terça-feira, 17 de maio de 2011

Reconhecimento Que Vale Ser Destacado

Por Gabriel Guimarães


Na última quinta-feira (12 de maio), ocorreu na sede da ABL (Academia Brasileira de Letras) no largo do Arouche, SP, uma digna e muito bem recebida homenagem à maior figura dos quadrinhos brasileiros no mundo e patrono da nona arte no país, o criador da turminha da Mônica, Maurício de Sousa. Após décadas de dedicação e trabalho focado na divulgação, expansão e manutenção dos públicos de seus personagens, Maurício enfim tomou posse como membro do círculo mais respeitado de profissionais da literatura brasileira e se tornou o primeiro quadrinista a atingir tal posto.

É com grande orgulho que recebi essa notícia, e é com profundo e sincero desejo de voos cada vez mais altos para os projetos de Maurício que eu venho trazê-la aqui para o blog como um gesto de reconhecimento da arte sequencial no campo literário brasileiro. Desde que os quadrinhos começaram a ser publicados no Brasil, a luta pela valorização desse meio de comunicação tem sido muito discutida, destacando grandes nomes que lutavam a favor desse processo, como os editores Adolfo Aizen e Sérgio Machado e o escritor Gilberto Freyre, e gerando marcantes figuras de oposição, como Samuel Wainer e Orlando Dantas, que por muito tempo atacaram os quadrinhos como uma brecha para criticar seu maior rival do meio jornalístico, Roberto Marinho, dono do jornal O Globo e da Rio Gráfica-Editora (RGE).

Anos se passaram, muitos discursos foram feitos de ambos os lados, tentativas de sindicalização, da criação de um selo de ética válido, além de muitas e muitas estratégias de aproximação da nona arte com os valores da sociedade brasileira. Ainda assim, a resistência aos quadrinhos como forma de estímulo intelectual é algo muito discutido até hoje e ainda não é plenamente aceito. Espero que esse reconhecimento e homenagem ao grande autor que é Maurício de Sousa venha para trazer de novo à tona esse debate, para que enfim os quadrinhos possam ter o respeito e consideração que merecem, e seus admiradores o devido tratamento e reconhecimento.

O próprio Eloyr Pacheco (à esquerda) e Alvaro de Moya,
na palestra na Garagem Hermética

Além disso, gostaria de também destacar a homenagem que foi feita a um dos estudiosos brasileiros da arte sequencial que é talvez uma das maiores referências da área no país, o também paulista Alvaro de Moya, que já escreveu diversos livros sobre o assunto, dentre os quais "A História das Histórias em Quadrinhos", "Vapt-Vupt" e "Shazam", e que no último dia 13, teve seu nome dado a uma quadrinhoteca no Centro Cultural Eloyr Pacheco. Um dia depois, o autor participou de um debate com admiradores da nona arte na sede da Garagem Hermética, espaço multiuso do próprio Centro Cultural. Muitas pessoas estiveram presente e a procura pelo conhecido comunicador foi grande atrás de autógrafos.

Ao ver essas duas figuras de extrema importância para os quadrinhos no Brasil terem esse merecido reconhecimento e atraindo tanta atenção, fico muito feliz pensando no rumo dos quadrinhos. Podemos estar caminhando a passos não tão longos ainda para uma expansão dos quadrinhos como arte diante dos críticos e do público em geral, mas não estamos parados, e o movimento é essencial para que um dia possamos chegar a dias onde o respeito seja algo comum e o tratamento entre os meios de comunicação se dê de forma igualitária. Pode ser apenas um sonho, um ideal, almejar tanto, mas não vamos parar de lutar até que esse sonho se torne realidade, porque a realidade nada mais é que fruto dos sonhos de quem veio antes de nós, e jamais podemos esquecer isso.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nanquim Descartável, Talento Inestimável

Por Gabriel Guimarães


Semana passada, tive o imenso prazer de poder ler uma obra que já estava há algum tempo na minha lista de desejos. A HQ independente "Nanquim Descartável", produzida desde 2007, chegou à sua quarta edição em um formato especial, direto para as livrarias com 96 páginas de ótimas histórias e não tem como eu não comentar um pouco sobre esse projeto nacional de quadrinhos que deu extremamente certo.

Criação do roteirista Daniel Esteves, as histórias das personagens Ju, Sandra e do mulherengo Tuba já foram desenhadas por uma série de talentosíssimos desenhistas brasileiros, dentre os quais Mário Cau (autor da HQ "Nós - Dream Sequence Revisited", cujo lançamento foi anunciado aqui no blog antes e cujo site pessoal pode ser visto aqui) e Julio Brilha, cujos experimentos com o formato de narrativa dos quadrinhos são realmente uma obra de arte. Falando em um tom de diálogo com o leitor, todos os capítulos da história são envolventes e mostram todas as dificuldades que os relacionamentos que construímos ao longo de nossas vidas nos afetam, uns mais do que outros, naturalmente.

Seja pela indecisão, por insegurança ou pelo simples desejo de não esquecer as boas memórias que se teve com uma pessoa amada, "Nanquim Descartável" trata principalmente dessa encruzilhada dos personagens de uma forma descontraída, sincera e sensível. Sem se conter, a história mostra conflitos que são reais e que, ainda que inexplicáveis pela racionalidade lógica, acontecem com cada um de nós. A qualidade do roteiro é ótima e os desenhos acompanham a sequência de eventos de forma precisa, dando o tom de cada cena de acordo com o que a cena representa em si. A edição com certeza figurará na minha coleção de bons quadrinhos para se ler, e a minha recomendação aqui é clara.
Além desse tom sentimental da história, a HQ tem uma quantidade de elementos metalinguísticos muito grande pelo fato de seus personagens serem aspirantes a profissionais dos quadrinhos, tal qual as pessoas que fizeram a história, e, através dessa característica, mostra um pouco o processo de criação e edição necessários para se montar uma história em quadrinhos num dos grandes centros urbanos do Brasil que é a cidade de São Paulo, onde é ambientada a história.

Em novembro do ano passado, tive o grande prazer de conhecer alguns dos responsáveis pela criação e publicação desse material na Rio Comicon (que teve cobertura completa aqui no blog, inclusive das oficinas ministradas por essa galera) e foi um imenso prazer ver que há gente capaz de fazer quadrinhos de extrema qualidade lutando para conseguir mostrar seu trabalho em meio a esse mercado tão concorrido que é o de quadrinhos no Brasil. Os selos nacionais "HQ em Foco", "Balão Editorial" e "Quarto Mundo" também merecem uma grande menção aqui pelo trabalho que vêm realizando na promoção dos quadrinhos brasileiros e espero, honestamente, ouvir cada vez mais de conquistas de cada uma delas no futuro.

NOTA GERAL: 4,5 estrelas.

domingo, 1 de maio de 2011

Cidadão Kent?

Por Gabriel Guimarães


Essa semana ocorreu um fato no mínimo inusitado na edição que homenageava o personagem da DC, Superman, que chegava à sua 900ª edição no título onde surgiu inicialmente em 1938. A edição consistia de histórias curtas envolvendo o personagem, junto à conclusão de uma trama que se desenrolava há algumas edições no título. Juntando colaborações de roteiristas conhecidos do meio, como Richard Donner, que escreveu os filmes originais do Homem de Aço estrelados por Christopher Reeve, e Damon Lindelof, um dos criadores da série que revolucionou a televisão e seus suportes, LOST, a edição da Action Comics #900 prometia ser uma avassaladora representante na lista de revistas mais vendidas do mês nos Estados Unidos. Entretanto, em uma das curtas homenagens, escrita por David Goyer, roteirista dos dois mais recentes filmes do Batman e do próximo filme do próprio Superman, e ilustrada por Miguel Sepuvelda, o personagem aparece de uma forma que acredito que ninguém esperava vê-lo.

Considerado o grande símbolo dos ideais norte-americanos no mundo todo, o Homem de Aço parte em defesa de forma pacífica do povo iraniano contra o opressor presidente do país, que estava causando massacres de civis nas ruas, porém, a autoridade do herói é questionada por se tratar de uma nação que não obedece às leis dos Estados Unidos, portanto, o personagem estaria fora de sua jurisdição, o que leva o grande herói kryptoniano a discutir com o assesor de segurança do presidente americano, Gabriel Wright, e, então, tomar a decisão de renunciar à sua cidadania estadunidense para não ter que dar satisfações ou ter sua autoridade contestada. Simples assim.

Era mais do que óbvio que isso acarretaria em uma enxurrada de comentários e críticas, dos leitores habituais de revista e dos demais meios de comunicação, que adoram polemizar alguns eventos que envolvem os principais personagens dos quadrinhos, como foi o caso da saga "A Morte do Superman", na década de 1990, e das recentes mortes do Batman e do Capitão América (discutir a avacalhação que isso se tornou é algo para se fazer outro dia, o foco aqui é outro). Alternando entre os dois principais argumentos,: o Superman fez isso apenas para expressar que todo seu poder não pode ficar limitado aos limites geográficos de uma só nação; e o personagem é um elemento mítico da cultura norte-americana e não podem permitir que façam isso com ele; os debates alcançaram canais de televisão como a conservadora Fox News, jornais como o New York Post e os twitters de diversos autores, que se dividiram quanto à questão.

A história não tem nem a garantia de que seja algo a ser levado em consideração numa eventual cronologia do personagem, e, portanto, pode nem ter qualquer importância em si, porém, acabou exigindo muito esforço dos profissionais da editora, como Dan Didio e Jim Lee, para contornar a situação e evitar maiores desgastes com a imprensa. Segundo eles, "O Superman é um visitante de um planeta distante que há muito abraçou os valores dos EUA. Como personagem e como ícone, ele incorpora o melhor do Modo de Vida Americano. Em uma história curta na revista Action Comics 900, ele renuncia à sua cidadania para dar um foco global à sua batalha que nunca termina. Mas ele permanece, como sempre, comprometido com seu lar adotivo e suas raízes, como um garoto fazendeiro do Kansas vindo de Smallville".
  
Esse evento todo ao redor de uma singular história realmente merece um certo questionamento quanto aos limites da imagem do mito e do seu papel na cultura de uma nação, ainda que, atualmente, o que mais se veja sendo feito é uma desvirtualização da sociedade e um crescente sentimento de ceticismo  no cotidiano das grandes metrópoles. Como símbolo americano, o Superman reuniu jovens e ensinou a importância de ter bons valores, porém, atualmente não é nada fácil ver qualquer lição por ele ensinada sendo posta em prática de forma propriamente dita. Então, a pergunta que fica é: Toda essa defesa do ícone do S é pela manutenção da importância do personagem na formação de gerações dos leitores americanos ou meramente uma formalidade para fingir um falso moralismo em meio a um momento que os Estados Unidos tentam manter sua credibilidade depois de tantos erros cometidos na gerência Bush? Acho que seria o momento para uma reflexão séria e avaliar quais as perguntas que realmente deveriam estar sendo feitas aqui e quais perseguições um tanto irracionais deveriam ser evitadas.

Além disso, um outro fato nesse imbróglio chamou muito minha atenção. O editor da Marvel Comics, Steven Whacker, que trabalhou com o Homem-Aranha logo após o polêmico arco "Mais Um Dia" e com o Demolidor na saga "Shadowland", recebeu vários e-mails enfurecidos criticando a postura com o Superman, sendo que o personagem sequer é da editora onde Whacker trabalha. Ou seja, há mais gente reclamando do que lendo de fato o material que está sendo tão criticado. O desconhecimento frente às disponibilidades técnicas dos dias atuais sobre um elemento da indústria do entretenimento que está constantemente sendo veiculado nas mídias digitais não mais serve como uma desculpa aceitável, e esse ato apenas demonstra que antes de se criticar algo, deve-se pesquisar bastante a fundo o que se quer criticar antes, para que os argumentos sejam válidos e, da discussão, surja uma via para se seguir que permita reais melhorias dos dois lados, tanto para os produtores dos quadrinhos, como para seus leitores. Esperemos para ver qual será a reação do povo brasileiro quando a história chegar aqui.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Novo Portal de Quadrinhos Nacionais, Exportando Talento e A Busca por Tempos Áureos Das Gigantes dos Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães


Sei que o título está bastante comprido, mas são muitas novidades a serem comentadas aqui. Em primeiro lugar, gostaria de destacar um projeto que me chamou bastante a atenção pela excelente iniciativa que é: a ainda nova Editora Eras, que se oficializou em 2010 e tem como foco o trabalho com materiais de RPG, jogos e histórias em quadrinhos, deu início essa semana à procura de interessados em trabalhar com arte sequencial para começar a publicar no seu portal online específico de quadrinhos, o "Multicomics Blog".

Com o objetivo de fazer um trabalho exclusivo com quadrinhos brasileiros, a Eras tem divulgado vários artigos sobre o universo no qual as histórias que publicará acontecerão e comentando o processo de produção delas, desde a colorização até a diagramação que o site usará. O trabalho promete muito e pode ser uma porta de divulgação para o talento nacional bem positiva. Quando o portal estiver plenamente construído (o que se vê lá por enquanto ainda é a versão provisória, até que comece a publicação das HQs), acredito que será um ótimo ponto de encontro para os admiradores da nona arte no Brasil. Fiquem antenados nesse projeto.

Quanto à segunda notícia do dia, trata-se da notícia de que a graphic novel nacional "Cachalote", escrita por Daniel Galera e desenhada por Rafael Coutinho, será exportada para a Europa e a editora Cambourakis será a responsável pela publicação do material na França. Dou destaque a essa notícia porque se trata de mais um exemplo de que o Brasil está começando a exportar seu talento para o mundo e não mais apenas importando. Apenas na década de 1960, quando o Brasil exalava um crescimento cultural muito grande (que infelizmente não foi muito pra frente depois, diga-se de passagem) e exportava vários exemplos disso, como a Bossa Nova, a arquitetura revolucionária de Oscar Niemeyer que começava a se destacar, e a beleza da construção de Brasília, o país verdadeiramente demonstrava seu potencial criativo, e vejo que nos últimos tempos, o Brasil tem começado a dar seus passos para voltar a praticar isso. Precisamos continuar assim, mostrando a que viemos.

E, por último, mas não menos importante, uma notícia que reforça um pouco o ponto que tenho exposto aqui no blog já há algum tempo quanto aos quadrinhos das duas grandes editoras americanas Marvel e DC. Através de projetos como Iron Age (Marvel) e RetroActive (DC), as editoras demonstram estar atrás de um retorno aos bons tempos em que fazer, ler e acompanhar quadrinhos era mais simples, onde você não precisava de uma cronologia completamente louca para compreender tudo que acontece no universo e que os personagens são mais simples e verdadeiramente humanos do que nos dias atuais. Os quadrinhos atuais estão vendendo muito e atraindo cada vez maiores fontes de capital e possíveis leitores, porém, é perceptível que muitos sentem a falta de algo, que antes os quadrinhos tinham e hoje parecem ter esquecido um pouco como usar: pureza e simplicidade. É uma volta às origens necessária, mas que não é garantia de bons resultados. Aguardo para ver o desenrolar disso.

sábado, 23 de abril de 2011

Convite Para Escrever O Rei dos Mares

Por Gabriel Guimarães


Desde que os primeiros leitores de quadrinhos conheceram seus personagens favoritos nas revistinhas, sempre houve um desejo de criar suas próprias histórias com o personagem, viver a fantasia de imagina-lo enfrentando esse ou aquele vilão, em uma dada circunstância em um determinado local. Ao longo dos anos, isso rendeu frutos variados para as histórias em quadrinhos mundiais. Alguns, como Jim Shooter, se tornaram roteiristas das grandes editoras ao exporem seus trabalhos em cima dos personagens da casa, enquanto outros, criaram um gênero muito popular e que se expandiu bastante com o passar dos anos, o Fan Fiction, abreviado para fanfic.

Seja de personagens de mangás, de heróis, ou até mesmo da literatura, esse gênero já atraiu muitas pessoas a darem um pouco de sua própria visão de mundo aos personagens que são elemento constante na realidade delas mesmas, expandindo o meio através de quase uma propaganda metalinguística, onde o fã expõe sua relação com o personagem de uma forma tão particular que outros que venham a ler esse conteúdo passam a se interessar em encontrar o material original publicado pelas editoras.

Um trabalho realizado para esse fim, entretanto, como qualquer obra que é disponível para leitura, pode ser de muita qualidade, ou com objetivo único de ridicularizar algo ou de distorcer um pouco ou muito o mundo dos personagens de que se escreve. Essa imensa gama torna possível as abordagens das mais variadas, alcançando inevitavelmente aquele leitor que procura algo de acordo com o que percebe como mais interessante.

Então, é nessa linha de raciocínio, que venho aqui para anunciar o convite que o blog DC Ultimate, que posta histórias fanfic dos personagens do universo DC, veio me fazer há menos de um mês atrás. Eles estão com um projeto de mostrar histórias dos personagens dessa editora de um ponto de vista menos atrelado ao da linha cronológica geral que rege os quadrinhos publicados pela Panini, e me convidaram a tomar parte nessa iniciativa, assumindo um dos títulos que eles pretendem ter de forma regularmente mensal, no caso, o título do Aquaman.
Como descrevi na minha matéria sobre questão de visiblidade (que pode ser lida aqui no blog), esse personagem não dispõe de muito carisma e de uma quantidade muito positiva de procura e de aproveitamento nos quadrinhos da DC, e o novo roteirista-chefe da editora, Geoff Johns, responsável por fases brilhantes do Lanterna Verde e do Flash, está assumindo o personagem para tentar reverter isso. Partindo desse mesmo pressuposto para o rei dos mares num universo cheio de super seres como Superman, Mulher Maravilha, Ajax, etc, decidi aceitar a proposta e, a partir desse mês, escrever o título mensal do Aquaman para o blog DC Ultimate, que conta com admiradores dos personagens da DC de vários pontos do Brasil, desde Macaú (Rio Grande do Norte) a São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Convido, portanto, os leitores deste meu blog, que permanecerá funcionando exatamente como faz hoje, a também darem uma visita a este blog companheiro e a lerem os títulos postados lá, não apenas o meu. Deixo, então, o link do primeiro número do Aquaman que escrevi, que foi publicado hoje, dia 23 de abril, na imagem acima para ser a porta de entrada nessa parceria quadrinística que pode render muitos benefícios aos produtores e aos leitores no futuro, se Deus quiser.

Obrigado mais uma vez a todos pelo apoio que dão ao meu blog e espero que apreciem também a versão que darei ao dono do trono da Atlântida do universo DC nessa minha empreitada.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Pequena Lulu, Grandes Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães


No Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, está sendo realizada uma exposição em homenagem à personagem de quadrinhos infantis Luluzinha, que voltará a ter suas histórias clássicas publicadas pela editora Ediouro no seu selo de quadrinhos Pixel Media, já responsável pela publicação da versão teen da personagem (a qual, quando surgiu, gerou uma enorme polêmica sobre a fidelidade com as origens que tinha, e por se tratar de uma versão brasileira de uma personagem americana).

Criada pela americana Marjorie Henderson Buell em 1935, Luluzinha fez um estrondoso sucesso entre as tiras cômicas, sendo publicada por dez anos no Saturday Evening Post, para então ganhar uma revista própria pela Dell Editora, já sob a batuta de John Stanley, tanto na arte quanto nos roteiros. Tendo figurado em revistas, séries de TV, bonecos, adesivos, etc, Lulu virou uma referência muito conhecida e querida pelo público e foi somente em 1984 que deixou de ser editada nos Estados Unidos. No Brasil, a última edição publicada com as histórias da jovem Lulu e do seu melhor amigo Bolinha saiu apenas em 1996, pela editora Abril.

Aqui dentro, inclusive, a série fez tanto sucesso que ganhou ainda uma homenagem na canção de Roberto e Erasmo Carlos, "A Festa do Bolinha", que conta uma história entre os seus protagonistas, Lulu e Bolinha.


Em 2009, seguindo o sucesso alcançado pela versão teen da Turma da Mônica (o que já analisei antes aqui no blog), Luluzinha ganhou uma aparência e personalidade adolescente pela Pixel, e voltou a ser lembrada pelo público leitor. Agora, recebe essa justa homenagem que merece ser conferida de perto, na rua José Antônio Coelho, 879 no bairro de Vila Mariana, São Paulo / SP. A exposição estará disponível para ser visitada gratuitamente até o dia 7 de maio, das 15h às 18h.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Selo de Qualidade Tupiniquim

Por Gabriel Guimarães


Essa semana saiu a lista dos candidatos ao Prêmio Eisner, considerado o Oscar dos quadrinhos, e não foi tão surpreendente a presença de alguns autores brasileiros que estão despontando nos últimos anos entre os concorrentes em suas respectivas categorias.

Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, já quase figuras constantes nas premiações que envolvem a nona arte, seja nos Estados Unidos ou na terra de origem deles, o nosso Brasil, estão concorrendo pela sua obra Daytripper na categoria de melhor minissérie ou arco de histórias. Primeiramente publicado no mercado exterior, essa história de drama narra as frustrações e os aprendizados do escritor de obituários Brás de Oliva Domingos. A crítica da obra dos gêmeos foi muito boa, e o encadernado das dez edições publicadas pela Dark Horse Comics também tem sido muito procurado pelos leitores de arte sequencial. Aqui no Brasil, a trama será publicado pela Panini, responsável pela publicação dos principais quadrinhos em circulação no mercado editorial brasileiro.

Rafael Albuquerque
Outro brasileiro que também concorrerá ao grande prêmio dos quadrinhos é o desenhista Rafael Albuquerque, graças ao seu trabalho na série American Vampire, que concorre ao prêmio de melhor nova série. Na história, o criminoso Skinner Sweet é transformado por um de seus rivais no primeiro vampiro americano, que, diferentemente das versões tradicionais, usa a energia do Sol para gerar seus poderes de uma forma bem violenta. As histórias de Sweet já são publicadas no Brasil há algum tempo na revista Vertigo, da editora Panini.

Fico feliz que o Brasil esteja sempre junto nessas premiações para mostrar que temos uma habilidade criativa que se equipara aos países onde há mais recursos para os produtores culturais do que aqui, e torço pelo sucesso dos três concorrentes desse ano. A honra de vencer um Eisner vai muito além de simplesmente receber um prêmio, mas sim de escrever seu nome na história desse meio de comunicação que tanto foi defendido pelo quadrinista, de cujo nome o troféu resolveu homenagear, Will Eisner. Eisner revolucionou o meio com seu estudo da narrativa gráfica e até hoje é um dos pilares sob os quais a indústria da nona arte se sustenta, e esse prêmio é uma justíssima homenagem a tudo que este homem fez por todos os leitores e criadores de quadrinhos. Tendo falecido em 2005, Eisner sempre estará na memória daqueles que tocou através de sua vida e de suas histórias, as quais foram sempre sensíveis à figura humana e suas reações ao mundo que lhe cerca (já homenageei o talento e o significado de Eisner para os quadrinhos em várias matéria antes aqui e aqui no blog). Mais uma vez, obrigado, pioneiro eterno.