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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 4

Por Gabriel Guimarães


No último dia da segunda edição da ComiCon XPerience, o público começou com bastante energia, recebendo efusivamente o ator norte-americano Misha Collins no Auditório Cinemark. Admiradores de seu personagem no seriado "Supernatural", muitos dos quais estiveram presentes no bate-papo com o ilustre convidado, estavam fantasiados conforme o figurino utilizado pelo mesmo. Não foi, porém, apenas nessa ocasião que os cosplayers foram destaque no dia. Em meio a muitos acontecimentos incríveis e maravilhosos, uma nota muito ruim acaba sendo necessária de ser registrada aqui. Membros da mídia tradicional que estavam cobrindo o evento causaram um grande alvoroço pela abordagem que deram aos dedicados fãs que foram à caráter para celebrar o momento positivo que a cultura pop vem alcançando nos últimos tempos. Além dos corriqueiros deslizes, causados por pesquisas incompletas (ou inexistentes, em alguns casos) sobre o conteúdo com que estavam trabalhando, repórteres do programa Pânico na Band grosseiramente assediaram algumas cosplayers, chegando a lamber uma delas e a tratá-las com considerável descaso e desrespeito. Naturalmente, os organizadores do evento foram informados (se não diretamente, o foram pela enxurrada de críticas ao grupo presentes nas mídias sociais) e se mostraram igualmente inconformados com a postura da equipe de filmagem e, por meio do site Omelete, emitiram, no início da tarde do dia 7 de dezembro, uma nota banindo o programa de futuras programações da CCXP, a fim de que todos saibam que o evento trata de proporcionar uma atmosfera agradável a todos e um convívio saudável para todos os admiradores dos diversos veículos de expressão cultural presentes no pavilhão da São Paulo EXPO. A nota emitida pela equipe responsável pelo evento pode ser conferida no link aqui.

Os cosplays estiveram realmente de excelente qualidade

Felipe Massafera foi um dos artistas
brasileiros mais procurados
Tirando esse incidente grave, os cosplayers puderam participar de concursos realizados na área do estande da editora JBC, onde o clima foi muito amigável e a confraternização foi a ordem do dia. Haviam figurinos de personagens conhecidos do universo dos quadrinhos, games, cinema e televisão, com destaque para o casal Coringa e Arlequina, como os mais fáceis de ser encontrados pelos corredores da CCXP. O jovem herói Finn, do desenho "Hora de Aventura", também foi outro dos mais populares entre o público de cosplayers. Entre fotos com o público e a árdua jornada nos estandes de colecionáveis, os cosplayers ainda foram conferir de perto os artistas brasileiros presentes no evento, como Alzir Alves, José Luis, Klebs Jr, Cris Peter, Eddy Barrows, Paulo Crumbim, Felipe Nunes, Cristina Eiko, Felipe Massafera e Gustavo Duarte. A já mencionada Cris Peter (colorista já reconhecida no mercado nacional como uma das mais qualificadas profissionais dessa geração, tendo prestado serviços tanto para os estúdios MSP quanto para editoras internacionais), inclusive, participou de um pertinente debate sobre a presença e representação das mulheres na cultura pop, ao lado de outras artistas como Meredith Finch (uma das responsáveis pelo título da "Mulher-Maravilha"), Érica Awano (desenhista responsável pela série brasileira "Holy Avenger" e pela adaptação de "Alice no País das Maravilhas", publicada pela Dark Horse) e Lady Lemon (reconhecida cosplayer argentina, que foi, ainda, convidada para participar da banca de avaliação do Concurso de Cosplay da CCXP e que, através de sua escola dedicada ao segmento, leva adiante técnicas de figurino para muitos interessados até do campo do cinema).

Outro debate que foi muito importante para o momento atual da arte sequencial foi realizado em seguida, com os quadrinistas Cadu Simões e Scott McCloud, sobre a evolução das webcomics e o momento atual dessa vertente, que teve, no estande da Social Comics, um grande aliado. Carinhosamente apelidada de "Netflix dos Quadrinhos", a empresa tem como proposta oferecer ao leitor brasileiro acesso via streaming para um acervo considerável (e crescente) de títulos de quadrinhos, tanto publicados por editoras quanto de autores independentes, por um preço fixo mensal de R$19,90 até o momento. Aproveitando justamente a agitação do mercado, como  Cadu e McCloud comentaram no auditório, os responsáveis pela Social Comics trouxeram uma enxurrada de grandes novidades para a CCXP, como a chegada na plataforma dos quadrinhos da Turma da Mônica, o acordo com a editora norte-americana Dark Horse, o início de trabalho com conteúdo exclusivo para os assinantes do serviço (tal qual a já mencionada Netflix), e a contínua expansão do catálogo imenso de obras que já dispunham. Vale destacar que um mês antes da ComiCon, o grupo dono do site Omelete desembolsou uma cifra substancial para adquirir uma participação no desenvolvimento da plataforma, dando-lhe ainda mais credibilidade e mostrando que é uma vertente importante no futuro próximo do mercado editorial brasileiro de quadrinhos. O estande da Social Comics ainda contou com a presença de muitos artistas em interações com o público e sorteou autógrafos de uma das lendas dos quadrinhos, o roteirista Frank Miller, convidado de honra dessa edição do evento. Vale a pena ficar de olho no que ainda vem por vir!



No estande da editora Aleph, o jornalista Chris Taylor esteve autografando seu livro "Como Star Wars Conquistou o Universo", publicado recentemente para aproveitar a excitação do mercado com o novo filme da série cinematográfica criada por George Lucas, e que estreia, dentro de poucos dias, nos cinemas do mundo inteiro. Para aproveitar esse momento, a empresa de sandálias Havaiana montou, também, um estande dedicado aos personagens da aventura espacial, com direito a uma réplica da casa de Luke Skywalker em Tatooine. Elementos de "Star Wars", contudo, não se restringiram aos estandes, e ganharam variadas formas e tamanhos em ações publicitárias e cosplays trabalhados ao longo de todo o pavilhão. Basta agora aguardar o novo filme e torcer para que o capítulo prestes a ser escrito com esses personagens, tão queridos pelo grande público, possa proporcionar momentos tão intensos e memoráveis como seus predecessores das décadas de 1970 e 1980. Que a Força esteja com esse novo filme!

A ComiCon XPerience de 2015 vai, assim, chegando ao fim e, tal qual a edição de 2014, deixa uma sensação boa na memória daqueles que puderam estar presentes. Novamente focada em proporcionar momentos e experiências únicos, o evento foi bem sucedido em sua empreitada, e a esperança é de que alcance, a cada ano e edição, novos patamares e satisfaça ainda mais pessoas. A certeza maior que fica, não tão curiosamente, é semelhante ao encerramento do evento no ano passado: #FoiÉpico!

sábado, 5 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 3

Por Gabriel Guimarães



Scott McCloud assina cópia de sua obra "O Escultor",
no estande da editora Marsupial
O terceiro dia da ComiCon XPerience começou bem cedo, com filas formadas desde o início da manhã para quem tivesse interesse em conferir os muitos e aguardados painéis que seriam realizados no Auditório Cinemark. O filme "O Bom Dinossauro", produzido pela Pixar, teve uma sessão de pré-estreia exclusiva para o público da CCXP, seguido diretamente de um bate-papo agradável com o diretor Peter Sohn, responsável pelo projeto. O diretor explicou a proposta dos cenários mais realistas da história, feitos dessa forma para criar uma percepção de mundo real, com personagens mais caricatos, a fim de gerar maior identificação por parte do público com os protagonistas, proposta esta denominada efeito máscara, conforme destacado pelo quadrinista Scott McCloud em seu estudo sobre a narrativa gráfica de histórias em quadrinhos como "Tintin", do belga Hergé, "Bone", do norte-americano Jeff Smith, e em muitos mangás. McCloud, inclusive, também marcou presença no dia, autografando edições de seu novo livro, dessa vez uma obra de conteúdo ficcional, "O Escultor", lançado pela editora Marsupial em seu estande.

Estande da Marvel trouxe vários itens interessantes do
próximo filme do Capitão América

O painel da Pixar/Disney prosseguiu, com detalhes do filme "Zootopia", que tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros de fevereiro de 2016, e contou com a presença surpresa do jornalista Ricardo Boechat, que vai dublar um personagem exclusivo para a versão brasileira do filme. O repórter, uma vez introduzido, passou a conduzir a conversa, abordando o início da carreira dos demais dubladores presentes no auditório, e promovendo uma atmosfera de descontração, ao mesmo tempo em que cada um contribuía para o papo com experiências particulares da profissão. Após a etapa de animações ser encerrada, foi a vez dos estúdios Marvel causar o colossal torpor da plateia. Apresentando trechos inéditos do filme "Capitão América - Guerra Civil", que possuía um estande particular no Pavilhão da São Paulo Expo, o diretor Anthony Russo comentou sobre as diferenças da participação do personagem Homem-Aranha na trama dos quadrinhos para a versão do filme, além de elogiar o desempenho do ator Chadwick Boseman no papel do herói Pantera Negra, indicando-o como um dos pilares do filme. O público precisou conter a grande ansiedade por ver a versão do personagem aracnídeo pela primeira vez conduzido pela própria Marvel, que era uma das grandes expectativas do painel, mas, ainda assim, teve a oportunidade de conferir as primeiras cenas que apresentam o Homem-Formiga no filme.


A réplica em tamanho real do Batsinal foi um dos grandes
atrativos do estande da Mattel na CCXP
Do lado de fora do auditório, a Marvel se fazia presente nos mais diversos estandes, com obras raras, de quando ainda era publicada no Brasil pelas editoras RGE e Ebal, sendo vendidas pelo sebo Empório HQ; com estatuetas de acabamento impecável em estandes como o da Kotobukyia e o da Iron Studios; e com outros materiais licenciados, como no estande da Mattel, que expôs vários veículos de Hot Wheels caracterizados como os heróis e vilões da editora. Este estande, ainda, apresentava conteúdo que será lançado ano que vem para promover o filme "Superman V Batman", da outra gigante do mercado de quadrinhos de super-heróis, a DC. Figuras de ação do filme estiveram em exibição, atraindo olhares e estimulando os visitantes a tirarem fotos com os itens da empresa. Além desse material, havia ainda os bonecos da linha Max Steel e outros objetos licenciados da aclamada série Star Wars, com réplicas em miniatura das naves presentes nos filmes, e veículos caracterizados como os personagens da trama espacial.

O universo de Star Wars também foi o tema da atividade seguinte no painel do auditório Cinemark, com o produtor do filme, Bryan Burk, apresentando um featurette exclusivo com imagens dos bastidores do aguardado "Star Wars Episódio VII - O Despertar da Força", que estreia nos cinemas dia 17 de dezembro próximo. A fim de evitar qualquer vazamento de informações sobre a história do filme, além daquelas já contidas nos trailers disponibilizados nas diversas redes até o momento, o produtor procurou focar em comentar sobre o processo de construção do universo ficcional no set dirigido por J. J. Abrams. O público, em grande parte vestido à caráter para conferir as novidades de uma galáxia muito distante, se empolgou com a atividade, e isso se expandiu para fora da área dos auditórios, onde alguns cosplayers representaram lutas de sabre de luz nos corredores do pavilhão, com genuína dedicação e preparo físico.

Trajes expostos no estande da Warner fizeram enorme sucesso
junto ao público para promover "Superman V Batman"
O estande da Warner ainda atraiu muitos visitantes, expondo aparatos utilizados nas filmagens do filme dos personagens da DC, além de trajes vestidos nas gravações dos seriados "Flash" e "Arrow". O estande apresentou muito conteúdo dos bastidores da produção televisiva e cinematográfica dos personagens dos quadrinhos, contando ainda com grande mural para se tirar foto com a representação dos heróis em sua caracterização atual. Filmes dessa linha, como "O Esquadrão Suicida", também se mostraram presentes, ao menos na presença de incontáveis visitantes trajados do casal Coringa e Arlequina, cuja popularidade está longe de ser equiparada no momento.

Para os fãs do material autoral da arte sequencial, um dos destaques do dia foi a mesa do estúdio Rascunho, administrado pelo colorista Alzir Alves, que estava acompanhado de sua esposa Nívia e do desenhista José Luis. Com materiais como "Mirage - O Caos da Água", produzido em parceria entre os dois e de outros muitos talentosos quadrinistas como Eduardo Pansica, Geraldo Borges, Luis Carlos Sousa, entre outros, é de dar grande alegria ver a bela qualidade do momento da nona arte brasileira. Em igual condição, estavam as edições do grupo Petisco, cujos artistas participantes Daniel Esteves, Cadu Simões, Will, Mário Cau, Dênis Mello e Sam Hart, estiveram presentes, cada um com sua própria bancada. A presença do profissional brasileiro na produção de arte sequencial ainda foi tema de debate no auditório Prime, onde os editores J.M. Trevisan, Cassius Medauar e Beth Kodama, e os quadrinistas Marcelo Cássaro e Érica Awano, que trataram da produção de mangá no país, analisando o sucesso da série "Holly Avenger", que ainda representa um grande marco de sucesso no mercado editorial brasileiro, influenciando autores até hoje, como é o caso da roteirista Fran Briggs e da desenhista Anna Giovannini, que lançaram a história "Mercenário$", que se passa em Tormenta, o mesmo universo fantástico que o dos personagens Sandro, Niele, Tork e cia.
 

O mangá ainda ganhou destaque na Samurai Alley, com uma apresentação básica da história da mídia, a poucos metros do estande da JBC, montado para promover com grandes atrativos os fãs do estilo, com direito a palco para apresentações de cosplay e o lançamento de "Combo Rangers - Somos Humanos", do roteirista Fábio Yabu com o desenhista Michel Borges, que estiveram presentes para assinar as edições dos visitantes interessados.


Outro estande que contou com lançamento no sábado foi o da editora Novo Século, que estava trazendo para o público a romantização da história em quadrinhos "Guerras Secretas", inédito no Brasil, e a edição especial luxuosa de "Guerra Civil", escrita por Stuart Moore a partir da história feita por Mark Millar e Steve McNiven. O desenhista pela arte das capas dos títulos da editora com os personagens da Marvel, Will Conrad, também esteve presente para assinar sua contribuição para os títulos, além de contar com pôsteres produzidos especificamente para o evento e distribuídos na compra dos livros.

O dia foi de grande movimento, e o encerramento promete grandes experiências, cada vez mais memoráveis. #EstáSendoÉpico

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 2

Por Gabriel Guimarães


O segundo dia da ComiCon XPerience de 2015 foi marcado por alguns de seus convidados internacionais, que causaram grande comoção entre os milhares de fãs presentes. Enquanto o quadrinista Frank Miller levou alguns de seus admiradores às lágrimas, a atriz Evangeline Lilly reuniu extensas filas para autografar seu primeiro livro infantil, "Os Molambolengos", recém-lançado pela editora Aleph; o desenhista Esad Ribic e o roteirista Mark Waid provocaram grande movimento no Artist's Alley, e os atores de "Sense8", Alfonso Herrera, Jaime Clayton e Aml Ameen, e de "Jessica Jones", Krysten Ritter e David Tennant, participaram de um animado painel sobre a produção de conteúdo original pela Netflix.

O movimento dentro do pavilhão esteve bastante agitado, com muitas famílias presentes, uma vez que o evento apresentou opções para visitantes de todas as idades. A área infantil, montada com uma réplica menor do Palácio da Justiça e até uma miniatura proporcional do Batmóvel para as crianças tirarem fotos, oferece uma alternativa agradável para  que os pais possam conferir todos os estandes enquanto seus filhos se divertem em piscinas de bolinhas e brincadeiras especiais. No estande da Fox, ainda ocorreram diversas atividades para os mais jovens também, com animadores fantasiados dos personagens do filme "Alvin e os Esquilos", com um palco onde se realizavam novas interações com o público e era exibido o trailer da próxima continuação do filme. No mesmo estande, há uma estátua do antropomórfico Po, do filme "Kung Fu Panda", para promover a terceira aventura nos cinemas, em frente a uma área montada especificamente para oferecer macarrão instantâneo de forma grátis para o público numa proposta de divulgar o material licenciado com os personagens do filme.

Enquanto isso, os pais podiam aproveitar as muitas atividades oferecidas no estande da Fox televisiva, onde havia uma placa interativa com o futuro seriado "AHS Hotel", com temática adulta, onde o visitante poderia tirar fotos como personagem do seriado. Além disso, integrantes do estande se vestiram de Bart Simpson para tirar fotos com os visitantes. Na mesma pegada adulta, o canal Syfy apresentou atores maquiados de seres sobrenaturais com um nível de detalhamento capaz de provocar até pesadelos. Ademais, o canal ainda anunciou a confirmação de que será o responsável pela transmissão da nova temporada do Doctor Who no Brasil.

John Totleben assinou suas obras no
estande da Chiaroscuro
Atualmente interpretado pelo veterano Peter Capaldi, o papel de protagonista do seriado já foi interpretado pelo já mencionado David Tennant, o que contribuiu para que ele se tornasse a figura mais procurada pelos fàs presentes na CCXP sexta-feira, dividindo os holofotes maiores apenas com o lendário Frank Miller. Na área dedicada aos artistas de quadrinhos, alguns destaques foram as filas para o estande do estúdio Chiaroscuro, que contou com a presença do desenhista americano John Totleben, responsável por grande fase dos personagens Miracleman e Monstro do Pântano ao lado do britânico Alan Moore. Nos autores brasileiros, se destacaram Marcelo Quintanilla, autor de "Tungstênio" e "Talco de Vidro" pela editora Veneta; o querido roteirista Cadu Simões, com seu material de base mitológica "Nova Hélade" e algumas edições do seu personagem Homem-Gafanhoto (o autor está passando por um momento de saúde delicado e toda a comoção de amigos e parceiros da indústria de arte sequencial tem sido bem movimentada, conforme ressaltamos em matéria prévia aqui no blog); o desenhista Vencys Lao também apresentou alguns materiais autorais muito bacana, como "Astromini" e seu primeiro quadrinho publicado, "Dia do Porko", lançado ainda no FIQ de 2013; e o jornalista carioca Télio Navega também esteve presente assinando cópias de seu livro "Os Quadrinistas", lançado pouco menos de um mês atrás, pela editora Zarabatana.

Uma nota de rodapé sobre as atividades das mesas dos artistas ficou por conta de uma pomba tranquila que entrou pelo topo do pavilhão e que parecia estar conferindo calmamente as novidades dos artistas nacionais, parando em frente à bancada dos desenhistas Marcelo Braga e Rafael Albuquerque. Ela foi retirada depois de algum tempo por um bombeiro, que a conduziu calmamente para que voltasse ao espaço externo da convenção. O momento rendeu particularmente algumas boas risadas aos presentes.




O grande destaque para encerrar o dia foi o anúncio de algo inédito na indústria midiática relacionada  aos quadrinhos brasileiros. O quadrinista Maurício de Sousa anunciou que, em parceria com a produtora Quintal Digital, está sendo trabalhada uma adaptação para o cinema da graphic novel "Laços" live-action. A obra produzida pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi foi um dos títulos de maior sucesso da linha Graphic MSP, iniciada em 2012 sob a batuta do editor Sidney Gusman pelos estúdios MSP. O ineditismo é por conta de ser a primeira ocasião em que os principais personagens de Maurício vão ganhar uma versão de carne e osso na grande tela, ainda que eles já tenham mais de meio século de sua criação. Para homenagear o quadrinista paulista, a editora Panini ainda lançou em seu estande a edição inédita "Maurício de Sousa 80".

Há, ainda, um estande dedicado especificamente
dedicado aos 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa

O dia foi de grande movimento mais uma vez e a tendência do final de semana é que seja ainda maior, dando definitivamente a garantia de que o evento #VaiSerÉpico!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 1

Por Gabriel Guimarães


Hoje teve início, no Pavilhão da São Paulo Expo, a segunda edição da ComiCon XPerience, com proposta de levar um pouco mais além os resultados obtidos no evento do ano passado, quando cerca de 97.000 pessoas estiveram presentes, conferindo palestras, a área de artistas dos quadrinhos, oficinas com profissionais do mercado editorial, estandes de grandes empresas, editoras e lojas. Com previsão este ano para números ainda mais expressivos, o evento foi organizado de forma mais sistemática, dedicando cada setor a áreas específicas da indústria de entretenimento e da cultura pop. Música, games, quadrinhos, colecionáveis, cinema, televisão e literatura, todos, tiveram espaço, com estandes apinhados de ávidos f'ãs.

Iron Studios foi um dos grandes destaques do evento, tal como
todo o segmento de colecionáveis
O primeiro item que recebe os visitantes é uma mesa de DJ montada bem de frente para a entrada, e que ficou responsável por dar clima de festa ao evento. Ao passar pelas catracas, logo se percebe a simpática figura do cavaleiro criado pelos irmãos Marcos e Mateus Castro no game "A Lenda do Herói", em uma estátua de tamanho real que indica a área onde o estande dos vloggers está localizado. Seguindo em frente, o estande que rapidamente captura a atenção é o referente ao conteúdo da Iron Studios. Com uma réplica do conflito entre os personagens Hulk e Homem de Ferro, este em sua armadura aprimorada, do filme "Vingadores 2 - A Era de Ultron" (que fizemos análise aqui no blog), o preciosismo com os detalhes é impressionante. Esse mesmo esmero é notável nas demais estatuetas do estande, que abordam, desde temas relacionados aos quadrinhos quanto itens vindos de filmes, séries e games. Este ano, contudo, as lojas com conteúdo dedicado ao público colecionador não esteve concentrado em apenas uma quantidade pequena de estandes, mas tiveram o reforço de exponentes no mercado pop brasileiro, como foi o caso da Nerdstore, do grupo Jovem Nerd, e de outros empreendimentos, como a Pizzi Toys, a Bandai, a Legião Nerd, além de estandes dedicados a universos específicos, como foi o caso da Star Wars Store.

Tiveram muitos
cosplayers inspirados
O público, contudo, não deixou para menos e houve muitos cosplayers cuja montagem de visual era extremamente bem acabado, se aproximando da qualidade de realismo de muitos dos colecionáveis. Simulando personagens advindos da televisão, como a interpretação do ator Matt Smith para o seriado de ficção científica "Doctor Who", do cinema, como a Tristeza, do filme "DivertidaMente", e dos quadrinhos, com a dupla Coringa e Arlequina sendo a mais comumente encontrada, os trajes estavam espetaculares. Utilizando tanto peças de roupa e equipamentos característicos, um rapaz ainda replicou quase com exatidão a nova caracterização do personagem Arqueiro Verde no seriado "Arrow", acompanhado, curiosa mas previsivelmente, de um pequeno garoto trajado de Flash nos mesmos moldes do seriado que dialoga com o do Arqueiro. A personagem Saori, dos "Cavaleiros do Zodíaco" também foi representada por várias moças, atraindo olhares admirados de fãs diante dos objetos dedicados a este universo de personagens presentes na já citada Bandai.

O editor Érico Assis (à esquerda) mediou a masterclass
do desenhista Scott McCloud (à direita)
Da parte da arte sequencial, convidados ilustres como o artista e estudioso da mídia Scott McCloud e o premiado roteirista Mark Waid marcaram presença em masterclasses de imensa qualidade. Enquanto o primeiro apresentou os bastidores de sua nova obra, "O Escultor", lançamento inédito aqui no Brasil pela editora Marsupial, aplicando algumas de suas concepções consagradas das ferramentas expressivas da linguagem dos quadrinhos em seu próprio trabalho; o roteirista buscou introduzir à plateia as noções básicas do roteiro de uma revista de super-heróis, material com o qual está habituado a trabalhar com sucesso pelas últimas décadas, à exemplo de seu legado em personagens como Flash e Capitão América. Durante esta segunda oficina, ocorreu um problema com o gerador do centro de convenções, que precisou ser trocado por risco de sobrecarga. Outro fato que vale destacar foi o alto som vindo do auditório em diagonal daquele onde estavam ocorrendo as masterclasses, em função da reforma extraordinária pela qual esse ambiente passou, uma vez que era nele que costumavam ser realizados os painéis de maior identificação por parte do público. Enquanto, ano passado, as atividades nesse auditório ocorriam em uma sala de dimensões vastas, mas que dependiam dos telões para as pessoas do fundo poderem tentar ver algo do que ocorria no palco, os organizadores do evento buscaram aprimorar o serviço disposto ao público e firmaram parceria com a rede de cinemas Cinemark para repaginar todo o espaço e construir uma sala de cinema de grande proporção e de qualidade virtualmente igual àquelas mais disputadas nos shopping centers. Apesar de esta mudança ser de enorme qualidade e receber com bons olhos a atenção da maioria dos visitantes, o alcance do som e os efeitos de sua reverberação ainda precisam ser observados posteriormente para garantir a todos os presentes nas atividades dos quatro auditórios presentes uma condição igual de conforto, tranquilidade e zelo.

Mark Waid apresentou a base de um roteiro de história em
quadrinhos de super-heróis no modelo norte-americano

Na área dedicada aos artistas da nona arte, um dos destaques foi o trio Marcelo Bruzzesi, Rui Silveira e Rodrigo Fernandes, com seu recém-lançado "Syam", sobre um futuro distópico não tão distante cuja trama gira em torno da nova realidade dos transplantes de órgãos a partir do surgimento de uma doença dramática. Outra mesa com material inédito foi a do roteirista Deyvison Manes, com a segunda bela edição de "Justiça Sideral", dessa vez ilustrada por Thiago Ribeiro. O estande da editora JBC, todo decorado com a temática japonesa onde suas publicações costumam ser produzidas, trouxe ainda o desenhista Hiro Kyohara, do mangá "Another", série cuja base em prosa, escrita por Yukito Ayatsuji, foi lançada neste evento pela mesma editora. Outro lançamento de sucesso é o título "Blade - A Lâmina do Imortal", de Hiroaki Samura, que havia começado a ser publicado pela Conrad, mas cuja série fora interrompida pouco tempo depois, antes de ser concluída; agora, a JBC assume a responsabilidade de trazer a conclusão das histórias do protagonista Manji para os leitores brasileiros, tal qual tem conseguido fazer com histórias como "Eden - It's an Endless World!", de Hiroki Endo, lançada em iguais circunstâncias. Com uma ótima recepção ao público, os atendentes, também caracterizados nas tradições nipônicas, são um outro ponto positivo do estande.

O primeiro dia foi recheado de grandes experiências muito agradáveis, e foi uma forma bastante eficiente de indicar que, tal qual a edição da CCXP do ano passado, este ano, o evento novamente #VaiSerÉpico! Aguardem por novidades e acompanhem nossa cobertura direta do evento pelo nosso Instagram!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

#ForçaCadu

Por Gabriel Guimarães




Ao final da 9ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, grande parte dos profissionais da arte sequencial brasileira foi pega de surpresa com a declaração dada pelo roteirista Cadu Simões, de que aquele tinha sido seu último FIQ e que, após a CCXP de 2015, ele não mais estaria presente nos eventos de quadrinhos. Ele informou a todos o desgaste físico e financeiro que essa intermitente jornada estava lhe provocando e o fato de que ultimamente isso vinha agravando seu estado de saúde, já debilitado nos últimos tempos, estava começando a ser demais para ele conseguir carregar.

Cadu começou a gerar um impacto na indústria de quadrinhos quando, na primeira década do século XXI, fundou, junto de colegas admiradores da arte sequencial, o grupo Quarto Mundo. Responsáveis por uma grande leva de material nacional que não encontrava tantas aberturas para entrar no mercado editorial brasileiro, o grupo marcou presença em eventos como o FIQ e a Rio Comicon, sempre carregando o estandarte dos autores nacionais e buscando conscientizar o público de que havia, sim, conteúdo de qualidade sendo produzido por autores brasileiros voltados para o mercado nacional. Ávido interessado por história e mitologia, Cadu criou aventuras com criaturas da antiguidade em sua webcomic "Nova Hélade" e foi o pai do personagem Homem-Grilo, que parodiava as produções americanas e chegou até a realizar um crossover com os personagens do site MDM. Em 2012, o grupo se encerrou, mas deu lugar a um novo coletivo concentrado em publicar de forma regular títulos de quadrinhos na internet, o portal Petisco. Cadu continuou firme na produção de histórias por lá e manteve-se sempre presente nos eventos, estimulando novas gerações de artistas brasileiros a darem um pontapé inicial em suas carreiras.

O Misterioso Mistério dos Quadrinhos Carcomidos – Capa
Homem-Grilo e a equipe dos Melhores do Mundo
em aventura conjunta, disponível no site do personagem
Há cerca de dois anos, contudo, ele foi diagnosticado com Artrite Reumatóide, que é uma doença autoimune e degenerativa. É um tipo de reumatismo, uma disfunção do sistema imunológico, que, em vez de proteger, começa a atacar as células do próprio corpo. No caso dessa doença, especificamente, o ataque se foca nas células que compõem os tecidos das articulações, ligamentos, tendões, cartilagens, músculos, etc, causando atrofiamento e perda progressiva da mobilidade, sobretudo das pernas e dos pés, dos braços e das mãos, e do quadril. Além disso, devido à disfunção do sistema imunológico, o risco de contrair outras doenças (sobretudo infecções bacterianas e viroses) aumentam. O olho esquerdo do roteirista já sofreu uma catarata que praticamente debilitou sua visão pela metade e, em função dos atrasos que seu plano de saúde, configurado justamente para ajudá-lo nesse momento complicado, está provocando, Cadu receia que precise amputar uma de suas pernas.

A Vakinha vai ajudar Cadu com os
custos de seu tratamento
Em resposta quase que imediata a essa informação, o roteirista e parceiro de longa data de Cadu nos selos Quarto Mundo e Petisco, Daniel Esteves, começou uma campanha no site Vakinha para que amigos e colegas de profissão pudessem colaborar com os custos de alguns dos tratamentos aos quais o quadrinista precisará se submeter. Uma vez que ele não está conseguindo receber o suporte de que precisa e a doença está tornando mais difícil ele pegar tantos trabalhos freelance quanto fazia antes, aqueles que foram tocados ou marcados pelas histórias ou pela própria pessoa do Cadu estão se mobilizando para que ele receba os cuidados necessários.

Muitos quadrinistas já começaram a participar, disponibilizando, inclusive, obras autografadas em leilões para reverter a arrecadação para a causa, como foram os casos dos desenhistas André Diniz, Fábio Moon e Flávio Luiz. O organizador principal do FIQ, Afonso Andrade, também se prontificou a oferecer camisas do evento para os primeiros que doassem mais de R$200,00, além de estar separando materiais para leilão também. A meta, nesse presente momento, já foi alcançada e até superada, contudo, os custos médicos no Brasil são reconhecidamente elevados e qualquer requisição nova de exames ou tratamentos pode ser deveras onerosa, ainda mais para a situação limitadora que a doença tem provocado ao roteirista.

O site do roteirista, onde ele posta atualizações de seus projetos, pode ser conferido neste link, e a página do portal Vakinha para ajudar nessa causa, pode ser encontrado aqui.

Sites como o Universo HQ, o Terra Zero e o MDM também já se prontificaram a divulgar o projeto, e nós do Quadrinhos Pra Quem Gosta, queremos levar isso ainda mais além. Os três primeiros doadores a colaborarem com o projeto com um valor de R$100,00 e nos contatarem pelo e-mail quadrinhospraquemgosta@ymail.com, com o comprovante do depósito, vão receber em casa uma cópia autografada do livro "Projeto Platão", do nosso editor-chefe, Gabriel Guimarães. Queremos, então, mais uma vez reforçar nossos votos de melhora e força para nosso querido parceiro Cadu Simões, e que este projeto possa ser um pequeno gesto do quanto sua amizade nos é valiosa. Estamos junto contigo nessa jornada. #ForçaCadu

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Uma Aurora Esquecida na FNAC da Barra


Por Gabriel Guimarães


Na noite desta quinta-feira, dia 15 de outubro de 2015, ocorreu, na livraria FNAC do Rio de Janeiro, o lançamento da história em quadrinhos "Aurora", criada pela dupla Felipe Folgosi e Klebs Júnior, e produzida a partir do financiamento colaborativo no Catarse. Após ter sido lançada inicialmente em São Paulo na semana passada com grande pompa, o evento em terras cariocas foi mais modesto e se restringiu a um seleto grupo de visitantes.

Iniciado há um ano atrás, em outubro de 2014, o projeto foi idealizado pelo ator Felipe Folgosi, fã confesso da arte sequencial desde criança e ator do SBT, com passagens ainda por Rede Globo e Record; e executado pelo desenhista Klebs Junior, autor da série "Pátria Armada" e diretor-geral do Instituto de Quadrinhos, que agencia artistas brasileiros para editoras estrangeiras. Interessada em apresentar uma trama envolvente com temática fantástica que remetesse aos quadrinhos de heróis que tanto lhes marcaram, a dupla desenvolveu uma estratégia para alcançar potenciais leitores ao abordar o projeto em diferentes frentes, apresentando-o em programas de televisão, entrevistas nas rádios e contínuas buscas por contato com blogueiros e sites especializados de quadrinhos, para, enfim, disponibilizar a proposta no Catarse, site de financiamento colaborativo.

Tendo sido bem-sucedida a campanha alguns meses após seu início, a produção efetiva da história foi posta em execução e, há pouco menos de uma semana, "Aurora" foi oficialmente lançada na Livraria Cultura. Contando com a presença de mídia especializada, como a equipe da revista "Mundo dos Super-Heróis", e de outros veículos de comunicação, como a TV Cultura, o evento foi um sucesso e teve bastante repercussão nas redes sociais. O mesmo, porém, não se repetiu no Rio de Janeiro, onde o público apareceu de forma bastante tímida, ainda que o evento tenha se estendido até o fechamento da livraria.

O público carioca, talvez desanimado com o trânsito caótico do fim de tarde ou, então, alheio ao evento por um desaviso nos meios de comunicação de maior circulação, esteve escasso, para dizer o mínimo. Apenas alguns poucos colaboradores do processo de financiamento compareceram, junto de alguns conhecidos e convidados dos autores. O site "Terra Zero" ainda esteve presente, também, para fazer uma matéria com os autores, tendo entrevistado Folgosi, o que deve ser disponibilizado nos próximos dias no site deles, que pode ser acessado aqui, contudo o saldo final do evento foi bem abaixo do seu potencial.

A divulgação do evento, majoritariamente realizada pelas mídias sociais,
acabou não surtindo o efeito esperado
A obra estará disponível na livraria FNAC em seu catálogo de títulos da nona arte e deve chegar ainda a algumas bancas de jornal ao redor do Brasil, seguindo o interesse dos autores em veicular o material nos pontos de venda mais marcantes da arte sequencial no mercado editorial brasileiro. Quem não teve como conferir o evento hoje, a oportunidade de conhecer a obra continua viva e, para quem quiser pegar o autógrafo dos autores na edição, já está confirmada a presença de ambos na Feira Internacional de Quadrinhos, de Belo Horizonte, que ocorrerá no final de segunda semana de novembro  (e que nós, do Quadrinhos Pra Quem Gosta, temos o orgulho de anunciar, desde já, que estaremos lá para fazer a cobertura do evento deste ano). O que nos resta, então, é prezar pela bela aurora que os quadrinhos nacionais vêm vivendo, e torcer, em especial no espaço carioca, para que não sejam mais esquecidas.

domingo, 13 de setembro de 2015

XVII Bienal - Onze Linhas de uma Grande História

Por Gabriel Guimarães
 

A cidade do Rio de Janeiro, talvez alheia ao que o dia reservava ou até por causa desse conhecimento, amanheceu em prantos pelo fim de mais uma edicão da Bienal Internacional do Livro. Enquanto muitos habitantes da capital carioca tenham optado por descansar e ter um domingo de repouso, uma grande quantidade ainda se viu estimulada a visitar o Rio Centro para conferir ofertas de saldão  que as editoras e demais revendedoras poderiam estar disponibilizando em cima do material que haviam levado para o evento. E ninguém saiu de mãos vazias, ao menos no que diz respeito aos leitores de quadrinhos.

"Quem Matou João Ninguém"
foi um dos títulos interessantes
de quadrinhos da Draco
"Pílulas Azuis" foi um
dos títulos em promoção
na Nemo
Enquanto a editora Nemo, parte do Grupo Autêntica ofereceu 40% de desconto em todos os seus títulos, com destaque para a Coleção Moebius, a editora Draco disponibilizou uma promoção de 4 livros pelo preço de 3, estimulando a venda de seus muitos títulos de fantasia escritos por autores brasileiros, além de seus conteúdos de arte sequencial, como "Quem Matou João Ninguém", escrita por Zé Wellington e desenhado por uma grande equipe de profissionais, composta por Wagner Nogueira, Wagner de Souza, Cloves Rodrigues, Ed Silva, Alex Lei e Rob Leon.


Outro estande de destaque no dia foi o vizinho da Draco, ocupado pela empresa Copag, de jogos de cartas, que vêm se expandindo nos últimos anos e lançado vários conteúdos de entretenimento em formato portátil, como versões dos jogos de tabuleiro clássicos, como "Banco Imobiliário", além de alternativas mais novas, como "Convocados" e "Pingo no I". Outro destaque do estande fica por conta do jogo de cards colecionáveis Battle Scenes, que vem figurando os personagens da Marvel em disputas que buscam assemelhar as épicas disputas do clássico "Magic: The Gathering", segmento este que também esteve presente na Bienal no estande da Devir.

Artes originais de roteiros de histórias da Mônica
estiveram expostas no estande da Panini
O alvoroço, contudo, inviabilizou em vários momentos do dia uma visita calma aos estandes, em especial aqueles que dispunham de obras inéditas ou que estiveram com autores assinando seus  materiais, como foi o caso da Panini, que recebeu mais uma vez o quadrinista Maurício de Sousa e viu suas filas crescerem de forma impressionante. De forma muito solícita, o criador da Turma da Mônica atendeu a todos os visitantes, recebendo cada um com um grande sorriso no rosto e um aperto de mãos simpático e um olhar carinhoso. Até o público que conferiu o momento através das paredes transparentes da área onde o autor se encontrava foi agraciado com uma salva de aplauso do mestre, que até posou para fotos enquanto o fã seguinte entrava na cabine par pegar seu autógrafo.


O dia foi muito movimentado, mas extremamente proveitoso, e certamente os Pavilhões do Rio Centro foram palco de grandes momentos, tanto para o enriquecimento da literatura como campo, quanto de cada leitor como indivíduo e como comunidade. Quem teve a oportunidade de visitar a XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, com certeza pode sentir o quanto essa paixão vem conquistando novos leitores, e o quanto isso pode dar esperanças para o futuro de nossa sociedade, com gerações mais atentas e conscientes ao mundo que lhes cerca, e quanto ao seu papel em todo o grande contexto das coisas. Foi uma oportunidade de reencontrar amigos, criar novos laços e, principalmente, celebrar essa paixão que norteia nossos dias no mercado editorial brasileiro. Em 2017, haverá mais por se contar, mas, até lá, muitas histórias ainda hão de ser escritas. Vamos lá!

sábado, 12 de setembro de 2015

XVII Bienal - Dez Dias e Noites Literárias

Por Gabriel Guimarães




O último sábado e décimo dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi de muito movimento pelos autores presentes e pelas promoções que começam a crescer. Com uma proposta de engajar ainda mais os visitantes, os organizadores do evento, inclusive, promoveram uma caça ao tesouro, por assim dizer. Escondendo vale-prêmios nas áreas comuns dos Pavilhões, que valiam desde edições autografadas e fotos com autores internacionais até iPads, a gerência da Bienal conseguiu cativar o público mais dedicado, que teve a oportunidade de vivenciar experiências inesquecíveis no cenário literário a que tanto estão acostumados.

Modelos de vales espalhados pelas áreas comuns dos Pavilhões do Rio Centro
As paredes da sala de autógrafos estava
completamente lotada dos post-its parabenizando
os 80 anos de Maurício de Sousa
Um dos principais destaques do dia ficou por conta do estande da editora Panini, que apresentou o lançamento oficial do novo volume da série Graphic MSP, com o titulo "Turma da Mata - Muralha", feita pelo trio Roger Cruz, Davi Calil e Artur Fujita. Os três estiveram presentes e assinaram as cópias de muitos ávidos leitores, dentro do espaço criado pela editora para homenagear os 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa. Sentados à frente dos post-its com mensagens de congratulações dos visitantes e autores para o padrinho da arte sequencial brasileira, e assinando sua nova obra composta com os personagens criados pelo próprio Maurício em sua ampla carreira editorial, os autores realmente puderam se sentir parte do universo mágico construído no decorrer da carreira desse grande profissional, que é o grande homenageado dessa edição da Bienal.

O próprio Maurício, inclusive, esteve presente em vários estandes, autografando seus recentes lançamentos, pelas editoras Santuário e Boa Nova. A partir dos mais de 40 lançamentos com os seus personagens apenas neste evento, o quadrinista deu mais uma prova do seu amor pelo meio e do meio para com ele. As filas estiveram completamente ocupadas em cada ocasião e o carinho dos leitores foi algo fortemente sentido.

Autores de literatura fantástica urbana ainda estiveram presentes, também, no estande da editora Aquário Editorial, promovendo a antologia de contos "O Outro Lado da Cidade", que contou com a presença de alguns de seus autores, como Ana Cristina Rodrigues, Taíssa Reis, Lucas Rocha, Bárbara Morais, Vinícius Lisbôa e Mary C. Muller, que aproveitaram para autografar a edição nos respectivos contos que cada um escreveu. A escritora Ana Lúcia Merege também esteve presente assinando seus livros publicados pela editora Draco e recebeu muito bem o público, lado a lado com o roteirista Raphael Fernandes, que autografou sua história em quadrinhos "Apagão - Cidade Sem Lei Luz".


O evento foi bastante agitado e corrido hoje, com um misto de expectativa e um saudosismo prévio já em mente com o encerramento do evento amanhã. Contudo, o dia final será certamente memorável e grandes experiências ainda estão por vir. Então, uma vez mais, destacamos #PartiuBienal!

domingo, 6 de setembro de 2015

XVII Bienal - Quatro Linhas de Prosa e Verso

Por Gabriel Guimarães
 

Ziraldo e 'Tute' falaram sobre quadrinhos
no estande da Argentina
O quarto e mais lotado dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi marcado por muitas atividades para engajar o público. Além do comércio dos estandes, o dia foi marcado por duas palestras focadas na arte sequencial, a primeira realizada no estande da Argentina, país homenageado pelos organizadores do evento, com a participação do cartunista Ziraldo e do quadrinista argentino Juan 'Tute' Matías Loiseau; a segunda, ocupou o Café Literário, e teve participação dos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá, Tiago 'Elcerdo' Lacerda, um dos organizadores da revista "Beleléu" e o cartunista Allan Sieber.

Na área Conexão Jovem, onde autores apresentam um pouco de sua trajetória pessoal com o público, o destaque ficou por conta do norte-americano Jeff Kinney, criador da série "Diário de um Banana", e o escritor Eduardo Spohr. Kinney apresentou sua raiz na nona arte e atendeu a muitos jovens leitores, proporcionando uma ótima experiência a todos que estiveram presentes (àqueles que não puderam conferir ou que queiram conferir mais a fundo como foi o papo, a página da Bienal no Facebook compartilhou um link de transmissão simultânea ao vivo via Periscope - a gravação pode ser conferida no link aqui).

Se, do lado de dentro dos Pavilhões do RioCentro, o ambiente era muito agradável e estimulante, o gerenciamento do estacionamento deixou muito a desejar, com confusão no direcionamento dos carros e falta de orientação dos funcionários sobre registro dos veículos deixados no local. Com o elevado gasto de cada visitante com o serviço, este poderia ser melhor organizado, principalmente levando em consideração as obras sendo feitas nas principais vias de acesso e as complicações decorrentes disso.

Os leitores ainda puderam se encontrar com alguns de seus autores favoritos hoje, como Maurício de Sousa em frente ao estande da Panini, Raphael Draccon no espaço Cubovoxes e Afonso Solano no estande da editora Leya, assinando seu livro "Espadachim de Carvão". Neste último estande, ainda, foi disponibilizado um fliperama temático para os visitantes poderem se divertir jogando um game de batalha espacial, em alusão ao lançamento da editora, "Armada", segundo livro do escritor norte-americano Ernest Cline, que teve também seu primeiro livro, "Jogador Nº1", relançado com novo design.


O dia foi o de maior movimento até agora nesta edição da Bienal
Para os fãs do gênero de terror, ainda ocorreu um debate aberto no estande do site de comércio online Submarino com os escritores Alexandre Callari e Cesar Bravo, que já foram publicados pela editora DarkSide, onde comentaram sobre suas origens e relação com o tema e as novas facetas desse gênero literário no Brasil e no mercado editorial.

O dia foi muito agitado, mas certamente recompensador para aqueles que estiveram presentes para vivenciá-lo. E você, o que está esperando? #PartiuBienal

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

XVII Bienal - Dois Novos Capítulos

Por Gabriel Guimarães


O segundo dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi de bastante movimento. As turmas de colégios em excursão lotaram os estandes na maior parte do dia, acompanhando em especial o movimento de figuras das novas mídias como o vlogger Christian Figueiredo, que lançou pela editora Novo Conceito dois livros da série "Eu fico Loko", com crônicas da vida adolescente atual. Com senhas para assinaturas que esgotaram em segundos, muitos jovens se reuniram próximo à região do Espaço Maracanã, onde era realizado  encontro com o autor. Essa proposta de contato do autor com o público em área anexa dos Pavilhões ao invés de dentro destes foi algo que se repetiu com o quadrinista Maurício de Sousa, que esteve assinando o "Caderno de Receitas da Magali", lançado pela editora SENAC. O desenhista, homenageado ontem pelos organizadores e pelo mercado, esteve na área da Praça Copacabana, localizada próxima à principal praça de alimentação do evento, e também atraiu a atenção de muitas crianças que por ali passavam. Essa nova proposta de interação reduz a aglomeração nos estandes que acabava causando transtornos e até situações de mal estar nos estandes vizinhos daqueles que sediavam a sessão de autógrafos, contudo, acaba por esfriar um pouco o contato direto do autor com o público, e a localização afastada dos locais destinados a essas atividades freia um pouco o interesse alheio que a presença no Pavilhão normalmente fomentava. É algo a ser avaliado para o futuro, com possíveis abordagens ainda por serem experimentadas com o tempo.

O estande da Sampa é muito recomendado
Dentro do Pavilhão Laranja, um dos destaques foram as ofertas de estandes como a Top Livros, que oferecia quadrinhos como "Terapia", do trio brasileiro Rob Gordon, Marina Kurcis e Mário Cau, e "Perramus", da dupla argentina Alberto Breccia e Juan Sasturain. No Pavilhão Verde, o estande da Nova Sampa foi um dos bastante procurados pelos preços convidativos em um amplo lote de mangás desde "Vagabond", de ,Takehiko Inoue, até "THERMÆ ROMÆ", de Mari Yamazaki. O estande contou, ainda, com encadernados da Panini e revistas-pôsteres lado a lado com álbuns de figurinhas e revistas de atividades e DVDs de  séries clássicas como "National Kid" e "Jaspion", proporcionando, dessa forma, uma experiência completa no universo nerd.

A loja Comix  também contou com novidades hoje, como a edição "O Outro Cão Que Guardava as Estrelas", sequência inédita do trabalho de Takashi Murakami trazida ao Brasil pela editora JBC. O estande também ofereceu desconto em encadernados da editora HQM, como "Harbinger" e "X-O Manowar", ambos da linha Valiant, "Concreto - Nas Profundezas", de Paul Chadwick, e o primeiro volume de "Bone" em cores, de Jeff Smith. Acima de R$100,00 em compras, o estande ainda oferece desconto no pagamento em dinheiro ou cartão de débito, além de oferecer parcelamento para crédito. A Devir também expôs descontos consideráveis em seus conteúdos de quadrinhos, como "Grendel - Preto, Branco e Vermelho", de Matt Wagner, os encadernados de "Tom Strong" e a graphic novel "Badlands - O Fim do Sonho Americano", de Steven Grant e Vince Giarrano. Vale a pena conferir!

Os estandes estão oferecendo bons descontos, em geral. Mesmo aqueles não necessariamente ligados à arte sequencial em si, o que é algo que vinha sendo motivo de reclamações nas edições anteriores e mais recentes da Bienal. Os funcionários também vem sendo muito atenciosos e solícitos, mas a sinalização de determinadas áreas, como aquela onde ocorreram as sessões de autógrafos, poderia ser mais clara e bem estabelecida. É uma transição natural que certamente será melhor implementada no futuro. O mesmo problema se deu com o serviço de aluguel para cadeiras de rodas e carrinhos de passeio para crianças pequenas, que trocou de lugar entre o primeiro dia de evento e hoje, mas não informou à administração para que ela repassasse a nova localização para os pontos de informação e subsequentemente ao público.

O evento vem sendo muito agradável, com menos concentração de visitantes nos corredores dos Pavilhões, mas agora a expectativa é de que o movimento seja bem maior no final de semana e no feriado que o emenda. Naturalmente, é esperado um número menor que na última edição, onde o feriado não foi emendado e, portanto, as pessoas não tinham tanto a opção de viajarem. Ainda assim, o evento promete excelentes momentos e um cenário muito confortável para as famílias e os leitores mais ávidos. #PartiuBienal