A escalação do elenco certo pode muitas vezes ser o maior diferencial entre um filme de sucesso e um fracasso, e parece que alguns produtores ainda não perceberam isso tão claramente. Enquanto posso mencionar Hugh Jackman, Robert Downey Jr. e Tobey Maguire como atores que surpreenderam no papel de heróis e se tornaram a forma física com que todos olhamos para esses personagens hoje, há uma lista impressionante de atuações que marcaram os filmes de heróis de maneira negativa. Basta recordar Ben Affleck em Demolidor (2004), Halle Barry em Mulher-Gato (2004), Nicholas Cage em Motoqueiro Fantasma (2007) e Gabriel Macht em Spirit (2008).
Então, me pergunto, será que os atuais escalados ou pré-escalados para os próximos filmes de adaptação dos quadrinhos farão parte do primeiro grupo mencionado ou lutarão para serem esquecidos por sua atuação como os demais?
Alguns são ainda excelentes atores e atrizes e podem vir a surpreender, mas causam muito receio por sua fisiologia e/ou jeito de agir diferentes dos personagens das HQs, como é o caso de Ryan Reynolds, que ficou perfeito pelo seu perfil físico e psicológico no papel de Deadpool no sofrível filme solo do Wolverine, mas que em nada se assemelha a Hal Jordan, o principal Lanterna Verde dos quadrinhos que será o personagem central do filme que estreará em 2011. Como fã confesso do gladiador esmeralda, admito que fiquei muitíssimo temeroso pelo rumo que o filme vai ter, ainda que o elenco de bastidores seja de primeira linha. Assomando-se ao intérprete de Jordan, surge outra fonte de questionamento no filme, Blake Lively como Carrol Ferris. A atriz principal de Gossip Girl não me parece lembrar nem de longe a Carrol Ferris marcante e responsável do universo DC. Mas foi como disse antes, podem surpreender, e é o que eu sinceramente espero.Chris Evans como Capitão América, os cinco candidatos a serem o novo Homem-Aranha no reboot das filmagens do cabeça-chave da Marvel, dentre outros, ainda geram muitas incertezas no público que mais conhece as obras originais.
Espero que, tal qual no universo dos quadrinhos, nossa força de vontade, que é o que alimenta a bateria econômica das grandes empresas de quadrinhos quando compramos as revistas e vamos ao cinema assistir aos filmes, seja grande o suficiente para que em caso de os critérios para a escolha de elencos permanecer a mesma para os filmes futuros, que os atores e atrizes escolhidos venham sinceramente a nos surpreender e honrar os personagens que inflamam em nossas memórias há tantas décadas.
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http://universohq.com/quadrinhos/2010/n28052010_10.cfm
http://cinemacomrapadura.com.br/livros/161788/conheca-os-cinco-candidatos-ao-papel-de-homem-aranha/

Alvo de críticas pesadas na época, hoje é possível ver a razão de sua ação. Como foi destacado em algumas matérias sobre essa reviravolta absurda e abusiva, esse movimento trouxe fatores positivos para os quadrinhos Marvel, pois renovou o público do Aranha que não tinha tido contato com as obras de Tom DeFalco e Roger Stern numa das épocas mais marcantes do 'amigão da vizinhança'. O que, para nós, foi uma atitude completamente manipuladora pela cabeça do editor que não liga para seu público, foi na verdade algo de bom para chamar mais pessoas ao nosso amado meio de comunicação. A maneira como foi feita é que chamou tanta atenção negativamente. Os editores precisam conhecer e reconhecer que dependem de ambos os típicos leitores de quadrinhos para se manterem bem no mercado. Quesada passou por cima dos leitores veteranos, o que acarretou toda a polêmica.
Sempre me lembro das palavras finais de Alan Moore na sua obra máxima Watchmen,: 'Deixo inteiramente em suas mãos'. Está nas nossas mãos, nas mãos do público, motrar que não topamos mais ver histórias de enredo fraco e puramente mercadológica. Queremos mais profunidade, queremos mais qualidade, queremos mais respeito com a capacidade intelectual do leitor.


