@vitor655);


Livro "Reféns", autografado pelo autor Rafael Neves - Luciana Cristian (@L2CG);

Livro "Os Passarinhos e Outros Bichos", autografado pelo autor Estevão Ribeiro - Vinícius Cunha (@thevinil);

Livro "Intempol: Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira", de Octavio Aragão e Manoel Ricardo, autografado pelo autor Octavio Aragão - Nina Rocha (@ninarocha);

Desejamos, portanto, os mais sinceros parabéns a todos os participantes, e agradecemos a todos os muitos parceiros do blog, que tornaram possível essa merecida premiação aos leitores do Quadrinhos Pra Quem Gosta. Os vencedores serão contatados pelo blog através de mensagens diretas no twitter e/ou e-mail, para que a entrega dos prêmios seja combinada de forma correta. Mais uma vez, muito obrigado pela participação de todos, e:

FELIZ DIA DO QUADRINHO NACIONAL!