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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

XVII Bienal - Sete Dias de Jornada

Por Gabriel Guimarães


O sétimo dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi um dia majoritariamente dedicado aos alunos de colégios em excursão nos três Pavilhões do evento. Aproveitando muitas ofertas nos corredores e estandes laranjas, o público infantil se sentiu prestigiado, podendo ainda conferir a exposição em homenagem aos 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa. Com exemplares de amostra dos lançamentos recentes protagonizados pelos personagens da Turma da Mônica, Astronauta, Horácio, entre as muitas criações do desenhista paulistano, a exposição ofereceu aos jovens a oportunidade de conhecer mais das raízes do desenhista e suas novas empreitadas no mercado, como a "Turma da Mônica Jovem" reinterpretando a clássica lenda de Troia, em volume trabalhado todo em cordel e publicado pela editora Melhoramentos.


Editoras, ainda, como a L&PM ofereceu títulos no formato pocket de personagens clássicos, como "Recruta Zero", de Mort Walker, "Hagar, O Terrível", de Dick Browne, e "Radicci", do brasileiro Iotti; e adaptações de clássicos da literatura para o estilo mangá, como "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski, e "A Interpretação de Sonhos", do psiquiatra Sigmund Freud; além de livros e mangás de forte apelo ao público de jovens adultos, como "Além do Tempo e Mais um Dia", da brasileira Lu Piras, e "Solanin", de Inio Asano (obra esta que já comentamos aqui no blog antes).

Outro estande interessante foi o da editora Zahar, disposto em um palanque de altura maior que os demais, com uma área interna para leitura, e com muitas obras de fantasia relançadas em formato mais cuidadoso, além de também contarem com versões pocket, como as clássicas obras de Alexandre Dumas e Edgar Rice Burroughs. Quase em frente a esse estande, a editora Leya disponibilizou o trono de ferro da série televisiva "Game of Thrones", baseada nos livros do escritor George R. R. Martin, o que cativou a atenção dos jovens estudantes, que fizeram fila para tirar fotos sentados na réplica.

Com o término da primeira semana de evento, a Bienal começa a se direcionar para o encerramento neste final de semana, mas certamente ainda há o que conferir no Rio Centro, palco dessas grandes experiências dos últimos dias. Até lá, #PartiuBienal!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

XVII Bienal - Seis Epopeias Literárias

Por Gabriel Guimarães


O sexto dia da XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi menos lotado que os anteriores, porém, igualmente movimentado. Os maiores estandes do Pavilhão Azul receberam atenção, com destaque para o do Grupo Editorial Record, que levou seus títulos baseados no popular game "Assassin's Creed" e na HQ/série de televisão "The Walking Dead". Em algumas de suas prateleiras, dentro do estande, estiveram dispostos, ainda, os álbuns do personagem de quadrinhos "Asterix", de René Goscinny e Albert Uderzo, e manuais referentes ao universo ficcional de "Star Wars". Os descontos no estande eram condicionados pela compra de um determinado número de volumes, mas uma visita ao estande é recomendada.

Localizado no mesmo corredor central, o estande do selo Companhia das Letras é outro que vale uma visita. Com estantes dedicadas a cada um de seus respectivos selos editoriais, desde a Suma de Letras (que conta com grande acervo de obras do popular e aterrorizante escritor Stephen King) até a Quadrinhos na Companhia, com títulos clássicos do quadrinista norte-americano Will Eisner (que já foi homenageado em diversas ocasiões aqui, aqui e aqui no blog) e a adaptação para os quadrinhos do livro do amazonense Milton Hatoum, "Dois Irmãos", feita propositadamente pelos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e lançada recentemente no mercado.


Contando com menos espaço que estes dois, mas ainda assim uma área bastante considerável, o Grupo Autêntica, do qual o selo Nemo faz parte, também se encontra no Pavilhão Azul, com clássicos europeus como a sua primorosa Coleção Moebius e volumes como "Companheiros do Crepúsculo", de François Bourgeon; conteúdo produzido primeiro na internet brasileira, como são os casos de "Bear", da quadrinista Bianca Pinheiro, e "Como Eu Realmente", ilustrado e escrito por Fernanda Nia; e novos títulos de questionamento e mudança de perspectiva cultural, como "O Mundo de Aisha", de Ugo Bertoti, "Uma Metamorfose Iraniana", de Mana Neyestani, e "Pílulas Azuis", do francês Frederik Peeters (este último, que, inclusive, já foi adaptado para o cinema ano passado, e cuja página no IMDB pode ser conferida aqui). O estande ainda conta com um grande lote de livros e quadrinhos a preços convidativos, valendo ressaltar a presença, entre estes, dos títulos de "Boule & Bill", criados pelo belga Jean Roba e atualmente produzidos pelo seu outrora assistente Laurent Verron, que conseguiu levar os personagens às telas de cinema e até para videogames.

Concluindo os destaques deste Pavilhão de hoje, o estande da PubliFolha, em meio aos seus temas principais de turismo e culinária, apresentou também 3 títulos interessantes de arte sequencial, publicados pelo seu selo Três Estrelas, "Trinity - A História da Primeira Bomba Atômica em Quadrinhos", de Jonathan Fetter-Vorm, "O Golpe de 64", dos brasileiros Oscar Dilagallo e Rafael Campos Rocha, e "A Morte de Stálin", da dupla Fabian Nury e Thierry Robin. Apesar de não haver desconto nesses itens, sua presença no estande aponta que a editora está começando a se aventurar na nona arte e um potencial crescimento nesse segmento poderia ser bastante interessante, principalmente levando em consideração a diversidade de fontes dos trabalhos publicados por eles até o momento. Que este seja apenas o início!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

XVII Bienal - Cinco Vogais de Uma Longa Jornada

Por Gabriel Guimarães



A Argentina foi o país homenageado nesta XVII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, com espaços especiais preparados para apresentar ao público no Pavilhão Verde a história de alguns dos autores de maior renome do país, como Adolfo Bioy Casares e Jorge Luis Borges. A fim de aproveitar também a forte cultura literária do nosso vizinho latino, os organizadores montaram uma área no Pavilhão Azul para realizar debates e palestras (onde, ontem, os cartunistas Ziraldo e 'Tute' estiveram presentes), com detalhes dos trabalhos de vários quadrinistas argentinos em cada banco disposto para que os visitantes que ali repunham suas energias ou sentavam para conferir a programação. Ao mesmo tempo, obras do país ganharam destaque nos estandes das editoras, como é o caso das antologias de contos urbanos fantásticos do pseudônimo Bustos Domeq na editora Globo; as coletâneas de Mafalda e os volumes do "Eternauta" na Martins Fontes; o livro "O Segredo dos seus Olhos", do escritor Eduardo Sacheri, pelo selo editorial Suma de Letras, da Companhia das Letras, entre muitos outros. A quem interessar conferir, o portal argentino AIM Digital comentou sobre o evento e sua postura quanto à cultura do país, e a matéria pode ser conferida aqui.
Entretanto, a quinta parte da Bienal não contou apenas com as boas notícias da parte do país homenageado. Em mais um dia de muito público, o estacionamento novamente deixou a desejar em termos de organização e o trânsito ao redor do Rio Centro apresentou mudanças que tornaram caótico o trajeto de quem chegava e saía do evento. Esperar em filas, tanto de carros quanto de pessoas, infelizmente, acabou sendo a ordem do dia.

Inteiramente alheios aos problemas externos, os estandes atenderam muito bem ao público, principalmente levando em consideração o fato de que o o limite dos espaços referentes a cada editora se encontrava excedido em sua grande maioria. Inspecionando mais a fundo, os estandes de maior sucesso no dia foram os pertencentes a sebos, como a Livraria São Marcos, a PromoLivros e o 'Feira de Livros', cada um com grandes ofertas em materiais da arte sequencial, indo desde encadernados importados de "Walking Dead", dos americanos Robert Kirkamn e Charles Adlard, passando por muitos qualificados livros teóricos da editora Criativo como "Eisner/Miller", chegando às edições nacionais da adaptação para os quadrinhos europeus da obra "Em Busca do Tempo Perdido", clássico escrito por Marcel Proust.

Outro destaque foi uma a área montada pela Coca-Cola no Pavilhão Verde que vendia garrafinhas pequenas personalizadas com o nome dos visitantes no ato da compra destas. O material, parte de promoções passadas da empresa, era vendido a R$6,00 e oferecia, ainda, a opção do comprador  adquirir, junto de quatro garrafinhas, uma miniatura do engradado onde os refrigerantes, de fato, são guardados em muitos restaurantes. O objeto foi bastante requisitado, em especial por famílias, que procuravam aproveitar a oportunidade de eternizarem nomes menos usuais nas garrafinhas para guardarem para si ou para presentearem amigos e conhecidos.

Um dia muito agitado, mas gratificante - assim, pode-se caracterizar mais este dia de Bienal. Ultimamente, pode parecer que ressaltamos os problemas estruturais do evento em detrimento de focar na experiência de dentro dos Pavilhões em si, contudo, visamos realizar uma análise integral do evento, e apenas pesando os prós e os contras, podemos ter uma consideração adequada de todos os fatores que constituem a Bienal em sua integralidade. Uma vez mais nos despedimos por aqui, ressaltando que o evento ainda reserva muito para os próximos dias desta semana, e esperamos poder encontrá-los lá!

domingo, 6 de setembro de 2015

XVII Bienal - Quatro Linhas de Prosa e Verso

Por Gabriel Guimarães
 

Ziraldo e 'Tute' falaram sobre quadrinhos
no estande da Argentina
O quarto e mais lotado dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro foi marcado por muitas atividades para engajar o público. Além do comércio dos estandes, o dia foi marcado por duas palestras focadas na arte sequencial, a primeira realizada no estande da Argentina, país homenageado pelos organizadores do evento, com a participação do cartunista Ziraldo e do quadrinista argentino Juan 'Tute' Matías Loiseau; a segunda, ocupou o Café Literário, e teve participação dos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá, Tiago 'Elcerdo' Lacerda, um dos organizadores da revista "Beleléu" e o cartunista Allan Sieber.

Na área Conexão Jovem, onde autores apresentam um pouco de sua trajetória pessoal com o público, o destaque ficou por conta do norte-americano Jeff Kinney, criador da série "Diário de um Banana", e o escritor Eduardo Spohr. Kinney apresentou sua raiz na nona arte e atendeu a muitos jovens leitores, proporcionando uma ótima experiência a todos que estiveram presentes (àqueles que não puderam conferir ou que queiram conferir mais a fundo como foi o papo, a página da Bienal no Facebook compartilhou um link de transmissão simultânea ao vivo via Periscope - a gravação pode ser conferida no link aqui).

Se, do lado de dentro dos Pavilhões do RioCentro, o ambiente era muito agradável e estimulante, o gerenciamento do estacionamento deixou muito a desejar, com confusão no direcionamento dos carros e falta de orientação dos funcionários sobre registro dos veículos deixados no local. Com o elevado gasto de cada visitante com o serviço, este poderia ser melhor organizado, principalmente levando em consideração as obras sendo feitas nas principais vias de acesso e as complicações decorrentes disso.

Os leitores ainda puderam se encontrar com alguns de seus autores favoritos hoje, como Maurício de Sousa em frente ao estande da Panini, Raphael Draccon no espaço Cubovoxes e Afonso Solano no estande da editora Leya, assinando seu livro "Espadachim de Carvão". Neste último estande, ainda, foi disponibilizado um fliperama temático para os visitantes poderem se divertir jogando um game de batalha espacial, em alusão ao lançamento da editora, "Armada", segundo livro do escritor norte-americano Ernest Cline, que teve também seu primeiro livro, "Jogador Nº1", relançado com novo design.


O dia foi o de maior movimento até agora nesta edição da Bienal
Para os fãs do gênero de terror, ainda ocorreu um debate aberto no estande do site de comércio online Submarino com os escritores Alexandre Callari e Cesar Bravo, que já foram publicados pela editora DarkSide, onde comentaram sobre suas origens e relação com o tema e as novas facetas desse gênero literário no Brasil e no mercado editorial.

O dia foi muito agitado, mas certamente recompensador para aqueles que estiveram presentes para vivenciá-lo. E você, o que está esperando? #PartiuBienal

sábado, 5 de setembro de 2015

XVII Bienal - Três Volumes de Paixão Literária

Por Gabriel Guimarães



O público do terceiro dia da XVII Bienal Internacional do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi compareceu em massa ao evento, gerando alguma demora em filas, contudo, o dia reservou grandes experiências e oportunidades àqueles que visitaram o Rio Centro nesta manhã/tarde/noite de condições climáticas desfavoráveis. Se, do lado de fora dos Pavilhões, o vento era implacável e tornava o uso de casacos e jaquetas obrigatório, do lado de dentro destes, o fator humano esquentou muito o dia dos autores e profissionais do mercado editorial brasileiro.

Edições da Mafalda vendidas
no estande da Martins Fontes
Contando com muitos escritores tupiniquins, como Ana Luisa Piras, Raphael Montes, Thalita Rebouças e Ana Lúcia Merege, os estandes promoveram muitas sessões de autógrafos, além de apresentarem grande acervo de obras importadas e ainda inéditas aqui no Brasil. A loja Saraiva, por exemplo, apresentou quatro estantes com prateleiras abarrotadas de encadernados norte-americanos das gigantes Marvel e DC, junto de obras que exploram o imaginário do leitor, como a clássica trilogia "Senhor dos Anéis", do escritor britânico John Ronald Reuel Tolkien. Coleção esta que encontra-se disponível também no estande da editora Martins Fontes, que conta com alguns grandes quadrinhos do país homenageado dessa edição da Bienal, como os dois volumes de "Eternauta", da dupla Hector Oesterheld e Francisco Solano López (este último que já foi homenageado aqui no blog), fora a coleção extraordinária e diversificada de tiras da personagem Mafalda, de Quino. Juntando-se a eles, encontra-se o lançamento da editora "Maurício - O Início", com os primeiros livros infantis produzidos pelo quadrinista Maurício de Sousa.

Show apresentado para as crianças no
O próprio quadrinista, inclusive, esteve presente na Bienal hoje, em atividades constantes nos estandes das editoras Sextante, Girassol e Panini. O público infantil e adulto ficou muito animado com a oportunidade de ver de perto o quadrinista, e ainda pode conferir um pequeno show dedicado às crianças, no palco onde poetas vinham declamando seus versos ao público nos dias anteriores.

As peças do xadrez Marvel tem alto
nível de acabamento
Algo, porém, que chamou a atenção dos visitantes dedicados à arte sequencial foi a ausência de material da editora Salvat. Com suas coleções de banca dos personagens da Marvel (a partir de outubro deste ano, - ainda vale ressaltar - a editora Eaglemoss anunciou que estará lançando o equivalente desta coleção referente aos personagens da DCno Brasil, segundo noticiado pelo blog "Mutante X", que pode ser conferido aqui), a editora foi procurada por colecionadores que haviam perdido algum dos volumes publicados quinzenalmente, entretanto, ela não montou estande e tampouco seu material foi disponibilizado em outros estandes de revenda. Em contrapartida, aproveitando este momento de coleções de banca para o mercado de nicho, a editora Planeta DeAgostini apresentou em seu estande uma coleção de peças de xadrez com os personagens da Casa das Ideias, com destaque para o conjunto dos Vingadores. Produzidas em boa quantidade de variações, as peças foram muito admiradas pelo público, que poderia fechar um pacote de assinatura da série no local. O mesmo também foi oferecido para iniciantes na coleção dos quadrinhos de Star Wars, já lançado em banca e com resultados muito positivos. Não há, porém, a opção de adquirir no estande volumes avulsos de quaisquer coleções, mas, ainda assim, vale uma visita para conferir a qualidade impressionante desse material.

Continuem ligados que ainda há muito a comentar sobre essa edição da Bienal, e podendo conferir pessoalmente, o façam. Nos vemos lá!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

XVII Bienal - Dois Novos Capítulos

Por Gabriel Guimarães


O segundo dia da XVII edição da Bienal Internacional do Livro na cidade do Rio de Janeiro foi de bastante movimento. As turmas de colégios em excursão lotaram os estandes na maior parte do dia, acompanhando em especial o movimento de figuras das novas mídias como o vlogger Christian Figueiredo, que lançou pela editora Novo Conceito dois livros da série "Eu fico Loko", com crônicas da vida adolescente atual. Com senhas para assinaturas que esgotaram em segundos, muitos jovens se reuniram próximo à região do Espaço Maracanã, onde era realizado  encontro com o autor. Essa proposta de contato do autor com o público em área anexa dos Pavilhões ao invés de dentro destes foi algo que se repetiu com o quadrinista Maurício de Sousa, que esteve assinando o "Caderno de Receitas da Magali", lançado pela editora SENAC. O desenhista, homenageado ontem pelos organizadores e pelo mercado, esteve na área da Praça Copacabana, localizada próxima à principal praça de alimentação do evento, e também atraiu a atenção de muitas crianças que por ali passavam. Essa nova proposta de interação reduz a aglomeração nos estandes que acabava causando transtornos e até situações de mal estar nos estandes vizinhos daqueles que sediavam a sessão de autógrafos, contudo, acaba por esfriar um pouco o contato direto do autor com o público, e a localização afastada dos locais destinados a essas atividades freia um pouco o interesse alheio que a presença no Pavilhão normalmente fomentava. É algo a ser avaliado para o futuro, com possíveis abordagens ainda por serem experimentadas com o tempo.

O estande da Sampa é muito recomendado
Dentro do Pavilhão Laranja, um dos destaques foram as ofertas de estandes como a Top Livros, que oferecia quadrinhos como "Terapia", do trio brasileiro Rob Gordon, Marina Kurcis e Mário Cau, e "Perramus", da dupla argentina Alberto Breccia e Juan Sasturain. No Pavilhão Verde, o estande da Nova Sampa foi um dos bastante procurados pelos preços convidativos em um amplo lote de mangás desde "Vagabond", de ,Takehiko Inoue, até "THERMÆ ROMÆ", de Mari Yamazaki. O estande contou, ainda, com encadernados da Panini e revistas-pôsteres lado a lado com álbuns de figurinhas e revistas de atividades e DVDs de  séries clássicas como "National Kid" e "Jaspion", proporcionando, dessa forma, uma experiência completa no universo nerd.

A loja Comix  também contou com novidades hoje, como a edição "O Outro Cão Que Guardava as Estrelas", sequência inédita do trabalho de Takashi Murakami trazida ao Brasil pela editora JBC. O estande também ofereceu desconto em encadernados da editora HQM, como "Harbinger" e "X-O Manowar", ambos da linha Valiant, "Concreto - Nas Profundezas", de Paul Chadwick, e o primeiro volume de "Bone" em cores, de Jeff Smith. Acima de R$100,00 em compras, o estande ainda oferece desconto no pagamento em dinheiro ou cartão de débito, além de oferecer parcelamento para crédito. A Devir também expôs descontos consideráveis em seus conteúdos de quadrinhos, como "Grendel - Preto, Branco e Vermelho", de Matt Wagner, os encadernados de "Tom Strong" e a graphic novel "Badlands - O Fim do Sonho Americano", de Steven Grant e Vince Giarrano. Vale a pena conferir!

Os estandes estão oferecendo bons descontos, em geral. Mesmo aqueles não necessariamente ligados à arte sequencial em si, o que é algo que vinha sendo motivo de reclamações nas edições anteriores e mais recentes da Bienal. Os funcionários também vem sendo muito atenciosos e solícitos, mas a sinalização de determinadas áreas, como aquela onde ocorreram as sessões de autógrafos, poderia ser mais clara e bem estabelecida. É uma transição natural que certamente será melhor implementada no futuro. O mesmo problema se deu com o serviço de aluguel para cadeiras de rodas e carrinhos de passeio para crianças pequenas, que trocou de lugar entre o primeiro dia de evento e hoje, mas não informou à administração para que ela repassasse a nova localização para os pontos de informação e subsequentemente ao público.

O evento vem sendo muito agradável, com menos concentração de visitantes nos corredores dos Pavilhões, mas agora a expectativa é de que o movimento seja bem maior no final de semana e no feriado que o emenda. Naturalmente, é esperado um número menor que na última edição, onde o feriado não foi emendado e, portanto, as pessoas não tinham tanto a opção de viajarem. Ainda assim, o evento promete excelentes momentos e um cenário muito confortável para as famílias e os leitores mais ávidos. #PartiuBienal

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

XVII Bienal - Um Alvorecer Literário

Por Gabriel Guimarães


A XVII edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro começou com uma grande homenagem ao quadrinista Maurício de Sousa, que recebeu o Prêmio José Olympio pelas suas colaborações ao mercado editorial brasileiro. Para honrar os 80 anos completados pelo autor paulistano, a Feira organizou uma exposição muito interessante com direito a uma estátua de sua principal personagem, a Mônica, dando as boas vindas ao setor do Pavilhão Verde onde materiais originais e réplicas de edições clássicas do autor estão expostas. Acompanhando a trajetória pelas décadas desde a criação de seus primeiros personagens, o visitante pode aprender um pouco mais da história da carreira desse grande profissional brasileiro, além de conferir uma imagem holográfica do próprio Maurício, projetada sobre um painel proporcional ao tamanho real do desenhista, ideal para se tirar fotos.

A exposição se localiza próxima ao estande da editora Panini, responsável pela maior parte dos títulos do autor sendo publicados no momento (considerando que a quantidade de parcerias do estúdio de Maurício com as mais diversas editoras, isso é um feito por si só impressionante). Diferente das edições anteriores, em que se encontrava no Pavilhão Azul, desta vez, a editora conta com um espaço razoável com segmentos diferentes dedicados a formatos diferentes de conteúdo. O grande destaque do estande fica por conta dos mangás e do material produzido pelo já mencionado MSP. Alguns dos lançamentos são a nova graphic novel "Turma da Mata - Muralha", produzida pelo trio Roger Cruz, Artur Fujita e Davi Calil; e a reedição atualizada da obra "Maurício de Sousa - Biografia em Quadrinhos". Vale ressaltar a bela capa deste último, com uma série de alusões à carreira do quadrinista, desde influência do clima saudosista das ilustrações do norte-americano Norman Rockwell até uma representação do autor em sua época de repórter policial. Algo, porém, que chamou a atenção foi a ausência de lançamentos programados para a Bienal pela editora, como os encadernados de títulos mensais da Marvel e DC (como "Fabulosos Vingadores" e "Lanterna Verde - A Ira dos Lanternas Vermelhos"), que, curiosamente, podiam ser encontradas disponíveis no estande da Comix, a poucos estandes de distância. Os descontos do estande da Panini mantém-se os mesmos, na casa dos 25%, contudo, o acervo disposto esteve um tanto aquém das expectativas neste primeiro dia.

Outra editora cujo estande aparenta destoar do tradicional nas últimas edições da Bienal foi a Devir, que investiu mais em material de RPG e o crescente fomento no mercado de jogos de tabuleiro alternativos. O conteúdo importado de arte sequencial não parece ter sido trazido desta vez, e as edições presentes no estande limitam-se, em sua maioria, a materiais publicados ao longo da última década. A tradicional editora, inclusive, aparenta dividir o espaço de seu estande com a novata Jambô, com bastante conteúdo no gênero da fantasia, como os quadrinhos do roteirista Marcelo Cássaro, marcado por sua brilhante saga na série "Holy Avenger" e que agora conta lá com as obras "Projeto Ayla" e "DBride - A Noiva do Dragão".

"Quack, do autor Kaji Pato, é outro destaque da Draco
Editoras com estandes mais modestos, ainda, apresentaram muito conteúdo fascinante, como foram os casos da Draco, com antologias de ficção científica e fantasia dividindo espaço com HQs como "Quem Matou João Ninguém?", de Zé Wellington e Wagner Nogueira, e "Apagão - Cidade sem Lei Luz", roteirizada por Raphael Fernandes e ilustrada pelo desenhista 'Camaleão'; da Autographica, que criou um clima muito agradável de descontração que tornou seus livros publicados sobre o meio esportivo e sobre relações entre história e  política bastante convidativos; e a Aquário Editorial, que contou com material de arte sequencial e ficção em geral produzido por profissionais aqui no Rio de Janeiro, como o roteirista capixaba Estevão Ribeiro e sua esposa, a escritora Ana Cristina Rodrigues, e o desenhista Carlos Ruas.

Outra editora com conteúdo interessante aos fãs da arte sequencial é a Ediouro, que relançou em seu selo Pixel os encadernados dos clássicos "Fantasma" e "Mandrake" em capa dura, além de novidades como o primeiro volume da adaptação dos games para os quadrinhos de "The Witcher", e uma antologia com 12 pequenas histórias do personagem "Tarzan" por vários profissionais da nona arte. O preço dessas edições está de excelente tamanho para atrair novos leitores e apresentar conteúdo de belo acabamento no mercado. Há, ainda, edições de personagens como "Popeye", "Recruta Zero", "Hagar"e "Mutts".

Ilustração da capa da adaptação do game "The Witcher" para as HQs

Um ponto negativo, ou talvez informativo, que é necessário ressaltar é que as obras nas vias de acesso ao Rio Centro, que pouco foram entrave hoje, podem complicar consideravelmente a vida dos visitantes nos dias de maior movimento. As alterações nas pistas tornaram o trajeto até o local, no mínimo, confuso e a falta de orientação dos guardas foi um problema. Dentro dos Pavilhões, ainda antes da entrada no evento, também ocorreram pequenos focos de desorientação do público pela ausência de sinalização das entradas. Os funcionários de dentro do evento, contudo, foram extremamente solícitos, e os profissionais dos estandes também receberam a todo o público com sincera dedicação.

O evento já foi muito interessante neste primeiro dia, e a tendência é que grandes momentos ainda estejam por vir, com talentosos profissionais do ramo literário e das artes gráficas tendo espaço junto ao grande público e um ambiente agradável de solicitude entre os gêneros literários que dividem espaço nas estantes dos estandes e nas sacolas de aquisições dos visitantes.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bienal - Novo Prelúdio

Por Gabriel Guimarães

 


Amanhã, dia 3 de setembro de 2015, vai ter início a XVII edição da Bienal Internacional do Livro, na cidade do Rio de Janeiro. Conforme foi nossa proposta nas duas últimas edições, em 2011 e 2013 (que podem ser conferidos aqui), faremos uma cobertura diária do evento, que promete grandes experiências e servirá de espaço para aguardados lançamentos na indústria de quadrinhos brasileira. Autores, editores e companhias dos mais diversos estados estarão presentes para promover um período dedicado ao reconhecimento da literatura na formação individual e social, e aos laços que toda a mídia editorial constrói.

Mapa dos três pavilhões do Rio Centro
Este ano, em homenagem aos 80 anos do quadrinista Maurício de Sousa, será organizada uma exposição especial, dando a devida importância para o autor, diante do quanto sua trajetória impactou em gerações e gerações de leitores, autores e artistas. Para comemorar esse feito, muitos lançamentos estão programados em diferentes editoras e pavilhões. Os detalhes serão dados de acordo com a ordem em que os eventos forem noticiados e vividos. Aos que tiverem interesse em se programarem para encontrar Maurício em pessoa, o portal Uol oferece as informações necessárias para tanto, e pode ser conferido aqui.

ich_capaOutra fonte de homenagem nesta edição da Bienal será a literatura argentina. Enquanto a última edição deu destaque à cultura alemã e a anterior, a francesa; desta vez, o país que terá muitos autores convidados e uma área construída para receber a atenção do público será nossa vizinha latina Argentina. Os quadrinhos não vão deixar essa oportunidade passar em branco, e a editora Jambô confirmou o lançamento de "ICH", da dupla argentina Luciano Saracino (roteiro) e Ariel Olivetti (arte). Certamente materiais de Quino, Liniers e a dupla Oesteheld e Solano López (este último, que já foi homenageado aqui no blog), portanto, vale a pena conferir!

A quantidade de editoras com conteúdo de quadrinhos é maior, também, este ano, com alguns materiais que começaram no financiamento colaborativo ganhando espaço nos estandes de editoras que chegaram a acordo com os autores para distribuir a tiragem do livro custeada no crowdfunding. Estão confirmados, ainda, muitos lançamentos de encadernados pela editora Panini (Marvel e DC), obras de ficção científica mantendo a pegada do ritmo acelerado da editora Aleph, e alguns novos mangás (como "Parasyte", de Hitoshi Iwaaki) na JBC. Editoras como a Balão Editorial e a Aquário Editorial também confirmaram presença, com vários lançamentos de conteúdo 100% nacional, algo que vem ganhando muito espaço nos últimos anos, mas que ainda encontra muitas barreiras no mercado mais conservador.

Outro fator de grande interesse para os aficionados pela arte sequencial deve ser a presença de uma inteira leva de novos livros teóricos da mídia, que foram lançados na 3ª Jornada Internacional de História em Quadrinhos, onde muitos projetos acadêmicos com enfoque na nona arte foram apresentados, entre 18 e 21 de agosto deste ano, na Escola de Comunicação da USP, com a presença de consagrados estudiosos do meio, como Waldomiro Vergueiro, Sônia M. Bibe Luyten e Paulo Ramos.

Uma longa e trabalhosa jornada nos aguarda nestas próximas duas semanas, mas as promessas são muitas de este ser mais um evento significativo para o cenário editorial brasileiro, com o espaço para conteúdo brasileiro ganhando mais espaço e barreiras culturais sendo derrubadas graças à enorme dedicação de profissionais altamente qualificados e fãs dedicados. Que muitas experiências agradáveis e impactantes possam nos aguardar nos dias que virão! #PartiuBienal

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Espírito dos Quadrinhos no Planetário do Rio

Por Gabriel Guimarães


Na sexta-feira da semana que vem, dia 15 de maio, será realizado no Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, um evento dedicado a comemorar os 75 anos de um dos grandes personagens do quadrinista Will Eisner, o Spirit. Publicado a partir da parceria entre Eisner e o editor Everett ''Busey'' Arnold, responsável por edições da Quality Comics, o personagem representou uma grande ruptura na vida do autor nova-iorquino e ofereceu ao público leitor das funny pages e das revistas de aventura um material mais maduro e com maior domínio das ferramentas visuais das histórias em quadrinhos do que era o habitual do período. Publicado de forma ininterrupta até 1952, tendo sido produzido integralmente pelo próprio Eisner a maior parte desse tempo, o personagem tornou a aparecer nas décadas seguintes, principalmente através de republicações, enquanto seu criador passou a se dedicar às suas obras de graphic novel (termo, inclusive, cunhado por ele, fato que abordamos em matéria anterior aqui no blog), que o consagraram ainda mais no meio.

Antes da criação do detetive Denny Colt, que se tornaria o Spirit logo em sua estreia nos quadrinhos, Eisner era parceiro do também quadrinista Jerry Iger no syndicate responsável pela produção de dezenas de títulos veiculados nos jornais da época, o Eisner & Iger, que contava ainda com nomes de peso em suas pranchetas, como Lou Fine e Jack Kirby. Após um início complicado financeiramente, o estúdio já oferecia um retorno bastante positivo aos dois sócios no final da década de 1930, porém, não saciava o desejo de Eisner em produzir um conteúdo que diferisse do padrão majoritariamente infantil do período anterior à Segunda Guerra Mundial. Abordado pelo editor ''Busey'' Arnold após os jornais demonstrarem interesse em lançar suplementos que concorressem pela atenção dos leitores das bancas com as revistas especialmente dedicadas aos quadrinhos, Eisner viu a oportunidade de produzir um material de teor mais maduro, que apontasse os elementos humanos na sociedade americana depois da Crise da Bolsa de 1929. Após discutir com Arnold sobre a necessidade de o personagem entrar no recém-criado filão dos heróis de capa e superpoderes, algo a que Eisner era contrário, chegou-se à conclusão de que o personagem carregaria um pseudônimo e uma máscara para combater o crime, além de ter uma origem mirabolante e fantasiosa, porém, as histórias carregariam uma temática policial mais do que heroica, e os seus personagens seriam trabalhados de forma mais dedicada que as fantasias joviais rotineiras. Depois de chegarem a esse acordo, Eisner encerrou sua participação no syndicate, que passou a ser chamado de Phoenix Features, e reuniu uma nova leva de profissionais para auxiliá-lo na produção das histórias do personagem, que seriam depois distribuídas de forma sindical por Arnold junto aos jornais interessados.

Por anos, Eisner trabalhou de forma empenhada na sua nova criação, que ocasionalmente dividia espaço na ''The Spirit Section'' com outros personagens menores como Mr Mystic e Lady Luck, mas, em 1942, o autor foi convocado para o exército dos Estados Unidos e precisou se ausentar do mercado editorial, cabendo a Arnold substituí-lo por outros quadrinistas durante os anos seguintes. Uma vez regresso, Eisner novamente assumiu seu personagem e construiu de vez a mitologia que este carrega até hoje, contando com um traço mais refinado pelo fato de Eisner ter trabalhado na confecção de muitos manuais técnicos para as Forças Armadas. Com ricas aventuras imersas em drama e suspense, os leitores e os próprios profissionais do ramo admiravam o espírito de inovação que estava sendo desenvolvido naquele período para os quadrinhos, que recebeu muitas influências cinematográficas. Contudo, no final dos anos 1940, o mercado de histórias em quadrinhos passou a sofrer com a perda de novos leitores, cujo interesse passou a se concentrar em torno da televisão, que começava a crescer na época; além de conviver com a constante desconfiança das autoridades moderadoras sobre o uso dessa mídia no desvirtuamento das crianças e jovens. Eisner, que já estava mais envolvido pelo projeto que tinha junto da editora governamental American Visuals (algo mais seguro social e economicamente para um artista que começava a construir uma família), tentou ainda aproveitar o viés da exploração espacial para tornar novamente relevante seu personagem, porém, seu trabalho com o Spirit, que já vinha ganhando suporte de outros profissionais como Jerry Grandenetti, Jules Feiffer, Wally Wood e Jim Dixon, acabou chegando a um final em 1952.

Mais tarde, já nos anos 1960, Eisner encontrava-se em conflito com os novos responsáveis pela produção de seu conteúdo na ''P*S Magazine'', para a qual trabalhava desde então, mantendo um taxa de serviço constante do autor para o preparo de segmentos de características técnicas para os soldados do exército, em meio à crise no mercado editorial dos quadrinhos. Durante a Guerra do Vietnã, o volume de trabalho oferecido a Eisner era o suficiente para que ele pudesse sustentar sua casa e conquistar maior segurança financeira, porém, os movimentos antiguerra o faziam balançar sobre o que separava seus manuais voltados para o uso adequado do maquinário militar (que salvava vidas de soldados) com guias para executar inimigos. A experiência que Eisner viveu em Saigon, quando o exército norte-americano ainda ocupava grande parte do território do Vietnã do Sul, foi determinante ao mostrar-lhe o horror do campo de batalha real, uma vez que a experiência militar de Eisner ainda era muito limitada ao serviço burocrático e administrativo nos centros nervosos das Forças Armadas, dentro dos próprios Estados Unidos. Eisner estava passando por uma séria reavaliação sobre sua experiência com a produção para o Governo nesse sentido.

A grande mudança, porém, que o trouxe de volta para o ramo dos quadrinhos se deu em 1971. Convidado pelo organizador Phil Seuling para participar de uma convenção de leitores dos novos comix, revistas de linha independente com teor adulto e que eram distribuídas e vendidas em lojas de medicamentos farmacêuticos até então ilegais no país, e do material clássico publicado nas revistas e suplementos de quando seus pais eram crianças, Eisner demonstrou interesse em ver como o mercado estava se reestruturando diante da nova realidade da sociedade. Lá, ele conheceu o jovem editor Denis Kitchen, que viria a se configurar como um dos grandes nomes do quadrinho underground pelo seu trabalho diferenciado como editor do ramo (seu esquema de distribuição para as lojas, sua política de pagamento de royalties aos autores, além da devolução dos originais para os devidos responsáveis por eles e a manutenção particular dos direitos autorais). Juntos, Eisner e Kitchen chegaram a um acordo para republicar a saga do Spirit, aproveitando a onda de interesse dos leitores por conteúdos que transgredissem as normas vigentes nos quadrinhos das grandes editoras como a Marvel e a DC já o eram. Kitchen, que já publicava histórias de Robert Crumb, Harvey Kurtzman e Art Spiegelman, ficou extasiado de felicidade com a oportunidade de trabalhar com uma das lendas vivas do quadrinho na Era de Ouro como era Eisner (o pioneirismo de Eisner, inclusive, foi comentado também, aqui no blog), e este se viu animado em participar de uma nova etapa do mercado editorial de revistas, que passava por uma repaginação de forma estrutural e temática.

Denis Kitchen, em frente à entrada para a exposição de Will Eisner, na Rio Comicon de 2011
Poucos anos depois, Eisner acabou transferindo a publicação para a empresa do editor Joe Warren, a Warren Publishing, com quem já havia trabalhado mais de uma década antes e havia autorizado republicar algumas de suas histórias do Spirit na revista de humor ''Help!''. Comandado por W. B. DuBay, editor que já havia conhecido Eisner em uma entrevista de emprego para a ''P*S Magazine'', Eisner viu a publicação bimestral das histórias de Denny Colt decolar. Kitchen ficou levemente ressentido pela perda do título de Eisner, mas compreendeu a opção do autor por uma empresa que pudesse publicar seu conteúdo em formato mais adequado em termos de tamanho, distribuição nacional e qualidade técnica, além de que Eisner recusara a oferta da Marvel para lançar seu personagem pelas exigências de conteúdo inédito e as burocracias recorrentes em editoras de maior porte. A amizade dos dois se manteve e rendeu frutos para a indústria de livros e revistas em 1974, quando, além de tornar a ser a responsável pela publicação do Spirit, a Kitchen Sink deu vazão aos primeiros experimentos de Eisner com material novo, como ''The Spirit's Casebook of True Haunted Houses and Ghosts'', livro de prosa narrado pelo personagem clássico sobre histórias de teor sobrenatural e fantasioso, e ''The Invader'', história inédita criada por Eisner junto de jovens aspirantes a quadrinistas para o Spirit.


Em 1978, Eisner já dava aulas na School of Visual Arts, uma instituição em Manhattan dedicada às artes plásticas e comerciais, tinha seu próprio selo editorial, a Poorhouse Press, lançava regularmente material em torno do Spirit pela Kitchen Sink e conteúdo didático em quadrinhos pela Scholastic Books. Ainda assim, ele resolveu ir além da visão padronizada por quadrinhos e iniciou o mercado de graphic novels com ''Contrato com Deus'', material que carregava muita carga emocional do próprio autor em suas páginas acerca da perda de sua filha mais nova décadas antes (acontecimento que o marcou profundamente e que ele manteve em segredo até o lançamento, em 2006, de um volume especial incluindo esta obra e algumas outras de suas histórias passadas na Avenida Dropsie, no qual apresentou a sua experiência de perda pessoal de forma pública no prefácio deste). Publicada pela Baronet Books, após uma série de negociações editoriais, a obra revolucionou o mercado de quadrinhos apresentando-o ao universo literário presente nas livrarias. Passada a crise mercadológica experimentada pela obra com a dificuldade de sua categorização nos pontos de venda, os quais não sabiam se o colocavam entre as obras de cunho ficcional, aos materiais religiosos ou entre as revistas em quadrinhos tradicionais, o gênero revolucionou a indústria e apresentou uma vertente de potencial criativo que é observado e praticado com muito valor e qualidade até os dias de hoje.

A partir, então, da publicação do Spirit, que Eisner começou gradativamente a apresentar novas perspectivas que os quadrinhos ofereciam aos seus profissionais, com um uso mais qualificado dos elementos gráfico-textuais e posteriormente um desenvolvimento mais dedicado e profundo das histórias humanas apresentadas nos quadrinhos. A revolução da arte sequencial de Will Eisner se iniciou muito antes da sua cunhagem do termo, antes também do lançamento original da sua primeira graphic novel e antes, até, do amplo escopo potencial que a mídia oferecia em termos didáticos, contempladores e de entretenimento observado por Eisner. Tudo se iniciou na composição realista na qual formou seu único herói mascarado, muitas vezes mais coadjuvante das histórias que protagonista propriamente dito, mas sempre símbolo de justiça e luta pelos mais fracos.

O Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, irá realizar, em homenagem a essa data comemorativa dos três quartos de século do personagem de Eisner uma série de atividades no dia 15 de maio, a partir das 17h30. O evento contará com palestra, exibição de curtas e discussão com grandes nomes do meio gráfico como Carlos Patati, ávido estudioso da nona arte e roteirista; Ricardo Leite, designer responsável por produções de diversas frentes diferentes, desde capas de discos até a logomarca do Rio 450 anos; Marcelo Martinez, autor da capa da biografia ''Will Eisner - Um Sonhador nos Quadrinhos'' publicada em 2013 pelo selo Biblioteca Azul, da editora Globo; Marisa Furtado de Oliveira, diretora e produtora do elogiado documentário ''Will Eisner - Profissão Cartunista''; Heitor Pitombo, jornalista colaborador de diversas publicações acerca dos quadrinhos, entre elas, a revista ''Mundo dos Super-Heróis''; Esse Lobo, editor responsável pela antiga editora Barba Negra; e Roberto Ribeiro, diretor da Casa 21, que organizou as edições da Rio Comicon em 2010 e 2011 (ambas cuja cobertura completa pode ser conferida aqui no blog). Prevista para durar até o fechamento do Planetário, às 22h, o evento busca destacar o feito do personagem e as revoluções promovidas na mídia por seu criador. A entrada e o estacionamento serão gratuitos e o convite é estendido a todos os interessados em aprender um pouco mais da história dos quadrinhos e/ou admiradores da arte sequencial que queiram comemorar juntos essa marca tão especial. A página do evento no Facebook pode ser conferida aqui, e quaisquer dúvidas acerca dele podem ser esclarecidas por lá.


A quem mais tiver interesse de saber um pouco mais sobre o período entre 1940 e 1952 de Will Eisner a cargo do Spirit, vale conferir o interessante artigo de Michael Barrier, que pode ser conferido, em inglês, aqui.

domingo, 7 de dezembro de 2014

ComiCon XPerience: DIA 4

Por Gabriel Guimarães


Estande imenso dedicado ao épico escrito por J.R.R.Tolkien
O último dia da ComiCon XPerience iniciou bem cedo suas atividades. Com fila quilométrica de pessoas para conferir a pré-estreia do terceiro filme do épico da Terra Média "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos" e uma conversa exclusiva com o ator Richard Armitage, que interpreta o valente personagem Thorin Escudo de Carvalho, que começa a ser corrompido pelo poder sobre a montanha de seus ancestrais. Durante a execução dessa conversa e exibição ocorreram alguns problemas quanto à informação disponibilizada acerca do número de assentos disponíveis para o público. Conturbados, alguns fãs se sentiram desorientados, porém, a maioria demonstrou compreensão com o ineditismo do modelo de evento que está sendo realizado e procurou opinar com os voluntários sobre como a experiência poderia ser melhor conduzida nesse âmbito individual.


Uma amostra de que esses comentários estavam sendo levados a sério foi a mudança na organização dos ingressos de entrada para o pavilhão. Ainda que também encontrasse alguns problemas, a situação daqueles que estavam com o ingresso online adquirido em mãos puderam encarar uma fila bem mais ágil em relação ao dia anterior. Em contrapartida, aqueles que já estavam com o ingresso físico em mãos tiveram que esperar do lado de fora por tempo demasiadamente longo. Ainda que esse trabalho tenha sido ineficaz em termos gerais para autorizar a entrada do público, os organizadores do evento e responsáveis por esse serviço demonstram estar atentos aos visitantes e suas queixas, a fim de verdadeiramente aprimorar a experiência de todos os amantes da cultura nerd internacional.

Na área dos artistas, muitos quadrinhos independentes ganharam destaque, como "O Caminho", de Roberto Souza; "Justiça Sideral", de Deyvison Manes e Netho Diaz; "2X10" de Sam Hart e Will Sideralman; e "Pátria Armada", de Klebs Junior. No estande da editora Jupati, ainda foram lançados os livros  "Magias e Barbaridades - O Tomo de Edmund", de Fabio Cicconel, e "Logan Para Ler no Sofá", de Flávio Soares. Os autores de todo esse material estiveram presentes e autografaram várias edições para os visitantes interessados em conferi-los. Outros autores aproveitaram ainda o ambiente especializado para entregar seu conteúdo financiado pelos portais de crowdfunding àqueles que participaram do processo de captação do investimento necessário para a impressão de suas respectivas obras.

Deyvison Manes e Netho Diaz apresentaram em um estilo muito bem
acabado a primeira história impressa de sua webcomic "Justiça Sideral"

"A Ilha Proibida" foi um jogos que a Devir
convidou o público para jogar e conferir
No estande do curso Meliés, foi disponibilizado para as pessoas testarem o óculos de realidade virtual que tem atraído o interesse de muitos gamers ao redor do mundo. Com uma simulação de montanha russa, mesmo quando as pessoas estavam paradas, a sensação de movimento as fazia reagir de acordo com os estímulos do dispositivo, rendendo boas risadas. O estande da Devir contou também com jogos de tabuleiro novos da empresa, sendo disponibilizados para os visitantes poderem participar e conhecer um pouco mais da sua dinâmica. Com a recente procura por novos jogos de tabuleiro, o mercado tem se mostrado mais aberto aos novos títulos que unem a temática do clássico Role Playing Game com jogos clássicos.

Infelizmente, o dia foi terminando e com ele, se encerrou a primeira edição da ComiCon XPerience. Tendo oferecido ao público tantos momentos bacanas de interação com os profissionais e o conteúdo que tanto admiram, o evento foi um tremendo sucesso e, se Deus quiser, será o estandarte para marcar o início de uma nova fase da percepção do mercado sobre o interesse do público brasileiro nos conteúdos midiáticos nerds. Àqueles que puderam conferir o evento neste último dia, resta agora a saudade (que, porém, já conta com data certa para ser saciada - 3 a 6 de dezembro de 2015) e a certeza de que, em meio a tantos problemas vividos no Brasil, foi possível viver quatro dias de muita ação e diversão com pessoas interessantes e profissionais dedicados, algo que gerou incontáveis boas experiências para serem sempre lembradas. Encerro, então, a cobertura do evento com grande satisfação e nenhuma dúvida de que tudo que foi vivido na CCXP 2014 #FoiÉpico.
  

sábado, 6 de dezembro de 2014

ComiCon XPerience: DIA 3

Por Gabriel Guimarães




Conforme se esperava, o terceiro dia da ComiCon XPerience foi o mais especial até o momento. Com a aguardada presença de Maurício de Sousa, o evento aumentou o grau de proporção dos elementos que compunham os estandes e os painéis. O que estava sendo realizado em grande escala, ficou ainda maior, e o público que já era volumoso se multiplicou consideravelmente. Para administrar tanto, o evento apresentou alguns pequenos deslizes no que diz respeito ao acesso para quem chegava para conferir o pavilhão, carecendo de certas doses de paciência para encarar as constantes filas. Em contrapartida, o dia foi pleno de oportunidades para o público se conhecer melhor e ver algumas de suas grandes paixões ganharem vida em réplicas ou figurinos minuciosamente trabalhados pelo público de cosplayers.

NOTA: Apesar dos pormenores, vale destacar que os organizadores priorizaram o bom senso em relação ao lucro puro e simples para esse dia do evento, uma vez que restringiram o acesso ao São Paulo Expo para 25 mil pessoas, mesmo com uma capacidade oficial de 40 mil - dessa forma, o público presente não estaria enclausurado em um espaço lotado e as pessoas puderam caminhar entre os estandes e conversar com expositores e autores com maior tranquilidade. Poucos teriam tido esse cuidado com o valor da experiência dos visitantes, colocando, pelo contrário, como mais importante os rendimentos financeiros do projeto. Um agradecimento oficial é o mínimo que estes profissionais merecem pela boa administração desse fator.

Jovem Nerd tirando fotos com o público
Em um dia onde dois dos maiores portais de notícias e entretenimento do Brasil na internet finalmente se encontraram, o grupo de profissionais do Omelete e do Jovem Nerd provocaram grandes emoções nos seus muitos fãs. Recebendo o público com bom humor e descontração, Marcelo Forlani, Eduardo Borgo, Alexandre Ottoni e Deivi Pazos interagiram o dia inteiro com os fãs desde os corredores até o painel onde foram discutidas as expectativas para o próximo filme da série Star Wars. Tal como os demais paineis deste dia, entre os quais figuraram as próximas novidades da editora Marvel para o cinema com direito a vídeo direto para a CCXP gravado pelo diretor e roteirista Joss Whedon, a lotação do auditório foi praxe.

O estande de Star Wars também foi destaque com cosplays e réplicas perfeitas
Durante o painel da Marvel, um fã brasileiro conquistou, ainda, uma premiação desejada por todos os presentes - ao acertar todas as gemas do Infinito utilizadas por Thanos para enfrentar os heróis da editora nos quadrinhos, este ganhou uma viagem para a premiére do filme "Os Vingadores 2 - A Era de Ultron" em Londres, além de contar com o acesso para conhecer todo o elenco de frente. Outras atividades também ganharam destaque, como a oficina de roteiro com o americano Scott Snyder e um panorama do trabalho editorial com histórias em quadrinhos no Brasil com Sidney Gusman, além de um debate muito interessante realizado no estande da editora JBC com Guilherme Kroll, Cassius Medauer e Fabiano Denardin acerca da publicação de mangás no país.

Maurício recebe placa comemorativa
Entretanto, um dos grandes assuntos do dia foi a homenagem ao quadrinista Maurício de Sousa, que chegou incógnito ao evento com uma máscara de Coringa e apenas se revelou no momento em que foi requisitado. Tendo colaborado com parte fundamental para a história da arte sequencial brasileira, Maurício teve ainda a oportunidade de ver o público criar filas enormes para adquirir os recentes lançamentos da série Graphic MSP com seus personagens de tantas décadas. Danilo Beyruth, Cris Peter, Eduardo Damasceno, Lu  e Vitor Caffagi e Gustavo Duarte, dentre os já publicados autores nessa linha, estiveram presentes para autografar as edições levadas pelo público, que também já teve a oportunidade de conhecer os autores que estarão lançando os volumes seguintes dos personagens de Maurício, como Paulo Crumbim (que fará o "Penadinho" juntamente com sua esposa Cristina Eiko) e Roger Cruz (que substituiu Greg Tocchini na arte da "Turma da Mata").

O evento teve algumas notas negativas em termos de visitantes que pareciam alheios a normas de bom convívio e educação em sociedade, algo que não havia sido tão observado nos dias anteriores, entretanto, esse elemento é quase uma nota de rodapé em meio aos tantos elogios e bons momentos apresentados ao público verdadeiramente dedicado que lá esteve presente. Afinal de contas, #EstáSendoÉpico