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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ComiCon XPerience 2: Dia 1

Por Gabriel Guimarães


Hoje teve início, no Pavilhão da São Paulo Expo, a segunda edição da ComiCon XPerience, com proposta de levar um pouco mais além os resultados obtidos no evento do ano passado, quando cerca de 97.000 pessoas estiveram presentes, conferindo palestras, a área de artistas dos quadrinhos, oficinas com profissionais do mercado editorial, estandes de grandes empresas, editoras e lojas. Com previsão este ano para números ainda mais expressivos, o evento foi organizado de forma mais sistemática, dedicando cada setor a áreas específicas da indústria de entretenimento e da cultura pop. Música, games, quadrinhos, colecionáveis, cinema, televisão e literatura, todos, tiveram espaço, com estandes apinhados de ávidos f'ãs.

Iron Studios foi um dos grandes destaques do evento, tal como
todo o segmento de colecionáveis
O primeiro item que recebe os visitantes é uma mesa de DJ montada bem de frente para a entrada, e que ficou responsável por dar clima de festa ao evento. Ao passar pelas catracas, logo se percebe a simpática figura do cavaleiro criado pelos irmãos Marcos e Mateus Castro no game "A Lenda do Herói", em uma estátua de tamanho real que indica a área onde o estande dos vloggers está localizado. Seguindo em frente, o estande que rapidamente captura a atenção é o referente ao conteúdo da Iron Studios. Com uma réplica do conflito entre os personagens Hulk e Homem de Ferro, este em sua armadura aprimorada, do filme "Vingadores 2 - A Era de Ultron" (que fizemos análise aqui no blog), o preciosismo com os detalhes é impressionante. Esse mesmo esmero é notável nas demais estatuetas do estande, que abordam, desde temas relacionados aos quadrinhos quanto itens vindos de filmes, séries e games. Este ano, contudo, as lojas com conteúdo dedicado ao público colecionador não esteve concentrado em apenas uma quantidade pequena de estandes, mas tiveram o reforço de exponentes no mercado pop brasileiro, como foi o caso da Nerdstore, do grupo Jovem Nerd, e de outros empreendimentos, como a Pizzi Toys, a Bandai, a Legião Nerd, além de estandes dedicados a universos específicos, como foi o caso da Star Wars Store.

Tiveram muitos
cosplayers inspirados
O público, contudo, não deixou para menos e houve muitos cosplayers cuja montagem de visual era extremamente bem acabado, se aproximando da qualidade de realismo de muitos dos colecionáveis. Simulando personagens advindos da televisão, como a interpretação do ator Matt Smith para o seriado de ficção científica "Doctor Who", do cinema, como a Tristeza, do filme "DivertidaMente", e dos quadrinhos, com a dupla Coringa e Arlequina sendo a mais comumente encontrada, os trajes estavam espetaculares. Utilizando tanto peças de roupa e equipamentos característicos, um rapaz ainda replicou quase com exatidão a nova caracterização do personagem Arqueiro Verde no seriado "Arrow", acompanhado, curiosa mas previsivelmente, de um pequeno garoto trajado de Flash nos mesmos moldes do seriado que dialoga com o do Arqueiro. A personagem Saori, dos "Cavaleiros do Zodíaco" também foi representada por várias moças, atraindo olhares admirados de fãs diante dos objetos dedicados a este universo de personagens presentes na já citada Bandai.

O editor Érico Assis (à esquerda) mediou a masterclass
do desenhista Scott McCloud (à direita)
Da parte da arte sequencial, convidados ilustres como o artista e estudioso da mídia Scott McCloud e o premiado roteirista Mark Waid marcaram presença em masterclasses de imensa qualidade. Enquanto o primeiro apresentou os bastidores de sua nova obra, "O Escultor", lançamento inédito aqui no Brasil pela editora Marsupial, aplicando algumas de suas concepções consagradas das ferramentas expressivas da linguagem dos quadrinhos em seu próprio trabalho; o roteirista buscou introduzir à plateia as noções básicas do roteiro de uma revista de super-heróis, material com o qual está habituado a trabalhar com sucesso pelas últimas décadas, à exemplo de seu legado em personagens como Flash e Capitão América. Durante esta segunda oficina, ocorreu um problema com o gerador do centro de convenções, que precisou ser trocado por risco de sobrecarga. Outro fato que vale destacar foi o alto som vindo do auditório em diagonal daquele onde estavam ocorrendo as masterclasses, em função da reforma extraordinária pela qual esse ambiente passou, uma vez que era nele que costumavam ser realizados os painéis de maior identificação por parte do público. Enquanto, ano passado, as atividades nesse auditório ocorriam em uma sala de dimensões vastas, mas que dependiam dos telões para as pessoas do fundo poderem tentar ver algo do que ocorria no palco, os organizadores do evento buscaram aprimorar o serviço disposto ao público e firmaram parceria com a rede de cinemas Cinemark para repaginar todo o espaço e construir uma sala de cinema de grande proporção e de qualidade virtualmente igual àquelas mais disputadas nos shopping centers. Apesar de esta mudança ser de enorme qualidade e receber com bons olhos a atenção da maioria dos visitantes, o alcance do som e os efeitos de sua reverberação ainda precisam ser observados posteriormente para garantir a todos os presentes nas atividades dos quatro auditórios presentes uma condição igual de conforto, tranquilidade e zelo.

Mark Waid apresentou a base de um roteiro de história em
quadrinhos de super-heróis no modelo norte-americano

Na área dedicada aos artistas da nona arte, um dos destaques foi o trio Marcelo Bruzzesi, Rui Silveira e Rodrigo Fernandes, com seu recém-lançado "Syam", sobre um futuro distópico não tão distante cuja trama gira em torno da nova realidade dos transplantes de órgãos a partir do surgimento de uma doença dramática. Outra mesa com material inédito foi a do roteirista Deyvison Manes, com a segunda bela edição de "Justiça Sideral", dessa vez ilustrada por Thiago Ribeiro. O estande da editora JBC, todo decorado com a temática japonesa onde suas publicações costumam ser produzidas, trouxe ainda o desenhista Hiro Kyohara, do mangá "Another", série cuja base em prosa, escrita por Yukito Ayatsuji, foi lançada neste evento pela mesma editora. Outro lançamento de sucesso é o título "Blade - A Lâmina do Imortal", de Hiroaki Samura, que havia começado a ser publicado pela Conrad, mas cuja série fora interrompida pouco tempo depois, antes de ser concluída; agora, a JBC assume a responsabilidade de trazer a conclusão das histórias do protagonista Manji para os leitores brasileiros, tal qual tem conseguido fazer com histórias como "Eden - It's an Endless World!", de Hiroki Endo, lançada em iguais circunstâncias. Com uma ótima recepção ao público, os atendentes, também caracterizados nas tradições nipônicas, são um outro ponto positivo do estande.

O primeiro dia foi recheado de grandes experiências muito agradáveis, e foi uma forma bastante eficiente de indicar que, tal qual a edição da CCXP do ano passado, este ano, o evento novamente #VaiSerÉpico! Aguardem por novidades e acompanhem nossa cobertura direta do evento pelo nosso Instagram!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bienal: Seven

Por Gabriel Guimarães
 
 
Conforme foi destacado anteriormente, a 16ª edição da Bienal do Livro tem aberto um espaço interessante para o papel do setor digital enquanto ferramenta para complementar o mercado editorial tradicional. Com estandes dedicados a alguns fornecedores dos leitores digitais, que servem de plataforma para os arquivos que compõem as obras literárias, a Bienal tem proporcionado a muitos de seus visitantes o primeiro contato com os dispositivos lançados por empresas como o Kobo, da livraria Cultura, além do Kindle, da já mencionada Amazon. Estandes como o da Saraiva Editora, por exemplo, ainda expõem para os leitores suas obras de catálogo virtual, a fim de estar a par da nova realidade de mercado que tem se construído.
 
Estátua do lutador Sagat, da série "Street
Fighter", que esteve diante do estande da Seven
Com a chuva que tomou grande parte do dia no Rio de Janeiro, os três Pavilhões do Rio Centro tiveram uma considerável queda na sua quantidade de visitantes, além do fato de que os que estiveram presentes terem tido que permanecer dentro das instalações cobertas, impossibilitando-os, assim, de sentar-se na grama para descansar e desfrutar das suas recentes aquisições, como se tornou praxe nos demais dias do evento. Em contrapartida, o público teve a oportunidade de conferir as novidades que alguns estandes trouxeram ao longo da Bienal, como é o caso da Seven, empresa brasileira desenvolvedora de games e animações, que tem marcado presença continuamente nos eventos relacionados à arte sequencial, particularmente. Visando expandir sua identificação por parte do público, ela aproveitou seu estande para expor alguns jogos recentes e apresentar seu projeto para aqueles que tivessem interesse em participar do mercado de jogos eletrônicos. A fim de atrair o olhar dos visitantes, vale destacar as duas estátuas referentes ao universo dos games "Street Fighter" que foram postas na frente do estande da Seven, junto dos quais muitos fãs aproveitaram para tirar fotos.


Outra editora a aproveitar o público foi a Martins Fontes, que dispõe de dois estandes, um no Pavilhão Verde ( onde o único quadrinho disponível é a versão adaptada da obra "O Hobbit", do britânico J.R.R. Tolkien) e outro no Laranja (que já possui um acervo bastante interessante, compreendendo desde os clássicos volumes da "Mafalda", de Quino, até as duas edições do "Eternauta", da dupla Hector Oesterheld e Francisco Solano López - este último cujo trabalho já foi comentado aqui no blog).

Torçamos, então, para que o clima se estabilize e permita que o evento possa ser aproveitado ao seu máximo nos dias a seguir. Continuem acompanhando-nos aqui para mais notícias!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Games e Quadrinhos

Por Gabriel Guimarães


Imagem do primeiro jogo
que uniu os quadrinhos e os games

A relação entre os jogos eletrônicos e as histórias em quadrinhos já vem de muito tempo atrás, como foi destacado superficialmente na última matéria aqui do blog, entretanto, onde ela teve início, propriamente dito? Em 1979, após o sucesso mundial de bilheteria do seu primeiro longa metragem nos cinemas, Superman mostrou as caras em mais uma plataforma, debutando em "Superman", um game extremamente simples, produzido para o extinto Atari 2600. O jofo foi feito pelo americano John Dunn, a partir dos recursos de design do programador Warren Robinett, responsável pelo primeiro jogo de aventura gráfica, "Aventura", e um dos fundadores da empresa Learning Company. Apesar de limitado, a trama do jogo atraiu a atenção de muitos dos fãs do personagem, e acabou conquistando bastante popularidade. Em 1982, a grande rival do mercado de quadrinhos de super-heróis da DC, a Marvel, decidiu entrar no ramo dos games, e lançou o jogo "Homem-Aranha", que possuía as mesmas limitações de ação para o jogador que o jogo do Homem de Aço.
 

"Comix Zone", jogo para Mega Drive qu
 mexeu muito com a relação dos
personagens com os quadrinhos

Foi somente na década de 1990, porém, que ocorreu um crescimento muito grande na qualidade e na oferta de games relacionados com a arte sequencial, para os consoles da época, como Nintendo 64, Playstation (a primeira versão, hoje conhecida como Playstation One) e Mega Drive, este último onde o jogo "Comix Zone", de 1995, se destacou pela inovação oferecida na relação entre games e quadrinhos. Narrando as aventuras de Sketch Turner, um desenhista que procura criar uma história em quadrinhos de sucesso chamada Comix Zone, mas que acaba indo parar dentro das próprio universo que criou após um relâmpago atingir um dos quadrinhos que desenhara, dando vida ao principal vilão da história, Mortus, o game oferecia uma abordagem completamente nova a essa relação, com seu protagonista viajando de quadrinho em quadrinho, muitas vezes destruindo na base de golpes a sarjeta que separa os quadros. Apesar de não ser um jogo tão renomado, o jogo ganhou em agosto desse ano uma versão disponível para ser baixada na rede PSN da Playstation, como parte de um pacote de jogos clássicos da SEGA.
 

Uma das primeiras cenas do
game "Pokémon Yellow"

Conforme o tempo foi passando, novas adaptações foram feitas dos quadrinhos para os games, envolvendo desde os super-heróis norte-americanos a personagens de fama internacional dos mangás, como Naruto, Dragon Ball e, logicamente, Pokémon. Este último, inclusive, é um caso particular, pois sua origem se deu nos games para então ser lançado em outras mídias, como quadrinhos e o aclamado animê. Com várias versões lançadas ao redor do mundo inteiro, torneios especializados e uma gama impressionante de usuários, "Pokémon" se tornou um sinônimo de sucesso, além de uma versão simples, porém, extremamente preciosa de liberdade ao jogador, que tinha nas mãos o poder de fazer grande parte das decisões em um mundo virtual que interagia com ele continuamente.
 

Revistas em quadrinhos
lançadas com os personagens
da série "Mortal Kombat"

Essa via da relação, de dentro dos consoles para as páginas de quadrinhos não é de todo incomum, entretanto. Games de sucesso como Mortal Kombat, Street Fighter e até o pequeno ouriço azul Sonic, já foram protagonistas desse trajeto. Lançado no Brasil pela editora Escala na década de 1990, os quadrinhos de Mortal Kombat procuraram se assemelhar ao formato de sucesso que havia no país à época, o formatinho 13 x 21 cm. Ao longo dos anos que se seguiram, as continuações da série ganharam também suas versões na nona arte, e em 2008, ocorreu a grande interação do game da Midway com os quadrinhos, ao ser lançado o jogo "Mortal Kombat vs. DC", onde os personagens da editora de super-heróis enfrentavam os seres mágicos e guerreiros de Outworld num torneio de proporções cósmicas.

"Mortal Kombat Vs. DC Universe" levou
a relação entre os games e os quadrinhos a um
outro nível de interação
Essa união de meios rendeu, inclusive, novas experiências de narrativa, como, por exemplo, a apresentada pelo site americano Gamics, que constrói histórias em quadrinhos com imagens de games de sucesso, realizando uma expansão ao universo retratado nos consoles. Esse processo também já é facilmente encontrado em comunidades de fãs de games, e é bastante popular entre os mais aficionados.
 

Cena do terceiro volume de
"Scott Pilgrim Contra o Mundo",
publicado pela Companhia das Letras,
que retrata bem a presença de elementos
dos games na história em quadrinhos

Além do campo de plataforma, os games estão cada vez mais presentes também dentro das histórias em quadrinhos. Uma vez que constituem a empresa de maior crescimento no mundo nos últimos anos, tendo já ultrapassado as cifras referentes à indústria da música, inclusive, não é de se espantar a presença dos jogos na formação da personalidade de protagonistas de HQs. O popular "Scott Pilgrim Contra o Mundo" é, talvez, o exemplo mais claro disso, com a interação entre elementos comuns dos games dentro das páginas de quadrinhos. Numa sequência de cenas de ação com recursos carcaterísticos dos games mais conhecidos, como ícones de vida extra, créditos por derrotar inimigos e armas especiais adquiridas como bônus, a história cativou um público bastante diversificado e acabou se tornando uma referência no cenário indie. Essa presença dos games nos quadrinhos, no entanto, vem de bem antes da obra do canadense Brian Lee O'Malley. A Marvel, ainda no ano de 1977, criou um personagem cuja essência estava na febre dos games que se proliferava pelos Estados Unidos: o vilão Arcade, que estreou nas páginas da revista "Super Spider-Man & Captain Britain # 248". Utilizando de mecanismos similares aos dos jogos eletrônicos de sucesso, o personagem, que nunca chegou a engrenar tanto, enfrentou grandes heróis do universo Marvel e chegou até a inspirar uma das fases no primeiro game da saga "Marvel Vs. Capcom".

Fase inspirada no personagem Arcade no jogo
"Marvel vs. Capcom"
Enfim, essa relação ainda promete se extender muito no futuro, e o game "DC Universe Online" é uma grande prova que os desenvolvedores estão tentando cada vez mais quebrar a barreira da interação para permitir ao leitor uma experiência única de imersão no universo dos personagens dos quadrinhos. Usando o sistema consagrado dos MMORPGs de sucesso, o game tem atraído cada vez mais usuários a se tornarem heróis e vilões neste novo universo de missões e aventuras compartilhados, cuja aventura principal se desenrola da necessidade do planera em enfrentar o vilão Brainiac, que pretende atacar a Terra após a morte de seus principais heróis.


Concluindo, há muito que se poderia ponderar e levantar sobre essa relação, e fica aqui o incentivo a todos que tenham interesse em persistir nessa discussão. Em 9 de abril desse ano, foi realizado em Fortaleza, o 1º QG do HQ, evento centrado justamente nesse debate, onde o histórico deste foi destacado e as possíveis vias de expansão do mesmo.
 
Com o passar dos anos, essa relação vem rendendo muitos frutos, e isso apenas tende a continuar, seja em 2D como os clássicos jogos para computador da turma da Mônica ou ainda na resposta da Marvel ao recente sucesso da grande rival, que ainda está em desenvolvimento. Resta-nos saborear dessa união, e torcer para que ela tenha sempre muitas vidas extras para continuar a nos emocionar e inspirar.