sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tudo Está Bem com o seu Monitor

Por Gabriel Guimarães
Galera, sei que não tenho postado muitas matérias no blog, na verdade, há mais de um mês que não posto nada, mas é que a faculdade tem estado meio puxada esse período, e a quantidade de trabalhos que tive liberdade para fazer sobre os quadrinhos tem sido mais escasso que o previsto.

Agradeço a paciência de vocês, e lhes garanto que uma vez em condições de retomar a postagem de matérias quadrinísticas, voltarei a fazê-lo.

Gostaria apenas de deixar uma observação aqui com relação a uma coisa que percebi nesse meio tempo: postei um pedido de ajuda na comunidade do orkut 'Jornalismo e quadrinhos' quanto a um trabalho que tenho desenvolvido sobre formação do discurso jornalístico em quadrinhos, porém não recebi a menor resposta ou consideração que seja. Fiquei bastante decepcionado com tal egoísta ação dos membros da comunidade, porque para crescermos como indivíduos é primeiramente necessário que cresçamos como conjunto. Um conjunto de estudantes, conjunto de profissionais, conjunto de artistas, conjunto de amantes do meio. Um conjunto de sonhadores que farão de tudo para tornar seus sonhos reais.
Só queria deixar essa observação aqui.

Mais uma vez, agradeço a compreensão e espero que curtam as matérias mais antigas aqueles que não as leram ainda enquanto vou pensando no desenvolvimento de novas. Aos leitores mais antigos, agradeço em dobro sua paciência.
Fiquem todos com Deus, e continuem lendo quadrinhos!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lançamento de Livro no Rio de Janeiro

Por Gabriel Guimarães

Acontecerá neste sábado dia 19 de setembro a partir das 4 da tarde na rua do Catete o lançamento do livro "Darwin no Brasil", do cartunista brasileiro Flávio, mais conhecido pelos seus trabalhos na revista MAD e pela sua personagem Dasdô.

É um bom evento para reunir a galera do meio quadrinístico porque é num local de fácil acesso, pois fica em frente ao metrô da estação do Catete, além do horário mais cedo e da oficina de desenho com o autor para os mais jovens.
Além disso, o cartunista é um dos responsáveis por grande parte dos traços características das revistas MAD, estando presente no imaginário do público comum da revista.

Nos vemos por lá!

domingo, 13 de setembro de 2009

Aniversário e Sonhos Realizados

Por Gabriel Guimarães

Há dois dias atrás, o blog completou seu primeiro ano de vida! Mas não somos nós que mercemos os parabéns, nem nada, mas sim todos vocês, leitores, que tornaram possível ao blog crescer tanto em termo de postagens e de contatos com o meio quadrinístico. São vocês que merecem os parabéns, por terem incentivado a continuar indo em frente nessa iniciativa.
Há um ano atrás, comecei este blog com o texto "Para dizer que não falei de quadrinhos", e hoje posso dizer que não temos falado de outra coisa se não disso, com muito orgulho. Tenha sido por trabalhos de faculdade que fui postando aqui, tenha sido pelas mais que merecidas homenagens aos grandes profissionais da área, como Will Eisner e Mauricio de Sousa.
Em um ano, posso dizer que cresci muito como pessoa dentro desse meio de comunicação. Pude amadurecer muito com a ajuda dos comentários no blog e dos professores da UFRJ, os quais praticamente todos que me deram aula sabem que quero fazer quadrinhos da vida, ou melhor, vida em quadrinhos. Nesse meio tempo tive oportunidades únicas de conhecer teóricos da área pessoalmente, como Mário Feijó, Carlos Patati, e, principalmente, Mauricio de Sousa.

Ontem de tarde, fui à Bienal tentar encontrar com esse mestre dos quadrinhos e fiquei na fila do estande da Editora Globo durante quase uma hora, só para conhecê-lo sob o pretexto de assinar os livros que comprei dele, quando na verdade,o que queria de fato era conhecê-lo. E é graças ao Deus maravilhoso e bondoso que sigo que eu pude conhecer esse tão conhecido autor, realizando assim um dos meus grande sonhos desde que era criança.

Quando o vi vindo para a área onde autografaria os livros, estava muito nervoso, sem saber o que falar, afinal, como representar anos e anos de admiração, inspiração e nada menos que felicidade em breves e curtas palavras? Quando fui até a mesa onde ele estava sentado, não sabia que tipo de personalidade iria encontrar, mas nem nas minhas melhores expectativas esperava encontrar alguém tão hospitaleiro, caloroso, humilde, e incrivelmente simples, como o é Mauricio de Sousa em pessoa. São poucos os autores que são assim com seus fãs e com os aspirantes de sua área de atuação, e com certeza, esse tipo de atitude que ele teve comigo, sempre tentarei ter com todos que vierem a mim me buscar por qualquer razão. Tenho muito orgulho, melhor dizendo, honra, de poder dizer que este momento foi um dos meus momentos de maior amadurecimento como profissional, e que não esquecerei dele enquanto viver.

Dedico essas bençãos, tanto do aniversário do blog como conhecer Mauricio de Sousa, primeiramente a Deus, que tem cada dia me fortalecido e me motivado a buscar atingir todas as potencialidades maravilhosas que a vida tem, e, posteriormente, ao meu já finado avô Acyr Guimarães, que até 2002, ano em que morreu, foi quem me motivou mais a buscar essa carreira, alimentando esse meu sonho de um dia conhecer esse mestre que é o senhor Mauricio de Sousa. Até hoje a memória do meu avô tem sido um dos grandes fatores que me fazem ir em frente nessa jornada pela afirmação da profissão de desenhista/roteirista como algo de respeito e orgulho, e assim continuará para sempre.

Mais uma vez, agradeço verdadeiramente a todos que tornaram possível tudo neste ano que passou, e que ainda hajam muitos anos e conquistas a frente para serem comemoradas, não apenas no blog ou na minha vida apenas, mas na vida de todos você, leitores, também.

Obrigado, galera, e que Deus os abençoe abundantemente!

domingo, 30 de agosto de 2009

Psicologia e Histórias em Quadrinhos: Dilbert, Recruta Zero, Calvin e a Formação de Corpos Dóceis

Por Gabriel Guimarães

  1. A irreverência dos quadrinhos de humor e breve histórico do gênero
    “O humorismo alivia-nos das vicissitudes da vida, ativando o nosso senso de proporção e revelando-nos que a seriedade exagerada tende ao absurdo.” (Charles Chaplin)

Para se fazer uma boa análise do surgimento e irreverência das histórias em quadrinhos de humor, é preciso remetermo-nos ao século XIX, época de extrema importância para os meios de comunicação como os vemos hoje, pois foi durante ele que ocorreu a consolidação do capitalismo e a consequente expansão populacional dos grandes centros, modificando a estrutura das grandes cidades e a imprensa.

Ocorre então uma enorme mudança nos códigos e regras próprios da sociedade, devido à heterogeneidade das pessoas que passaram a constituir a população trabalhadora, caracterizando um novo tipo de cultura, não mais burguês e elitista, mas de mercado. “Essa cultura de massa surge como uma cultura de lazer, de entretenimento, que busca o lucro e que depende de certas tecnologias para existir e poder alcançar seu público. A relação pessoal é substituída por um meio técnico de comunicação à distância, impessoal e aberto, capaz de atingir milhares, ou milhões de pessoas.” (FEIJÓ, 1997). Não é à toa que é nessa época que surgem tantas referências no meio cultural que estão até hoje marcadas em nossas vidas, com destaque para o surgimento do cinema dos irmãos Lumiére, para os escritores de livros que tiravam da carência de material de distração no retorno dos operários para casa ao final do dia sua motivação para escrever, como H. G. Wells, e para o início da publicação de histórias em quadrinhos nos jornais norte-americanos.

E foi no dia 5 de maio de 1895, que foi publicada no jornal New York World a primeira história em quadrinhos da história, Down Hogan’s Alley, de Richard Outcault, cuja principal figura era um menino de aparência asiática que usava uma vestimenta amarela que lhe cobria quase todo o corpo, considerado por muitos como o primeiro personagem do gênero quadrinhos. Por não ter um nome definido, foi posteriormente apelidado pelo público de Menino Amarelo. Aí começava já a irreverência dos quadrinhos, uma vez que mostrava o ingresso das novas etnias ao mosaico cultural norte-americano (PATATI e BRAGA, 2006), evidenciando que a divulgação da cultura agora era para todos os habitantes dos grandes centros, e não mais apenas à burguesia dominante.

Esse novo tipo de publicação indignou tanto os integrantes dessa classe ‘superior’, que estes criaram a expressão Imprensa Amarela’, para identificar o jornalismo sensacionalista que buscava o lucro rápido e resposta do público.

Vendo o sucesso que essas tiras cômicas faziam, os demais jornais e editoras começaram a buscar mais desse material para publicarem, gerando assim um boom na criação de quadrinhos de humor, como Os Sobrinhos do Capitão (1897), Upside Downs (1903), Mutt e Jeff (1907), Krazy Kat (1913), Pafúncio e Marocas (1913), e O Gato Félix (1923).

Conforme o tempo passou, os quadrinhos foram ficando mais sérios, tendo suas narrativas muitas vezes ligadas às guerras reais, fictícias, ou ideológicas que aconteciam no mundo, como a figura do colonizador britânico nas terras africanas em Tarzã (1929), ou a batalha na Segunda Guerra Mundial travada em Terry and the Pirates (1934). Esse modo mais realista de ver o mundo nos quadrinhos influenciou muito as tiras cômicas, que passaram a ter um caráter mais crítico com relação ao modo como era gerida a sociedade capitalista e as suas figuras de autoridade, como foram os casos de Pinduca (1932), O Reizinho (1934), e Ferdinando (1934). Este último, inclusive, teve tanto retorno do público, que seu autor, Al Capp, chegou a ter sua importância comparada com a de D. W. Griffith nos cinemas e a de Gershwin no jazz (MOYA, 1987).

E o gênero cômico foi crescendo, se ramificando em diversas criações que iam surgindo, mas nenhuma que chamasse muita atenção, até que na prancheta de Mort Walker, em 1950, surge Zero, um universitário que não se dava bem com as figuras de controle em sua vida, mas que um ano depois iria se alistar no exército americano pela Guerra da Coréia, tornando-se então um dos mais famosos personagens de humor de todos os tempos.

  1. Recruta Zero e a idealização do modelo soldado

Poucos sabem, mas o personagem Zero existia antes mesmo de se alistar. Ele só veio a fazê-lo quando os Estados Unidos ingressaram na Guerra da Coréia em 1951, para tentar alavancar o espírito de servir o país nos seus leitores, uma vez percebida a influência das suas tiras nestes, o que é curioso, uma vez que sua atitude contestadora sempre esteve na síntese do seu modo de ser.

Em suas tiras, podem-se notar nitidamente a busca pela total submissão do indivíduo para que o poder seja exercido sem nenhuma resistência, tal qual ocorreria na formação de corpos dóceis proposta por Deleuze. A conscientização da supressão das vontades momentâneas, ou sacrifício atual, para uma recompensa posterior na vida também estava presente nas suas tirinhas desde seu surgimento, como pode ser visto na tirinha abaixo:

Uma vez alistado, Zero apenas mudou seu foco de desatenção, e ao invés de lidar com a autoridade professoral desencarnada, passa a encarar na figura do Sargento Tainha seu nêmese de trabalho obrigatório. Em ambas com a ciência de sua dívida eterna para com a sociedade, porém prorrogando sua cobrança até onde puder, tal qual ocorre nas sociedades de controle.

No exército, Zero encontra o que Foucault afirmara ser fontes de repressão constante, que penalizavam o campo indefinido do não-conforme com base nas micropenalidades de tempo (seus regulares atrasos na hora de levantar ou de realizar alguma tarefa), de atividade (sua constante desatenção e falta de cuidado), de maneira de ser (sua atitude de desobediência pela preguiça), de discurso (sua insolência entranhada), e de padronização do corpo (manchas e lama em seu uniforme).

Por nunca conseguir cumprir sua função de corretivo pela mecânica do castigo, Zero sempre permaneceu inerte às ordens que lhe eram dadas, se tornando o padrão do não-soldado americano. O exército americano que consumia suas tirinhas nas trincheiras coreanas passaram a se incomodar com aquela imagem de preguiça e desatenção passada para o público consumidor nos Estados Unidos, o que levou ao banimento dessas HQs de todos os quartéis quatro anos depois de sua criação.

As tiras do Recruta Zero foram apenas uma das que não lidavam bem com a figura de controle à qual os personagens eram impostos, esta se ampliando para todos os setores da vida social cotidiana, desde a relação dos laços familiares em Calvin (1985), das expectativas sociais impregnadas entre as classes profissionais em Hagar, o Horrível (1979), até as relações de empresa demonstradas em Dilbert (1989).

  1. Calvin e a (in)formalização do modelo familiar

Nomeado a partir de João Calvino, criador da doutrina calvinista e forte defensor do predestinismo, o qual é diversas vezes mencionado nas histórias, o personagem Calvin é uma criança de seis anos impulsiva, insubordinada, rabugenta, porém muito inteligente, questionadora e de imaginação muito fértil, em vista das suas intrépidas aventuras ao lado do seu tigre de pelúcia que ele vê como real, Haroldo. Sua principal c

aracterística talvez seja sua contestação com o que é feito no mundo apesar de ele viver em seu próprio mundo imaginário a maior parte do tempo.

Como pode ser visto na tirinha acima, a resposta do pai rompe com o que antigamente seria padrão natural de resposta – que essa ordem de dormir mais ce

do deveria-se ao fato de que seria melhor para a saúde de Calvin –, evidenciando a passagem da sociedade de disciplina, onde as ordens eram justificadas individualmente, para a sociedade de controle, onde é instigada a obediência hierárquica pura, isto é, o cumprimento de funções que lhe são outorgadas sem questionar, porque não há uma justificativa plausível e aceitável para tal.

Mesclando as características da sociedade de controle com a sociedade disciplinar, Calvin ironiza a condição em que as pessoas seriam mais de um para cada área de sua vida, tendo em si uma pluralidade de identidades cabíveis a cada setor desta. Ele o faz através da adoção de alter-egos diferentes em várias de suas histórias, a partir de elementos de s

ua imaginação.

Calvin também abordou questões relacionados ao posicionamento do homem em relação ao mundo e a si mesmo numa tentativa de fazer o leitor refletir sobre suas próprias ações, mesmo quando não há ninguém fisicamente o observando, como era o objetivo do panoptismo de Jeremy Bentham.

  1. Dilbert e a formação da relação Indivíduo X Empresa

Dilbert talvez seja o mais perfeito exemplo físico da formação de corpos dóceis nos quadrinhos, pois a forma com que ele aborda o relacionamento do funcionário com a empresa em que trabalha sempre traz em si uma crítica à falta de opção dos trabalhadores (no caso, engenheiros), que têm que viver dentro dos minúsculos cubículos da empresa, e ao despreparo das figuras de controle (no caso, os gerentes).

Dilbert é a figura máxima do trabalhador que faz o que é mandado, mas que tem noção do que está abrindo mão, ou seja, do sacrifício que está fazendo, tentando muitas vezes reverter isso. Ao mesmo tempo, seu colega Wally é a figura máxima do oposto, uma vez que ele ouve as ordens, mas não as cumpre, fazendo apenas aquilo que tem vontade de fazer, adiando a cobrança da dívida social o máximo possível.

Sempre relacionando o chefe com a figura de alguém sem conhecimento da área com ilusões de poder pela hierarquia a qual é exposto, Dilbert aborda muitas das questões cômicas mencionadas por Deleuze que se desenvolvem a partir da variabilidade salarial, valorização profissional e os efeitos na vida pessoal do fato de trabalhar nesse tipo de empresa.

A adequação constante do funcionário ao trabalho acaba sendo um símbolo da prorrogação infinita da cobrança da dívida para com a sociedade, como o fazem Wally e outros, enquanto Dilbert é um dos poucos remanescentes do modelo de abordagem da sociedade disciplinar, buscando pagar a ‘conta’ que tem para com os demais, porém sabendo que nunca conseguirá quitá-la completamente. Mesmo reconhecendo a incompetência das suas fontes de cobrança, suas ações continuam visando um avanço social, o qual não é possível de alcançar.

  1. Conclusão

As histórias em quadrinhos são um reflexo do que a sociedade na qual elas são produzidas passa, visivelmente. No caso das tirinhas de humor, é que o espírito da auto-crítica exprime talvez melhor as opiniões sobre esse estado social. Seja na pluralidade de identidades de Calvin, na prorrogação da cobrança da dívida eterna social do Recruta Zero, ou na vã crença de poder pagá-la à sociedade e consequente permanência nos laços de relacionamento da sociedade disciplinar de Dilbert, a psicologia se faz presente nos quadrinhos há anos, e permanecerá assim enquanto estes durarem. Resta-nos apenas perceber as delineações produzidas pelos autores.

  1. Bibliografia

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir, 1987. Editora Vozes, 2003.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder,

DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as Sociedades de Controle, 1972.

VAZ, Paulo. Corpo e Risco,____.

MOYA, Álvaro de. História das Histórias em Quadrinhos, 1987. Editora Brasiliense, 1996.

MOYA, Álvaro de. Vapt-Vupt, 2003. Editora Clemente & Gramani Editora.

MOYA, Álvaro de. Shazam!, 1977. Editora Perspectiva.

FEIJÓ, Mário. Quadrinhos em Ação – Um Século de História, 1997. Editora Moderna.

PATATI, Carlos e BRAGA, Flávio. Almanaque dos Quadrinhos, 2006. Editora Ediouro.

ADAMS, Scott. Corra, o Controle de Qualidade vem aí!, 1997. Editora Ediouro.

ADAMS, Scott. Trabalhando em Casa, 2009. Editora L&PM Pocket.

ADAMS, Scott. Você está Demitido!, 2008. Editora L&PM Pocket.

ADAMS, Scott. Preciso de Férias!, . Editora L&PM Pocket.

GOIDA. Enciclopédia dos Quadrinhos, 1990. Editora L&PM.

WALKER, Brian. The Comics before 1945, 2004. Editora Harry N. Abrams Inc. Publishers.

Especial Revista Scientific American – Coleção Exploradores do Futuro: H. G. Wells, 2005. Editora Duetto.

http://uninuni.com/tirinhas/category/dilbert/page/23/

http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/08/as_mais_belas_tiras_de_calvin_e haroldo/

http://www.wikipedia.org/

http://www.omelete.com.br/

http://www.universohq.com.br/

http://quadrinhospraquemgosta.blogspot.com/

http://www.google.com.br/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E A Bienal Vai Chegando!!!

Por Gabriel Guimarães

Sei que não tenho conseguido postar com a frequência ideal no blog, galera, mas vamos ver se com o tempo isso vai se resolvendo...
Enquanto isso, venho aqui convocá-los a ir no evento maior dos representantes das editoras no Rio de Janeiro, a Bienal do Livro.
Lá, estarão as editoras Devir, responsável por grande parte das graphic novels europeias e volumes mais luxuosos de conteúdo estrangeiro; Conrad e JBC, responsáveis pela publicação de vários mangás e alguns livros teóricos sobre quadrinhos; Panini, que publica todo o material das gigantes estadunidenses, Marvel e DC; e a divisão de quadrinhos da editora Cia. das Letras, reconhecida pela compilação de obras de Eisner (ao lado da já mencionada Devir) e de outros autores estrangeiros sob o selo Quadrinhos na Cia.

Enfim, há muitas razões para a Bienal desse ano ser um evento de proporções grandiosas para as histórias em quadrinhos, a fim de também reunir seu público nos estandes de venda. Infelizmente, estes poderiam ter um certo destaque a mais, com mais espaço e divulgação, entretanto, aos poucos o reconhecimento vem vindo, e vamos continuar lutando por ele.

Faltam também, como devem ter percebido, editoras com empenho na publicação nacional e de respeitabilidade por isso, mas isso vai mudando, com iniciativas das editoras Desiderata, com "O Cabeleira"; Contexto, com uma enorme gama de livros teóricos sobre quadrinhos produzidos por autores brasileiros e estrangeiros, como "A Leitura dos Quadrinhos" e "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula"; fora as tradicionais publicadoras das HQs da Turma da Mônica e da recente Turma da Mônica Jovem.

Quem sabe na próxima Bienal do Livro não estaremos nós lá, lançando nossas próprias HQs e ajudando o meio a ser mais respeitado pelos ainda despreparados, a fim de cultivar nestes uma semente que os instigue a dar uma chance às páginas imortalizadas de Will Eisner, Stan Lee, Kurt Busiek, Alan Moore, Hergé, Osamu Tezuka, Dik Browne, Scott Adams, e dos mais recentes casos de maestria de roteiro, Geoff Johns e Brian Michael Bendis? Que Deus nos guie e possibilite tornar nossos sonhos realidade, se assim for da vontade Dele.

Como diz a mensagem, nos vemos na Bienal!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Estilo Brasileiro de Quadrinizar

Por Gabriel Guimarães

Continuando a série de homenagens aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, hoje farei uma análise mais detalhada de como através da turma da Mônica ele revolucionou o modo do artista brasileiro fazer quadrinhos.
Todos sabem que sou um fã assíduo dos quadrinhos de super-herói da Marvel, DC, Dark Horse, etc, mas nos últimos anos tenho percebido uma enorme perda nesse gênero em relação ao modo como estes falam com seu leitor. Seja distorcendo tudo que uma geração de consumidores leu, como "Um Novo Dia", do Homem-Aranha, ou matando diversas vezes o mesmo personagem em sagas diferentes, como Órion em "A Queda dos Novos Deuses" e "Crise Final", me parece que alguns dos principais editores perderam a clareza da visão que os quadrinhos têm com seu público.
Eles passaram a se preocupar mais com o lucro da venda do que com a qualidade da mercadoria, praticamente como tudo mais no mundo nessa última década. Mas é por isso que o mundo tem ido de mal a pior. As pessoas pararam de ligar para o próximo e passaram a pensar apenas em si mesmas, e isso nunca nos levará a lugar nenhum, apenas à destruição de tudo que existe. Mas voltando aos quadrinhos em si, os roteiristas têm ficado tão pressionados com prazos (assim como os desenhistas que acabam inferiorizando seus traços para cumprirem a tabela da editora), que acabam criando roteiros sem nexo ou interesse, raríssimas hoje em dia as excessões como Geoff Johns em "Lanterna Verde", Brian Michael Bendis em "Marvel Millennium: Homem-Aranha", ou Andy Diggle em "Arqueiro Verde: Ano Um". Muitos podem dizer que não é bem assim, mas é verdade que o prazo afeta a qualidade, e na maioria dos casos em um nível bastante negativo.

Devem estar se perguntando o que isso tudo tem a ver com Mauricio de Sousa, não é?

Pois bem, agora que dei o contexto dos quadrinhos atuais, falemos de Turma da Mônica. Publicada há décadas, os gibis desses personagens sempre tiveram em sua essência um laço de amizade com seus leitores, nunca fazendo polêmicas exageradas nem tendo que redefinir tudo em uma ou duias histórias para atrair consumidores desesperados.
Acredito que a grande diferença esteja no tipo de consumidor ao qual cada estilo de quadrinhos esteja ligado. Enquanto os quadrinhos de herói hoje são ligados à figura do consumidor paranóico, que se desespera para conseguir uma edição especial metalizada ou coisa do gênero, os quadrinhos da turma da Mônica têm um consumidor não totalmente fiel, mas confiável.
O relacionamento do público com os gibis dela é de uma singela correlação, onde o leitor verdadeiramente se identifica com o personagem e se sente na pele deste, seja curtindo uma imaginação no Parque da Mônica ou descobrindo tesouros da juventude nas revistinhas do Cebolinha. Mauricio de Sousa revolucionou o estilo brasileiro de quadrinizar ao trocar um lucro grande porém rápido por um constante e duradouro que é no geral mais benéfico. E isto se dá em grande parte pela sua fidelidade, por sua eterna busca por trazer a vida para os quadrinhos.
Quando você percebe que há revistinhas da Mônica sendo vendidas no Canadá, Japão, Coréia, Itália, entre muitos outros, é que você vê a efetividade dessa estratégia.

É preciso que outros autores adotem essa postura também, porque é o que é preciso nesse momento do mundo. O público leitor de quadrinhos não gasta mais com revistas como antigamente, e se este comprar uma revista de personagens apenas superficiais sem nenhuma identificação psicológica (o que também vale para os quadrinhos de heróis), quem garante que ele virá no futuro a comprar outra revista em quadrinhos, mesmo que de gênero diferente?
É tarefa do editor sim visar pelo patrimônio econômico da empresa, mas este tem de ter em vista uma estratégia de marketing condizente ebem planejada para com o público, como o faz Mauricio.
Sei que há muitos críticos do novo gibi "Turma da Mônica Jovem" dentre mesmo os leitores assíduos da turminha, mas é preciso se verificar o objetivo que os editores responsáveis tiveram com isso. Eu conheço até pessoas da minha faculdade que leem esses gibis assim que saem, ou seja, mesmo que este movimento possa parecer apenas uma jogada publicitária numa vã tentativa de concorrer com os mangás que vendem no Brasil, na verdade, foi uma estratégia para atrair novos leitores e tornar os antigos que se diziam grandes demais para ler turma da Mônica interessados em voltar a fazê-lo. E deu certo, não sei se da maneira exata como queriam, mas hoje em dia a turma da Mônica voltou a ficar em evidência nos jornais e revistas sobre quadrinhos, vide a edição do tão aguardado beijo da Mônica com o Cebolinha.

Pois bem, encerro a postagem reafirmando que este estilo de abordar os quadrinhos pode parecer apenas um ponto de vista comercial, mas não é. Ele se inicia no teclado do roteirista e na prancheta do desenhista e vai terminar não no gibi finalizado que é comprado pelo leitor, mas sim nas lembranças e recordações positivas que os leitores terão por toda a sua vida. Dizem que livros mudam vidas, e eu afirmo com toda certeza que quadrinhos também. é necessário que estes ganhem a atenção devida no meio comunicacional e no meio editorial.
Mais uma vez, obrigado, Mauricio, pela lição. Que o futuro possa guardar uma nova safra de quadrinistas com sua visão de público.

domingo, 19 de julho de 2009

Primeira Homenagem Aos 50 Anos de Carreira de Maurício de Sousa

Por Gabriel Guimarães
Ontem dia 18 de julho foi uma data de extrema importância para ser comemorada por todos os quadrinistas brasileiros. Fazia exatos 50 anos que um desenhista chamdo Mauricio de Sousa começava sua jornada artística que mudaria o modo dos quadrinhos brasileiros serem vistos mundo afora.
Desenho por Gabriel Guimarães

Esta será minha primeira homenagem a esse grande mestre divulgador da nona arte. Farei aqui no blog uma pequena série delas ao longo desta semana.


Primeiramente, o que dizer de alguém que esteve presente na infância de todas as crianças desse enorme país nas últimas cinco décadas?


Tal qual Eisner em suas obras realistas, creio eu poder comparar a influência de Mauricio de Sousa para os quadrinhos nacionais. Sua versatilidade comunicativa lhe permitiu expandir seu 'império' ao redor de todo o globo, mostrando ao mundo as enormes riquezas que o grande país Brasil tem, diferentemente do que muitos estrangeiros possam acreditar, achando que aqui só há florestas e favelas.


Desenho por Gabriel Guimarães


Não, o o Brasil é muito mais, ele é riqueza cultural, é esperança física com as mais belas visões que se podem imaginar, é vida que transpira em cada cidadão brasileiro. E é isso que os quadrinhos de Mauricio nos mostram, seja com a turma da Mônica, Horácio, Rolo, Jotalhão,... A cultura brasileira sempre esteve presente em cada página publicada. Acredito que aí esteja o gênio do criador. Ao evitar focar apenas no básico do choque do real promovido por todo filme de grande produção nacional que chega no exterior passando a imagem de uma terra de ninguém, os quadrinhos de Mauricio passam o que a vida normal brasileira é, de fato.

Não é por termos muitas favelas nas cidades que a vida é pura pobreza. Não é por termos belas mulheres que todo dia é carnaval. Não podemos nos limitar aos estereótipos pelos quais somos taxados, até por nós mesmos. Por isso, aprecio tanto o que representa esse criador, esse quadrinista, esse grande símbolo de luta por um Brasil melhor, é por ele ajudar a mudar o Brasil de maneira não-agressiva, de maneira compreensiva e incentivante. Falta isso no caráter de muitos quadrinistas hoje em dia, pelo que pude perceber por algumas conversas que tive com outros quadrinistas sendo publicados hoje no Brasil.


Temos ainda muito a aprender com esse grande homem, e ainda mais temos é de agradecer pelo que ele é, a figura máxima do quadrinista brasileiro.