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sábado, 30 de janeiro de 2016

O Fim de Um Ciclo

Por Gabriel Guimarães


Realmente foi uma grande jornada desde Setembro de 2008 quando eu criei esse blog para expandir meus estudos sobre Histórias em Quadrinhos, conforme eu dava meus primeiros passos na graduação acadêmica e, pela primeira vez na vida, me sentia livre para aprofundar meu interesse e paixão pela arte sequencial. Nos quase oito anos de lá para cá, minha vida passou por uma série de determinantes mudanças que influíram direta ou indiretamente na produção e gestão de conteúdo aqui no blog. Eu concluí a faculdade, escrevi e publiquei meu primeiro livro de ficção, viajei para fora do Brasil pela primeira vez, perdi pessoas muito queridas, mas, em contrapartida, conheci muitas pessoas incríveis, das quais várias dividiam comigo a paixão por essa narrativa gráfico-textual que me motivou pra começo de conversa.

Um período de grande crescimento e aprendizado, em essência, foi o que me proporcionou toda essa experiência, tirando algumas noções não tão inocentes quanto leigas que eu tinha quando dei meus primeiros passos no estudo da história, do cotidiano e do potencial dessa mídia, e colocando em seu lugar uma perspectiva mais realista e analítica. O maravilhamento inicial que eu tinha não sumiu, de forma alguma, mas se transformou, adquiriu novas formas e passou a se apresentar de uma maneira diferente daquelas a que eu estava acostumado.

Muito por essa razão, eu oscilei em diversos momentos, postergando pautas devido a uma estafa ocasionada pelo sentimento de obrigação atribuído à necessidade de me manter a par daquilo que ocorria no mercado editorial de quadrinhos e pela cada vez mais escassa pausa para curtir de verdade os materiais dessa mídia que eu tanto amei e ainda amo. Para que a qualidade das matérias não fossem afetadas, eu optei por publicá-las de forma mais gradual, primando sempre por ter o que falar e saber exatamente sobre o que eu estava falando. Cada matéria publicada aqui foi fruto de muita pesquisa, dedicação, tempo e suor, sempre na esperança de apresentar um conteúdo agradável e instigante sobre o cenário da nona arte, tanto no Brasil quanto no mundo afora.

O mês de Janeiro de 2016 foi bastante significativo para mim porque eu, após muito tempo com um grande projeto para revitalizar o Quadrinhos Pra Quem Gosta e retomar o prazer em produzir material de qualidade para um público naturalmente exigente e bem instruído, enfim pude dar forma à próxima etapa dessa jornada de aprendizado e troca com o mercado dedicado da arte sequencial. Para tanto, porém, é necessária uma mudança significativa que pode inicialmente causar espanto aos que me acompanharam aqui com tanto afinco e me dedicaram seu tão valioso tempo e inestimável atenção. Eu quero anunciar, portanto, o encerramento das atividades do BLOG Quadrinhos Pra Quem Gosta.

"Para Não Dizer Que Não Falei de Quadrinhos"
Apesar de ser uma medida drástica, eu acredito que será um passo necessário para as próximas etapas que estão por vir. Eu me sinto muito abençoado por Deus por todo esse tempo que partilhamos aqui e, naturalmente, espero poder contar com a companhia de vocês nessa nova fase, principalmente através do primeiro anúncio oficial que quero trazer a todos neste dia 30 de Janeiro, data dedicada à comemoração do Quadrinho Nacional. Eu declaro, aberto ao público, o acesso ao novo SITE do Quadrinhos Pra Quem Gosta, repleto de conteúdo inédito preparado especificamente para esse lançamento e resultado de um mês dedicado a trazer uma qualidade ainda maior ao conteúdo que eu normalmente trago para todos os meus queridos leitores e leitoras.

http://www.quadrinhospraquemgosta.com.br/

O NOVO Quadrinhos Pra Quem Gosta visa oferecer uma produção mais ágil de matérias, separadas por segmentos específicos para facilitar o acesso ao arquivo de postagens, e aproximar ainda mais o público da realidade por trás da mídia dos quadrinhos. Convido todos a conhecerem nossas novas instalações e compartilhar conosco todo e qualquer comentário para que possamos atender sua curiosidade e sugestões da melhor forma possível. Sei que é uma nova realidade a qual todos vão ainda se acostumar, mas tenho certeza de que este será o início de mais uma grande aventura, então, os espero lá!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

#ForçaCadu

Por Gabriel Guimarães




Ao final da 9ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, grande parte dos profissionais da arte sequencial brasileira foi pega de surpresa com a declaração dada pelo roteirista Cadu Simões, de que aquele tinha sido seu último FIQ e que, após a CCXP de 2015, ele não mais estaria presente nos eventos de quadrinhos. Ele informou a todos o desgaste físico e financeiro que essa intermitente jornada estava lhe provocando e o fato de que ultimamente isso vinha agravando seu estado de saúde, já debilitado nos últimos tempos, estava começando a ser demais para ele conseguir carregar.

Cadu começou a gerar um impacto na indústria de quadrinhos quando, na primeira década do século XXI, fundou, junto de colegas admiradores da arte sequencial, o grupo Quarto Mundo. Responsáveis por uma grande leva de material nacional que não encontrava tantas aberturas para entrar no mercado editorial brasileiro, o grupo marcou presença em eventos como o FIQ e a Rio Comicon, sempre carregando o estandarte dos autores nacionais e buscando conscientizar o público de que havia, sim, conteúdo de qualidade sendo produzido por autores brasileiros voltados para o mercado nacional. Ávido interessado por história e mitologia, Cadu criou aventuras com criaturas da antiguidade em sua webcomic "Nova Hélade" e foi o pai do personagem Homem-Grilo, que parodiava as produções americanas e chegou até a realizar um crossover com os personagens do site MDM. Em 2012, o grupo se encerrou, mas deu lugar a um novo coletivo concentrado em publicar de forma regular títulos de quadrinhos na internet, o portal Petisco. Cadu continuou firme na produção de histórias por lá e manteve-se sempre presente nos eventos, estimulando novas gerações de artistas brasileiros a darem um pontapé inicial em suas carreiras.

O Misterioso Mistério dos Quadrinhos Carcomidos – Capa
Homem-Grilo e a equipe dos Melhores do Mundo
em aventura conjunta, disponível no site do personagem
Há cerca de dois anos, contudo, ele foi diagnosticado com Artrite Reumatóide, que é uma doença autoimune e degenerativa. É um tipo de reumatismo, uma disfunção do sistema imunológico, que, em vez de proteger, começa a atacar as células do próprio corpo. No caso dessa doença, especificamente, o ataque se foca nas células que compõem os tecidos das articulações, ligamentos, tendões, cartilagens, músculos, etc, causando atrofiamento e perda progressiva da mobilidade, sobretudo das pernas e dos pés, dos braços e das mãos, e do quadril. Além disso, devido à disfunção do sistema imunológico, o risco de contrair outras doenças (sobretudo infecções bacterianas e viroses) aumentam. O olho esquerdo do roteirista já sofreu uma catarata que praticamente debilitou sua visão pela metade e, em função dos atrasos que seu plano de saúde, configurado justamente para ajudá-lo nesse momento complicado, está provocando, Cadu receia que precise amputar uma de suas pernas.

A Vakinha vai ajudar Cadu com os
custos de seu tratamento
Em resposta quase que imediata a essa informação, o roteirista e parceiro de longa data de Cadu nos selos Quarto Mundo e Petisco, Daniel Esteves, começou uma campanha no site Vakinha para que amigos e colegas de profissão pudessem colaborar com os custos de alguns dos tratamentos aos quais o quadrinista precisará se submeter. Uma vez que ele não está conseguindo receber o suporte de que precisa e a doença está tornando mais difícil ele pegar tantos trabalhos freelance quanto fazia antes, aqueles que foram tocados ou marcados pelas histórias ou pela própria pessoa do Cadu estão se mobilizando para que ele receba os cuidados necessários.

Muitos quadrinistas já começaram a participar, disponibilizando, inclusive, obras autografadas em leilões para reverter a arrecadação para a causa, como foram os casos dos desenhistas André Diniz, Fábio Moon e Flávio Luiz. O organizador principal do FIQ, Afonso Andrade, também se prontificou a oferecer camisas do evento para os primeiros que doassem mais de R$200,00, além de estar separando materiais para leilão também. A meta, nesse presente momento, já foi alcançada e até superada, contudo, os custos médicos no Brasil são reconhecidamente elevados e qualquer requisição nova de exames ou tratamentos pode ser deveras onerosa, ainda mais para a situação limitadora que a doença tem provocado ao roteirista.

O site do roteirista, onde ele posta atualizações de seus projetos, pode ser conferido neste link, e a página do portal Vakinha para ajudar nessa causa, pode ser encontrado aqui.

Sites como o Universo HQ, o Terra Zero e o MDM também já se prontificaram a divulgar o projeto, e nós do Quadrinhos Pra Quem Gosta, queremos levar isso ainda mais além. Os três primeiros doadores a colaborarem com o projeto com um valor de R$100,00 e nos contatarem pelo e-mail quadrinhospraquemgosta@ymail.com, com o comprovante do depósito, vão receber em casa uma cópia autografada do livro "Projeto Platão", do nosso editor-chefe, Gabriel Guimarães. Queremos, então, mais uma vez reforçar nossos votos de melhora e força para nosso querido parceiro Cadu Simões, e que este projeto possa ser um pequeno gesto do quanto sua amizade nos é valiosa. Estamos junto contigo nessa jornada. #ForçaCadu

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Novas Mídias para o Quadrinhos Pra Quem Gosta

Por Gabriel Guimarães


Às vésperas do início do próximo evento internacional da indústria de entretenimento a ser realizado no Brasil, a ComiCon XPerience, o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta tem o orgulho de anunciar o projeto de sua expansão, a fim de oferecer uma cobertura mais completa e minuciosa acerca dos eventos nos quais a nona arte toma parte. Para tanto, foram criadas páginas específicas em outras duas redes sociais para agregar mais valor visual ao conteúdo que constantemente postamos aquipara vocês.

Apesar de já estarem no ar há algumas semanas, declaramos hoje oficialmente inauguradas as páginas do Quadrinhos Pra Quem Gosta no Instagram e no Tumblr, que podem ser conferidas aqui e aqui, respectivamente. Com o propósito de oferecerem um acompanhamento de eventos simultaneamente ao seu desenrolar, estas duas novas páginas servirão como fonte de reforço para os leitores que já conhecem nosso padrão de qualidade no que tange às informações colhidas e apresentadas nas matérias daqui, e também para atrair novos admiradores da arte sequencial que não nos conheciam até então.

A ComiCon XPerience, contudo, não é exclusivamente a razão de nossa nova arrancada em termos de compor uma estrutura informacional eficiente e participativa, mas é o catalisador de mudanças pelas quais já pretendíamos passar no blog há algum tempo. Com essas novas ferramentas, poderemos estar mais ativos junto à comunidade dos leitores de quadrinhos e, ao mesmo tempo, oferecer àqueles que não se encontram em condições de conferir esses acontecimentos pessoalmente a oportunidade de conferir O QUÊ está acontecendo NO MOMENTO em que está acontecendo. Isso não quer dizer que estaremos transmitindo dados o tempo todo, mas estaremos procurando os meios para viabilizar uma maior participação dos nossos queridos leitores dentro do espectro em que a ética editorial nos permitir.

A partir da próxima quinta-feira, dia 4 de dezembro de 2014, terá início nossa cobertura do evento em São Paulo, e esperamos contar com a presença maciça dos verdadeiros admiradores da arte sequencial tanto no Centro de Convenções dos Imigrantes, onde ocorrerá a ComiCon XPerience, quanto nas nossas novas páginas na rede. Querendo esclarecer quaisquer dúvidas ou sugerirem algumas pautas ou tópicos de interesse geral, estamos mais do que abertos a atendê-los, agora de forma mais eficiente que nunca.

Gostaríamos, desde já, de agradecer o apoio contínuo dos leitores do Quadrinhos Pra Quem Gosta, e avisar que mudanças maiores ainda estão por vir. Aguardem sempre boas novas no que nos diz respeito!

#partiu   #ComiXperiencia   #VaiSerÉpico


sábado, 6 de outubro de 2012

Por Você, Teria Mais Herdeiros que um Coelho

Por Gabriel Guimarães

 
Há 49 anos, inspirado na sua filha que carregava um bichinho de pelúcia de um lado para o outro da casa, o paulista Maurício de Sousa criou a mais célebre das personagens dos quadrinhos brasileiros. Se enturmando fácil, apesar de seu temperamento arredio, com sua preexistente turminha de personagens, dentre os quais, se incluía um certo garoto travesso de poucos fios de cabelo, a personagem foi adquirindo contornos mais suaves e entrando calmamente no coração de todo jovem brasileiro, independente de que região do país morasse.
 
Seguranças estiveram presentes para assegurar
que a comemoração corresse da melhor forma possível
Se tornando representante da UNICEF em 2005, a Mônica se consagrou como uma marca que já vinha de uma estratégia bem sucedida mundialmente. Presente em dezenas de países e expandindo a quantidade de produtos com a sua marca oficialmente licenciada, as histórias do bairro do Limoeiro ganharam uma dimensão muito maior do que, acredito, fosse originalmente o sonho de Maurício. Porém, frente à realidade que se apresentava para os quadrinhos brasileiros no novo século que se iniciava e observando o sucesso avassalador do estilo de quadrinhos japonês, ele decidiu dar o próximo passo para tornar seus personagens inesquecíveis: Ele os fez crescer.
 
Resultado de muita pesquisa mercadológica e trabalho dos muitos e excelentes profissionais dos estúdios MSP, em 2007, Maurício lançou com a parceria da editora Panini e sob o olhar atento do editor Sidney Gusman e milhões de leitores fiéis, a nova versão de seus personagens, que haviam passado da infância para a adolescência conforme qualquer pessoa real faria. E tudo mudou.
 
O público compareceu em massa para o evento
O mercado se revelou mais aberto do que se imaginava com uma empreitada cuidadosa como foi feita por Maurício, diferente, por exemplo, do que aconteceu no caso da "Luluzinha Jovem", que não conseguiu atingir o público desejado pela falta de identificação. A "Turma da Mônica Jovem" mostrou uma preocupação enorme com os consumidores clássicos, e uma forma de divulgação extremamente efetiva e nova, a partir dos meios eletrônicos disponíveis ao produtor e ao leitor de hoje. Tendo maior retorno do público, os personagens da turminha ficaram mais fáceis de serem relacionados às suas versões clássicas, que permaneceram sendo publicadas em prol dos clássicos fãs da série e dos leitores mais novos, que, muitas vezes, começavam a dar seus primeiros passos na leitura folheando com destaque as revistas de Maurício e companhia.
 
Como qualquer história onde os personagens crescem, é natural que o mundo ao redor deles também cresça, ganhando tons e dimensões antes não tanto abordados. A tecnologia e a narrativa com que eram produzidas as revistas passaram por uma grande revisão e os leitores responderam de forma altamente positiva. Além de ter permitido ao título o reconhecimento de revista de maior tiragem no mundo inteiro no ano passado (a edição 34, que foi comentada aqui no blog, na época, chegou à tiragem de 500 mil exemplares, superior à primeira edição da nova versão da Liga da Justiça, que chegou à casa dos 300 mil), proporcionou aos próprios personagens uma nova forma de relacionamento, mais íntimo e instigante.
 
O casal de ouro dos quadrinhos brasileiros, enfim, pode dar seus primeiros passos oficiais, ganhando o coração de todos e alavancando uma avalanche de tanto jovens quanto velhos leitores às bancas de jornal e lojas especializadas. Mônica e Cebola (novo nome ao qual o personagem clássico de Maurício agora responde) se comprometeram a estar sempre juntos e, na edição deste mês, num salto temporal de mais 10 anos no futuro dos personagens, os dois se uniram até que a morte os separe.
 
Ainda que não seja um fator que afete diretamente as histórias da linha cronológica atual da turma jovem, a edição representou um marco para a história dos personagens feitos pelo MSP. Como um casamento é motivo de comemoração e alegria incondicionais no mundo real como na fantasia, logicamente, um evento deste porte não poderia ter passado em branco, e o pai da noiva (compreenda aqui com ou sem aspas, conforme quiser), recebeu ao todo mais de duas centenas de leitores na livraria FNAC de duas das maiores capitais do país, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a fim de autografar a edição comemorativa e oferecer a todos a chance de conferir detalhes do casório que, mais importante e significativo do que é para todos nós, certamente é para ele. Réplicas dos anéis usados pelos personagens, ao lado do buquê que teria sido utilizado na cerimônia são apenas dois dos detalhes disponibilizados. A mesa com doces temáticos e o painel para fotos do público com os noivos, apenas mais um elemento no dia. O principal, porém, era a festa, a alegria compartilhada, o sorriso impresso no rosto de cada um dos convidados ali presentes. Fossem estes conhecidos publicamente, como a autora Thalita Rebouças, que compareceu ao evento no Rio de Janeiro, ou muitos dos ainda infantis e puros jovens de coração doce. A festa ali era para todos, e o evento em si que motivou tudo isso, jamais será esquecido.
 
Maurício abraça Thalita Rebouças no evento de
comemoração no Rio de Janeiro
Por todas essas e muitas outras razões, o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta e toda a sua equipe deseja a mais sincera felicidade e um abraço muito apertado para o grande criador de tudo isso, o padrinho dos quadrinhos brasileiros, e possivelmente, até do casamento em si mesmo, Maurício de Sousa. E que este evento seja apenas um dentre a enorme quantidade de  momentos maravilhosos da história recente da turminha, que revela a cada edição ter um futuro mais e mais brilhante. Obrigado a todos, e que sejam felizes para sempre. Parabéns! 

domingo, 15 de abril de 2012

Dia Mundial do Desenhista

Por Gabriel Guimarães



Certa vez, o poeta americano Robert Penn Warren afirmou que "os homens vivem pelas imagens. Elas se oferecem a nós das paredes do mundo e do tempo". Observando a cultura pré-histórica e os estudos arqueológicos dos últimos séculos, a declaração de Warren tem uma grande correlação com a realidade. Através do tempo, o uso de imagens como forma de expressão e consumo cultural e/ou material foi uma das atividades mais realizadas pelo homem, como se o ato de explicar por traços que simbolizam a realidade estivesse sempre dentro da essência de nossa própria humanidade.

Pinturas rupestres das cavernas onde
os primeiros homens habitaram
A relação dessa natureza fundamental do 'narrar' por imagens pode ser muito bem estudada nos livros de história antiga, e sua ligação com a arte sequencial das histórias em quadrinhos corriqueiramente lidas não tardou muito em aparecer. Através de estudos de grandes quadrinistas como Will Eisner e Scott McCloud, majoritariamente, é fácil perceber as nuances entre a primeira forma usada para comunicação efetiva na história da humanidade e o meio de comunicação de massa assumido em 1895 no jornal "New York World", sob a autoria do americano Richard Outcault, apesar de haverem alguns precursores muito interessantes que merecem destaque, como o sueco Rodolphe Töpffer, o alemão Wilhelm Busch e o ítalo-brasileiro Ângelo Agostini.

Imagem da Times Square, área mundialmente
conhecida de Nova York por seus banners
O desenho está na área mais profunda de nossa essência, pois nada mais o alfabeto é que imagens desenhadas para representar sons, e sem a língua escrita, jamais poderíamos construir uma sociedade e manter relações entre indivíduos diferentes. Tal afirmação pode soar como uma extrapolação do sentido de desenhar, mas creio que serve devidamente para enfatizar a ordem de importância do desenho na realidade. Num mundo onde hoje a comunicação visual se expandiu para todos os lados, muitas vezes provocando até uma poluição mental e dificuldade de concentração, o desenho nunca esteve tão presente e a comunicação através de imagens nunca foi tão comum e fundamental como é agora. Ziraldo afirmou, em uma entrevista dada há alguns anos, que "as histórias em quadrinhos tem o ritmo que o Século XXI exige", oferecendo assim ao leitor uma forma de adquirir novos conhecimentos e dominar novos conteúdos de forma a ter uma assimilação mais rápida e de fácil identificação.

Neste dia 15 de abril, então, nós, do blog Quadrinhos Pra Quem Gosta, gostaríamos de parabenizar todos os muitos e dedicados profissionais da arte do desenho, seja para fins narrativos ou mesmo meramente expressivos, pelo dia mundial do desenhista. A arte com a qual cada um de vocês preencheu nossas vidas tornou tudo em nós mais belo e gerou por si só dimensões de significado que muitas vezes não foram sequer imaginadas por seus autores. A vida construída a partir da arte nunca é fácil, a batalha pelo reconhecimento e valorização é árdua e duradoura, precisando muitas vezes ser travada continuamente, rompendo barreiras e conceitos previamente estabelecidos. Porém, foi nessa área que grandes homens imortalizaram seu legado para nossa espécie. Desde a pintura renascentista até a atual arte narrativa dos comerciais, o desenho foi uma grande ferramenta de mudança. Paradigmas, conceitos e até governos ruíram ou se erigiram a partir das imagens, e assim continuarão, enquanto durar nossa existência.

Vitor Cafaggi em destaque, autografando
edição de "Pequenos Heróis" na Rio Comicon 2010
Nos quadrinhos, grandes nomes ficaram marcados na história do gênero por suas contribuições. O próprio Eisner, que realizou alguns dos principais estudos acerca do cerne no qual a arte sequencial se baseia (termo, inclusive, o qual ele teve total autoria), é um forte exemplo disso, além de muitos outros mestres do traço, como os hábeis John Buscema e Jack Kirby, o despretensioso porém marcante Bill Waterson, os desinibidos Milo Manara e Guido Crepax, o imaginativo Jean Giraud (que já foi tema de matéria aqui no blog antes), o eficiente Milton Caniff, o realista Alex Ross, ou mesmo no campo brasileiro, no traço cheio de narrativas em sua estrutura do paraibano Mike Deodato Jr, a pureza do mineiro Vitor Cafaggi, o sensível e romântico paulistano Mário Cau, o peculiar e absorto carioca Lourenço Mutarelli, e os poéticos e gênios gêmeos, também de São Paulo, Fábio Moon e Gabriel Bá, entre tantos outros, sem contar o grande padrinho dos quadrinhos nacionais, que foi tema citado na última matéria do blog, o paulistano Maurício de Sousa.

Mário Cau, em frente a uma de suas histórias, cuja
narração é feita de forma linear porém dando liberdade
ao espectador de construir sua própria compreensão da obra

A todos os grandes companheiros de quadrinhos, deixo as mais sinceras congratulações e o desejo por um futuro cada vez melhor, com mais reconhecimento e mercado para suas grandes obras de arte, que tornam-se nossas também ao assumir um canto muitas vezes esquecido dentro de nossos corações, o campo do imaginário e da emoção. Se o ditado "uma imagem vale mais que mil palavras" tivesse qualquer porção de acertividade, através dos trabalhos de vocês pudemos ouvir suas almas cantarem as mais belas árias e atentar para as mais questionadoras exposições do mundo social em que vivemos. Porém, acredito que a palavra tenha igual valor à imagem e, portanto, gostaria também de deixar sinceros votos de alegria e realização para os autores de roteiros e peças escritas, que inundam nosso imaginário das imagens que pretenderam construir.

Grupo de quadrinistas da revista "Beleléu",
reunidos para desenhar suas histórias

Fica, então, um grande agradecimento a todos por suas colaborações singulares e de valia inestimável para a vida de cada um de seus espectadores e/ou "leitores". Parabéns pelo dia do desenhista a todos, e que a arte que os guia possa sempre render-lhes novas experiências tanto dentro quanto fora de vocês mesmos e para cada um de nós também. Parabéns!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

No Dia Nacional dos Quadrinhos, Quem Vai Ganhar Presentes Vai Ser Você!

Por Gabriel Guimarães


No final do ano passado, foi afirmado através das redes sociais que, caso o blog Quadrinhos Pra Quem Gosta alcançasse a marca de 100 (cem) matérias no ano, seria realizado uma nova promoção com o objetivo de premiar os nossos muitos leitores, que ajudaram no crescimento da proposta do blog, que visava levar as histórias em quadrinhos para uma discussão entre os verdadeiros amantes da arte sequencial com único intuito de auxiliar no maior reconhecimento deste enquanto meio de comunicação. Uma vez que este objetivo foi atingido no dia 31 de dezembro de 2011, é com grande orgulho que anuncio o segundo evento do blog, o "Quadrinhos Pra Quem Gosta no Dia do Quadrinho Nacional".

Para participar é simples, basta curtir nossa página no Facebook, que pode ser encontrada aqui, seguir o twitter no blog, @QuadrPraQmGosta, e retwitar o seguinte: "No Dia Nacional dos Quadrinhos, quem ganha presentes do Quadrinhos Pra Quem Gosta é você! http://kingo.to/XXo #QuadrinhosPraQuemGosta" até o dia 30 de janeiro, quando, além de ser comemorado o Dia Nacional dos Quadrinhos, também será realizado, via twitter, o sorteio dos seguintes prêmios:

Livro "Os Passarinhos e Outros Bichos", autografado pelo autor Estevão Ribeiro;

Livro "Reféns", autografado pelo autor Rafael Neves;

Livro "Intempol: Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira", de Octavio Aragão e Manoel Ricardo, autografado pelo autor Octavio Aragão (NOVO);

Encadernado "Coleção DC 70 Anos: As Maiores Histórias do Lanterna Verde";

DVD "Superman - Um Pedacinho de Casa";

DVD "A Morte do Superman";

DVD "Superman/Batman - Apocalypse";

A participação é livre para todo o território nacional brasileiro, e a entrega posterior dos prêmios será feita mediante agendamento de entrega por mensagem particular com cada um dos respectivos vencedores, por twitter e/ou e-mail. Quanto maior a divulgação feita da promoção, maior a sua chance de conseguir um desses grandes prêmios. Não deixe de participar desta!

Em caso de dúvida, sintam-se livres para enviar mensagens para o nosso twitter, que responderemos a todos conforme for possível. Fiquem atentos para qualquer novidade da promoção pelas redes sociais, e, mais uma vez, boa sorte a todos!





 
















sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012!

Por Gabriel Guimarães
 
Pequim, já comemorando a virada do ano

O ano de 2011 foi cenário de muitas alegrias e conquistas para o ramo das histórias em quadrinhos. Vivemos emoções intensas, muitos encontros e pudemos observar grandes parcerias sendo firmadas que deram novo fôlego ao mercado editorial brasileiro. Conforme foi destacado nas últimas matérias do blog aqui, aqui e aqui, o ano foi muito especial, e seu papel desempenhado na luta pelo reconhecimento da arte sequencial enquanto meio de comunicação e objeto de arte, imprecindível.

Em 2012, haverá ainda muito que se prestar atenção no mercado de quadrinhos. Seja nas futuras publicações, já confirmadas pelas editoras, como são o caso do lançamento da história "Habibi", do americano Craig Thompson, que ficou conhecido pela sua bela graphic novel "Retalhos", pelo selo Quadrinhos na Cia., da editora Companhia das Letras, ou então a enfim publicação no território brasileiro de uma das HQs argentinas de maior sucesso, "El Eternauta", da dupla Francisco Solano López (que já foi tema de matéria aqui no blog) e Hector German Oesterheld, pela editora Martins Fontes. Lançado originalmente entre 1957 e 1959, a criação da dupla argentina era uma forma de crítica ao regime político que assolava o país na época, e a figura do personagem principal da trama acabou se tornando uma referência para movimentos sociais, sendo possível até hoje encontrar algumas representações do protagonista em pichações ao redor de Buenos Aires. O material levou mais tempo do que deveria para ser lançado aqui, e apesar do atraso deste, que deveria ter sido feito ainda este ano, ano que vem promete chamar a atenção dos leitores brasileiros de quadrinhos.
  
No campo do cinema, estarão disponíveis diversas opções, como o aguardado longa do belga "Tintin", que já foi lançado na Europa e nos Estados Unidos, mas aqui só estará em exibição nas salas de cinema a partir da segunda metade de janeiro. Haverá também filmes que estão gerando burburinho constante da comunidade de leitores há algum tempo, como é o caso dos "Vingadores"; a terceira e final parte da trilogia do Batman sob a batuta do diretor Christopher Nolan; a reformulação do "Espetacular Homem-Aranha" nos cinemas; além de animações muito interessante, como "Brave", da Disney/Pixar, a quarta parte da série "Era do Gelo", dos estúdios Fox, além de muitas outras. Tal qual esse ano nos trouxe boas experiências no quesito de adaptações, 2012 nos reserva muito mais.


Para o ano que vem, há muita expectativa para uma continuidade do apoio aos quadrinhos no Brasil, então, cabe a nós realizarmos nossos papéis com o máximo de empenho que pudermos, enquanto manter a atenção aos incentivos dados pelos governos estaduais para a produção de mais material de qualidade com o cunho da identidade verdadeiramente brasileira em quadrinhos. Fica aqui, portanto, um desejo sincero a todos os bons leitores do blog Quadrinhos Pra Quem Gosta para que todos tenham uim 2012 repleto de emoções e grandes vitórias! Que haja maior atenção a programas como o ProAc e ao apoio governamental para organização de eventos sobre quadrinhos, como foi a FIQ, em Belo Horizonte. Por fim,:

FELIZ 2012!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Recomendações de 2011

Por Gabriel Guimarães


Resumir o ano de 2011 a dez publicações que supostamente se destacaram em qualidade sobre as outras parece um pouco frio demais, considerando o crescimento impressionante dos quadrinhos no país ao longo deste ano, fato que será melhor abordado em matéria específica nos próximos dias. A fim de evitar um favorecimento ou mesmo denegrir de alguma forma algumas destas publicações feitas este ano, optamos por uma política um pouco atípica.

Para manter nossa imparcialidade e permitir ao leitor poder tirar suas próprias conclusões acerca do material avaliado, a matéria de hoje visa apenas apontar histórias em quadrinhos dos mais diversos gêneros que foram conferidos ao longo deste ano e que podem vir a ser interessantes de serem conferidos, sem com isso ter qualquer preocupação por uma ordem de grandeza ou mesmo uma limitação numérica. Com isso, pretendemos abrir para o seu próprio julgamento das obras, leitor, sem criar de forma prematura um pré-conceito sobre esse material, seja este num sentido bom ou ruim. Nosso único objetivo é estimula-lo a procurar novas leituras, novas emoções, transmitidas através de páginas de diferentes formatos, texturas e cores. Porque no final das contas, a sua opinião é a que mais conta.

Vamos então às nossas recomendações. Conforme já foi ressaltado em matéria anterior aqui no blog, decidimos começar a lista desses bons quadrinhos com obras cuja temática se encontra justamente ao redor da questão sobre ser bom. A brasileira "Morro da Favela", originada da parceria entre o fotógrafo Maurício Hora e o desenhista André Diniz, e a americana "Koko Be Good", obra de estreia no formato impresso na quadrinista Jen Wang, são obras que chamaram muito a atenção nas livrarias este ano. Contando com narrativas sensíveis e utilizando dos recursos disponíveis aos seus contextos sócio-econômico-culturais respectivos, essas duas obras foram muito bem recebidas por público e crítica, e não poderiam deixar de serem recomendadas para quem ainda não teve a oportunidade de conferí-las.

Numa linha de raciocínio similar, porém, focada na jornada pela proteção de sua prole frente uma ameaça que evolui gradativamente, a história "Três Sombras", do francês Cyril Pedrosa, que já trabalhou no passado em animações como "O Corcunda de Notre Dame" para a Disney, apresenta uma narrativa interessante sobre até onde um pai iria e do que abriria mão para salvar seu filho. Cercado de magia e terras estranhas, a história apresenta um suspense incomum para seu estilo sutil de desenho, apesar disso, seu agregado funciona e rende uma boa trama fantasiosa sobre um aspecto importante da vida: a forma como se lida com a morte. Curiosamente, este mesmo elemento encontra-se em destaque em outra das obras que valem ser mencionadas aqui nas nossas recomendações: a HQ "Daytripper", dos gêmeos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá. Publicada originalmente nos Estados Unidos, onde ganhou inclusive o prêmio considerado o Oscar dos quadrinhos, o Eisner Award (na época da indicação ao prêmio, o blog comentou sobre esse feito da dupla brasileira aqui), a história ambientada no Brasil visa expôr aos leitores os diferentes momentos vividos pelo protagonista da história, o escritor de obituários e proeminente romancista Brás de Oliva Domingos. Com uma sutileza ímpar e detalhismo narrativo impressionante, a história entra no questionamento mais importante da vida como um todo: quais são seus momentos mais importantes, e que efeitos eles têm de fato sobre a formação de cada um de nós. Vivendo e morrendo em cada instante de inflexão, Moon e Bá dão ao leitor uma obra capaz de se tornar memorável e inesquecível.

Visando destacar obras que atingem esse patamar, um outro livro lançado este ano nos Estados Unidos, que deve ter uma edição nacional provavelmente publicada aqui no ano que vem, merece ser destacado. "1001 Comics You Must Read Before You Die", organizado pelo estudioso de quadrinhos Paul Gravett e que conta com a colaboração de dezenas de dedicados participantes ao redor do mundo, desde a Europa até a Ásia, contando também com o Brasil, é um livro extremamente bem trabalhado. Com uma quantidade de páginas extremamente pomposa e um acabamento bem diagramado e organizado, o livro, apesar de não ser uma história em quadrinhos em si, merece receber a devida atenção nas nossas recomendações. Um dos poucos deslizes que deixaram a desejar, porém, foi o esquecimento da obra do ítalo-brasileiro Angelo Agostini, feito ainda no século XIX como um dos precursores dos quadrinhos, ao lado do alemão Wilhelm Busch e do suíço Rodolphe Töpffer. Para citar a obra desse grande artista, vale citar, então, o livro teórico "Angelo Agostini - A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910", feito pelo historiador Gilberto Maringoni e publicado pela editora Devir este ano aqui no Brasil.



Para relembrar dos grandes nomes da arte sequencial, vale destacar também a edição americana da história "The Adventures of Hergé", que narra a história da vida do criador do personagem Tintin, o belga Georges Prosper Remi, mais reconhecido por seu pseudônimo Hergé. Uma vez que a obra deste grande quadrinista chegará aos cinemas brasileiros no mês que vem, fica a expectativa de esta obra ser traduzida e lançada por aqui também. Vale destacar que a versão americana lançada apenas este ano é na verdade de uma obra publicada originalmente nos anos 1990. O trio de autores Jose-Louis Bocquet, Jean-Luc Fromental e Stanislas Barthelemy merecem o devido reconhecimento por esse trabalho tão bem feito. No setor das publicações nacionais sobre os nomes que se destacaram no ramo das histórias em quadrinhos, o destaque fica por conta da nova edição revisada da "Enciclopédia dos Quadrinhos", feita pela parceria entre o historiador Goida e advogado André Kleinert. Muito detalhada e com temas dos mais diversos, a obra chama a atenção nas prateleiras das livrarias, porém, possui uma série de pequenos erros, com destaque para a omissão de muitos dos quadrinistas brasileiros que vêm se destacando na última década, como os gêmeos Moon e Bá e o grande editor Sidney Gusman, cujo papel desempenhado no cenário nacional de quadrinhos merecia ter destaque na nova versão da ecniclopédia.


Terceiro volume do
"MSP novos 50"

Gusman, inclusive, é nome destaque em outro material da lista de recomendações do blog. A terceira parte da homenagem que o editor organizou para o padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Sousa, "MSP novos 50" é uma obra impressionante como seus dois volumes anteriores, e traz dentro de si uma verdadeira exposição da qualidade do quadrinho brasileiro atual. Tendo sua estratégia de divulgação marcado intensamente todos os leitores assíduos que acompanharam seu desenrolar pela rede social twitter (que foi tema de matéria aqui no blog), a obra que conta com grandes nomes dos quadrinhos eletrônicos, como os quadrinistas Will Leite e Carlos Ruas, além de autores de grande renome internacional, como o paraibano Mike Deodato Jr, é material de luxo para os admiradores dos quadrinhos nacionais.

A nona arte brasileira marca também presença na lista de recomendações com cinco títulos independentes muito interessantes. Enquanto "Birds", do chargista Gustavo Duarte, apresenta mais um conto transmorpofizado de profunda signifação sobre a vida e a morte, "Quadrinhos A2", feito pelo casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko, se concentra nas pequenas experiências do cotidiano de um casal numa grande metrópole. Apesar de diferirem bastante entre si, ambas valem muito a pena serem conferidas. Enquanto o material de Duarte pode ser encontrado facilmente nas livrarias, a publicação de Crumbim e Eiko pode ser pedida através do site do casal, que pode ser conferido aqui. As outras três recomendações foram lançadas na mesma época, durante a Feira Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, Minas Gerais (que foi comentada aqui no blog na época). "Duo.tone" e "Valente Para Sempre" são obras feitas pelo mineiro e grande parceiro, Vitor Cafaggi, cuja tirinha de sucesso Puny Parker foi tema de matéria aqui no blog. Enquanto Valente é o personagem que assumiu as postagens do blog originado para as tirinhas sobre as aventuras do jovem Peter Parker, a outra história é um trabalho autoral de Cafaggi de extrema qualidade e cujo destaque na crítica foi unânime. Já reconhecido por seu toque sensível e histórias emocionantes, Cafaggi vem se consolidando como referência no quesito para o mercado editorial nacional. A quinta publicação independente que merece destaque nas recomendações e que foi lançada na FIQ, é a obra "Achados e Perdidos", produzida a partir de uma nova forma de relação entre o leitor e os organizadores Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho. Realizado a partir de um custeamento colaborativo entre a comunidade de admiradores da arte sequencial e os dois quadrinistas, o material chamou a atenção de todos e arrebatou a atenção de todos os que ficaram tomando conhecimento dela. Portanto, não poderia de estar presente entre as nossas recomendações.


"Valente Para Sempre" foi um dos títulos independentes
de destaque no ano de 2011

No cenário nacional, também merece atenção a publicação da segunda compilação de tirinhas dos Passarinhos, do carioca Estevão Ribeiro, "Os Passarinhos e Outros Bichos", que conta com a participação especial de diversos artistas de atenção no mercado brasileiro, como Emerson Lopes, Leandro Finnochi, o já mencionado Vitor Cafaggi e sua talentosa irmã quadrinista, Luciana Caffagi. Lançado na mesma semana, "Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira" é também uma produção nacional que chama a atenção, mais pela sua temática extravagante de ficção científica e narrativa forte. História de estreia nos roteiros de quadrinhos do estudioso Octávio Aragão e do desenhista Manoel Ricardo, do Espírito Santo, a trama é bastante interessante, apesar de seus pequenos exageros.

No cenário nacional deste ano, também vale mencionar o trabalho de qualidade desempenhado pelas editora Leya/Barba Negra, Companhia das Letras e a recentemente lançada editora Nemo. Esta última, visando alcançar o público leitor de quadrinhos europeus, tem inventido pesado em obras do artista Jean Giroud, mais conhecidoi por seu pseudônimo Moebius, como "Arzach" e "Absoluten Caufeultrail e outras histórias", e a publicação de obras inéditas no país do personagem mais famoso do quadrinista francês Hugo Pratt, Corto Maltese, como o volume "Corto Maltese: A Juventude". As particularidades de sua edição, similares às da editora francesa Casterman, valem uma nota pelo afinco despendido pelos profissionais da editora e a atenção dada aos admiradores da arte sequencial durante a XV Bienal do Livro no Rio de Janeiro (que teve cobertura completa aqui no blog).

Publicado no selo Quadrinhos na Cia. este ano, também vale destacar a obra "Asterios Polyp", do americano David Mazuchelli. Apesar de ser originalmente de 2009, o material só foi publicado com êxito este ano aqui no Brasil, e se encheu de comentários positivos por parte dos especialistas do mercado nacional da nona arte. Explorando a ideia de dualidade em traços simples e de fácil assimilação, a obra de Mazuchelli configura uma das publicações que valem ser conferidas.


Os protagonistas do mangá "Bakuman"

E sem esquecer do setor de mangá, a nova série "Bakuman", dos mesmos autores da série de sucesso "Death Note", Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, que começou a ser publicada este ano pela editora JBC, conta a história de dois jovens amigos que decidem seguir na jornada por se tornarem mangakás, mestres dos quadrinhos japoneses. Com uma narrativa ágil e veloz, com detalhes precisos e preciosos da relação da cultura popular do Japão com os mangás, o lançamento da obra teve grande destaque na XV Bienal do Rio de Janeiro também, e passou a ser um bom estudo de caso para os admiradores da arte sequencial enquanto meio de produção editorial. Outro país que chamou atenção ao longo deste ano foi a Argentina, cuja tradição com os quadrinhos teve grande papel este ano, com a presença de grandes quadrinistas argentinos na II Rio Comicon (que teve cobertura completa aqui no blog também), como Liniers e Salvador Sans. A publicação da edição "Fierro Brasil", pela editora Zarabatana, em abril deste ano, é uma grande obra de apresentação do material argentino para o público de quadrinhos brasileiro. 


Ainda poderia discorrer muito sobre tantas outras obras lançadas este ano em quadrinhos, mas abro o convite para todos vocês, leitores, de contribuirem com eventuais publicações que eu possa ter, na mais sincera simplicidade, esquecido de mencionar. Novamente, reforço que aqui não foram citadas as melhores obras ou mesmo uma ordem de grandeza, mas sim recomendações sobre os mais diferentes estilos e gêneros disponibilizados ao público ao longo do ano de 2011. Convido todos a lerem essas obras de muita qualidade e tirarem suas próprias conclusões. Uma vez feito isso, tragam seus próprios comentários também para agregar às nossas trocas de opinião. Todos são mais que bem vindos para tal.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

FIQ, MSP e HQ

Por Gabriel Guimarães


Hoje, teve início a Feira Internacional de Quadrinhos, evento realizado na cidade de Belo Horizonte de forma bienal e que é um pólo para todos os admiradores de quadrinhos de toda a América. Contando com muitos convidados internacionais e os principais profissionais do cenário brasileiro, o evento vêm se firmando cada vez mais como um ambiente com tudo que qualquer fã de quadrinhos poderia querer, com muitas oficinas, dicas de grandes editores, atividades para todas as idades e, acima de tudo, de muitos quadrinhos para onde quer que se olhe.

Acontecendo desde 1999, seguindo a linhagem do evento que ocorria na capital mineira antes dele, a Bienal de Quadrinhos,  a FIQ se tornou uma referência pela diversidade dos temas dispostos e a quantidade de profissionais que compareciam ao evento, transformando-lhe, dessa forma, em um momento único no calendário dos admiradores da arte sequencial. Tendo homenageado muitos grandes quadrinistas ao longo dos anos, como Angeli, Mozart Couto, Lourenço Mutarelli e Júlio Shimamoto, o evento deste ano aponta seu olhar para o padrinho dos quadrinhos brasileiros, o paulistano Maurício de Sousa, que vem entrando em destaque novamente com bastante frequência nos últimos tempos.

Após ser homenageado na trilogia de edições luxuosas do MSP50 por ter completado 50 anos de carreira (a trilogia foi comentada e sua forma de divulgação analisada aqui no blog já), Maurício e todos os seus talentosos companheiros de estúdio vinham trabalhando em segredo para preparar o próximo grande lançamento direto para as livrarias com os personagens da turminha da Mônica e demais criações do aniversariante de poucas semanas atrás (o blog fez uma matéria sobre o 76º aniversário de Maurício de Sousa que pode ser conferida aqui). Hoje, no primeiro dia da FIQ, já que o evento vai até domingo, aconteceu o tão aguardado anúncio, feito pelo editor Sidney Gusman.

Após ter seu logo divulgado pelo ilustrador e profissional do MSP, Bruno Honda Leite, em seu blog, o projeto  Graphic MSP enfim foi anunciado em detalhes, atraindo todas as atenções dos presentes. Com a proposta de serem publicadas histórias no formato graphic novel com os personagens que já são tão familiares para toda a cultura popular brasileira, a partir da visão de grandes quadrinistas da atualidade, os quatro volumes anunciados como pé de largada encheram os olhos e as expectativas de muitos, fosse presencialmente ou através das redes sociais, pois mais uma vez, tudo foi realizado simultaneamente, como forma de integrar todos os leitores que não puderam estar na cidade mineira durante o dia de hoje.

Os quatro volumes anunciados foram: "Astronauta", pelas mãos do paulista Danilo Beyruth, criador do personagem Necronauta e autor da aclamada história em quadrinhos "Bando de Dois"; "Chico Bento", no traço sutil e icônico do grande Gustavo Duarte; "Piteco", na arte impressionante e detalhada do grande ilustrador Shiko, que já participara do último volume do MSP50; e "Turma da Mônica", com a inconfundível narrativa sensível e apaixonante dos irmãos mineiros Vitor e Luciana Cafaggi (Vitor já foi tema de matéria aqui no blog antes também, e Luciana é uma das organizadoras do excelente site "Lady's Comics", já mencionado aqui no blog antes). Com previsão para serem todos lançados no ano que vem, a recomendação fica por conta da economia que será necessária para adquirir esses álbuns de extrema qualidade, uma vez sido lançados.

O evento trará ainda muitas atrações impressionantes, conversas com grandes nomes do mercado, avaliações de portfolio por alguns dos melhores profissionais das grandes editoras americanas de super-heróis, a Marvel e a DC, além de oferecer muitos momentos certamente especiais para quem tiver oportunidade de conferir toda essa festa.

O site da FIQ pode ser conferido aqui, a programação completa do evento aqui, e uma excelente matéria sobre o anúncio de hoje para os personagens de Maurício de Sousa, aqui, no blog "O X da Questão", bom parceiro nosso.





































Pode até parecer piegas, mas como eventos como esse falam ao mais profundo do nosso interior, há crédito para que momentos de espontaneidade e liberdade poética tenham lugar também: "Se é para o bem de todos e a alegria geral da Nação, digo-vos que FIQ."