domingo, 11 de março de 2012

Guerreiros do Quadrinho Nacional

Por Gabriel Guimarães

  
Imagem da primeira tentativa do grupo de produzir quadrinhos
eletrônicos, que acabou não indo para frente na época
Em 2003, o grupo Kaplan, composto pela dupla de Minas Gerais, Alex D'Ates e Gio Vieira Rocha, começou a esboçar seu desejo de entrar no mercado de quadrinhos eletrônicos. Com uma proposta de  oferecer quadrinhos digitais em um formato confortável, onde cada quadrinho seria exibido na tela inteira do dispositivo de leitura, eliminando dessa forma o estilo tradicional da narrativa de página das revistas, porém, cuja principal característica se encontra no fator econômico do projeto: os quadrinhos produzidos pelo grupo seriam fornecidos gratuitamente para seus leitores.

Com o objetivo de tornar essa aspiração algo viável, o grupo batalhou muito para conseguir lançar, em 2009, a primeira história em quadrinhos produzida para iPhone do Brasil. Entitulada "O Legado", a história narra a luta do personagem Tersano para derrubar o sistema social totalitário em que seu mundo estava inserido. Com o gênero de fantasia com que as histórias do grupo ficaram marcadas, esse primeiro título produzido foi uma iniciativa extremamente positiva, em uma época em que o formato mobile ainda estava começando a se consolidar, mas cuja repercussão já demonstrava que nele carregaria muito do futuro potencial comunicativo dos quadrinhos. Apesar de ter sido lançado ao custo de R$ 0,99 na Apple Store, como forma de procurar sustentar o projeto, o grupo percebeu que o fato de ainda ser um embrião do quadrinho nacional junto à concorrência de conglomerados americanos de arte sequencial tornava a continuidade desta estratégia especificamente inviável.


Com isso, voltaram-se para sua proposta original e decidiram investir na produção de um site onde as histórias de seu universo de personagens poderia ser mais de acordo com a ideia original, focada no livre acesso aos quadrinhos sem qualquer custo financeiro. Utilizando ainda do modelo de visualização em que seu primeiro material foi distribuido, o grupo Kaplan decidiu lançar uma nova série, entitulada "Mercenary Crusade", cujas edições acompanham as aventuras da dupla de mercenários Málef e Ryaad em um mundo repleto de criaturas mirabolantes e de uma natureza particular.

Agora disponibilizado gratuitamente apenas no site do grupo, chamado "Kaplan Project Comics", que pode ser conferido aqui, a série apresenta um sistema de publicação semanal e uma interatividade com o público muito grande, onde os autores procuram observar as reações dos leitores ao desenrolar da história, a fim de construírem uma narrativa capaz de evoluir os personagens e agradar a todos os potenciais fãs do título. Outra questão tratada com bastante atenção pelo grupo tem sido a exploração de novas plataformas para a expansão do universo de seu novo título e, em breve, grandes novidades acerca disso devem surgir nas postagens do perfil do grupo no Facebook, cuja página pode ser conferida aqui.

Uma das artes originais do universo em que se passa
a história "Mercenary Crusade", divulgada na FIQ de 2011
O recurso mais recentemente divulgado de expandir as sensações do mundo de Kaplan foi exposto na última edição da Feira Internacional de Quadrinhos (já comentamos sobre o FIQ aqui no blog antes), de Belo Horizonte, em 2011, no formato do primeiro cardgame inteiramente brasileiro. Com cerca de 3500 cards distribuidos ao público, o resultado foi uma nova leva de leitores bastante empolgados pelo universo dos mercenários. Observando esse retorno, o grupo Kaplan agora iniciou uma batalha para conseguir bancar o custo de produção de toda uma leva de cards para permitir aos leitores tomarem parte no mundo dos personagens e, para isso, abriu uma conta no site Movere, de financiamento coletivo. Já tendo sido utilizado por outros projetos, como a história "Achados e Perdidos" (que já foi citado aqui no blog), do site Quadrinhos Rasos, o sistema de financiamento coletivo tem sido uma forma de produção mais custeável para produtores independentes e também tem inovado o campo da interação entre os produtores e consumidores de conteúdo para entretenimento, o que vem revolucionando o modelo editorial de produção dentro das editoras e profissionais do ramo.

Exemplos dos cards que serão lançados pelo grupo Kaplan

A quem tiver interesse de colaborar de alguma forma para a produção do cardgame do grupo Kaplan, o link contendo as informações para tal pode ser visto aqui. O vídeo disponibilizado na página explica mais detalhadamente como funciona o jogo em que as cartas a serem produzidas estarão aptas para serem utilizadas, e explica também um pouco do projeto do grupo como um todo. O retorno pelo investimento feito também é descrito minuciosamente na página, permitindo uma maior compreensão da importância da participação de cada colaborador. Aguardaremos ansiosos pela confirmação do projeto, que estará aberto a investimento até o dia 13 de abril deste ano. Confiram!

4 comentários:

JODIL disse...

Sucesso! Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!

Venerável Victor disse...

Adorei o projeto e a iniciativa, parabéns para esses artistas que nos orgulham tanto, nosso país não se cansa de ser celeiro de tanta gente talentosa e audaz.

João Ferreira disse...

Interessante. Mas acho que ainda não estou preparado pra esse tipo de novidade. hehe Eu cusrto muito uma HQ em forma de "gibi de papel" mesmo. rsrs Abraços!

José Frederico disse...

Creio que o fator mais interessante nessa empreitada é que eles estão buscando a criação de um universo consistente, para futuros licenciamentos.