quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Nós" na HQMix

Por Gabriel Guimarães
Neste sábado, dia 4 de dezembro, estará sendo realizado na HQMix, loja especializada em quadrinhos de São Paulo, o lançamento da história em quadrinhos "Nós - Dream Sequence Revisited", do quadrinista Mario Cau, pela editora Balão Editorial.


Com sua característica particular de narrar a história usando os desenhos e a alternância da espessura do traço, Mario Cau é um dos bons quadrinistas que vim a conhecer na Rio Comicon, e esse trabalho dele, que acompanha um DVD com a versão motion comic da história, vale muito a pena, pois se trata de uma proposta ótima para os quadrinhos como forma de arte e suas possibilidades de abordagem.
O autor e vários outros profissionais da área estarão na Praça Roosevelt, 142, São Paulo/SP a partir das 19h, e a minha dica é que vale muito a pena conferir.

domingo, 21 de novembro de 2010

Prevendo uma Noite bem Densa para o Filme do Lanterna Verde

Por Gabriel Guimarães
Essa semana foi liberado o primeiro trailer para o filme do Lanterna Verde que estreará nos cinemas ao redor do mundo ano que vem. Com Ryan Reynolds no papel principal do piloto de testes Hal Jordan e Blake Lively no papel da sua chefa e par romântico Carol Ferris, muito se fala da produção desse filme já há algum tempo.

Pois bem, o resumo dos fatos está aí, agora, quanto à opinião: A escolha de elenco foi fraca, procurou-se mais nome do que habilidade ou qualquer semelhança com os personagens originais. Ryan Reynolds, no máximo, daria um bom Kyle Rayner, pois ele não parece físicamente com o maior dos Lanternas Verdes, e sua própria personalidade está muito mais próxima de um Deadpool ou de um Guy Gardner do que de um Hal. Blake Lively também não demonstra ter o pulso firme que Carol Ferris demonstra nos quadrinhos, basta que se veja sua primeira aparição no trailer para perceber.
O trailer, a meu ver, já mostrou que o filme deve ser muito fraco, o que é uma grande decepção, uma vez que sou um grande fã do gladiador esmeralda há anos. Num clíma de sessão da tarde sem animar muito com história e efeitos especiais, não me empolguei em nada para assistir o filme nas telonas. Entretanto, como sei que não devemos julgar um livro pela capa, ou um filme por um trailer, vou assisti-lo inteiro quando tiver estreado e postarei a resenha aqui.
Enquanto isso, resta-nos torcer que, tal qual Robert Downey Jr. surpreendeu no papel de Tony Stark, também assim o elenco desse filme o faça, porque se não, a DC estará perdendo uma de suas franquias que poderia dar mais certo, com certeza.
Esperemos pelo dia mais claro para essa produção.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RIO COMICON, BABY!!! - EPÍLOGO

Por Gabriel Guimarães
Hoje foi o primeiro dia depois do grande evento das histórias em quadrinhos que transformou a cidade do Rio de Janeiro num sonho tornado real. Fosse pelo entrosamento entre todos os quadrinistas e fãs, ou pelo ambiente propício para a criação encontrado nas oficinas, ou as grandes figuras e palavras que estiveram presentes nas palestras e debates, esse evento ficou marcado em todos que estiveram lá, e não será esquecido com tanta facilidade.
Os contatos e amizades que foram formados lá permanecerão, e com certeza, serão fortalecidos com o contato seja pessoal ou pelos meios eletrônicos. Eu, no caso, fiz grandes amizades. Além dos quadrinistas que já mencionei aqui no diário do evento, com quem falei um a um praticamente, também houveram muitas outras pessoas que cativaram com seu jeito confiável e amistoso. O editor Guilherme Krol, da editora Balão Editorial, por exemplo, foi um dos que me recebeu de forma cordial e amistosa no evento, e com quem eu certamente manterei amizade. O quadrinista Danilo Beyruth demonstrou ser um profissional de extrema disponibilidade para o público, e cujo relacionamento com as pessoas que estavam no evento vale uma nota aqui também.
O que estou querendo expôr aqui nesse post é isso: as amizades e laços que foram criados lá não têm que terminar simplesmente porque o evento terminou. Não. Não deixem esfriar a sensação de complitude que estar lá na Estação Leopoldina lhes deu, não esqueçam de imediato todos os sorrisos e situações incríveis que vocês viveram nessa semana. Enquanto essas memórias estiverem vivas em nós, o evento terá cumprido seu objetivo maior: ser um dos grandes eventos da arte sequencial para o público leitor no Brasil como um todo.
Ano que vem, tenho certeza, será muito mais para se contar. Mais histórias, mais amizades, mais experiências de vida. Mas nada mudará o que foi a Rio Comicon do ano de 2010: o primeiro passo.
Caminhemos juntos, em direção ao melhor. Para nós, para os quadrinhos, para o Brasil.
Obrigado pela experiência que vocês me proporcionaram, ela foi inestimável, e continuará viva em mim por toda a minha vida, não importa quanto o tempo passe.
Então, pela última vez, deixem-me dizer, que:

É RIO COMICON, BABY!!! 

domingo, 14 de novembro de 2010

RIO COMICON, BABY!!! - DIA FINAL

Por Gabriel Guimarães
É uma pena, gente, mas terminou. Porém, deixemos as despedidas para o final, pois tudo tem sua hora. Primeiro, celebremos tudo que ocorreu nesse sexto e último dia da Rio Comicon de 2010.
O público de hoje era mais limitado que o de ontem, ainda assim, haviam muitas famílias no local, que foram agraciadas por vários artistas fantasiados como personagens de games, quadrinhos e mangás para cosplay. Do clássico encanador italiano Mario aos marvelescos Homem-Aranha e Senhor Fantástico, o clíma na Estação Leopoldina hoje era de muito relaxamento, percebendo-se no ar que a calmaria em breve dominaria novamente o saguão enorme da antiga estação de trêns. Foi então que a confirmação da presença do maior ídolo dos quadrinhos brasileiros fez aumentar exponencialmente a animação dos jovens leitores, que corriam e gritavam querendo ve-lo. Claro, estou falando do excelentíssimo quadrinista Maurício de Sousa.


Os modelos fantasiados animaram muito o dia de muitas
crianças e famílias

O dia deve ter sido cansativo para esse grande mestre, que deu uma palestra em quase clíma de "fechar com chave de ouro" do evento, autografou e tirou fotos com 100 felizardos que pegaram senhas na ala dos desenhistas, e depois ainda foi participar de uma mesa final com diversos outros artistas para o encerramento oficial de tudo. Falemos da palestra. Num ambiente lotado de admiradores do seu trabalho, Maurício falou do mercado de quadrinhos, do potencial criativo do brasileiro, do papel educador das histórias em quadrinhos, um pouco do seu processo de produção no seu estúdio em São Paulo, e na revolução que ocorreu com tudo que o envolvia com a criação da "Turma da Mônica Jovem".


Maurício se preparando para a palestra

Extremamente cordial, ele incentivou os novos artistas, deu conselhos sobre como entrar no mercado da nona arte e deu quase uma aula em termos de administração de marca. Para os que o veem como uma figura meramente capitalista, desejo-lhes informar que ele está muito além disso. Ele tem uma visão muito clara do trabalho que é necessário para a produção de uma história e ele compreende na pele sim tudo o que o artista passa. A parte comercial pela qual alguns se limitam a ve-lo, na verdade, é uma questão de necessidade como qualquer outra na sociedade em que vivemos hoje, e se ele conseguiu atingir tamanho êxito nisso, deve-se única e exclusivamente à sua extrema capacidade de aproveitar as chances que surgiram à sua frente na sua jornada como quadrinista.
Mesmo respondendo a tantas perguntas, ele não deixou de enfatizar o potencial criativo do povo brasileiro, e que nós podemos sim um dia começar a exportar histórias também, e não apenas desenhistas. Não poderia concordar mais.

A apresentação de Maurício de Sousa lotou o
auditório

Para o público de "Turma da Mônica Jovem", alguns avisos foram recebidos com grande entusiasmo: em breve, surgirá também a versão jovem de outro personagem de Maurício, o caipira baseado no seu tio-avô, Chico Bento; e além disso, também surgirá em pouco tempo a série de desenhos animados da Turma, só esperando o aval de qual meio tecnológico será usado para sua produção - 3D, desenho normal ou avatar (não, não os seres azuis, mas sim a tecnologia que usa pontos de sensibilidade de movimento nas roupas de modelos, que são digitalizados para animar um desenho estático gerado no computador, semelhante ao processo que foi utilizado para fazer filmes como "O Expresso Polar" e "O Natal do Senhor Scrooge").
Para o público mais tradicional, falou-se da terceira edição do MSP 50, com título ainda não definido, que será lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro do ano que vem. Além dessa novidade, falou-se de uma obra que abordará a primeira-dama dos quadrinhos nacionais, a Mônica, de uma forma especial, sem entrar em mais detalhes, apenas que será lançada no meio do ano que vem. Há muito pelo que aguardar.

Marcelo Campos e Renato Guedes, respectivamente, avalia-
ram os portfolios de muitos desenhistas na suposta
última oficina do evento



Quanto às oficinas, este derradeiro dia não as teve, mas sim uma avaliação de portfolios organizada pela equipe da Quanta Academia de Artes. Quem levou seu trabalho em histórias em quadrinhos foi avaliado pelos dois grandes desenhistas Marcelo Campos, que já trabalhou na Marvel e na DC e que é o criador do personagem "Quebra-queixo";e Renato Guedes, atualmente desenhista da DC, que já trabalhou com a adaptação da série de televisão "Smallville" para quadrinhos e com vários personagens da família Super (é dele, inclusive, o traço da edição especial que estava há relativamente pouco tempo nas bancas, "Superman Anual #1", da editora Panini). Ouvir o que duas grandes fontes do ramo como eles têm a dizer sempre auxilia em muito os que ainda estão começando, e quem esteve lá pôde comprovar isso hoje.


Bom, infelizmente, chegamos ao momento onde devemos nos despedir desse que foi um dos grandes eventos do ano na cidade do Rio de Janeiro, que entrosou de forma muito harmoniosa os admiradores do gênero da arte sequencial e os autores, tanto de editoras independentes quanto das gigantes do mercado.

Adieu, au revoir, addio, arrivederci, lebewohl, adiós, goodbye, farewell, adeus, até loguinho. A Rio Comicon de 2010 com certeza ficará eternamente marcada na memória daqueles que puderam estar lá presentes, e os contatos que lá fizemos serão mantidos por muitos e muitos anos à frente. Era disso que os quadrinhos aqui do Rio estavam precisando há muito tempo, uma chance de entrosar seus admiradores, tanto estes sejam produtores de conteúdo no seu formato ou não. Da experiência de conhecer outros, nós crescemos muito, e garanto que quem esteve lá saiu de uma forma completamente diferente da qual chegou no primeiro dia. Eu sei que eu saí. Vocês estiveram comigo lá todos os dias, e eu não os esqueci. Convido-os, bons leitores, a manterem contato comigo, para que estejamos sempre crescendo como uma equipe, com laços fortes e firmes. Quaisquer comentários, fotos, opiniões,..., que vocês tiveram do evento, me mandem. Quem sabe vocês também não vêm a conhecer seus artistas favoritos através daqui, ou, até mesmo, descobrem aqui no blog uma voz para poderem ser ouvidos por quem vocês jamais imaginaram que poderiam te ouvir?
Venha, faça parte disso tudo, seja parte da galera. Quem sabe, da próxima vez, somos mais, unidos, gritando a plenos pulmões para que o mundo inteiro possa nos ouvir que:

É RIO COMICON, BABY!!

RIO COMICON, BABY!!! - DIA 5

Por Gabriel Guimarães

Panorama da Rio Comicon no seu primeiro
fim de semana de existência, completamente lotada

No primeiro dia de fim de semana da Rio Comicon o que mais se percebeu lá foi a imensidão de pessoas para um espaço que não parecia poder comporta-las de forma apropriada. Tendo aberto as portas um pouco mais tarde hoje, deixando acumular uma quantidade considerável do público no frio vento ainda em transição da manhã para a tarde, a estação Leopoldina vislumbrou o que a esperava no decorrer da tarde ao se deparar com uma fila enorme de pessoas ainda para comprar os ingressos do evento para hoje.

Como hoje o público não se restringiu aos admiradores da nona arte em si, percebia-se que muitas pessoas que estavam lá destoavam de tudo aquilo que o evento representava. Não pensem que eu sou um crítico de "farofeiros" de fora do círculo quadrinístico, de forma alguma eu sou algo assim. Porém, convenhamos que levar um cachorro, ainda que de coleira, para dentro do evento, e entrar no estande da Livraria da Travessa, é um pouco demais não é? Lá não é uma pet shop, não é um veterinário. O cachorro era manso, a raça dele inclusive não demonstrava qualquer perigo, entretanto, o bom senso nos diz que onde há um cachorro fora do seu ambiente ideal, sempre podem ocorrer imprevistos caso o cachorro se sinta ameaçado por algo ou caso tenha certas necessidades fisiológicas fora de lugar. Não digo que isso aconteceu, pelos meus conhecimentos, não ocorreu. Mas existiu essa possibilidade, e alerto que isso deveria ser observado com mais medidas restritivas no futuro.
Voltando ao evento em si, hoje o artista Milo Manara voltou a assinar suas obras, o que criou filas absurdamente imensas de fãs ansiosos por conhece-lo. O cartunista Laerte também esteve presente, demonstrando sua total irreverência na sua própria figura enquanto esteve lá, o que tirou muitas risadas ao longo do dia, tanto de autores quanto do público.


Marcela Godoy nos dá uma aula sobre os recur-
sos estilísticos e narrativos que os quadrinhos
podem ter

Nas oficinas de hoje, um equilíbrio marcou o sábado: a primeira, de "Roteiro para histórias em quadrinhos", ensinada pela roteirista Marcela Godoy, da graphic novel "Fractal", foi bastante técnica e abrangente; e depois, a de "Ilustração Editorial" dada pelo ilustrador Weberson Santiago, que já fez de tudo um pouco no mundo dos quadrinhos e da ilustração (já foi colorista da minissérie em quadrinhos do sucesso de televisão "24 horas", responsável pelo processo de produção das tiras da "Liga dos VJs Paladinos" para a revista da MTV, além de ser ainda ilustrador de várias revistas de informação e artigos e editor das revistas "Mundo Canibal" e "Havaianas de Pau"), seguiu numa linha de suavidade e conversa aberta sobre tudo no ramo em debate e um pouco mais.

Celso Menezes, roteirista da belíssima HQ na-
cional "Jambocks!" esteve presente na ofici-
na de roteiro como observador

A oficina de Marcela Godoy foi excelente, e, em quatro horas de duração, pontuou tudo que há para se saber sobre estilo, formato e recursos disponíveis para se produzir uma história em quadrinhos. Usando de muitos exemplos práticos da cultura pop, em especial, filmes de suspense e terror, foi muito discutida a necessidade da criação de uma esfera em que o roteirista como contador de histórias precisa pôr o leitor para que a mensagem lhe seja transmitida de forma clara. Demonstrando os muitos sentidos que uma página de quadrinhos pode assumir mediante pequenas mudanças estruturais em suas ferramentas únicas, a oficina realmente abriu muito os olhos dos alunos para todo um universo de possíveis abordagens que se pode dar a uma narrativa sem nem precisar dizer uma palavra. Tamanha tarefa, todavia, não é função apenas do roteirista, que é responsável pela compreensão da história a partir de elementos textuais; e carece de um entrosamento importantíssimo deste com o desenhista, que será o responsável pela compreensão da história nos elementos gráficos que dispõe nos quadrinhos, e no formato que dá aos próprios quadrinhos em si. Apesar de cansativo pela quantidade de informação em tão pouco tempo, posso garantir que quem esteve lá não se arrependeu nem um pouco.

Weberson Santiago nos mostra como reali-
za seu processo de criação

Já a oficina de Weberson seguiu num rumo diferente, assumindo mais uma postura de conversa aberta sobre a jornada como profissional do ilustrador e uma discussão bastante informal sobre a importância de uma ideia por trás do desenho, pois um bom desenho sem ideia nada representa, enquanto um desenho simples com uma ideia brilhante torna-se uma obra de arte. A importância de se estar sempre desenhando, mesmo que à mão livre, também foi um ponto bastante ressaltado, culminando com o próprio Weberson detalhando seu processo de desenho aos espectadores que o observavam.


Enfim, este foi um dia muito proveitoso, porém muito cansativo. A quantidade de pessoas na Estação é algo bom pois demonstra o interesse das pessoas em buscar um evento da arte sequencial, mas falta estrutura física para suportar tamanha procura, isto é facilmente visto. Amanhã, infelizmente, será o último dia desse grande evento que honrou o Rio de Janeiro durante essa semana. Mas não falemos disso ainda, pois, por enquanto, pelo menos, ainda podemos dizer que:


É RIO COMICON, BABY!!!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

RIO COMICON, BABY!!! - DIA 4

Por Gabriel Guimarães

Luzes do teto nas cores da logo da Rio Comicon

No quarto dia de Rio Comicon, tudo começou meio rápido, acabei chegando um pouco atrasado e tive que literalmente correr o salão inteiro para chegar à oficina na qual tinha me inscrito, mas falarei disso depois.
    

Tal qual nos outros dias, hoje foi um dia onde os grandes destaques foram o contato e reencontro com os autores e o entrosamento entre os admiradores da arte sequencial. O clíma tem sido realmente inspirador e a correria por coisas boas tem sido frenética, seja de qual estilo de quadrinhos você goste.
  
Gustavo Duarte autografa edição do seu lan-
çamento "Taxi"

Cada dia há mais e mais pessoas preenchendo os espaços da Estação Leopoldina, e, como afirmei ontem, a projeção é de esse número crescer ainda mais nos próximos dias. Até agora, já foram confirmados cerca de mais 4 mil ingressos vendidos para o fim de semana. Isso demonstra um aumento da procura absurdo para esse meio de comunicação que tanto prezamos, e quem sabe demonstra uma possibilidade de maiores incentivos para produção de conteúdos novos nesse setor editorial no futuro? Aguardemos as boas novas.
  
O estande da Panini enfim foi montado, atraindo muitos olhares, porém, no que eu só posso ver como um erro de adminitração da própria editora, eles não estão vendendo material avulso lá, apenas assinaturas das revistas regulares, como "Turma da Mônica Jovem" e os tradicionais pacotes Marvel e DC.


Por falar em turma da Mônica, hoje tive o imenso prazer de conhecer o editor Sidney Gusman, grande responsável pela publicação das duas edições do "MSP50". Bem receptivo, ele demonstrou ser mais um dos muitos quadrinistas que tenho conhecido no evento que sabe tratar o público leitor com atenção e atitude positiva. Quanto ao quesito de receber bem o público, ademais, o evento como um todo sinceramente merece uma longa e saudosa salva de palmas.

Conheci hoje também no estande dos gêmeos Moon e Bá, o artista Gustavo Duarte, autor do lançamento "Taxi" e de muitas das charges do jornal de esportes "L!", antigo "O Lance", que recebeu a todos muito bem e conversou comigo por um bom período de tempo. Outro quadrinista que estava nesse estande era o Rafael Grampá, que vendia sua mais famosa obra "Mesmo Delivery" e autografava pôsteres que eram vendidos no local.
   
De chamar a atenção, também posso dar três destaques: O estande da Senac Rio tem demonstrado todos os dias técnicas de desenhar no tablet que tem sido de chamar muito a atenção, terminando em obras belíssimas; O estande da Seven, produtora de games, tem liberado para o público participar de forma interativa, jogando vários jogos no local, entusiasmando muito o público mais jovem; e, por fim, a 'passeata' de zumbis promovida pela editora Barba Negra para chamar a atenção para o lançamento de seu novo título.
Estande da Senac com arte feita no programa Sketchbook Pro
no tablet

 
 

Pois bem, agora retomando ao ponto que falei no começo do diário de hoje, a oficina de "Narrativa em histórias em quadrinhos", dada pelo desenhista Sam Hart, que desenhou a graphic novel "Outlaw: The Legend of Robin Hood" e a edição "Starship Troopers vol. 1".

Sam Hart explica a ordem de leitura de uma página

A oficina foi muito prática, e explicou todos os estilos de câmera e planos que normalmente são usados nos quadrinhos, e nos pôs para pratica-los conforme achássemos útil para a narrativa que tentamos fazer em sala, a partir de um roteiro improvisado feito por Hart. Desde closes a câmeras panorâmicas, o trabalho foi bastante abrangente e permitiu uma interação muito grande entre os alunos de lá, que iam desde cariocas até baianos.

Seja de que estado as pessoas estejam vindo, cada dia tem sido mais estimulante que o outro, e só tende a crescer até a conclusão do evento. Com o fim de semana chegando agora, só posso prever que isso aumentará mais ainda, pois, afinal de contas, lembrem:

É RIO COMICON, BABY!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

RIO COMICON, BABY!!! - DIA 3

Por Gabriel Guimarães
 
Em frente à galeria exclusiva de artes do italiano Milo Manara

Páginas que Manara produziu para o álbum em homenagem
aos criadores do personagem Asterix
Depois de um dia tão agitado e conturbado, hoje o que se sentiu mais na Estação Leopoldina foi uma calmaria inicial, mas que logo demonstrou o mesmo âmago de excitação dos outros dias. Tudo começou um pouco fora do prumo hoje, com vários estandes ainda fechados e pessoas ainda tímidas entrando pelos corredores das exibições, mas o que havia no ar era a expectativa de encontrar com o grande nome dos quadrinhos eróticos mundiais, o italiano Milo Manara, autor de obras antológicas do gênero como "Click!""Gullivera", mas, ouso dizer, acima disso, um artista fantástico da figura humana como um todo, o que pode ser comprovado por quem visitou sua exposição particular dentro da própria Rio Comicon. Suas obras não amargam na vulgaridade, mas atraem pelo belo traço (e não, não estou falando de erotismo aqui, estou falando de expressividade, algo que vai além de seus desenhos mais conhecidos do público, mas que podem ser vistos lá nessa seção especial para o quadrinista italiano).


Manara autografando os livros dos fãs com seu estilo
mais conhecido de desenhar

Bem, no geral, o dia apresentou muitos artistas renomados entrando em contato com seus muitos fãs e um considerável aumento no número de pessoas visitando o evento, fato que deve ser elevado potencialmente nos próximos dias devido à chegada do fim de semana. Quanto aos quadrinhos em si, hoje foi lançada a nova obra solo do quadrinista Mario Cau, "Nós - Dream Sequence Revisited", que foi vendida na Livraria da Travessa com um DVD cheio de extras da produção do material muito bem acabado; e os gêmeos brasileiros que têm estado cada vez mais em destaque no panorama da nona arte mundial, Fábio Moon e Gabriel Bá, autores da série "10 Pãezinhos" e da brilhante adaptação do clássico de Machado de Assis para os quadrinhos, "O Alienista", estiveram lá vendendo seus materiais, assinando e desenhando a pedido do público, e tirando fotos com este. Eles também estão vendendo em seu estande próprio uma revista bem produzida que visa apenas apresentar quem eles são ao público, e cujo texto interno encontra-se, inclusive, em quatro línguas diferentes (português, inglês, espanhol e francês), o que facilita muito a leitura. Trata-se de "Atelier". Vale a pena conferir.
Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá no seu estande quase particular
atenderam muitos fãs

Aqui eu creio ser, no mínimo, considerável fazer um adendo: A receptividade que os artistas têm tido com o público é um dos fatores que posso destacar como um dos mais positivos do evento até agora. Não houve guerras de ego, conflito de interesses. Todo artista que eu encontrei, pelo menos, tem demonstrado uma postura muito admirável com o público, e garanto que isso não passa despercebido.
Por falar em despercebido, Milo Manara hoje teve um dia em que ele pode dizer qualquer coisa, menos que passou despercebido pelos fãs de quadrinhos. A fila de pessoas querendo seu autógrafo foi tamanha que, para que ele pudesse sair, depois de muito tempo assinando livros, foi necessário que funcionários da Rio Comicon acompanhassem-no para evitar que mais pessoas o abordassem pedindo autógrafos.


André Caliman ensina as estruturas do desenho de um
personagem independente do estilo em que pode ser feito

Quanto à oficina que fiz hoje, mais mudanças no local: ontem, tinham posto ar condicionado na sala, hoje, já haviam mesas, para que, enfim, pudéssemos participar de forma mais produtiva do que era ensinado, o que foi algo realmente estimulante. O tema de hoje foi "Criação de Personagem", instruído pelo quadrinista curitibano André Caliman, das revistas "Fire" e "E.L.F.". Partindo para uma abordagem mais prática, André expôs alguns dos princípios da criação de personagens e nos guiou através da criação de projetos individuais nossos feitos a partir do zero lá. O manuseio de um estilo próprio de desenhar seja lá qual personagem se estivesse fazendo, e a necessidade da ambientação para a montagem da personalidade do personagem foram dois dos elementos muito interessantes abordados lá, o que permitiu verificar cara a cara a diferença que um estudo de personagem faz quando você começa a querer trabalhar com ele.


Hoje foi mais um dia empolgante para conhecer mais pessoas, e essa tem sido a grande graça do evento: o contato contínuo com o universo dos fãs e dos autores, que permite um olhar totalmente diferente sobre do que se tratam os quadrinhos em si. E ainda há mais por vir! Amanhã tem muito mais, pois, afinal de contas,:

É RIO COMICON, BABY!!!