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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 4

Por Gabriel Guimarães


No último dia da segunda edição da ComiCon XPerience, o público começou com bastante energia, recebendo efusivamente o ator norte-americano Misha Collins no Auditório Cinemark. Admiradores de seu personagem no seriado "Supernatural", muitos dos quais estiveram presentes no bate-papo com o ilustre convidado, estavam fantasiados conforme o figurino utilizado pelo mesmo. Não foi, porém, apenas nessa ocasião que os cosplayers foram destaque no dia. Em meio a muitos acontecimentos incríveis e maravilhosos, uma nota muito ruim acaba sendo necessária de ser registrada aqui. Membros da mídia tradicional que estavam cobrindo o evento causaram um grande alvoroço pela abordagem que deram aos dedicados fãs que foram à caráter para celebrar o momento positivo que a cultura pop vem alcançando nos últimos tempos. Além dos corriqueiros deslizes, causados por pesquisas incompletas (ou inexistentes, em alguns casos) sobre o conteúdo com que estavam trabalhando, repórteres do programa Pânico na Band grosseiramente assediaram algumas cosplayers, chegando a lamber uma delas e a tratá-las com considerável descaso e desrespeito. Naturalmente, os organizadores do evento foram informados (se não diretamente, o foram pela enxurrada de críticas ao grupo presentes nas mídias sociais) e se mostraram igualmente inconformados com a postura da equipe de filmagem e, por meio do site Omelete, emitiram, no início da tarde do dia 7 de dezembro, uma nota banindo o programa de futuras programações da CCXP, a fim de que todos saibam que o evento trata de proporcionar uma atmosfera agradável a todos e um convívio saudável para todos os admiradores dos diversos veículos de expressão cultural presentes no pavilhão da São Paulo EXPO. A nota emitida pela equipe responsável pelo evento pode ser conferida no link aqui.

Os cosplays estiveram realmente de excelente qualidade

Felipe Massafera foi um dos artistas
brasileiros mais procurados
Tirando esse incidente grave, os cosplayers puderam participar de concursos realizados na área do estande da editora JBC, onde o clima foi muito amigável e a confraternização foi a ordem do dia. Haviam figurinos de personagens conhecidos do universo dos quadrinhos, games, cinema e televisão, com destaque para o casal Coringa e Arlequina, como os mais fáceis de ser encontrados pelos corredores da CCXP. O jovem herói Finn, do desenho "Hora de Aventura", também foi outro dos mais populares entre o público de cosplayers. Entre fotos com o público e a árdua jornada nos estandes de colecionáveis, os cosplayers ainda foram conferir de perto os artistas brasileiros presentes no evento, como Alzir Alves, José Luis, Klebs Jr, Cris Peter, Eddy Barrows, Paulo Crumbim, Felipe Nunes, Cristina Eiko, Felipe Massafera e Gustavo Duarte. A já mencionada Cris Peter (colorista já reconhecida no mercado nacional como uma das mais qualificadas profissionais dessa geração, tendo prestado serviços tanto para os estúdios MSP quanto para editoras internacionais), inclusive, participou de um pertinente debate sobre a presença e representação das mulheres na cultura pop, ao lado de outras artistas como Meredith Finch (uma das responsáveis pelo título da "Mulher-Maravilha"), Érica Awano (desenhista responsável pela série brasileira "Holy Avenger" e pela adaptação de "Alice no País das Maravilhas", publicada pela Dark Horse) e Lady Lemon (reconhecida cosplayer argentina, que foi, ainda, convidada para participar da banca de avaliação do Concurso de Cosplay da CCXP e que, através de sua escola dedicada ao segmento, leva adiante técnicas de figurino para muitos interessados até do campo do cinema).

Outro debate que foi muito importante para o momento atual da arte sequencial foi realizado em seguida, com os quadrinistas Cadu Simões e Scott McCloud, sobre a evolução das webcomics e o momento atual dessa vertente, que teve, no estande da Social Comics, um grande aliado. Carinhosamente apelidada de "Netflix dos Quadrinhos", a empresa tem como proposta oferecer ao leitor brasileiro acesso via streaming para um acervo considerável (e crescente) de títulos de quadrinhos, tanto publicados por editoras quanto de autores independentes, por um preço fixo mensal de R$19,90 até o momento. Aproveitando justamente a agitação do mercado, como  Cadu e McCloud comentaram no auditório, os responsáveis pela Social Comics trouxeram uma enxurrada de grandes novidades para a CCXP, como a chegada na plataforma dos quadrinhos da Turma da Mônica, o acordo com a editora norte-americana Dark Horse, o início de trabalho com conteúdo exclusivo para os assinantes do serviço (tal qual a já mencionada Netflix), e a contínua expansão do catálogo imenso de obras que já dispunham. Vale destacar que um mês antes da ComiCon, o grupo dono do site Omelete desembolsou uma cifra substancial para adquirir uma participação no desenvolvimento da plataforma, dando-lhe ainda mais credibilidade e mostrando que é uma vertente importante no futuro próximo do mercado editorial brasileiro de quadrinhos. O estande da Social Comics ainda contou com a presença de muitos artistas em interações com o público e sorteou autógrafos de uma das lendas dos quadrinhos, o roteirista Frank Miller, convidado de honra dessa edição do evento. Vale a pena ficar de olho no que ainda vem por vir!



No estande da editora Aleph, o jornalista Chris Taylor esteve autografando seu livro "Como Star Wars Conquistou o Universo", publicado recentemente para aproveitar a excitação do mercado com o novo filme da série cinematográfica criada por George Lucas, e que estreia, dentro de poucos dias, nos cinemas do mundo inteiro. Para aproveitar esse momento, a empresa de sandálias Havaiana montou, também, um estande dedicado aos personagens da aventura espacial, com direito a uma réplica da casa de Luke Skywalker em Tatooine. Elementos de "Star Wars", contudo, não se restringiram aos estandes, e ganharam variadas formas e tamanhos em ações publicitárias e cosplays trabalhados ao longo de todo o pavilhão. Basta agora aguardar o novo filme e torcer para que o capítulo prestes a ser escrito com esses personagens, tão queridos pelo grande público, possa proporcionar momentos tão intensos e memoráveis como seus predecessores das décadas de 1970 e 1980. Que a Força esteja com esse novo filme!

A ComiCon XPerience de 2015 vai, assim, chegando ao fim e, tal qual a edição de 2014, deixa uma sensação boa na memória daqueles que puderam estar presentes. Novamente focada em proporcionar momentos e experiências únicos, o evento foi bem sucedido em sua empreitada, e a esperança é de que alcance, a cada ano e edição, novos patamares e satisfaça ainda mais pessoas. A certeza maior que fica, não tão curiosamente, é semelhante ao encerramento do evento no ano passado: #FoiÉpico!

sábado, 5 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 3

Por Gabriel Guimarães



Scott McCloud assina cópia de sua obra "O Escultor",
no estande da editora Marsupial
O terceiro dia da ComiCon XPerience começou bem cedo, com filas formadas desde o início da manhã para quem tivesse interesse em conferir os muitos e aguardados painéis que seriam realizados no Auditório Cinemark. O filme "O Bom Dinossauro", produzido pela Pixar, teve uma sessão de pré-estreia exclusiva para o público da CCXP, seguido diretamente de um bate-papo agradável com o diretor Peter Sohn, responsável pelo projeto. O diretor explicou a proposta dos cenários mais realistas da história, feitos dessa forma para criar uma percepção de mundo real, com personagens mais caricatos, a fim de gerar maior identificação por parte do público com os protagonistas, proposta esta denominada efeito máscara, conforme destacado pelo quadrinista Scott McCloud em seu estudo sobre a narrativa gráfica de histórias em quadrinhos como "Tintin", do belga Hergé, "Bone", do norte-americano Jeff Smith, e em muitos mangás. McCloud, inclusive, também marcou presença no dia, autografando edições de seu novo livro, dessa vez uma obra de conteúdo ficcional, "O Escultor", lançado pela editora Marsupial em seu estande.

Estande da Marvel trouxe vários itens interessantes do
próximo filme do Capitão América

O painel da Pixar/Disney prosseguiu, com detalhes do filme "Zootopia", que tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros de fevereiro de 2016, e contou com a presença surpresa do jornalista Ricardo Boechat, que vai dublar um personagem exclusivo para a versão brasileira do filme. O repórter, uma vez introduzido, passou a conduzir a conversa, abordando o início da carreira dos demais dubladores presentes no auditório, e promovendo uma atmosfera de descontração, ao mesmo tempo em que cada um contribuía para o papo com experiências particulares da profissão. Após a etapa de animações ser encerrada, foi a vez dos estúdios Marvel causar o colossal torpor da plateia. Apresentando trechos inéditos do filme "Capitão América - Guerra Civil", que possuía um estande particular no Pavilhão da São Paulo Expo, o diretor Anthony Russo comentou sobre as diferenças da participação do personagem Homem-Aranha na trama dos quadrinhos para a versão do filme, além de elogiar o desempenho do ator Chadwick Boseman no papel do herói Pantera Negra, indicando-o como um dos pilares do filme. O público precisou conter a grande ansiedade por ver a versão do personagem aracnídeo pela primeira vez conduzido pela própria Marvel, que era uma das grandes expectativas do painel, mas, ainda assim, teve a oportunidade de conferir as primeiras cenas que apresentam o Homem-Formiga no filme.


A réplica em tamanho real do Batsinal foi um dos grandes
atrativos do estande da Mattel na CCXP
Do lado de fora do auditório, a Marvel se fazia presente nos mais diversos estandes, com obras raras, de quando ainda era publicada no Brasil pelas editoras RGE e Ebal, sendo vendidas pelo sebo Empório HQ; com estatuetas de acabamento impecável em estandes como o da Kotobukyia e o da Iron Studios; e com outros materiais licenciados, como no estande da Mattel, que expôs vários veículos de Hot Wheels caracterizados como os heróis e vilões da editora. Este estande, ainda, apresentava conteúdo que será lançado ano que vem para promover o filme "Superman V Batman", da outra gigante do mercado de quadrinhos de super-heróis, a DC. Figuras de ação do filme estiveram em exibição, atraindo olhares e estimulando os visitantes a tirarem fotos com os itens da empresa. Além desse material, havia ainda os bonecos da linha Max Steel e outros objetos licenciados da aclamada série Star Wars, com réplicas em miniatura das naves presentes nos filmes, e veículos caracterizados como os personagens da trama espacial.

O universo de Star Wars também foi o tema da atividade seguinte no painel do auditório Cinemark, com o produtor do filme, Bryan Burk, apresentando um featurette exclusivo com imagens dos bastidores do aguardado "Star Wars Episódio VII - O Despertar da Força", que estreia nos cinemas dia 17 de dezembro próximo. A fim de evitar qualquer vazamento de informações sobre a história do filme, além daquelas já contidas nos trailers disponibilizados nas diversas redes até o momento, o produtor procurou focar em comentar sobre o processo de construção do universo ficcional no set dirigido por J. J. Abrams. O público, em grande parte vestido à caráter para conferir as novidades de uma galáxia muito distante, se empolgou com a atividade, e isso se expandiu para fora da área dos auditórios, onde alguns cosplayers representaram lutas de sabre de luz nos corredores do pavilhão, com genuína dedicação e preparo físico.

Trajes expostos no estande da Warner fizeram enorme sucesso
junto ao público para promover "Superman V Batman"
O estande da Warner ainda atraiu muitos visitantes, expondo aparatos utilizados nas filmagens do filme dos personagens da DC, além de trajes vestidos nas gravações dos seriados "Flash" e "Arrow". O estande apresentou muito conteúdo dos bastidores da produção televisiva e cinematográfica dos personagens dos quadrinhos, contando ainda com grande mural para se tirar foto com a representação dos heróis em sua caracterização atual. Filmes dessa linha, como "O Esquadrão Suicida", também se mostraram presentes, ao menos na presença de incontáveis visitantes trajados do casal Coringa e Arlequina, cuja popularidade está longe de ser equiparada no momento.

Para os fãs do material autoral da arte sequencial, um dos destaques do dia foi a mesa do estúdio Rascunho, administrado pelo colorista Alzir Alves, que estava acompanhado de sua esposa Nívia e do desenhista José Luis. Com materiais como "Mirage - O Caos da Água", produzido em parceria entre os dois e de outros muitos talentosos quadrinistas como Eduardo Pansica, Geraldo Borges, Luis Carlos Sousa, entre outros, é de dar grande alegria ver a bela qualidade do momento da nona arte brasileira. Em igual condição, estavam as edições do grupo Petisco, cujos artistas participantes Daniel Esteves, Cadu Simões, Will, Mário Cau, Dênis Mello e Sam Hart, estiveram presentes, cada um com sua própria bancada. A presença do profissional brasileiro na produção de arte sequencial ainda foi tema de debate no auditório Prime, onde os editores J.M. Trevisan, Cassius Medauar e Beth Kodama, e os quadrinistas Marcelo Cássaro e Érica Awano, que trataram da produção de mangá no país, analisando o sucesso da série "Holly Avenger", que ainda representa um grande marco de sucesso no mercado editorial brasileiro, influenciando autores até hoje, como é o caso da roteirista Fran Briggs e da desenhista Anna Giovannini, que lançaram a história "Mercenário$", que se passa em Tormenta, o mesmo universo fantástico que o dos personagens Sandro, Niele, Tork e cia.
 

O mangá ainda ganhou destaque na Samurai Alley, com uma apresentação básica da história da mídia, a poucos metros do estande da JBC, montado para promover com grandes atrativos os fãs do estilo, com direito a palco para apresentações de cosplay e o lançamento de "Combo Rangers - Somos Humanos", do roteirista Fábio Yabu com o desenhista Michel Borges, que estiveram presentes para assinar as edições dos visitantes interessados.


Outro estande que contou com lançamento no sábado foi o da editora Novo Século, que estava trazendo para o público a romantização da história em quadrinhos "Guerras Secretas", inédito no Brasil, e a edição especial luxuosa de "Guerra Civil", escrita por Stuart Moore a partir da história feita por Mark Millar e Steve McNiven. O desenhista pela arte das capas dos títulos da editora com os personagens da Marvel, Will Conrad, também esteve presente para assinar sua contribuição para os títulos, além de contar com pôsteres produzidos especificamente para o evento e distribuídos na compra dos livros.

O dia foi de grande movimento, e o encerramento promete grandes experiências, cada vez mais memoráveis. #EstáSendoÉpico

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 2

Por Gabriel Guimarães


O segundo dia da ComiCon XPerience de 2015 foi marcado por alguns de seus convidados internacionais, que causaram grande comoção entre os milhares de fãs presentes. Enquanto o quadrinista Frank Miller levou alguns de seus admiradores às lágrimas, a atriz Evangeline Lilly reuniu extensas filas para autografar seu primeiro livro infantil, "Os Molambolengos", recém-lançado pela editora Aleph; o desenhista Esad Ribic e o roteirista Mark Waid provocaram grande movimento no Artist's Alley, e os atores de "Sense8", Alfonso Herrera, Jaime Clayton e Aml Ameen, e de "Jessica Jones", Krysten Ritter e David Tennant, participaram de um animado painel sobre a produção de conteúdo original pela Netflix.

O movimento dentro do pavilhão esteve bastante agitado, com muitas famílias presentes, uma vez que o evento apresentou opções para visitantes de todas as idades. A área infantil, montada com uma réplica menor do Palácio da Justiça e até uma miniatura proporcional do Batmóvel para as crianças tirarem fotos, oferece uma alternativa agradável para  que os pais possam conferir todos os estandes enquanto seus filhos se divertem em piscinas de bolinhas e brincadeiras especiais. No estande da Fox, ainda ocorreram diversas atividades para os mais jovens também, com animadores fantasiados dos personagens do filme "Alvin e os Esquilos", com um palco onde se realizavam novas interações com o público e era exibido o trailer da próxima continuação do filme. No mesmo estande, há uma estátua do antropomórfico Po, do filme "Kung Fu Panda", para promover a terceira aventura nos cinemas, em frente a uma área montada especificamente para oferecer macarrão instantâneo de forma grátis para o público numa proposta de divulgar o material licenciado com os personagens do filme.

Enquanto isso, os pais podiam aproveitar as muitas atividades oferecidas no estande da Fox televisiva, onde havia uma placa interativa com o futuro seriado "AHS Hotel", com temática adulta, onde o visitante poderia tirar fotos como personagem do seriado. Além disso, integrantes do estande se vestiram de Bart Simpson para tirar fotos com os visitantes. Na mesma pegada adulta, o canal Syfy apresentou atores maquiados de seres sobrenaturais com um nível de detalhamento capaz de provocar até pesadelos. Ademais, o canal ainda anunciou a confirmação de que será o responsável pela transmissão da nova temporada do Doctor Who no Brasil.

John Totleben assinou suas obras no
estande da Chiaroscuro
Atualmente interpretado pelo veterano Peter Capaldi, o papel de protagonista do seriado já foi interpretado pelo já mencionado David Tennant, o que contribuiu para que ele se tornasse a figura mais procurada pelos fàs presentes na CCXP sexta-feira, dividindo os holofotes maiores apenas com o lendário Frank Miller. Na área dedicada aos artistas de quadrinhos, alguns destaques foram as filas para o estande do estúdio Chiaroscuro, que contou com a presença do desenhista americano John Totleben, responsável por grande fase dos personagens Miracleman e Monstro do Pântano ao lado do britânico Alan Moore. Nos autores brasileiros, se destacaram Marcelo Quintanilla, autor de "Tungstênio" e "Talco de Vidro" pela editora Veneta; o querido roteirista Cadu Simões, com seu material de base mitológica "Nova Hélade" e algumas edições do seu personagem Homem-Gafanhoto (o autor está passando por um momento de saúde delicado e toda a comoção de amigos e parceiros da indústria de arte sequencial tem sido bem movimentada, conforme ressaltamos em matéria prévia aqui no blog); o desenhista Vencys Lao também apresentou alguns materiais autorais muito bacana, como "Astromini" e seu primeiro quadrinho publicado, "Dia do Porko", lançado ainda no FIQ de 2013; e o jornalista carioca Télio Navega também esteve presente assinando cópias de seu livro "Os Quadrinistas", lançado pouco menos de um mês atrás, pela editora Zarabatana.

Uma nota de rodapé sobre as atividades das mesas dos artistas ficou por conta de uma pomba tranquila que entrou pelo topo do pavilhão e que parecia estar conferindo calmamente as novidades dos artistas nacionais, parando em frente à bancada dos desenhistas Marcelo Braga e Rafael Albuquerque. Ela foi retirada depois de algum tempo por um bombeiro, que a conduziu calmamente para que voltasse ao espaço externo da convenção. O momento rendeu particularmente algumas boas risadas aos presentes.




O grande destaque para encerrar o dia foi o anúncio de algo inédito na indústria midiática relacionada  aos quadrinhos brasileiros. O quadrinista Maurício de Sousa anunciou que, em parceria com a produtora Quintal Digital, está sendo trabalhada uma adaptação para o cinema da graphic novel "Laços" live-action. A obra produzida pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi foi um dos títulos de maior sucesso da linha Graphic MSP, iniciada em 2012 sob a batuta do editor Sidney Gusman pelos estúdios MSP. O ineditismo é por conta de ser a primeira ocasião em que os principais personagens de Maurício vão ganhar uma versão de carne e osso na grande tela, ainda que eles já tenham mais de meio século de sua criação. Para homenagear o quadrinista paulista, a editora Panini ainda lançou em seu estande a edição inédita "Maurício de Sousa 80".

Há, ainda, um estande dedicado especificamente
dedicado aos 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa

O dia foi de grande movimento mais uma vez e a tendência do final de semana é que seja ainda maior, dando definitivamente a garantia de que o evento #VaiSerÉpico!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 1

Por Gabriel Guimarães


Hoje teve início, no Pavilhão da São Paulo Expo, a segunda edição da ComiCon XPerience, com proposta de levar um pouco mais além os resultados obtidos no evento do ano passado, quando cerca de 97.000 pessoas estiveram presentes, conferindo palestras, a área de artistas dos quadrinhos, oficinas com profissionais do mercado editorial, estandes de grandes empresas, editoras e lojas. Com previsão este ano para números ainda mais expressivos, o evento foi organizado de forma mais sistemática, dedicando cada setor a áreas específicas da indústria de entretenimento e da cultura pop. Música, games, quadrinhos, colecionáveis, cinema, televisão e literatura, todos, tiveram espaço, com estandes apinhados de ávidos f'ãs.

Iron Studios foi um dos grandes destaques do evento, tal como
todo o segmento de colecionáveis
O primeiro item que recebe os visitantes é uma mesa de DJ montada bem de frente para a entrada, e que ficou responsável por dar clima de festa ao evento. Ao passar pelas catracas, logo se percebe a simpática figura do cavaleiro criado pelos irmãos Marcos e Mateus Castro no game "A Lenda do Herói", em uma estátua de tamanho real que indica a área onde o estande dos vloggers está localizado. Seguindo em frente, o estande que rapidamente captura a atenção é o referente ao conteúdo da Iron Studios. Com uma réplica do conflito entre os personagens Hulk e Homem de Ferro, este em sua armadura aprimorada, do filme "Vingadores 2 - A Era de Ultron" (que fizemos análise aqui no blog), o preciosismo com os detalhes é impressionante. Esse mesmo esmero é notável nas demais estatuetas do estande, que abordam, desde temas relacionados aos quadrinhos quanto itens vindos de filmes, séries e games. Este ano, contudo, as lojas com conteúdo dedicado ao público colecionador não esteve concentrado em apenas uma quantidade pequena de estandes, mas tiveram o reforço de exponentes no mercado pop brasileiro, como foi o caso da Nerdstore, do grupo Jovem Nerd, e de outros empreendimentos, como a Pizzi Toys, a Bandai, a Legião Nerd, além de estandes dedicados a universos específicos, como foi o caso da Star Wars Store.

Tiveram muitos
cosplayers inspirados
O público, contudo, não deixou para menos e houve muitos cosplayers cuja montagem de visual era extremamente bem acabado, se aproximando da qualidade de realismo de muitos dos colecionáveis. Simulando personagens advindos da televisão, como a interpretação do ator Matt Smith para o seriado de ficção científica "Doctor Who", do cinema, como a Tristeza, do filme "DivertidaMente", e dos quadrinhos, com a dupla Coringa e Arlequina sendo a mais comumente encontrada, os trajes estavam espetaculares. Utilizando tanto peças de roupa e equipamentos característicos, um rapaz ainda replicou quase com exatidão a nova caracterização do personagem Arqueiro Verde no seriado "Arrow", acompanhado, curiosa mas previsivelmente, de um pequeno garoto trajado de Flash nos mesmos moldes do seriado que dialoga com o do Arqueiro. A personagem Saori, dos "Cavaleiros do Zodíaco" também foi representada por várias moças, atraindo olhares admirados de fãs diante dos objetos dedicados a este universo de personagens presentes na já citada Bandai.

O editor Érico Assis (à esquerda) mediou a masterclass
do desenhista Scott McCloud (à direita)
Da parte da arte sequencial, convidados ilustres como o artista e estudioso da mídia Scott McCloud e o premiado roteirista Mark Waid marcaram presença em masterclasses de imensa qualidade. Enquanto o primeiro apresentou os bastidores de sua nova obra, "O Escultor", lançamento inédito aqui no Brasil pela editora Marsupial, aplicando algumas de suas concepções consagradas das ferramentas expressivas da linguagem dos quadrinhos em seu próprio trabalho; o roteirista buscou introduzir à plateia as noções básicas do roteiro de uma revista de super-heróis, material com o qual está habituado a trabalhar com sucesso pelas últimas décadas, à exemplo de seu legado em personagens como Flash e Capitão América. Durante esta segunda oficina, ocorreu um problema com o gerador do centro de convenções, que precisou ser trocado por risco de sobrecarga. Outro fato que vale destacar foi o alto som vindo do auditório em diagonal daquele onde estavam ocorrendo as masterclasses, em função da reforma extraordinária pela qual esse ambiente passou, uma vez que era nele que costumavam ser realizados os painéis de maior identificação por parte do público. Enquanto, ano passado, as atividades nesse auditório ocorriam em uma sala de dimensões vastas, mas que dependiam dos telões para as pessoas do fundo poderem tentar ver algo do que ocorria no palco, os organizadores do evento buscaram aprimorar o serviço disposto ao público e firmaram parceria com a rede de cinemas Cinemark para repaginar todo o espaço e construir uma sala de cinema de grande proporção e de qualidade virtualmente igual àquelas mais disputadas nos shopping centers. Apesar de esta mudança ser de enorme qualidade e receber com bons olhos a atenção da maioria dos visitantes, o alcance do som e os efeitos de sua reverberação ainda precisam ser observados posteriormente para garantir a todos os presentes nas atividades dos quatro auditórios presentes uma condição igual de conforto, tranquilidade e zelo.

Mark Waid apresentou a base de um roteiro de história em
quadrinhos de super-heróis no modelo norte-americano

Na área dedicada aos artistas da nona arte, um dos destaques foi o trio Marcelo Bruzzesi, Rui Silveira e Rodrigo Fernandes, com seu recém-lançado "Syam", sobre um futuro distópico não tão distante cuja trama gira em torno da nova realidade dos transplantes de órgãos a partir do surgimento de uma doença dramática. Outra mesa com material inédito foi a do roteirista Deyvison Manes, com a segunda bela edição de "Justiça Sideral", dessa vez ilustrada por Thiago Ribeiro. O estande da editora JBC, todo decorado com a temática japonesa onde suas publicações costumam ser produzidas, trouxe ainda o desenhista Hiro Kyohara, do mangá "Another", série cuja base em prosa, escrita por Yukito Ayatsuji, foi lançada neste evento pela mesma editora. Outro lançamento de sucesso é o título "Blade - A Lâmina do Imortal", de Hiroaki Samura, que havia começado a ser publicado pela Conrad, mas cuja série fora interrompida pouco tempo depois, antes de ser concluída; agora, a JBC assume a responsabilidade de trazer a conclusão das histórias do protagonista Manji para os leitores brasileiros, tal qual tem conseguido fazer com histórias como "Eden - It's an Endless World!", de Hiroki Endo, lançada em iguais circunstâncias. Com uma ótima recepção ao público, os atendentes, também caracterizados nas tradições nipônicas, são um outro ponto positivo do estande.

O primeiro dia foi recheado de grandes experiências muito agradáveis, e foi uma forma bastante eficiente de indicar que, tal qual a edição da CCXP do ano passado, este ano, o evento novamente #VaiSerÉpico! Aguardem por novidades e acompanhem nossa cobertura direta do evento pelo nosso Instagram!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

XVII Bienal - Dois Novos Capítulos

Por Gabriel Guimarães


O segundo dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi de bastante movimento. As turmas de colégios em excursão lotaram os estandes na maior parte do dia, acompanhando em especial o movimento de figuras das novas mídias como o vlogger Christian Figueiredo, que lançou pela editora Novo Conceito dois livros da série "Eu fico Loko", com crônicas da vida adolescente atual. Com senhas para assinaturas que esgotaram em segundos, muitos jovens se reuniram próximo à região do Espaço Maracanã, onde era realizado  encontro com o autor. Essa proposta de contato do autor com o público em área anexa dos Pavilhões ao invés de dentro destes foi algo que se repetiu com o quadrinista Maurício de Sousa, que esteve assinando o "Caderno de Receitas da Magali", lançado pela editora SENAC. O desenhista, homenageado ontem pelos organizadores e pelo mercado, esteve na área da Praça Copacabana, localizada próxima à principal praça de alimentação do evento, e também atraiu a atenção de muitas crianças que por ali passavam. Essa nova proposta de interação reduz a aglomeração nos estandes que acabava causando transtornos e até situações de mal estar nos estandes vizinhos daqueles que sediavam a sessão de autógrafos, contudo, acaba por esfriar um pouco o contato direto do autor com o público, e a localização afastada dos locais destinados a essas atividades freia um pouco o interesse alheio que a presença no Pavilhão normalmente fomentava. É algo a ser avaliado para o futuro, com possíveis abordagens ainda por serem experimentadas com o tempo.

O estande da Sampa é muito recomendado
Dentro do Pavilhão Laranja, um dos destaques foram as ofertas de estandes como a Top Livros, que oferecia quadrinhos como "Terapia", do trio brasileiro Rob Gordon, Marina Kurcis e Mário Cau, e "Perramus", da dupla argentina Alberto Breccia e Juan Sasturain. No Pavilhão Verde, o estande da Nova Sampa foi um dos bastante procurados pelos preços convidativos em um amplo lote de mangás desde "Vagabond", de ,Takehiko Inoue, até "THERMÆ ROMÆ", de Mari Yamazaki. O estande contou, ainda, com encadernados da Panini e revistas-pôsteres lado a lado com álbuns de figurinhas e revistas de atividades e DVDs de  séries clássicas como "National Kid" e "Jaspion", proporcionando, dessa forma, uma experiência completa no universo nerd.

A loja Comix  também contou com novidades hoje, como a edição "O Outro Cão Que Guardava as Estrelas", sequência inédita do trabalho de Takashi Murakami trazida ao Brasil pela editora JBC. O estande também ofereceu desconto em encadernados da editora HQM, como "Harbinger" e "X-O Manowar", ambos da linha Valiant, "Concreto - Nas Profundezas", de Paul Chadwick, e o primeiro volume de "Bone" em cores, de Jeff Smith. Acima de R$100,00 em compras, o estande ainda oferece desconto no pagamento em dinheiro ou cartão de débito, além de oferecer parcelamento para crédito. A Devir também expôs descontos consideráveis em seus conteúdos de quadrinhos, como "Grendel - Preto, Branco e Vermelho", de Matt Wagner, os encadernados de "Tom Strong" e a graphic novel "Badlands - O Fim do Sonho Americano", de Steven Grant e Vince Giarrano. Vale a pena conferir!

Os estandes estão oferecendo bons descontos, em geral. Mesmo aqueles não necessariamente ligados à arte sequencial em si, o que é algo que vinha sendo motivo de reclamações nas edições anteriores e mais recentes da Bienal. Os funcionários também vem sendo muito atenciosos e solícitos, mas a sinalização de determinadas áreas, como aquela onde ocorreram as sessões de autógrafos, poderia ser mais clara e bem estabelecida. É uma transição natural que certamente será melhor implementada no futuro. O mesmo problema se deu com o serviço de aluguel para cadeiras de rodas e carrinhos de passeio para crianças pequenas, que trocou de lugar entre o primeiro dia de evento e hoje, mas não informou à administração para que ela repassasse a nova localização para os pontos de informação e subsequentemente ao público.

O evento vem sendo muito agradável, com menos concentração de visitantes nos corredores dos Pavilhões, mas agora a expectativa é de que o movimento seja bem maior no final de semana e no feriado que o emenda. Naturalmente, é esperado um número menor que na última edição, onde o feriado não foi emendado e, portanto, as pessoas não tinham tanto a opção de viajarem. Ainda assim, o evento promete excelentes momentos e um cenário muito confortável para as famílias e os leitores mais ávidos. #PartiuBienal

terça-feira, 28 de abril de 2015

All You Need is an Edge

Por Gabriel Guimarães


O ano de 2004 foi bastante turbulento para a humanidade. Ainda sob o jugo do temor provocado pelos atentados terroristas às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, alguns anos antes, muitos países viveram situações tensas com radicais ideológicos que optaram por utilizar os mesmos meios para combater aqueles opostos aos seus propósitos. A Austrália sofria com ameaças do tipo, a Ucrânia vivia grande caos em meio ao seu período eleitoral, a Rússia viu dois massacres ocorrerem em seus aeroportos e escolas, a Espanha sofreu atentados graves em pontos de seu sistema público de transporte, o Kosovo, ainda então parte da Sérvia, era cenário de grandes conflitos populares, insurgentes no Iraque atacaram uma de suas prisões. O mundo inteiro, portanto, passava por um período de reconfiguração de seu cenário político e militar. Nada, porém, surpreendente que essa temática, já tão emblemática na indústria de entretenimento desde os tempos da Primeira Guerra Mundial, tenha sido representada em obras da época como o documentário ''Farenheit 11/9'', o jogo ''Counter-Strike: Source'' e a obra que é o foco de nossa matéria hoje, a light novel ''All You Need is Kill''. Escrita por Hiroshi Sakurazaka e com ilustrações de Yoshitoshi Abe, a história foi publicada pela editora Shueisha dentro da revista ''Super Dash Bunko''. Uma década depois, foi adaptada para os quadrinhos por Ryosuke Takeuchi com desenhos de Takeshi Oda, e para os cinemas pelo diretor norte-americano Doug Liman.

Keiji Kiriya acordando após mais um loop
Apresentando a história do recruta Keiji Kiriya em sua primeira luta na frente de batalha do seu pelotão contra os Mimetizadores, raça alienígena que atacou o nosso mundo com o objetivo direto de dominá-lo como a uma presa, o livro aborda a mudança causada no personagem a partir do momento em que este adquire um dos poderes dos seres inimigos, o qual faz com que ele volte no tempo até um dia antes de sua morte toda vez que ele cai em confronto. Com um estilo similar ao do filme de comédia de 1993, ''Feitiço do Tempo'', o protagonista se vê preso em uma rotina repetitiva cujo fim sempre termina por levá-lo de volta ao começo. Revivendo centenas de vezes o combate, o ingênuo Kiriya vai se tornando mais frio e calculista, uma vez que retinha todas as experiências das mortes anteriores e continuava fadado a experimentá-las continuamente. Transformando-se de um soldado novato em especialista, o personagem apresenta o desumanismo provocado pelo cenário caótico da guerra e os frequentes encontros com a morte, elemento apontado com grande pesar pelo escritor e veterano soldado alemão Erich Maria Remarque em sua obra de 1929, ''All Quiet on the West Front'', acerca da experiência alemã na Primeira Guerra Mundial.

Acima, a representação dos Mimetizadores no filme, abaixo a versão do mangá
No decorrer da trama, Kiriya conhece pessoalmente outra oficial que teria passado por experiência similar à sua com o loop do campo de batalha, a norte-americana Rita Vrataski. Apelidada em batalha de 'Valquíria' e empunhando um longa e pesada lâmina, ela lhe explica a origem do fenômeno pelo qual está passando e o ajuda a treinar para que, juntos, possam eliminar os Mimetizadores responsáveis pela salvaguarda do grupo inimigo ao gerar a viagem no tempo para que possam se reorganizar e se defender melhor dos ataques humanos. Diante da realidade grotesca das guerras e as inúmeras baixas que se repetem a cada novo loop, eles se veem confrontados por uma determinação que talvez seja a única forma de romper a repetição e terminar a batalha, mas isso não será realizado sem grandes sacrifícios.

Tendo iniciado a desenvolver sua história a partir da experiência que leu de um jogador de videogame onde o seu personagem ressurgia nos checkpoints depois de morrer em uma parte mais avançada da fase, mas com maior experiência e entendimento do que viria a encontrar mais pra frente, o autor Hiroshi Sakurazaka procurou observar o outro lado dessa dinâmica e avaliar os efeitos que esse contínuo retorno teria em um indivíduo na linha de frente de combate. Muito menos luxuosa do que alguns poderiam presumir, a história dá um enfoque dramático e aterrorizante no ciclo de mortes sem fim testemunhado por Kiriya.

O mangá produzido a partir da light novel adquiriu grande popularidade pela arte de Takeshi Oda, responsável por renomados outros títulos como ''Death Note'' e ''Bakuman'', e foi publicado em duas revistas no Japão, a ''Weekly Young Jump'' e a ''Weekly Shonen Jump'', sendo trazido para as bancas brasileiras pela editora JBC em dezembro do mesmo ano. Com bastante dinamismo nas cenas e uma abordagem tensa dos efeitos psicológicos no personagem principal, ''All You Need is Kill'' agradou bastante ao público e conseguiu ter boa visibilidade no estande da editora na ComiCon XPerience em São Paulo.

O filme, renomeado para ''Edge of Tomorrow'' (em português, ''No Limite do Amanhã''), foi um grande responsável por trazer os holofotes para a história de Hiroshi. Dirigido por Doug Liman, reconhecido por seu trabalho no filme ''Identidade Bourne'', e estrelado por Tom Cruise e Emily Blunt, o filme arrecadou mais 100 milhões de dólares só dentro dos Estados Unidos e mais que o dobro disso no resto do mundo. Com uma pegada um pouco diferente da narrativa original, o filme apresenta a perspectiva do major Willian Cage, uma figura mais pública que ativa no combate aos Mimetizadores, que acaba sendo enviado para o campo de batalha contra sua vontade e que se vê preso ao loop temporal logo em sua primeira investida. Em meio ao ciclo repetitivo de morte em ação, Cage conhece Rita, apresentada então como 'o anjo de Verdun', uma vez que a trama se desenrola em terras europeias ao invés da original nipônica. Ela o treina e, juntos, traçam um plano para destruir os Mimetizadores que vinham provocando o caos na França e Alemanha. Diferente da versão original, a trama não alcança o clímax que o mangá apresenta, mas apresenta um ambiente menos hospitaleiro que rende uma boa evolução na personalidade dos personagens. A trilha sonora, também, ficou marcada como um elemento fundamental para o filme e foi um dos grandes pontos positivos da produção, conforme é possível conferir no trailer abaixo. Forte concorrente a uma das trilhas sonoras mais notáveis de 2014.

 
A atuação de Emily Blunt esteve excelente no filme
Em ambos, a personagem de Rita Vrataski é emblemática e expõe a ruptura com a visão conservadora das mulheres no campo de batalha. Forte, segura e determinada, a personagem representa grande parte da evolução da história e é tão protagonista da história quanto Kiryia ou Cage. Carismática, ela é respeitada por companheiros e superiores, e no filme, é uma das personagens melhor representadas, em compasso com sua participação no mangá.

O filme rendeu, ainda, outra adaptação para as história em quadrinhos, desta vez em volume único, pela dupla Nick Mamatas e Lee Ferguson, produzida nos Estados Unidos a partir da trama original. Publicada pelo grupo editorial Viz Media, responsável em 2009 pela tradução do original de Hiroshi e de outras centenas de obras japonesas para o inglês, a edição mantém-se inédita no Brasil. Tanto o mangá quanto o filme e a graphic novel saíram por volta da mesma época, no primeiro semestre de 2014 e impulsionaram uma discussão mais ampla sobre a possibilidade de mais mangás e light novels serem adaptadas para os cinemas norte-americanos, trazendo assim maior atenção para seus autores e para a mídia, muitas vezes marginalizada por uma imagem pública demasiado infantil.


A quem tiver interesse em conferir uma entrevista de Hiroshi Sakurazaka para o portal Japan Times acerca da produção em cima de sua obra estreando nas grandes salas de cinema, o link segue aqui. O site Anime News Network também fez uma matéria interessante sobre o sucesso alcançado pelo filme ''No Limite do Amanhã'', que pode ser conferida aqui. Para concluir, o site The Motley Fool preparou uma matéria interessante sobre a graphic novel do ''All You Need is Kill'', da Viz Media, que pode ser conferida aqui.

NOTA GERAL (FILME): 4 ESTRELAS.
NOTA GERAL (MANGÁ): 4,5 ESTRELAS.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Diferentes Perspectivas Para o Desejo de Vingança

Por Gabriel Guimarães




Lançada de forma seriada na revista "Weekly Manga Action" entre 1996 e 1998, e chegando às mãos dos leitores japoneses em 8 volumes compilados pouco tempo depois, a história "Oldboy", escrita por Garon Tsuchiya e desenhada por Nobuaki Minegishi, cativou de forma determinante o público com uma trama envolta em mistério, intriga e suspense psicológico, porém, só ganhou a atenção da mídia internacional a partir da adaptação para as grandes telas feita pelo diretor sul-coreano Chanwook Park em 2003. Essa repercussão no cinema, destacada pelos prêmios acumulados em festivais ao redor do mundo todo, com destaque para o Grand Prix do Festival de Cannes, causou, porém, uma certa confusão acerca da fonte original da história. Recentemente, o diretor norte-americano Spike Lee produziu uma refilmagem da obra de Park, que trouxe de novo à tona algumas questões que merecem ser destacadas no original de Tsuchiya e Minegishi.

O mangá "Oldboy" segue a história do amnésico Shinichi Gotou, que acabara de ser liberado de um cárcere de dez anos sem qualquer contato com o mundo externo além do que era transmitido na pequena televisão que possuía no cubículo onde era mantido. Sem se lembrar inicialmente de quase nada sobre seu passado, o personagem vaga pelas ruas até conhecer a jovem Eri e começar a procurar pistas sobre quem o aprisionou por tanto tempo e a razão disso. A trama se desenrola ao longo dos 79 capítulos publicados pela editora Futabasha, ganhando uma forte carga psicológica a partir da metade da história. A resolução da trama se dá de forma prolongada, com o jogo de gato e rato protagonizado por Gotou e seu captor alternando entre lados continuamente até o desfecho da jornada com a morte de um dos dois. A obra, entretanto, não se conclui de forma absoluta, deixando no ar mais um pouco do suspense com que a série foi guiada desde seu início.

O filme de Chanwook Park consegue captar o clima de mistério do mangá, porém, se distingue deste em muitos outros aspectos. A história agora se passa na Coreia do Sul ao invés do Japão e o protagonista é o intimidador Oh Dae-su, que ficara encarcerado por 15 anos e cujo propósito de sua punição se deve ao efeito devastador que provocou no passado de alguém a quem não consegue se lembrar. Embora a trama de Tsuchiya e Minegishi também carregue muito essa noção das consequências do passado no presente, o filme transforma esse fator em algo consideravelmente mais sério e carregado de tabu que o mangá. A quantidade de violência e o terror psicológico consequente dessas mudanças proporcionam uma experiência bastante diferente do material original, mais focado no mistério em si. A produção de Park, contudo, não perde a qualidade por essas divergências, apenas recaracteriza o tema e proporciona uma perspectiva mais severa para o sentimento de vingança com o qual Oh Dae-su inicia sua jornada.

É necessário, portanto, discernir o filme do mangá original. Com o sucesso de crítica do filme, muitos passaram a considerá-lo como uma peça única, sem conhecer sua fonte verdadeira. E o caso do filme lançado em 2013 pelo diretor Spike Lee com atores como Josh Brolin e Elizabeth Olsen parece trazer essa discussão novamente à tona. Inicialmente planejado para ser uma verdadeira adaptação dos quadrinhos, a ser dirigida por Steven Spielberg e estrelada por Will Smith, o filme foi cancelado após os estúdios Dreamworks abandonarem o projeto devido a uma série de desacordos sobre os direitos de adaptação do conteúdo entre os detentores do material sul-coreano e do mangá japonês original. A produtora Mandate Pictures, após anos desse incidente, anunciou em 2011 a produção do novo filme com novo elenco e cujo propósito se restringiria apenas a refilmar o material de Chanwook Park. Transportando os eventos da história  para outra localidade e outro tempo, o filme agora seguia a jornada por vingança do malandro Joseph Doucett atrás de seus captores, que o deixaram preso por 20 anos. Seguindo várias cenas do filme de Park, a ponto de ser possível associar designs de ambientes e ângulos de filmagem, o material americano não agregou quase nada em relação ao filme anterior, realizando pequenas mudanças no desfecho da história, que é drasticamente diferente do desfecho do mangá.


Uma vez que a sua adaptação cinematográfica alcançou a mídia internacional, a Dark Horse Publishing House adquiriu os direitos para lançar o mangá nos Estados Unidos, em 2005, rendendo à editora um prêmio Eisner por melhor edição de material estrangeiro do Japão no mercado americano. Em 2013, foi a vez da editora Nova Sampa chegar a um acordo com os detentores dos direitos de distribuição da história de Shinichi Gotou, lançando nas bancas brasileiras as oito edições da obra em quadrinhos. Agora, está nas mãos dos leitores a oportunidade de conferir o que essa trama tem de tão instigante em termos de roteiro e tão detalhado em termos de desenho. Não deve-se esperar a mesma experiência do filme, mas, pelo contrário, recomenda-se manter a mente aberta ao ritmo de mistério que a trama oferece, ainda que ocasionalmente isso imponha um desenvolvimento lento na história. É relevante aqui destacar que o filme "Oldboy" de Chanwook Park, com seus acertos e defeitos, é uma obra válida de ser reconhecida como um desenvolvimento interessante para o cenário proposto por Tsuchiya e Minegishi, porém, é importante ressaltar que o conteúdo original merece ser considerado, diferente do que acontece em muitas análises desse material.

NOTA GERAL (MANGÁ ORIGINAL): 3,5 ESTRELAS.
NOTA GERAL (ADAPTAÇÃO DE CHANWOOD PARK): 3,5 ESTRELAS.
NOTA GERAL (REFILMAGEM DE SPIKE LEE): 3 ESTRELAS.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um Castelinho Para Tezuka

Por Gabriel Guimarães


Foi inaugurada, em 17 de dezembro de 2013, a exposição "Tezuka, o Rei do Mangá", no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, mais popularmente conhecido como o Castelinho, entre os bairros do Flamengo e do Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Contando um pouco do processo artístico do animador e quadrinista japonês Osamu Tezuka, responsável por revolucionar a narrativa gráfica tanto no seu formato impresso como na sua composição audiovisual, a exposição traz para o público brasileiro um pouco dos conceitos que o autor trazia de mais importantes em sua formação enquanto artista profissional.

Tezuka desenhado junto de seus carismáticos personagens
Tendo sido o criador de muitas das grandes obras que se tornariam clássicas do estilo mangá, o trabalho de Tezuka criou os alicerces no qual quase toda a produção posterior de histórias em quadrinhos se baseou nas décadas seguintes no Japão, apresentando boa dinâmica gráfica, estudos detalhados de texturização e tramas com personagens profundamente humanos, ainda que muitos fossem máquinas, como é o caso de seu jovem Astroboy e de Michi, protagonista de sua história de ficção científica "Metrópolis". Dedicando-se a aproximar o leitor das histórias que apresentava, Tezuka trabalhou temas como preconceito, dependência tecnológica, responsabilidade e identidade com grande propriedade, tornando-se um pioneiro na abordagem de alguns desses temas.


Trecho de uma das entrevistas disponíveis
A exposição, que vai até o final de março, apresenta ainda uma série de curtas experimentais produzidos por Tezuka no terceiro andar do prédio e, também, duas entrevistas dadas pelo autor acerca de sua carreira na animação japonesa. Dispondo de tempo para assistir todos, o visitante sai de lá com uma boa perspectiva dos elementos mais importantes para o grande quadrinista japonês e ainda tem a oportunidade de conhecer um pouco mais de sua história de vida e de seu papel para todo a indústria de animação japonesa, em franca expansão há décadas.


A entrada do evento é gratuita e ele está aberto à visitação de terça a domingo, das 10 às 18 horas. O programa, ainda que mais focado na veia de animação de Tezuka, é um evento bastante interessante e recomendado também para os fãs da arte sequencial, para que possam conhecer um pouco mais de um dos grandes mestres desse meio, que faleceu em 1989, mas cujo trabalho continua pertinente e em voga até os dias de hoje.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bienal: Dois Volumes de Vasta Cultura

Por Gabriel Guimarães


No seu segundo dia, a 16ª edição da Bienal do Livro da cidade do Rio de Janeiro manteve o ritmo de sua abertura e contou com um volume de pessoas considerável, ainda que abaixo para uma prévia de final de semana. Uma vez que a divulgação do evento esteve um tanto defasada em relação às suas edições anteriores, muitas pessoas não tomaram ainda conhecimento da realização do evento nas instalações do Rio Centro. A tendência, porém, é que isso seja revertido nos próximos dias, que contarão com a participação de grandes autores do cenário nacional e internacional de literatura e arte sequencial.

Os grandes destaques junto ao público hoje, porém, foram de ordem estética, em função da apresentação com que foram montados. O estande da editora Leya, dentre outros, montou uma réplica em tamanho real do emblemático trono da série de ficção “Game of Thrones”, escrita pelo americano George R. R. Martin, adaptada nos últimos três anos para a televisão pela rede HBO. Os interessados pelos livros, série ou até pela cultura nerd em geral puderam tirar fotos sentados no trono, assumindo expressões de imponência e orgulho. A satisfação dos visitantes com essa atração foi extremamente positiva. Ao mesmo tempo, o estande do Grupo Editorial Record, localizado no mesmo corredor do Pavilhão Azul, ofereceu a chance das pessoas tirarem fotos com uma estátua do protagonista do game “Assassin’s Creed 3”. Aproveitando a grande popularidade que o jogo vem alcançando dentro do Brasil, a Record procurou promover a série de livros baseados nos games da Ubisoft, os quais ela vem publicando nos últimos anos.

No universo dos quadrinhos, fica o destaque para os muitos estandes que oferecem edições da “Turma da Mônica Jovem” e mangás como “One Piece”, “Vagabond” e “Battle Royale” com grande desconto, como é o caso da editora Sampa e a DPL Editora. Outra que se destaca é a Distribuidora Basques, que possui um acervo bastante diversificado, incluindo títulos da série francesa “Asterix” e a graphic novel brasileira “Independência ou Mortos” a preços muito convidativos. Sem dúvida, estes estandes merecem uma visita especial.

Entre as surpresas do evento, aparece a estratégia inovadora do Fluminense Football Club, que possui um estande particular dedicado aos livros publicados sobre o clube, contando com a presença de ex-jogadores importantes, como Assis, e de alguns dos autores cuja obra se encontra disponível nas prateleiras da Bienal, como o escritor e jornalista Valterson Botelho. Para os fãs de futebol, ainda é possível participar de palestras com grandes nomes da rádio e da ficção envolvendo o esporte da bola no pé. Trata-se do espaço Placar Literário, acessível a todos os visitantes no Pavilhão Azul.

Conforme recomendação do nosso parceiro e jornalista Heitor Pitombo, vale também a pena atentar para os estandes da Ática com sua diversidade de títulos produzidos a partir da adaptação de obras literárias para os quadrinhos, com 40% de desconto, e o estande da editora Cultrix, que conta com 30% de desconto em todos os seus livros, dentre os quais, se destaca a obra “O Fantasma de Anya”, de Vera Brosgol, sobre a vida de uma filha de imigrantes russos, que se mudam para os Estados Unidos, e a forma como ela tenta adequar-se cultural e pessoalmente ao seu novo ambiente.

Apesar de muitas experiências positivas até o momento, ainda há muito pela frente, e os próximos dias parecem trazer oportunidades ainda mais maravilhosas. Aguardem mais detalhes.