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sábado, 30 de janeiro de 2016

O Fim de Um Ciclo

Por Gabriel Guimarães


Realmente foi uma grande jornada desde Setembro de 2008 quando eu criei esse blog para expandir meus estudos sobre Histórias em Quadrinhos, conforme eu dava meus primeiros passos na graduação acadêmica e, pela primeira vez na vida, me sentia livre para aprofundar meu interesse e paixão pela arte sequencial. Nos quase oito anos de lá para cá, minha vida passou por uma série de determinantes mudanças que influíram direta ou indiretamente na produção e gestão de conteúdo aqui no blog. Eu concluí a faculdade, escrevi e publiquei meu primeiro livro de ficção, viajei para fora do Brasil pela primeira vez, perdi pessoas muito queridas, mas, em contrapartida, conheci muitas pessoas incríveis, das quais várias dividiam comigo a paixão por essa narrativa gráfico-textual que me motivou pra começo de conversa.

Um período de grande crescimento e aprendizado, em essência, foi o que me proporcionou toda essa experiência, tirando algumas noções não tão inocentes quanto leigas que eu tinha quando dei meus primeiros passos no estudo da história, do cotidiano e do potencial dessa mídia, e colocando em seu lugar uma perspectiva mais realista e analítica. O maravilhamento inicial que eu tinha não sumiu, de forma alguma, mas se transformou, adquiriu novas formas e passou a se apresentar de uma maneira diferente daquelas a que eu estava acostumado.

Muito por essa razão, eu oscilei em diversos momentos, postergando pautas devido a uma estafa ocasionada pelo sentimento de obrigação atribuído à necessidade de me manter a par daquilo que ocorria no mercado editorial de quadrinhos e pela cada vez mais escassa pausa para curtir de verdade os materiais dessa mídia que eu tanto amei e ainda amo. Para que a qualidade das matérias não fossem afetadas, eu optei por publicá-las de forma mais gradual, primando sempre por ter o que falar e saber exatamente sobre o que eu estava falando. Cada matéria publicada aqui foi fruto de muita pesquisa, dedicação, tempo e suor, sempre na esperança de apresentar um conteúdo agradável e instigante sobre o cenário da nona arte, tanto no Brasil quanto no mundo afora.

O mês de Janeiro de 2016 foi bastante significativo para mim porque eu, após muito tempo com um grande projeto para revitalizar o Quadrinhos Pra Quem Gosta e retomar o prazer em produzir material de qualidade para um público naturalmente exigente e bem instruído, enfim pude dar forma à próxima etapa dessa jornada de aprendizado e troca com o mercado dedicado da arte sequencial. Para tanto, porém, é necessária uma mudança significativa que pode inicialmente causar espanto aos que me acompanharam aqui com tanto afinco e me dedicaram seu tão valioso tempo e inestimável atenção. Eu quero anunciar, portanto, o encerramento das atividades do BLOG Quadrinhos Pra Quem Gosta.

"Para Não Dizer Que Não Falei de Quadrinhos"
Apesar de ser uma medida drástica, eu acredito que será um passo necessário para as próximas etapas que estão por vir. Eu me sinto muito abençoado por Deus por todo esse tempo que partilhamos aqui e, naturalmente, espero poder contar com a companhia de vocês nessa nova fase, principalmente através do primeiro anúncio oficial que quero trazer a todos neste dia 30 de Janeiro, data dedicada à comemoração do Quadrinho Nacional. Eu declaro, aberto ao público, o acesso ao novo SITE do Quadrinhos Pra Quem Gosta, repleto de conteúdo inédito preparado especificamente para esse lançamento e resultado de um mês dedicado a trazer uma qualidade ainda maior ao conteúdo que eu normalmente trago para todos os meus queridos leitores e leitoras.

http://www.quadrinhospraquemgosta.com.br/

O NOVO Quadrinhos Pra Quem Gosta visa oferecer uma produção mais ágil de matérias, separadas por segmentos específicos para facilitar o acesso ao arquivo de postagens, e aproximar ainda mais o público da realidade por trás da mídia dos quadrinhos. Convido todos a conhecerem nossas novas instalações e compartilhar conosco todo e qualquer comentário para que possamos atender sua curiosidade e sugestões da melhor forma possível. Sei que é uma nova realidade a qual todos vão ainda se acostumar, mas tenho certeza de que este será o início de mais uma grande aventura, então, os espero lá!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - ANO 2 - EPÍLOGO

Por Gabriel Guimarães



E mais uma edição da Rio Comicon chega ao fim. Tal qual toda boa obra em quadrinhos, o evento foi marcado por experiências intensas, que prenderam emocionalmente todos os que estiveram presentes e, com certeza, proporcionaram momentos que jamais sairão das lembranças dessas pessoas.

Contando com a presença de convidados ilustres tanto do âmbito nacional quanto global, o fluxo de comunicação com os grandes responsáveis por muitas das histórias que compõem nossos imaginários foi incrível, com uma disponibilidade imensa por parte dos profissionais e um interesse sincero dos visitantes. Para quem estava começando ou tinha desejo de entrar nesse mundo também de forma formal, o evento, através da área ocupada pela gráfica J. Sholna, ofereceu a oportunidade de distribuir na Estação Leopoldina o material independente produzido pelos aspirantes ainda a quadrinistas, e a procura por esses serviços foi enorme, ainda que muitos contatos tenham sido mais a longo prazo.


Valentina, em desenho do
italiano Guido Crepax

O material exposto nas homenagens, tanto do eterno pioneiro Will Eisner, quanto da sedutora Valentina, e da vitoriosa história de 75 anos da editora DC comics e a tradição de histórias emocionantes e inesquecíveis do grupo de mangakás japonesas CLAMP, foi primoroso. Para todos os gostos, houve opção. Até para os quadrinhos underground, que não tiveram propriamente uma exposição, o evento contou com a participação do artista Peter Kuper, que deu uma aula da história desse gênero de quadrinhos, e que respondeu com atenção a todos os que foram conversar com ele. Contando com tanto conteúdo, é uma pena, no final das contas, que muitos dos jovens visitantes em potencial do evento não puderam ir por causa do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, que estava sendo realizado durante todo o fim de semana.


Arte do argentino Liniers usada
na divulgação da Rio Comicon 2011

Numa análise geral do evento, tudo ocorreu de forma similar à edição do ano passado, o que tem seus prós e seus contras, mas que, em suma, foi algo muito especial. Apesar de a divulgação ter sido um pouco defasada, por conta de problemas de locação e outras questões menores, e o preço do ingresso ter estado consideravelmente mais caro, a quantidade de oficinas disponibilizadas e a estrutura onde elas são administradas cresceu muito, e a quantidade de convidados foi impressionante.

A cultura dos quadrinhos esteve muito bem representada, e tem tudo para crescer cada vez mais, conforme o reconhecimento devido for sendo conquistado, uma luta de cada vez.


Ano que vem tem mais, e com certeza, teremos novas oportunidades para afirmar que:

É RIO COMICON, BABY!!!

domingo, 23 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - ANO 2 - DIA FINAL

Por Gabriel Guimarães


Um pequeno herói junto
ao ator vestido de Capitão América

Num domingo onde o Sol esteve alto, aquecendo o já caloroso ambiente da Estação Leopoldina, o movimento foi consideravelmente bom, e muitas famílias estiveram presentes com crianças de todas as idades, que puderam ter momentos ótimos com os personagens do mundo maravilhoso dos quadrinhos. Aproveitando a presença novamente de atores e atrizes fantasiados dos mais diversos personagens da cultura pop em geral, os pequenos fãs de quadrinhos se divertiram e, sem dúvida, voltaram para casa ao final do dia com recordações para o resto da vida.


Enquanto o movimento familiar aumentou, o negócio do dia ficou em volta dos gibis mais raros e históricos que estavam dispostos na barraca do Arafatt e do Marquinhos, este último o antigo dono da loja de quadrinhos carioca Gibimania, que era ponto de referência no estado e que, já há algum tempo, não estava tanto em destaque. O material levado para o estande e a receptividade dos tanto vendedores quanto admiradores de quadrinhos que são os dois donos disso foram excelentes. Aos colecionadores, foi imprecindível conferir as ofertas lá, e saiu feliz quem conseguiu observar tudo que estava exposto, que, diga-se de passagem, contia material do mundo inteiro feito em quadrinhos, desde Japão, até Argentina, chegando na Rússia.

Cena do curta brasileiro do
anti-herói "Urubucamelô"
Pelo evento, ainda ocorreu a segunda parte do 1º Colóquio de Filosofia e Histórias em Quadrinhos, que contou com a apresentação de alguns trabalhos muito interessantes. Começando por uma análise histórica da abordagem do mito nas aventuras da Mulher Maravilha, feita pela doutora em filosofia Susana de Castro, o colóquio atraiu um público diversificado e bastante curioso com tudo que era dito, em especial, com a criação nacional feita pelo professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Fernando Gerheim, o "Urubucamelô", um anti-herói cuja essência consiste numa crítica implícita ao distanciamento dos heróis norte-americanos sobre a realidade da problemática mundana. Originado num lixão, o personagem representa uma questão fundamental sobre o heroísmo mais popular, na questão entre o herói e o marginal.

Numa sequência deste questionamento do herói, o também doutorando Fábio François abordou o niilismo presente na obra máxima do gênero dos super-heróis, "Watchmen", ponderando sobre a metalinguagem intrínseca na história, sobre uma realidade que gira em torno do efeito da real exitência de super seres no nosso mundo real, e não um universo imaginado. Analisando os tipos e momentos do herói, adaptados pontualmente da obra de Heidegger, François observou ainda o papel de cada personagem da trama dessa saga como reflexo filosófico específico da relação com a conscientização da fragilidade da humanidade.

Claremont, ao centro, sendo traduzido pelo estudioso Carlos
Patati,  à sua esquerda, e mediado pelo doutorando
Fábio Morilhe, à sua direita
Ainda numa análise do universo heróico, o professor Luis Alencastro analisou a questão da univocidade do ser presente em obras como a "Crise nas Infinitas Terras", a partir das obras de Sócrates. Tendo precisado se limitar ao tempo que essa etapa do dia necessitou, Lencastro abordou apenas superficialmente a questão, usando do filme "Efeito Borboleta" como um exemplo leigo para o público conseguir compreender a pluralidade de realidades composta pelas decisões as quais são observadas na obra que redefiniu a DC comics nos anos de 1980. Para concluir, o antológico roteirista dos X-men e Wolverine, Chris Claremont, compareceu para responder a algumas questões sociais e composicionais propostas pelo mediador, Fábio Mourilhe. Enfatizando na questão de que ele via seus personagens como pessoas e não como heróis de colant, Claremont destacou que a humanidade dos protagonistas numa história em quadrinhos, ainda que seja numa aventura heróica, é a essência de qualquer boa história. Ao afirmar que "super poderes são um detalhe, e apenas parte de um todo que é a personagem", e que "trabalha com hístórias de pessoas que possuem um dom, seja este dom um super poder ou não", Claremont passou uma tansparência muito grande para o público sobre sua visão dos quadrinhos e mostrou, assim, a razão de ter sido o autor de momentos tão inestimáveis e inesquecíveis nas histórias de grandes personagens da Marvel por muito tempo.

Ao longo do dia, o assédio também foi grande em torno de profissionais dos quadrinhos como a paulista Érica Awano, que esteve autografando livros no estande da Livraria da Travessa, junto da japonesa Junko Mizuno. Autores como Emerson Lopes, que trabalhou no álbum "Pequenos Heróis" (já comentado aqui no blog antes) e é o criador do bem-humorado personagem "Alfredo, o Vampiro" (cujo bom blog pode ser visto aqui); Rafael Coutinho, desenhista da história em quadrinhos "Cachalote"; Alberto Serrano, quadrinista conehcido pelo seu trabalho de street art com os seus personagens Tito e o Cão Viralata; e o cartunista Gilmar, autor de álbuns como "Para ler quando seu chefe não estiver olhando" e "Caroço no Angu", o dia esteve bastante movimentado, e o público presente ganhou muito com isso.


Klebs Jr apresentou uma excelente oficina sobre
o mercado internacional de quadrinhos, que prendeu
a atenção de todos os presentes
 Também foi realizada uma oficina pelo agente Klebs Jr, integrante do grupo Impacto Quadrinhos, sobre o mercado internacional de quadrinhos, que foi extremamente importante para os que a conferiram. Realizada num ambiente melhor do que o que era disponibilizado na edição anterior da Rio Comicon, Klebs comentou sua entrada no mercado de quadrinhos há mais de 15 anos e os pontos fundamentais que a indústria de quadrinhos procura em novos profissionais. Explicando que o mercado internacional de quadrinhos muitas vezes se consiste de uma arte industrializada mais do que uma mera criação pessoal, ele expôs exemplos práticos para pontuar questões que devem ser avaliadas por todos que pretendem seguir carreira nesse meio, e concentrou-se na mensagem que "todo desenho é uma mensagem" para explicar que todo detalhe ou traço que o desenhista faz numa página altera a percepção e assimilação dessa mensagem, tanto para facilita-lo quanto para dificulta-lo. Comentando ainda da necessidade de se compor um repertório visual rico e diversificado, indicando, inclusive, uma série de artistas que merecem ser conhecidos pelos aspirantes a ilustradores, como o artista que definiu a visão dos Estados Unidos no começo do século XX, o brilhante Norman Rockwell, o italiano Claudio Castelini e o clássico Hal Foster, Klebs conseguiu prender a atenção de todos e rendeu uma experiência bastante agradável e instrutiva de forma leve e prática.
 
O dia ainda esteve lotado em torno da apresentação dos
cosplays diversificados que estiveram presentes
 No final do dia, o humorista Fernando Caruso ainda esteve presente no evento, promovendo a premiére de sua nova série no canal de TV a cabo Multishow, "Ed Mort" (personagem este que já foi lembrado aqui no blog antes, em matéria sobre a adaptação de quadrinhos brasileiros para o cinema). Recebido de braços abertos, Caruso facilmente se tornou parte do evento, e até funcionários que estavam trabalhando no evento conversaram e tiraram fotos com ele, rendendo cenas engraçadas e interessantes.

Enfim, mais uma edição da Rio Comicon chega ao fim, mas o que ela proporcionou a todos os que puderam estar presentes, permanecerá sempre com todos. Única como só ela poderia ser, não há não destacar com entusiasmo que:

É RIO COMICON, BABY!!!

sábado, 22 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - ANO 2 - DIA 3

Por Gabriel Guimarães


Neste sábado, foi perceptível o fato de que muitos dos visitantes em potencial para o evento estavam envolvidos com a avaliação do Enem, que está sendo realizada neste fim de semana. A expectativa de um público nas proporções do da última edição do evento acabou sendo frustrada, mas ainda assim, houve muitas atividades estimulantes e o público, ainda que não na totalidade do que poderia chegar a ser, esteve em um número considerável na Estação Leopoldina, e, conforme o tempo foi passando e o Exame Nacional do Ensino Médio foi liberando seu contingente de participantes, a procura pelos estandes aumentou significativamente.


Os palestrantes do 1º Colóquio de Filosofia e Histórias
em Quadrinhos abordaram muitos temas interessantes do meio

Logo pela manhã, teve início o 1º Colóquio de Filosofia e Histórias em Quadrinhos, voltado para abrir um debate acadêmico e epistemológico do meio, com maior liberdade de comunicação com o público. Mediada pelo doutorando em filosofia Fábio Mourilhe, o colóquio contou com a apresentação de diversos trabalhos envolvendo as histórias em quadrinhos em muitos aspectos interessantes, desde a análise da relação entre fantasia, ficção e realidade contida nas histórias, onde foi citado exemplos como o Homem-Animal, de Grant Morrison, apresentada pelo próprio Fábio;, até o trabalho apresentado pelo doutorando Marcos Carvalho Lopes, que consistia nas influências ideológicas das histórias em quadrinhos na formação do público jovem leitor italiano no século XX, especificamente analisada através da obra "A Misteriosa Chama da Rainha Loana", de Umberto Eco, a qual é centrada num personagem que perde a sensibilidade de suas memórias, e precisa reconectar-se a estes sentimentos através da lembrança que obtêm observando o material que leu durante a juventude, entre o qual se destacam diversas obras de quadrinhos, como os que eram publicados nas revistas italianas "Corrieri dei Piccoli" e "L'Avventuroso", além de histórias como Flash Gordon, Mandrake, Fantasma e, imprecindivelmente, Mickey, também conhecido naquele país por Topolino.


Peter Kuper explicou a trajetória dos quadrinhos
underground de forma primorosa

Comparando também o conceito de ruptura construído por Bachelard para o campo da ciência, Fábio também propôs uma transição deste para um olhar histórico sobre a arte sequencial, que de tempos em tempos, em sua vasta existência, passou por períodos e trabalhos que revolucionaram o meio, e até hoje, ainda revolucionam. Uma das rupturas que foi destacada acabou ganhando bastante destaque em dois dos outros trabalhos apresentados, um sobre a questão da censura nos quadrinhos com o código de ética criado na época em que o psicólogo Frederik Wertham começou a atacar os quadrinhos, alegando estes serem instrumentos para estimular a delinquência juvenil; e outro, num depoimento pessoal e historicamente colocado pelo autor americano Peter Kuper, que descreveu o surgimento e expansão dos quadrinhos undergrounds a partir do selo de ética. Kuper destacou que, curiosamente, quando o selo de ética foi posto em prática, todas as revistas da EC comics, grande catalisadora do movimento pela censura, foram proibidas de serem distribuidas, pois continham no seu título algumas das palavras específicas que foram banidas pelo Senado norte-americano, à exceção de uma, justamente a que era mais subversiva de todas, a "MAD", que continuou a ser publicada e distribuida normalmente, ganhando até mais força pela escassez de títulos do gênero e o público já aficcionado por ele. Com isso, outros dos admiradores deste estilo acabaram por criar futuramente trabalhos ainda mais subversivos que o original, e assim foi se dando o crescimento do mercado underground de quadrinhos, ou, como ficaram conhecidos por alguns, Comix.

Na outra apresentação, realizada pelo professor universitário Luis Alencastro, o foco foi a discussão entre sonho e devaneio nos quadrinhos, mais especificamente, nas obras de Sandman, criadas pelo britânico Neil Gaiman. Traçando um panorama histórico que fora composto por obras como a "Genealogia da Moral", do alemão Friedrich Nietzsche, até outros materiais escritos por Bachelard, Bergson e Deleuze, Alencastro construiu um debate muito interessante acerca da problemática dos quadrinhos enquanto mitos modernos e da necessidade de se libertar da opressão do passado, ao qual as pessoas buscam ser fiéis, ainda que esta fidelidade possa ser a um sonho qualquer que tenham tido numa noite aleatória, para que se possa ir adiante no caminho da vida para maiores conquistas pessoais. Para quem conseguiu estar presente, foram apresentações bastante abrangentes e reflexivas, e os autores puderam encontrar um público igualmente capaz de discutir o conteúdo ali apresentado.


A exposição "DC 75 Anos" dispõe
de muitos cartazes e imagens em
tamanho ampliado que chamam a
atenção de todos

No restante do evento, o destaque ficou por conta das belíssimas exposições em homenagem ao grupo de mangá CLAMP e aos 75 anos completados pela editora DC. Dispostas em duas das plataformas da antiga estação de trêns, ambas contaram com material de qualidade inquestionável, ainda que a exposição da CLAMP pudesse ter sido melhor organizada. Passa desapercebido pela maioria que os pedaços de papéis rasgados nas pilastras da plataforma são na verdade compostos de textos em japonês, numa tentativa de aludir ao papel das estações de transporte público para a disseminação dos quadrinhos no Japão. Pela DC, a exposição constitui numa apresentação resumida do livro "DC 75 Years - The Art of Modern Mythmaking", disponível para compra no estande da Livraria da Travessa, e que conta com mais de 700 páginas sobre a história da editora (essa obra, inclusive, já foi comentada aqui no blog antes).

A japonesa Junko Mizuno
autografou para muitos leitores
O argentino Liniers foi muito
procurado pelos admiradores
de seu trabalho nas edições
do "Macanudo" 
Entre os autores presentes no dia, que atraíram muito a atenção dos visitantes presentes, estiveram novamente o roteirista Chris Claremont, cujo assédio dos seus admiradores por ele cresceu exponencialmente ao longo do dia, além dos argentinos Liniers, criador da célebre série "Macanudo", e Salvador Sans, autor da obra "Noturno", e da japonesa Junko Mizuno, autora da série "Cinderalla". Entre os autores nacionais, o destaque ficou por conta da presença da talentosa desenhista Erica Awano, que trabalhou na excelente série brasileira "Holy Avenger" e que hoje é membro dos estúdios da MSP, do quadrinista Danilo Beyruth, que esteve autografando seus livros publicados na área onde ano passado fora conhecida como plataforma dos desenhistas, e os autores das histórias em quadrinhos da "Beleléu", que estiveram disponibilizando seu material para os interessados em comprá-lo.


Autógrafo do americano Chris
Claremont em estatueta da Fênix Negra

Entre os estandes, o destaque fica na bancada destinada às figuras de ação que atraíram a atenção de todos os visitantes ao longo de toda a realização da Rio Comicon deste ano. Aproveitando a oportunidade de mostrar seu acervo, os dois responsáveis pelo estande, Márcio e Fábio, conseguiram alcançar até mesmo um público que eles não esperavam,: o dos autores. O americano Chris Claremont gostou tanto do material exposto lá, que levou uma das estatuetas que estavam expostas e ainda autografou uma edição luxuosa da Fênix Negra, fruto de sua fase nos X-men, para o dono do espaço, que ficou extremamente satisfeito.


Durante a tarde do evento, também, aconteceu uma pequena festividade com muitos atores e atrizes fantasiados de cosplay de muitos personagens do mundo dos quadrinhos, games e animações. Os mais jovens que puderam conferir esse momento também gostaram bastante pela diversidade de personagens apresentados.


Evento de cosplay que aconteceu com
alguns atores e atrizes na Estação Leopoldina
 Ainda falta um dia, mas, certamente, há muitas histórias por contar. Aguardem, pois, afinal de contas,:

É RIO COMICON, BABY!!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - ANO 2 - DIA 2

Por Gabriel Guimarães



Claremont recebeu muito bem os fãs, após
entrevista que deu para o canal Globonews
Contando com a presença de ilustres autores de quadrinhos internacionais desde a manhã, como o roteirista Chris Claremont, célebre criador de histórias memoráveis dos X-men, e o quadrinista Peter Kuper, desenhista da tira Spy vs. Spy, publicado na revista MAD há anos, e de uma adaptação para quadrinhos do conto de Franz Kafka, "Metamorfose", o dia de hoje na Rio Comicon foi bastante positivo.

Explorando um pouco mais a disposição dos estandes e exposições, o público teve oportunidade de conferir um passeio maravilhoso pela história de vida de um dos maiores quadrinistas do hall da fama desse meio de comunicação, Will Eisner, um dos homenageados nesta edição do evento. (e que já foi homenageado aqui e aqui no blog também) Contando com uma estrutura especificamente construída para armanazenar material original produzido pelo grande nova-iorquino, o qual foi feito um plano de seguro de mais de 300 mil dólares, a exposição que conta muito da vida do autor, inclusive, com o documentário "Will Eisner: Profissão Cartunista" sendo exibido continuamente, é um dos grandes pontos do evento deste ano, e não deixa nada mesmo a desejar. Com uma maquete construída cuidadosamente de uma grande cidade na saída da exposição, onde uma estatueta do grande personagem de Eisner, o Spirit, se encontra no centro, girando em torno da metrópole característica das obras desse grande mestre, a composição de tudo ficou muito bem arranjado, contando ainda com uma pintura nesta última sala do próprio Spirit feita em um papel do mesmo material em que se vendem os pães de padaria. Por um outro lado, apesar de a estrutura da cidade montada ser excelente e, de forma surpreendente, acender suas luzes internas dentro das janelas conforme a luz do dia vai acabando na sala, o esquema para essa iluminação não parece ser tão seguro para a integridade do material e precisa de muita atenção para que não haja qualquer imprevisto neste sentido.

Imagem de Valentina, na sua exposição
Próximo dali, outra das personagens homenageadas também ganhou uma área de destaque. Trata-se de Valentina, personagem erótica criada pelo italiano Guido Crepax. O espaço designado para a amostra do material dela foi construído inteiramente dentro de seu universo, uma vez que fica exposto a uma luz violeta forte, que torna todo o ambiente algo mais sedutor e hipnotizante. Contando com material de diversas histórias dela, publicadas ao longo de muitas décadas, a exposição mostra ainda uma peça de roupa e materiais de decoração produzidos pela filha de Crepax, e cuja temática é inteiramente voltada para Valentina. Para quem puder conferir e tiver a idade necessária para tal, claro, vale bastante a pena.

Ao longo do restante da Estação Leopoldina, os estandes ainda são poucos comparado ao potencial que o local poderia comportar, e o custo elevado destes acabou provocando uma separação até certo ponto curiosa entre os autores presentes no evento. Enquanto os nomes mais conhecidos estão alocados nos estandes do corredor principal, os quadrinhos independentes ficaram com o espaço que no ano passado era conhecido como "estação dos autores", que era onde ocorriam as sessões de autógrafos com os convidados. O ambiente ficou mais arejado para se locomover, mas a divisão causou alguns desconfortos em algumas partes.

Enfim, a estrutura do evento continuou a mesma do ano passado, com a Livraria da Travessa tendo um espaço de destaque e sendo a única fonte para compra de livros, e o centro da Estação ficou ocupado por extensos murais com material produzido por dezenas de desenhistas nacionais e estrangeiros, que diga-se de passagem, estão muito bons.

Rafael Albuquerque e Danilo Beyruth durante
o debate "Conquistando a América"
O dia de hoje ainda ofereceu a oportunidade de conferir uma série de debates, como o "Conquistando as Américas", composto pelos quadrinistas Danilo Beyruth, autor da ótima história "Bando de Dois" e criador do personagem Necronauta; e Rafael Albuquerque, co-criador da série da linha Vertigo da DC "American Vampire", recentemente premiada com o prêmio Eisner (o blog chegou a comentar a indicação do trabalho de Albuquerque aqui);, sendo mediada por Ulisses Mattos. Conduzida a partir da questão da origem brasileira sendo publicada pelo mercado exterior afora, o debate abrangeu bastante o trabalho dos dois quadrinistas e suas posições sobre o "ser" brasileiro num mercado globalizado, ainda analisando a estrutura na qual o mercado de consumo de quadrinhos no Brasil se estrutura e o efeito que isso tem na produção dos autores nacionais, todo a discussão foi bastante interessante.

Analisando o efeito da internet na produção de arte sequencial (já analisadas aqui no blog antes) e as novas formas de encontrar seu público, os dois autres, que vêm obtendo cada vez mais sucesso nos últimos anos, conseguiram apresentar a importância de uma história sobre o veículo onde ela pode ser veiculada, e o quanto você poderia acrescentar em termos de oportunidade de expandir seu mercado produzindo tanto para o formato eletrônico quanto para o impresso. Beyruth, partindo da ideia de que "histórias boas são universais", defendeu que independente de onde se publique um material, seja dentro ou fora do próprio país dos autores, se ele for bom de verdade, tem plenas condições de obter sucesso, citando, inclusive, o exemplo dos westerns que se passam nos Estados Unidos que sao publicados nos fumetti italianos, ou mesmo a história "Daytripper", produzida pelos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, que primeiramente foi lançada no mercado norte-americano, arrebatando o público e rendendo grandes prêmios do circuito internacional de quadrinhos, para só então chegar ao Brasil, onde a história é ambientada.

O debate ainda contou com a presença ilustre de uma série de grandes profissionais e estudiosos do meio, como o editor Sidney Gusman, o autor Carlos Patati e o desenhista Daniel Gnattali, este último o qual está realizando uma enorme proeza de cobrir o evento da Rio Comicon no formato de quadrinhos mesmo, produzidos diariamente durante e após os acontecimentos do dia no evento, e que vale, sem dúvida, uma boa conferida.

O dia foi bastante movimentada, portanto, e para quem gosta de quadrinhos, foi um ambiente maravilhoso de conferir. Nos próximos dias, o movimento deve aumentar bastante, então é melhor se prepararem, pois:

É RIO COMICON, BABY!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - ANO 2 - DIA 1

Por Gabriel Guimarães



No primeiro dia da segunda edição anual da Rio Comicon, havia muita expectativa no ar, enquanto os estandes começavam a ser montados e os expositores começavam a ocupar a Estação Leopoldina uma vez mais. O dia foi bastante agradável e a tarde contou com uma temperatura, proporcionando muitos momentos de calmaria, o que não quer dizer que não tenha havido assunto para se comentar entre os leitrores de quadrinhos e os profissionais do meio.

Abrindo os portões uma hora mais tarde do que o planejado, o evento recebeu muito bem os visitantes desse primeiro dia, com oficinas e debates bastante estimulantes. Para quem foi conferir as aulas dadas pelos profissionais da Impacto Quadrinhos, foram apresentadas técnicas de colorização digital e de anatomia, enquanto para os interessados numa discussão acerca das dimensões que a arte sequencial vem tomando, foi apresentado o debate "Histórias em Quadrinhos e a Cultura Pop", que contou com a presença de quatro quadrinistas paulistanos, Mateus Acioli, Marcelo D'Salete, Rafael Moralez e Heitor Yida, sob a mediação do ex-integrante da banda Rapa, Marcelo Yuka, que abordou questões muito importantes para o estado atual dos quadrinhos enquanto meio de comunicação no Brasil.

Partindo de uma discussão sobre as influências da cidade de São Paulo sobre a geração de quadrinistas que vêm surgindo de lá nos últimos tempos, apontando o efeito da união de culturas das mais diversas num grande centro populacional e de como a urbanização afeta a criatividade, o debate transitou pelas experiências de cada um dos debatedores pelas ruas e a conscientização da existência na cidade de maior oportunidade para os mais diversos nichos de interesse de entretenimento encontrarem seus pares e formarem grupos de discussão. Para os que puderam assistir ao debate, foi muito interessante observar a divergência do conceito de identidade brasileira de quadrinizar entre os debatedores, pois, através de uma discussão aberta em que cada um expôs sua visão do próprio trabalho frente a essa questão, foi possível perceber o quanto às vezes a cultura da nossa rotina passa para as páginas produzidas de quadrinhos mesmo sem um propósito previamente estabelecido para isso. Discutindo obras como "Cachalote", "Peixe Peludo" e o material produzido por Lourenço Mutarelli, o debate foi bastante abrangente, com o intuito de identificar o momento dos quadrinhos brasileiros atuais.

Marcelo Yuka mediando a mesa sobre histórias em quadrinhos e cultura pop
Partindo das páginas impressas dos quadrinhos para suas adaptações para o cinema, discutiu-se até que ponto a influência dos demais meios de comunicação determinam muitas das histórias produzidas pelos debatedores, e como eles viam essa relação, o que rendeu algumas críticas inflamadas e comentários extremamente pertinentes sobre a diferença entre a adaptação e a transcrição literal (que, inclusive, já foi comentada aqui no blog antes). Outra questão bastante importante analisada foi a importância do desenho e do texto para uma história em quadrinhos, e que medida seria ideal entre estes para que um material obtivesse um resultado positivo enquanto narrativa. O desenhista Marcelo D'Salete, partindo de sua experiência pessoal com José Carlos Fernandes, escritor português da história em quadrinhos "A Pior Banda do Mundo", que havia lhe enviado um texto de extrema qualidade, porém, que pouco poderia ter mais valor agregado por meio de desenhos, explicou sua posição de que uma história em quadrinhos só deve ser de fato feita se os dois meios de linguagem envolvidos nessa narrativa gráfica acrescentarem algo um ao outro, e caso isso não possa acontecer, é preciso avaliar a viabilidade do projeto.

Lançamento da estreia de Guilherme de
Sousa como roteirista de quadrinhos e
Daneil Bacellar como desenhista
Terminando com uma análise do mercado editorial brasileiro de quadrinhos autorais, em ascenção nos dias atuais, e o papel desempenhado pelo padrinho dos quadrinhos nacionais, Maurício de Sousa, e seu estúdio no mercado, foi-se destacado a importância do trabalho de Maurício por alguns, enquanto todos ressaltaram que não existe nesse caso uma concorrência direta pelo público leitor, uma vez que as propostas são de cunho e teor muito diferentes.

A presença de autores como Rafael Albuquerque, Rafael Grampá, Gustavo Duarte, os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, e o roteirista americano Chris Claremont (este último que apenas caminhou pelos estandes observando a diversidade de gêneros expostos e disponibilizados), dos indepentes e talentosos Will Sideral, Daniel Esteves e Cadu Simões, e dos recém lançados Murilo Martins e a dupla Guilherme de Sousa e Daniel Bacellar, o evento teve bastante movimentação, atraindo os visitantes em diversas direções, e tem tudo para continuar animando muito a todos nos próximos dias que seguirão, afinal de contas,:

É RIO COMICON, BABY!!!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RIO COMICON, BABY!!! - PRELÚDIO DO SEGUNDO ANO

Por Gabriel Guimarães


Parece que foi ontem que a cidade do Rio de Janeiro abria suas portas novamente para o mundo dos quadrinhos através de um grande evento após 17 anos de escassez. Em seis dias de muita atividade e ativo contato entre o público e os profissionais da arte sequencial (que podem ser conferidos detalhadamente aqui na cobertura do blog), foram vivenciadas experiências inesquecíveis e estimulantes para todos os que estiveram presentes.

Organizado na Estação Leopoldina, que está sendo revitalizada pela Prefeitura carioca, o evento ocupou uma área imensa, com exposições em homenagem a grandes quadrinistas brasileiras e internacionais, uma galeria especial dentro de uma estrutura construída especificamente para representar o trabalho do grande quadrinista italiano Milo Manara, além de uma sala onde foram realizadas diversas oficinas com altamente qualificados desenhistas, roteiristas e ilustradores do mercado editorial brasileiro. Além, é claro, da estação dos autores, onde os grandes responsáveis pela produção de histórias memoráveis estiveram presentes, autografando seu material para um contingente cada vez mais quantitativo de leitores.

Em suma, foi um evento fantástico. Não foi à toa que ganhou o prêmio HQMix de 2010 como melhor evento de quadrinhos no Brasil naquele ano. Hoje, pouco menos de um ano depois, estamos prestes a dar início à segunda edição deste grande evento que está marcando seu nome entre os admiradores de quadrinhos, a Rio Comicon, e é chegado o momento de analisar o que isso representa para os quadrinhos no Brasil e no Rio de Janeiro.

Em novembro do ano passado, foi dado um primeiro passo, fato fundamental para que qualquer grande jornada tenha início. Isso quer dizer que o evento não foi perfeito, afinal, houveram vários problemas que os organizadores tiveram que contornar de última hora, como a questão do calor e do excesso de pessoas no primeiro fim de semana do evento, mas dentro de suas limitações e propostas, foi tudo fantástico. Novamente, repito: Para um primeiro passo.

Este ano, contando com a experiência que foi acumulada no ano passado, o evento tem tudo para crescer nos seus 4 dias de atividade, atraindo ainda mais gente e, é claro, movimentando de forma considerável todo o mercado de quadrinhos, tanto em termos de quantidades de histórias novas a serem compradas, quanto de histórias a serem protagonizadas por todos os que tiverem condições de estar presentes. O contato que o evento permite entre os leitores dos mais diversos gêneros de quadrinhos e destes com os autores que admiram é algo indescritível. Essa relação, tão calorosa e estimada, é o cerne do que a cultura dos quadrinhos representam de fato, algo em torno do qual as pessoas se confraternizarem e crescerem juntas.

O evento mostrou o quanto que ele pode construir as bases sobre as quais uma comunidade real de quadrinhos pode se estabelecer na Cidade Maravilhosa, o que é uma de suas maiores carências neste quesito para que haja maior produção da nona arte nela. Entretanto, depende de nós levarmos este primeiro contato além de apenas alguns dias presencialmente unidos. Essa união precisa sair de um galpão para ganhar mais força e ímpeto em estúdios, escritórios, editoras, e assim por diante. Ainda há muito trabalho a ser feito.


Nos próximos dias, confiram aqui a cobertura completa da segunda edição da grande Rio Comicon, que mais uma vez, promete mexer com todos os fãs de quadrinhos no país todo, afinal de contas,: 

É RIO COMICON, BABY!

domingo, 11 de setembro de 2011

Bienal: Onze Tomos de Uma Grande Saga

Por Gabriel Guimarães
 

Parte do estande da editora
Leya, dedicado ao selo
 de quadrinhos, Barba Negra

E mais uma edição da Bienal do Rio de Janeiro chega ao fim. Após 11 dias de atividade intensa nos três pavilhões do Rio Centro, a feira literária que atraiu centenas de milhares de brasileiros, tanto cariocas, quanto visitantes de outros estados e países, confirmou seu significado cultural e permitiu um aumento na procura do público por material de leitura assombroso. Uma vez que o dia-a-dia do evtno foi bastante marcado pela presença ilustre de diversos autores renomados e excelentes discussões sobre o papel dos livros na vida das pessoas, o dia de encerramento não foi diferente.

Desde a manhã contando com a presença de grandes quadrinistas como Rafael Sicca, Tiago Lacerda, Lourenço Mutarelli, Rafael Coutinho, André Dahmer e do editor Lobo, da editora Barba Negra, que participaram de uma mesa de debate sobre o cruzamento de linguagens nas histórias em quadrinhos, a Bienal teve um dia bastante animado, agregando o público inesperadamente abaixo das expectativas para o derradeiro dia.

Parte dp estande da Ediouro ficou
dedicada ao grupo da Luluzinha,
tanto a versão clássica quanto a jovem
Uma vez que ao final do fechamento dos portões, o evento teria fim, muitos estandes de editoras e livrarias decidiram oferecer descontos consideráveis a quem procurasse seus produtos, dentre os quais, os destaques ficam para a Cosac Naify, com 40% de desconto, e o Grupo Editorial Ediouro, a 50% do custo. Dentre os outros pontos positivos do dia, ficam o estande da editora Melhoramento, com um material que unia de forma interessante a linguagem dos quadrinhos com o texto corrido tradicional da literatura, nos livros da série "O Clube da Faixa Preta", e a plataforma especial montada pela Fundação Biblioteca Nacional, que possuía no seu interior dispositivos de leitura a partir da leitura de movimento do leitor em larga escala, algo que animou muito os que estavam presentes nele.

No dia que marcou uma década do acontecimento que mudou o rumo das sociedades ao redor do mundo inteiro, o evento também não passou despercebido, com edições memoriais dispostas nos estandes, como "À Sombra das Torres Ausentes", de Art Spiegelman, e os dois volumes importados de "11-9", publicado com histórias variadas de artistas americanos remetendo o acidente com as torres gêmeas, o qual custou a vida de quase 3 mil pessoas honradas e cuja memória merece ser lembrada.

Para o restante do dia, também houve bastante atividade nos estandes visitados pelo padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Sousa, com seu fiel escudeiro e gande amigo, Sidney Gusman, e excelentes ofertas nos estandes das já elogiadas Comix, Devir e Panini, que permaneceram completamente lotadas e tiveram um alto rendimento em número de vendas, dentre os quais, o aumento de 50% da primeira, em relação à edição da Bienal de 2009.

Para concluir, toda a Bienal foi algo que não apenas passará, mas permanecerá para sempre na lembrança dos que verdadeiramente se permitiram viver as experiências lá disponibilizadas. Foi um grande encontro, mais do que uma feira comercial, um ambiente de amizade, mais do que um centro de negócios. Os estandes podem estar começando a ser desmontados neste instante, mas isso é apenas momentâneo. Em breve, haverá mais, pois sempre há um amanhã, que é construído com o suor, as lágrimas e os sorrisos que damos hoje. A vida continua, mas são esses momentos que a transformam em algo mais do que apenas uma série de acontecimentos, mas sim um lar de memórias.

sábado, 10 de setembro de 2011

Bienal: Nota 10

Por Gabriel Guimarães


Em um dos dias que surpreendeu pelo número de visitantes, bem acima do esperado, a 15ª edição da Bienal foi uma oportunidade realmente incrível para a integração do público de quadrinhos. Começando antes mesmo de abrir seus portões a público, com as matérias publicadas no jornal "O Globo", em que foi destacado o interesse da loja de produtos relacionados para a arte sequencial Comix em abrir uma filial no Rio de Janeiro, a feira literária foi muito positiva para quem esteve presente, e com certeza rendeu excelentes aquisições e experiências para todos.

Carlos Ruas autografando seu livro
no estande da Devir
Desde cedo com ilustres convidados como Maurício de Sousa, que autografou em diversos estandes, inclusive novamente com Ziraldo na editora Melhoramentos; Carlos Ruas, autor das tirinhas "Um Sábado Qualquer", que estava assinando seu livro no estande da Devir, que esteve bastante cheio hoje; Estevão Ribeiro; e o já citado Ziraldo, o evento abrangeu uma quantidade considerável de nuances e temas, permitindo uma integração muito boa com os leitores.


Entrada da Livraria São Marcos
Nos estandes em si, o destaque fica para os descontos em vários deles, dentre os quais, o da editora Leya, da qual o selo Barba Negra faz parte, com todos os seus livros 30% mais baratos, dentre os quais, o bom "Morro da Favela", do quadrinista André Diniz; o estande da Livraria Francesa, com 50% de desconto, e cujo material inclui desde obras de Moebius até material produzido em mangá na França; e a Livraria São Marcos, com descontos extremamente convidativos, além dos bons materiais disponibilizados, como a proposta em formato peculiar, porém, interessante, "O Cabra", feito pelo brasileiro Flávio Luiz, que esteve à venda no estande da Comix, e as edições de clássicos dos periódicos americanos do começo dos quadrinhos enquanto meio de comunicação de massa, tais como "Terry and the Pirates" "Flash Gordon".

O dia antecedeu o gran finale deste grandioso e intenso evento, que apesar de ter sido bastante desgastante pela quantidade de pessoas presentes e a quantidade de estandes para serem observados, foi um grande marco para atrair mais atenção para o reconhecimento das histórias em quadrinhos enquanto forma de estímulo intelectual, o que pode render muitos bons frutos para os admiradores da nona arte. Continuamos torcendo para que essa percepção se expanda para quebrar esse preconceito ainda existente com a arte sequencial.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bienal: Parte Nove

Por Gabriel Guimarães


Para dar início ao final de semana que encerrará a 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro, o dia trouxe um acervo de autores e envolvidos com projetos literários para todos os gostos. Fosse a presença do americano William P. Young, autor do livro "A Cabana", ou o retorno de Thalita Rebouças aos estandes, com sua diversa lista de títulos publicados, o dia reservou algumas surpresas e bons momentos aos que estiveram no Rio Centro.

Ronaldinho Gaúcho com Maurício de Sousa
Um dos fatos que mais se destacou no dia, porém, veio do estande de quadrinhos da editora Panini. Para promover ainda mais a série mensal do personagem Ronaldinho Gaúcho, produzida pelos estúdios de Maurício de Sousa, o próprio jogador participou de uma agitada tarde de contato com os leitores mirins, sendo aclamado por todos os que estavam presentes nas excursões de colégios do dia. Junto dele, o grande padrinho dos quadrinhos brasileiros, Maurício em pessoa. Uma vez que o pequeno personagem de quadrinhos "cara-metade" de Ronaldinho fora lançado numa época em que o jogador ainda atuava na Europa, o evento hoje permitiu que, enfim, ele pudesse se entrosar com o seu público carioca e brasileiro, em geral. Muito populares entre os mais jovens, o pequeno e o grande Ronaldinho proporcionaram uma enorme festa para todos, que tiveram uma tarde para não ser esquecida.

Dentre os outros elementos que chamaram a atenção, ficam os bons descontos oferecidos ao longo do dia em diversos estandes em todos os pavilhões, além da oferta de muitos gêneros de quadrinhos, desde os livros de Tintin, do quadrinista belga Hergé, até Sandman, obra máxima do britânico Neil Gaiman, em vários pontos do evento. Para quem procurar com afinco, há muitas oportunidades de encontrar bons quadrinhos e o evento ainda promete render bastante positivamente nesses últimos dias.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bienal: Oito é Demais (?)

Por Gabriel Guimarães


No dia depois do grande feriado, o movimento esteve bem mais tranquilo nos estandes do Rio Centro, na medida do possível, uma vez que muitos colégios estiveram presentes hoje para levar seus alunos para o imenso e maravilhoso mundo da literatura, neste dia que é o dia internacional da alfabetização. A fim de estimular esse aprendizado, foi possível encontrar muitos livros com desconto e várias adaptações para os quadrinhos dos grandes clássicos, como "Sherlock Holmes", de sir Arthur Conan Doyle, "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, e "O Alienista", de Machado de Assis (o blog já fez uma matéria para explorar essa relação entre a cultura da leitura e os quadrinhos aqui).

Com tantos jovens entre o público, ficou clara a preferência ao longo do dia pelos etandes que ofereciam material com atividades extras a preços mais em conta, e isso foi u dos destaques do dia. Rumando para os últimos dias do evento, alguns estandes começaram a realizar descontos maiores e promoções mais atrativas, a fim de estimular novamente o público a conhecer seus materiais. A editora Cosac Naify, que já publicou poesia em quadrinhos e que também foi a responsável por relançar os volumes escritos pelo bom autor argentino Adolfo Bioy Casares nos últimos anos, dentre os quais, "A Invenção de Morel", livro essencial para os fãs de ficção científica, é uma das editoras que está oferecendo preços bem mais acessíveis, com cerca de 30% de desconto nos livros de seu estande.

Mesmo nos estandes de menor porte, foi possível encontrar boas ofertas, atraindo assim muitos dos pequenos e grandes leitores. Desde mangás até graphic novels, a diversidade de quadrinhos oferecidos foi grande e a procura foi positiva, rendendo bons comentários dos funcionários dos estandes.

Amanhã, a cobertura da 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro continuará a toda, na esperança de estar podendo trazer a todos vocês, leitores, o panorama mais preciso de tudo envolvendo a arte sequencial que está acontecendo ao longo desses seus onze dias de realização. Boa leitura para todos!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Bienal: Sete Dias

Por Gabriel Guimarães


Como previsto, o dia de hoje na 15ª edição da Bienal do Rio de Janeiro foi marcado pela quantidade de pessoas que visitou os pavilhões do Rio Centro. Excedendo em muito o número de visitantes dos outros dias, foi bastante difícil conseguir encontrar o espaço necessário para saborear o evento, porém, isso não foi impossível.

Desde a manhã com filas enormes tanto dentro quanto fora do evento, o dia marcou um forte estímulo à leitura, com a presença de autores ilustres como Laurentino Gomes e Ziraldo, e, nem de longe, foi um dia que se limitou à super lotação que o caracterizou. No estande da editora Singular, parte da editora Ediouro, por exemplo, ocorreu o lançamento do livro "Reféns", escrito por Rafael Neves, que conseguiu ter uma boa recepção do público e uma boa troca entre o autor e seus leitores. A presença do padre Marcelo Rossi, também, foi outro acontecimento que movimentou muito vários grupos de pessoas que haviam ido à Bienal para o encontrar, e foi um fato marcante no dia.



Volumes presentes no estande da Editora Francesa

Para os quadrinhos, fica o impressionante acervo que a Editora Francesa ostenta em seu estande, com muitos livros clássicos de quadrinhos, em especial, muitas obras de Moebius, e alguns dos livros do gaulês Asterix, criado por Gosciny e Uderzo. Os livros, entretanto, estão em francês, mas ainda assim, valem uma visita e uma demorada folheada pelas suas belas páginas e acabamento de primeiro nível. No estande da editora Luz & Vida, a arte sequencial também ganhou destaque através do mural do Smilinguido, onde os personagens de quadrinhos infantis puderam ser bem lembrados pelo público que passou à sua frente para tirar fotos.

O mural do Smilinguido fez bastante
sucesso entre os visitantes

O público da nona arte hoje marcou hoje bastante presença, e os estandes voltados exclusivamente para o meio ficaram abarrotados de pessoas por todos os lados, ainda que suficientemente sob controle para que todos pudessem procurar todas as edições que estavam procurando.

A partir de agora, começam os últimos dias desse grande evento que é a Bienal, porém, ainda há muito que se falar dele, sem dúvida. Para o porvir, resta apenas aproveitar e torcer para novos bons dias para os quadrinhos nessa imensa feira literária, capaz de atrair tantos potenciais leitores.