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quarta-feira, 21 de março de 2012

A Poesia nos Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães 


Seja no trovadorismo, no romantismo ou mesmo na pós-modernidade, a poesia sempre esteve presente na literatura. Por rima, tom lúdico e melódico, ou mesmo uma estética atípica e instigante, a essência da poesia sempre esteve no desejo mais profundo do ser humano, de almejar sonhos grandiosos e inspirados. Ao lidar com temas relativos ao cerne das emoções, passando pelas grandes aventuras e intensas paixões, esse gênero literário se consolidou como um dos mais belos e dos mais importantes para a complitude de uma vida textual para o leitor.

Mario Cau autografando
uma das edições de
"Nós - Dream Sequence Revisited"
Esteja presente nas cartas de amor do escritor Mark Twain para sua esposa Olivia Langdon, ou mesmo nas canções inesquecíveis do gênero musical da Bossa Nova, que se consolidou como melodia na década de 1960 na cidade do Rio de Janeiro, o amor tem sido, talvez, o grande desencadeador de poesias, e isso também pode ser encontrado nos quadrinhos. Histórias como "Meu Coração, Não Sei Por Quê", dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, e a edição especial "Nós - Dream Sequence Revisited", do talentoso quadrinista Mario Cau (cujo lançamento na Rio Comicon de 2010 foi comentado aqui no blog), são alguns exemplos disso. Apesar de apresentarem tramas diferentes, ambas dançam com as emoções do leitor, trazendo-o para dentro do universo dos personagens e tornando-o parte fundamental da história, como o responsável por dar vida aos traços de nanquim em uma simples folha em branco. Brincando com a cor, inclusive, é que Cau explicita o vínculo de seu protagonista com seu amor, e brincando com a densidade da arte-final, por sua vez, os gêmeos também convidam o leitor a considerar o amor em meio à fantasia que compõe o mundo de sua história.

Representação do próprio Norman Rockwell sobre
a produção de sua arte
Entretanto, não é apenas ao romance amoroso que se resume a poesia. Seja por um pequeno detalhe em meio ao turbilhão de informações ao redor da vida social nos dias de hoje ou mesmo por uma reflexão momentânea e inesperada acerca de memórias, estamos sempre sob o efeito daquilo que esse gênero mais se preenche: sentimento. Praticamente tangível na sensibilidade do trabalho de Will Eisner quando este expõe a vida cotidiana nas grandes metrópoles e as relações entre as construções e as pessoas, que pode ser visto com grande perspicácia, por exemplo, em sua obra "O Edifício", a poesia pode estar presente tanto na nossa relação com o exterior a nós, quanto em momentos de intimidade e aconchego, como é possível observar nas ilustrações familiares do artista que tornou marcante visualmente o âmbito familiar, Norman Rockwell.


A semelhança é nítida entre Neil Gaiman e o protagonista de sua grande história
Igualmente importante é destacar a porta que a poesia nos abre para a fantasia do imaginário. Desprendido de sensos e consensos, em poucas linhas, retas ou tortas, o gênero pode nos levar muito além dos limites da visão e ampliar, dessa forma, nossas capacidades sensoriais de forma primorosa. Poucos se comparam nesse quesito ao do roteirista britânico Neil Gaiman, com sua obra máxima "Sandman", cuja abordagem e propriedades limitam-se apenas por aquilo que nomeia sua própria forma de apresentação: os sonhos. Lógicos ou não, agradáveis ou aterrorizantes, Gaiman realiza um mergulho na fonte da humanidade de seus personagens, atraindo para as páginas de suas histórias todas as características fundamentais de sua composição, desde seus desejos até suas falhas, suas glórias e decepções. Além dessa obra, Gaiman já explorou seu potencial narrativo de diversas outras maneiras, sem jamais, porém, abandonar sua mirabolante paixão pela fantasia. Obras como "Stardust" e "Coraline" são grandes exemplos disso.

Cena do trabalho de George Pratt sobre
as memórias da Primeira Guerra Mundial
Em outro aspecto passível da formação da poesia, encontra-se um estilo quase difícil de compreender sua exata conexão com o tema, representado na epopéia, grande formato das poesias épicas, em geral, cujo tema é relacionado a grandes aventuras épicas e envoltas em aspectos morais. Possível de encontrar em recentes adaptações da literatura para os quadrinhos, como o clássico "A Odisséia", de Homero, adaptado por Christophe Lemoine e Miguel Lalor Imbiriba, publicado recentemente numa excelente fase da editora L&PM aqui no Brasil, a partir de apoio da Unesco, ou mesmo em histórias sobre redenção e conflito durante as grandes guerras, como é o caso da edição "Ás Inimigo - Um Poema de Guerra", do quadrinista George Pratt, a poesia épica também oferece grandes oportunidades de enriquecimento pessoal para seus leitores.


Apesar da extensão para a poesia além das palavras feita aqui, o núcleo desse gênero que tanto nos toca vai além de determinados suportes, parando apenas onde nossa percepção e imaginação nos permite associar. Seja no leve assobio dos pássaros ou mesmo na suavidade de um beijo, a poesia se faz presente em cada dia das nossas vidas, e jamais podemos tampar nossos ouvidos ao seu maravilhoso chamado para, mais uma vez, vivermos intensamente tudo aquilo que ela tem a nos oferecer, ainda que seja apenas eterno enquanto dure.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Conclusão de Um Grande Curso

Por Gabriel Guimarães


Após quatro dias de intenso aprendizado na Caixa Cultural durante o evento "Super-Heróis X Anti-Heróis - Dos Quadrinhos às Telas", o curso ministrado pelo estudioso Carlos Patati acerca das relações entre as histórias em quadrinhos e o cinema chegou ao fim. Apresentando o panorama atual do mercado de quadrinhos autobiográficos e o atual frutífero momento que passa a produção brasileira de quadrinhos, Patati reforçou o estímulo que vinha fazendo ao desenvolvimento da percepção cultural dos ouvintes presentes.

Iniciando o dia observando a concepção do estudo de quadrinhos a partir dos americanos Scott McCloud e Will Eisner sob o prisma da relação entre traço e composição de narrativa, Patati observou o paradigma que existia nos quadrinhos, onde quanto mais densa e aprofundadamente extensa for a história a ser contada, maior é a necessidade do traço que a narra ser simplificado, afim de facilitar a interpretação por parte do leitor. Isso vem mudando nos últimos tempos, com a produção de um grande número de graphic novels e a nova realidade do mercado, que hoje se encontra majoritariamente concentrado nas livrarias. Apesar disso, o mercado de valorização dos quadrinhos ainda é incipiente, e devido a isso, muitos profissionais do meio acabam migrando para outros setores que lhes garanta um retorno financeiro e de reconhecimento maior. É por essa razão que o quadrinista brasileiro Lourenço Mutarelli, após muito tempo fazendo arte sequencial, decidiu se arriscar no meio literário, lançando o livro "O Cheiro do Ralo", que não muito depois, foi adaptado para um filme de maior repercussão, estrelado pelo ator Selton Melo, e que ainda será exibido na amostra da Caixa Cultural no dia 22 de janeiro. O retorno financeiro foi muito positivo, e por um tempo, Mutarelli se afastou da nona arte, retornando apenas pouco tempo atrás, com mais prestígio e abertura para divulgação.

Outro exemplo de autores nacionais citado por Patati nesse quesito é o talentoso quadrinista Marcelo Quintanilha, que produz suas crônicas visuais em um estilo bastante realista como uma atividade pessoal, enquanto se sustenta com trabalho realizado para um título de quadrinhos periódico na Espanha, onde reside atualmente. Suas obras "Sábado dos Meus Amores" e "Almas Públicas" são recomendações que já foram feitas aqui no blog, o que merece ser reforçado neste momento. 


"Epilético", do francês Pierre-
François Beauchard, sob o
pseudônimo David B.

Baseando-se na influência das limitações orçamentais, Patati destacou o trabalho da geração de fanzineiros brasileiros que hoje conquistou uma fatia de mercado ainda em crescimento. Danilo Beyruth, com seu "Necronauta", e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, com seus "10 Pãezinhos", são os casos mais claros disso. Programas de incentivo à produção nacional de quadrinhos como o ProAc, de São Paulo, além da determinação e despesas pessoais com divulgação por parte dos autores, são algumas das ferramentas através das quais esse crescimento foi possível, e hoje, observamos uma transição na realidade criativa brasileira. Com o aumento da quantidade de romances gráficos em quadrinhos nas livrarias, desde "Persepólis", da iraniana Marjane Saltrapi, até "Retalhos", de Craig Thompson, "Epilético", do francês Pierre-François Beauchard, "Umbigo Sem Fundo", do americano Dash Shaw, e até mesmo "Caixa de Areia", do próprio Mutarelli,  é surpreendente a reação da produção brasileira a isso, com muitas revistas independentes e álbuns sendo preparados com essa lógica. Entretanto, uma barreira permanece presente, a da falta de uma herança cultural digna da grandeza de nossa própria história.


"Necronauta", de Danilo Beyruth
Patati destacou que o cenário em que grandes clássicos da história da literatura mundial não difere tanto do que acaba sendo necessário à produção de quadrinhos na atualidade. O russo Dostoiévski e a brasileira Janete Clair, por exemplo, publicavam seus textos de forma periódica, para, ao seu término, concluir com uma publicação oficial da obra completa, tal qual é visto no mercado de quadrinhos. Da mesma forma, a necessidade muitas vezes de uma ocupação de sustento primária, ao mesmo tempo em que se produzem obras de teor cultural em quadrinhos ou texto num segundo plano, é encontrado na história de autores como Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, e também no já citado Danilo Beyruth e muitos outros quadrinistas brasileiros, como Emerson Lopes e Octávio Aragão.


Bancada do inconfundível
Arafatt, onde têm estado expostos
vários exemplos dos quadrinhos
analisados por Patati no curso

O padrão cultural brasileiro, infelizmente, não é o mais propício para o desenvolvimento correto da produção artística e literária, porém, há pessoas lutando para mudar esse cenário, conforme Patati ressaltou na figura do editor. Profissional responsável pela estruturação das histórias e todo o campo relacionado à sua expansão extra-ficcional, o editor é visto de forma errada no Brasil, como tanto a pessoa que realiza essas funções como aquele que meramente ocupa a cadeira de presidente das grandes editoras. A figura do editor é de suma importância, e merece ser vista de acordo com sua verdadeira natureza. Da mesma forma, a educação precisa ser levada a sério, com a profundidade necessária e o estímulo devido à expansão do ato de observar o que se está ao redor, o mundo que cerca a cada um dos estudantes.


A última aula de Patati se expandiu ainda por algumas outras áreas, porém, cita-las todas aqui com a mesma linha de raciocínio apresentada e precioso detalhismo é uma tarefa quase impossível, a qual humildemente não tentarei reproduzir na íntegra, pois apenas estando na presença de um apaixonado estudioso e mestre da área como foi o curso é que se é possível absorver um mínimo aceitável deste conteúdo transmitido. O evento organizado pela Agência Domínio Público, portanto, merece uma cordial salva de palmas, e um sincero agradecimento pela disponibilização de curso de tamanha importância para se compreender o meio de comunicação primoroso que é as histórias em quadrinhos. No restante do dia, ainda foram exibidos "Sin City", "X-Men Origens: Wolverine" e o nacional "Meteorando Kid". Apesar da conclusão do curso, o evento permanecerá em cartaz na Caixa Cultural, no centro do Rio de Janeiro até o domingo da outra semana. Até lá, a quantidade de obras a serem exibidas é impressionante, e haverá ainda a realização de três debates, muito recomendados de serem conferidos, sobre "Origem e Evolução das Personagens", dado pelo estudioso Álvaro de Moya e o jornalista Heitor Pítombo, no dia 17; "Super-Heróis e Anti-Heróis - Missão Através dos Tempos", com os estudiosos Moacy Cirne e Wellington Srbek, no dia 18; e "Dos Quadrinhos às Telas - Técnicas e Estética", com o quadrinista Allan Sieber e o estudioso Antônio Moreno, no dia 19. Simplesmente imperdível.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Para Tudo Começar a Todo Vaporpunk na Quinta-Feira"

Por Gabriel Guimarães

 
Octavio assinou todos os livros
que haviam disponíveis de sua estreia
como roteirista de quadrinhos

Na livraria Blooks, localizada no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, ocorreu hoje o lançamento de dois trabalhos que merecem destaque aqui. O primeiro, marcando a estreia do professor e estudioso de quadrinhos, Octavio Aragão (ele já foi mencionado aqui no blog antes, pelo workshop sobre narrativa de quadrinhos que ministrou na UFRJ), como roteirista, "Para Tudo Se Acabar na Quarta-Feira" conta a história de uma força polícia especial cujo trabalho é assegurar que o tempo-espaço não sejam local de brincadeira para possíveis criminosos. Começando com clara referência à obra do eterno pioneiro da arte sequencial, Will Eisner (que já foi tema de matérias no blog, aqui e aqui), o livro se esgotou rapidamente, deixando decepcionados muitos dos admiradores da nona arte que haviam ido ao lançamento com a pretensão de adquirir sua própria edição deste. O movimento na livraria, que teve um crescimento súbito pouco depois de iniciada a sessão de autógrafos, só fez aumentar ao longo da noite, o que proporcionou ótimos momentos entre os profissionais do meio e colegas de trabalho que estavam lá presentes.

Octavio observa Gerson

O outro lançamento da noite foi o segundo volume da coletânea de contos com temática voltada para o público do gênero steampunk, "Dieselpunk". Organizado pelo autor e editor Gerson Lodi-Ribeiro e com um dos contos feito pelo próprio Octavio Aragão, a coletânea reúne material muito interessante para os interessados pelos cenários vanguardistas do século XVIII, mas com a riqueza tecnológica do século atual e possivelmente do futuro, ao estilo de obras como Blade Runner ou Metrópolis. Sendo grande aficionado pelo tema, Gerson ainda pretende lançar o terceiro volume da série, como uma forma de representar, através de cada um, uma ordem cronológica da sociedade, com o primeiro volume da série, "Vaporpunk", sendo uma representação do passado, este volume recém-lançado simbolizando a sociedade atual, e o próximo, com o intuito de abordar as possibilidades para o futuro.

O movimento na livraria esteve
bastante positivo, com muitos
leitores realmente interessados

O evento também foi marcado pela presença do estudioso de quadrinhos Carlos Patati, um dos autores do livro "Almanaque de Quadrinhos", publicado em 2006 pela Ediouro. O desenhista da história em quadrinhos lançada, Manoel Ricardo, que mora no Espírito Santo, porém, não pôde comparecer, o que foi uma pena. Entretanto, havia muitos designers e profissionais envolvidos com o mercado editorial, como, por exemplo, o professor Amaury Fernandes, da Escola de Comunicação da UFRJ, que foi ao evento para prestigiar seu colega de insituição, Octavio.




Os dois lançamentos, ambos pela editora Draco, portanto, foram muito bem recebidos, e o clíma da livraria Blooks, com uma coleção fantástica de livros de quadrinhos, ficção científica e design, foi extremamente agradável. Com uma boa divisão do público e um serviço cuidadoso, o evento foi um sucesso, e conseguiu atrair a atenção das pessoas que passavam do lado de fora da livraria para ir ao cinema no qual a loja está localizada, o cinema Arteplex. Para quem teve condições de conferir o evento, certamente saiu satisfeito, e com novo material de leitura.

sábado, 15 de outubro de 2011

Constante Aprendizado

Por Gabriel Guimarães


Um dos principais assuntos dessa semana foi a repercussão da matéria do jornalista Jerônimo Teixeira na revista Veja sobre o uso das histórias em quadrinhos em exames como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que determinam o desempenho dos estudantes de Ensino Médio de todo o Brasil para qualifica-los ou não para as faculdades participantes desse processo de seleção no vestibular, mediante um bom posicionamento no ranking geral dos candidatos para cada instituição. Muitos blogs se posicionaram de forma brilhante, tanto em forma de carta aberta para a revista em que se deu a publicação, como foi o caso do Blog dos Quadrinhos, do jornalista e professor da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ramos, como em uma longa e extensa discussão sobre o reconhecimento dos quadrinhos enquanto meio de comunicação em várias contas do twitter e em outros sites.

Neste dia 15 de outubro, data de comemoração para uma das profissões de maior importância na formação da sociedade, o dia do professor, gostaria de fazer algumas ponderações acerca da verdadeira razão pela qual toda essa acalorada discussão tomou destaque: o valor das histórias em quadrinhos enquanto meio de comunicação.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que os pontos de vista expostos aqui de forma alguma visam qualquer tipo de depreciação em relação a qualquer um dos citados, e o teor dessa matéria repousa no único objetivo de abordar essa questão que já está sendo trabalhada há muito tempo, e que, até hoje, não encontrou uma solução digna. Dito isso, acredito que posso prosseguir.


Lima Barreto, autor do
clássico da literatura brasileira
"Triste Fim de Policarpo Quaresma",
é um dos autores esquecidos do Enem,
de acordo com a matéria de Teixeira

A matéria de Jerônimo Teixeira é voltada para chamar a atenção ao fato de que o número de questões relativas ao campo da literatura que abordam os quadrinhos é muito maior do que o número daquelas que envolveriam grandes mestres da literatura nacional, como Graciliano Ramos ou José de Alencar. Partindo de um levantamento feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e contando com entrevistas feitas com alguns professores que colaboraram com a pesquisa, a matéria busca alertar para a depreciação da cultura nacional em relação a muitos de seus intérpretes mais ilustres, sob os ombros dos quais toda uma história de textos e leituras o país se formou. Neste ponto, Teixeira está certo, pois ocorre uma depreciação real em cima dos pilares culturais da sociedade brasileira há décadas, e, com isso, o crescimento educacional do país ficou muito prejudicado e limitado a uma pequena margem da população. Entretanto, quando a matéria começa a utilizar o uso dos quadrinhos nas provas de vestibular como ferramenta para expor que, supostamente, "o Enem contribui para construir um país ainda mais iletrado", Teixeira acaba por cometer o mesmo erro o qual critica ferozmente em seu texto.

As histórias em quadrinhos, tal qual a literatura, o cinema e a televisão, constituem um meio de comunicação próprio, único, e, portanto, não podem ser tratados como parte de um conceito bastante fechado de literatura que muitos dos acadêmicos com os quais teve contato partilham. Enquanto numa obra literária, a história se constrói a partir de recursos puramente textuais, os quadrinhos possuem em seu cerne uma característica inigualável para qualquer outra forma de expressão: a união ímpar entre o elemento textual e os recursos gráficos. Para muitos, o uso de imagens pode ainda estar atrelado ao campo do público infantil, porém, isso seria apenas uma limitação do potencial comunicativo que uma cultura, no caso, a brasileira, poderia se utilizar. A partir do momento que você restringe o reconhecimento valorativo para um meio sobre o outro, você deixa de reconhecer o valor exclusivo de cada um, e isso, por conseguinte, acarreta num prejuízo enorme para a cultura de uma nação.

Conforme o professor da UFRJ e editor da Ediouro, Paulo Roberto Pires, afirmou, em entrevista à revista "Discutindo Literatura", em 2008, "os quadrinhos são uma linguagem muito interessante em si, mas que também pode ajudar a formar leitores para livros 'convencionais'." Sabendo se utilizar dos recursos dos quadrinhos, o potencial para estimular interesse nos leitores mais novos sobre outras formas de leitura acaba sendo muito maior, e muitos dos que encontram essas condições acabam por explorar novos estilos, adquirindo uma base cultural extremamente positiva. Conforme destaquei antes em matéria aqui no blog sobre a importância dos quadrinhos no período da infância, os quadrinhos podem ser a porta de entrada para todo um universo de experiências sensoriais e imaginativas, porém, nem por isso, a arte sequencial se limita a ser apenas um bilhete de entrada.

Em histórias como "Daytripper", "Retalhos", "Tintin", "Corto Maltese" e nas tirinhas de "Mafalda", por exemplo, há uma profundidade e falta de etnocentrismo que é raro encontrar na maioria das obras puramente textuais. Da mesma forma como livros de Machado de Assis e Lima Barreto possuem em si um teor e estilo dificilmente encontrados em muitas obras em quadrinhos. Ambos os meios de comunicação possuem seus pontos altos e seus pontos baixos, e não podemos, de forma alguma, limitar nossa compreensão de qualquer um deles pelo uso indevido que se faz de um dos dois.

O artigo de Teixeira, portanto, visa alcançar a questão da depreciação literária brasileira, fruto de uma falta de estímulo correto dentro das salas de aula ao redor do país. O que é triste e rendeu tantas críticas a essa matéria foi que o autor acabou por usar os quadrinhos enquanto bode expiatório para criticar um sistema de ensino público deficiente (que já foi tema de matéria aqui no blog antes), como já foi feito no passado por grandes nomes do jornalismo nacional, como Orlando Dantas e Samuel Wainer, que criticaram os quadrinhos a ponto de organizar estudos que demonstrassem seus prejuízos à educação dos mais jovens, tudo apenas para poder atingir de forma indireta o império comunicacional construído por Roberto Marinho, que era responsável pela publicação de diversos títulos com histórias em quadrinhos.

Um dos muitos  bons livros
cujo tema é justamente o uso da nona
arte no setor pedagógico

E este é o tema da matéria. Tanto se passou, a literatura evoluiu, os quadrinhos evoluíram, mas esse conflito permanece, apesar de todos os esforços de muitos comunicólogos renomados como João Marcos Parreira Mendonça, Elydio dos Santos Neto, Marta Regina Paulo da Silva, Waldomiro Vergueiro, Télio Navega e o já mencionado no começo da matéria, Paulo Ramos. O preconceito permanece inscrustado na cultura popular do nosso país. Infelizmente, não posso reduzir toda uma história dessa discussão em uma matéria só, porém, a quem interessar possa, a discussão pode ser extendida e ampliada nas demais redes sociais e no campo dos comentários aqui embaixo.

Para não perder também o fator que alavancou essa matéria, fica aqui também o mais sincero desejo de feliz dia do professor para todos os colegas acadêmicos e uma torcida especial para que todas as carências de suas profissões possam ser supridas, ainda que na medida do possível. O valor de vocês para tudo que somos e o que nos tornamos é simplesmente fundamental, e fica aqui nosso profundo agradecimento pela dedicação, paciência e esforço.

sábado, 10 de setembro de 2011

Bienal: Nota 10

Por Gabriel Guimarães


Em um dos dias que surpreendeu pelo número de visitantes, bem acima do esperado, a 15ª edição da Bienal foi uma oportunidade realmente incrível para a integração do público de quadrinhos. Começando antes mesmo de abrir seus portões a público, com as matérias publicadas no jornal "O Globo", em que foi destacado o interesse da loja de produtos relacionados para a arte sequencial Comix em abrir uma filial no Rio de Janeiro, a feira literária foi muito positiva para quem esteve presente, e com certeza rendeu excelentes aquisições e experiências para todos.

Carlos Ruas autografando seu livro
no estande da Devir
Desde cedo com ilustres convidados como Maurício de Sousa, que autografou em diversos estandes, inclusive novamente com Ziraldo na editora Melhoramentos; Carlos Ruas, autor das tirinhas "Um Sábado Qualquer", que estava assinando seu livro no estande da Devir, que esteve bastante cheio hoje; Estevão Ribeiro; e o já citado Ziraldo, o evento abrangeu uma quantidade considerável de nuances e temas, permitindo uma integração muito boa com os leitores.


Entrada da Livraria São Marcos
Nos estandes em si, o destaque fica para os descontos em vários deles, dentre os quais, o da editora Leya, da qual o selo Barba Negra faz parte, com todos os seus livros 30% mais baratos, dentre os quais, o bom "Morro da Favela", do quadrinista André Diniz; o estande da Livraria Francesa, com 50% de desconto, e cujo material inclui desde obras de Moebius até material produzido em mangá na França; e a Livraria São Marcos, com descontos extremamente convidativos, além dos bons materiais disponibilizados, como a proposta em formato peculiar, porém, interessante, "O Cabra", feito pelo brasileiro Flávio Luiz, que esteve à venda no estande da Comix, e as edições de clássicos dos periódicos americanos do começo dos quadrinhos enquanto meio de comunicação de massa, tais como "Terry and the Pirates" "Flash Gordon".

O dia antecedeu o gran finale deste grandioso e intenso evento, que apesar de ter sido bastante desgastante pela quantidade de pessoas presentes e a quantidade de estandes para serem observados, foi um grande marco para atrair mais atenção para o reconhecimento das histórias em quadrinhos enquanto forma de estímulo intelectual, o que pode render muitos bons frutos para os admiradores da nona arte. Continuamos torcendo para que essa percepção se expanda para quebrar esse preconceito ainda existente com a arte sequencial.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bienal: Parte Nove

Por Gabriel Guimarães


Para dar início ao final de semana que encerrará a 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro, o dia trouxe um acervo de autores e envolvidos com projetos literários para todos os gostos. Fosse a presença do americano William P. Young, autor do livro "A Cabana", ou o retorno de Thalita Rebouças aos estandes, com sua diversa lista de títulos publicados, o dia reservou algumas surpresas e bons momentos aos que estiveram no Rio Centro.

Ronaldinho Gaúcho com Maurício de Sousa
Um dos fatos que mais se destacou no dia, porém, veio do estande de quadrinhos da editora Panini. Para promover ainda mais a série mensal do personagem Ronaldinho Gaúcho, produzida pelos estúdios de Maurício de Sousa, o próprio jogador participou de uma agitada tarde de contato com os leitores mirins, sendo aclamado por todos os que estavam presentes nas excursões de colégios do dia. Junto dele, o grande padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício em pessoa. Uma vez que o pequeno personagem de quadrinhos "cara-metade" de Ronaldinho fora lançado numa época em que o jogador ainda atuava na Europa, o evento hoje permitiu que, enfim, ele pudesse se entrosar com o seu público carioca e brasileiro, em geral. Muito populares entre os mais jovens, o pequeno e o grande Ronaldinho proporcionaram uma enorme festa para todos, que tiveram uma tarde para não ser esquecida.

Dentre os outros elementos que chamaram a atenção, ficam os bons descontos oferecidos ao longo do dia em diversos estandes em todos os pavilhões, além da oferta de muitos gêneros de quadrinhos, desde os livros de Tintin, do quadrinista belga Hergé, até Sandman, obra máxima do britânico Neil Gaiman, em vários pontos do evento. Para quem procurar com afinco, há muitas oportunidades de encontrar bons quadrinhos e o evento ainda promete render bastante positivamente nesses últimos dias.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bienal: Oito é Demais (?)

Por Gabriel Guimarães


No dia depois do grande feriado, o movimento esteve bem mais tranquilo nos estandes do Rio Centro, na medida do possível, uma vez que muitos colégios estiveram presentes hoje para levar seus alunos para o imenso e maravilhoso mundo da literatura, neste dia que é o dia internacional da alfabetização. A fim de estimular esse aprendizado, foi possível encontrar muitos livros com desconto e várias adaptações para os quadrinhos dos grandes clássicos, como "Sherlock Holmes", de sir Arthur Conan Doyle, "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, e "O Alienista", de Machado de Assis (o blog já fez uma matéria para explorar essa relação entre a cultura da leitura e os quadrinhos aqui).

Com tantos jovens entre o público, ficou clara a preferência ao longo do dia pelos etandes que ofereciam material com atividades extras a preços mais em conta, e isso foi u dos destaques do dia. Rumando para os últimos dias do evento, alguns estandes começaram a realizar descontos maiores e promoções mais atrativas, a fim de estimular novamente o público a conhecer seus materiais. A editora Cosac Naify, que já publicou poesia em quadrinhos e que também foi a responsável por relançar os volumes escritos pelo bom autor argentino Adolfo Bioy Casares nos últimos anos, dentre os quais, "A Invenção de Morel", livro essencial para os fãs de ficção científica, é uma das editoras que está oferecendo preços bem mais acessíveis, com cerca de 30% de desconto nos livros de seu estande.

Mesmo nos estandes de menor porte, foi possível encontrar boas ofertas, atraindo assim muitos dos pequenos e grandes leitores. Desde mangás até graphic novels, a diversidade de quadrinhos oferecidos foi grande e a procura foi positiva, rendendo bons comentários dos funcionários dos estandes.

Amanhã, a cobertura da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro continuará a toda, na esperança de estar podendo trazer a todos vocês, leitores, o panorama mais preciso de tudo envolvendo a arte sequencial que está acontecendo ao longo desses seus onze dias de realização. Boa leitura para todos!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Bienal: Sete Dias

Por Gabriel Guimarães


Como previsto, o dia de hoje na 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro foi marcado pela quantidade de pessoas que visitou os pavilhões do Rio Centro. Excedendo em muito o número de visitantes dos outros dias, foi bastante difícil conseguir encontrar o espaço necessário para saborear o evento, porém, isso não foi impossível.

Desde a manhã com filas enormes tanto dentro quanto fora do evento, o dia marcou um forte estímulo à leitura, com a presença de autores ilustres como Laurentino Gomes e Ziraldo, e, nem de longe, foi um dia que se limitou à super lotação que o caracterizou. No estande da editora Singular, parte da editora Ediouro, por exemplo, ocorreu o lançamento do livro "Reféns", escrito por Rafael Neves, que conseguiu ter uma boa recepção do público e uma boa troca entre o autor e seus leitores. A presença do padre Marcelo Rossi, também, foi outro acontecimento que movimentou muito vários grupos de pessoas que haviam ido à Bienal para o encontrar, e foi um fato marcante no dia.



Volumes presentes no estande da Editora Francesa

Para os quadrinhos, fica o impressionante acervo que a Editora Francesa ostenta em seu estande, com muitos livros clássicos de quadrinhos, em especial, muitas obras de Moebius, e alguns dos livros do gaulês Asterix, criado por Gosciny e Uderzo. Os livros, entretanto, estão em francês, mas ainda assim, valem uma visita e uma demorada folheada pelas suas belas páginas e acabamento de primeiro nível. No estande da editora Luz & Vida, a arte sequencial também ganhou destaque através do mural do Smilinguido, onde os personagens de quadrinhos infantis puderam ser bem lembrados pelo público que passou à sua frente para tirar fotos.

O mural do Smilinguido fez bastante
sucesso entre os visitantes

O público da nona arte hoje marcou hoje bastante presença, e os estandes voltados exclusivamente para o meio ficaram abarrotados de pessoas por todos os lados, ainda que suficientemente sob controle para que todos pudessem procurar todas as edições que estavam procurando.

A partir de agora, começam os últimos dias desse grande evento que é a Bienal, porém, ainda há muito que se falar dele, sem dúvida. Para o porvir, resta apenas aproveitar e torcer para novos bons dias para os quadrinhos nessa imensa feira literária, capaz de atrair tantos potenciais leitores.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bienal: Capítulo Seis

Por Gabriel Guimarães


Os pavilhões do Rio Centro foram hoje cenário de algo que tem faltado muito para a formação da juventude nos dias atuais: um exemplo de vida. No estande da editora Novo Conceito, aconteceu o lançamento do livro "Uma Vida Sem Limites", escrito a partir das experiências do americano Nick Vujicic. Nascido sem pernas e nem braços, ele se tornou um dos grandes exemplos de superação da atualidade, ao usar sua vida para demonstrar que não há limites físicos que possam limitar de verdade o espírito humano quanto a até onde pode chegar, se assim tiver vontade. Apesar de o dia não ter tido tanto público quanto deveria para um acontecimento desse nível de importância, o testemunho de Nick pôde ser observado por muitas crianças, que estavam andando pelos pavilhões em excursões escolares, e não existe nada mais essencial que isso.

É através desses exemplos de vitória que o artista brasileiro precisa se inspirar, que o fôlego na luta pelo reconhecimento dos quadrinhos enquanto meio de comunicação e obra de arte se renova, e, portanto, não poderia, nem deveria, ficar de fora da cobertura da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro.

Para os outros destaques do dia, vale comentar que a editora Taschen está com uma luxuosa cópia lacrada do livro "75 Years of DC Comis: The Art of Modern Mythmaking", escrita pelo editor da DC, Paul Levitz (e que já foi comentada aqui no blog antes, na matéria sobre a reformulação do universo DC), que atrai olhares de todos os que passam por ali. Entre os outros estandes, continua o sucesso da Comix e da Panini e a quantidade considerável de estandes com revistas a preços bastante acessíveis, a fim de instigar novos leitores.

O dia foi tranquilo, como uma calmaria antes da chuva. Amanhã, o Rio Centro promete estar mais lotado do que em todos os dias anteriores, em decorrência do feriado, e com certeza, haverá muita atividade por lá. Aguardemos para ver o que o dia de amanhã reserva para a nona arte.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Bienal: O Quinto Elemento

Por Gabriel Guimarães


A Bienal hoje viveu um pouco de calma após o final de semana tão agitado. Houve mais tempo para que os profissionais lá empregados tomassem o fôlego necessário para manter a atenção nos visitantes e, assim, poderem ajuda-los em suas jornadas.


Estande grande da editora V&R
dedicado ao "Diário de um Banana"

Estandes como o da editora Vergara & Riba (mais popularmente conhecida como V&R Editores), focado na obra "Diário de um Banana", que já foi premiado com o Eisner Award, chamaram muito a atenção, e produziram bons comentários por parte do público, tanto dos jovens quanto dos recorrentes leitores da série de livros. Inclusive, quanto à história, já está sendo finalizada a produção do segundo longa metragem baseado nela e, em breve, estará disponível nos cinemas ao redor do Brasil.

Entre os demais destaques do dia, fica uma observação para a carência que o ambiente do Rio Centro tem, em relação à conectividade dos aparelhos eletrônicos. Para um evento do porte internacional que a Bienal é, mostra-se absolutamente necessário que exista uma rede wireless disponível para os usuários utilizarem nos pavilhões, assim podem trocar informações sobre o evento e pedir ou receber informações sobre o que está acontecendo nos estandes de seu interesse. Os setores das editoras voltados para a distribuição de informação e por criar uma via de comunicação com os leitores deveriam tomar alguma providência quanto a isso, que tem sido um incômodo considerável para muitos.

Ademais, o dia teve o lançamento do terceiro volume da série de livros "Como Treinar Seu Dragão", pela editora Intrínseca, que foi algo bastante interessante para os que estiveram presentes. Uma vez que foi adaptado pela Dreamworks para um filme de animação em 2010, a história ganhou muitos admiradores, e tem gerado bons rendimentos para os responsáveis por sua publicação.

Versão Go-go da pequena Mônica
Outro material que tem rendido ótimo retorno é a nova série de bonecos Go-gos da Turma da Mônica, que já estão sendo colecionados por crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, e tem praticamente voado para fora do estande da Panini e das bancas de jornal que já estão com esse material disponível para venda.

O ambiente continua muito interessante e demonstra estar se preparando para o dia em que deve receber o maior número de visitas de todos os dias do evento, a quarta-feira, dia 7 de setembro, no feriado do Dia de Indepência do Brasil. Muitos dos que não foram até o momento para conferir as atividades nessa 15ª edição da Bienal no Rio de Janeiro estão apenas aguardando a chegada do grande feriado para fazê-lo, e esse dia, meus caros leitores, promete ser o mais agitado de todos. Aguardemos para ver.

domingo, 4 de setembro de 2011

Bienal: Episódio 4 - Uma Nova Esperança

Por Gabriel Guimarães


Em meio ao dia de maior potencial de visitas até agora da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro, muitas famílias e profissionais do meio aproveitaram seu domingo para caminhar pelos corredores do Rio Centro e conferir a grande feira literária que estava se dando. Por essa razão, os estandes hoje estiveram verdadeiramente lotados. A Comix precisou de fila para que houvesse apenas um número razoável de pessoas no seu interior por vez, e a Panini precisou fechar de tempos em tempos as entradas para que todos os clientes pudessem ser atendidos. Com tanta agitação assim, o dia parece ter sido difícil, mas não foi, nem um pouco.

Livro produzido pela
parceria inédita entre Ziraldo
e Maurício, lançado hoje

Hoje, para a alegria de seus milhares de leitores presentes, o padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Sousa, esteve autografando quase ininterruptamente seus lançamentos em muitos estandes, como os das editoras Ave Maria, Panini e Melhoramentos. Fosse a edição "Minha Primeira Bíblia da Turma da Mônica", "MSPnovos50", ou então o livro que foi uma inédita parceira sua com o cartunista carioca Ziraldo, "O Maior Anão do Mundo", Maurício atendeu a todos os presentes que haviam recebido as senhas necessárias nos estandes antes do início das sessões, o que trouxe uma alegria sem medidas a cada um.



O pequeno Maurício,
atrás do grande Maurício

Mesmo com a presença de ilustres convidados, como a atriz e cantora americana Hillary Duff e os repórteres âncoras do Jornal Nacional, Fátima Bernardes e William Boner, o nome mais falado em quase todos os estandes foi o de Maurício de Sousa, o que ficou perceptível para qualquer um dos visitantes do evento. Uma vez que seu material pode ser encontrado em bancas de livros na maioria das editoras, como a L&PM ou a Globo, e suas revistas hoje representam 85% das vendas da editora Panini, esse reconhecimento e admiração são totalmente justificados. O público hoje teve chance de mostrar seu carinho por Maurício, e este, defnitivamente, mostrou seu imenso carinho por todos os seus leitores, proporcionando momentos inesquecíveis para muitos.

Entre os destaques do dia, também estão a editora Babel, que está com um material voltado para o público mais novo com personagens como o Capitão América e o Homem-Aranha em seu estande, e o volume de pessoas nas praças de alimentação do evento, que deram uma boa imagem geral do contingente de visitantes no dia.

O primeiro fim de semana dessa edição da Bienal chega ao fim, mas as memórias de seus acontecimentos marcantes ficará para sempre nas mentes e corações dos que puderam saboreá-lo. Ao longo dessa semana, haverá muito mais acontecendo, e novas oportunidades surgirão para aproveitar toda essa produção voltada à literatura, ensino e enriquecimento cultural. Cabe apenas a nós querermos aproveitá-las.

sábado, 3 de setembro de 2011

Bienal: A Trilogia

Por Gabriel Guimarães


No primeiro sábado desde o início da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro, a palavra do dia parece ser "especial". Muito agitada desde a manhã, com a presença de grandes nomes do mercado literário como Thalita Rebouças e Ferreira Goular, a feira atraiu muitas famílias e o clíma esteve mais leve do que no dia anterior. Com a imensa diversidade nos estandes, os gostos de todos puderam ser saciados, tornando o dia uma experiência bastante prazerosa.


Ziraldo esteve autografando
vários livros em vários estandes
Não foi, porém, apenas para o público de livros em geral, que grandes nomes estiveram presentes. A Bienal hoje contou com uma excelente safra de profissionais dos quadrinhos, que atenderam seu público com uma primazia que merece um destaque aqui no blog. Com nomes como Maurício de Sousa, Ziraldo, Fábio Moon, Gabriel Bá e Estevão Ribeiro, o dia foi bastante cheio e movimentado. O padrinho dos quadrinhos brasileiros e criador da turminha da Mônica esteve em uma quantidade impressionante de estandes, autografando e tirando fotos com centenas de seus leitores, que puderam sentir de perto a bondade desse profissional tão querido. Quase ininterruptamente, Maurício foi de um estande para o outro, sempre preocupado em não deixar as filas de fãs e admiradores sem resposta. Todo esse cotnato que ele tem com o público é talvez o maior diferencial na sua personalidade em relação a tantos que alcançam o sucesso e esquecem suas origens.


Estevão Ribeiro, em frente
a seu personagem, autografa
no estande da Saraiva
Os estandes estiveram também lotados de leitores ávidos pelas revistas e livros de arte sequencial e novamente o bom atendimento e a consideração com o público foi o grande diferencial. Por mais que isso tenha sido dito nas matérias anteriores, a sua importância requere que seja repetida, pois trata-se de um fator fundamental para um evento do porte que é a Bienal, que atrai milhares de pessoas todos os dias para os seus largos pavilhões.

Ao longo do dia, também aconteceram sessões de autógrafo que atraíram muito o público, como o do livro "O Livro dos Gatos" e a coletânea de tiras dos "Passarinhos", feitos pelo carioca Estevão Ribeiro, que atendeu a todos que compareceram de forma bastante receptiva no estande da Saraiva. No estande da Panini, que foi dominado hoje pelas imensas filas para os caixas, houve o lançamento da HQ "Daytripper", dos gêmeos Moon e Bá, que também causou uma movimentação bastante agitada por parte do público (e cuja presença hoje lá foi emocionalmente descrita pelos próprios, em seu blog 10 Pãezinhos).

Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá
autografaram muitos exemplares
no estande da Panini
O dia foi muito especial, pela presença de grandes figuras do mercado editorial brasileira, e ainda acima disso, das grandes pessoas que são essas figuras. Para quem esteve lá, ficou o sentimento bom de um momento que valerá sempre a pena lembrar, e que conseguiu um espaço bastante especial nos nossos corações. O caloroso encontro com Sidney Gusman, grande responsável pela produção dos três volumes do MSP50 (cuja estratégia de divulgação para a terceira parte foi analisada aqui no blog), foi talvez um dos melhores momentos do dia, e refletiu o quão agradável tem se mostrado essa edição da Bienal.


Tem sido um imenso prazer para os presentes esse evento, e os dias por vir demonstram bastante potencial para repetirem esse sentimento. Desde já, fica uma nota para agradecer a todos os responsáveis por esses momentos tão importantes. Amanhã tem mais!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bienal: Segundo Dia

Por Gabriel Guimarães


No segundo dia da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro, para antecipar como o evento deve estar durante o fim de semana, o público esteve muito mais presente do que na abertura. Com muitas escolas fazendo excursão de suas turmas para a grande feira literária, a faixa jovem predominou nos estandes e gerou uma alta movimentação entre os representantes da arte sequencial.

Estantes de quadrinhos
no estande da Cia. das Letras
Além dos três estandes mencionados antes, que hoje novamente foram destaques pelo bom atendimento e pelos preços surpreendentemente convidativos, os quadrinhos também estiveram presentes nas áreas destinadas a algumas editoras e às lojas de grande porte. Editoras como a Companhia das Letras, cujo trabalho com quadrinhos no seu selo "Quadrinhos na Cia" (que já foi abordado aqui no blog antes), vem recebendo cada vez mais elogios, e a ainda caloura no mercado editorial brasileiro, Nemo, foram algumas das que tiveram boa receptividade do público da nona arte.

No estande da Companhia das Letras, há duas estantes apenas com quadrinhos, de gêneros extremamente diversificados e com plena condição de atrair o público, porém, os preços não se modificaram em nada, e o ambiente acaba se tornando apenas mais uma livraria comum, infelizmente. A quantidade disponível de conteúdo, entretanto, vale a pena ser conferida.

Volume de Arzach publicado
pela editora Nemo
Já a editora Nemo, que iniciou seus projetos no país lançando a obra "Arzach", do artista francês Jean Giroud, mais conhecido por seu pseudônimo artístico Moebius, recebeu muito bem o público, porém, por questões de problemas com a impressão, ficou sem condições de realizar o lançamento de sua próxima obra, que é aguardada de forma ansiosa pelos leitores,: "Corto Maltese: Juventude", de Hugo Pratt, volume este que não chegou a ser publicado pela antiga editora que detinha os direitos sobre o personagem marinheiro, a editora Pixel. O lançamento, porém, está previsto para o mês que vem, e ainda vale ser analisado de perto. O tratamento que está sendo dado pela editora ao material das histórias é algo que merece uma menção e um devido reconhecimento aqui, também.


Quanto aos demais estandes e os acontecimentos do evento no dia, vale destacar a confirmação da sessão de autógrafos que acontecerá no dia 11 com o escritor Eduardo Spohr, autor dos livros "A Batalha do Apocalipse" e "Filhos do Éden" e participante ativo na comunidade da cultura nerd através do Nerdcast feito pelo site Jovem Nerd. Para os que estiverem presentes, será uma grande oportunidade para conhecer o autor, que está em ascenção no momento do mercado. Outro fato que chamou a atenção hoje foi que, após apenas um dia liberado para venda, o volume especial publicado pela Panini da HQ "Daytripper", feita pelos gêmeos paulistanos Fabio Moon e Gabriel Bá, já esgotou, e só estará disponível para os interessados amanhã, próximo à hora em que os dois autores estarão presencialmente lançando seu material no estande.

Enfim, foi mais um dia de resultados positivos para os que estiveram presentes no evento, e amanhã, com certeza, trará muitas outras boas notícias. Fiquem de olho, pois ainda tem muita Bienal para acontecer pelos dias adiante!