sábado, 26 de fevereiro de 2011

Madrugada das Possibilidades

Por Gabriel Guimarães
Essa semana saiu nas bancas de jornal e lojas especializadas as edições da DC que concluem a mega saga "A Noite Mais Densa", que tem o universo de personagens do Lanterna Verde como principal protagonista, porém se ramificando entre os principais títulos da editora, como Superman, Batman, Liga da Justiça e Sociedade da Justiça. A história atingiu o patamar de grande evento do ano da editora e a levou a incrível façanha de passar a Marvel em quantidade de revistas vendidas e de arrecadação nos Estados Unidos. Seu principal roteirista, Geoff Johns, se consolidou como caixa forte entre os profissionais da atualidade, alavancando as vendas de todos os títulos que passou a escrever.

A DC também aproveitou a abordagem da saga para gerar talvez uma mudança determinante para o destaque da editora nessa nova década que começa, uma volta às origens, aos tempos em que os quadrinhos eram claros, mais épicos e ideológicos, contexto este corretamente percebido no título da nova série mensal que foi lançada lá fora e que será publicada a partir de março aqui, "O Dia Mais Claro".











Apesar de todos esses pontos positivos que quis destacar, tenho alguns comentários que considero bastante pertinentes de se levantar aqui. A saga começou a partir de uma deixa criada nos anos 1980 pelo antológico roteirista e criador Allan Moore, numa história onde o dono anterior do anel do setor espacial 2814, Abin Sur, é alertado pelos seres mostruosos de Ysmault sobre a profecia que anuncia a queda dos Guardiões do universo como instrutores da ordem no cosmos. Devido a uma escassez de ideias originais e apostando no estímulo para os leitores mais recentes de buscar histórias antigas dos personagens a fim de compreender a razão dos acontecimentos atuais, a DC investiu todas as moedas no sucesso dessa saga. Em termos artísticos e culturais, é claro que "A Noite Mais Densa" foi a tentativa da DC de aproveitar a onda de popularidade do gênero de terror dos últimos anos, que rendeu sucessos como "Zumbis Marvel" e "Walking Dead". Sendo influenciado por filmes como "A Noite dos Mortos Vivos", o universo DC virou um cemitério ambulante, causando muito mais estardalhaço do que poderia se imaginar, chegando a um nível verdadeiramente apocalíptico para os personagens.

Tendo que enfrentar os corpos decrépitos de seus entes queridos, os personagens estiveram num limiar emocional como nunca antes, e a forma como isso foi mostrado nas revistas alternou demais entre o bom e o ruim, em termos de qualidade. A Sociedade da Justiça, cujo envolvimento com a saga foi brilhantemente desenhada pelo brasileiro Eddy Barrows, foi um dos lados interessantes de se ler, junto com os desafios pelo qual a Tropa dos Lanternas Verdes passaram em Oa e Mogo. Ao mesmo tempo, a parte que coube à Liga da Justiça e a alguns personagens secundários como Starman foram um tanto quanto ridículos, sem força suficiente para enfrentar essa ameaça do mundo dos mortos. A trama se desenrolou na sua linha principal também de uma forma confusa e em ondas de ação e reação não tão bem exploradas, culminando num final de teor pouco dramático e sem muito sal.

Do ponto de vista editorial, no entanto, tenho algumas opiniões muito fortes sobre isso tudo. Primeiro e mais brandamente, gostaria de comentar o quanto foi uma pena não ter ocorrido uma divulgação dessa saga como foi feito lá fora, onde foram distribuidas réplicas dos anéis das tropas multi-coloridas envolvidas na trama. Os fãs desses personagens com certeza teriam apreciado muito esse brinde, e neste ponto, me incluo como um deles. Agora, do ponto de vista sério, o trabalho de edição da saga no Brasil foi bastante fraco. Quem lê meu blog, sabe que eu não sou de criticar sem base, e quando um trabalho de edição nos quadrinhos é bem feito, eu dou uma menção bastante destacada (como fiz quando analisei o arco do próprio Lanterna no surgimento da Tropa Sinestro), porém, dessa vez, eu não tenho como elogiar um trabalho que eu vi que foi tão deficiente quanto este foi.

Eu tentei ler pela cronologia que foi impressa em várias edições envolvidas na saga: não deu certo. Dentro de uma mesma revista, você encontrava histórias antes e depois dos eventos ocorridos em outra revista, que só viria a ser publicada muito tempo depois. Há um erro, inclusive, na tabela, no que tange a quais revistas da série Liga da Justiça estão envolvidas na saga. A primeira relacionada não tem nada da Noite Mais Densa, e a seguinte à última que está lá, sim. Personagens iam e viam, numa edição estavam em um lugar fazendo algo, combatendo alguém, de repente, em outra, estavam no lado oposto do mundo ou do universo fazendo algo completamente diferente. Faltou direção no volante para quem era responsável pela coordenação das publicações da saga, isso qualquer um é capaz de perceber.

--SPOILER para quem não leu ainda--

Basta que se note na parte da trama em que Hal Jordan se deixa possuir pela entidade Parallax a fim de derrotar o Espectro dominado pelo anel negro da Tropa de Nekron. Na edição número 29 da série do Lanterna Verde, o fato que descrevi é consumido no clímax da revista, mas só vamos ver sua continuação na edição 30, considerando que na escala das edições haviam 3 revistas que estariam cronologicamente entre uma e outra, onde, inclusive, na edição da Liga da Justiça número 98, foi publicada uma história já pós-Noite Mais Densa, onde o Lanterna Verde Hal Jordan aparece tranquilamente disposto a formar uma nova Liga. É de dar um nó na cabeça do leitor.

Em termos de história, "A Noite Mais Densa" foi uma história sem grandes destaques ou momentos marcantes, mas pode ser a deixa para algo realmente maravilhoso na DC: um recomeço. O título da matéria é uma referência a isso. A noite obscura terminou, e os raios do sol da esperança começam se lançar por sobre o horizonte. Enquanto o dia mais claro começa a ser construído, acho importante termos esse momento de ponderação. Entre um momento e outro, há uma madrugada, onde deve se planejar o futuro e o que surgirá na nova aurora da DC. Espero que compreendam que a era de crises seguidas de crises já acabou, e agora precisamos de um tempo de calmaria estimulante, onde a força de vontade que levantou a DC precisa ser restaurada e descansada, pelo menos por um tempo. Em breve, já haverá a próxima grande fase da DC, "Flashpoint", porém, diferente de como tem sido lidado até agora, esse arco não parece ter tanto peso e melodrama como as crises da segunda metade da última década que afetaram tanto o teor dos quadrinhos (como destaquei já antes aqui no blog na minha série de matérias especiais sobre as mudanças nos quadrinhos na última década). Veremos o que o futuro nos reserva daqui para frente: rumo a um novo amanhecer esmeralda, espero.

NOTA GERAL: 2,5 estrelas.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"Face It Tiger... You Just Hit The Jackpot!"

Por Gabriel Guimarães


Com essa frase do título, foi que Peter Parker se deparou pela primeira vez com Mary Jane, aquela que viria a ser seu grande amor nas histórias em quadrinhos pelos próximos 40, 50 anos (só não é mais assim por uma decisão polêmica do editor Joe Quesada que ainda hoje é muito discutida, porém, esse não é o foco da matéria de hoje). De um minuto para o outro, a vida do cabeça de teia, desculpem-me a expressão óbvia, "virou de pernas pro ar". Quantas coisas boas na vida não acontecem dessa maneira, exatamente?

Enfrentamos as dificuldades que surgem à nossa frente, batalhando cada vez mais em busca de um oásis em meio a um deserto que vai até onde os nossos olhos podem ver. E muitas vezes perdemos, ficamos tristes, cabisbaixos, perguntando-nos onde erramos, se poderíamos corrigir tudo, num simples estalar de dedos, ou no caso do Superman das grandes telas, dando várias voltas ao redor do globo para retroceder o tempo. Entretanto, na vida real não é assim. Temos que encarar as consequências de nossas ações, não podemos apagar tudo de errado e ficar só com o que dá certo. Porém, podemos tirar algo de positivo de tudo aquilo de errado que acontece conosco, podemos crescer, nos tornarmos mais fortes, mais capazes, e muitas vezes até mais merecedores de fato daquilo pelo que tanto lutamos. Acho que o leitor deve estar estranhando bastante o tom dessa matéria, mas vou me explicar agora.

Muitas vezes, quando estamos na condição de superarmos nossas dificuldades e paramos de nos preocupar tanto, deixando as coisas fluírem naturalmente, é que portas incríveis se abrem diante de nós, com oportunidades muito além de nossas maiores expectativas. É nesse contexto, que anuncio aqui dois concursos, de que eu tomei conhecimento recentemente, a todos vocês. A editora Panini, em virtude da marca de 100 edições publicadas dos seus títulos "Superman", "Batman" e "Liga da Justiça", abriu um concurso artístico onde quem enviar para a editora por meio online as ideias mais criativas que homenageiem esses marcos, seja por desenho, foto, pintura, etc, concorre à arte original que será usada nas capas dessas edições, por seu título correspondente. Essas artes serão, nada mais, nada menos, que de autoria dos grandes artistas brasileiros que trabalham para o mercado americano, Joe Prado (que fará a capa da revista do cavaleiro de Gotham), Eddy Barrows (que fará a capa da edição do personagem com que trabalha atualmente, o Superman), e Ivan Reis (que fará a capa da Liga, onde já teve muitas de suas edições do Lanterna Verde publicadas no passado). Pode-se participar com quantas obras preferir, porém, caso seja premiada, apenas uma delas será. Para conferir o regulamento e forma de inscrição de forma correta, o link para o hotsite da Panini é este.

Ao mesmo tempo, o site do cartunista Will Leite anunciou um concurso de desenho para concorrer a uma camisa personalizada pelo próprio autor do site. Conforme ele for recebendo os materiais que concorrerão, ele os postará no seu Tumblr para júri popular, o que é uma grande oportunidade para exibir seu trabalho e expor suas habilidades no traço, para aqueles de vocês que desenhem. O endereço para a matéria que anuncia o concurso é este, e o do Tumblr do Will é este.

Eu não acredito que as coisas aconteçam de forma aleatória, e, como disse no começo da matéria, essas portas de oportunidade surgem quando menos esperamos que vão surgir. Não sei se algum de vocês estava se sentindo sem chance de lutar por um futuro nos quadrinhos, ou se simplesmente precisavam de alguma forma de motivação, porém, quis hoje lhes fornecer essa ferramenta para mudar as suas histórias. Eu também participarei de ambos os concursos, e ficarei no aguardo pelos seus resultados. Ainda assim, torço sinceramente pelo sucesso de todos aqueles daqui que decidirem tomar parte em algum deles.

Façam de todos os seus dias os dias mais claros, para que sempre possam ir para o alto e avante, além de onde os limites do imediato pode ver, rumo a um grande futuro. Nas palavras de Disney, "Keep moving forward" (Siga sempre em frente). Nos vemos lá.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homenagem ao Superman Clássico

Por Gabriel Guimarães
Alguns dias atrás, um dos animadores dos estúdios Disney, Robb Pratt, responsável por trabalhos como Tarzan, Hércules, entre outros, resolveu prestar uma homenagem à clássica versão do primeiro super herói das histórias em quadrinhos, Superman. Veja abaixo o curta e, após ele, os comentários de produção feitos pelo próprio animador apresentado em sequência.

Tendo protagonizado diversos seriados de televisão ao longo de sua história, Superman é o grande ícone dos quadrinhos para a cultura americana e, por isso, preencheu o espectador de sonhos e ideias. No curta produzido por Pratt, o personagem que o protagoniza é uma versão bem simples do herói, como costumava ser na época de seu primeiro momento avassalador na década de 1940, e é uma boa homenagem aos velhos e bons tempos em que ser um herói era mais simples e virtuoso.


A discussão entre os valores de hoje e a visão maravilhada dos valores de ontem pela cultura atual foi muito bem explorada no artigo feito pelo professor da UFRJ Octávio Aragão, "O futuro não é mais como antigamente", que vale a pena conferir.

Enquanto essa discussão não termina, o que parece estar muito longe de acontecer, aproveitemos essas nostalgias e lembranças de momentos que nem sequer existiram propriamente em muitos casos, e sonhemos com a quebra de barreiras socio-convencionais da atualidade, para alçarmos voo rumo a mundos maravilhosos que apenas nossas imaginações são capazes de comportar. Para o alto e avante!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Workshop com Eddy Barrows

Por Gabriel Guimarães
Neste último sábado, dia 29 de janeiro, ocorreu nas instalações da subsidiária da Impacto Quadrinhos no Rio de Janeiro um workshop com o desenhista brasileiro Eddy Barrows, responsável pelo traço de várias edições do Superman e que colaborou com muitas edições para o mega evento A Noite Mais Densa, trabalhando nos desdobramentos que a história teve nos títulos do Superman e da Sociedade da Justiça.

Começando de manhã e indo até de tarde, a oficina mostrou um ponto raro de ser encontrado nas aglomerações dos admiradores de quadrinhos: explorou de forma enfática e pontual a carreira de um desenhista de histórias em quadrinhos. Apesar de algumas generalizações sobre certos pontos, a palestra realmente foi ótima. Barrows explicou como é seu relacionamento com seus colegas de trabalho, como faz seu dia-a-dia funcionar em função dos prazos, e como lidar com estes. Entretanto, o ponto mais interessante e estimulante abordado foi a questão relativa ao direcionamento de carreira dos desenhistas, ponto que muitos não pensam muito enquanto estão trabalhando.


Eddy Barrows explicando seu processo criativo para uma
 página dupla da SJA 

Utilizando de exemplos do próprio meio, que permitiu ao público visualizar bem o que estava sendo dito, o desenhista mineiro conseguiu prender os espectadores que abarrotavam a sala do terceiro andar de uma escola, onde o curso funciona. O público, composto em grande parte por alunos do próprio curso, ficou atento o tempo inteiro, participando e tirando todas as dúvidas que tinham com o palestrante, que se integrou muito bem com o assunto e entrosou rapidamente com todos ali presentes.

A palestra apresentou ainda uma análise caso a caso em cima de diversas obras de Barrows, que explicou como produziu cada uma delas, e deu projeções para seus trabalhos futuros, seu decorrer profissional e seus conselhos aos novos marujos da carreira no mercado de quadrinhos.

Após a palestra, houve avaliação de portfolios com o desenhista e venda de layouts originais dele, junto com revistas importadas que continham seu traço. Aos que se interessaram por compra-las (dentre as quais haviam páginas excelentes e de espantosa qualidade), houve depois a oportunidade de pegar o autógrafo do seu artista, que demonstrou estar satisfeito com o reconhecimento que estava tendo ali.

Barrows ainda comentou sobre a necessidade de surgir uma referência para os quadrinhos nacionais no Rio de Janeiro, uma vez que em outros grandes centros, já há nomes, enquanto aqui, não se tem um artista que possa ser o estandarte do gênero de forma apropriada. Isso foi extremamente exultante, pois ele discorreu de uma forma consistente e inspiradora, que, eu garanto, não sairá da memória daqueles que lá estiveram.

Tudo foi ótimo, excetuando-se o calor em que a reunião se deu, elevado pelo fato de a escola sede ter tido problemas com a rede elétrica recentemente e não ter tido a oportunidade de ter um ar condicionado instalado a tempo. Os organizadores se desdobraram para garantir a realização do evento, uma vez que tudo já estava organizado antes do problema estrutural surgir; creio que isto merece uma nota aqui pela determinação de todos.

Somo às palavras de Barrows meu sentimento pelo crescimento da nona arte no Rio de Janeiro. Vejo na cidade, que é a mais bonita do mundo, o maior potencial artístico de todos. Cada esquina, cada rua, cara praia, cada pessoa; todos são obras de arte, aqui, tudo é arte, é vida. Precisamos dar a importância devida a isso, não podemos jamais esquecer, jamais esmorar, jamais abandonar a veia artística. Estimulem-se, regozijem-se, criem. Que o Rio de Janeiro possa ser o rio de esperanças para vocês, possa ser o berço de seus mais maravilhosos sonhos, seus mais incríveis desejos. Que o Rio de Janeiro seja o rio de seus sonhos, de todo o seu ano, de toda sua vida. Que ele possa ser o seu Rio de Janeiro, dentro de seus corações e de cada folha de papel que vocês desenharem, escreverem e/ou criarem. Tomem posse de sua terra, e nela, vivam seus maiores sonhos. Esse é o meu desejo para todos os cariocas que aspiram a um dia alcançar a uma profissão no ramo dos quadrinhos. Fiquem todos com Deus, e até a próxima.  

domingo, 30 de janeiro de 2011

Feliz Dia dos Quadrinhos!

Por Gabriel Guimarães
Sei que estou um pouco atrasado, e espero terminar a matéria antes da meia-noite, porém, venho aqui dar sinceros parabéns e desejar tudo do melhor aos admiradores da nona arte neste dia 30 de janeiro, dia das histórias em quadrinhos.

Seja você um leitor de mangá, de quadrinhos de heróis, de graphic novels européias, de tirinhas e histórinhas em estilo cartum, este dia visa homenageá-lo, e a tudo que esse meio de comunicação representa: uma união de credos, raças, classes sociais, culturas, pessoas. Tendo sua origem encontrada em formas de abordar o convívio entre as diferentes culturas que formavam os bairros no começo do surgimento das grandes metrópoles, os quadrinhos sempre foram ferramenta de integração, e assim permanecerão por toda a sua existência.

Fosse levando o leitor para fora do mundo, mostrando-lhe universos com os quais ele nunca tinha tido contato antes; ou para dentro de si mesmo, numa jornada de auto-conhecimento e análise de forma profunda e sensível, a arte sequencial ficou marcada na vida de muitas pessoas. Para uns, mais, para outros, nem tanto. Mas ficou marcada de alguma forma, isso é uma certeza.

Com os anos, o reconhecimento e a admiração a essa bela forma de arte vêm crescendo, graças a muito trabalho duro e dedicação de todos os envolvidos no processo de uma história em quadrinhos (que vai desde o roteirista que tem a ideia até o leitor quando lê o trabalho já finalizado - como destacou o quadrinista Daniel Esteves em sua palestra na Rio Comicon de 2010). Fosse traçando linhas e mais linhas até criar um universo onde antes só existia uma folha em branco, ou gastando seu suado dinheiro depois de muitas horas de trabalho na compra de um gibi, você contribuiu para isso tudo. E por essas razões, parabenizo a todos, leitores, roteiristas, desenhistas, editores, arte-finalistas, coloristas, letristas, admiradores, etc.

As comemorações alcançaram a capital mineira, por exemplo, que organizou um evento no Bistrô Folha Gourmet, que acredito ter atraído muitas pessoas. Infelizmente, não pude estar presente, mas quem sabe ano que vem, não nos esbarremos por lá? Com certeza não deixarei de narrar todos os passos do evento aqui no blog caso isso se confirme, tal qual fiz para a cobertura da Rio Comicon do ano passado.

Meu prazo está estourando, então, encerro aqui essa matéria comemorativa mais uma vez parabenizando a todos, e agradeçendo, porque nada do que tem se conquistado para os quadrinhos seria possível sem você, fiel admirador da nona arte.

Tudo de bom e muitos quadrinhos para todos vocês!

domingo, 23 de janeiro de 2011

1º Colocado: Quadrinhos.com

Por Gabriel Guimarães

Hoje, chegamos à última parte da série de reportagens especiais produzidas pelo blog sobre os acontecimentos que mais marcaram a nona arte na primeira década do século XXI, e muitos me perguntaram ansiosos qual ítem teria tamanha importância a ponto de deixar em posições mais baixas na lista o excelente relacionamento dos quadrinhos com o cinema (abordado há poucos dias aqui no blog), ou a criação da turma da Mônica Jovem (analisada aqui no blog um pouco antes), ou mesmo a compra da Marvel pela Disney (acontecimento que já foi discutido aqui no blog também). Entretanto, acima desses eventos que, sim, foram muito importantes para os quadrinhos, esteve a forma como os quadrinhos reagiram ao que só pode ser chamado de revolução digital pela qual o mundo e a sociedade passaram nessa década. Que essa década foi absurdamente marcada pelo desenvolvimento desenfreado dos recursos tecnológicos, ninguém pode negar. Mas, de que forma esse fator que predominou na década afetou as histórias em quadrinhos, exatamente?

Todo meio de comunicação depende essencialmente de um elemento, que o próprio nome já diz: comunicação. O que supõe, claro, que deve haver um produtor de informação e um receptor de informação. Uma comunicação é bem sucedida quando a mensagem criada pelo produtor chega e é compreendida de forma correta pelo receptor, o que pode parecer óbvio. Nesse percurso da mensagem, há o que muitos comunicólogos chamam de ruídos, que são interferências externas que alteram a interpretação e decodificação das linguagens através da qual a mensagem é contruída e recebida. Isso pode parecer redundante, irrelevante até para os leitores de quadrinhos em geral, porém, sem a compreensão desse processo, como seria possível realizar qualquer ato comunicativo, como pretendem as histórias em quadrinhos?

A sociedade foi constituída em cima desses pilares, e é através deles que a cultura dos quadrinhos se disseminou. No começo da produção dos quadrinhos nos grandes centros urbanos, a divulgação e comércio de histórias era feita quase que única e exclusivamente através da comunicação boca a boca, onde, por exemplo, um garoto que recebesse do pai um gibi do Batman, o lesse, e gostasse, passava a ele próprio propagandear o material aos seus amigos, garantindo dessa forma tão despretensiosa o crescimento na venda das revistas em quadrinhos. Não se trata de um exagero essa minha afirmação, pois não proponho que um só garoto foi o responsável pela construção de um meio de comunicação, proponho que essa sequência de ações ocorriam em larga escala, de uma forma tão exponencialmente representante, que foi a partir muitas vezes desse processo que os quadrinhos começaram a serem conhecidos e comprados.


Com o tempo, a televisão, o cinema e o rádio se desenvolveram e passaram a ser os principais meios através dos quais qualquer forma de comunicação era divulgada, como revistas e livros, seguindo simplesmente a ordem natural dos eventos. Chegamos à última década seguindo nesse panorama.

McLuhan, reconhecido estudioso dos meios de comunicação acreditava que estes seriam formas de extensão do homem, onde uma câmera filmando uma reportagem do outro lado do mundo em que se encontrava o espectador nada mais era que uma expansão do sentido da visão inerente ao homem, o rádio, seria a expansão da audição, e assim por diante. Nessa última década, um meio pelo qual a informação se dava se destacou de forma mais exacerbada que os demais: a internet. Ela reduziu distâncias, representou mudanças político-sócio-temporais em todas as sociedades ao redor do mundo. E os quadrinhos não poderiam, jamais, deixar de serem afetados por ela.

O grande acontecimento que afetou as histórias em quadrinhos na década, afirmo, foi a resposta dos quadrinhos à adesão global da internet e dos meios tecnológicos. A internet levou a uma inclusão global que poucos sonhavam nas décadas antes de seu surgimento e afirmação, permitiu uma divulgação de conteúdos em uma proporção muito além do que a va imaginação humana é capaz de pensar.Uma palavra jogada errada num twitter, hoje, em um ponto do globo pode levcar a represálias e conflitos físicos em pontos geograficamente distantes, só para supor um exemplo. Quando se pensa nas novas dimensões em que uma produção artística exposta online pode ter hoje, começa-se a perceber a razão de eu ter posto esse evento no topo da lista da década.

Com a internet, ocorreu um aumento estrondoso no número de artistas que publicavam seu material de quadrinhos. Reduzindo consideravelmente uma das grandes dificuldades que os artistas encontravam, que era procurar uma editora que estivesse disposta a publicar uma tiragem em papel de suas obras (o que não era nada fácil, especialmente para quem fazia quadrinhos, já que as editoras, em geral, só arriscam uma publicação assim quando sabem que haverá uma resposta economicamente viável do público, o qual na realidade, não era garantido), a internet se mostrou uma ótima solução para eles, que começaram a correr em direção ao mercado digital com suas tramas e enredos que eram guardados na gaveta. Com isso, o número de produtores de quadrinhos explodiu, e acabou levando junto o número de leitores.

A propaganda passou a ser feita também sem um custo fixado, como em jornais, revistas ou outdoors, o que facilitou aos novos autores anunciar suas histórias em blogs, sites de relacionamento, chats ou em fóruns. Um dos primeiros a entrar no mercado digital no Brasil foi Fábio Yabu, com sua história "Combo Rangers", que fazia uma série de referências ao universo cultural em que os leitores habituais de quadrinhos já estavam inseridos, e, através disso, levou a uma ótima resposta quanto ao número de leitores e reconhecimento na área. Para auxiliar na divulgação desse material e manter a comunidade leitora da nona arte em contato com todas as notícias e novidades das editoras mais conhecidas e dos personagens mais admirados, surgiram os sites de informação de quadrinhos, como o Omelete, o Universo HQ (que completou onze anos esse mês, mas que se estabilizou apropriadamente na década e que foi parabenizado quando completou dez anos de existência já aqui no blog), além dos estrangeiros Comics Should Be Good, Bleeding Cool, entre centenas de outros.


A forma como a informação era transmitida aos leitores de revistas mudou, e o próprio leitor mudou. Passou a dividir sua atenção entre o material impresso e o material digital, o qual oferecia toda uma diversidade de universos jamais vislumbrados antes por quem lia apenas as obras de tinta e papel. "O Homem-Grilo", do quadrinista Cadu Simões, as tiras hilárias do cartunista Will Leite, "Sin Titulo", do estreante Cameron Stewart, e o blog dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá são alguns dos projetos interessantes que ganharam mais voz e destaque com a adoção do meio digital.

A internet também mudou os quadrinhos de uma forma que ainda é muito discutida: os limites do direito autoral. Não vou adentrar muito nessa discussão agora pois ela é extensa e não tenho enbasamento suficiente no momento para ter uma opinião definitiva sobre o assunto, que vai desde os creative commons até o download de HQs scaneadas. Entretanto, quero destacar apenas com isso que as grandes editoras perceberam que se não disponibilizassem, e logo, seu próprio material no meio online, iriam perder uma fatia enorme do mercado, além do risco que se concretizou em vários sites de terem seu material digitalizado por terceiros, que causava redução do público que consumia as revistas nas bancas de jornal. A partir dessa procura das grandes editoras, surgiram marcas como a Comixology, responsável pelo modelo em que foram e estão sendo expostas os quadrinhos da Marvel para aplicativos de Ipod, Ipad e celulares. Baseado num esquema semelhante, a DC também lançou no ano passado seu aplicativo de leitura digital (a digitalização dos quadrinhos das duas gigantes já foi discutida aqui no blog antes). Isso tudo tem revolucionado o mercado, que vê uma nova forma de distribuição de quadrinhos expandindo à sua frente de uma forma que não é possível controlar todas as suas ramificações.

Foram muitas mudanças, muito rápido, e, portanto, foi uma década MUITO agitada para os quadrinhos. Decorrendo de formas que nem grandes teóricos da área, como Scott McCloud, poderiam antever com detalhes, os quadrinhos vêem surgir um novo horizonte no futuro. Um futuro que se mostra um campo aberto, uma página em branco, para se criar e desenvolver toda sorte de mudanças nesse meio de comunicação, que surgiu de forma despretensiosa há mais de um século, e que cada ano cresce mais e mais, amadurescendo e expandindo todo o seu potencial, que ainda é grande demais para se compreender na atualidade. Não duvido que nos próximos anos, tudo sofrerá ainda mais mudanças do que as que ocorreram nessa década que terminou, e estaremos aqui para poder discutir todo desenrolar e avanço nesse meio artístico e único, como afirmou Ziraldo, que "tem a dinâmica que a leitura visual do século XXI exige".

Uma década terminou, outra se inicia, e a luta continua. Para o alto e avante, homens do amanhã, porque o amanhã se contrói hoje, e este é o tempo de vocês!

sábado, 22 de janeiro de 2011

2º Colocado: Quadrinhos nas Livrarias

Por Gabriel Guimarães

Por muitos e muitos anos, vários quadrinistas como Will Eisner lutaram para o reconhecimento das histórias em quadrinhos como forma de arte e como um meio de comunicação digno e honrado, porém sempre encontraram obstáculos nessa jornada, como o psicólogo Frederic Wertham, autor do livro "Seduction of the Innocent" em 1954 (obra jamais traduzida para o português, (in)felizmente), em que acusava as revistas em quadrinhos da época de serem a ferramenta através da qual a delinquência juvenil se propagava, alegando que jovens que se encontravam em internatos faziam os atos de vandalismo influenciados pelos personagens de quadrinhos que liam.

Essa crítica ganhou um alto coro das comunidades de defesa dos bons modos que existiam à época, compostas por donas de casas, educadores e psicólogos, que se preocupavam  com o bem estar moral das crianças. No Brasil, os artigos que eram escritos alertando para os riscos de expôr a classe juvenil aos modelos de comportamento dos gibis eram publicados de forma suntuosa em dezenas de periódicos como forma de atacar indiretamente o magnata da comunicação Roberto Marinho (como explicado aqui no blog alguns dias atrás).

Foi difícil fazer quadrinhos em grande parte do século XX, mas os autores persistiam em fazê-lo, trazendo a todos os leitores de seu material experiências memoráveis e que instruíam em boas virtudes, apesar do que muitos achavam. Alguns editores, como o russo-brasileiro Adolfo Aizen, tentavam mostrar o potencial educativo na arte sequencial através de edições luxuosas onde contava a vida de personagens ilustres da história brasileira e mundial, além de diversas edições e coleções especiais que lançava sobre os homens da Bíblia e modelos da fé cristã. Alguns de seus volumes tinham um acabamento tão bom e eram tão bem editadas e administradas, que uma grande parte do público considerava aquelas histórias como obra de arte e guardavam nas suas estantes ao lado dos livros que compravam nas livrarias.

Para entrar no tema que ocupa a segunda colocação na lista dos 10 maiores acontecimentos nas histórias em quadrinhos na década, é necessário revisitar o já mencionado Will Eisner. Uma vez, há muito tempo atrás, conforme ele dizia, as pessoas vinham lhe perguntar nas festas que ia qual era sua ocupação profissional, o que ele prontamente respondia como sendo desenhista de quadrinhos. Porém, percebendo a expressão de desgosto que os outros faziam quando dava essa resposta e como o seu meio era desconsiderado como meio de comunicação, Eisner cunhou um termo que hoje nos é parte do vocabulário básico dos leitores da nona arte: ele, para não causar choque ou desconforto nos outros e em si mesmo, passou a afirmar que era produtor de graphic novels (novelas gráficas). O seu reconhecimento cresceu assustadoramente, uma vez que ninguém sabia o que aquilo queria dizer de fato, mas soava muito bom. E, vale uma nota, foi Eisner a publicar a primeira graphic novel da história, "Um Contrato com Deus", em 1978.

Parece cômico, entretanto, passou-se a usar o termo eisneriano para qualificar toda obra que visasse ser reconhecida como material mais sério e não tanto infantil. Ele auxiliou na separação entre os quadrinhos adultos (que são mais associados a noções de pornografia e erotismo) das tirinhas infantis. Por muitos anos, contudo, não houve muitos exemplos de graphic novels para marcarem o gênero como elemento de referência no mundo, uma vez que a forma de conexão entre os espaços no mundo ainda não era tão desenvolvido como nos dias atuais. Na Bélgica, surgia Tintin, do quadrinista Hergé, e na França, começavam a serem publicados os belos trabalhos do desenhista Moebius, no entanto, não eram de fácil acesso ainda. No Brasil, as editoras ou não tinham recursos para trazer o material para cá e publicá-los na qualidade que eles careciam, ou não preferiam arriscar entrar no mercado que era sempre questionado de histórias em quadrinhos. A editora Abril, do italiano Victor Civita, procurou reverter um pouco isso com uma coleção que foi editada de janeiro de 1988 a junho de 1992, o que atraiu um público considerável. O Brasil começava a demonstrar interesse no gênero.

Então, chegamos à década que terminou há pouco. Já vindo sendo publicados há tempos no formato de livro, os quadrinhos europeus, desde a década de 1980, quando a cultura inglesa mudou o rumo dos quadrinhos no mundo, começavam a chamar a atenção do público, mas este acabava sendo frustrado pelo fato de não se publicarem os materiais de forma apropriada ou até de forma alguma aqui. Isso começou a mudar nos anos 2000. A publicação de "Persépolis", da autora iraniana Marjane Satrapi, originalmente publicada na França, que chegou ao Brasil pela editora Companhia das Letras, em 2004, é um bom exemplo disso. A série de mangás com a biografia do padrinho dos quadrinhos japoneses, Osamu Tezuka, também é uma publicação que chamou atenção, pela editora Conrad, ainda em 2003. E não parou por aí.

A editora Panini não pode ser esquecida aqui porque ela foi, talvez, um dos maiores gatilhos para que a publicação de graphic novels no Brasil começasse a ocorrer de forma tão acentuada como foi e ainda tem sido. Antes parte do repertório da editora Abril, os personagens da Marvel e da DC viveram décadas de muitas aventuras majestosas no modelo formatinho em que eram publicados. Porém, uma vez vendidas as tiragens das revistinhas na sua época de publicação, raramente era possível aos leitores que surgissem posteriormente encontrar o material para ler, sem ter que caçar em sebos ou lojas especializadas por ele, ou encontrar alguém em meio aos seus círculos de amizade particulares que possuísse as edições com a história que procurassem. Era desconfortável, desanimador. A Panini, compreendendo o modelo de publicação dessas histórias onde foram originalmente publicadas, ou seja, nos Estados Unidos, começou a inovar, lançando reedições de histórias clássicas dos personagens que eram feitas no exterior, aumentando assim a chance e o vigor dos novos leitores na sua atividade de ler quadrinhos.

"Lendas", arco de histórias publicado em 1986 com a Liga Justiça, "A Guerra das Armaduras", história publicada em 1987 nas revistas do Homem de Ferro, a clássica e essencial história da "Fênix Negra" protagonizada pelos X-men em 1979; são apenas alguns exemplos das histórias que foram republicadas e que deram fôlego aos novos leitores para compreender todo o percurso de seus personagens favoritos até o ponto em que estão hoje, e que foi possibilitado de chegar às mãos deles por edições especiais desenvolvidas pela editora Panini. A editora Mythos, com autorização da Panini, ainda foi responsável por trazer aos novos fãs dos heróis a brilhante reformulação do Superman pelas mãos de John Byrne e Dick Giordano, que ocorreu em 1986/1987 numa nova publicação em 2006.


E, seguindo no modelo criado após a publicação da minissérie original de "Watchmen" feito nos Estados Unidos, onde as editoras reuniam as edições que formavam um arco fechado e as republicavam num papel melhor com um acabamento mais fino para continuar lucrando com o material mesmo após ele deixar de ser inédito (como já foi mostrado aqui no blog), a Panini começou a fazer igual, republicando, por exemplo, "Homem-Aranha: Caído entre os Mortos" em 2007 (arco originalmente feito por Mark Millar com desenhos de Terry Dodson em 2004), sendo que este havia sido publicado nas edições 41 a 50 da série normal do Homem-Aranha pela mesma Panini poucos anos antes.
Observando a quantidade de graphic novels vendidas, a Panini começou a investir em acabamentos cada vez melhores, o que permitiu a republicação de histórias maravilhosas como "Terra X", "Marvels" e "Camelot 3000" com um acabamento de luxo dado a poucos livros no mercado, mas que, ainda assim, geravam um bom retorno financeiro à editora. Obviamente, ela não seria a única a ver essa oportunidade de ouro com a venda de quadrinhos em forma de livro.


As revistas se tornaram, então, quase uma linha secundária de se encontrar quadrinhos, uma vez que novas editoras como a Balão Editorial, a Gal Editora e a Barba Negra começavam a investir em material inédito da nona arte para publicação direto em livro. Editoras tradicionais já, como a Companhia das Letras, ainda foram além. A Cia. das Letras criou um selo individual de si mesma apenas para a fatia de mercado de quadrinhos com a qual lidava, e, a meu ver, foi talvez um dos maiores destaques da década, pelo repertório de histórias publicadas, pela qualidade do material em termos artísticos e físicos, pela diversidade que deu à abordagem de suas publicações (que iam desde o avassalador sucesso da juventude moderna "Scott Pilgrim" até republicações das obras do mestre Will Eisner, como "Nova York - A Vida na Grande Cidade" e "Ao Coração da Tempestade"; e Joe Sacco, com seu estilo único de jornalismo em quadrinhos visto em "Notas sobre Gaza").

Falei muito sobre obras estrangeiras lançadas aqui no Brasil, mas nessa revolução toda que temos visto (que tornou possível, pela primeira vez, realmente encontrar histórias em quadrinhos colocadas em pé de igualdade, em termos de importância, nas prateleiras de livrarias com grandes clássicos da humanidade), os autores brasileiros também foram muito beneficiados. Muitos começaram a ser, inclusive, procurados por editoras para lançarem seus trabalhos, uma vez que já demonstravam ter um público constante razoável em número para possibilitar uma tiragem nas gráficas, como foi o caso dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, que fizeram a adaptação para a arte sequencial do clássico "O Alienista", de Machado de Assis, pela editora Agir em 2007, que é considerado por muitos como a melhor adaptação do gênero já produzida até agora. Danilo Beyruth, Celso Menezes, Felipe Massafera (estes três como já mencionei aqui antes quando falei do aumento da qualidade e quantidade dos quadrinhos nacionais), João Montanaro, entre outros, também são alguns dos autores que passaram a ter o trabalho publicado no formato livro e trazendo boas respostas às editoras que os lançaram.

Hoje, os quadrinhos ocupam, em média, uma estante nas maiores livrarias, mas o número de quadrinhos publicados como graphic novel só tem feito crescer, e não duvido de que o espaço que hoje é ocupado por livros específicos demais para encontrar mercado em alguns pontos do Brasil seja, muito em breve, "quadrinizado". Acho que Will Eisner, que faleceu em 2005, estaria orgulhoso do rumo que o setor está tomando, então, não querendo ser pretensioso ou nada do gênero, agradeço e presto minha homenagem a ele (que já havia feito uma vez antes aqui no blog), que deu início a todo esse processo pelo reconhecimento dos quadrinhos, e dedico tudo que tem se desenrolado desde então às suas batalhas iniciais no começo de tudo.